sexta-feira, 28 de maio de 2010

Escrituras, fatos históricos e a graça de Deus

Na quarta-feira, dirigi o culto e preguei na congregação assembleiana do Bonfim, justamente aquele bairro soteropolitano em que se situa a famosa Igreja do Bonfim, que a todo ano, do alto da Colina Sagrada, recebe turistas, católicos e adeptos de religiões afro-brasileiras para a Lavagem da Escadaria do Bonfim, uma das festas do sincretismo baiano. Estávamos lá segundo a escala de trabalhos do Setor a que pertenço. Trata-se de uma congregação pequena, com apenas um ano de existência.
Preguei sobre I Co 15.1-19. Em resumo, falei sobre três pontos fundamentais a partir desse texto paulino:
1) A fé cristã baseia-se nas Escrituras.
2) A fé cristã baseia-se em fatos históricos.
3) A fé cristã baseia-se na graça de Deus.
O apóstolo Paulo escrevia aos coríntios acerca da necessidade de crerem na ressurreição de Cristo. Os coríntios traziam ainda costumes e ideias antigas, de sua religião pagã, para a qual não existe ressurreição de mortos porque, em sua concepção, se a morte é a libertação do corpo, por que retornar à vida? Paulo mostra-lhes que descrer na ressurreição de mortos conduz à descrença na ressurreição de Cristo e torna vã a nossa pregação e a nossa fé. Aquelas ideias não combinavam com a verdade escriturística.
Paulo repete a frase "segundo as Escrituras" e isso não é casual. Ele diz que Jesus morreu, foi sepultado e ressuscitou segundo as Escrituras, ou seja, em cumprimento das profecias dos Salmos, de Isaías, de Oséias. Tudo estava escrito. Não foi invenção de Paulo nem dos demais apóstolos.
Além da base escriturística, há a base histórica: muitas pessoas testemunharam a ressurreição de Cristo, e muitas delas ainda viviam quando o apóstolo escreveu a Carta aos Coríntios. Se ele estivesse mentindo seria facilmente desmascarado. Por isso, apelando para o testemunho de pessoas vivas, Paulo reforça a tese de que a fé cristã fundamenta-se em verdades históricas, e não em filosofias, conceitos, suposições, sentimentos, sonhos, visões ou "revelações" dadas a um só homem.
Por fim, nossa fé começa em Deus, em Sua graça. Deus inventou a Salvação e a Vida Eterna. Nós fomos salvos, alcançados, trazidos a Cristo. Bem por isso, não podemos acrescentar nada, criar teologias que ultrapassem a Palavra de Deus. Todo o Plano de Redenção partiu de Deus, de Sua iniciativa soberana e misericordiosa. Nada podemos acrescentar. Nenhuma ideia ou esforço poderão melhorar a obra do SENHOR.
Escrituras, fatos histórico-redentivos e a graça de Deus. Não inventamos a fé. Que os irmãos ali no Bonfim e todos nós servos de Deus possamos calcar nossas convicções sempre em Cristo e em Sua Palavra Eterna.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Compromisso, prioridade e urgência

Em Lc 9.57-62, Jesus, a caminho de Jerusalém, onde seria morto - cumprindo as Escrituras -, conversa com três homens, que, diante da missão no Reino de Deus, se mostram inadequados para o serviço. Vejamos:
(1) A precipitação. Este caso lembra-me as declarações açodadas do apóstolo Pedro. O homem disse a Jesus que O seguiria por onde quer que fosse. Jesus, porém, lhe mostrou as dificuldades do ministério cristão, dizendo que, se as aves do céu têm ninhos e as raposas, covis, o Filho do Homem não tem sequer onde reclinar a cabeça. Dito de outro modo, é preciso calcular os custos. Tem-se aqui o valor do compromisso.
(2) A inversão de prioridades. A este segundo homem Jesus convoca ao ministério, mas ele quer primeiro sepultar seu pai. Jesus lhe disse para deixar que os mortos (espiritualmente) sepultem seus mortos (fisicamente). O trocadilho indica, não a proibição a frequentar o sepultamento dos pais, mas a necessidade de enxergar a missão cristã como prioritária. O pai daquele homem não havia morrido naquele dia, mas ele achou que deveria esperar a morte do pai para só então começar a trabalhar para Cristo. É uma questão de verificar prioridades.
(3) O desconhecimento da urgência. O terceiro homem deseja seguir a Cristo em Sua missão, mas acha que deve ir primeiro se despedir de seus pais. Ele não entendeu que as coisas no Reino de Deus exigem rapidez. Jesus não é contrário às relações familiares, isso é lógico, pois foi Deus Quem criou a família. Todavia, Jesus disse àquele discípulo que aquele que olha para trás depois de colocar a mão no arado não é apto para o Seu Reino. É verdade: quem trabalha com arado não pode olhar para outra direção, pois corre o risco de ver os sulcos ficarem tortos. É questão de urgência.
Vivemos um período em que muitos seguem a Cristo aparentemente. Não Lhe reconhecem o devido compromisso, prioridade e urgência. Depois de todas as coisas, pensam em Cristo. São religiosas, ativistas, emocionadas, imediatistas, mas Cristo não é Sua razão de viver.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Jesus nunca me disse que seria fácil

A luta é difícil. Certa vez o Espírito Santo me disse que eu teria uma "jornada longa". Portas abertas e jornada longa. Não sei se me animo com as portas abertas ou se me preocupo com a jornada. Mas é assim, esta é uma palavra de encorajamento. Jesus nunca disse que seria fácil.
Aflições, perseguições, complicações, burocracias, injúrias, calúnias, desafios, tudo isso está no pacote do trabalho de quem nada contra a correnteza. Ensinar o que o povo quer ouvir e o que a ideologia dominante pretende transmitir é a coisa mais fácil do mundo. Agora, experimente ensinar a Bíblia, e você vai ver que o método da repetição nunca foi tão necessário...
O apóstolo Paulo disse aos Filipenses que não se importava em escrever-lhes as mesmas coisas porque isso era "segurança" para os irmãos (Fp 3.1).
Hoje temos grande concorrência: os pregadores-falsos profetas da televisão, do rádio e da internet; as letras de música absurdas que pretendem ser cristãs; os desvios doutrinários das denominações; os costumes viciados dentre o povo de Deus - tudo isso bombardeia os corações dos crentes, enquanto a semente da Palavra tenta, com dificuldade, encontrar guarida em solo fértil.
Já tive a experiência de ensinar num domingo e ver exatamente o contrário ser praticado na semana seguinte por aqueles que me ouviram e que, no momento, pareceram até mesmo emocionados com o que eu falei. Mas o entusiasmo para doutrinas verdadeiras e doutrinas heréticas parece ser idêntico se a pessoa usa com alguma eficiência o dom da palavra. No meu caso, não me esforço para adular nem emocionar ninguém, mas a Palavra de Deus, por si mesma, quando pregada com vigor e certeza, provoca emoções. Ocorre que os emocionalistas e emocionados vão atrás de qualquer vento, a ponto de desconsiderar a verdade que lhes pareceu encantadora uma semana atrás.
Olhe, às vezes dá vontade de reunir forças para outros objetivos. As igrejas são rebanhos que demandam muito. O sentimento natural é o desânimo, o desejo de desistir. Mas logo vem a Palavra de Deus ao meu coração, dizendo-me que Jesus nunca nos ofereceu uma vitória superficial. A vitória de Cristo é a Cruz. Nossa cruz deve ser suportada. O Sermão do Monte nos fala de inversão dos valores do mundo para uma perspectiva transformadora, daquilo que começa dentro do coração humano para mudanças radicais na realidade exterior.
Eu acredito que muitos seguirão as pisadas de um Noé, de um Jeremias, de um Urias (o profeta) - pregadores sem sucesso aparente. Noé levou para a Arca somente sua família - o que, convenhamos, já foi importantíssimo; Jeremias pregou a mensagem mais difícil de todas, qual seja, a necessidade de submissão ao dominador babilônico; Urias foi morto pelo rei Jeoaquim só porque pregava a verdade. Há dezenas de outros exemplos na Bíblia e talvez milhares de exemplos históricos.
Tudo isso me faz entender que, se Jesus me chamou para ensinar a sua Palavra numa igreja pentecostal brasileira, Ele irá garantir tudo o mais. Deus não brinca. É isso o que me conforta.

