sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Série vocacionados – III (Samuel)*

Chegamos a Samuel. Eis um personagem cuja vocação muitos gostariam de imitar: concebido miraculosamente por uma mulher estéril, é consagrado por Deus desde a infância, vai morar com o sacerdote, um dia ouve a voz de Deus lhe fazendo um chamado explícito, quando ainda menino, e, depois de alguns anos, se torna juiz, sacerdote e profeta, alguém muitíssimo respeitado em sua pátria...Esse é um currículo e tanto!
É verdade que Samuel foi uma referência em Israel. Ele sucedeu o fraco sacerdote Eli, que permitiu que seus filhos fizessem coisas muito feias. Ele guiou o povo numa guerra vitoriosa contra os eternos inimigos filisteus. Ele deu estabilidade política a Israel num tempo em que não havia rei. Ele ungiu dois monarcas, Saul e Davi. Ninguém conhece a história de Israel se não conhece a história de Samuel.
Mas a história dos vocacionados nunca é linear como nós pensamos. Por mais que a carreira de um vocacionado pareça muito “certinha”, não é esse o caso. Certamente não foi o caso de Samuel.
Precisamos recordar que Samuel repetiu a experiência de Eli, pois seus filhos, que também eram juízes, não andavam em seus caminhos, a ponto de o povo pedir um rei. De fato, um dos motivos para o povo querer um rei, em vez da teocracia, foi a corrupção dos filhos de Samuel. Em que teria ele errado? Até que ponto vai a responsabilidade dos pais pelos pecados dos filhos? Não estou tratando disso, pois sei que a responsabilidade é pessoal, e o texto bíblico não deixa entrever que Samuel tenha dado a seus filhos uma educação ruim. O fato é que ele teve esse percalço em sua carreira, e, por mais que se considerasse o bom procedimento de Samuel, sempre estaria ali a lembrança de que seus filhos eram juízes corruptos, que aceitavam suborno.
Além disso, quando o povo pediu um rei, Samuel tomou as dores para si. Isso não demonstra um erro seu, mas uma suscetibilidade. Samuel, meus caros, era homem como nós. Ele sentiu-se rejeitado, quando o rejeitado ali era Deus – Israel não queria a teocracia, mas a monarquia. É comum assumirmos a responsabilidade por situações que não estão a nosso alcance ou que não foram criadas por nós. Isso mostra um pouco de nossa insegurança. A diferença na vida de Samuel foi que ele, sentindo-se rejeitado, resolveu orar. Essa é a atitude correta diante de todas as suscetibilidades.
Olhando para a vida de Samuel, não posso deixar de me sentir tranquilo: não nasci miraculosamente de uma mulher estéril. Não fui viver aos cuidados de um pastor importante para depois sucedê-lo. Não ouvi a voz de Deus quando menino. Não venci os filisteus nem me tornei juiz, profeta e sacerdote. Mas, à semelhança de Samuel, minha carreira não é linear, e tenho minhas suscetibilidades. A resultante disso tudo é a necessidade de conversar com Deus.
*Fundamentado nos 10 primeiros capítulos de I Sm.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Série vocacionados – II (Moisés)*

Prosseguindo com a série vocacionados, chegamos a Moisés, o legislador, profeta e líder de Israel na caminhada de 40 anos pelo deserto, saindo do Egito rumo a Canaã, a Terra da Promissão.
