quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O que é Justificação*

Justificação é o ato de declarar alguém justo. Justificado é o indivíduo que foi declarado justo, e, de acordo com a Bíblia, a pessoa justificada passa a ser considerada isenta de pecado, embora fosse destinada à condenação se dependesse de sua própria natureza.
Enquanto "justo" é, via de regra, um adjetivo na frase, ou seja, uma palavra que qualifica aquele que pratica a justiça, "justificado" é a forma do verbo "justificar" no particípio passado, o que sugere que a pessoa passou a ter essa condição de justiça sem que fosse justa. Por isso, uma coisa é dizer que eu sou justo - qualificado como justo; outra coisa, bem diferente, é dizer que fui justificado - fui declarado justo.
É muito importante distinguir o justo do justificado, para que não pensemos que somos justos em nós mesmos. Apenas fomos declarados como tais.
Qual a base bíblica para essas considerações? Podemos partir de Rm 4.25, onde Paulo diz que Jesus, nosso Senhor, "foi entregue por causa de nossas transgressões e ressuscitou por causa de nossa justificação". Era então necessário que Jesus morresse pelos transgressores e ressuscitasse a fim de que eles fossem declarados justos.
Em Rm 5.1, Paulo diz: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo".
Tendo sido justificados mediante a fé, podemos ter paz com Deus, fizemos as pazes com Deus. Só poderíamos estar bem com Deus depois dessa declaração de justiça concedida por meio de Jesus Cristo, pois Deus não se associa com pecadores que não foram declarados justos.
E mais: "O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação (...) Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida" (Rm 5.16,18).
Já deve ter sido possível observar que a linguagem da justificação mediante a fé assemelha-se à linguagem dos tribunais. Sim, "justificação" é um conceito jurídico, em que o condenado recebe a declaração de que, embora apto à prisão, receberá uma segunda chance. Ele fica então livre da condenação, como está escrito em Rm 8.1: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". A única condição para não ser condenado é estar em Cristo Jesus, unir-Se a Cristo.
Diante disso, Paulo pergunta mais à frente: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Rm 8.33,34).
Não há condenação nem acusação eficaz contra os eleitos de Deus porque Cristo Jesus morreu e ressuscitou em seu lugar, subiu à destra de Deus e intercede pelos pecadores declarados justos. Isso é justificação!
Discorrendo sobre a aceitação dos gentios por Deus, Paulo escreveu "que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcancá-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço..." (Rm 9.30-32).
Se por um lado a justificação decorre da fé, e alcança até mesmo gentios, que viviam sem a Lei de Deus, a "lei de justiça" não foi nem jamais seria capaz de justificar ninguém, pois seu objetivo foi mostrar ao Ser Humano sua completa pecaminosidade e necessidade da Graça, preparando-o para a vinda do Justificador, Jesus Cristo. É por isso que Jesus Cristo foi posto como "pedra de tropeço e rocha de escândalo" para os judeus que n'Ele não creram (ver o v.33).
Quando cita a justiça que decorre das obras, Paulo se refere às obras da lei, isto é, às muitas prescrições legais quanto a ritos e cerimônias, sintetizadas na aliança da circuncisão. Foi pensando nisso que Paulo escreveu: "sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. Mas se, procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, dar-se-á o caso de ser Cristo ministro do pecado? Certo que não!" (Gl 2.16).
Esse texto paulino não poderia ser mais claro: a justificação se dá exclusivamente pela fé em Cristo, e não por obras da lei. E a justificação não significa uma licença para pecar, mas um livramento concedido de graça pelo Único que pode justificar.
Há uma discussão acerca do que Tiago escreveu sobre a justificação, havendo mesmo uma corrente segundo a qual ele teria ensinado a justificação pelas obras. Mas isso não é verdade.
Eis o texto de Tg 2.14-26, na ARC:
14 Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?15E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano,16E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?17Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.18Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.19Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.20Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?21Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?22Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.23E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.24Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.25E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho?26Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.
Utilizando uma linguagem diferente da utilizada por Paulo, Tiago está dizendo a mesma coisa, mas enfatizando o caráter prático da fé, que não pode ser meramente confessional. A fé mediante a qual o homem é justificado é uma fé viva, real, genuína, diferente da fé morta, simplesmente religiosa e verbal, que não existe e, por isso, nada produz.
Foi assim que para Abraão sua fé contou como justiça - ele foi justificado pela fé, e essa fé se aperfeiçoou, se consumou ou se manifestou quando ofereceu Isaque sobre o altar. Ali Abraão demonstrou cabalmente que sua fé existia.
Da mesma forma Raabe demonstrou sua fé quando cooperou com os espias israelitas na cidade de Jericó. Sua fé revelou-se na ação.
A fé está para a alma assim como as obras estão para o corpo: são duas realidades unidas, que não podem se separar, sob pena de morte.
Devemos entender que toda pessoa que deseje ser justificada de seus pecados deve, primeiro, reconhecer sua condição de pecadora, e em seguida admitir que o Justificador é Jesus Cristo. Para ser justificado, basta crer em Cristo, na obra que Ele praticou por nós, morrendo, ressuscitando, subindo ao Céu e intercedendo pelos pecadores. Toda justificação pertence a Cristo, jamais ao homem!
Aqueles que procuram se justificar por meio de obras são legalistas, e precisam ouvir a seguinte admoestação de Paulo aos gálatas: "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes" (Gl 5.4). Sim, pois, embora Paulo se referisse ali às obras da lei mosaica, o raciocínio é idêntico - não se pode o homem apoiar em obras para obter justificação, já que o pecado a todos submete.
Somos justificados pela graça, como está escrito em Tt 3.7: "a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna".
Esse foi o nosso primeiro estudo, que demanda esforço e seriedade, porque os temas são fundamentais à nossa identidade cristã evangélica. Que Deus nos ajude a desfrutar cada vez mais de nossa condição de justificados pela fé.

*Elaborado para o blog http://basesdefe.blogspot.com/, que criamos ontem.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A vida de um crente comum

Não há só o domingo - depois dele vem a segunda. É no dia-a-dia que a gente é crente. Toda aquela emoção de ser crente na igreja passa bem rápido na luta de segunda a sexta.
Promessas exclusivas de paz e prosperidade são para os incautos. Vivo com a promessa da Vida Eterna. Sim, também quero paz e prosperidade, mas não vivo em função disso.
Há tantas heresias e modismos que a gente tem dificuldade de se atualizar. Parece que estamos fora de moda. Os ortodoxos são tidos como chatos, atrasados. Os que freqüentam a escola dominical não conseguem entender os cultos de domingo à noite, nem as festas da igreja.
O errado toma o lugar do certo, e o certo fica sendo errado. Quem se insurge contra a bandalheira é chamado de rebelde, frio, arrogante, impaciente. Eles sabem usar os versículos na hora certa.
Para a maioria, a coisa vai bem, obrigado. Falam de chuva de bênçãos, eu vivo o deserto. Falam de vitória, eu passo pela prova. Falam de Deus a lhes dizer coisas inefáveis. Eu estou curtindo o silêncio.
No calor causticante sem nenhuma brisa e refrigério, é duro saber e não poder falar. É duro não ter nenhum poder. É duro ser crente hoje.
Há tempos vivo na desorientação de pertencer a um movimento que não me pertence por princípio. Há tempos me alimento do ar flamejante das contradições. É duro esse deserto, é muito difícil respirar num clima seco.
Entre glórias e aleluias, sigo como um crente comum. Minha cabeça manda, o corpo não pode obedecer, pois está amarrado pela burocracia dos santos. Estabeleceram os feudos, dominaram o terreno, tudo tem dono, tudo tem nome, todos têm credenciais.
Vivo um tempo muito, muito, muito complicado. Ser crente comum nos dias de hoje, ser crente com base na Bíblia é tarefa das mais dolorosas quando se pretende manter a integridade.
Dizem para eu não me amargurar, e estão certos. Mas não me peçam para ficar calado nem contente - se for preciso, morrerei descontente e tagarelando contra as impropriedades de um evangelhozinho carnal e medíocre.

