segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

As perguntas teológicas de minha filha

Minha filha, Elisa, tem três anos de idade. Ontem, quando nos arrumávamos para irmos ao culto de domingo à noite, ela me surpreendeu com as seguintes perguntas:
- “Jesus cura”?
- “Deus vem buscar a gente”?
- "Ele está vindo agora, né"?
- “Eu vou com essa roupa”?
- “Deus fala com a gente”?
Ela ainda afirmou que gostaria de ir para o Céu logo, e disse também que a gente deve esperar Deus nos buscar.
Todas essas coisas ela começou a perguntar porque eu a convidei a ir ao culto, e creio que resultaram da aula da manhã. Talvez lembre de aulas anteriores.
Enquanto nos dirigíamos ao templo, fomos conversando sobre essas questões. Eu lhe disse, desde a conversa em casa, que Jesus cura, que Jesus vem buscar a gente, que devemos esperar por isso para qualquer momento, que receberemos roupas brancas e novas, que Deus fala com a gente pela Bíblia e em nossos corações, e que só vai ao Céu quem conhece a Jesus. Por isso, disse-lhe, precisamos falar de Jesus a outras pessoas.
Veja bem: uma menininha de três anos de idade perguntando coisas tão profundas e importantes. Como o pai não fica? É claro que fico contente com o fato de saber que o ensino bíblico tem sido eficaz, mas, por outro lado, me preocupo com a negligência que muitas vezes devotamos às crianças. Elas são tão receptivas ao ensino, e nós, tão desatentos a isso!
Jesus não disse que das crianças é o Reino de Deus? Sim, o Reino é delas. É por isso que minha filha entende facilmente as coisas do Reino.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Carnaval de Salvador é um insulto à igualdade social

Quem vê aquelas multidões pulando atrás do trio elétrico ao ar livre pode pensar que se trata de alguma coisa democrática, mas não é. O Carnaval de Salvador é um insulto à igualdade social, e isso porque milhões de Reais são empregados numa festa cujos frutos não são igualitariamente repartidos entre a população.
Digo isso porque soube que o Governo do Estado da Bahia cedeu R$45 milhões para a festa, além do aporte da Prefeitura, e quem sabe do Governo Federal, já que a EMBRATUR também se interessa pela festa devido ao turismo. Entretanto, o que se vê em Salvador e em toda a Bahia é a gritante desigualdade social, sendo que Salvador está repleta de moradores de rua, prostitutas, bêbados, trombadinhas, assaltantes, traficantes de drogas, e muitos, muitos pobres, seja em favelas, seja em subúrbios.
Fico pensando para onde vai tanto dinheiro de turistas que vêm a Salvador aproveitar os muitos dias de bebedeira, turismo sexual, prazeres do litoral e música baiana de ensurdecer. O Carnaval realmente não combina com um lugar tão massacrado por décadas de políticas excludentes, coronelistas, patrimonialistas.
Na verdade, eu não gosto de Carnaval de jeito nenhum, e sei que os males desse festejo vão muito além dos problemas sociais. Entretanto, como a festa está aí, e como faz parte do imaginário popular quando se trata de minha terra, não posso me furtar a dar minha opinião sobre ele, já que, ao que parece, tudo em Salvador anda em função desses dias de fevereiro.
Quisera eu a Capital da Bahia deixasse de ser Salvador, e passasse a ser Vitória da Conquista, algo que escutei de um colega de trabalho, dada a sugestão de um especialista. Assim, eu poderia, quem sabe, ir morar na Capital, trabalhar lá, e deixar que Salvador ficasse com suas festas, com seu turismo, com suas praias e pontos turísticos só para os dias de folga. Creio que isso faria da Bahia um lugar melhor, e talvez distribuísse com maior equidade o grande número de pessoas que insistem em residir nessa megalópole.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Duas palavras sobre a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos

Não posso deixar de dizer que a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à revista Veja foi a melhor que já li em todos os tempos, vinda de um político. Ele disse, sim, o que todo mundo pensa, mas não tem coragem de falar ou não pode falar: que boa parte do PMDB é corrupta, que a maioria só quer cargos por interesses escusos, mas foi além: José Sarney (PMDB-MA) é um retrocesso, vai “transformar o Senado num grande Maranhão”, e Renan Calheiros (PMDB-AL) não tem condições morais nem políticas para ser senador, tampouco para ser líder de partido.
Depois, em entrevista coletiva e à CBN, o senador reafirmou toda a sua indignação, e com uma sinceridade que parece absoluta. Também disse que Lula é conivente com a corrupção, e que deixou de lado as duas bandeiras de sua campanha de 2002, quais sejam, a reforma política e a questão ética.
Bem, alguns acham que nada disso adianta, que as coisas vão continuar como estão, que política é assim mesmo, que o senador Jarbas deve ter sido impelido por propósitos menores...Eu não! Eu entendo que existe esperança sempre que alguém ainda é capaz de se indignar, principalmente quando se trata de uma autoridade pública de tamanha envergadura, como um senador da República, e com a biografia do senador pernambucano.
Agora, um outro aspecto me chamou a atenção: a imprensa noticiou que o grupo de Renan Calheiros pensou em tentar enfraquecer o senador Jarbas Vasconcelos em Pernambuco, ou minar sua força no próprio Senado, deixando de lhe repassar relatorias de projetos. Isso me fez pensar imediatamente nas retaliações que ocorrem nos bastidores de igrejas, quando algum irmão resolve falar a verdade e a liderança decide retirar seus cargos, puni-lo de alguma forma, desacreditar a imagem do irmão perante a congregação. Isso é feio e doentio, e demonstra o quanto a política eclesiástica pode se assemelhar à politicagem de grupos que se aboletam no poder nacional e nos poderes estaduais e municipais.
Além do senador Jarbas Vasconcelos, estariam hoje clamando contra a corrupção os profetas do Antigo Testamento, como Miquéias, Amós e Jeremias – Homens que não toleravam o avanço do erro, do escândalo, da hipocrisia, da criminalidade, do suborno, das manobras dos poderosos em detrimento do bem comum, da lei e da justiça.
Ficar alheio ao que o senador Jarbas Vasconcelos disse é algo que não se compatibiliza com o ser cristão. Jamais alguém deveria ostentar a condição de cristão e simultaneamente defender a corrupção, o “jeitinho”, a chamada “lei do mais forte”, a compra de votos, a mentira, o mero pragmatismo, notadamente quando se dá dentro das igrejas.
Definitivamente, a alienação não é de Deus. O que o senador Jarbas disse é verdadeiro, independentemente de corrente ideológica ou preferências partidárias. Trata-se da mais pura verdade. Cabe a mim, portanto, refletir: tenho eu capacidade de me indignar? Reflita você também, por favor.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