Como fizemos com Davi, quero selecionar algumas passagens da vida de Moisés especialmente quando à sua chamada à missão que Deus lhe entregaria. Vejamos:
(1)Moisés teve seu nascimento e sobrevivência assegurados por Deus. As parteiras hebreias deveriam, segundo a ordem de Faraó, matar as crianças do sexo masculino. Como as parteiras não o fizeram, sob o argumento de que as mulheres hebreias davam à luz antes que elas chegassem para fazer o parto, Faraó ordenou que os meninos fossem lançados no rio. Mas o menino Moisés, por ser bonito, foi escondido por três meses e depois colocado num cesto no rio, com sua irmã Miriã observando o que lhe aconteceria. Por providência divina, a criança foi adotada pela filha de Faraó e ainda teve o privilégio de ser amamentado e educado pela sua própria mãe, Joquebede, que recebia um salário para isso. Não poderia ser melhor. Uma série de providências de Deus marca o nascimento e a infância de Moisés, cujo nome (egípcio) significa “tirando”, numa alusão ao fato de ter sido retirado das águas;
(2)Estêvão nos informa que Moisés foi “instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras” (At 7.22). Considerando que o Egito era o Império dominante do mundo de então, podemos imaginar qual o nível de formação a que Moisés foi submetido, incluindo artes militares. Embora haja a ideia de que Moisés era gago, porque mais tarde ele diz ser “pesado de língua”, não consigo imaginar uma pessoa gaga e ao mesmo tempo poderosa em palavras. Uma coisa não combina com a outra. O que entendemos do discurso de Estêvão é que Moisés foi educado conforme a instrução normal que os egípcios concediam a seus nobres, pois, afinal, ele era filho adotivo da filha de Faraó;
(3)Moisés recebeu dois tipos de formação: como egípcio e como hebreu. Sua formação egípcia lhe deu conhecimento, domínio de artes bélicas, habilidade para legislar – vale dizer que as regras da Lei de Moisés não são em tudo originais. Apesar de ter sido inspirado pelo Espírito Santo (II Pe 1.20,21) – e eu creio nisso – Moisés usou seus conhecimentos de direito, e isso é bastante claro quando vemos a adoção de costumes de outros povos e normas de direito civil, penal, agrário, ambiental, processual, humanitário, ainda que elementares em sua técnica, conceitos e principiologia, se comparadas com as normas contemporâneas. O outro tipo de formação se deu na tenra infância, quando Moisés foi formado em seu caráter. Não sou dado a especulações, não gosto de dar azo à minha pobre imaginação, mas posso sugerir com alguma probabilidade que sua mãe lhe dizia: “Filho, você não é egípcio. Você é descendente de Abraão, Isaque e Jacó. Não cremos nos deuses do Egito. Cremos no Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Nossa terra não é aqui”;
(4)Certo dia, querendo visitar seus irmãos hebreus, Moisés, homem maduro, com 40 anos de idade, deparou com a tortura infligida por um egípcio contra um escravo hebreu. Irado, Moisés matou o egípcio e o enterrou. Havia nele um sentimento de justiça, uma indignação, mas o exercício arbitrário das próprias razões, como dizem os advogados, foi uma atitude indevida;
(5)Estêvão diz ainda em seu discurso aos judeus que Moisés imaginou que seus irmãos hebreus entenderiam que ele foi chamado a libertá-los. Sendo assim, com 40 anos de idade Moisés já sabia que tinha sido chamado para libertar o povo hebreu. Não havia muita clareza na vocação, mas ele sabia que fora chamado;
(6)Ao tentar apartar uma briga entre hebreus, Moisés ouviu a dolorosa pergunta: “Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?” (Ex 2.14). Sim, Moisés era vocacionado, mas seu chamado não era reconhecido pelos irmãos hebreus. Havia um descompasso entre o que ele pensava de si mesmo e o que efetivamente era. Com a revelação de que o assassinato do egípcio era conhecido, Moisés teve que fugir e com isso se distanciar do centro de poder mundial e de todos os privilégios de filho adotivo da filha do rei;
(7)É preciso esclarecer que, segundo o autor da Epístola aos Hebreus, a fuga de Moisés para o deserto tinha um outro ingrediente: ele não fez caso do Egito, preferindo assumir um outro padrão de vida. A fuga não foi tão-somente por medo da condenação, mas também porque ele tinha certeza de que sua terra não era o Egito. Ele “ficou firme, como vendo o invisível” e não temeu “a ira do rei” (11.27).
(8)A fuga de Moisés para o deserto de Midiã o transforma num pastor do rebanho de um sacerdote que vem a ser o seu sogro. São 40 anos naquela vida simples de pastor, habitando o deserto. Nada de privilégios de nobreza. Nada de proximidade com o centro de poder político. Nada de liderança sobre os hebreus. São 40 anos de simplicidade e anonimato;
(9)Certo dia, sem esperar, Moisés contemplou uma teofania, ou seja, uma manifestação divina, que se consubstanciava numa planta (sarça) imersa em fogo sem se consumir. Mais do que isso: Moisés ouviu uma voz, que lhe deu uma missão: falar com Faraó e avisar que o povo hebreu iria cultuar a Deus no deserto. O homem simples que tinha fugido do Egito havia 40 anos agora estava li enxergando algo sobrenatural, que jamais se repetiu na história;
(10)Moisés relutou muito a acatar o seu chamado. Aliás, isso também fizeram outros personagens bíblicos, como veremos em outras ocasiões. Apelou para uma suposta dificuldade de oratória (“sou pesado de língua”). Por isso dizem que ele era gago, mas não creio. Ele havia sido “poderoso em palavras”, como vimos anteriormente. O que posso sugerir, em meio às evidências, é que as quatro décadas de solidão e anonimato tenham provocado em Moisés algum tipo de depressão, de rebaixamento em sua auto-estima. Um dos sintomas da depressão ou de qualquer transtorno que compromete a auto-imagem é fazer com que a pessoa não se sinta habilitada a falar bem. Aqueles anos de deserto trouxeram medo a Moisés. Mas um homem vocacionado é um homem vocacionado e pronto. De algum modo, ele cumpriria sua missão, mesmo que usando seu irmão Aarão como porta-voz, como acabou acontecendo;
(11)Pode-se afirmar que os 40 anos de Egito e os 40 anos de deserto foram fundamentais para forjar o caráter de Moisés para os derradeiros 40 anos de sua vida, justamente o período crucial;
(12)Desde o enfrentamento de Faraó até os 40 anos no deserto, Moisés cometeu erros e se chateou bastante. Aquele povo não era nada fácil – e tenho receio de quem pensa que a Igreja seja um povo de cerviz menos dura! Apesar de todos os seus erros, ele foi um servo obediente. É claro, eu sei que ele bateu duas vezes na rocha quando deveria apenas falar, e isso o impediu de adentrar à Terra Prometida. Mas foi contado como herói da fé (Hb 11) e tido como grande exemplo de homem de Deus, um profeta que serve como figura para o Profeta Jesus Cristo, alguém que compareceu ao episódio da Transfiguração de Cristo.
