segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Minha homenagem à memória do Professor Peter Klassen

Com tristeza recebi a notícia de que no dia 23 de dezembro faleceu repentinamente o meu querido professor de Teologia Pr. PETER KLASSEN. Soube disso na sexta, dia 26, pela manhã.
Conheci o Pr. Peter neste ano de 2008, em Campo Grande-MS, na Faculdade Theológica (FATHEL). Tive com ele apenas uma disciplina, Teologia Prática, mas desde então criamos uma boa amizade. O Pr. Peter era uma pessoa alegre, simples, inteligente, cujos olhos claros irradiavam simpatia, assim como seu sorriso farto em meio à barba branca indicavam um misto de experiência e disposição. Era também um homem trabalhador, que eu encontrava muitas vezes digitando num dos computadores da faculdade. Ele tinha projetos.
Por coincidência, numa conversa descobrimos que um dos tios de minha esposa, o Pr. Hitoshi Watanabe, fora colega de seminário do Pr. Peter em Londrina (no ISBEL). De algum modo, me senti honrado, ainda que tenha sido o tio de minha esposa, e não um tio meu. Afinal, eu queria mesmo houvesse qualquer vínculo com o Pr. Peter - mas nós tínhamos: éramos irmãos em Cristo, comprados pelo sangue precioso do nosso Salvador.
Eu conversava com o Pr. Peter sobre algumas coisas de minha vida, principalmente acerca de algumas querelas, digamos, teológicas...E ele me deu conselhos, como "Escreva um artigo para a editora de sua denominação. Por que não"?
Dei um material para o Pr. Peter ler e dar sugestões. Ele disse que eu poderia ser útil escrevendo, que eu tinha vocação para isso, que eu poderia empregar a escrita e atingir um número maior de pessoas...
Em nossa derradeira conversa, na biblioteca da FATHEL, numa tarde em que, se não me engano, fui pegar o histórico escolar - porque estava de mudança para a Bahia - falei de um projeto que eu estava concebendo, e ele me disse, entre duas estantes de livros: "Quando estiver pronto, quero ser o primeiro a ler". Creio que foram as últimas palavras que ouvi dele.
Ora, tenho absoluta convicção de que a despedida do Pr. Peter foi preparada por Deus. Depois de entregar seu trabalho à faculdade, o SENHOR o levou para as paragens celestiais. É assim que vejo.
Se eu puder ser o mais sincero e leal à memória do meu querido Professor, direi o seguinte: queira Deus eu possa conter em meu coração um pouco do ideal que movia o prezado e inesquecível Professor Pastor PETER KLASSEN.
Que Deus conforte a todos nós, os que ficamos.

sábado, 27 de dezembro de 2008

EVANGELHO E AMIZADE - o que uma coisa tem que ver com a outra?*

Definição de amizade.
Segundo o Mini Dicionário Aurélio, amizade é o “sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes...; ternura”. Para o mesmo dicionário, amigo é aquele que “é ligado a outrem por laços de amizade” (idem).
A amizade é uma afeição, digamos, gratuita. As pessoas ficam amigas “de graça”. Enquanto os parentes têm o amor familiar, e os cônjuges, o amor conjugal, a amizade é um amor diferente, que não se explica pelos laços sanguíneos nem pela parceria afetivo-sexual.
Dito de outro modo: todo mundo espera que os parentes e cônjuges se amem; mas a amizade entre as pessoas é um sentimento que se explica por si.
Agora, o que a amizade tem que ver com o Evangelho? Façamos um estudo acerca disso.

Exemplos de amizade na Bíblia.
Deus e Abraão – Abraão foi chamado de “amigo de Deus” (II Cr 20.7; Tg 2.23). Por quê? Porque Abraão conversava com Deus, confiava n’Ele inteiramente e se mostrava fiel. Enquanto todos os outros deuses são tidos como inacessíveis, o Deus de Abraão é Aquele que deseja um relacionamento de amizade com o ser humano.
Deus e Moisés – Deus falava a Moisés “face a face, como qualquer fala a seu amigo” (Ex 33.11).
Rute e sua ex-sogra Noemi – Sem nenhuma obrigação legal, e numa situação de calamidade, Rute declarou fervorosa amizade à mãe de seu marido morto (Rt 1.16).
Davi e Jônatas – Davi e Jônatas eram muito amigos. O Texto Sagrado diz que “a alma de Jônatas se ligou com a de Davi” (I Sm 18.1). Sua amizade era tão verdadeira que mereceu registro nas Escrituras Sagradas. Havia companheirismo e lealdade, a ponto de Jônatas salvar a vida do amigo por mais de uma vez, contra a vontade de seu pai, o rei Saul (ver I Sm 18.1-4; 19.1-10; 20.1-43).
Paulo e Tito – em certa passagem da vida, o apóstolo Paulo só ficou confortado depois que recebeu a visita de seu amigo Tito (II Co 7.5-7).
Os amigos de Jesus de Nazaré – Além de uma relação de Senhor e servos, Mestre e discípulos, Jesus estabeleceu com os Doze Apóstolos uma relação de amizade, algo mais profundo do que a relação de senhorio (Jo 15.13-15).
Num dia em que multidões se aglomeravam em torno de Jesus, a ponto de se atropelarem, Ele se dirigiu especialmente aos Seus discípulos, chamando-os de “amigos” (Lc 12.4).
Havia, porém, amigos mais próximos, como Pedro, Tiago e João, que Jesus levava consigo em ocasiões especiais (ver em Mt 17.1-8; Mc 9.2-8 e Lc 9.28-36 o episódio da Transfiguração; e Mt 26.36-46; Mc 14.32-42; Lc 22.40-46, na oração no Getsêmane, quando, ao se afastar para orar, Jesus levou somente Pedro, Tiago e João, embora os demais discípulos também estivessem ali).
Dentre os três amigos mais chegados, João era o discípulo a quem Jesus amava, e os textos demonstram claramente que ele tinha maior intimidade com Jesus do que qualquer outro discípulo (Jo 13.23-25 e 21.20).
Havia também os irmãos Lázaro, Marta e Maria, todos amigos de Jesus (Jo 11.5). O próprio Lázaro foi chamado por Jesus de “nosso amigo Lázaro” (Jo 11.11).
Jesus foi reconhecido como “amigo de publicanos e pecadores” porque comia e bebia com eles, sem preconceito (Mt 11.19; Lc 7.34).
E, mesmo sabendo que Judas Iscariotes estava ali para o entregar aos soldados, Jesus o chamou de “amigo” no Jardim do Getsêmane (Mt 26.50).
Aprendemos, assim, que o Homem Jesus tinha amigos, uns mais chegados que outros. Isso ocorreu porque é natural ao Ser Humano construir relações mais profundas que outras, amizades mais íntimas que outras.
No entanto, quando se trata da amizade de Cristo com Sua Igreja, precisamos compreender que Jesus é Amigo de todos os que nasceram de novo. Veremos isso em outro tópico.