João Batista, o precursor de Cristo*

Para conferir um grau mais denso a este "blog", penso em publicar alguns de meus trabalhos acadêmicos de Teologia, a começar por este que trata do personagem bíblico João Batista.
Embora estejamos num veículo eletrônico, em que as leituras devem ser mais amenas ou menos extensas, lanço o fruto de minha pesquisa à apreciação dos mui atilados leitores. É como segue:

Esquema de João Batista, o precursor de Cristo:

Introdução.
1. Ascendência, anúncio e nascimento de João Batista: Lc 1.5-25; 57-66.
2. Aparição e pregação de João Batista: Mt 3.1-10; Mc 1.2-6 e Lc 3.1-14.
3. João Batista dá testemunho de Cristo: Mt 3.11-12; Mc 1.7,8; Lc 3.15-17; Jo 1.15-31; 3.22-30.
4. Dois discípulos de João Batista seguem a Jesus: Jo 1.35-42.
5. João batiza Jesus: Mt 3.13-17, Mc 1.9-11, Lc 3.21,22; Jo 1.32-34.
6. João Batista repreende Herodes e é preso: Lc 3.18-20.
7. Jesus inicia seu ministério depois que João Batista é preso: Mt 4.12-17; Mc 1.14,15; Lc 4.14,15.
8. João Batista envia mensageiros a Jesus: Mt 11.2-6; Lc 7.18-23.
9. Jesus dá testemunho de João Batista: Mt 11.7-19; Lc 7.24-35.
10. A morte de João Batista: Mt 14.1-12; Mc 6.14-29; Lc 9.7-9.
11. João Batista é o Elias que havia de vir: Mt 17.9-13; Mc 9.9-13; cf. Is 40.3; Ml 4.5,6.
12. A autoridade de Jesus e o batismo de João: Mt 21.23-27; Mc 11.27-33; Lc 20.1-8.
13. O batismo de João como início do ministério de Jesus: At 1.21,22.
14. Pessoas que “só conheciam o batismo de João”: At 18.24-19.6.
Conclusão.
Referências bibliográficas.


Introdução.
Para uma análise da figura de João Batista, é necessário examinar tudo o que consta dos Evangelhos a seu respeito, atentando para alguns aspectos principais.

1. Ascendência, anúncio e nascimento de João Batista (Lc 1.5-25, 57-80).
Os dados biográficos de João Batista são oferecidos com maiores detalhes pelo evangelista Lucas, único que escreve sobre a origem e nascimento do profeta.
Os pais de João Batista, Zacarias e Isabel, são retratados como piedosos e irrepreensíveis, vivendo de acordo com “todos os preceitos e mandamentos do SENHOR” (Lc 1.6). Ela era descendente de Arão, e ele, sacerdote do turno de Abias.
O anúncio do nascimento de João Batista ocorreu quando Zacarias cumpria seu ofício de queimar o incenso no santuário de Deus, e foi envolvido pela operação divina: à semelhança de Sara e Raquel, mulheres de patriarcas, e de Ana, mãe do grande líder Samuel, Isabel era estéril, condição que implicava forte preconceito social e sentimento de inferioridade, mas que, nas páginas da Escritura, deu ensejo a intervenções poderosas de Deus, abrindo a madre e trazendo ao mundo homens que iriam marcar a História da Redenção.
No caso de Isabel e Zacarias, havia a agravante da idade avançada. Foi nessa situação desfavorável que o anjo Gabriel apareceu a Zacarias dentro do santuário e lhe prometeu o nascimento de um filho, com menção literal de um trecho da profecia de Malaquias e outras palavras sobre o perfil e missão do menino, tudo a indicar que se trataria de uma pessoa separada para um destino especial, porque “cheio do Espírito Santo, já desde o ventre materno” (Lc 1.15) e preservado do vinho e da bebida forte.
A incredulidade do sacerdote, porém, fez com que ficasse mudo, até que o filho nascesse. Mas desde logo Isabel ficou alegre pela maternidade anunciada.
Desse modo, o nascimento de João Batista foi cercado de expectativa, dada a atuação sobrenatural que fez com que um casal idoso, sendo a mulher estéril, gerasse um filho. Isso fez com que perguntassem o que haveria de ser daquele menino.
O relato de Lucas contém três cânticos, um dos quais atribuído a Zacarias, por conta do nascimento de João (Lc 1.67-80). Aliás, esse nome também foi conferido por Deus, e fez com que Zacarias rejeitasse a idéia de colocar no filho um nome oriundo da tradição familiar. “João” significa “O SENHOR dá graça ”, e condiz com a vida do Batista.
Outra característica de Lucas é mencionar a dotação do Espírito Santo. Isso ocorreu com Isabel ao ser visitada por Maria, sua prima, quando o próprio feto saltou de alegria ante a visita da mulher que havia sido escolhida mãe do Salvador (ver Lc 1.26-45).
Esses elementos fornecidos exclusivamente por Lucas mostram que João Batista foi o homem enviado por Deus para ser o precursor do Messias.