Novo blog

Por sugestão de minha esposa, criei um blog destinado exclusivamente a noções fundamentais da Fé Cristã, a serem explicadas de modo simples e bíblico. O endereço é http://basesdefe.blogspot.com. Já inseri um texto sobre Justificação, o qual certamente deverá ser ampliado.
Trata-se de um grande desafio. Estudar e ensinar teologia não é fácil. É preciso gostar de ler e ter disposição para isso. É preciso também ter segurança no que se escreve.
Há uma extrema necessidade de os crentes conhecerem as raízes de sua Fé, os fundamentos, os conceitos principais. Creio que a maioria dos crentes, de todas as igrejas, passaria aperto numa sabatina sobre temas elementares, sobre os rudimentos da Fé.
Espero que a experiência dê certo. Gostaria muito de que aqueles estudos bíblicos viessem a ajudar alguns de nossos irmãos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A Igreja não quebrou

Por mais difícil que seja conviver e congregar numa igreja cujos princípios destoam dos nossos, e, mais do que isso, destoam da Palavra de Deus, a verdade é que a Igreja, como instituição, não entrou em falência, não quebrou. A Igreja foi instituída por Jesus Cristo, e é por isso que sobrevive contra as portas do Inferno (Mt 16.18).
Essa esperança é verdadeira e necessária.
Tenho esperança de que não sucumbiremos ao personalismo de líderes, às múltiplas heresias, aos modismos, ao dinheiro, à politicagem de dentro e à politicagem de fora, nem cairemos aos pés da carnalidade.
Tenho esperança de que sobreviveremos e viveremos, apesar dos lobos em pele de cordeiro, dos pregadores triunfalistas e emocionalistas, dos que vivem se acovardando ou se vendendo ante à força do contra-evangelho.
Tenho esperança de que o povo ainda vai aprender a estudar a Bíblia direitinho, como os alunos que aprendem interpretação de texto na escola; que as pessoas conseguirão entender que a Bíblia não é uma colcha de retalhos, em que os versículos são tratados como simples amuletos, em total desarmonia entre si.
Tenho esperança de que os crentes compreenderão como a Razão se associa à Fé como irmãs.
Tenho esperança de que os crentes vocacionados ao ministério pastoral serão consagrados ao ministério no tempo certo, cumprindo os requisitos bíblicos.
Ora, eu preciso ter essa esperança. Mas, de qualquer maneira, se nada disso acontecer - e as circunstâncias militam contra minha esperança - eu tenho plena certeza de que a Igreja de Cristo irá subir ao Céu, ainda que seja bem diferente das igrejas que hoje se dizem evangélicas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Entendo que dom é ferramenta, enquanto fruto é caráter. Prefiro um pastor com o fruto do amor e sem dom de línguas ao pastor com dom de línguas sem o fruto do amor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A necessária arte de discordar*

Por mais que os poderosos governantes não gostem, discordar é preciso. Eu sei que murmuração é pecado, que rebeldia é pecado, e que o mero "criticismo" não ajuda em nada. Mas não estou me referindo a nenhuma dessas coisas! Refiro-me à diferença de idéias num sistema, comunidade ou instituição.
Nenhuma instituição se renova quando escolhe estabelecer um pensamento único, um "partido único". Ela pode até permanecer por anos e séculos a fio, mas nunca será uma instituição renovada.
Discordar com critério e fundamento é como um óleo que lubrifica o motor. Quem governa ou exerce o poder de alguma forma precisa valorizar opiniões divergentes, mesmo que estejam erradas. É necessário esse arejamento, a fim de que as coisas funcionem, amadureçam e melhorem.
Os ditadores são inseguros. Têm dúvidas sobre suas idéias inseguras, e por isso as impõem aos outros.
Fico triste quando leio na Internet comentários de leitores que defendem tenazmente o Governo, mesmo quando este erra vergonhosamente, por incompetência ou má-fé. Eu não sei se sempre foi assim, mas me parece que nos Governos anteriores as pessoas eram mais críticas das ações e pecados governamentais. Agora até me ocorre a impressão de que determinados partidos aparelham os sites de jornais e blogs de jornalismo político com o intuito de inserir comentários de leitores otimistas com o Presidente da República. Isso me asusta. Será que o Governo é tão bom assim?
Penso nos jovens que não são capazes de se indignar. Creio que uma juventude abestalhada é a pior coisa que um País pode sofrer, pois seu futuro lhe está entregue. E essa juventude se abestalha em drogas, bebidas, sexo descompromissado, analfabetismo político, canções vazias, desrespeito aos pais, falta de disciplina e desonestidade. Com uma juventude dessas, quem ainda acha que o Brasil é o País do futuro?
Penso também nos crentes que não são capazes de se indignar, talvez por causa de uma teologia que desequilibra as virtudes, exortando a uma subserviência que nada tem que ver com humildade, paciência ou mansidão. A respeito disso, vale consultar o "site" http://www.cppc.org.br/, em que há um artigo muito interessante intitulado Neurose Cristã Induzida. Pelo que entendi, o autor chama a atenção para um tipo de neurose provocada em pessoas normais ante a pregação que se faz nas igrejas cristãs, em sua interpretação errônea de admoestações do Evangelho.
Eu mesmo sou um indignado por natureza, e tento me expressar da melhor maneira possível, especialmente neste blog, que é um de meus refúgios. Outro refúgio é minha própria casa, onde minha esposa e eu filosofamos e resolvemos todos os problemas do mundo enquanto lanchamos na cozinha. Ela tem os mesmos valores que eu, e considera legítima a minha indignação.
O desafio para quem exerce a arte de discordar é múltiplo:
a) avaliar se as críticas refletem uma preocupação real ou se são fruto de motivações outras, como a soberba, a emulação e o espírito crítico;
b) manter a integridade entre o falar e o agir;
c) admitir que pode estar errado;
d) aceitar, ele mesmo, as críticas que virão;
e) fazer algo positivo na vida, em vez de tão-somente apontar o erro dos outros;
f) tomar conhecimento do assunto antes de emitir opiniões;
g) estar seguro de que suas declarações partiram de reflexão, até para que possa sustentá-las no momento oportuno. Afinal, pessoas como nós de vez em quando são chamadas a dar explicações...
O texto mencionado é o seguinte: NEUROSE CRISTÃ INDUZIDA: Um exame dos Paradoxos Pragmáticos e da fé cristã. Induced Christian neurosis- An examination of pragmatic paradoxes and the Christian faith.By: Watson, P.J.; Cohen, E.J.; Folbrecht, J. Tradutor: Adami A. Gabriel,Psicólogo Clínico. O leitor clica em Textos e publicações, e depois clica em Artigos. O artigo estará em ordem alfabética. Vale a pena ler.
* Também publiquei esse texto no "site" www.ultimato.com.br.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Princípios Elementares da Doutrina de Cristo