Algumas lições podem ser extraídas da história de Moisés:
A vocação divina é algo concebido por Deus e não depende das circunstâncias. Antes, Deus muda as circunstâncias, Ele cria situações favoráveis ao cumprimento de Seus santos e perfeitos desígnios. Livramento da morte, educação conforme os preceitos do Deus dos hebreus, excelente instrução formal, conhecimento íntimo das dificuldades da vida no deserto. Deus não escolhe o homem de acordo com as características deste. Ele cria as características porque já fez a escolha. É Deus Quem chama.
Os sinais da vocação podem ocorrer antes do reconhecimento humano, mesmo que sob uma espessa nuvem de incertezas e crises. O sentimento de indignação com a injustiça pode ser um sinal de liderança, mas precisa ser moldado por Deus (matar o egípcio pode ser um péssimo negócio, embora movido por um precioso sentido de justiça). As provas servem para forjar o caráter.
Ninguém deixa de pecar porque foi vocacionado. Vocação não é glorificação.
Habilidades formais e convicções firmes são importantes, mas um um tempo de solidão e anonimato podem ser necessários. O vocacionado pode ficar deprimido, pode ficar em crise, pode duvidar de si mesmo, pode se sentir “por baixo”. Mas isso faz parte do pacote completo da vocação. Sem determinados conflitos não há preparação genuína. Como diz CHARLES SWINDOLL em sua Série Heróis da Fé, Moisés passou de homem de pele macia e coração duro para um homem de pele dura e coração macio. Não vejo como alguém pode se tornar sensível e maduro sem passar por conflitos e crises. Até para sofrer com o sofrimento dos outros e fornecer alguma ajuda é necessário passar por momentos de deserto!
Creio que podemos aproveitar muito mais da experiência de Moisés. Eu agradeço a Deus por ele ter existido. Um dia nos veremos.

*Fundamentado nos seguintes textos bíblicos, citados em seu contexto imediato: Ex 1-6; At 7.14-44; Hb 11.23-29. Usei a Almeida, Revista e Corrigida.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Série vocacionados – Davi

A história de Davi está repleta de lições a respeito da vocação divina. Devo dizer que em minha concepção todo rei de Israel ou de Judá é um modelo de pastor, positivo ou negativo, pois Israel foi escolhido para ser povo de Deus, assim como a Igreja. Davi foi literalmente pastor de ovelhas, e depois passou a apascentar o povo de Deus.