2. A aparição e pregação de João Batista (Mt 3.1-10; Mc 1.2-6; Lc 3.1-14).
Tanto Mateus quanto Marcos afirmam que João Batista “apareceu” no deserto (Mt 3.1; 1.4). O verbo “aparecer” sugere a idéia de que João irrompeu sem aviso e sem envolvimento com um sistema preestabelecido.
De repente, aquele homem começou sua pregação na região da Judéia com um discurso simples, voltado ao arrependimento, “porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Elias, por sua vez, também apareceu sem precedentes, já proferindo uma mensagem contra Acabe (I Rs 17.1).
No entanto, no caso de João, não se deveria tratar de uma surpresa completa, eis que “este é o referido por intermédio do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas ” (Mt 3.3; cf. Is 40.3).
É um traço reconhecido de Mateus fazer referências ao Antigo Testamento para mostrar a Israel o cumprimento do plano de Redenção, do qual a “voz do que clama no deserto” faria parte. Mas o evangelista Marcos também faz citação expressa dessa profecia, ao passo que, pondo tudo na pena de Isaías, remete, ainda, a outro profeta, quando diz: “Eis aí envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho” (Mc 1.2, cf. Ml 3.1). A seu turno, Lucas faz uma citação maior (Lc 3.4-6).
Dessa forma, João Batista vem apresentado como alguém que foi prometido pelos profetas, assim como o anjo deixara entrever ao falar com Zacarias.
Como já visto, e diferentemente de Mateus e Marcos, Lucas não começa dizendo que João Batista “apareceu”, mas, seguindo seu método mais detalhista, oferece importantes elementos temporais, quais sejam, o fato de que João Batista surgiu no décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, além de serem sumos sacerdotes Anás e Caifás (Lc 3.1,2).
Segundo GÜNTHER BORNKAMM , esse período foi de outubro de 27 a setembro de 28 d.C. (talvez até 28/29), o que constitui, para o estudioso da Bíblia, relevante colaboração para a historicidade do personagem.
Tal como sua aparição e pregação, o estilo de vida de João Batista era simples: vestia-se de pêlos de camelo e trazia nos lombos um cinto de couro (Mt 3.4; Mc 1.6) – nisso ele já parecia com o profeta Elias (II Rs 1.8). Sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre (Mt 3.4; Mc 1.6). Tratava-se de um homem que escolheu o deserto – ou que foi escolhido por ele.
Não obstante esse exotismo, o trabalho realizado por João atraiu multidões. Pessoas de Jerusalém, de toda a Judéia e da circunvizinhança do Jordão iam ter com ele para o ouvir e serem batizadas naquele rio, “confessando os seus pecados” (Mt 3.5,6; Mc 1.5).
O batismo era um meio de confissão pública, e caracterizou tanto o trabalho de João que lhe rendeu o predicativo de “Batista”, equivalente a “batizador”.
Tamanha era a proporção do movimento que a liderança religiosa quis tirar algum proveito. Assim, fariseus e saduceus, membros de dois grupos religiosos de destaque, foram atrás do batismo, mas tiveram que ouvir de João:

“Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar pedras a Abraão. Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3.7-10; cf. Lc 3.7-9).

Percebendo que os líderes não haviam se arrependido, e que estavam apenas querendo agradar o povo, João os repreendeu severamente, empregando a terrível, mas verdadeira, alcunha de “raça de víboras”. Além disso, desbaratou a frágil noção de que a nacionalidade israelita lhes poderia ajudar na questão espiritual.
A verdade central era a de um juízo iminente, que chegaria tão rápido quanto dura o tempo entre o machado colocado à raiz da árvore e o corte.
Demais disto, Lucas acresce uma informação importante: a censura do profeta não se dirigia somente à hipocrisia da liderança, mas às multidões egoístas. Diante da pergunta “Que havemos, pois, de fazer?”, João responde com uma exortação de cunho social, para que se distribuíssem roupas e comida aos pobres, para que os publicanos cobrassem apenas o estipulado, para que os soldados a ninguém maltratassem, não dessem denúncia falsa e se contentassem com o seu soldo (ver Lc 3.10-14).
Todas essas recomendações apontam para um profeta extremamente desafiador e objetivo, desprovido de compromissos políticos e de convenções sociais.