O que a Bíblia diz da verdadeira amizade.
A verdadeira amizade é contemplada na Bíblia como uma coisa muito boa, uma relação saudável e valiosa. Senão, vejamos:
• O amigo mostra compaixão ao aflito (Jó 6.14).
• O amigo ora pelos seus amigos, ainda que eles se revelem falsos (Jó 42.10; c/c 6.27 e 16.20). No Sl 35, Davi afirma que tratou como amigos uns homens que depois se revelaram seus inimigos (ver vv. 13-16).
• O amigo ama “em todo o tempo”, e na angústia “nasce o irmão” (Pv 17.17).
• O “conselho cordial” do amigo é comparado ao “óleo e o perfume”, pois alegra o coração (Pv 27.9). Na profecia de Isaías, Jesus Cristo é chamado de “Maravilhoso Conselheiro” (Is 9.6) porque Seus conselhos são perfeitos e produzem milagres na vida de quem os recebe.
• Não se deve abandonar o amigo (Pv 27.10).
• A amizade é importante na formação do caráter, assim como o ferro que se afia com o ferro (Pv 27.17).

As limitações da amizade humana.
No Sl 41.9, texto messiânico, o salmista Davi prevê o momento em que até o “amigo íntimo” de Cristo levantaria o calcanhar contra Ele. Algo semelhante está no Sl 55.12,13, quando o salmista, também se referindo profeticamente a Cristo, diz que suportaria a afronta de um inimigo, mas não de um amigo íntimo, companheiro e homem igual a ele. Essa dor é maior.
A profecia do Sl 41 cumpriu-se em Jo 13.18, quando Jesus disse que um que comia do mesmo pão que Ele lhe levantaria o calcanhar. Esse homem foi Judas Iscariotes, o traidor. Judas traiu não apenas uma religião – ele traiu uma amizade.
Num contexto de crise nacional, o profeta Jeremias foi perseguido por amigos íntimos (Jr 20.10).
Por causa de uma doença e da pobreza repentina, Jó foi abandonado por todos os seus amigos íntimos (Jó 19.19). Seus parentes e conhecidos fizeram o mesmo (Jó 19.14). Mas certamente a dor maior não veio da distância de parentes e conhecidos – o pior é ser deixado pelos amigos íntimos.
Parece que Davi também foi desprezado por amigos devido a uma doença (Sl 38.11). Isso ele podia esperar de adversários, talvez até de vizinhos e conhecidos (Sl 31.11), mas não de amigos íntimos. Só que isso às vezes acontece, como o Salmo sugere.
O salmista Hemã, de igual modo, expressou em poesia a dor de ser abandonado pelos próprios amigos (Sl 88.8,18).
O difamador separa os maiores amigos (Pv 16.28).
Curiosamente, o mesmo autor de Provérbios diz que “o homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24). O que isso quer dizer? A Bíblia Anotada traz uma tradução alternativa: “Um homem com amigos demais será quebrado em pedaços”. E dá a seguinte explicação: “Amigos indiscriminadamente escolhidos podem trazer problemas, mas um verdadeiro amigo permanece fiel na alegria e na tristeza” (p. 812).
Há “amigos” que aparecem aos montes quando alguém fica rico, mas, ao mesmo tempo, fica o pobre desamparado de seus amigos (Pv 19.4). Essa é a amizade interesseira, que, na verdade, não é amizade coisa nenhuma. São os amigos que surgem quando o indivíduo ganha na loteria, tão-somente para gastar sua fortuna; e que desaparecem assim que a riqueza se esvai.
Há “amigos” que são bajuladores dos que dão presentes (Pv 19.6). Dependendo da situação, comportam-se como capachos.
Numa sociedade afastada de Deus, o profeta Miquéias precisou dizer para não se confiar no amigo, e para não se falar nada àquele que reclina a cabeça sobre o seu peito (Mq 7.5-7). Esse é um cenário de problemas familiares e sociais, bem parecido com o que temos hoje no mundo.
Devido às muitas limitações da amizade humana, há quem perca a esperança. Mas a amizade é um bem precioso, que deve ser construído como num processo. De toda maneira, há uma amizade que transcende todo sentimento humano, e que só Jesus Cristo pode ofertar.