sábado, 22 de maio de 2010

"Pessimismo" profético

Amanhã na escola dominical estudaremos mais uma lição sobre o Livro de Jeremias (Lições Bíblicas da CPAD, 2º Trimestre de 2010). Faremos uma comparação entre a verdadeira e a falsa profecia. O falso profeta da vez é Hananias.
Hoje parece fácil dizermos que Jeremias era o verdadeiro profeta e Hananias, o falso. O Livro de Jeremias faz parte da Bíblia, suas profecias se cumpriram (enquanto ele ainda estava vivo!) e Hananias acabou morrendo no mesmo ano em que se opôs ao homem de Deus, em cumprimento a mais uma palavra dada por Deus ao "profeta das lágrimas". O próprio texto de Jeremias demonstra que Hananias era o falso, o impostor, o arrogante, o mentiroso.
Todavia, temos nós a capacidade de discernir o verdadeiro do falso? Seríamos melhores que os judeus da época de Jeremias? Saberíamos usar os critérios de discernimento? Ou acharíamos, com a corrente majoritária, que Jeremias era um recalcado, um desertor, um traidor da pátria?
Hananias apresentava-se como um profeta, era reconhecido como tal e tinha subsídio do governo. Era pago para mentir. Chegou a dizer, perante sacerdotes e o povo que estava na Casa do SENHOR, que em dois anos Deus quebraria o jugo da Babilônia, devolveria a Jerusalém os utensílios do Templo e traria de volta seu rei, Joaquim, filho de Jeoaquim. Palavras de paz e prosperidade, tudo o que o povo queria ouvir!
Mas Jeremias apareceu como um "estraga-prazer", afirmando que não era nada daquilo. E, com muita propriedade, fez uma declaração propedêutica acerca do profetismo bíblico: os profetas que tinham vindo antes dele e de Hananias haviam anunciado guerra, mal e peste contra terras e reinos, e o profeta que profetizasse coisas boas deveria esperar o cumprimento de suas palavras para ser reconhecido como profeta de verdade.
Hananias, porém, não se deu por vencido: dramaticamente, quebrou o jugo de madeira que estava no pescoço de Jeremias e que simbolizava o cativeiro babilônico. Com isso, o suposto profeta queria anunciar a libertação iminente, repetindo sua profecia.
Em quem acreditar? Certa vez, numa aula do curso de Teologia (que não completei), na matéria Profetas, um colega fez uma inteligente pergunta ao professor Pr. Fernando Sabra: "Hoje sabemos quem eram os verdadeiros profetas. E naquela época, como saber"?
Naquele momento, depois da resposta do professor, comentei que o empenho pelo retorno à Lei de Moisés deveria ser o teste da verdadeira profecia. Enquanto os falsos profetas não se preocupavam com as exigências morais e espirituais do Código Mosaico, os verdadeiros profetas conclamavam o povo ao arrependimento. Em minha concepção, esse era o critério fundamental. Quanto a Moisés, o profeta-legislador, Deus ofereceu uma série de demonstrações de poder para confirmar a vocação e a missão de seu escolhido.
Sim, senhores, a Fé Bíblica não se baseia somente em palavras, mas em eventos, nas maravilhas que o SENHOR fez historicamente (não confundir com experiências individuais, pois me refiro a fatos histórico-redentivos, como as Dez Pragas no Egito, a passagem pelo Mar Vermelho, os relâmpagos, trovões, a espessa nuvem e o "clangor de trombeta" no monte Sinai (Ex 19.16), as vitórias sobre os povos inimigos, a passagem pelo rio Jordão, a derrubada dos muros de Jericó etc.). Nos tempos de Jeremias, o profeta deveria ser reconhecido pelo sentimento que demonstrasse quanto ao registro de Moisés e suas consequências morais e espirituais.
Além desse critério objetivo de discernimento das profecias, Jeremias nos oferece outro, acima referido, e que se encontra nos versículos 8 e 9 do cap. 28 de seu Livro: todo profeta verdadeiro profetiza o mal quando depara com o pecado. Por isso, é tachado de pessimista, mal-amado, amargurado, invejoso. A regra é o juízo quando o povo está em pecado.
Por sua vez, os falsos profetas pregam sempre a paz e a prosperidade e não têm compromisso com a Bíblia. Antes, eles a subvertem, criam interpretações estapafúrdias, inventam doutrinas, abusam da criatividade em suas especulações "pelos olhos da fé".
Temo que grande parte dos crentes não saberia discernir entre o verdadeiro e o falso. E penso o que faríamos de Jeremias e de Hananias se ocupássemos algum lugar no Templo quando eles se enfrentaram.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Algumas expressões cansativas na redação de jornais

Percebo que algumas expressões se repetem com frequência não recomendável na redação de jornais. Algumas delas são as seguintes: "simples assim", "a conferir" e "tudo somado".
"Simples assim" parece frase de propaganda de produto tecnológico. "A conferir" é coisa de analista político, e "tudo somado" é a muleta própria de quem faz uma análise e depois vai dar um veredicto.
As muletas e lugares-comuns podem facilitar a vida dos jornalistas e comentaristas, mas empobrecem o texto, contribuem negativamente para a estética literária e sugerem que o escritor não escreve muito bem, não tem grande criatividade.
Eu também uso as chamadas "muletas", como "por oportuno", "com efeito", "de fato", mas seu emprego pode dar uma ideia de consequência, lógica, ocasião. Mesmo assim, a utilização exagerada sempre é inconveniente.
Reconheço que alguns jornalistas de renome, que escrevem para grandes jornais todos os dias, não devem ter muito tempo para pensar no estilo. Todavia, fica aqui essa reflexão.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O "irmão vota em irmão" não serve para Marina Silva?

Critico veementemente a ideia de votar em um candidato só porque ele é evangélico. Muitos crentes declaram apoio a outros crentes sem sequer conhecer sua biografia ou plataforma política. Rebanhos de Deus são tratados como currais eleitorais. Pastores levam candidatos para suas igrejas e dizem que são candidatos naturais. Faz-se um tipo de voto de cabresto. Criam-se discursos em favor de candidatos evangélicos com argumentos supostamente bíblicos e espirituais. Comissões de política existem dentro de igrejas e não sei se sua intenção é orientar as ovelhas sobre a política à luz da Bíblia ou simplesmente dizer como a igreja deve se comportar frente às eleições, visando a interesses menores, corporativistas.
Em 2002, Anthony Garotinho ficou em terceiro lugar na eleição para presidente da República com o voto - suponho - de muitos evangélicos. Passou à frente de Ciro Gomes. Era, naquela época, do PSB, partido que Ciro Gomes depois abraçou quando se desentendeu com o PPS. Lembro de que naquele ano, em Minas Gerais, o filho do lendário Pr. Anselmo Silvestre, então presidente da Convenção da Assembleia de Deus mineira, se candidatou a deputado federal pelo PSB e foi eleito - nem sei se ele era mesmo socialista, se alinhava sua ideologia à de Miguel Arraes ou se conhecera alguma coisa de Pedro Aleixo. O fato concreto é que em 2006 Isaías Silvestre, já deputado, deixou de ser eleito por ter sido citado no Escândalo das Sanguessugas, que eclodiu naquele mesmo ano. O filho de Anselmo Silvestre não recebeu novo voto de confiança de seus irmãos assembleianos.
Comentei aqui em post recente a notícia jornalística de que o tucano José Serra foi saudado como futuro presidente no Congresso Gideões Missionários da Última Hora em Camboriú/SC, evento que contou com não pouco dinheiro dado pela prefeitura da cidade e pelo governo do Estado, ambos comandados por tucanos.
Dilma Rousseff participou do aniversário do Pr. José Wellington Bezerra da Costa no ano passado. Ele é o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.
Quanto a Marina Silva, assembleiana, cristã que dá testemunho autêntico, e que defende valores bíblicos, não vejo o mesmo comportamento por parte dos evangélicos. E isso comprova a tese de que o "irmão vota em irmão" não é lá muito coerente. Se fosse para votar em "irmão", que isso se sustentasse em princípios cristãos, e não em fisiologismo.
Anthony Garotinho propalava aos quatro cantos sua condição evangélica. Não duvido de que seja crente, mas discordo de sua postura. Já Marina Silva se tornou conhecida por sua defesa do meio ambiente, e não por uma bandeira evangélico-fisiológica.
Antes que alguém pense, não estou declarando meu voto, mas constatando uma realidade: procurem saber sobre Marina Silva e verão os evangélicos que ela não se promove como evangélica para ganhar votos dos seus irmãos. Ela é tratada na imprensa como ex-ministra do Meio Ambiente, senadora, defensora do desenvolvimento sustentável, e sua condição de evangélica tem tratamento adequado à maneira como lida com a sua fé.
Sei que, na hipótese de Marina Silva crescer nas pesquisas, os petistas não hesitarão nem um pouco em chamá-la de "obscurantista", embora ela não o seja. Usarão o fato de ela ser evangélica para tachá-la de medieval e fundamentalista. Marta Suplicy aprecia essa forma de "luta", como quando deixou passar a insinuação sobre a orientação sexual de Gilberto Kassab em 2008 - se seus asseclas brincaram justamente com a questão homossexual, tão cara a Marta, por que deixariam isenta de fúria o evangelicalismo de Marina?
Nesta semana, a própria Marta Suplicy disse que Fernando Gabeira foi sequestrador e que foi escalado para matar Charles Elbrick, o embaixador americano. Se ela brinca com a luta armada, algo de que Dilma Rousseff ainda se orgulha, por que não dirigiria sua fúria contra Marina?
Ocorre que Marina Silva, volto a dizer, não se apresenta prioritariamente como evangélica, e não faz disso um caminho fácil para ganhar votos. Num país com milhões de evangélicos a tentação não deve ser pequena, considerando o grande número de crentes influenciáveis por discursos de espiritualização da política.
Bem por isso, não se deve esperar que massas de evangélicos votem em Marina Silva. O que se pretende com o "irmão vota em irmão" não é o avanço da justiça do Reino de Deus neste mundo tenebroso, mas a conquista do poder por um segmento social que por acaso atende pelo nome de "evangélico".
Compare-se Marina Silva e a bancada evangélica na Câmara dos Deputados. Compare-se Marina Silva e os políticos evangélicos que se conhece, espalhados em diversos partidos. Compare-se Marina Silva e os representantes políticos da Universal. Compare-se Marina Silva e os políticos denominacionais. E se responda à seguinte indagação: eles se parecem em que?