3. João dá testemunho de Cristo (Mt 3.11,12; Mc 1.7,8; Lc 3.15-17; Jo 1.6-8, 15-31; 3.22-30).
O Batista demonstrou ter pleno conhecimento de sua função na história salvífica. Uma de suas prédicas foi no sentido de que, enquanto ele batizava em água, à vista de arrependimento, aquele que viria depois dele, e que era mais poderoso e mais importante – “cujas sandálias não sou digno de levar” – batizaria no Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11,12; Mc 1.7,8; Lc 3.16; Jo 1.26,27).
Havia, pois, diferença entre os ministérios do precursor e do que viria depois, entre o batismo do arrependimento e o batismo no Espírito Santo e com fogo. Estava claro que João era menor, que não era protagonista.
Mais do que isso, o que viria depois executaria juízo, o que João expressou na ilustração daquele que tem a pá em sua mão, e “limpará completamente a eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mt 3.12; cf. Lc 3.17).
Para essa ocasião, Lucas revela um aspecto não registrado pelos demais evangelistas: “Estando o povo na expectativa, discorrendo todos no seu íntimo a respeito de João, se não seria ele, porventura, o próprio Cristo” (Lc 3.15), foi que ele respondeu com o contraste entre os dois batismos e a promessa do juízo a ser realizado pelo que haveria de vir.
Dentre os escritores dos Evangelhos, o apóstolo João foi o que mais deu ênfase aos testemunhos que o Batista deu a respeito de Jesus: primeiro, apresentando o profeta como um homem que surgiu para dar testemunho da luz, não sendo ele mesmo a luz (Jo 1.6-8); depois, ressaltando a Eternidade e “primazia” daquele que “vem depois de mim”, pois “já existia antes de mim” (Jo 1.15; cf. Jo 1.30). A isso, o próprio apóstolo emenda declarações que apontam para Jesus Cristo como sendo aquele que trouxe plenitude, “graça sobre graça”, e que é o unigênito do Pai (Jo 1.16-18). Tudo isso se coaduna com a intenção joanina de descrever a Jesus como o Verbo Encarnado, transcendente e divino.
Em seguida, o apóstolo João trata de uma entrevista que João Batista teve com sacerdotes e levitas fariseus enviados de Jerusalém a Betânia para lhe perguntarem quem era ele. Sem titubeios, o Batista confessou não ser ele o Cristo. Como os emissários continuassem a investigação, perguntando se ele era Elias ou “o profeta”, João Batista respondeu mencionando a profecia encontrada em Is 40.3, já referida: ele era a voz do que clama no deserto (Jo 1.19-24).
Ocorreu, porém, que os inquiridores perguntaram por que João batizava, considerando que não era o Cristo, nem Elias, nem “o profeta”. Foi nesse contexto, segundo o apóstolo João, que o Batista comparou o seu batismo nas águas com o batismo a ser ministrado pelo que haveria de vir, e que, na verdade, já estava no meio deles, e eles não conheciam (Jo 1.25-27).
No dia seguinte, João Batista viu Jesus, que vinha em sua direção, e disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”. João também admitiu que não o conhecia, e que, para que o mesmo fosse manifestado a Israel, foi que ele veio batizando em água (Jo 1.29,31). Em poucas palavras, portanto, tem-se a revelação nítida de Jesus como o Salvador, prefigurado no cordeiro veterotestamentário, além do esclarecimento da finalidade do batismo de João.
Há, ainda, outro testemunho do Batista registrado pelo apóstolo João, e se encontra em Jo 3.22-30: estando Jesus a batizar com seus discípulos na Judéia, João Batista se encontrava batizando em Enom, perto de Salim...Tendo surgido uma contenda entre os discípulos de João e um judeu a respeito da purificação, foram ter com João e lhe disseram: “Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro” (v. 26).
Com sabedoria, João respondeu que “o homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (v. 27); que ele mesmo havia dito não ser o Cristo, mas fora “enviado” como “seu precursor” (v. 28); que se considerava como o “amigo do noivo”, cuja alegria é se regozijar com o noivo, o qual, este sim, tem a noiva (v. 29); e “convém que ele cresça e que eu diminua” (v. 30), declaração esta que bem pode ser um resumo da vida de João Batista.
Cumpre deixar bem patente que João veio para dar seu testemunho, mas que o maior testemunho foi dado pelas obras do próprio Cristo. Com efeito, de acordo com Jo 5.31-37, Jesus disse aos judeus que, se Ele testificasse a respeito de Si mesmo, o Seu testemunho não seria verdadeiro – daí se pode refletir sobre o porquê do envio de João. Prosseguindo, Jesus disse que “outro” (v. 32) é o que testemunha a Seu respeito, e é verdadeiro esse testemunho. Expressamente, Jesus afirma que João deu testemunho verdadeiro aos mensageiros enviados pelos judeus, o que comprova que o testemunho de João foi singular.
Contudo, Jesus não aceita “humano testemunho” (v. 34). Isso não significa que Jesus estivesse desprezando a João, mas o contrário, pois “ele era a lâmpada que ardia e iluminava, e vós quisestes, por algum tempo, alegrar-vos com a sua luz” (v. 35). A questão é que Jesus tem “maior testemunho do que o de João”, eis que as obras do Pai, realizadas por Ele, testemunham a Seu respeito, assegurando que o Pai O enviara (v.36).