Jesus, o Amigo Incomparável.
Jesus apresenta-se como SENHOR, Mestre, Rei, Pastor, Noivo, Juiz, Primogênito, mas também como Amigo. Ele é o maior Amigo, o verdadeiro Amigo.
Por que Jesus é o maior Amigo?
Jesus sempre está disposto a nos ajudar;
Jesus sempre tem tempo para Seus amigos;
Jesus tem conselhos maravilhosos (Is 9.6).
Jesus é fiel;
Jesus é leal;
Jesus não muda;
Jesus não mente.
E, o que é mais importante, Jesus deu a Sua vida por nós, quando ainda éramos Seus inimigos.
É até possível que alguém dê sua vida por um amigo. Mas só Jesus Cristo ofereceu sua vida por Seus inimigos.
A amizade de Cristo implica em intimidade, conhecimento mútuo, diálogo aberto e lealdade.
Vejamos a seguir, com base bíblica, em que consiste a amizade de Cristo.

O Evangelho é a oportunidade de fazer as pazes com Deus.
Em Rm 5.7-11, Paulo explica o Evangelho de uma forma muito clara: mesmo que dificilmente, pode ser que alguém se anime a morrer por um justo, por uma pessoa boa; mas Deus prova o Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós sendo nós ainda pecadores. De fato, quando ainda éramos inimigos de Deus, Ele enviou Seu Filho para morrer pelos nossos pecados, para nos reconciliar. Agora, tendo recebido a reconciliaçao, e sendo, portanto, amigos de Deus, “seremos por ele salvos da ira” (v.9), “seremos salvos pela sua vida” (v.10). Isto porque agora somos amigos de Deus, fizemos as pazes com Deus.
Paulo escreveu que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (II Co 5.18-20), e nos deu a palavra ou o ministério da reconciliação. Isto significa que o mundo estava em conflito com Deus, e que Jesus Cristo veio fazer as pazes entre Deus e os homens. Como um mediador, advogado ou conselheiro, Jesus Cristo veio restaurar a amizade do Homem com Deus, perdida na Queda (Gn 3.1-7).
Com Sua morte na Cruz, Jesus Cristo derrubou “a parede da separação”, que era a “inimizade” (Ef 2.11-22). Quem era estrangeiro, passou a ser da “família de Deus”; quem era peregrino passou a ser “concidadão dos santos”; quem era gentio (pagão) passou a ser parte da “comunidade de Israel”; quem estava longe foi aproximado pelo sangue de Jesus.

Conclusão.
Há muitas formas de explicar o Plano de Salvação, mas percebo que a mensagem cristã evangélica não tem sido compreendida pela sociedade, talvez por nossa incompreensão pessoal da essência do Evangelho.
Espero que esta palavra sobre a amizade e o Evangelho tenha contribuído para um entendimento do que Jesus Cristo fez pela Humanidade.
*Material preparado para pregação no Culto do Amigo, na Congregação da Assembléia de Deus do Riacho do Mel, em Alagoinhas-BA, a ser realizada no dia 28 de dezembro de 2008.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ética Bíblica

Definição de ética.
Ética divina e ética humana.
Por que a Bíblia é um Código de Ética?
A Lei de Moisés.
Os Dez Mandamentos.
Ética Cristã.
O Sermão do Monte.
Conclusão.


Definição de ética.
Ética é o conhecimento do bem e do mal, do certo e do errado, do justo e do injusto. Está relacionada ao caráter, à moralidade, aos bons costumes, ao que é bom e justo, ao que é direito, honesto.
A palavra “ética” vem do grego ethos, e significa estilo de vida, costumes, conduta ou prática. Aparece 12 vezes no Novo Testamento , enquanto o plural, ethes, surge uma só vez, em I Co 15.33 (“costumes”). É importante também ressaltar que o vocábulo “ética” decorre diretamente do texto bíblico, e assim se difundiu pelo mundo .


Ética divina e ética humana.
Além da ética divina, existe a ética humana, secular ou filosófica.
Antes da Queda, Adão e Eva alimentavam-se da ética divina. Deus dizia qual o procedimento correto.
A tentação da Serpente foi no sentido de que eles se tornassem como Deus, sabendo o bem e o mal. Ou seja: a tentação para que Adão e Eva comessem da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal significou uma insinuação de que eles poderiam escolher seus próprios caminhos, independentemente de Deus, e, assim, podendo se tornar autônomos, independentes, emancipados.
Veja os textos de Gn 2.16,17 (mandamento e consequência) e Gn 3.1-7 (tentação e Queda).
A tentação colocou em dúvida a Palavra de Deus; lançou a idéia de que o mandamento divino era uma tortura; lançou a idéia de que comer da Árvore proibida era necessário; lançou a idéia de que viver com Deus era mais negativo do que positivo, com uma proibição supostamente injusta; lançou a idéia de que Deus não queria que eles se tornassem como Ele, sabendo o bem e o mal, quando, na realidade, Deus queria que eles se conduzissem de acordo com a ética divina, e não com a ética pessoal.
Ali houve o pecado, que é basicamente desobediência à Palavra de Deus.
A morte, como consequência do pecado, é separação de Deus. Tem os aspectos moral, espiritual e físico.