Em Hb 6.1-3, há uma lista de “princípios elementares da doutrina de Cristo” (Almeida Revista e Atualizada - ARA) ou de pontos do “ensinamento elementar sobre Cristo” (Bíblia de Jerusalém - BJ). O autor da Epístola exorta os leitores a que avancem à maturidade cristã, em vez de ficarem limitados às bases de Fé, ou aos “artigos fundamentais” (BJ).
Com efeito, ao usar o vocábulo “perfeito” (ARA) ou “perfeição adulta” (BJ), o texto se refere à maturidade, à condição de pessoa crescida, desenvolvida. Para alcançar esse status, é necessário passar por princípios elementares.
No rol de doutrinas básicas, o escritor de Hebreus menciona o arrependimento de obras mortas, a fé em Deus, os batismos, a imposição de mãos, a ressurreição dos mortos e o juízo eterno. Olhando com bastante sinceridade para essa lista, eu me pergunto: posso fazer coro ao escritor de Hebreus e dizer que essas doutrinas são elementares para mim? Em outras palavras, o que era básico para o autor sagrado é de meu pleno conhecimento?
Note-se que a própria doutrina do arrependimento é muito controvertida entre arminianos e calvinistas. Para os primeiros, o arrependimento é responsabilidade humana, já que todos têm livre-arbítrio; para os seguidores do pensamento de Calvino, o arrependimento é obra do Espírito Santo, com a Graça Irresistível, o Chamamento Eficaz, o Monergismo, dado que o Ser Humano, em sua Depravação Total, morto “em ofensas e pecados” (Ef 2.1), jamais poderia, segundo eles, atender à pregação do Evangelho.
A doutrina da fé em Deus também é alvo de polêmicas. Se para os pentecostais existe a fé salvífica e a fé como dom do Espírito, os históricos sustentam que a fé é uma só; a seu turno, o segmento neopentecostal do Movimento da Fé, com sua Confissão Positiva, prega um tipo de fé que mais se aproxima do pensamento positivo, das religiões orientais, da “lei da atração”, do Gnosticismo, pois a fé é ensinada como sendo uma atitude mental que libera o poder de Deus automaticamente, substituindo-se a súplica pela “determinação”, “declarações proféticas”, “declarações”, ou pela tal “palavra RHEMA” difundida por KENNETH HAGIN. A fé deixa de ser confiança em Deus para ser um dispositivo que aciona os poderes cósmicos, um amuleto.
E o que dizer do ensino de batismos, imposição de mãos, ressurreição de mortos e juízo eterno?
Que batismos são esses? Trata-se do batismo de João e do batismo no Espírito Santo? Ou, além destes, teríamos ainda o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo? Será que o escritor sacro pensou nas abluções e ritos de purificação dos judeus - para diferenciá-los, no contexto de Hebreus, do batismo cristão? Mais ainda: estaria ele discernindo, em sua mente, os conceitos de batismo no corpo de Cristo pelo Espírito e batismo no Espírito por Cristo? Havia mesmo toda essa gama de batismos, tão complexa seria essa doutrina? Sendo assim, as perguntas demonstram que o tema não me parece elementar, e isso me assusta, pois o autor da Carta aos Hebreus afirma categoricamente que eu os deveria considerar lições básicas, de aluno iniciante!
Quanto à imposição de mãos, temos ainda mais dificuldades: a que ele se refere? À imposição de mãos para a ordenação de bispos e diáconos, para a cura, para o recebimento do Espírito Santo (em poder), para a bênção, como Jesus fez com as criancinhas? Por que motivo a imposição de mãos é doutrina fundamental? Isso mostra que os judeus cristãos tinham dificuldade com o assunto. Atualmente, essa situação se repete, mas agora porque certos indivíduos impõem as mãos dizendo que irão transferir poder especial. Realmente, precisamos conhecer mais dessa doutrina.
Por fim, temos dois temas muitíssimo disputados: a ressurreição dos mortos e o juízo eterno. Aqui as controvérsias se avolumam: de um lado, milenistas e amilenistas; dentre os milenistas, pré-milenistas e pós-milenistas; dentre os pré-milenistas, há os pré-tribulacionistas e os pós-tribulaconistas. Há os Dispensacionalistas e os que se opõem ao Dispensacionalismo. Os Dispensacionalistas ensinam detalhes sobre o Julgamento das Nações, o Juízo Final, o Tribunal de Cristo, as Bodas do Cordeiro, o Milênio, interpretando passagens apocalípticas e às vezes não- apocalípticas com uma riqueza de descrições que me deixa espantado com a capacidade que o Ser Humano tem de achar que pode prever o futuro, ainda que use para isso o argumento de que sua interpretação da Bíblia é literal, quando é, na verdade, demasiado alegórica, ferindo pontos de hermenêutica e de exegese.
Viram só? Se esses pontos são "artigos fundamentais" da doutrina de Cristo, se constituem lições elementares, como partiremos para algo mais profundo, se, convenhamos, temos tanta dificuldade até aqui? Eu mesmo confesso minha limitação absurda. E nem creio que o problema maior sejam as diferentes teologias - embora as critique sutilmente...
Os problemas principais, que impedem o crescimento espiritual, são a preguiça e o desvio de foco em relação à Pessoa e Obra de Cristo. De fato, quando colocamos o Ser Humano e suas pretensões egoístas no centro da mensagem supostamente cristã, é impossível avançarmos um passo sequer.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Dá para ficar com vergonha

Dá para ficar com vergonha de alguns programas evangélicos na TV, onde o "apóstolo", bispo, pastor ou missionário repete aquele besteirol da confissão positiva, do triunfalismo, da Teologia da Prosperidade, como se fosse a coisa mais inteligente, bíblica e sensata do mundo.
Dá para ficar com vergonha de alguns programas evangélicos na TV, onde os apresentadores pedem dinheiro constantemente, indagando eu se é realmente necessário pedir tanto, já que o Deus que eles dizem servir é o Deus de toda a providência e provisão.
Dá para ficar com vergonha de alguns programas evangélicos na TV, que pregam um retorno a símbolos judaicos, e se dizendo - que horror! - membros da mesma denominação que eu!!!
Dá para ficar com vergonha de alguns programas evangélicos na TV, que, sob o pretexto de evangelizar o Brasil, acabam reproduzindo costumes litúrgicos que ninguém, senão eles mesmos, aprecia ou compreende.
Dá para ficar com vergonha de alguns programas evangélicos na TV, que eu não consigo assistir por mais de dois minutos, de tão enfadonhos que são. Ora, será que coisa de crente precisa ser assim tão monótona, tão sem cor e sem conteúdo? Acho que mais descolorido do que isso é só um canal (não- evangélico) em que ficam pessoas sentadas em bancos de madeira, repetindo palavras proferidas por um outro, que está de pé junto a um púlpito. O desconsolo de todos é notável, e mais notável ainda é que coloquem isso na TV!

Da necessidade de manter os mesmos princípios de vida

Para que duas pessoas andem juntas, é necessário que os princípios de vida sejam compartilhados. É preciso ter valores em comum, a mesma visão de mundo, as mesmas preferências quanto ao que é mais importante nesta vida. Um versículo bíblico que parece atestar essa afirmação é o de Am 3.3, quando diz: "Caminham duas pessoas juntas sem que antes tenham combinado"? (Bíblia de Jerusalém).
Ninguém pode conviver discordando o tempo todo. Essa é uma realidade insofismável. Do contrário, a gente fica aborrecido, amargurado, irritado, triste. Não dá para viver assim. Como dizia o poeta Vinícius de Moraes, É mellhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe.
Não me refiro a coisas acidentais, menos importantes, que podem ser alvo de renúncia. Refiro-me a coisas principais, fundamentais, a que não se pode renunciar sem perder a dignidade. Refiro-me aos ideais, aos valores, aos princípios mais caros, àquilo que dá sentido à vida e faz com que a pessoa acorde pela manhã achando que viver é um bom negócio.
Se o eventual leitor está pensando em casamento ou amizade, eu estou pensando na igreja, mas essas idéias valem para toda e qualquer comunidade ou sociedade - os princípios de vida precisam ser os mesmos.
É por isso que eu não considero que a pessoa seja obrigada a permanecer na mesma igreja ad aeternum, só para atender à falsa noção de que seu lugar é inevitavelmente aquele lugar que achou primeiro. Onde isso está escrito na Bíblia? Há algum versículo dizendo algo como "Permaneças na mesma congregação aconteça o que acontecer"?
Na verdade, o que há é o seguinte: "Não deixemos nossas assembléias, como alguns costumam fazer. Procuremos, antes, animar-nos sempre mais, à medida que vedes o Dia se aproximar" (Hb 10.25). Não sejamos simplistas! O autor sagrado não está dizendo para alguém sofrer os erros doutrinários de outros, mas se trata de uma exortação para que o crente desanimado persevere, o que, aliás, é tema central na Epístola aos Hebreus - a perseverança.
A Bíblia não recomenda ao crente a submissão a erros doutrinários ou de caráter, nem àquilo que atropela seus princípios fundamentais. Há limite em todas as coisas. Enquanto o autor aos Hebreus se dirige aos desanimados, eu me dirigo aos que são animados pela Causa de Cristo, mas que se vêem chateados com problemas de ordem doutrinária e comportamental.
Mas o problema é algo mais profundo. Creio que não se trata apenas de doutrina e comportamento, mas também de visão. Olha, uso essa palavra com receio, porque atualmente alguns usam a palavra "visão" para significar alguma revelação especial e extrabíblica, algum modismo, heresia ou nova estratégia de crescimento de igreja - estou falando de coisa distinta, estou me referindo à cosmovisão, à maneira de enxergar a vida, que, por sua vez, depende da maneira como a pessoa enxerga a Palavra de Deus e suas exigências.
Para ser mais claro, estou aprendendo a analisar a Bíblia por uma perspectiva cristocêntrica, não-alegórica e com entendimento; em que os dons espirituais são ferramentas para a evangelização e edificação, e não para a criação de categorias de crentes na igreja; uma perspectiva de culto em que se adora a Deus com simplicidade e espontaneidade, em que se ora com verdade e se proclama a Palavra de Deus genuinamente; uma visão segundo a qual as coisas precisam fazer sentido, sem apenas atender a tradições humanas; uma visão integral do Reino de Deus e da missão da Igreja; uma valorização do estudo, do preparo de sermões, da Razão aliada à Fé, do treinamento de líderes, da não- imposição de mãos sobre pessoas sem o mínimo conhecimento bíblico, do afastamento de qualquer politicagem dentro da igreja...
Esses são alguns princípios que eu tento seguir. Dá para entender agora por que se me entristece o coração?

domingo, 17 de agosto de 2008

A origem idólatra das Olimpíadas, e como o cristão deve se portar diante disso

As Olimpíadas tiveram origem intimamente ligada à adoração de Zeus, considerado, pelos antigos gregos, o deus dos deuses. Os Jogos Olímpicos misturavam-se com sacrifícios religiosos; atletas eram tidos como semi-deuses, filhos de divindades com seres humanos; havia culto e templos dedicados a atletas mortos, vistos como heróis, com poderes miraculosos. Havia, ainda, os "deuses do Olimpo", e Olímpia era a cidade que sediava os Jogos. Esses elementos, aqui dispostos singelamente, apontam para a completa interação existente entre o surgimento das Olimpíadas e o politeísmo grego.