sábado, 15 de maio de 2010

Silas Malafaia sai da Convenção Geral das Assembleias de Deus

Hoje, 15 de maio de 2010, marca a divulgação nacional da saída de Silas Malafaia da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), da qual era o 1º Vice-presidente. Minha opinião: já deveria ter feito isso antes, muito antes, quando passou a ensinar um evangelho diferente, baseado na lei da semeadura financeira, na Teologia da Prosperidade e no Triunfalismo.
Diz Malafaia que sai da CGADB por causa de uma "visão de Deus" e que não vai fundar outra denominação, mas alterar o nome de sua igreja na Penha para "Assembleia de Deus Vitória em Cristo", que, na realidade, aproveita o nome de seu programa de televisão. Com pouca modéstia, afirma que, quando o Senhor Jesus chamou seu sogro - ou seja, quando o Pr. José Santos morreu, em 03 de fevereiro -, ele pensou: "Se Deus quer que eu seja pastor de uma igreja, é porque ele tem um projeto gigantesco p'ra essa igreja". Declara que não pretende ser seguido por ninguém nessa grande obra, quase que a dizer subliminarmente: "Sigam-me nessa grande obra". Fala que é assembleiano porque defende as mesmas doutrinas, o que, cá para nós, não corresponde aos fatos. Termina com uma frase "espetacular" de Mike Murdock: "O seu futuro é decidido pelo que você está disposto a mudar".
Seria bom se Silas Malafaia deixasse de usar o nome "Assembleia de Deus", não por uma questão administrativo-eclesiástica, nem tampouco jurídica, mas eminentemente doutrinária. Se ele ensina coisas que nossas Lições Bíblicas contrariam, como ele quer continuar sendo assembleiano? Se ele diz que o dinheiro dado a seus projetos é uma semente para retorno garantido, como continuar assembleiano? Já expliquei aqui que a lei da semeadura financeira é doutrina estranha ao Evangelho, mas própria de religiões orientais e de ensinos como o da "lei da atração". Mike Murdock não tem um livro chamado "A Lei do Reconhecimento"? A lei da semente, também ensinada pelo "sábio" Murdock no mesmo livro, vai na mesma toada.
Agora tudo ficou mais fácil: quando alguém me perguntar se sou da mesma igreja que o Silas Malafaia, poderei dizer que não. Ele era de nossa igreja, da nossa convenção, mas fundou uma ramificação chamada "Assembleia de Deus Vitória em Cristo", aproveitando uma Assembleia de Deus que já existia e ensinando doutrina estranha, ligada à Teologia da Prosperidade. Agora ficou muito mais fácil.
Silas Malafaia, siga seu curso. Eu o respeito, mas não podemos andar juntos. Acredito que seja um servo de Cristo, mas suas doutrinas precisam ser corrigidas. Creio que a Salvação, dada por Jesus, ainda remanesce em seu coração. Todavia, ao pregador é necessário que se mantenha fiel ao que recebeu de Cristo.


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Não sei como alguém consegue viver sem Jesus

A vida sem Jesus deve ser muito difícil. Eu mesmo não sei como alguém consegue viver sem Jesus. Em minha experiência pessoal, só a Pessoa e Obra de Jesus Cristo apresentam sentido. Com toda a minha racionalidade, com todas as minhas fragilidades, com todos os meus problemas, ainda assim não vejo absolutamente nada que chegue perto da proposta redentora de Cristo.
Somente a Bíblia faz sentido para mim. Não há filosofias nem ideias religiosas que possam se comparar com as Escrituras Sagradas: um Livro escrito por cerca de 40 homens num raio de mais ou menos 1.500 anos. Um Livro antigo que fala ao meu coração hoje, no Séc. XXI. Um Livro sem contradições. Um Livro perfeito, um tesouro, uma fonte inesgotável e incomparável de sabedoria. Um Livro que a ciência verdadeira não contraria. Um Livro de profecias cumpridas.
Quanto mais eu leio a Bíblia, mais me apercebo de que existe um Deus e de que esse Deus Se revelou na Bíblia e em Jesus Cristo. Preciso de um Salvador e O encontro em Jesus. O começo está esclarecido no Gênesis. O Fim, na verdade, não existe, porque a Salvação traz a Eternidade. E o "meio" é a vida que Cristo oferece. Início, meio e fim registrados nas Escrituras.
Não nasci por acaso. Não vivo ao meu bel-prazer. Não vou acabar na sepultura.
Minha consciência testemunha a veracidade da Palavra de Deus. O Espírito Santo habita em mim. Meus pecados estão perdoados e esquecidos. Sou salvo em Cristo. Pertenço à Igreja. Vou morar no Céu. Creio nisso. Se eu negar o Evangelho, negarei a minha própria biografia, pois tenho experiências com Deus. Minha trajetória não anula a Bíblia; antes, a confirma.
É preciso ter fé. A coisa pode estar feia, irmão. Mas tenha fé. É ela que nos sustenta. E não é uma fé comum, psicológica. É a fé dada por Deus.
Como Jeremias disse a Baruque, numa mensagem enviada pelo SENHOR, "eu te darei a tua vida como despojo, em todo lugar para onde fores" (cf. Jr 45). No final, é o que importa.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A moralidade não vale mais nada?

