sábado, 25 de setembro de 2010

O pensamento abortado de Dilma Rousseff sobre o aborto

Nesta semana, no debate com os presidenciáveis promovido pela CNBB, a candidata Dilma Rousseff abortou seu próprio pensamento sobre o aborto, metáfora que utilizo para afirmar que ela simplesmente escamoteou o que pensa, o que o PT pensa e o que seu governo pensa.
No debate, com a clareza de raciocínio que lhe é característica, Dilma Rousseff disse ser contrária ao aborto, para logo depois vacilar, dizendo que não sabe se acha que o aborto poderia ser permitido além das exceções previstas no Código Penal (risco de vida da mulher e gestação decorrente de estupro). Além disso, saiu-se com aquela tese petista de que aborto é questão de saúde da mulher. Foi tudo mera tergiversação, para não falar claramente que, sim, defende a legalização do aborto.
Reinaldo Azevedo aponta, em seu blog, dois momentos em que Dilma Rousseff mostrou o que de fato pensa sobre o aborto: a) em 2009, em entrevista à Marie Claire, disse ser favorável à legalização do aborto; b) recentemente, ajudou a produzir o Programa Nacional de Direitos Humanos III, que propõe a legalização do aborto; c) já defendera esse ponto de vista numa sabatina da Folha de S. Paulo em 2007.
Se for eleita, e com provável maioria no Congresso, Dilma Rousseff não terá dificuldade em aprovar o aborto, com a bênção de Edir Macedo, que concorda com o aborto, numa interpretação bíblica horrível - como sói acontecer com todas as suas interpretações bíblicas.
Seria muito mais honesto se Dilma Rousseff dissesse com todas as letras: "Defendo a legalização do aborto". Assim ela daria aos eleitores uma palavra decisiva sobre o que entende ser melhor para a mulher, para o feto e, enfim, para a sociedade.
Querem saber de uma coisa? Numa era repleta de informações e com anticoncepcionais à vontade, nem mesmo o argumento pragmático justificaria a descriminação (ou descriminalização) do aborto. É um absurdo que se entenda o feto como simples extensão do corpo da mulher, quando a biologia está cansada de ensinar que se trata de outra vida.
Receio que esse não seja o único tema em que Dilma Rousseff diz uma coisa e pensa outra, completamente diferente. E sua eleição poderá ser uma terrível guinada para um mundo de surpresas anunciadas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Manifesto pela democracia

Acaba de ser lançado o Manifesto em Defesa da Democracia, texto assinado por cientistas políticos, juristas e artistas contra a onda de ataques à liberdade de imprensa, ao Estado de Direito e à democracia por parte de Lula, de seu partido e do governo. Hélio Bicudo, Marco Antônio Villa, Carlos Velloso, Bóris Fausto e Mauro Mendonça são alguns dos que assinaram o documento até agora.
Haverá, segundo o jornal O Estado de São Paulo, um ato público na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco ao meio-dia de hoje, 22 de setembro.
É uma excelente e oportuna manifestação, a que dou meu apoio como cidadão brasileiro. Vejamos o texto na íntegra:

"Se Liga Brasil
MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há "depois do expediente" para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A esperança cristã é real e não constitui uma fuga da realidade OU Minha esperança como crente nestas eleições