Essa relação entre Olimpíadas e religião foi rememorada quando dos Jogos de Atenas, em 2004, pois os organizadores resolveram narrar a história da Competição. Ali ficou bem claro o vínculo histórico entre a adoração a Zeus e o as Olimpíadas Antigas, que duraram de 776 a.C. a 392 d.C.

Diante disso, nós cristãos somos levados a perguntar que postura devemos ter diante dos Jogos Olímpicos, não nos esquecendo de que há atletas olímpicos que confessam a Cristo como Salvador e SENHOR.

Vale observar primeiramente que não só os esportes eram praticados sob uma visão religiosa, mas tudo o que se fazia na Grécia Antiga tinha essa conotação, já que a religião explicava a vida. Essa era a cosmovisão: não se separava a religião da política, da filosofia, dos esportes, da medicina, e se sabe que é da mitologia grega que se alimentam, hoje, conceitos psicológicos como o Complexo de Édipo, por exemplo. Enfim, a mitologia era a maneira grega de explicar a vida.

Também muitas palavras de nosso vocabulário têm origem grega, como hermafrodita, que une Hermes e Afrodite para significar uma pessoa com características sexuais ambíguas. Hermes ("mensageiro") seria filho de Afrodite, deusa do amor e da beleza...A palavra hermenêutica, tão usada por nós estudantes da Teologia, vem de Hermes, já que este seria o intérprete da vontade dos deuses...,sendo ainda um dos deuses do Olimpo.

O apóstolo Paulo serviu-se das competições olímpicas para fazer algumas ilustrações pastorais. De fato, quando se refere ao mundo do esporte, Paulo tem em mente o mundo olímpico, pois ele viveu nesse período.

Assim é que Paulo diz que os que correm no estádio correm, mas um só leva o prêmio; que "todo atleta em tudo se domina", mas que, enquanto o atleta comum busca uma "coroa corruptível", os servos de Cristo buscam a "coroa incorruptível; que ele mesmo corre, mas "não sem meta"; luta, mas "não como desferindo golpes no ar"; que esmurra seu corpo, reduzindo-o à escravidão, a fim de não ser desqualificado ou reprovado (I Co 9.24-27). Essas afirmações demonstram o quanto Paulo conhecia das competições e da vida do atleta, que sofria para manter a forma física, com o intuito de ser o vencedor.

Registre-se que a corruptibilidade da coroa do atleta comum não tem que ver com a pecaminosidade do esporte, mas com o fato de que a coroa terrestre era algo perecível, enquanto a coroa a ser recebida no Céu é eterna, não perecerá jamais. Na verdade, o apóstolo usa a metáfora do esporte de maneira positiva, comparando a vida cristã com a vida do esportista, que se exercita com rigor e age em função de metas.

Isso é feito ainda em I Tm 1.18, quando Paulo exorta o pastor Timóteo a combater o com combate; quando o próprio Paulo diz que combateu o bom combate e completou a carreira (II Tm 4.7); quando diz que "o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas" (II Tm 2.5).

Outra alusão indireta ao esporte pode ser extraída de I Tm 4.7,8, onde Paulo exorta Timóteo a se exercitar pessoalmente na piedade, pois, se o exercício físico aproveita pouco, a piedade é proveitosa em tudo, pois "tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser".

Desde que surgiram as Olímpiadas Modernas, no final do Séc. XIX (1896), seu objetivo tem sido o de reunir os povos pacificamente em torno do esporte, sem a conotação religiosa de outrora. Sinceramente, não vejo mal nenhum nisso, e parece que Paulo soube diferenciar o esporte, em si, do sentido religioso que o povo grego lhe deu. Aliás, como dissemos, tudo para os antigos gregos era dominado pelos mitos idólatras, toda a sua vida era guiada por concepções de vários deuses, como se exemplifica no episódio de Paulo em Atenas (At 17.16-34).

Acredito que as coisas devem ser discernidas com cuidado e - vou usar a palavra - inteligência. Procede a idéia de que tradições podem mudar de sentido ou de função com o passar do tempo. Uma festa ou outro evento pode adquirir significados diferentes ao longo dos séculos.

Portanto, não sou contra a participação de cristãos em Olimpíadas, e eu mesmo gosto de ver algumas competições, especialmente a ginástica artística. Gosto de ver o Ser Humano se superar, em harmonia com outras nações.

Os dados históricos dos dois primeiros parágrafos foram pesquisados no seguinte endereço:

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL726854-9982,00-OLIMPIADAS+GREGAS+ERAM+DISPUTA+ESPIRITUAL+AFIRMA+HISTORIADOR.html

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A sede de poder e as relações dentro da Igreja

Em Mt 20.20-28 e Mc 10.35-45, lemos uma passagem de elevado interesse espiritual, moral, relacional e social: trata-se do momento em que Tiago e João, filhos de Zebedeu, em conjunto com sua mãe, pedem a Jesus que lhes conceda assentar-se com Ele na glória, um à direita e outro à esquerda.
Enquanto Mateus menciona a participação da mãe dos dois discípulos nesse pedido, Marcos cita apenas os dois irmãos. Mateus diz expressamente que a mulher adorou a Jesus e "pediu-lhe um favor" (Mt 20.20). Era mesmo uma solicitação em família, algo que a mãe considerou importante para seus queridos filhos. Ela estava, sem dúvida, pensando no futuro deles, mas o fez demonstrando total desconhecimento das lições ensinadas pelo Mestre no que toca à humildade e serviço, bem como à natureza do Reino de Deus e de Sua glória.
Sabiamente, Jesus disse que eles não sabiam o que estavam pedindo; que poderiam beber do cálice que Ele beberia, e passar pelo batismo com que seria Ele batizado (sofrimento e morte pela Causa de Cristo), mas caberia somente ao Pai decidir quem se assentaria ao lado de Jesus (Mt 20.22,23 e Mc 10.39,40).
Quanto aos dez outros discípulos, ficaram "indignados" com a atitude daquela família (Mt 20.24 e Mc 10.41). Para ser bem sincero, eu ficaria indignado também. Onde já se viu uma coisa dessas? O que Tiago e João pensaram de si mesmos e dos outros? Eram eles melhores do que alguém neste mundo?
Com muita paciência, Jesus aproveitou a oportunidade para ensinar que no mundo os povos têm seus dominadores, seus maioriais que exercem autoridade sobre os gentios, mas que entre os discípulos - quer dizer, na Igreja de Cristo - não pode existir essa relação de poder. Quem quiser tornar-se grande e primeiro será servo de todos, assim como o Filho do Homem [Jesus Cristo] não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.26-28; Mc 10.42-45).
Jesus ensinou, portanto, que na Igreja, até então em estado embrionário, as relações não devem ser estabalecidas em função do poder. Essa relação de dominador-dominado é para a política, o Estado, as organizações meramente humanas. Na Igreja, o exercício do poder deve ser dirigido ao serviço comum. Creio ser nesse sentido que Jesus diz que aquele que quiser ser grande e primeiro deverá servir, revelando, assim, que a finalidade do poder é o serviço, e pronto, nada tendo a ver com glória e reconhecimento humano.
O curioso é que esse pedido feito a Jesus é repetido todos os dias em muitos corações, talvez não de maneira tão explícita, mas quando se busca reconhecimento, fama, prestígio, poder, glória, o galardão desta Terra; e quando se erigem formas de governo eclesiástico em que um homem ou poucos homens dominam sobre rebanhos inteiros, encastelando-se numa esfera de poder absoluto, sobre o pretexto de que os crentes lhes devem ser submissos em tudo.
Não foi assim que Pedro ensinou. Com sabedoria, ele disse que os bispos não devem se portar como "dominadores dos que vos foram confiados" (I Pe 5.3). Ele ainda mostra que a relação entre líderes e liderados na Igreja deve ser estabelecida à base de "modelo" (I Pe 5.3), como Paulo também diz ao pastor Timóteo para ser "o exemplo dos fiéis" (I Tm 4.12), e ao pastor Tito para ser "exemplo de boas obras" em todas as coisas (Tt 2.7).
Receio que as palavras de Jesus, de Pedro e de Paulo estejam sendo esquecidas por nós hoje. Não pensamos em termos de modelo e exemplo, mas dominadores do rebanho, grandes, primeiros, "honrados", poderosos. Queremos, sim, sentar ao lado de Jesus na glória. Por isso, devemos aprender muito com a passagem aqui analisada, porque Tiago e João simplesmente verbalizaram o que muitos de nós praticam diariamente, em sua sede pelo poder.
A igreja local deve (ria) ser um refúgio contra essas impiedosas relações de poder que imperam no mundo. Mas, ao contrário, nota-se que até mesmo nossa terminologia imita os valores mundanos, quando, por exemplo, chamamos o pastor de "chefe", ou tratamos a igreja como empresa. Em vez de usarmos desse refúgio em nosso benefício, e como demonstração de que o mundo está errado em sua ânsia pelo poder, acabamos comprovando, aos olhos das pessoas, que o sistema secular é o único, o que dá certo, o que prevalece.
Eu, porém, tenho esperança. As relações interpessoais podem ser sadias em comunidades menores, fundadas no amor, na Palavra de Deus, sem os enchimentos que nós colocamos, e sem a impessoalidade de uma ortodoxia sem alma.