Para nossa edificação quanto à teologia do chamado divino (hiperetologia), creio que podemos extrair as seguintes passagens do registro bíblico acerca de Davi:
(1)Davi foi escolhido por Deus antes que Samuel se dirigisse à sua casa, em Belém de Judá. A unção com azeite, realizada pelo sacerdote-profeta Samuel, foi um ato de declaração da vontade divina já concebida;
(2)Deus não escolhe segundo a aparência, mas segundo o coração. Isso não significa que Deus sempre escolha os sem-aparência, mas que não escolhe conforme o critério da aparência. É preciso dizer que Davi tinha boa aparência, mas, diferentemente dos seus sete irmãos, tinha mais do que isso;
(3)O azeite da unção simboliza claramente o Espírito Santo. Ao ser ungido, Davi foi tomado pelo Espírito de Deus. Ele precisava de poder para o bom desempenho de sua vocação;
(4)Mesmo depois de ungido rei, Davi permaneceu um bom tempo sem o reconhecimento como rei de Israel. Mas circunstâncias que ele não criou o levaram para perto do rei Saul, já rejeitado por Deus. Como o rei estava sendo perturbado por um espírito maligno, ordenou que alguém tocasse para ele, a fim de o tranquilizar. Foi então que um jovem deu referências de Davi, com as seguintes características: “sabe tocar”; é “valente”; é “animoso”; é “homem de guerra”; é “sisudo em palavras”; e “o SENHOR é com ele”;
(5)Ao ver que o gigante Golias insultava o povo de Israel, Davi questionou quem era aquele “incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo”. Com isso Saul o mandou chamar. Foi uma primeira demonstração de coragem;
(6)Eliabe, irmão mais velho de Davi, achou que ele era presunçoso e maldoso, e que fora ali apenas para ver a guerra. Com menosprezo, perguntou a quem Davi deixara suas “poucas ovelhas”. Deve ter sido inveja, medo de que Davi sobressaísse. Davi tinha o seu potencial, e isso causava receio em seu irmão;
(7)Ao conversar com Saul, Davi recordou suas experiências enfrentando um urso e um leão. Tomou esses episódios como prova de que poderia vencer o gigante;
(8)Davi tinha fé em Deus – que não é ausência de dúvidas, mas domínio do medo. Suas palavras em I Sm 17.45-47 são sublimes;
(9)Apesar de trabalhar para Saul, Davi não era conhecido, a ponto de o rei sequer saber a que família ele pertencia;
(10)O crescimento de Davi aborreceu Saul. Ele achou que Davi queria o reino para si, o que não era verdade. Num momento de influência demoníaca, arremessou uma lança contra Davi por duas vezes!
(11)Davi conduzia-se com prudência e era carismático, amado pelo povo. Com inveja, Saul o colocou numa posição em que ficaria mais distante, agora como chefe de mil soldados. Mas o reconhecimento de Davi entre o povo só aumentava, e sem que ele se esforçasse para isso. A facilidade com que Davi “entrava e saía” no meio do povo preocupou Saul imensamente. O homem foi sendo tomado de um sentimento macabro;
(12)Saul ofereceu sua segunda filha a Davi, mas como cilada para o matar – a fim de se casar com a filha do rei, o rapaz teria que matar nada menos que 100 filisteus. Davi matou 200. Quanto mais Saul criava estratagemas, pior ficava a sua situação, pois Davi crescia entre os súditos de Israel;
(13)Por muito tempo, Davi sofreu intensa perseguição pelas mãos de Saul – desse período, em meio às perseguições, são os Salmos 59, 56, 57, 52, 142. Foi salvo da morte por seu amigo Jônatas e por sua esposa Mical; foi ajudado pelo sacerdote Aimeleque, que lhe deu pão e a espada de Golias, e pagou com a vida por causa disso, assim como todos os sacerdotes da cidade de Nobe. Davi até teve que fingir demência diante do rei Aquis, de Gate (cidade dos filisteus), quando percebeu que os criados do rei conheciam sua fama. Em seguida, refugiou-se na Caverna de Adulão, onde também se recolheu “todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso” (líder que era, Davi acabou chefiando esses cerca de 400 homens cheios de problemas);
(14)Embora fosse ajudado por Jônatas, por sua esposa e por alguns sacerdotes, e estimado pelo povo, Davi sofreu com a ajuda que algumas pessoas prestaram a Saul Foi o caso de Doegue, criado de Saul, que denunciou o lugar de seu esconderijo entre os sacerdotes de Nobe. Foi o caso também dos moradores de Zife, que se dirigiram a Saul para falar onde Davi se escondia. Antes disso, Davi só fugiu da cidade de Queila porque Deus o avisou que o povo da cidade o entregaria nas mãos de Saul, mesmo tendo ele acabado de livrar a cidade das mãos dos filisteus;
(15)A unção de Deus não livrou Davi de sérios problemas e circunstâncias inesperadas: não bastasse a renhida perseguição promovida por Saul, aliou-se ao rei Aquis, de Gate, e venceu batalhas em nome dos filisteus. Vale lembrar que Golias era filisteu, justamente da cidade de Gate. Davi agora guerreava em nome dos filisteus! Certamente esse não era o seu sonho, e jamais poderia imaginar que a unção de Deus permitiria uma situação daquelas. Mas aconteceu. E mais: depois de voltar de uma preparação para a batalha (contra seu próprio povo de Israel), Davi contempla a cidade de Ziclague saqueada e queimada, obra dos amalequitas. Todas as mulheres e crianças haviam sido levadas como prisioneiras, incluindo suas duas esposas (Deus tolerava a bigamia, mas essa é outra história). Agora o povo queria apedrejá-lo. Ziclague era uma cidade dos filisteus, mas o rei Aqui a concedeu a Davi. O que ele fez? Foi aos amalequitas, matou quase todos e recuperou tanto os prisioneiros como os bens saqueados, além dos despojos da batalha;
(16)Davi era um homem especial. Por duas vezes teve oportunidade de matar Saul e não o fez, por se tratar do “ungido do SENHOR”. Mais tarde, morto Saul, Davi ordenou a morte do homem que alegou ter tirado a vida de Saul a pedido deste – o que não era verdade. Davi ainda chorou a morte de Saul, que tanto o perseguira, e fez uma lamentação nesse sentido. Era um homem de coração bom.