Por que a Bíblia é um Código de Ética?
A Bíblia é um Código de Ética porque trata de como as pessoas devem se comportar diante de Deus e do próximo.
A Bíblia tem regras, mandamentos, estatutos, ordens, preceitos, juízos, normas de conduta. Essas palavras têm que ver com o certo e o errado, o bem e o mal, o justo e o injusto, o lícito e o ilícito. Por isso, a Bíblia é um Livro ou Código de Ética, mas de Ética Divina.
Nós, cristãos, temos na Bíblia nosso modelo ético absoluto, perfeito e imutável. Ela nos ensina a ter um comportamento ético na família, no trabalho, na sociedade e na igreja.

A Lei de Moisés.
A Lei de Moisés, presente nos Livros de Êxodo a Deuteronômio, contém regras de conduta para o povo de Israel, e muitos princípios de ética divina que servem para todos os seres humanos, especialmente para a Igreja de Cristo.
A Lei de Moisés possui regras morais, cerimoniais e civis. As regras cerimoniais tinham função religiosa, e eram dirigidas apenas a Israel (leis sobre sacerdotes, levitas, sistema de sacrifícios e outros rituais religiosos). As regras civis também se dirigiam a Israel, mas no sentido jurídico, para Israel enquanto Nação, e diziam respeito às normas de convivência social. Eram regras referentes a crimes, indenizações, impostos, descanso da terra, dentre outras.
As leis morais são universais, e, por isso servem para todas as pessoas em qualquer época e lugar. Estão resumidas nos Dez Mandamentos (Ex 20.1-17), e tratam do respeito a Deus e ao próximo.
Os Dez Mandamentos valorizam:
1 – O culto exclusivo, espiritual e reverente a Deus (Ex 20.1-7);
2 – A administração do tempo (Ex 20.8-11);
3 – O respeito aos pais (Ex 20.12);
4 – O direito à vida (Ex 20.13);
5 – A instituição do casamento (Ex 20.14, 17);
6 – O direito de propriedade, que envolve o direito do trabalhador e o direito de crédito (Ex 20.15, 17);
7 – O respeito à honra e à justiça, em sentido forense (Ex 20.16).
A Lei de Moisés protegia os mais fracos: pobres, escravos, estrangeiros, órfãos e viúvas.


Ética cristã.
Ética cristã é o padrão de conduta baseado nas palavras de Jesus Cristo e nas Cartas Apostólicas.
A Ética Cristã está bem caracterizada no Sermão do Monte.

O Sermão do Monte.
O Sermão do Monte encontra-se em Mt 5 a 7 (com textos paralelos em Mc 9.50 e Lc 6.20-49; 11.2-4; 34-36; 12.22-31; 13.24; 14.34,35).
A ética cristã é completamente diferente da ética humana, e pode ser resumida nos seguintes princípios:
1. Renúncia aos valores mundanos e apego aos valores do Reino dos Céus (Mt 5.3-12; Is 57.15; Sl 126.5); “mansos” são os altruístas, os que pensam nos outros, conforme Sl 37.11; II Pe 3.13; “limpos de coração vêm de uma referência a Sl 24.4, Sl 51.10 e 73.1;
2. Necessidade de fazer a diferença e conservar da corrupção (Mt 5.13-16; Jo 8.12; II Co 4.5,6);
3. Interiorização da Lei (Mt 5.17-20) – aplicado à questão do homicídio (21-26); do adultério (27-32); dos juramentos (33-37; Nm 30.2); da vingança (38-42;); e ao tema das relações entre as pessoas (43-48; Lv 19.18);
4. Humildade em tudo, como no caso das esmolas (6.2-4); das orações (6.5-8); do jejum (16-18);
5. Simplicidade quanto às coisas materiais (6.19-21, 24);
6. Entendimento de que a ética não pode ser de fora para dentro, mas de dentro para fora (6.22,23);
7. Priorização do Reino de Deus e de sua justiça, confiança na providência divina (6.25-34);
8. Fuga da hipocrisia e do julgar aos outros (7.1-5; diferente do discernimento dentro das questões da igreja, como, por exemplo, em I Co 5.3,12,13);
9. Compromisso e auto-negação, enquanto a maioria segue confortavelmente pelo caminho espaçoso (13,14);
10. Valorização dos frutos do caráter, e não dos supostos milagres nem das meras palavras ou cargos eclesiásticos (7.15-23; Jr 14.14; 27.15; Sl 6.8);
11. Aplicação das palavras de Cristo (7.24-27).

A chamada Lei Áurea está em Mt 7.12 – o critério da vida em sociedade deve ser aquilo que eu quero que façam comigo. Isso mesmo eu devo fazer aos outros.
Rm 13.10 – A Ética Cristã é o amor.

Conclusão.
Estamos vivendo na época da Pós-Modernidade. A sociedade é relativista, pluralista, hedonista, materialista, individualista e pragmática.
Vemos o avanço da criminalidade, da corrupção política, do tráfico de drogas ilícitas, do homossexualismo, do sexo livre e da desagregação familiar. Vemos também que muitos que se dizem cristãos evangélicos pensam e praticam obras segundo a ética mundana, e não segundo a Ética Cristã.
Só a Ética Cristã vai na contramão de tudo isso. Não podemos sucumbir diante da ética do mundo.
Mundanismo não é só usar roupas dessa ou daquela maneira: mundanismo é deixar que os valores do mundo tomem conta da igreja, mesmo que disfarçadamente.
*Material preparado para a "Festa dos Senhores", na Congregação da Assembléia de Deus no Bairro Jardim Petrolar, em Alagoinhas-BA, onde congreguei de 1988 a 1995. Trata-se de um estudo feito a partir da Revista da CPAD para o IV Trimestre de 2008, especificamente sobre a Lição "A Bíblia: O Código de Ética Divino". A palavra foi ministrada no dia 07 de dezembro de 2008.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Idiossincrasia do meu povo, na perspectiva da auto-crítica