4. Dois discípulos de João Batista seguem a Jesus (Jo 1.35-42).
Conquanto não quisesse fazer discípulos, a admiração do povo por João Batista fez com que ele formasse um movimento de seguidores, os chamados “discípulos de João”. Estes, por exemplo, usavam a prática do jejum, como se infere de Mt 9.14, Mc 2.18 e Lc 9.33; e foram ensinados a orar, como se vê em Lc 11.1.
Por outro lado, os discípulos de João foram ensinados corretamente sobre o Cristo, ante os testemunhos que o Batista dava de Jesus.
Tanto isso é verdade que, certa vez, estando dois deles com João e vendo Jesus passar, João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus!”. Esse testemunho fez com que os dois discípulos fossem atrás de Jesus, querendo saber onde ele assistia (recebia pessoas). Um deles era André, que levou Simão, seu irmão, à presença de Jesus, que lhe mudou o nome para Cefas, que em grego é Pedro.
Essa é uma das passagens que estabelecem forte vínculo entre o ministério de João e o ministério de Jesus.
Entretanto, nem o povo nem a liderança conseguiram compreender a relação entre João Batista e Jesus. Tanto que disseram aos fariseus que Jesus batizava mais discípulos do que João, numa comparação sem fundamento, não só porque Jesus não batizava, mas também porque Ele era o Cristo, enquanto João era tão-somente o precursor (Jo 4.1).

5. João batiza Jesus (Mt 3.13-17, Mc 1.9-11, Lc 3.21,22; Jo 1.32-34).
Os quatro Evangelhos relatam o batismo de Jesus pelas mãos de João, que, a princípio, relutava, considerando que ele é que deveria ser batizado por Jesus. Por sua vez, o SENHOR respondeu que “convém cumprir toda a justiça” (Mt 3.15).
Ao sair da água, Jesus viu descer dos céus o Espírito de Deus em forma de pomba, e ouviu uma voz dos céus que dizia: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; cf. Mc 1.11; Lc 3.22). Aquela foi uma demonstração audiovisual da Trindade, algo que João Batista pôde testemunhar de muito perto, dado o seu discernimento espiritual, como ele mesmo afirmou (Jo 1.32,34).

6. João repreende Herodes e é preso (Lc 3.18-20).
Conta o evangelista Lucas que “com muitas outras exortações [João Batista] anunciava o evangelho ao povo” (Lc 3.18). Essa era a sua tarefa primordial como precursor do Messias. E, como deve ter ficado claro, seu discurso possuía um profundo apelo ético, que resultou em sua prisão, ordenada por Herodes, o tetrarca da Galiléia.
Curiosamente, foi uma repreensão moral e particular que levou João Batista ao cárcere (Lc 3.19-20), quando se poderia esperar uma perseguição de natureza política e religiosa, como a que se daria mais tarde sobre Jesus.
A prisão ocorreu porque João Batista repreendeu Herodes devido ao concubinato que este mantinha com Herodias, mulher de seu irmão.

7. Jesus inicia seu ministério depois que João é preso (Mt 4.12-17; Mc 1.14,15; Lc 4.14,15).
Ao saber que João havia sido preso, Jesus se retirou para a Galiléia, e, em lá chegando, mudou de Nazaré para Cafarnaum, para que se cumprisse a predição de Isaías quanto à “Galiléia dos gentios”. Desde então, a pregação de Jesus foi “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17), igualmente ao que João pregara (cf. Mt 3.2).
Na versão de Marcos, a mensagem foi a seguinte: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
Mais uma vez se observa a proximidade entre os ministérios de Jesus e de seu primo João. A mensagem era a mesma, e Jesus começou a pregar com um sentido de urgência, de indispensável tomada de posição frente ao “evangelho de Deus” (Mc 1.14).
Não há dúvida, pois, de que se está diante de um plano concebido por Deus para a Salvação da humanidade, e que se inaugurou uma nova etapa desde que o ministério de João cessou.

8. João envia mensageiros a Jesus (Mt 11.2-6 e Lc 7.18-23).
Mesmo João Batista teve seu momento de fraqueza, quando, no cárcere, ao ouvir falar das obras de Cristo, mandou que seus discípulos lhe perguntassem se era Ele “aquele que estava para vir” ou se outro deveria ser esperado (Mt 11.2,3; cf. Lc 7.18-20). É realmente curioso que essa dúvida tenha surgido da parte do homem que testemunhou várias vezes de Jesus como sendo o Cristo, o que incluiu a descida do Espírito Santo e a audição da voz do Pai desde os céus abertos.
A fim de mostrar a João que era Ele o Cristo, Jesus “curou (...) muitos de moléstias, e flagelos, e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos” (Lc 7.21), mandando em seguida dizerem o que eles estavam “ouvindo e vendo” (Mt 11.4; cf. Lc 7.22) – cura de cegos, surdos, coxos, leprosos, ressurreição de mortos e o anúncio do evangelho aos pobres (Mt 11.5; Lc 7.22). Por fim, disse também: “Bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mt 11.6; Lc 7.23).
De toda maneira, vê-se que Jesus não requereu de João mais do que se poderia esperar do ser humano, com suas limitações.