Ovelhas no meio de lobos

Tenho me preocupado muito com a Igreja evangélica brasileira, caracterizada, em linhas gerais, pelo apreço aos modismos. Com prestigiosas exceções, sinto que as igrejas têm se deixado conduzir pela ambição, pela cobiça de dinheiro, poder, fama, glória e honra. Essa busca as induz a distorções doutrinárias a fim de obterem crescimento numérico e satisfação de egos absurdos, criando-se "ministérios", "comunidades" e "igrejas" centradas no culto à personalidade.Diante disso, ficam muitos servos e servas de Deus que não têm voz, anônimos, sem nenhum poder de decisão, ainda que eventualmente ostentem um título de pastor. São homens e mulheres que não se conformam com a adoração a Mamom (Mt 6.24) nem com a politicagem dentro da igreja; pessoas que geralmente são freqüentes à escola dominical ou instituição que o valha, e que demonstram maturidade cristã e conhecimento das bases de Fé. Às vezes, são vocacionadas ao ofício eclesiástico, mas ficam de fora do "ministério" porque não cumprem os requisitos que os líderes julgam importantes, ou porque não querem transigir com princípios que lhes são caros.De fato, acredito que muitos líderes em potencial estão deixados de lado, enquanto os que ocupam o status quo vêm lhes dizer para ter paciência e confiar em Deus, aguardando o tempo...Em minha (quase) solidão, pergunto: quanto tempo deveremos esperar? Levaremos quantos anos sofrendo a duras penas o peso do pecado na liderança, que explora e castiga um povo inteiro?Será que paciência, como aspecto do fruto do Espírito (Gl 5.22), consiste em me acomodar esperando que um dia lembrem do meu nome e me dêem a destra de comunhão para eu me inserir no sistema? Paciência é o mesmo que leniência e covardia? Será que eu nada tenho que ver com o que se diz e faz em minha igreja, só porque cada um dará contas de si a Deus? Será que esse discurso conformista não resultará em manutenção do domínio por parte de líderes como os fariseus e escribas de Israel?Agora, vale recordar da predição do Senhor Jesus Cristo quando disse em Mc 7.15: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores".Em At 20.29, o apóstolo Paulo reforçou essa realidade: "Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho".Está claro que os lobos devoradores se vestiriam como ovelhas, e que os lobos vorazes se intrometeriam entre nós. Jesus e Paulo não estavam se referindo a matilhas que permanecem de fora, mas àquelas que adentram o rebanho por um disfarce. Esses lobos, querido leitor, habitam entre nós.Se meu argumento parece terrorista e demasiado negativo, gostaria de dizer que esse diagnóstico do problema é necessário para que se busquem soluções. Se não ajudo muito com um texto sobre o assunto, ao menos expresso minha indignação. Creio que só existe esperança para um homem ou uma mulher quando há capacidade de se indignar com o pecado.Tenho certeza de que respostas prontas não existem, embora queiram me oferecer de vez em quando. Também sei que a solução não reside no coração dos conformados. Entendo que toda resposta bíblica para os conflitos na Igreja deve ser enxergada como um processo, e que atitudes veementes podem ser tomadas por pessoas que não fazem parte da cúpula, mas que exercem o sacerdócio universal (I Pe 2.9).

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Quantas mentiras mais?

Como eu disse numa postagem anterior, assisti pela TV à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. Uma das apresentações foi a de uma cantora-mirim, que teria sido escolhida dentre mil candidatas.
Hoje, ficamos sabendo que a menina que apareceu cantando para bilhões de pessoas no mundo todo não era a dona da voz, porque a verdadeira cantora foi considerada feia pelos organizadores da parte musical. Assim, ganhou fama uma menina bonitinha e teatral, mas sem a bela voz da que foi considerada feia. A explicação? Os chineses queriam oferecer ao mundo uma imagem "perfeita" de seu País. Isso é puro orgulho, vaidade, soberba, arrogância, chamemos como quisermos, pois há muitos substantivos apropriados.
Esse episódio - que não respeita os sentimentos de uma simples menina, e que não respeita os bilhões de espectadores - mostra bem o que a China parece ser: uma nação demasiadamente preocupada com as aparências, como tem sido durante os Jogos: maquiagem tamanha que faz com que até mesmo as copas das árvores sejam pintadas de verde, a fim de parecerem mais viçosas...
Espetáculo assombroso, tecnologia de ponta, disciplina impecável, treinamento para demonstrar felicidade...tudo é feito para que o mundo pense que a China é absolutamente ideal, um País maravilhoso, lindo, exuberante, que não só inventou o papel, o macarrão, a bússola, os tipos móveis de impressão - quê mais? -, como também tratou de se tornar uma grande potência em todos os sentidos...
Mas, vendo esse episódio da menina cantora que não era cantora, penso comigo que mentiras mais as Olimpíadas de Pequim estariam escondendo. Fico com receio só de imaginar que elas poderiam ser descobertas ao longo dos Jogos. Afinal, quem mente em coisas pequenas, com certeza mente em todo o resto.
Para informações sobre o fato que deu "inspiração" ao texto, leia:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Pequim2008/Noticias/0,,MUL720789-9823,00-ESTETICA+FEZ+DIRETOR+MUSICAL+ESCALAR+FALSA+CANTORA+NA+ABERTURA+DOS+JOGOS.html

Talvez, quem sabe...

Talvez meu ego seja tão grande que me chateia a egolatria
A ponto de esbravejar contra hereges e heresias.
Talvez nem seja tão grave assim
A hipocrisia que digo ver,
Tampouco nobre o meu desejo de ver o mundo amadurecer.
Combatendo os que se exibem,
Quem sabe não quero aparecer?
Clamando contra os poderosos,
Quem sabe eu não quero o poder?
Se na Igreja é que eu labuto, minhas idéias correm pra lá.
Talvez, no fim, do grão ao fruto, meu interesse seja ganhar
O elogio, a recompensa, um cargo, louros, promoção.
O anonimato e a pequenez como compadres da humilhação...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O militar na Bíblia