Nós construímos templos centrais enormes e confortáveis, mas nem sempre atendemos às congregações menores, periféricas e pobres.
Nós apoiamos projetos gigantescos que dão visibilidade a líderes personalistas.
Nós não apreciamos ações anônimas pelo Reino de Deus.
Nós empregamos o tosco argumento de que o líder fulano de tal ensina umas heresias de vez em quando, mas dá frutos, ganha almas para Jesus...
Nós parecemos os políticos brasileiros que votam projetos visando a interesses pessoais, interesses de grupos e interesses mesquinhos.
Nós lutamos pelo poder, mesmo que seja sobre um pequeno rebanho de irmãos analfabetos funcionais, ou sobre o grupo da mocidade, o grupo das senhoras, o conjunto coral...
Nós imitamos o mundo, ao mesmo tempo em que criamos uma cultura evangélica toda especial, com linguagem, música e costumes diferentes.
Nós não temos influenciado positivamente a sociedade brasileira.
Nós não somos mais perseguidos nem tolerados, mas abertamente aceitos pela sociedade pluralista – e achamos vantajosa essa triste simbiose.
Nós idolatramos pregadores sensacionalistas, ocos de conteúdo, que têm simplesmente o poder de encantar platéias e fazer teatro com a Bíblia em punho.
Nós não entendemos a diferença entre teologia e formalismo teológico – achamos que estudar teologia conduz necessariamente a um tipo de esfriamento espiritual.
Nós acusamos os irmãos tradicionais de frieza, e nisso somos injustos.
Nós fechamos os olhos para o que a Universal do Reino de Deus e a Internacional da Graça de Deus têm feito, e ainda queremos descobrir o segredo do sucesso deles, ainda que sejamos um tanto tímidos na imitação de suas artimanhas.
Nós estamos abandonando o grande legado deixado pelos pioneiros e pelos primeiros pastores e líderes de nossa igreja, mas achamos que nossa tradição tem sido seguida à risca.
Nós estamos nos vendendo à Teologia da Prosperidade, à Confissão Positiva.
Nós consagramos certos cantores evangélicos a praticamente profetas para a nossa juventude, quando sua teologia é centrada no subjetivismo, na auto-ajuda e no antropocentrismo.
Nós desprezamos as excelentes revistas de escola dominical e a farta literatura de nossa igreja, e nos apegamos a festas, congressos e outras coisas que às vezes me soam meras frivolidades.
Nós temos uma teologia muito séria na teoria e uma teologia "nonsense" na prática.
Nós gostamos de títulos e aparatos.
Nós temos em nosso meio muitos e muitos irmãos tristes ou amargurados desde o dia em que aprenderam a pensar diferente.
Nós instituímos, ao longo dos anos, a noção de que pastor é senhor, quando deveria ser servo.
Nós instituímos, ao longo dos anos, a noção de que pastor-presidente é um homem todo-poderoso, inacessível, de mando unilateral, quando em outras igrejas, ou mesmo em algumas das nossas, a gente vê que pastor é um homem vocacionado para servir pela Palavra de Deus, com humildade e pessoalidade.
Nós aprendemos que ser crente é participar ativamente de todos os trabalhos da igreja, compor aqueles conjuntos musicais, usar uns chavões, e que mais crente ainda é o que um dia falou em "línguas estranhas".
Nós também temos muitas qualidades, mas o auto-exame para a correção de pecados ainda é uma virtude cristã.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Diálogo com o jovem Naor, adepto confesso da Teologia da Prosperidade

Transcrevo* abaixo o segundo comentário que o jovem Naor (16 anos) fez ao nosso texto “Silas Malafaia e a Conferência Profética Passando o Manto”. O primeiro comentário desse irmão já havia sido respondido por mim no espaço próprio, mas agora, com os argumentos que ele declina, entendo que podemos construir um diálogo mais construtivo, que é nosso interesse neste "blog".
Segue, portanto, "ipsis litteris", o comentário do irmão Naor, com as minhas considerações em seguida, na forma de tópicos:

“Alex,desculpe estava com pressa na hora de escrever.rsrs.
O Apostolo Paulo afirma que muitos pregam o evangelho por contenda,e por ganancia,mas o importante é que Jesus seja pregado.
Sou adepto da Teolgia da Prosperidade(com bases biblicas).Quando Jesus diz que o Reino dos céu é dos pobres,acredito que Ele esteja afirmando sobre pobres de Espirito,humildes etc.
Sou contra a FAMOSA a afirmção:VENHA PRA JESUS ELE TE ENRIQUECERÁ..Pois Jesus nos fala para buscarmos primeiro o reino dos céus,e as demais coisas nos serão acrescentadas.
Jesus fala mais sobre dinheiro nos evangelhos do que outra coisa,e também fala mais sobre o inferno do que sobre o céu.
A prosperidade em que acredito é a emocional,sentimental e financeira.
O salmista afirma que nunca viu o justo mendigar o pão e Jesus também afirma que veio para dar vida e vida em abundância(em todas areas de nossas vidas).
Concordo que não podemos amar ao dinheiro e a Deus ao mesmo tempo isto é pecado de cobiça e idolatria,mas creio que Deus sim levanta ministros para levar sua palavra ministrando cada um em sua area ex.cura,libertação,prosperidade etc.Claro todos com bas na Palavra.
Eu tenho visto os frutos do ministerio do Silas Malafaia,sou contribuinte,e Deus cada vez mais tem me abençoado,tambe´m fui muito impactado com os livros de MURDOCK(esqueci como escreve o nome dele suahusahusa, por isso digo para olharmos os frutos,por que Jesus disse que uma arvore boa não produz frutos maus,e uma arvore má não produz frutos bons.
Vidas tem sido levadas a Cristo,e em tudo o que eles tem ensinado usam como base a palavra.
Sim vemos muitos se pertendo,e cobiçando o que não agrada a Deus,mas não posso crer em Deus que não abençoa o seu povo,vemos na biblia que Deus sempre a abençou seu povo com milagres na area financeira,e sim tem pessoa que Deus não deixa rico,por que Ele não deseja.
os pregadores da prosperidade são exagerados,quando falam deste assunto,mas não chegam a ser heresias,como também muitos tradicionais,só valoriza a pobreza em extremo,o certo eh o temperado:No mundo Tereis aflições,mas tende bom animo pois eu venci o mundo,como disse jesus,e Pualo que disse de tudo ter esperimentado,e saber estar bem em todas as situações.
Meu pai é um Pr.Assembleiano,e acredito que você saiba que els são bem resistentes a esta Teologia,e ele(não que ele seja alguém importante)esta de acordo com que o Sila tem Ministrado,e temos experimentado prosperidade em nosso lar.

Desejo sim crescer com Cristo Alias tem somente 16 anos,e em nenhum momente te julguei por que eu disse:vamos produzir frutos,assim me incluindo também.

Jesus abençoe..

xD”.

Minha resposta, em atenção a cada proposição do irmão Naor:

“O Apostolo Paulo afirma que muitos pregam o evangelho por contenda,e por ganancia,mas o importante é que Jesus seja pregado” [sic].
Creio que o jovem Naor não quis dizer que o Pr. Silas Malafaia prega o Evangelho por contenda ou ganância, mas é razoável entender que seu emprego do texto paulino serve para tentar justificar a pregação a todo custo, como costumam fazer muitas pessoas. É mesmo recorrente usar o texto de Fp 1.15-18 para dizer que vale tudo em nome da propagação do Evangelho, como se Paulo estivesse aprovando o pragmatismo, o evangelho de resultados, dos fins que justificam os meios, à moda de Maquiavel. Mas o texto paulino não diz isso. Se observarmos com atenção toda a passagem de Fp 1.12-26, veremos que Paulo se refere a motivações errôneas, e não a conteúdo errôneo. Paulo jamais vendeu doutrinas e princípios cristãos. O que ele diz é que alguns pregam com sentimentos de inveja, fingimento e porfia, e não que seja válido pregar evangelho adulterado, porque ele mesmo, o apóstolo Paulo, disse que não se poderia aceitar outro evangelho (veja Gl 1.6-9, por exemplo). Em suma: se alguns pregam o Evangelho de Cristo, mas por motivações equivocadas, o importante é que o nome de Jesus seja anunciado, sabendo, por outro lado, que cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus, e isso não é brincadeira, conforme II Co 5.10. Paulo nunca aprovaria a pregação de evangelho diferente! Creio que está claro assim. O argumento do Naor nesse caso foi pragmático.

“Sou adepto da Teolgia da Prosperidade(com bases biblicas).Quando Jesus diz que o Reino dos céu é dos pobres,acredito que Ele esteja afirmando sobre pobres de Espirito,humildes etc” [sic].
Gosto da sinceridade do irmão Naor: reconhece ser adepto da Teologia da Prosperidade. Mas há uma contradição, pois a Teologia da Prosperidade, ligada que é à Confissão Positiva, não tem as “bases bíblicas” referidas pelo irmão Naor. Concordo com a proposição de que os “pobres” são os “pobres de espírito”, os humildes, os que se enxergam como pecadores, os pequeninos, conforme Mt 5.3 e 11.25. Também creio que a “opção pelos pobres”, ensinada pela Igreja Romana, está fundamentada em bases erradas. No entanto, uma coisa não sustenta a outra. Dito de outro modo: o fato de eu crer que a Salvação se dirige a pobres e ricos não faz com que eu acredite que a prosperidade seja o mesmo que riqueza material, nem me induz a buscar bênçãos materiais como distintivo de espiritualidade cristã ou aprovação divina à minha vida. O argumento do Naor nesse caso foi silogístico, pois é como se tivesse dito: “se os pobres de espírito não são os pobres no sentido material, logo o Evangelho faz com que a pessoa deixe de ser pobre. Esse argumento não tem lógica, e por isso eu o chamo de argumento silogístico, lastreado que está em afirmações sem sentido.

“Sou contra a FAMOSA a afirmção:VENHA PRA JESUS ELE TE ENRIQUECERÁ..Pois Jesus nos fala para buscarmos primeiro o reino dos céus,e as demais coisas nos serão acrescentadas” [sic].
Neste item eu concordo inteiramente com o irmão Naor. Creio que a promessa de enriquecimento instantâneo, como ingrediente da Salvação, não merece maiores comentários. O argumento do Naor nesse caso é bíblico, e, por ser bíblico, anda longe da Teologia da Prosperidade.

“Jesus fala mais sobre dinheiro nos evangelhos do que outra coisa,e também fala mais sobre o inferno do que sobre o céu” [sic].
Gostaria que o jovem Naor me mostrasse como chegou a essa conclusão. Ele contou os textos em que Jesus fala de dinheiro? Contou quantas vezes Jesus fala de céu e inferno? Não entendi a relação entre falar mais em dinheiro e falar mais em inferno...O argumento do Naor nesse caso é infundado.