Como cristão, conto com a esperança, uma das virtudes fundamentais, ao lado do amor e da fé. Não podemos ser cristãos e ao mesmo tempo desesperados. Não podemos criar uma "teologia da desesperança". Por causa da ressurreição de Cristo, temos o que Paulo chamou de "bendita esperança". Ela não depende de circunstâncias, nem de conjunturas econômicas, sociais ou políticas. Tudo pode ir de mal a pior, mas ainda assim a Igreja cultiva o esperar em Deus.
Esperança não é fugir da realidade. Quanto mais conheço a vida, mais sinto a necessidade de esperar o cumprimento das promessas do SENHOR. Vejo que a Bíblia se cumpre a seu tempo, e que nenhuma filosofia, conceito ou política consegue oferecer o sentido que encontrei no Evangelho. Nada vi na Palavra de Deus que tenha sido comprovadamente achado falho. Toda a minha esperança decorre da perfeição das Escrituras, tanto em sua ausência de erros como na força da mensagem da Cruz.
Dito isso, afirmo a minha certeza de que Deus não desamparará o Seu povo, seja qual for o próximo presidente, e sejam quais forem os demais representantes eleitos agora em 2010. Meu hábito de ler jornais diariamente e de acompanhar de perto as notícias sobre política me deixa informado de quantas coisas ruins se anunciam na seara político-institucional, e tenho escrito aqui sobre isso. Todavia, essa é a dimensão terrestre, em que enxergamos de maneira nebulosa, ainda. Sei que precisamos refletir e combater o bom combate, mas que há um Deus Soberano coordenando a história.
Sim! Diferentemente de Ricardo Gondim, creio que Deus dirige a história segundo Seus propósitos, e nem sou calvinista! Ora, minha esperança cristã faz com que eu tenha tranquilidade para viver a vida que Deus me concedeu, sem descuidar da reflexão e dos necessários questionamentos.
A esperança não combina com aquele tipo de escatologia alienada, que prega o terrorismo apocalíptico e a tese de que tudo vai ficar pior mesmo, e que, portanto, de nada adiantaria lutar pelo aperfeiçoamento da vida em sociedade nem pelo meio ambiente. Essa profecia é autorrealizável: eu não interfiro positivamente no mundo porque sei que ele vai piorar, e o mundo piora porque eu não interfiro positivamente no mundo. Ora, se tudo vai dar errado, espero que eu não tenha contribuído para isso!
Uma questão importante é compreender que a crença nos desígnios de Deus não nos impede de promover o bem. Essa é talvez uma das chaves para entendermos o diálogo entre história e escatologia.
Como deixei claro em outros posts, não sou simpático a Lula, Dilma Rousseff e PT, e gostaria imensamente de que esse grupo deixasse o governo federal. Entretanto, aconteça o que acontecer, tudo está em Deus. Eu só preciso acreditar que Deus não é menor que a minha consciência e capacidade de raciocínio: se fosse menor, eu é que seria deus, e então, só então, eu diria que estamos perdidos.

domingo, 19 de setembro de 2010

A Aliança de Batistas do Brasil e sua defesa escancarada do PT

Conhecem o Reinaldo Azevedo? Pois é. Vou imitá-lo e fazer, como ele, um vermelho e azul para criticar o pronunciamento da Aliança de Batistas do Brasil, que, em resposta certamente ao movimento contra a iniquidade, andou dizendo umas coisas de arrepiar. Vejamos o texto deles em vermelho e meus comentários em azul (com grifos meus):