9. Jesus dá testemunho de João (Mt 11.7-19 e Lc 7.24-35).
Em reconhecimento ao caráter de João, Jesus deu testemunho dele, assim que seus emissários partiram.
Para Jesus, João não era “um caniço agitado pelo vento” (Mt 11.7), embora também não fosse “um homem vestido de roupas finas”, porque estes “assistem nos palácios reais” (Mt 11.8). João era, isto sim, aquele mensageiro de Deus anunciado por Malaquias para preparar o Seu caminho (Ml 3.1).
Falando de maneira quase enigmática, Jesus disse que entre os nascidos de mulher “ninguém apareceu maior do que João Batista”, ao passo que “o menor no reino dos céus é maior do que ele” (Mt 11.11). A um só tempo, Jesus elogia o seu precursor e ensina que os valores celestiais são diferentes dos valores terrenos.
Mas Jesus prossegue revelando algo mais sobre a missão de João Batista no Plano de Salvação: “Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que havia de vir” (Mt 11.12-14; ver também Lc 16.16).
Todavia, os corações dos judeus estavam tão endurecidos que não aceitaram a pregação de João nem a de Jesus: assim como meninos que não dançam com a alegria da flauta nem choram ao som de lamentações, os judeus diziam que João, que não comia nem bebia, tinha demônio, enquanto criticavam o Filho do homem, que comia e bebia, chamando-O de glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores (Mt 11.16.19). O problema, na verdade, estava com as pessoas, e não com a mensagem apresentada pelo Batista ou por Jesus.

10. A morte de João Batista (Mt 14.1-12; Mc 6.14-29; Lc 9.7-9).
Os evangelistas que tratam da morte de João Batista iniciam dizendo que os feitos de Jesus fizeram Herodes pensar que o mesmo havia ressurgido dentre os mortos – e que por isso nele operavam “forças miraculosas” – enquanto outros diziam que seria Elias ou um dos antigos profetas.
Abre-se, então, um parêntese, para narrar as circunstâncias em que João morreu: por causa de uma censura ao fato de Herodes viver com a esposa de seu irmão (Filipe), João Batista foi encarcerado. Herodes, em si mesmo, temia a João, sabendo que era “homem justo e santo”, e o guardava em segurança. Além disso, ficava “perplexo” quando o ouvia, e o fazia “de boa mente”. Por outro lado, Herodias – esse era o nome da mulher, ou seu título – odiava o profeta, que só não era assassinado por ser popularmente reconhecido como tal.
Em certa festividade, porém, Herodias teve a oportunidade que procurava.

11. João Batista é o Elias que havia de vir (Mt 17.9-13; Mc 9.9-13; cf. Is 40.3 e Ml 4.5,6).
Como já referido, João Batista era parecido com Elias na forma de vestir, mas as semelhanças vão além, e possuem fundamento bíblico. Com efeito, foi Malaquias (4.5,6) quem anunciou a vinda do profeta Elias “antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição”.
Vale frisar que não se trata de reencarnação, a qual, na concepção espiritualista, exige que o reencarnado tenha falecido, coisa que não aconteceu com Elias, o qual foi arrebatado (II Rs 2.11), e apareceu, como ele mesmo, na Transfiguração de Jesus (Lc 9.30,31 e 33). Mais do que isso, a Escritura, que não pode se contradizer, preceitua que ao homem é ordenado morrer uma só vez (Hb 9.27), e que os mortos não intervêm nos assuntos dos vivos (Lc 16.29-31).
Na época de Jesus, as pessoas esperavam pela vinda de Elias, mas não sabiam como isso iria ocorrer. Chegaram a pensar que Jesus fosse Elias, dado o seu ministério extraordinário.
Dessa forma, quando da Transfiguração, tendo visto Elias, os discípulos perguntaram a Jesus “por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro” (Mt 17.10; cf. Mc 9.11). Essa foi uma pergunta inteligente, à qual Jesus respondeu que, “de fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quando quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles” (Mt 17.11,12; cf. Mc 9.12).
Com isso, os discípulos entenderam que se tratava de João Batista (Mt 17.13).
Como já asseverado, coube a um anjo do SENHOR anunciar a Zacarias, pai de João Batista, que este iria “adiante do SENHOR no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos”, expressão extraída de Malaquias (cf. Lc 1.11,17; grifo nosso). Assim, tem-se que João veio como Elias em termos de capacitação sobrenatural para pregar a mensagem divina a um povo carente.
As andanças pelo deserto, o enfrentamento de reis e o estilo solitário são pontos que aproximam essas duas personagens. Mas não se deve olvidar que sua afinidade maior está exatamente no cumprimento de uma missão especial, para a qual foram devidamente preparados, como se houvessem nascido exclusivamente para isso.

12. A autoridade de Jesus e o batismo de João (Mt 21.23-27; Mc 11.27-33 e Lc 20.1-8).
Certa vez, enquanto ensinava no Templo, ao ver questionada a Sua autoridade pelos principais sacerdotes e anciãos do povo, Jesus respondeu com outra pergunta, referente ao batismo de João, se era do céu ou dos homens. Foi um excelente recurso de retórica, pois, se respondessem que era do céu, Jesus lhes perguntaria por que eles não acreditaram no batismo de João; e se respondessem que era dos homens, era para temer o povo, que o tinha como profeta. Assim, depois de muito cogitar, os líderes disseram simplesmente que não sabiam. Jesus, então, não precisou dizer com que autoridade fazia aquelas coisas.
Ao utilizar como referência o batismo de João, Jesus estava, primeiro, valorizando o trabalho do Seu precursor; segundo, revelando que a liderança não havia recebido João como profeta, diferentemente do que aparentavam quando iam buscar o batismo no Jordão; terceiro, resguardando-se para que não fosse morto antes da hora.

13. O batismo de João como início do ministério de Jesus (At 1.21,22).
Quando falava sobre a necessidade de escolherem o sucessor de Judas Iscariotes, o apóstolo Pedro arrolou como requisito o ter estado com Jesus por todo o tempo, desde o batismo de João. Isso significa que o ministério de Jesus estava intimamente relacionado ao de João Batista, que lhe foi um necessário antecedente.