(17)Davi foi aclamado rei de Judá, onde reinou por 7 anos, e depois, rei de todo o Israel, onde reinou por 33 anos. Foram 40 anos de reinado precedidos de um bom tempo de perseguição, sofrimento, ansiedade e risco de vida.
O que podemos dizer aos vocacionados de hoje ou a quaisquer pessoas que pretendem olhar para a história de Davi e aprender sobre a teologia da vocação?
É Deus quem escolhe os Seus. Antes de haver o reconhecimento pelas pessoas, há o reconhecimento da parte de Deus. É Deus quem escolhe, não o povo (mesmo que o sistema de escolha seja democrático ou congregacional).
Pode demorar, pode haver perseguição, pode haver problemas e circunstâncias adversas, surpreendentes, mas a unção de Deus não pode errar. O homem erra. Deus, não. Um dia, o reconhecimento virá para a glória de Deus e para o cumprimento de Seus santos e perfeitos desígnios.
A unção divina não livra o vocacionado de ser alvo de intrigas, estratagemas ou violência. Na verdade, quem é carismático, talentoso e íntegro pode esperar para ter problemas com os invejosos, principalmente com os invejosos que têm poder. Eles farão de tudo para derrubar os vocacionados que reúnem essas qualidades. A inveja é um sentimento feio e perverso. Homens poderosos cheios de inveja podem cometer coisas horríveis. Mas a inveja também pode ocorrer dentro de casa: não foi Eliabe quem chamou Davi de presunçoso e maldoso, e menosprezou o seu trabalho com as “poucas ovelhas” de que ele cuidava?
Fingir loucura, morar numa caverna, fugir pelos desertos, guerrear por uma nação estrangeira, ser acompanhado por centenas de homens angustiados e endividados, ver sua família levada cativa – foi essa a vida que Davi sonhou ao ser ungido? Mas Deus lhe deu o pacote completo. Um dia, vencer o gigante de três metros; outro dia, lutar pelo povo do gigante de três metros...
É assim a vida. Davi teve altos e baixos até ser constituído como rei, mas nunca esmoreceu, nunca duvidou do seu chamado, nunca questionou a unção recebida, nunca buscou antecipar os fatos. Entendeu que as coisas tinham o seu tempo.
Como vimos, são muitas as lições da história de Davi para os vocacionados. Fique com a sua que eu fico com a minha. Amém.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A injustiça social na Casa de Deus - apenas um exemplo

Ninguém me faz acreditar que seja correto uma congregação ter que enviar para a sua sede 80% (oitenta por cento) do que arrecada com suas ofertas e dízimos. Entendo que, se se trata de uma comunidade eclesiástica, o dinheiro deve ser empregado na satisfação de suas necessidades e na execução de seus projetos. Uma parte da arrecadação seria repassada à sede e eventualmente as congregações maiores ou mais abastadas ajudariam as congregações menores, tudo sob a administração da sede, segundo as carências verificadas.
Por isso, sou contrário às campanhas que inventam ofertas extraordinárias, a não ser quando se trata de despesas extraordinárias. E há que se ponderar sobre o que sejam essas despesas extraordinárias! Por exemplo, não concordo com a construção de templos enormes, suntuosos, quando sua construção demanda um esforço financeiro que está muito além do poder econômico da igreja e suas congregações.
Alguém dirá: “Irmão, mas a igreja é grande”. Sim, se a igreja é grande e precisa de um templo grande, ela poderá construir um templo grande com sua arrecadação normal. Se a igreja depende excessivamente de dinheiro arrecadado em campanhas, alguma coisa está errada. Se o povo é pobre, assalariado, não se pode exigir, com maior razão, uma contribuição extraordinária. Ninguém pode dar o que não tem.
É para mim motivo de tristeza e indignação ver que a injustiça começa na Casa de Deus. Ora, Salomão explorou seu próprio povo para construir o Templo em Jerusalém. Se o (a) leitor (a) estiver bem atento (a), verá que Deus jamais poderia concordar com a exploração dos pobres israelitas pelas mãos de Salomão.