"A Aliança de Batistas do Brasil vem, por meio deste documento, reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamos um povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.
Ótimo. Então isso quer dizer que essa Aliança de Batistas, e não dos Batistas, como felizmente se propõe, também não pode falar pelos batistas, pois consiste num grupo esquerdista de líderes muito distantes de representar o pensamento batista brasileiro, e muito menos o pensamento evangélico brasileiro. Ao menos isso.
Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas: (1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado; (2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as ideias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.
Vamos lá: esse pessoal se aproveita da tradição democrática dos batistas para transmitir conceitos nada batistas e tampouco evangélicos. Não conheço nenhuma tentativa de demonizar o PT dentre as fileiras evangélicas. E se a Aliança de Batistas não é representativa da "voz batista", como consegue afirmar que a suposta demonização do PT seria "um posicionamento muito pontual e situado"? Quem lhes deu autorização para dizer isso? Quem estaria demonizando o PT?
1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade. Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil. Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?
Perceberam a sutileza? Essa Aliança de Batistas é ecumênica, e num sentido ruim: eles querem o diálogo com tradições religiosas diversas ao fundamento de que o Corpo de Cristo seria "misteriosamente Uno e Diverso". Sei de que mistério se trata... Isso me parece universalismo, e não ecumenismo, que também merece reparos. E vão adiante: criticam a composição do movimento entre evangélicos e católicos como uma coalizão imoral e oportunista, como se somente eles pudessem "dialogar" com os católicos. Esquecem que se cuida de um movimento de conotação política, não fundado em concepções teológicas de aproximação.
2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniquidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?). Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós. Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniquidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniquidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!
Já ouvi esse discurso antes. Sim, é o discurso de Lula e do PT: "Caixa dois é o que se faz sistematicamente no Brasil", disse o presidente para racionalizar e ocultar o esquema do Mensalão. Diante de requerimentos de CPI para apuração de denúncias de corrupção, clamam por uma extensão das investigações até o período de FHC, que, aliás, teria deixado uma "herança maldita" ao governo Lula. E essa história de governo "neoliberal" chega a ser engraçada: o que efetivamente Lula fez de tão novo, que se distancie da política econômica de FHC? Não estão mais ricos os banqueiros e os investidores internacionais? Quais os fundamentos da economia em que Lula mexeu? Qual o avanço econômico e social que não tenha decorrido dos governos anteriores? E qual a solidez desse discurso segundo o qual Lula fez sozinho o combate à iniquidade social? Foi por acaso ele quem criou o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal ou foi ele quem, ao contrário, pregou contra as principais políticas que hoje defende? Ó, Aliança de Batistas do Brasil, defender o PT já é demais; imitar a ladainha dele é pior ainda para quem se considera preocupado com "o rigor da crítica e da autocrítica". Isso é o que segue:
3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados. Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade. Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.
Estou enganado ou essa Aliança de Batistas deseja algum tipo de controle dos meios de comunicação? Espero que não, pois, afinal, eles são democráticos... São batistas! E se não disserem que informações, vídeos, textos e outros recursos foram manipulados, fico imaginando que têm dúvidas sobre os crimes do governo e sobre se o Programa Nacional de Direitos Humanos III diz mesmo que diz. Fico imaginando se eles acreditam mesmo que o PT aprova as FARC, o aborto, o Foro de São Paulo, a lei de homofobia, ou se entendem que tudo não passa de manipulação de textos e imagens.
4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica. Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins, citado por W. Shurden). Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do Estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o Estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.
De modo quase subliminar, o tema desse tópico é a descriminação do aborto, também chamada de "descriminalização" ou "legalização". A Aliança esquerdista batista, sob o pretexto da laicidade do Estado - isso não foi o PT que inventou -, mostra seu desprezo à questão do aborto, tornando-o apenas mais um tema de política, sem atentar sequer para argumentos não-religiosos contrários ao aborto. Deixar essa discussão de lado, como se a Igreja nada tivesse a dizer, é um abuso, uma tergiversação própria de gente ligada ao PT. Na verdade, quem aprova o aborto e não quer dizer isso claramente se sai com essa: "Deixemos para o Estado resolver". Nada teriam os batistas da Aliança de esquerda a dizer sobre o mérito da questão?
5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do Estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da Reforma Agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria. Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”. Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.
Começo pelo final: fim da história quem propõe é a escatologia do PT, como se, em sua mitificação, Lula houvesse descoberto o Brasil em 2003 e tudo houvesse começado por ele, e agora tivesse que ser garantido pela candidata a sucessora, Sra. Dilma Rousseff. A afirmação do início do tópico no sentido de que o PT possui bases populares precisa de um crivo histórico: como diz o sociólogo Demétrio Magnoli, o PT nasceu da conjunção entre sindicalistas, católicos e comunistas. Quem domina hoje o PT? Os católicos? Não. Quem domina é o grupo sindicalista; e o que domina é a lógica de gente como os aloprados de 2006, de gente que gosta de quebrar sigilos e compor dossiês. E não me venham com essa história de substituição da sociedade por um partido. O PT não é uma instituição pública da sociedade brasileira. O PT é apenas um dentre vários partidos, e não um patrimônio a ser tombado. Sobre o peleguismo varguista e o MST, tenho a dizer que me admira esses batistas de esquerda não saberem a) que Lula fez um acordo tácito com os movimentos sociais e com os sindicatos, manietando-os com dinheiro público e partidarização, numa cooptação que jamais contribuirá com os interesses dos pobres e trabalhadores; b) e que o MST é um movimento liderado por profissionais da desobediência civil socialista e organizada, que procura implantar a desordem em nome de uma reforma agrária desconectada com o mundo real.
Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.
Fogueiras da inquisição e ditadura de 1964-1985 são duas figuras muito fortes, não? Demonização do PT também é. Quem está demonizando o PT? Se um membro do partido vota contra as propostas de seus congressos e conferências, não será punido? Olvida-se o compromisso do PT com essas coisas que lhe são atribuídas, por exemplo, pelo movimento contra a iniquidade? E mais: é preciso dizer que a candidata petista, assim como muitos de seus colegas comunistas, não lutaram pela democracia, mas em favor de uma ditadura do proletariado. O que os batistas dessa Aliança dizem sobre isso?
É lamentável que uma entidade dita cristã defenda um partido e um governo como se fosse sua advogada, fazendo supor que se trate, não de uma carta aberta aos evangélicos ou especificamente aos batistas, mas, isto sim, de uma prestação de contas ao PT e seu governo, como a dizer: "Temos 'batista' no nome, mas não somos iguais aos batistas que não pensam como vocês".