Há pouco assisti ao programa político do PT. Em pleno estágio de pré-campanha, Lula e Dilma fizeram uma escancarada propaganda antecipada. O programa foi todo dedicado à apresentação de Dilma ao eleitor, o que viola a legislação eleitoral.
O programa disse algumas coisas como:

  • Dilma nasceu em Minas Gerais e amadureceu politicamente no Rio Grande do Sul;

  • Dilma lutou contra a ditadura;

  • Dilma, em comparação verbalizada por Lula, é como Nelson Mandela, pois entrou para a luta armada e depois se tornou presidente;

  • Dilma teve responsabilidade pelo sucesso do governo Lula;

  • Lula e Dilma fizeram mais que FHC e Serra.
Todas essas afirmações consistem numa apresentação privilegiada de Dilma ao eleitor, em horário nobre, bem no meio de programas como o Jornal Nacional, além de mostrar, mais uma vez, que o interesse do PT é de fazer uma eleição plebiscitária, colando em José Serra as deficiências do governo FHC.
Há claro objetivo eleitoral no programa, que mencionou José Serra somente porque ele é o pré-candidato do PSDB, e o mais bem colocado nas pesquisas até o momento. Não houve menção a outros ministros, como Pedro Malan, Sérgio Motta ou José Gregori, das importantes pastas da Fazenda, das Comunicações e da Justiça. O tema era a comparação com FHC e o foco era o seu pré-candidato, que foi ministro do Planejamento e da Saúde.
Este não é um blog político, mas, como anoto no início da página, há espaço aqui para isso. E minha preocupação maior é com a questão da moralidade, tema profundamente espiritual. Quer dizer então que o presidente da República pode burlar a lei sistematicamente? Ele, que já foi multado mais de uma vez pela Justiça Eleitoral, vai continuar desafiando a ordem jurídica? Isso mostra que as multas não são uma sanção adequada para esse tipo de infração. Talvez nem seja o próprio Lula que pague essas multas...
Sei que existem muitas críticas ao nosso sistema eleitoral, notadamente a esse intervalo chamado "pré-campanha", em que os candidatos fingem que não são candidatos e se proíbe a propaganda antecipada. Mas a lei deve ser cumprida. Se Lula não gosta da lei como está, tem o direito de pedir uma reforma eleitoral que altere essa estado de coisas, e, como presidente, tem poder para arregimentar forças no Congresso em favor de projetos de seu interesse. Essa seria uma medida interessante, pois a campanha na verdade já deveria estar nas ruas.
O problema de Lula é de ordem moral. Ele não respeita as leis que jurou cumprir quando tomou posse. Ele, como maior mandatário da Nação, deveria ser o exemplo de cumprimento das leis. Com isso, ele incentiva o descalabro, a zombaria da ordem. Um homem que acha que a fiscalização ambiental e a fiscalização do TCU atrapalham o desenvolvimento nacional não deveria ser presidente da República.
O pior é saber que, no máximo, o TSE aplicará mais uma multa pequena que provavelmente não será suportada pelo Lula, mas por algum "companheiro". E já está se contemplando, como diz Reinaldo Azevedo em seu blog, que Lula fará de tudo para eleger Dilma Rousseff sua sucessora. Tenho receio do que pode haver.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Acabou a história

Pronto, acabou a história. Lula descobriu o Brasil em 2003 e de lá para cá vimos que no princípio era o caos. Somente Lula e o PT inventaram tudo o que aí está. Eles tiraram milhões da miséria e da pobreza dando-lhes um dinheiro no final do mês. Principalmente o Lula conseguiu conversar com o povo na língua do povo: a do homem simples e pobre que ascendeu ao Poder sem muito apreço pela ética e com muito carisma e gosto pelo futebol.

É, “nunca antes na história deste país” houve um presidente como este, que não caiu mesmo com todos os homens ao seu lado envolvidos em falcatruas comprovadas. Todos os homens do presidente caíram, mas Lula não caiu. Sem ninguém à vista no PT histórico, Lula sacou uma cristã-nova por sua suposta competência gerencial. Não quer nos dar um político, mas um gerente. Sim! Lula quer inventar o presidente-feitor.

Jamais houve programas sociais antes de Lula. Jamais houve justiça social antes de Lula. Jamais houve controle da inflação antes de Lula. Jamais houve reforma agrária antes de Lula. Jamais houve geração de empregos antes de Lula. Jamais houve responsabilidade fiscal antes de Lula. Jamais houve progresso na saúde antes de Lula. Jamais houve progressos na educação antes de Lula. Jamais houve política externa antes de Lula. Jamais houve nada antes de Lula. Ele é o cara. Ele é um dos cem mais influentes do mundo. Ele recebe prêmios. Ele é o dono do Brasil, o criador do Brasil, a cara do Brasil, o filho do Brasil.

Tenho vergonha de ser contra o Lula. Ele tem 80% de popularidade. Não posso discordar de quem o segue. Até o Serra, seu maior adversário, aprova o seu governo. Deve estar entre os 80% que o aprovam. Marina Silva também gosta dele, só quer avançar em sustentabilidade. Todo mundo gosta do Lula. Garanto que Fernando Henrique também gosta, lá no fundo. Fernando Collor quer ser governador de Alagoas com o apoio do Lula (foi lá que tudo começou!). E Itamar Franco e Aécio Neves são mineiros.

Somente o DEM é efetivamente contra o Lula. E o que aconteceu com o DEM? Foi demonizado. O Mensalão do DEM, de José Roberto Arruda, acabou de acabar com tudo, mas eles já eram condenados por serem ex-ARENA, ex-PDS, ex-PFL, e, além de tudo, “demo”. Nem Demóstenes Torres, Marco Maciel ou Kátia Abreu salvam mais o DEM, pois o DEM é oposição mesmo. E no país do lulo-petismo, quem quer ser contra o Lula? Todos querem ser, andar e estar a favor do Lula.

Então, acabou a história. Lula descobriu o Brasil. Fora dele não há salvação para este país imenso. Ele descobriu o pré-sal e o petróleo em Santos. Ele conseguiu emplacar o PAC2 sem terminar o PAC1. Ele conseguiu chamar de “herança maldita” tudo o que FHC lhe deixou, embora seu governo fosse uma tragédia sem o que FHC deixou. Lula é, sem dúvida, o maior comunicador de massas que este país já viu.

Quando Lula deixar o Poder, será um fantasma ao lado do presidente ou puxando o seu pé à noite. De qualquer maneira ele estará ali, bem perto, pois a história nada é sem ele. O cara inventou o Brasil, que só tem sete anos de vida.

sábado, 8 de maio de 2010

Repensando as bases do pentecostalismo

Existem vários caminhos entre o pentecostalismo derivado da Rua Azusa – que exalta demasiadamente o falar em outras línguas – e o pensamento de que os dons carismáticos cessaram. Podemos citar aqui algumas afirmações intermediárias que há por aí:
a) os dons carismáticos não cessaram, mas são raros atualmente;
b) os dons carismáticos não cessaram, mas profecia é pregação, e não uma capacitação sobrenatural para entregar à igreja uma mensagem de edificação, consolação e exortação vinda da parte de Deus;
c) os dons carismáticos não cessaram, mas línguas estranhas não são a única evidência do batismo com o Espírito Santo;
d) os dons carismáticos não cessaram, mas batismo com o Espírito Santo é regeneração, diferente do revestimento de poder, que se evidencia de muitas maneiras, não somente pelas línguas estranhas;
e) os dons carismáticos não cessaram, mas revelações não existem, porque a única revelação é a Palavra de Deus.
Essas são ideias que se encontram no meio caminho entre o cessacionismo e o pentecostalismo que caracteriza o chamado "Movimento Pentecostal". Há certamente outras ideias, e todas elas devem ter seus pontos de intersecção, concordando entre si e contrariando-se mutuamente.
O problema é que no Brasil a Assembleia de Deus, minha denominação, trouxe um pentecostalismo que supervaloriza o falar em línguas, quando, na realidade, a glossolalia desacompanhada de interpretação é o menor de todos os dons (cf. I Co 12 a 14). Afirma-se que não é bem assim, mas a partir do momento em que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência indicada a todos, e que o falar noutras línguas é sua evidência indispensável, logo se deduz que as línguas estranhas são um sinal procurado por aqueles que pretendem ser reconhecidos como “batizados no Espírito” - uma categoria com direitos especiais.
"Ora, se eu for batizado e não falar em línguas", pensa o pentecostal assembleiano, "não saberei se fui realmente batizado, e ninguém mais saberá, o que me impedirá, ainda, de alcançar o diaconato e a consagração a pastor". Esse raciocínio criado na seara pentecostal de matriz assembleiana – e de suas congêneres estrangeiras – faz com que a glossolalia seja enaltecida em desfavor de dons mais importantes, superiores, como a profecia e o dom de ensino.
Para não parecer pragmático, e a fim de me lançar ao argumento teológico, afirmo que considero artificial a distinção entre “línguas como sinal do batismo” e “dom de variedade de línguas”. De onde vem isso? Das narrativas de revestimento de poder em At 2, 8, 10 e 19? Ora, não se considera o momento histórico daqueles eventos? Não se entende que ali o Espírito Santo era derramado com línguas estranhas, línguas vernáculas e profecias? Será que apenas o falar em línguas evidencia o ser cheio do Espírito? Será que precisamos dessa evidência? Será que o batismo com o Espírito Santo não consiste justamente em revestimento de poder para evangelizar (Lc 24.49; At 1.5,8), dispensando, assim, quaisquer burocracias denominacionais no sentido de diferenciar “quem é batizado e quem não é”?
Aguardo um movimento pentecostal que repense o Movimento Pentecostal. Um movimento com letra minúscula, significando manifestações teológicas de moderação e reflexão crítica, tendo diante de si as Escrituras e a experiência histórica do Movimento com letra maiúscula.
De fato, é bom lembrar que o Movimento Pentecostal não patenteou o poder de Deus, não detém o monopólio do pentecostalismo. Em matéria de ação sobrenatural e carismática do Espírito Santo, não há como colocar as coisas na régua e no compasso. Quisera eu os irmãos históricos entendessem que, na verdade, o Movimento Pentecostal é muito mais racionalista do que eles imaginam, pois chegou ao ponto de supor que o poder de Deus precisa ser evidenciado de tal e qual maneira. O que é isso, de onde vem e para onde vai o vento?
Essa é minha batalha silenciosa e renhida, além de outras não menos desafiadoras e impopulares. Mas as grandes reformas começam com ideias aparentemente estapafúrdias, que depois se transformam no cotidiano das igrejas.
Mais uma coisa: talvez eu não tenha experimentado o falar em línguas para que refletisse sobre a legitimidade de exigir o fenômeno aos aspirantes a pastor.
*Texto publicado em 18 de maio de 2009 no "site" Ultimato.com.br, no espaço Palavra do leitor.