Ainda que assim não fosse, é bom lembrar que o templo do Espírito Santo, no Novo Testamento, são os cristãos, os nascidos de novo. Já escrevi sobre isso aqui neste espaço. Não há a necessidade nem fundamento bíblico para construirmos templos como sagrados em si mesmos, porque sagrado é o corpo do regenerado, e não o prédio em que a igreja se reúne. É claro que tudo o que pertence ao culto cristão é consagrado a Deus, mas o verdadeiro santuário é o corpo do crente em Jesus Cristo. Essa teologia é fundamental para verificarmos se nossa relação com o prédio da igreja está correta ou não.
Será que desejamos imitar os romanos? Será que desejamos imitar a parcela neopentecostal com suas catedrais, com seus templos-maiores, com seus complexos prediais que mais parecem uma ostentação pagã? A que custo são colocadas as pedras dos grandes templos? Será que Jesus Cristo realmente se alegra com nossos templos gigantes? Será que o Nome do SENHOR é glorificado quando pobres viúvas e senhores desempregados se sentem culpados por não ajudarem com um saco de cimento ou com os carnês mensais de contribuição?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ainda sobre o Congresso Transformando a Missão – o que falta dizer

Preciso dar continuidade ao texto anterior, para não ser injusto comigo mesmo: depois daquele artigo – A Assembleia de Deus e a Missão Integral, em que me refiro a alguns dos preletores –, houve muitas outras coisas que devo comentar. Vejamos:
Tivemos uma conferência com o Pr. RICARDO GONDIM. Com todo o respeito e admiração que tenho por ele, não posso deixar de registrar algumas coisas. Ele disse expressamente que Deus não está no controle dos fatos, e usou as tsunamis como “prova” disso. Declarou que o pecado é necessário para a formação de cada um de nós. Afirmou que Deus não abre porta de emprego, deixando a entender que não adianta orar sobre isso, porque depende da conjuntura socioeconômica. Citou KARL BARTH para sustentar a ideia de que a volta de Jesus já ocorreu cinco vezes – o que sugere que não volte mais.
Isso tudo causou tanta estupefação que, na mesa de diálogo entre ARIOVALDO RAMOS e ED RENÉ KIVITZ, no dia seguinte, a cada declaração mais ortodoxa havia palmas e até uns gritos de “aleluia”. E alguém, aflito com certas afirmações, perguntou a ARIOVALDO RAMOS se ele cria que Deus é soberano, que existe pecado, que Jesus vai voltar...e ele disse “sim” para todas as perguntas. Ao mesmo tempo, ED RENÉ KIVITZ teve a admirável ousadia de dizer que, para quem visitou as salas de sua casa à época de sua infância, em são Paulo, há certas coisas que não devem ser atribuídas à cultura, mas aos demônios. Resultado: umas palmas ali e uns resmungos acolá.
Fiquei chateado também com um pastor que não considerou o trabalho de JAIME KEMP na área de sexualidade e fez piada de ROBINSON CAVALCANTI, por ter ele supostamente mudado. Chamou AUGUSTUS NICODEMUS LOPES de “conservador”, o que não chega a ser uma censura, a não ser em um círculo tão esquerdista como aquele.
De fato, o Congresso Transformando a Missão pareceu-me bastante esquerdista. Tudo bem, não é pecado ser de esquerda! Mas eu fui ali discutir Teologia da Missão Integral, e acabo ouvindo elogios a HUGO CHÁVEZ e LULA, assim como a frase de JOSÉ CONBLIM: “Todo pecado decorre do pecado da dominação dos ricos sobre os pobres”. Perdoe-me padre CONBLIM, mas onde está escrito isso na Bíblia? O pecado social é a base de tudo? Não posso crer nisso.
Outra coisa que ouvi ao vivo que me deixou triste: quando perguntei (oralmente, já que o mediador da mesa redonda achou minha letra ruim) se não era perigoso eleger a igualdade social em detrimento das liberdades fundamentais, o Pr. RENÉ PADILLA respondeu, olhando para o papel com a minha pergunta: “Liberdades fundamentais? Liberdade de imprensa, por exemplo, é a garantia de dominação dos meios de comunicação pelos poderosos. Por isso, o importante é a satisfação de necessidades básicas, isso é que importa”. Sendo assim, para RENÉ PADILLA liberdade de imprensa não é importante. Ele disse isso expressamente. Eu estava lá, ninguém me contou.
Em meu comentário ao fazer a pergunta, disse a todos que ali estavam: não podemos eleger este ou aquele nome, mas falar como profetas sobre o que está certo ou errado. Não podemos escolher igualdade social em detrimento da ética e das liberdades fundamentais. Mas para alguns teólogos de esquerda a igualdade social está acima de tudo, mesmo que passando por cima da liberdade individual. Esse evangelho socializante eu não quero!