A declaração dessa Aliança foi assinada em Maceió/AL, em 10 de setembro deste ano, e subscrita por diversos líderes. Vejamos seus nomes e igrejas:

Pastora Odja Barros Santos – Presidente

Pastores/as batistas membros da Aliança
Pr. Joel Zeferino _ Igreja Batista Nazaré – Salvador (BA)
Pr. Wellington Santos – Igreja Batista do Pinheiro – Maceió (AL)
Pr. Paulo César – Igreja Batista Bultrins – Olinda (PE)
Pr. Paulo Nascimento – Igreja Batista da Forene – Maceió (AL)
Pr. Reginaldo José da Silva – Igreja Batista da Cidade Evangélica dos Órfãos – Bonança (PE)
Pr. Waldir Martins Barbosa – Igreja Batista Esperança – Salvador (BA)
Pr. Silvan dos Santos – Igreja Batista Pinheiros – São Lourenço da Mata (PE)
Pr. Marcos Monteiro – Comunidade de Jesus – Feira de Santana (BA)
Pr. João Carlos Silva de Araujo – Primeira Igreja Batista do Recreio – Rio de Janeiro (RJ)
Pra. Marinilza dos Santos – Igreja Batista Pinheiros – São Lourenço da Mata (PE)
Pr. Adriano Trajano – Chã Preta (AL)
Pr. Pedro Virgilio da Silva Filho – Serrinha (BA)
Pr. Gilmar de Araújo Duarte – Primeira Igreja Batista de Brás de Pina – Rio de Janeiro (RJ)
Pr. Alessandro Rodrigues Rocha – Segunda Igreaja Batista de Petrópolis - Petrópolis (RJ)
Pr. Nilo Tavares Silva – Igreja Batista em Praça do Carmo - Rio de Janeiro (RJ)
Pr. Luis Nascimento – Princeton (New Jersey) – EUA
Pr. Raimundo Barreto – Falls Church (Virginia) – EUA



PS: Retirei o texto do seguinte endereço: http://www.pavablog.com/2010/09/17/eleicoes-2010-pronunciamento-da-alianca-de-batistas-do-brasil/

 