"Batismos" veterotestamentários e o batismo de João

O amigo João Armando inseriu um comentário ao texto A religião de Jesus que me levou a estudar sobre as abluções no Antigo Testamento.
Antes de entrar no Tabernáculo ou de oferecer a oferta queimada, os sacerdotes faziam uma lavagem cerimonial de mãos e pés numa bacia de bronze situada entre o altar e a porta do Tabernáculo (Ex 30.17-21; 38.8; 40.30-32). Eram as chamadas "abluções".
Salomão fez um tanque ("mar") com cerca de cinco metros de diâmetro, dois metros e meio de altura e quase 15 metros de circunferência, para que os sacerdotes se lavassem nele (II Cr 4.2-6) ou pelo menos tirassem água para suas abluções (O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA, p. 358). Continha 3.000 batos, o que equivale a 66.000 litros de água. De acordo com I Rs 7.23-26, eram 2.000 batos (ou 44.000 litros), e pode ser que os 1.000 batos restantes ficassem no sistema de pias menores (conforme a BÍBLIA ANOTADA, p. 567). Pode ser que a diferença seja fruto de um erro de copista (O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA, p. 358).
A consagração dos sacerdotes incluía uma lavagem cerimonial (Ex 29.4), que promovia purificação. A BÍBLIA DE JERUSALÉM diz tratar-se de "banho completo, diferente das abluções de 30,19-21 e destinado a conferir a pureza ritual exigida" (p. 144).
Existia uma lavagem do corpo para purificação das coisas imundas, especialmente para os sacerdotes, que deveriam estar purificados antes de tocar nas coisas sagradas (Lv 22.1-6).
Havia ainda as purificações de objetos (Lv 11.32), algo que os fariseus e doutores da época de Jesus levaram ao nível do paroxismo (Mt 15.1-20 e Mc 7.1-23), em razão da Tradição que acreditavam ter decorrido de Moisés, oralmente (BÍBLIA DE JERUSALÉM, p. 1769).
Segundo a BÍBLIA DE JERUSALÉM, "o rito da imersão era conhecido das religiões antigas e do judaísmo (batismo dos prosélitos e dos essênios)" [p. 1707], mas o batismo de João tinha três características especiais: a) um objetivo moral, e não ritual; b) a não-repetição, e, por isso, um aspecto de iniciação; c) e um caráter escatológico, introduzindo o batizando no grupo daqueles que aguardavam o Messias.

Com efeito, há relatos de que babilônios, egípcios e hindus faziam batismos, respectivamente, no Eufrates, no Nilo e no Ganges*. Os gregos teriam ritos de batismo envolvendo Baco e Ísis**.
Quando o autor aos Hebreus escreve que devemos ter o "corpo lavado com água pura" (Hb 10.22), ele deve estar lembrando da lavagem cerimonial registrada em Êxodo. E Paulo refere-se ao "lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tt 3.5).
João, primo de Jesus, apareceu batizando no rio Jordão (Mt 3.1-17; Mc 1.3-8; Lc 3.16; Jo 1.6-8, 19-28).
Dessa forma, quando João Batista apareceu no deserto batizando, parecia estar realizando um batismo de prosélitos ou um batismo dos essênios. Não podia consagrar sacerdotes por não ser, ele mesmo, um sacerdote. Era descendente de Levi, pois seu pai, Zacarias, era sacerdote, mas ele mesmo não exercia o ofício sacerdotal. E não batizava no Templo, mas num rio. Assim, a comparação necessária é com o batismo de prosélitos e dos essênios. O batismo de prosélitos só pode ter sido uma invenção judaica em virtude da ideia que eles tinham de que, se todo mundo é impuro, para se achegar ao Judaísmo é preciso um ritual de purificação.
Embora o batismo de João pudesse ser visto pelos seus coetâneos como batismo de prosélitos ou batismo essênico, Jesus, ao dizer que cumpria toda a justiça, deve ter se referido ao batismo veterotestamentário de iniciação dos sacerdotes. Sim, o batismo de João era para arrependimento (em vista de arrependimento), e por isso Jesus não precisava dele. Mas, como Sacerdote Eterno, da Ordem de Melquisedeque, devia ser consagrado para o início de Seu ministério, não por um sacerdote da linhagem aarônica, mas pelo homem designado como precursor do Cristo. A Epístola aos Hebreus trata dessa tema.
Portanto, o batismo de João não era uma coisa inteiramente nova, ao menos exteriormente. A novidade era o seu significado. Jesus nunca pecou para ter que ser batizado. Ele cumpriu toda a justiça ao Se deixar batizar por João, e não por capricho judaizante: o fundamento não era a Tradição judaica, mas a Lei de Moisés.

*http://arquidiocesedecampogrande.org.br/arq/formacao/formacao-igreja/259-o-batismo-para-o-povo.html?start=4
**http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=alunos&ID=162.


Referências bibliográficas:
 
BÍBLIA ANOTADA, A. The Ryrie Study Bible/ Texto Bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie. Sã o Paulo: Ed. Mundo Cristão, 1994, 1835p.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. Tradução das introduções e notas de La Bible de Jérusalem, edição de 1998, publicada sob a direção da "École biblique de Jérusalem". Edição em língua francesa. São Paulo: Paulus, 2002, 2206p.

NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA, O. SHEDD, Russell P. (editor em português). São Paulo: Edições Vida Nova, V. I, 1963, 740p.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Descalabros

Um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus em Salvador foi preso em flagrante delito de estupro de vulnerável dentro de um carro na estrada que liga Candeias à capital baiana (a igreja repudiou o crime e expulsou o indivíduo).
Uma procuradora de Justiça aposentada maltratou com xingamentos e tortura física uma menina de dois anos de idade que pretendia adotar. Agora está foragida.
Um vigilante de banco atirou num aposentado que lhe assegurou usar marcapasso, motivo pelo qual a porta giratória havia travado. O aposentado teve morte cerebral.
Policiais militares baianos são suspeitos de chacinas em Vitória da Conquista, e agora a promotora que os denunciou sofreu um atentado a tiros.
Diriam os profetas: até quando, SENHOR?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

"Sob a tua palavra/basta a tua palavra"