“A prosperidade em que acredito é a emocional,sentimental e financeira” [sic].
A afirmação de que a prosperidade abrange os aspectos emocional, sentimental e financeiro parece muito boa, se extraída, afastada do contexto da Teologia da Prosperidade. De fato, quem não admite que a prosperidade bíblica possa abarcar todos os aspectos da vida humana? Todavia, a frase, tomada isoladamente, não justifica a priorização que se faz do dinheiro, da saúde e do bem-estar. A Teologia da Prosperidade confunde prosperidade com riqueza e ausência de doenças e sofrimento. A Teologia da Prosperidade não tem piedade dos que sofrem, dos que padecem enfermidades e ficam sem cura, dos que morrem sem a solução de problemas. A prosperidade bíblica deve ser entendida como o efeito de uma vida pautada por princípios sagrados (veja o Sl 1), cumprimento das obrigações sociais, pagamento de impostos, respeito aos contratos, valorização do trabalho, esforço, busca de melhores condições de vida. Mas isso não anula a possibilidade do sofrimento, da cura que não vem, dos acidentes e incidentes, da falência, da falta de emprego ou morte na família. O argumento do Naor nesse caso é deficiente.

“O salmista afirma que nunca viu o justo mendigar o pão e Jesus também afirma que veio para dar vida e vida em abundância(em todas areas de nossas vidas)” [sic].
Aqui temos dois textos bíblicos mencionados: Sl 37.25 e Jo 10.10. Nenhum dos dois prega o evangelho da prosperidade. Quando Davi afirma que, em sua experiência de vida, jamais viu o justo mendigar o pão, nem a sua descendência padecer necessidade, ele está se referindo à providência divina, que nos livra da miséria, mas não diz que o justo não pode ser pobre (há vários exemplos bíblicos de justos que foram pobres, como a conhecida “viúva pobre”, de Lc 21.1-4, e a própria família de Jesus, como se depreende de Lc 2.21-24 c/c Lv 12.6-8). Vale dizer que pobreza é diferente de miséria. Quanto ao outro texto, de Jo 10.10, Jesus se refere à plenitude espiritual. O argumento do Naor nesse caso é hermeneuticamente errado.

“Concordo que não podemos amar ao dinheiro e a Deus ao mesmo tempo isto é pecado de cobiça e idolatria,mas creio que Deus sim levanta ministros para levar sua palavra ministrando cada um em sua area ex.cura,libertação,prosperidade etc.Claro todos com bas na Palavra” [sic].
Naor, não existe dom de ministrar prosperidade. Nenhuma lista de dons no Novo Testamento aponta para ministério de prosperidade. Pode procurar. Isso é invenção de certos pregadores norte-americanos. Pense nisso. Por mais que seja agradável ouvir promessas de cura certa e prosperidade financeira, isso não passa de “palavras fictícias” quando a palavra não procede de Deus (II Pe 2.3, na Almeida Revista e Atualizada). Jeremias enfrentou corajosamente falsos profetas que prometiam paz e prosperidade, quando Deus falava de juízo e necessidade de arrependimento (veja Jr 8.11, por exemplo). O argumento do Naor nesse caso não é bíblico.


“Eu tenho visto os frutos do ministerio do Silas Malafaia,sou contribuinte,e Deus cada vez mais tem me abençoado,tambe´m fui muito impactado com os livros de MURDOCK(esqueci como escreve o nome dele suahusahusa, por isso digo para olharmos os frutos,por que Jesus disse que uma arvore boa não produz frutos maus,e uma arvore má não produz frutos bons” [sic].
Em seu livro A Lei do Reconhecimento, Mike Murdock prega disfarçadamente preceitos próprios do Gnosticismo e do Esoterismo. A primeira frase do livro consiste em dizer que o maior problema da humanidade é a ignorância – essa afirmação é gnóstica, e, conforme a Bíblia, entendemos que o maior problema da humanidade é o pecado, pois gera a morte (Rm 3.23; 6.23, por exemplo). Quanto à lei do reconhecimento em si, associada à tal lei da semeadura financeira, não passa de preceito esotérico, como a lei da atração, no bojo das supostas leis místicas que governariam o Universo. Nada disso é bíblico, mas próximo, isto sim, da Confissão Positiva e da Nova Era.
Eu admirava muito o Pr. Silas Malafaia, que, aliás, é de minha denominação (!). Eu o admiro ainda por sua grande capacidade de expressão, articulação e conhecimento bíblico e teológico. Mas passei a discordar de seu trabalho quando ele aderiu à Teologia da Prosperidade, quando passou a discordar de si mesmo, ao defender muito daquilo que antes combatia com tanta veemência. É como se houvesse dois pastores com o nome de Silas Malafaia...
Mas o principal argumento nesse caso é relativo aos frutos, que Naor menciona tendo em vista o texto de Mt 12.33-37, com o paralelo de Lc 6.43-45. O jovem Naor diz que tem sido abençoado ao contribuir, que foi “impactado” com os livros do Mike Murdock – e eu pergunto: isso por acaso são frutos suficientes para que a Teologia da Prosperidade seja aprovada? Veja que não questiono as motivações pessoais de nenhum dos pastores citados, e, por isso, não os julgo (Mt 7.1-5). Mas avalio o conteúdo de sua mensagem, e dela discordo, porque a Bíblia é minha regra de fé e prática (veja o Sl 119 todinho, bem como II Tm 3.16,17). Devemos conferir nas Escrituras para ver se as coisas são de fato como nos dizem (At 17.11). Com relação aos diversos tipos de julgamento, leia-se, por favor, o nosso artigo, neste mesmo “blog”, sob o título “Resposta a um admirador de René Terra Nova e Cia.”