A mensagem do Pr. Paschoal Piragine

Circula na internet um vídeo em que o Pr. Paschoal Piragine, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, fala sobre sua adesão ao movimento cristão contra a iniquidade, cuja preocupação central é o combate a projetos de lei que poderão sair vitoriosos nestas eleições gerais de 2010.
Trata-se, por exemplo, do PLC 122/06 - chamado de "lei da mordaça" -, que busca criminalizar a conduta de crítica ao homossexualismo, e de outros projetos e tendências, como a legalização do aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o infanticídio em tribos indígenas, o apoio ao divórcio. Um vídeo apresentado na palestra do pastor Piragine mostra, além disso, comportamentos como a pornografia, a pedofilia e a violência familiar na condição de fatos frequentes em nossa sociedade.
O pastor cita especificamente o Partido dos Trabalhadores (PT) como aquele que "fechou questão sobre essas questões" e que expulsa filiados que votam contra "qualquer uma dessas leis". Cita ainda o Programa Nacional de Direitos Humanos III, já aprovado pelo governo petista, o qual menciona assuntos insertos no vídeo acima referido.
Tenho uma série de coisas a dizer sobre isso: primeiro, é legítimo o posicionamento de cristãos sobre temas políticos os mais diversos, e não apenas os de cunho sexual, familiar ou que toquem em valores como a vida, a fé e a liberdade.
Segundo, iniquidade não é só aborto, homossexualismo, divórcio por qualquer motivo, pornografia, pedofilia e violência doméstica, mas também injustiça social, corrupção, manipulação de mentes e confusão entre o público e o privado.
Embora pense assim, não vou atacar os irmãos que, como o pastor Piragine, levantam a sua voz política somente quanto a temas ligados à pauta evangélica, pois, para todos os demais assuntos, existem partidos políticos. Quanto a assuntos remanescentes da moral e da ética cristã, quem falará senão a Igreja?
Discordo de algumas nuances desse movimento, e penso na laicidade do Estado como um aspecto que não se pode olvidar. Por exemplo, no que concerne ao casamento gay, sou totalmente contrário - assim como, espero eu, a totalidade dos evangélicos -, pois casamento é uma palavra e um conceito empregado para pessoas de sexos opostos. Entretanto, tenho me inclinado a pensar que, se o Estado é laico, e se duas pessoas, do mesmo sexo ou não, com interesse sexual ou não, constroem uma vida em comum, com investimento de dinheiro e planejamento de vida, é necessário que se lhes assegurem direitos pelo Estado (sucessórios, previdenciários, obrigacionais). Mas isso não significa que eu aceite a agenda homossexual nem que eu concorde com eles em seu estilo de vida. É apenas o reconhecimento de sociedades que de fato existem.
Todos os temas de interesse da Igreja devem ser tratados com argumentos metarreligiosos, pois só assim a sociedade nos ouvirá. Não adianta dizermos que isso ou aquilo não é bíblico. Precisamos mostrar, por exemplo, que o PLC  122/06 fere as liberdades de crença, consciência, expressão e religião; que o aborto é verdadeiro assassinato, porque, in dubio quanto ao começo da vida, deve-se pender para o menor risco à vida do indivíduo; que o infanticídio em tribos indígenas fere direitos fundamentais da pessoa humana, aqueles que nenhuma cultura deve desprezar. Não podemos usar argumentos exclusivamente religiosos, pois ao mundo isso não importa, e é na sociedade que esses temas são debatidos.
De toda maneira, aprecio enormemente que um pastor com trinta anos de ministério use a internet para falar umas verdades de que o Brasil precisa saber. O PT constitui, sim, um problema sério, não somente nessa seara da "moralidade cristã", mas em variados setores, como a liberdade de imprensa, a legalidade, a normalidade das instituições, os bons costumes políticos e a compra de consciências.
No próximo post, vou tratar de um pronunciamento da Aliança de Batistas do Brasil sobre esse movimento que surge contra a iniquidade.


Em time que está ganhando não se mexe?