Ontem, no primeiro culto que dirigi como Auxiliar, refleti com a igreja sobre dois textos que se encontram em Lc 5 e 7, os quais se referem, respectivamente, à "pesca maravilhosa" e à cura do servo de um centurião. Qual a relação entre eles? Muitas coisas podem ser ditas a esse respeito, mas destaco uma: a valorização da Palavra de Jesus.
No primeiro caso, mesmo depois de uma noite inteira de pescaria frustrada, Pedro obedeceu à ordem de Jesus dizendo "sob a tua palavra lançaremos a rede". O pescador teve fé. Somente a fé explicaria a atitude de lançar redes a um lago sem peixes. E os peixes apareceram.
No outro texto, o centurião mandou avisarem a Jesus que Ele não precisaria ir à sua casa, mas tão-somente ordenar que seu servo fosse curado. "Basta a tua palavra e ele será curado". Jesus reconheceu a fé daquele homem, e o servo deste efetivamente teve sua saúde restaurada.
Tanto o pescador Pedro como o centurião anônimo entenderam que a Palavra de Jesus tem valor em si. Ela não precisa ser coisificada, materializada. Não demanda o uso e fetiches. A Palavra de Jesus vai além de distâncias e impossibilidades. A Palavra de Jesus é a fonte e a causa de quaisquer iniciativas autênticas no Reino de Deus, como no caso da pesca maravilhosa, que só ocorreu por sujeição à ordem do SENHOR, não tendo partido da opinião, sensação ou experiência de Pedro.
Precisamos aprender com Pedro: a Palavra de Jesus é que dá impulso e fundamento a nossas atitudes boas e poderosas na Obra de Deus e em nossas próprias atividades. E precisamos aprender com o centurião: a Palavra de Jesus cura por si mesma, não necessitando de coisas como, por exemplo, galhos de arruda, sal grosso ou quaisquer objetos supostamente santos. Não somos pajés.
A materialização da fé é falta de fé porque considera que o homem precisa ver para crer. Pedro agiu contra a esperança normal de um pescador experiente, que seria a de não ver nenhum peixe na rede depois de uma noite frustrada. O centurião creu em Jesus de maneira especial, entendendo que o poder reside em Sua Pessoa.
Não é hermeneuticamente errado aplicarmos essas passagens à Bíblia, a Palavra de Deus. Jesus é o Verbo Encarnado. Vale o que na Bíblia está escrito, e o que nela está escrito remete a Jesus, seu tema principal. Ir além da Bíblia é demonstrar falta de fé. Ela deve ser nosso fundamento. A Palavra de Jesus é a Causa, Meio e Finalidade de nossa vida e missão.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A religião de Jesus

Há um livro clássico do Protestantismo intitulado Em seus passos, que faria Jesus?, de Charles Sheldon. O título em si já é muito sugestivo. Na história, cristãos mudam radicalmente de comportamento ao pararem para refletir sobre que atitude Jesus tomaria em seu lugar, diante de cada situação decisiva na vida.
Indo nessa linha, cabe perguntar: qual seria a religião de Jesus hoje? Se Jesus viesse à Terra novamente, em carne e osso, que religião frequentaria?
Primeiro, vejamos que religião Jesus frequentou, olhando para as páginas das Escrituras Sagradas. Como Homem, Ele seguiu todos os preceitos determinados pela Lei de Moisés e pelos costumes judaicos. Senão, vejamos:
Circuncidado ao oitavo dia (Lc 1.21), Jesus foi apresentado no Templo depois do período de purificação, incluindo o sacrifício determinado para essa ocasião (Lc 1.22-24,39). Acompanhava seus pais anualmente à Festa da Páscoa em Jerusalém (Lc 2.41-43; Ex 23.15; Dt 16.1-6). Frequentava a sinagoga aos sábados (4.16). Tomava parte da liturgia, como quando leu um trecho do Livro de Isaías (Lc 4.16-21) ou quando ensinava no meio do povo (Lc 4.15). Era também um observador atento da atividade religiosa, como quando testemunhou a viúva pobre depositando moedas no gazofilácio (Lc 21.1-4).
Além de obedecer a todos os preceitos legais e consuetudinários, Jesus ordenou a João que O batizasse "para se cumprir toda a justiça" (ver Mt 3). Tratava-se de um movimento iniciado por João Batista no deserto, sem nenhuma vinculação institucional, e que, no máximo, poderia ser comparada ao batismo dos essênios e ao batismo dos prosélitos. Haveria naquele ato de batismo a manifestação da Trindade, com o Filho sendo batizado nas águas, o Espírito Santo descendo em forma corpórea sobre a cabeça de Jesus e o Pai afirmando Seu amor pelo Filho. Igualmente havia ali o início do ministério de Jesus na Terra.
Não obstante essa sujeição voluntária ao batismo de João, Jesus não rompeu com a Lei de Moisés nem com as instituições judaicas. Ele respeitava a autoridade dos sacerdotes e anciãos, assim como respeitava as autoridades gentias. Jesus pagava impostos, frequentava as festas dos judeus e nunca falou mal do Templo de Jerusalém.
A diferença em Jesus é que Ele conhecia (e conhece!) a ratio essendi da Lei, que é o Amor. Jesus nunca proclamou a revolução contra as instituições religiosas de seu tempo, mas, sim, contra a falta de amor. Jesus sempre soube que os fariseus, escribas, sacerdotes e anciãos perverteram o direito e cometeram torpezas contra o próximo devido à maldade de seus corações, apartados que estavam do fundamento da Lei de Moisés, pois a suma da Lei Mosaica é tão-somente amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Todas as normas decorrem desse princípio, todos os regramentos e detalhes escritos por Moisés não passam de desdobramentos da Lei do Amor.
Dessa forma, Jesus apenas manifestou e revelou de maneira intensa o que sempre existiu na Lei de Moisés, mas que os líderes de Israel perverteram. Ele não fundou uma nova religião, não foi um iconoclasta e não quis estabelecer uma Nova Ordem Mundial nem uma New Age.
Então, se estivesse fisicamente entre nós, que templos Jesus frequentaria? Ó, eventual leitor, não serei perverso em impedi-lo de fazer esse raciocínio por si mesmo, pois é de grande valor. Diga-me: qual a religião de Jesus?
Alguns afirmam que Jesus deveria apreciar uma espécie de "religiosidade sem religião". O que é isso? Seria a ideia de uma espiritualidade sem instituição. Será mesmo? Será que Ele seria como um monge, distante do mundo, "para não se contaminar"? Será que se agruparia a pessoas que não querem ter pastores, nem dar o dízimo, nem evangelizar? Será que iria para as florestas, desertos e montes, e lá se refugiaria numa aldeia do tipo Walden, a Vida nos Bosques*? Será que fugiria de crentes "denominacionais"? Será que pregaria contra a organização eclesiástica? Será que discordaria da constituição de igrejas com personalidade jurídica, nome e placa? Será que abominaria hierarquias e estatutos para igrejas?
E então? Qual a religião de Jesus?
Não vou deixar o eventual leitor assim tão à deriva...Diz-nos a Palavra que "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se incontaminado do mundo" (Tg 1.27).
Para quem for mais apressado, é bom avisar o seguinte: se o primeiro aspecto parece ser mera assistência social (e não é!), o segundo aspecto consiste em ser totalmente purificado do pecado.
E agora, caríssimo leitor: qual a religião de Jesus?

*Livro de Henry David Thoreau.
**Coloquei essa parte em itálico para mostrar que substituí o trecho comentado por João Armando. Inseri outro post especificamente sobre o batismo de João, e se chama "'Batismos' veterotestamentários e o batismo de João".

segunda-feira, 3 de maio de 2010

03 de maio

Hoje fui consagrado a Auxiliar na Congregação da Assembleia de Deus que eu e minha família frequentamos.
Para quem não conhece a organização assembleiana no Estado da Bahia, o corpo de obreiros começa com o Auxiliar e vai a Diácono, Presbítero, Evangelista e Pastor. Não há uma ordem necessária: por exemplo, pode ser que o indivíduo se torne pastor sem ter passado pelas outras etapas.
Já como Auxiliar, ajudei na distribuição da Ceia, entregando o pão. Também orei enquanto o pastor ungia irmãos com óleo (para a cura de enfermidades, mediante a oração da fé). Fiquei feliz.
A consagração deveria ter ocorrido ontem, mas eu passei todo o final de semana prostrado por causa de uma gastrite - tudo indica que fosse a gastrite. É nessas horas de azia e enjoos que lembro do conselho de Paulo a Timóteo, que, como eu, tinha problemas estomacais...
É isso. Compartilho com os amados leitores a minha alegria em participar, a partir de hoje, do corpo de obreiros de minha igreja. Na quarta-feira, cuidarei da direção do culto de oração e darei uma palavra. Quero aproveitar essa oportunidade para fazer um pouco do que faço neste espaço há mais de dois anos: mostrar que fé e razão podem andar juntas.