Eu sei que ali havia pessoas fazendo propaganda de evento sobre sexualidade, com ênfase na teologia gay. Eu sei que ali havia pessoas defendendo um entendimento ecumênico com religiões não-cristãs. Eu sei que ali havia pessoas muito preocupadas com doutrinas políticas socialistas, quiçá marxistas. Eu sei de tudo isso, esse não é o maior problema...
Meu medo é que isso se torne a regra na Igreja. Tenho medo que se fortaleça uma geração de pastores com doutrinas da teologia liberal, que nega o Deus Soberano, que nega a existência do pecado, do Diabo e dos demônios. O que a teologia liberal fez com a Europa? Ao menos o Dr. DELSON, que falou de Fé e Ciência numa das oficinas, falou o que o Racionalismo fez na Europa: como gideão internacional, teve dificuldade de dar 25 edições do Novo Testamento quando passou por países da Escandinávia; templos protestantes são transformados em museus; livros satanistas são vendidos para crianças – ele mostrou um desses livros, comprado na França; uma igreja europeia com 40 membros é grande. Foi isso o que o Liberalismo fez com a Europa.
Apesar disso, o saldo do Congresso foi positivo. Voltei animado para minha casa, conversando com meu cunhado, que me acompanhava nesses dias. Renovamos nossas forças. Dei testemunho disso no culto de domingo – justamente culto de missões. E a igreja se alegrou com o testemunho.
Precisamos nos fortalecer teológica e espiritualmente para essa batalha. Eu quero estar do lado daqueles que não precisam de mecanismos de racionalização/justificação diante de uma sociedade pervertida. Diálogos sempre são bem-vindos. Mas, com todo o respeito, nossa identidade deve estar bem esclarecida e assentada. Do contrário, que diálogo haverá? E como ouvirão se não há quem pregue o que deve ser pregado, mesmo que doa, mesmo que a mensagem pareça dura demais, conservadora demais, obscurantista demais?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Assembleia de Deus e a Missão Integral*

Participo nestes dias do Congresso Transformando a Missão, na Igreja Batista da Graça, aqui em Salvador/BA, cujo tema fundamental é a Missão Integral. Foram convidados nomes como RENÉ PADILLA, JOSÉ CONBLIM, RICARDO GONDIM, ARIOVALDO RAMOS, CARLOS QUEIROZ e RAIMUNDO CÉZAR BARRETO JÚNIOR. Logo na primeira noite consegui um abraço carinhoso e troca de duas palavras com RICARDO GONDIM, cujos textos na Ultimato conheço há uns treze anos. Hoje tirei fotos com ele e com JOSÉ CONBLIM, nome que conheci na Faculdade de Teologia, quando estudei Teologia da Cidade e fiz um trabalho a partir de um texto de sua autoria. Imagine a minha alegria ao ver esses homens de perto!
Tenho compartilhado com o meu cunhado, RENATO – que me acompanha nesse Congresso – tudo o que vimos ouvindo. Como assembleianos, procuramos refletir sobre as coisas e aplicá-las ao nosso contexto pentecostal. Conversando sobre isso, temos entendido que, de fato, teoria e prática devem andar juntas, que as pessoas pobres precisam ouvir uma Palavra libertadora, e que, de certo modo, já praticamos um pouco dessa Missão Integral, embora a imensa maioria de meus pastores nunca tenha ouvido falar do Pacto de Lausanne (1974), nem de JOHN STOTT, RENÉ PADILLA, ou de quaisquer desses homens que citei acima.
É certo: meus pastores, os líderes assembleianos, são de outra categoria de igreja, as igrejas pentecostais. Mas isso não nos impede de fazer Missão Integral, mesmo que não saibamos o que seja isso por nome, mesmo que tenhamos inúmeras limitações teológicas e práticas.
A Missão Integral – permitam-me dizer só até onde sei – entende o Homem como espírito, alma e corpo, e, portanto, como necessitado de uma Salvação total. Entende que evangelização deve estar associada a responsabilidade social; que a política é instrumento de transformação e implantação do Reino de Deus; que não existe essa dualidade (gnóstica, platônica, medieval) entre mundo secular e mundo espiritual; que a pregação do Evangelho deve respeitar a cultura. Nesses termos, eu creio em Missão Integral.
Quando das perguntas, o mediador citou um jargão, que eu confesso nunca ter ouvido: “A Teologia da Libertação optou pelos pobres, e os pobres optaram pelas igrejas pentecostais, ou neopentecostais, ou pela Teologia da Prosperidade”. Deixando o Neopentecostalismo e a Teologia da Prosperidade de lado – já esquentei muito a cabeça com essas besteiras –, quero pensar na parte que toca ao Pentecostalismo.