Quando cheguei a Campo Grande/MS para trabalhar no Ministério Público Militar, vi que se tratava de uma cidade repleta de organizações militares, com um número expressivo de membros das Forças Armadas. Aliás, essa é a razão de termos aqui uma Procuradoria da Justiça Militar. Registre-se que não sou militar, assim como o Ministério Público Militar também não é militar, mas atua perante a Justiça Militar, da mesma forma que os demais ramos do Ministério Público sempre atuam perante um órgão do Poder Judiciário.
O fato é que, deparando com esse mundo castrense, como eles gostam de dizer, vi-me impelido a escrever algumas linhas acerca do militar na Bíblia, ou, mais apropriadamente, acerca de passagens bíblicas que fazem referência a militares ou a conceitos relacionados à defesa.
O tema é muito valioso e profícuo porque a Escritura está repleta de referências a soldados, oficiais, conflitos bélicos e estratégias militares.
Com efeito, enquanto literatura antiga e documento histórico, a Bíblia possui importância inquestionável para a pesquisa de variados aspectos militares da Antiguidade; e, como Palavra de Deus, fornece elementos interessantes de como esses aspectos servem aos conceitos teológicos.
O Antigo Testamento contém o registro de inúmeras guerras de conquista, não só com milícias de civis, mas também com forças armadas organizadas pelo rei. Nesses relatos há notícia do uso de estratégias de avanço e de ocupação, como acampamentos, espionagem e contra-espionagem.
Um exemplo de contra-espionagem, infelizmente usado contra Israel (Reino do Norte), se deu quando os assírios, ao destruir a capital Samaria, trouxeram pessoas de outras nações e os misturaram com o povo de Israel, com o objetivo de minar a identidade étnica, cultural e religiosa da nação eleita.
O Livro de Juízes narra vários conflitos entre Israel e seus dominadores, os quais se revezavam na opressão aos israelitas e periodicamente eram vencidos por libertadores, chamados “juízes”. Esses juízes não eram exatamente magistrados, mas chefes militares que surgiam para dirigir uma luta de libertação, e que eventualmente chegavam a governar e julgar.
Dentre os Salmos, muitos daqueles classificados como majestáticos e régios trazem ricas alusões ao rei como líder militar.
Nos Evangelhos encontramos várias passagens com destaque para figuras militares: o oficial que pediu a cura de seu criado; o centurião que, diante do Cristo crucificado, reconheceu ser Ele o Filho de Deus; a Guarda que prendeu Jesus no Getsêmani.
Quanto ao oficial que pediu a cura de seu criado, vale ressaltar em suas palavras os princípios de autoridade e hierarquia: a partir de seu contexto militar, o oficial disse a Jesus que, assim como ele mesmo ordenava a seus subordinados e era obedecido, Jesus poderia ordenar e ser acatado no que concerne a doenças, pois detém o poder em suas mãos. Nada mais apropriado! E, muito mais do que um exemplo de ilustração bem feita, o oficial demonstrou a lucidez de sua fé.
João Batista, ao ser procurado por soldados, aconselhou-os a não maltratar ninguém, não oferecer denúncia falsa e a se contentar com o seu soldo. É que os soldados de sua época eram como policiais, que faziam o serviço que hoje chamaríamos de segurança pública – daí a advertência contra a tortura e contra as denúncias infundadas. Esses mesmos soldados aprisionavam e tomavam conta das cadeias, ou seja, eram, grosso modo, um misto do que conhecemos como polícia ostensiva (primeiro caso) e polícia judiciária (segundo caso).
Paulo usou o soldado como exemplo de obediência e compromisso, como alguém que, uma vez alistado, “não se embaraça com negócios desta vida”. Também se baseou na armadura dos soldados romanos para ensinar sobre a armadura de Deus, cujos itens devem perfazer o caráter do cristão. Foi sob a supervisão de um soldado que Paulo ficou detido em sua própria casa durante dois anos. O apóstolo mantinha boas relações com um pessoal da Guarda Pretoriana, que eram “os da casa de César”, mas também soube reivindicar seus direitos de cidadão perante um oficial romano que o prendeu injustamente.
No Apocalipse, Jesus é mencionado, dentre tantas coisas, como Rei que virá para vencer e dominar.
Soldado é uma metáfora bíblica para o servo de Cristo, tanto pela obediência, disciplina e devoção exigidas, como pela sua participação na batalha da fé.
As guerras de conquista não mais fazem parte do conceito legítimo de guerra. Digo isso porque existem, sim, regras internacionais sobre o que pode e o que não deve ser feito numa guerra, e sobre o que justifica e o que não justifica uma declaração de guerra. As guerras de conquista estão banidas do Direito da Guerra.
A nova modalidade de “guerra contra o terror” é algo que demanda estudos e discussões, pois, além de muito recente, tem a característica peculiar de não se dirigir propriamente a um inimigo nacional definido, mas a grupos terroristas radicados em determinados países que os apóiam ou não. Essa pelo menos é a justificativa estabelecida pelos Estados Unidos e seus aliados, mas se sabe que, no caso do Iraque, não se comprovou absolutamente nada que justificasse uma declaração de guerra naquele momento, o que afasta a legitimidade do confronto.
Certo é que os Estados soberanos têm a prerrogativa de se defender de invasões externas, e para isso podem constituir forças armadas (como o Brasil), preparar a população civil para uma reação bélica (como Israel) ou simplesmente fazer alianças com outros Estados para se defender, mas sem possuir força própria (como o Japão). O fato é que nenhum Estado pode ser obrigado a aceitar uma invasão, o que decorre de sua soberania.
Existem seitas que não permitem a seus membros o alistamento militar, que em nosso país é uma obrigação. Entendem que estariam pecando se participassem das Forças Armadas.
Em nenhum momento a Bíblia oferece base para argumentos contrários à existência de forças armadas, mesmo porque não constitui um Livro de Política, mas a Revelação de Deus ao Homem com vistas à Salvação. O que a Escritura rechaça é o homicídio, a ira indevidamente aplicada, a disputa por bens materiais, o autoritarismo, a deslealdade, os maus-tratos, o excesso doloso ou culposo.
Observe-se que o não matarás não é transgredido quando a guerra é legítima, e que em Direito Penal o matar alguém deixa de ser crime se houver uma causa excludente da ilicitude, como, por exemplo, o estrito cumprimento do dever legal. No caso do soldado que atira no adversário, ele não está pecando nem cometendo um crime. Talvez os governantes estejam errados, talvez a guerra não seja legítima, porém o soldado não deve se martirizar por causa disso...
Contudo, estamos trabalhando em tese. Na prática, os soldados que discordam da guerra ficam muito angustiados, pois não vêem motivo para disparar tiros e bombas contra o oponente. O pior é que muitos civis inocentes são vitimados, não raro ainda na infância....
Bem, todas essas linhas são apenas um rascunho para reflexões sobre o militar na Bíblia. É que residir em Campo Grande/MS me atrai a pensar sobre esse glorioso e pouco conhecido mundo castrense.

Posso confiar em Deus*

· Porque Seu amor ultrapassa o amor paternal (Sl 27.10);
· Porque Ele me prometeu orientar-me em meus caminhos (Sl 37.5);
· Porque Ele cuida de mim, ampara e liberta (Sl 40.17);
· Porque Ele prometeu suster-me e não me deixar abalado (Sl 55.22);
· Porque Ele conhece as minhas necessidades, valoriza a vida humana de modo especial e sustenta os Seus servos (Mt 6.25-34);
· Porque Ele cuida até dos pardais (Mt 10.29-31);
· Porque pela oração posso comunicar-lhe minhas petições (Mt 11.30).

O fundamento da confiança em Deus é a Sua própria Palavra.
O fundamento da Palavra de Deus é o próprio Deus.
Logo, o fundamento da confiança em Deus é o próprio Deus.

Confiamos em Deus porque O conhecemos. Só podemos confiar em quem é fiel.
Não existe confiança no vazio. Não existe confiança sem base. Para que eu dê crédito a alguém, é necessário que ele me inspire credibilidade.
A confiança em Deus não é um traço do temperamento, mas do caráter.
A confiança em Deus é um aprendizado, um processo.
A confiança em Deus pode ser definida como a fé em Sua providência diária em todas as áreas da vida. Pode-se dizer que o fruto do Espírito, no seu aspecto de fé, se identifica com a confiança.

*Roteiro para aula sobre a Lição 13 da Revista da CPAD para o Segundo Trimestre de 2008. Assembléia de Deus Missões. 28 de junho de 2008.