Uma das características do presidente Luiz Inácio da Silva é abusar de metáforas futebolísticas. Afora a demasiada simplificação de temas sérios e complexos, o que vejo nessa frase em particular é a síntese do pensamento lulo-dilmista que toma conta da campanha eleitoral e dos comentários na internet. Até mesmo temos as coligações estaduais que se apresentam como "o time de Lula", para que o povo entenda, com recurso ao futebol, que os candidatos são afinados com o presidente-cabo eleitoral.

A frase-título desse artigo pode servir a comentaristas de futebol, mas merece reparos na seara política. Primeiro, uma análise conjuntural: o time está ganhando mesmo? Segundo, uma análise filosófica: o que é ganhar?

O time de Lula está ganhando em revisão da história, mistificação do seu líder populista, desrespeito às instituições, compra de votos institucionalizada, consagração da "lei do Gerson", desprezo pelos direitos individuais. Não consigo ver uma reforma importante que tenha sido produzida pelo time de Lula. Eles mudaram o que na educação, na saúde, na segurança, no desenvolvimento econômico, na estabilidade econômica, nos costumes políticos?
Mudanças houve para pior: o time de Lula conseguiu recontar a história de 500 anos do Brasil, descoberto pelo operário do ABC em 2003. Embora o Plano Real já existissse e tivesse sido alvo de críticas de Lula e do PT, o presidente fingiu que tudo o que os governos anteriores fizeram foi lhe deixar uma herança maldita. O mesmo se diga quanto à Lei de Responsabilidade Fiscal, os genéricos, o PROER, a quebra de patentes de remédios contra a AIDS, a luta, na OMC, contra os subsídios americanos, o Bolsa-Escola, que Lula chamava de "bolsa-esmola". O populista conseguiu fazer com que a maioria acreditasse que ele criou o Bolsa-Família, quando este é uma junção de benefícios do odiado FHC. Mais do que isso, Lula piorou o benefício, transformando-o num instrumento de marketing político, como, de resto, são o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. Nem preciso mencionar que Lula lidera uma política externa sofrível, com vergonhosas atuações no caso de Honduras, Cesare Battisti, Bolívia, Cuba, Irã (nos episódios do acordo pelo enriquecimento de urânio e no da afirmação lulista de que é "avacalhação" pedir a revisão da pena de uma mulher condenada ao apedrejamento).

Economicamente, o time de Lula se ufana, mas não diz que o Brasil poderia ter crescido muito mais, dada a onda de crescimento que o mundo viveu em quase todo o período lulista. O bonde passou e nós perdemos.

Sinceramente, não vejo nada na gestão de Luiz Inácio da Silva que possa guindá-lo à posição de estadista, melhor presidente da história etc. Obama deve ter se arrependido muito de tê-lo chamado de "o cara". Depois dessa, Lula se encheu de vaidade e achou que podia fazer qualquer coisa no cenário internacional.

Quanto aos costumes políticos, o time de Lula conseguiu piorar muito com o mensalão, os aloprados, dirceus, valdomiros, quebras de sigilo, e com as alianças desenfreadas que acobertam José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Severino Cavalcanti, e, aqui na Bahia, o carlista César Borges e o anticarlista, mas não menos digno de crítica, Geddel Vieira Lima.

O time de Lula é um assombro. Todo mundo quer dizer que tem alguma coisa com ele. Esse guarda-chuva abriga carlistas, oligarcas, oportunistas, sindicalistas, pseudo-socialistas, um pessoal da pesada. E isso só acontece por causa da popularidade que chega à casa dos 80%.

Agora, a pergunta de cunho filosófico: o que é ganhar? Ganhar é fazer o crescimento do PIB crescer de maneira medíocre? Ganhar é transformar a Receita Federal num lugar em que vazamentos são normais, como quer o Ministro da Fazenda? Ganhar é aumentar o número de bolsas-família, em vez de diminui-los, com a profissionalização dos beneficiários? Ganhar é conseguir que o TSE não veja que o presidente faz campanha com dinheiro e máquina públicos há uns três anos? Ganhar é mentir para a sociedade como se os presidentes anteriores, todos eles, tivessem feito um trabalho pífio?