Gideões Missionários da Última Hora e José Serra

Reportagem da Folha de S. Paulo noticia que no 1º de maio o pré-candidato à presidência pelo PSDB, José Serra, esteve no 28º Congresso Internacional de Missões, em Camboriú (SC), como convidado de honra. Além de ter sido saudado como "futuro presidente", houve quem dissesse que "esse povo não só ora como vota". E o pior: governo do Estado e prefeitura de Camboriú, comandados por membros do PSDB, deram R$540.000,00 ao evento, que custou, ao todo, R$800.000,00.
Tanto o governo como a prefeitura alegam que se trata de investimento em turismo, algo que o governo catarinense viria fazendo desde 2003.
O fato é que "não basta ser honesto, é preciso parecer honesto". O eventual leitor conhece esta frase? Pois é. Se os Gideões Missionários da Última Hora, que promovem o Congresso, tinham recebido o dinheiro do Estado e da Prefeitura, não deveriam ter convidado José Serra, pois ele postula o cargo de presidente da República, é do mesmo partido que os patrocinadores do investimento e seria de se esperar que houvesse manifestações de apoio à sua candidatura - tudo isso pode configurar propaganda antecipada.
Aproveitando a oportunidade, cabe uma outra reflexão: é legítimo um movimento eclesiástico ou para-eclesiástico receber dinheiro público? Governo e prefeitura queriam incentivar o turismo, eu sei...Mas, e os Gideões Missionários? Eles também queriam promover o turismo? Esse é o seu objetivo? Para que serve o congresso periódico dos Gideões Missionários da Última Hora? Além de promover pregadores de multidões, eles agora fazem propaganda eleitoral e parceria com o Poder Público em favor do turismo?


sábado, 1 de maio de 2010

Quem fiscaliza o fiscal?

A Procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia de Sant'anna Gomes foi indiciada por crimes de tortura e racismo. Gravação de áudio feita por ex-empregadas pode comprovar que a Procuradora xingou uma criança de apenas dois anos de idade que estava sob seus cuidados em período de guarda provisória, com vistas à adoção. Laudo pericial comprovou lesão corporal leve. O racismo teria sido praticado contra suas auxiliares domésticas.
Procurador de Justiça é o membro do Ministério Público Estadual que atua perante os Tribunais de Justiça. Trata-se de grau elevado na carreira de quem começa como Promotor de Justiça. Os membros do Ministério Público têm como função primordial fiscalizar a sociedade. Por isso, são eles chamados de "fiscais da lei" (custos legis).
Cumpre, todavia, perguntar: quem fiscaliza o fiscal? Graças a Deus, há pouco foi criado o Conselho Nacional do Ministério Público, que, ao lado do Conselho Nacional de Justiça, foi uma das mais importantes invenções brasileiras dos últimos anos. Muita coisa boa já aconteceu por obra do CNMP e do CNJ.
Juízes e membros do Ministério Público precisam mesmo de uma fiscalização que respeite sua independência funcional, mas que também esteja atenta a seus excessos. Ocupantes de cargos autônomos e independentes, a rigor eles não têm chefe. Se o promotor ou o juiz forem arrogantes, soberbos, "mandões" ou praticantes de assédio moral, quem poderá lhes dizer que estão errados?
O caso da Procuradora acima referida constitui uma exceção. Ela não foi acusada por crimes praticados no exercício das atribuições nem por destratar funcionários do Ministério Público. Dessa vez os fatos se deram no ambiente doméstico. Talvez sua suposta arrogância tenha se dirigido contra assessores e servidores, mas a denúncia partiu de ex-empregadas domésticas. É assim mesmo.
Aguardemos o resultado do processo judicial.

Silas Malafaia anda chateado com blogueiros cristãos

Vi que o Pr. Silas Malafaia anda muito chateado com blogueiros cristãos que o criticam. Ele acha que esses irmãos são bandidos, amargurados, fracassados, caluniadores. Em dois programas consecutivos, testemunhei sua preocupação quanto a isso.
Eu gostava muito do trabalho de Silas Malafaia. Por minha sugestão, meus sogros passaram a assisti-lo todos os sábados há alguns anos. Gostávamos de sua capacidade e coragem de falar a Verdade.
Num seminário em Campo Grande/MS, no ano de 2008, interrompi o palestrante - que criticou alguma coisa do pastor assembleiano - a fim de defendê-lo (sim, eu fiz isso!). Minha participação no seminário ficou marcada por aquela palavra... Se fosse hoje, eu endossaria a postura do palestrante!
Silas Malafaia ensina e prega um evangelho diferente daquele que ele ensinava e pregava no início de seu ministério e até há poucos anos atrás. Ele adotou a Teologia da Prosperidade e ensina que dar dinheiro para seu programa e para a igreja é como uma semeadura. Essa é a lei da semeadura financeira, que, na realidade, advém de seitas orientais (escrevi sobre isso neste blog). A semeadura financeira tem que ver com a "lei da atração", com as leis que regeriam o Universo. Quem semeia tem que colher - esse é o lema de Malafaia.
Para reagir a seus "inimigos", Silas Malafaia cita ninguém menos que o hegere Mike Murdock. Duas das frases desse homem supostamente sábio dão uma ideia de sua postura: "Meus amigos me fazem bem e meus inimigos me promovem"; "Se não tenho tempo para me dedicar a quem gosta de mim, por que vou perder tempo com quem não gosta de mim"?
Percebe? Em vez de amar os seus inimigos, como a Bíblia recomenda, Silas Malafaia prefere recorrer ao suposto sábio Mike Murdock, para quem não se deve pensar nas críticas como forma de crescimento, mas, sim, usá-las como alicerce de seu sucesso ministerial. É claro que, antes disso, Malafaia deveria refletir sobre a pecha de "inimigos" que põe sobre os que apenas discordam de seus ensinos e práticas.
Não é preciso procurar um pastor ortodoxo para rebater o que Malafaia diz. Basta pesquisarmos o que ele mesmo ensinava há anos e veremos que ele discorda de si mesmo.
Por que me abalo a criticar Silas Malafaia neste espaço? É justamente porque ele é um dos mais destacados representantes do evangelicalismo brasileiro hoje (ou da crise evangélica). Se deixarmos, o evangélico será tomado pelo que diz e faz Silas Malafaia. Todos pensarão que ser evangélico é semear dinheiro para aguardar o retorno. Assim, seremos tidos como materialistas. Esse "evangelho" do dinheiro eu não quero. Não foi essa palavra que me transformou.

Se a igreja do Valdemiro estiver irregular, tem mais é que fechar mesmo!

O Sr. Silas Malafaia vê perseguição religiosa em tudo. Veio a público, em seu programa de TV, dizer que a Prefeitura Municipal de São Paulo persegue a Igreja Mundial do Poder de Deus ao fechar sua sede devido a problemas estruturais e de alto volume de som. Para o Sr. Malafaia, a Prefeitura fechou o prédio por outro motivo que não as irregularidades administrativas.
Certamente Silas Malafaia gostaria de que aquele prédio da Renascer cujo teto desabou há não muito tempo ainda estivesse aprovado pela Prefeitura. Fechá-lo seria um atestado de perseguição. Ocorre que o desabamento, com mortos e feridos, é um fato concreto e doloroso.
Um discurso recorrente a políticos é dizer que o erro também é dos outros, que todo mundo faz, que a imprensa e os órgãos fiscalizadores deveriam se ocupar dos demais, em vez de olhar somente para as suas mazelas. É assim o discurso de mensaleiros, aloprados, sanguessugas, valdomiros, e de tudo o que se faz de absurdo no Governo  Lula. O Partido dos Trabalhadores gosta de dizer que as elites procuram persegui-lo com acusações de corrupção. Esse discurso desviante é usado por Silas Malafaia ao defender a igreja de Valdemiro Santiago.
Nada tenho contra a pessoa de Silas Malafaia ou Valdemiro Santiago, mas tenho tudo contra suas doutrinas estranhas. Chega de abaixarmos a cabeça para as heresias de Silas Malafaia! Um homem que recebe Mike Murdock e Morris Cerullo para pedirem dinheiro como semeadura e investimento espiritual não pode ser o porta-voz da igreja brasileira. Um homem que defende Valdemiro Santiago contra as leis administrativas não pode ser considerado o legítimo representante do evangelicalismo genuíno. Pode ser representante da crise evangélica brasileira, mas não do evangelicalismo verdadeiro.
Elogiei, neste mesmo espaço, a atuação de Silas Malafaia num debate, no Programa do Ratinho, sobre o PLC 122/06. Se ficasse nisso, cumpriria bem seu papel. Mas, não: alguma coisa aconteceu e Silas Malafaia resolveu mudar profundamente. Seu raciocínio muitas vezes parece claro, mas noutras vezes se mostra opaco. Fechar um prédio irregular não é cercear a liberdade religiosa. Procurem-se os meios legais, notadamente a regularização perante a Prefeitura. Depois de tomadas todas as providências, a negativa da Prefeitura poderá ser analisada sob outro prisma.
Será que o povo evangélico é tão frágil assim em seu discernimento da realidade? Infelizmente, parece que boa parte o é.