Dias de postagens escassas

Para você que eventualmente acompanha o que escrevo aqui, preciso dizer que nestes dias acabei escrevendo pouco, talvez porque, em gozo de férias de uma semana, me acomodei em casa, procurando outros "afazeres".
Além disso, creio que preciso ler mais. Estou com vários livros para ler, como um do Rev. GUILHERME KERR, intitulado O Cânon do Velho Testamento (não é o cantor, mas seu avô). O livro data de 1952, é bastante técnico, como um bom livro de teologia. Mas, por enquanto, não posso fazer resumo, resenha nem qualquer observação, já que ainda não terminei de ler.
Também preciso ler dois livros do chinês WATCHMAN NEE, emprestados por dois irmãos de minha igreja. Já faz tempo que estou com essas obras, e ainda não consegui lê-los. Há anos, li A liberação do Espírito, mas naquela época eu não tinha um juízo crítico apurado, nem conhecimento suficiente. O mesmo ocorreu quando li A Quarta Dimensão, do coreano DAVID (PAUL) YONGGI CHO. Bem, os livros que me foram emprestados foram O Poder Latente da Alma e A Vida que Vence.
Há ainda um outro livro emprestado por um irmão da igreja, escrito pelo ex-padre, já falecido, ANÍBAL PEREIRA REIS, que dedicou, me parece, todas as suas obras no combate às heresias da Igreja Romana, como o papismo. O livro chama-se A Bíblia Traída, publicado no final da década de 1970, onde ele ataca a Tradução na Linguagem de Hoje, editada no Brasil numa união entre o Romanismo e a Sociedade Bíblica do Brasil. Li apenas uma parte, mas quero ler o restante, se Deus quiser.
Fora os livros que tenho que ler, preciso preparar a mensagem para um congresso de jovens de minha igreja, que ocorrerá em setembro numa das congregações de um dos dezoito setores de nossa denominação em Campo Grande/MS. Falarei sobre alguns conceitos fundamentais da Salvação. Estou empolgado com esse trabalho.
Prossigo, ainda, na faculdade de Teologia, onde estamos estudando neste período duas matérias, a saber: Teontologia (Teologia Sistemática) e Hebreus e Tiago (Teologia Bíblica). Teontologia é a seção da Teologia Sistemática que estuda o Ser de Deus, Seus atributos, a Revelação Geral e a Revelação Especial, os vários argumentos usados como "prova" da existência de Deus, a Trindade. Para estudar algo acerca disso, comprei dois livros de Teologia Sistemática, um do CHARLES HODGE e outro do WAYNE GRUDEM, ambos usados, com ótimos preços e em bom estado de conservação!
Ah! No curso de Teontologia, o professor VALDECI dividiu a turma em grupos de cinco pessoas, que estudariam um argumento em prol da existência de Deus. Meu grupo ficou com o Argumento Místico, de uma anglicana chamada EVELYN UNDERHILL (1875-1941). Eu nunca tinha ouvido falar dela, e isso constituiu um desafio e tanto, mas graças a Deus o trabalho foi apresentado, acredito que o pessoal gostou, e fiquei com o desejo de aprender mais sobre esse tal Argumento Místico e o Misticismo Cristão (HODGE dedica muitas páginas de seu livro para descrever e refutar as bases do Misticismo Cristão).
Com a Teologia de Hebreus, temos visto muito sobre perseverança. Amanhã deveremos adentrar à Epístola de Tiago. O professor Hélio, vindo de Goiânia, foi um verdadeiro achado da FATHEL, um excelente e experimentado professor.
Tenho também obrigações domésticas, como a que desempenharei daqui a pouco, levando meu sogro para uma consulta médica. É assim. Vamos conduzindo as coisas, tentando organizar as tarefas, sempre querendo ler aquele livro, refletir sobre aquele assunto, cumprir aquele objetivo, realizar aquele sonho...
Para terminar, digo que às vezes me vem a idéia de que o blog é um "ministério" infrutífero, porque não sou conhecido, e não sei qual o público que está lendo os textos. No entanto, no dia em que eu estava mais triste por causa de um problema que traz isso à tona, e exatamente no instante em que conversava com minha esposa a respeito disso, recebi um e-mail de um irmão de Brasília-DF em que dizia ter encontrado nosso texto sobre o "manto profético" a partir de uma pesquisa na Internet; e ontem mesmo recebi um segundo convite de um blog coletivo para enviar meus textos, porque os irmãos sentiram que eu poderia contribuir de algum modo.
Dessa forma, na condição de pequeno servo, não posso enterrar meu único talento. Não quero e não devo soterrar o dom que o SENHOR me concedeu. E, nessa empreitada, conto com o eventual leitor.
Abraço,
Em Cristo!

sábado, 9 de agosto de 2008

Olimpíadas, poder e guerra

Assisti à abertura das Olimpíadas de Pequim e a nítida impressão que tive foi de que os chineses quiseram mostrar seu poder ao mundo. E mostraram. O espetáculo foi espantoso, revelando uma China realmente gigantesca em sua história e seus propósitos. A China - é verdade - é uma nação milenar, mas seu isolamento durante o período comunista impedia que o mundo a conhecesse de perto. De fato, creio que ninguém conhece a China senão os próprios chineses.
Enquanto a paz e a globalização eram celebradas em mais uma edição das Olimpíadas, a Rússia declarava seu ataque à Geórgia, em apoio à separatista Ossétia do Sul, onde vivem muitos russos. Lá estavaVladmir Putin na festa de abertura, com seu jeito frio e seco, assistindo ao show de cores e luzes, o que não o impediu de determinar a participação na guerra.
A declaração de guerra no mesmo dia da abertura dos Jogos Olímpicos fragiliza a mensagem olímpica de paz entre os povos, e faz pensar que esses Jogos servem principalmente para a exibição de um povo, seu poder e suas perspectiva de comércio. Isso porque, embora a China não esteja em conflito armado, e não tenha nada que ver com o problema Rússia-Geórgia, ela domina o Tibete contra a vontade do povo, e sob muitos protestos, que recrimina violentamente.
Olha só, quando houver uma guerra entre o Oriente e o Ocidente, não quero estar mais por aqui, certo? Já pensou uma guerra entre Estados Unidos, de um lado, e China e Rússia do outro? Seria o fim do mundo.
A paz não se promove com festas e eventos esportivos, mas com a renúncia a interesses unilaterais. A paz, enfim, só Jesus Cristo pode oferecer.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A "zona de conforto" é perigosa*

Não sei se isso se deve ao meu temperamento, mas não aprecio a postura de ficar o tempo inteiro "jogando panos quentes", "tapando o sol com a peneira". Creio que os problemas precisam ser diagnosticados em sua inteireza, para serem enfrentados de verdade.Refiro-me especialmente aos dilemas da Igreja e de igrejas. Não sei por que tem gente que gosta de ficar ajeitando as coisas, achando um meio de conciliar o inconciliável, explicar o inexplícável, justificar o injustificável. Isso leva a transigir demais!Trata-se da "zona de conforto", expressão que o pessoal da Psicologia emprega para se referir a uma situação emocional livre de conflitos. Só que os conflitos existem. As pessoas que buscam arredondar o mundo têm que transigir com seus princípios ou flexibilizar demais. Eu não quero isso. Não fui chamado para isso. Quando se trata de Cristo, sou radical. Não faço questão de ser político, de "ficar bem na fita", de "não queimar meu filme", de estar bem com todo mundo. Quero estar bem com Jesus.Precisamos hoje de pessoas que não se preocupem em ficar bem com todo mundo, pois essa pretensão é diametralmente oposta ao que Jesus e os discípulos fizeram, indo contra a correnteza. Deus está com a minoria, será que não dá para ver isso?Parece que muita gente ainda não entendeu que o Evangelho da Cruz contém renúncia, sacrifício, sofrimento, auto-negação, talvez a morte. Foi esse Evangelho que eu aprendi desde pequeno. E, por pior que seja admitir isso, vejo que nossos maiores inimigos certamente estarão vestidos de ovelhas.
* Artigo também publicado em www.ultimato.com.br no espaço Palavra do Leitor.

domingo, 3 de agosto de 2008

Pensando sobre o Consumismo*

Aqui estou depois de alguns dias sem postar uma linha sequer. Agora, deixo para o eventual leitor o esboço que fiz para o comentário da lição de escola dominical aos professores na minha igreja. Fiz o comentário no sábado, dia 02 de agosto, e hoje, domingo, assisti a aula de outro colega, na querida classe Melquisedeque.
Definição:
Consumismo é o vício comportamental de comprar desnecessariamente, para satisfazer a ambição ou para atender a uma deficiência emocional.
Para haver Consumismo há que estar presente o elemento monetário/financeiro. Não se trata apenas de uma ambição materialista, mas de uma ambição materialista agravada pelo sentimento de que se deve pagar algum preço, gastar, com dinheiro presente ou futuro.