14. Pessoas que “só conheciam o batismo de João” (At 18.24-19.6).
Em dois momentos, no Livro de Atos, Lucas registra que alguém conhecia apenas o batismo de João: um deles foi Apolo, judeu, natural de Alexandria, “homem eloqüente e poderoso nas Escrituras” (At 18.24), que era “instruído no caminho do SENHOR”, “fervoroso de espírito”, falando e ensinando “com precisão a respeito de Jesus”... (cf. At 18.25), mas que apresentava, como deficiência, o fato de conhecer apenas o batismo de João; outros foram uns doze homens de Éfeso.
No primeiro caso, o casal Priscila e Áquila tomaram a Apolo e, “com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (At 18.26). No segundo caso, Paulo perguntou ao grupo se haviam recebido o Espírito Santo quando creram, ao que eles disseram que sequer sabiam que existia o Espírito Santo. Por isso, Paulo perguntou em que foram eles batizados, e obteve a resposta “no batismo de João”.
De forma didática, o apóstolo forneceu o propósito do batismo de João, a saber:

“Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus” (At 19.4).

Ao ouvir essa definição, o grupo foi batizado em nome do SENHOR Jesus (At 19.5), o que, em tese, aponta para uma diferença entre o batismo de João e o batismo cristão , algo que não se costuma ensinar nas igrejas, como se o batismo recomendado por Jesus fosse o mesmo (Mt 28.19; Mc 16.16). Mais do que isso, com a imposição de mãos do apóstolo, “veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam” (At 19.6), o que sugere que a preocupação inicial de Paulo foi satisfeita de modo cabal, pela evidência física – assim, ele constatou que os homens receberam mesmo o Espírito Santo.

Conclusão.
De um modo geral, analisando os textos bíblicos relacionados a João Batista, pode-se observar que ele era o precursor daquele que havia de vir, e estava plenamente consciente disso, como por ele expressamente afirmado.
Essa função de João vem consignada em suas palavras a respeito de si mesmo, no testemunho que deu de Jesus, nas profecias de Isaías e Malaquias, na predição do anjo, no ensino de Jesus, na definição dada por Paulo quanto ao batismo de arrependimento.
Pode-se afirmar, portanto, que João Batista foi um homem predestinado, e teve um ministério singular, pois somente ele foi precursor do Messias, não havendo nada semelhante nas Escrituras.
Embora seja uma figura do Novo Testamento, João Batista encerrou o período dos profetas, porque a Lei e os Profetas vigoraram até João (cf. Mt 11.13 e Lc 16.16).
Era João Batista um profeta que não operava milagres, algo tão celebrado nos dias atuais, quando as pessoas buscam sinais e prodígios, bem como a satisfação de interesses materiais. O essencial é que, conforme Jo 6.41, João não fez nenhum sinal, mas tudo quanto disse de Jesus era verdade. Não há nada mais importante do que falar a verdade sobre Jesus.
Enfim, João Batista deixou para a História um exemplo de extrema humildade, de consciência irrestrita acerca de si mesmo, do plano de Deus para a sua vida. Ele não nutria sonhos pessoais, mas cumpria cabalmente aquilo que lhe fora determinado pelo SENHOR.
É fundamental que o cristão tome João Batista como referencial, a fim de se entregar exatamente à missão que Deus lhe confiou, pois cada um dos salvos em Cristo possui uma tarefa a desempenhar no Reino dos Céus.

Referências bibliográficas:
BORNKAMM, Günther, Jesus de Nazaré. Tradução de José dos Santos Gonçalves e Nélio Schneider, São Paulo: Editora Teológica, 2005, 397p.
PEREIRA, Adão José. Boas Novas para um mundo em ruínas, encadernado, 2000, 113p.
STAGG, Frank. Atos: A luta dos cristãos por uma igreja livre e sem fronteiras. Tradução de Waldemar W. Wey, 3ª Ed., Rio de Janeiro: JUERP, 1994, 261p.



*Trabalho apresentado na Disciplina de Evangelhos, quando estudava Teologia na FATHEL, em Campo Grande-MS (curso que não concluí). O professor era o estimado Pr. Bento Roque de Souza.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Maravilhosa Graça e os pretensos direitos de alguns

Enquanto o Evangelho afirma que a Salvação e toda a Providência decorrem da Graça de Deus (Gl 2.16, 20,21; Ef 1.3-8; 2.1-10; I Pe 1.3), os falsos mestres da Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva dizem que temos direitos perante Deus. Dizem que podemos "nomear e reivindicar", decretar, declarar, profetizar a bênção, rejeitar, determinar, e exigir nossos direitos.
Ora, não temos direito nenhum diante de Deus. Nem mesmo o fato de Cristo ter morrido na Cruz por nós nos outorga nenhum direito. Trata-se de favor mesmo, oferecido a quem quiser ter a vida eterna.
Ostentar supostos direitos em face do SENHOR é pecado de arrogância. Quem somos nós? "Quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído"? (Rm 11.35).
Nem o justo Jó teve quaisquer direitos para exibir perante o Deus Criador de todas as coisas (Jó 38-41).
O anti-evangelho dos "direitos legais" que acionariam o poder de Deus precisa ser sempre denunciado. O Evangelho que eu recebi da tradição apostólica (I Co 15.1-6) prega a pecaminosidade humana e o amor inexcedível de Deus em Cristo (Rm 7.7-25; II Co 5.18,19).
Qualquer pregação que ostente direitos contra Deus é mentirosa, enganadora, estelionatária. Exemplo disso é o emprego da frase "Deus é Fiel" com o claro intento de dizer que Deus é obrigado a me abençoar se eu fizer "sacrifícios financeiros". Sim, Deus é fiel ainda que sejamos infiéis, Ele não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm 2.13). Mas Deus não é obrigado a fazer nada. O amor é dádiva, não dívida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O castelo de Minas e as bruxas de lá