Com efeito, há muito de Missão Integral entre nós. Muitos dos assembleianos aprenderam a ler e a gostar de ler lendo a Bíblia. Nossos analfabetos são menos analfabetos que os do mundo. Fomos às favelas e plantamos igrejas em cada esquina deste País – a ponto de alguém dizer que “em todo buraco se encontra Banco do Brasil, Coca-Cola e Assembleia de Deus”. É verdade. Fomos aonde muitos históricos (liberais ou fundamentalistas) chegaram depois. Consagramos negros e mulatos a diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores. Os círculos de oração passaram a ser núcleos femininos. Jovens sem nenhuma perspectiva saíram das drogas e da delinquência e encontraram um sentido para suas vidas. Construíram-se os famosos centros de recuperação para ajudar pessoas envolvidas com dependências química. Evangelizamos grotões, vielas, afogados, baixadas, descampados. Onde quer que se imagine um brasil, ali estaria uma luz amarelada acima de uma placa da Assembleia de Deus.
Será que sou ufanista, denominacionalista? Quem me conhece sabe que não. Tenho minhas críticas e questionamentos - Deus o sabe, mas devo respeitar e ressaltar o que é bom. E , observe bem, esse é um movimento do Espírito.
É verdade que falta a nós pentecostais aquela conscientização política, aquela teologia menos dogmática, aquela percepção de que nossa escatologia milenarista e pré-tribulacionista precisa, para dizer o mínimo, ser reestudada. Falta-nos renúncia ao dualismo entre sagrado e secular, o apego à Teologia da Criação, e a distinção segura entre Igreja e Reino de Deus. Falta-nos, ainda, entender que a Igreja é o Israel de agora; que os americanos não são a Assíria de nossos dias, para executar o juízo divino sobre o mundo e, ao mesmo tempo, abraçar uma política pró-Israel a todo custo.
Todavia, há Missão Integral, sim, entre nós assembleianos. Se o Homem é um todo indiviso, desde muito tempo entendemos que a emoção – essa parcela esquecida por muitos grupos protestantes – é de Deus também. Chamaram-nos de emocionalistas quando buscávamos o batismo com o Espírito Santo e os dons espirituais. Confundiram-nos com os pseudopentecostais (da Teologia da Prosperidade e do Triunfalismo) antes que muitos de nós passassem a adotar crenças e práticas heréticas desses movimentos. Fomos tachados de obtusos, místicos no mal sentido, montanistas, analfabetos de Bíblia, e tratados como evangélicos de segunda linha, fanáticos, folclóricos. Enquanto isso, também cometemos severo preconceito contra os batistas, em especial, e contra todos os que não criam em nossa cartilha de batismo com fogo e dons carismáticos. Mas, se eles eram esclarecidos e intelectualizados, por que não nos instruíram no caminho bom? Por que não o diálogo, a abertura, a misericórdia, ou mesmo o silêncio respeitoso?
Vejo Missão Integral quando olho as irmãzinhas cantando aqueles “hinos de fogo” em ritmos bem brasileiros – e se não for naqueles ritmos, parece que não serve.
Vejo Missão Integral quando prego ou ensino a Palavra e percebo que os irmãos apreciam, sim, estudar a Bíblia, e não apenas ouvir cassianes e marcos felicianos. Se isto é o que lhes dão, eles comem. Mas se o pasto é melhor, eles sabem o que preferir.
Vejo Missão Integral no Projeto Jesus nas Praças, conduzido em Alagoinhas-BA, minha cidade natal, por um jovem evangelista chamado EMÍDIO, tudo com recursos próprios e doações voluntárias. Entre sopas e cestas básicas, a Palavra de Deus é anunciada pelo Interior da Bahia. Foi assim que meu cunhado RENATO se fortaleceu na fé, e agora entende, junto comigo, que há muito de Missão Integral em nossas igrejinhas, como naquela congregação em que ele é Auxiliar e trabalha, junto com a minha irmã, num bairro pobre, distante e rural, que não passa de uma rua. Mas naquela rua existem pessoas, e a teologia sem pessoas já morreu.
Que mais posso dizer que saia desse coração pentecostal-histórico-tomado por Cristo? Que mais posso dizer, se meu coração treme por desenvolver missão total a um povo total? Talvez não reste nada a dizer, mas muito a fazer. Afinal, bem perto de minha casa, lá na Ribeira, há viciados em drogas andando pelas ruas, pobres de tudo que preciso cumprimentar e olhar nos olhos. Assim como aqueles ricos com seus barcos ancorados e os turistas que vêm da terra de Lutero tomar sorvete na célebre sorveteria do meu bairro...
* A menção a esses homens não significa que concorde com tudo o que eles dizem. Aliás, discordo de muitas coisas proferidas por Ricardo Gondim, José Conblim e René Padilla nesses dias de Congresso.

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Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.