Da adoção de crianças por "casais" homossexuais

Em 27 de abril, a Quarta Turma do STJ confirmou decisão do Tribunal de Justiça gaúcho pela possibilidade de adoção de crianças por "casais" homossexuais. Uso a palavra "casais" entre aspas porque um casal só pode ser formado por pessoas de sexos opostos. Trata-se de parceria homossexual, e não de casamento. Ademais, a Constituição e o Código Civil não aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Até mesmo a união estável se dá entre um homem e uma mulher.
Respeito o STJ, é claro, mas dele discordo. Se as crianças já era adotadam por uma das mulheres, por que reconhecer o direito da outra mulher de colocar as duas crianças como suas filhas? Já não vivem todas sob o mesmo teto? Alega-se a questão hereditária etc. Mas há outras maneiras de transferir o patrimônio quando se quer, dentro da lei. Reconhecer a adoção por duplas homossexuais é reconhecer, por via oblíqua, a legitimidade de uma tal união, o que, repito, a Constituição não acolheu.
Cria-se uma confusão na cabeça da criança adotada por dois homens ou duas mulheres: ela tem dois pais, duas mães? Estabelece-se a confusão total dentro de casa. Não é lícito atrapalhar a formação da criança. Já considero errado deixar que uma criança conviva com homossexuais "casados". Atribuir a paternidade civil a dois homens ou duas mulheres é um absurdo, um atentado contra a formação moral e psíquica da criança.
Os ministros do STJ pensaram em proteger os interesses das menores. Entenderam estar assistindo as crianças em seus direitos fundamentias de máxima proteção. Compreendo a preocupação dos magistrados. Mas não posso concordar que a proteção do menor passe por aceitar que duas mulheres cuidem dele como suas mães, enquanto cultivam uma parceria homossexual.
Sei que a patrulha ideológica pró-gays acharia esse texto ridículo, fruto de algum medievalismo brutal. Não estou preocupado com isso. Tenho minhas convicções e pretendo mantê-las bem firmes, a despeito de qualquer ideia contrária ao ativismo homossexual parecer antijurídica para alguns. A mídia está ao lado deles. Políticos fazem de tudo para não desagradar seus eleitores, mesmo que discordem em seu íntimo daquilo que seus eleitores querem e sentem. Eu não sou da grande mídia nem tenho pretensões eleitorais. Tenho liberdade para opinar. E não sou favorável à união civil de homossexuais, muito menos à adoção de uma criança por um "casal" homossexual.
O casamento é instituição para um homem e uma mulher. Paternidade e maternidade são instituições próprias do casamento, e devem ser exercidas, respectivamente, por um homem e uma mulher. Bagunçar essa ordem é desrespeitar o ritmo natural das coisas.

Somos melhores que os fundamentalistas "sectários"?

Nos tempos do rei judeu Jeoaquim, filho de Josias, havia um grupo étnico-religioso em Jerusalém chamado "recabitas". Eram eles filhos de Recabe e seguidores dos ensinos de Jonadabe, que vivera cerca de 250 anos antes, quando a dinastia de Acabe perdia o poder e a vida em Israel.
De acordo com as doutrinas de Jonadabe, não se podia plantar vinhas nem trigo, morar em casas nem beber vinho. Era o "ideal nômade", segundo o qual Israel vivia melhor com o seu Deus quando ainda estava no deserto, sem nada que o fixasse ao solo.
Jonadabe era tão reconhecido por seu radicalismo que Jeú, ao se encaminhar para destruir a Casa de Acabe, o convidou para testemunhar o seu "zelo". Matar o pessoal de Acabe seria uma prova de sua religiosidade.
As doutrinas estabelecidas por Jonadabe foram assimiladas pelo grupo e transmitidas durante séculos como regras fundamentais, a que não se podia escapar. Eram, portanto, fundamentalistas ou "puritanos". Só estavam em Jerusalém na época de Jeoaquim porque Nabucodonosor, da Babilônia, constituía um perigo para quem estivesse no deserto. Depois, como sabemos, nem mesmo a cidade foi refúgio contra suas tropas.
Estando, pois, os recabitas em Jerusalém, Deus deu a seguinte missão a Jeremias, o profeta: atraí-los ao Templo e lhes oferecer vinho. Feito isso, os recabitas não aceitaram e explicaram seus motivos: tinham como razão as lições sectárias de seu fundador. Mas a lição não era para os fundamentalistas, e sim para os outros javistas judeus, que se achavam fiéis ao SENHOR: deveriam eles tomar como exemplo a fidelidade dos recabitas a seu líder, e, assim, passar a obedecer a Deus.
Como recompensa por sua fidelidade, os recabitas teriam sempre um representante na Casa do SENHOR. Sim, eles eram adoradores de Javé, apenas tinham algumas concepções estranhas, isoladas e sem fundamento escriturístico. Sua interpretação da Torah estava errada. O ideal nômade não correspondia à realidade. Mas eram fiéis a Deus.
Essa história encontra-se em Jr 35 e constitui um dos textos que mais me chamam a atenção dentre os do Antigo Testamento. Na Faculdade de Teologia, quando estudava a matéria Profetas, com o querido professor Pr. Fernando Sabra, fiz um trabalho sobre os recabitas e apontei justamente para essa questão dos fundamentalistas e "sectários". O que quero dizer com isso?
Há na Igreja grupos que consideramos estranhos, isolados e com ensinos não totalmente fundamentados na Bíblia. Os teólogos ortodoxos consideram-nos verdadeiras "seitas". Nos seminários, faculdades e lições de escola bíblica, há orientações sobre "seitas e heresias", e lá se encontram recomendações quanto a esses grupos cristãos isolacionistas.
Entendo a necessidade e pertinência desses estudos, mas há que se discernir os aspectos fundamentais dos secundários. E compreender que o só fato de um grupo eclesiástico ser diferente, obtuso e exclusivista não significa que seus membros não possam ser salvos por Cristo. Quem salva é Jesus, e não o corpo de doutrinas.
Tenho dificuldade com classificações de seitas que não leve em consideração todas as características de um grupo sectário. Para ser seita - e, assim, não ser Igreja - o grupo deve conter em si os seguintes elementos:
a) questionar a Doutrina de Deus, a Doutrina de Cristo, a Doutrina do Espírito Santo ou a Doutrina da Trindade;
b) definir-se como o único povo de Deus, fora do qual não há Salvação;
c) basear-se em livros ou revelações estranhas à Bíblia;
d) guiar-se por um líder em especial;
e) ensinar um meio de Salvação que pretende ser complementar ou substituto da morte de Cristo.
É assim que entendo a definição de uma seita. Se uma igreja cristã acredita nas doutrinas fundamentais da Ortodoxia, mas, por algum legalismo ou interpretação literalista das Escrituras, adota costumes "puritanos", nem por isso deverá ser considerada uma seita. Se há entre esses crentes algum tipo de exclusivismo, talvez isso decorra de sua ignorância da essência da Palavra de Deus. Poderão ser considerados tacanhos, mas dizer que são propagadores de heresias já me parece um rigor demasiado.
Devemos ter muito apreço pela Sã Doutrina, é evidente. Todavia, se os crentes se baseiam nas doutrinas fundamentais e desconsideram coisas secundárias, ou criam coisas secundárias, não se pode acusá-los de heterodoxia. Tudo depende do caso concreto. Neste texto temos apenas algumas balizas.
Os recabitas eram crentes. Tinham suas "esquisitices", mas eram crentes. Deus os reconheceu.
Há "recabitas" entre nós ou ao nosso lado. Tenhamos paciência com eles.

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Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.