O Brasil é um país muito curioso mesmo: o deputado tem que chegar aos holofotes para que suas conhecidas irregularidades sejam caso de expulsão do partido e outras sanções. É o caso do deputado Edmar Moreira, do DEM de Minas Gerais, que precisou chegar à Vice-presidência da Câmara - e consequentemente à Corregedoria - para que se levasse ao conhecimento público o seu castelo medieval erguido em São João Nepomuceno, isso sem declaração ao Fisco, sem informação à Justiça Eleitoral, sem recolhimento de contribuições previdenciárias e com problemas trabalhistas. Até já se fala do tempo em que o deputado era tenente linha-dura na época do Regime Militar.
É triste que esse cidadão tenha chegado à Corregedoria com apoio do PT, justamente o partido que ele ajudou ao absolver, no Conselho de Ética, alguns mensaleiros. A gente tem que suspeitar dessas articulações que mais se aproximam de um sistema de compensações do tipo "u'a mão lava outra".
E, por incrível que pareça, o tal deputado tinha por bandeira a ilegitimidade de julgamento político dos seus pares, sendo que seu cargo seria exatamente para encaminhar processos contra deputados...
Não fossem as bruxas que acompanham o deputado, o castelo não seria, em tese, um escândalo. Mas é de se questionar se aquela suntuosidade não guarda outras surpresas, e se tamanha opulência se adequa a um cenário tão modesto quanto o de São João Nepomuceno.
O DEM falava em expulsão, mas o deputado se adiantou, pedindo desfiliação ao TSE. Sei lá como ficará esse deputado, vagando quem sabe como fantasma nos átrios da Casa do Povo. Bem, para quem era rei de um castelo, a condição de fantasma é uma queda e tanto.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Peregrino e forasteiro...em minha terra

Sei que os salvos em Cristo são peregrinos e forasteiros neste mundo (I Pe 2.10 e Hb 11.13), mas o fato de trabalhar em Salvador está me mostrando essa realidade de maneira mais clara!
Além de me sentir meio turista em minha própria terra - quero dizer, na capital de minha terra - , tenho me sentido estrangeiro porque a cidade de Salvador vive em função de coisas que não me apetecem.
Explico: Salvador vive do carnaval e festas as mais diversas. São festas populares, comerciais e religiosas. De dezembro a fevereiro, há um calendário de eventos que toma a cidade e que vende uma imagem para o mundo inteiro, uma ideia de que o soteropolitano é festeiro, talvez voluptuoso - aqueles alemães que trocaram de roupa no saguão do aeroporto internacional daqui devem ter pensado assim...
Vendo toda aquela propaganda que se faz em torno das festas, percebi o quanto sou estranho nesse ambiente. E para mim ficou mais evidente o que significa ser peregrino e forasteiro.
Não se trata de ser melhor nem pior do que ninguém. Trata-se de uma simples constatação. O ar que paira em Salvador não é apenas o da brisa leve do mar. Há uma atmosfera diferente, creio que uma forte resistência à Palavra de Deus.
Quem sabe eu não esteja tão preparado para enfrentar resistências ao Evangelho. Talvez não seja um aprendiz tão atento. Mas sei que o Evangelho é um desafio constante, não se presta ao comodismo.
Como forasteiro, cabe a mim andar pela cidade e verificar o que Deus quer que eu faça neste planeta-carnaval. Cabe a mim, como peregrino, estar ciente das minhas limitações. A teoria é bonita, as declarações de fé são conhecidas, mas o embate é duro e impiedoso.
Sim, o embate é duro e impiedoso, mas Jesus é bom.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Visitem o blog de minha esposa

Minha esposa, Miriam, criou um blog (www.miriam-sousa.blogspot.com). Chama-se "Diário de uma dona de casa". E é sobre família que ela tem escrito mesmo, sobre nossos filhos.
Miriam escreve muito bem, tem raciocínio lógico, clareza e conteúdo. Gosto de suas reflexões, e tenho a honra de conversar sobre tudo com ela. Sei mais ou menos como ela pensa, compartilho de seus valores e princípios. Desde o namoro nós fomos nos afinando.
Então, gostaria de convidar o (a) eventual leitor (a) a acompanhar o blog de minha esposa. Ela tem algo a dizer.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Inácio nasceu

Inácio nasceu:
Que alegria eu sinto!
De parto normal,
Às cinco e trinta e cinco.
Inácio nasceu
No dia primeiro
Do mês de fevereiro
Deste ano que o SENHOR nos deu.
Inácio nasceu
Com os olhos "puxados",
O cabelo preto da mãe
E o nariz um pouco do pai...
Inácio nasceu
E já queria sair logo da toca.
"Se demorasse um pouco", disse a doutora,
"Eis que nasceria em casa".
Inácio nasceu
Querido por todos,
E já tem sua companheirinha
De todas as bagunças possíveis.
Assina Papai Alex.

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.