“Vidas tem sido levadas a Cristo,e em tudo o que eles tem ensinado usam como base a palavra” [sic].
Bom, não posso dizer se todas essas vidas têm sido levadas a Cristo. Não posso adentrar a mérito tão profundo, que só pertence a Deus. Mas minhas avaliações são feitas sobre o parâmetro objetivo das Escrituras, e, apoiado nelas, posso afirmar categoricamente que a Teologia da Prosperidade não tem suporte bíblico, em absoluto (veja I Tm 6.3-10; Fp 4.10-23).

“Sim vemos muitos se pertendo,e cobiçando o que não agrada a Deus,mas não posso crer em Deus que não abençoa o seu povo,vemos na biblia que Deus sempre a abençou seu povo com milagres na area financeira,e sim tem pessoa que Deus não deixa rico,por que Ele não deseja” [sic].
Deus realmente abençoa o Seu povo – mas o que é bênção para você? Confunde-se com riqueza, saúde certa, imunidade ao sofrimento? Então, precisamos explicar que Deus, sim, sempre abençoa o Seu povo, mas que o próprio sofrimento pode ser um meio de bênção, como todas as provações (veja Tg 2.1-11; I Pe 1.6-9).

“os pregadores da prosperidade são exagerados,quando falam deste assunto,mas não chegam a ser heresias,como também muitos tradicionais,só valoriza a pobreza em extremo,o certo eh o temperado:No mundo Tereis aflições,mas tende bom animo pois eu venci o mundo,como disse jesus,e Pualo que disse de tudo ter esperimentado,e saber estar bem em todas as situações” [sic].
Ora, os exageros dos pregadores da prosperidade são, sim, heresias, eis que falsos ensinos são heresias. O texto de Jo 16.33 só atesta essa afirmação.


"Meu pai é um Pr.Assembleiano,e acredito que você saiba que els são bem resistentes a esta Teologia,e ele(não que ele seja alguém importante)esta de acordo com que o Sila tem Ministrado,e temos experimentado prosperidade em nosso lar" [sic].
Infelizmente o ser assembleiano não significa mais, em todos os lugares, o combate a heresias, especialmente à Teologia da Prosperidade. Eu sei o que estou dizendo. A Teologia da Prosperidade é um câncer que se abateu sobre muitas igrejas de nosso País, o que certamente não isenta muitas Assembléias de Deus, para minha enorme tristeza e decepção, porque não foi esse o Evangelho que recebi de minha mãe e de meus amados pastores da infância e adolescência (veja I Co 15.1-3; II Tm 1.5).

“Desejo sim crescer com Cristo Alias tem somente 16 anos,e em nenhum momente te julguei por que eu disse:vamos produzir frutos,assim me incluindo também” [sic].
Finalizando, quero elogiar o irmão Naor pela sua gentileza e disposição para o diálogo. Sendo ele um adolescente de 16 anos, tem toda a vida pela frente, e espero, sinceramente, que seu crescimento em Cristo seja um testemunho a muitas pessoas. A humildade que demonstrou em seu segundo comentário, explicando com detalhes a sua posição, depõe em favor de seu bom caráter. Quero aproveitar este momento para dizer que o objetivo deste "blog" é alcançado sempre que se faz o diálogo construtivo ou a exposição de doutrinas bíblicas. No mais, todo aquele que busca pensar merece meu respeito, e foi o que o Naor fez, ainda que tenhamos grandes divergências teológicas, que nos colocam em campos bem distintos.
* Reproduzi as palavras do irmão Naor do jeito que vieram, e por isso inseri entre colchetes o termo latino "sic". Para esclarecimento a respeito, consulte-se o seguinte endereço: http://www.sualingua.com.br/04/04_sic.htm

Só uma nota rápida - de outras que certamente virão!

Quem quiser entender por que escrevi textos como "Minha vida de blogueiro" e "Por que não faço parte do ministério da crítica", dentre outros, leia por favor comentários de leitores aos textos "Silas Malafaia fala de sua relação com René Terra Nova" e "Silas Malafaia e a 'Conferência Profética Passando o Manto'". Inserindo um desses nomes na ferramenta de busca do próprio "blog", o senhor ou a senhora verá automaticamente onde estão esses artigos.
Estou ficando cansado de ver como tem gente que pensa pequeno nos arraiais que se dizem evangélicos. É cansativo ter que ensinar a leitores desavisados algumas coisas que são basilares. É cansativo, e parece até que estou aqui para fazer defesas pessoais, como de certo modo imaginou um respeitável leitor chamado Lavrador. Não, eu não estou aqui para destilar demasiados pronomes pessoais do caso reto, na primeira pessoal do singular, mas minha própria consciência e honra demandam defesas pessoais quando leitores acostumados a bajular pregadores de renome vêm aqui me atacar. E aos leitores que me aborrecem: se quiserem, fiquem nos seus mundos, e me deixem trabalhar, pois tenho muito, muito o que fazer. Mas, se porventura querem construir algo realmente sólido, leiam mais a Bíblia, procurem boa literatura - que não seja de auto-ajuda -, e depois venham aqui conversar comigo, pois terei muito prazer em dialogar em atitude de respeito, mesmo que com divergências, desde que bem fundamentadas.

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.