Conceitos relacionados:
· Materialismo – envolve o conceito de consumismo porque valoriza excessivamente os bens materiais;
· Hedonismo – consiste na exaltação do prazer, e no caso do consumismo o prazer é comprar;
· Egoísmo/Individualismo – Idolatria do Eu; não pensar nas necessidades nem nos interesses do outro;
· Ambição – Almejar coisas ou condições a que não se faz jus.

Alguns sinais do consumismo:
· Comprar coisas desnecessárias (supérfluas);
· Ficar ansioso (a) ao ver uma propaganda;
· Sentir inveja de alguém que fez uma aquisição;
· Comprometer o orçamento doméstico com dívidas não urgentes;
· Comprar “o que todo mundo tem” sem uma reflexão sobre a real necessidade.

Relação com a Psicologia/Psiquiatria:
· O consumismo pode estar relacionado ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo, que é uma psicopatologia (oneomania);
· O consumismo pode vir acompanhado de ansiedade, frustração, depressão, transtornos de humor e um desejo reprimido de possuir as coisas (ver o comentário da Lição à p. 36);
· Mesmo o Transtorno Obsessivo-Compulsivo pode ser causado pela prática do consumismo. O problema moral/espiritual pode conduzir ao problema patológico, exigindo cuidados pastorais e profissionais.

Causas comuns do endividamento:
· Uso indiscriminado de cartões de crédito, cheque especial, crediário, empréstimos em agências de crédito facilitado (causa direta);
· Querer a manutenção de um status que não condiz com a capacidade econômica (causa indireta).

O que a Bíblia diz sobre Consumismo:
· Pv 30.8 – virtude do contentamento;
· Pv 27.20 – “os olhos do homem nunca se satisfazem”;
· Pv 16.32 – dominar o espírito é ter domínio próprio ou temperança, que é fruto do Espírito (Gl 5.22);
· Pv 12.9 – trata do “vanglorioso que tem falta de pão”, que vive de aparências;
· Pv 30.15 – desejo insaciável como da sanguessuga;
· Fp 4.6 – a ansiedade deve ser entregue a Deus nas petições, e isso inclui a ansiedade consumista;
· I Tm 6.6-10 – desejo de ficar rico sem ter os meios suficientes pode arruinar o indivíduo, porque o conduz à “cilada”, a “muitas dores”, a “perdição”, “concupiscências insensatas e perniciosas”;
· Rm 13.8 – é recomendável não dever nada a ninguém;
· Ec 2.4-11 e Ec 6 mostram que Salomão entendeu o seguinte: riquezas, trabalho e honra não são suficientes para conferir sentido à vida. Isso tem que ver com o Consumismo;
· Is 55.2 – é equivocado gastar dinheiro no que é secundário;
· Ec 5.10 – “quem ama a abundância nunca se farta da renda”;
· I Tm 5.8 – não cuidar da família é negar a fé, uma condição pior que a do descrente.

O Evangelho da Riqueza e da Saúde é religião de base consumista:
· O crente é visto como um consumidor;
· O crente se comporta como consumidor;
· A igreja é escolhida de acordo com as preferências pessoais;
· O número exorbitante de igrejas e “ministérios” contribui para o crente se comportar como se estivesse diante de uma prateleira de supermercado;
· As bênçãos passam a ser vistas como produtos, e a fé, como dinheiro, moeda de troca;
· Pregadores mudam seu discurso como estratégia para atrair as massas;
· Pregadores usam o púlpito com frases de efeito, em sermões sem conteúdo, apelando para a emoção dos ouvintes, exatamente como fazem os marketeiros;
· Igrejas divulgam seus cultos prometendo “produtos” como vitória, curas, milagres e libertação, como se Deus fosse obrigado a abençoar e agir na hora marcada pelos mercadores da Fé;
· Cria-se uma teologia em que dízimos e ofertas são vistos como investimento em si próprio, numa malversação de textos bíblicos do Antigo e Novo Testamento (Ml 3.10,11 e II Co 9.8ss.).

Afirmação (consumista) do Edir Macedo:
“As pessoas não devem dar ofertas para ajudar a igreja, mas para ajudar a si próprias. Quando dá está fazendo um investimento para si, na sua vida. É o que mostra a Bíblia. Quem dá tudo recebe tudo de Deus. É inevitável. É toma lá, dá cá [...]. Quando alguém faz um sacrifício financeiro, Deus fica sem opção. Ele tem a obrigação de responder, porque é sua promessa. É a fé. Basta seguir o que Deus disse. ‘Provai-me nos dízimos e nas ofertas’” (O Bispo, 2007, p. 207, 215, citado por Valdeci da Silva Santos em O que Edir Macedo diz e o que a Bíblia diz sobre os dízimos e as ofertas, Revista Ultimato, pp. 26,27).

O Consumismo e o divórcio:
· Problemas financeiros prejudicam casamentos. O Consumismo atrai problemas financeiros. Logo, o Consumismo atrapalha os casamentos;
· Está comprovado que Campo Grande/MS é campeã em divórcios no Brasil, e que a maioria dos divórcios no País é requerida pelas mulheres. Também é sabido que aqui em Campo Grande/MS uma das causas principais é de ordem financeira.

Outros textos pertinentes:
· Ml 3.10,11 – o profeta não recomenda barganhar com Deus nem “colocá-lo na parede”, mas saber que Deus jamais desampara aqueles que usam de liberalidade e mordomia;
· II Co 9.8-15 – o que Paulo ressalta são as virtudes de generosidade, liberalidade, fidelidade, alegria no contribuir, e não a lei da semeadura financeira. O apóstolo afirma que essas virtudes redundarão em gratidão a Deus, louvor, ajuda ao próximo e aumento da justiça (Gn 15.6; Rm 4.3);
· Fp 4.10-20 – Paulo não recomenda o acúmulo de “crédito” ou “conta” no sentido financeiro, mas de caráter, como Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi “imputado para justiça” (Gn 15.6; Rm 4.3), ou “creditado como justiça” (Nova Versão Internacional). Ele deseja que os filipenses sejam abençoados porque o abençoaram, mas não como forma de compensação (Rm 11.35), e sim como elogio à sua bondade. A oferta para ajudar ao próximo é como “aroma suave, como sacrifício agradável e aprazível a Deus”, numa alusão paulina aos sacrifícios judaicos, mas não significa que o apóstolo esteja dizendo que ofertas (e dízimos) sejam sacrifícios no aspecto vetero-testamentário, embora esses sacrifícios incluíssem as idéias de gratidão a Deus pelos recursos agropecuários, adoração e contribuição mesmo.

Conclusão:
Para que a igreja obtenha sucesso contra o Consumismo que vem da sociedade, é indispensável combater a Religião de Consumo, porque os conceitos estão relacionados. É mundanismo tratar a espiritualidade cristã em bases consumistas.

EXERCÍCIO DE TEOLOGIA URBANA:
Será que isso nada tem que ver com Consumismo?
“Campo Grande: Capital é recordista de separações em MS
O Mato Grosso do Sul registrou 5.511 separações e divórcios no ano passado. Segundo informações da corregedoria geral do Tribunal de Justiça (TJ), no Estado, Campo Grande foi a recordista desses procedimentos, com 1.635 separações, seguida por Dourados, com 600, e Três Lagoas, 329. Para o presidente da Associação Nacional de Notários e Registradores de Mato Grosso do Sul (Anoreg/MS), Paulo Pedra, com a criação da Lei de número 11.441/07, que permite separações consensuais e sem filhos menores sejam feitas diretamente nos cartórios, ocorreu o resultado do número elevado na Capital. Fonte: Correio do Estado”.
http://www.msevangelico.com.br/noticias.php?CD=8737, às 15h20min, em 02 de agosto de 2008.
“MS é recordista em divórcio no Brasil, diz IBGE
O Estado do Mato Grosso do Sul continua apresentando elevadas taxas de separações e divórcios e pequenas taxas de casamentos, conforme pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizada em 2002. Enquanto a média brasileira de casamentos é de 4,1%, o Estado de MS apresenta taxa de 3,5%. Já em relação à taxa de separação, MS apresenta 0,9% enquanto a média nacional é de 0,6%. Os divórcios (por 1 mil habitantes), são 1,5% em Mato Grosso do Sul, e no resto do País de 0,7% Fonte: IBGE”.
http://www.msevangelico.com.br/noticias.php?CD=820, às 15h24min, em 02 de agosto de 2008.
* Esboço para o comentário aos professores da Assembléia de Deus Missões em Campo Grande/MS. Lição 5, Os Males do Consumismo, da Revista As doenças do nosso século, CPAD, III Trimestre de 2008.

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Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.