Estou cansado de ver a justiça e as leis desrespeitadas a todo instante no Brasil, que Lula chama de "este país". Chegamos ao momento em que o time de Lula está aprendendo a gostar do jogo, mas não das regras do jogo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Do pastor que deseja queimar o Corão

O mundo já tem tantos problemas e me aparece um pastor americano dizendo que vai queimar exemplares do Corão no dia 11 de setembro, para mostrar que as coisas andam erradas. Essa figura desconhecida chama-se Terry Jones, e lidera uma igreja sem expressão no Estado da Flórida. Mas, utilizando os meios de comunicação de uma sociedade que ele parece não conhecer, o homem sai do anonimato e consegue chamar a atenção do planeta.
Pronto, está armada a confusão: muçulmanos protestam e queimam a bandeira americana, e clamam contra o pastor ninguém menos que a Secretária de Estado, Hillary Clinton, o comandante das tropas americanas no Afeganistão, Gal. David Petraeus, o Vaticano, a União Europeia, a ONU e lideranças cristãs dos Estados Unidos. Tudo porque o pastor atiçou a possibilidade (real) de uma retaliação explosiva de islâmicos mundo afora.
Quem é esse homem para, do fundo de sua obscuridade, sem representar os evangélicos de seu país, abrir fogo contra uma outra religião? Queimar um livro considerado sagrado é, por acaso, ato de evangelização? Gostaria ele de ver a Bíblia queimada em praça pública?
É de pastores como esse que ninguém precisa. Felizmente, ele representa uma minoria. O problema é que em tempos de tecnologia da informação uma impropriedade absurda como essa (para não usar expressão mais forte) pode custar muitas vidas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A onda lulo-dilmista e o medo que dá

Penso que o Brasil passa por um momento muito delicado politicamente. Vejo que a candidata oficial já ultrapassou, em muito, os demais candidatos e pode vencer em primeiro turno para presidente da República. Há, ainda, outros fatores que me preocupam deveras:

a) a oposição manteve-se praticamente inerte nos dois mandatos de Lula, manifestando-se um pouco em momentos de escândalo;

b) há a possibilidade real de que o Congresso tenha maioria esmagadora de aliados de Lula/Dilma, pois um número expressivo de antigos adversários do PT se aliou ao "time de Lula";

c) pelas contas da Folha de S. Paulo, o Senado poderá ter 25 suplentes, o que - já foi demonstrado por meio de Wellington Salgado (MG) e Paulo Duque (RJ) - não é nada salutar;

d) a mentira grassa nas propagandas do PT e de seus aliados, desde a manipulação de números de programas como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida até a revisão histórica que fazem os petistas, demonizando o governo FHC;

e) vejam, não sou tucano nem fã de quem quer que seja, mas não posso esquecer que o sucesso da estabilidade econômica se deve, não ao governo Lula, mas a Itamar Franco/FHC: Plano Real, Lei de Responsabilidade Fiscal, PROER, reformas do Estado;

f) o governo Lula falta com a verdade ao afirmar que fez o Bolsa-Família, quando este é uma aglutinação, com outro nome, do Bolsa-Escola, Auxílio-Gás, Bolsa-Alimentação e Cartão-Alimentação. Lula chegou a chamar o antigo "Bolsa-Escola" de "Bolsa-Esmola", e disse que esse programa levava à vagabundagem. Hoje, faz dele um método de verdadeira compra de votos de milhões de brasileiros, desvirtuando os princípios do benefício em sua origem;

g) os petistas já lançaram mão do "dossiê dos aloprados" em 2006 e agora há a notícia de que o "grupo de inteligência" da campanha de Dilma Rousseff tinha o plano de contratar dossiê sobre José Serra e pessoas ligadas a ele, além de que servidores da Receita Federal quebraram sigilo de cinco pessoas ligadas ao Serra, incluindo a sua filha Verônica e o vice-presidente do PSDB, sem contar que esses dados foram parar no setor de inteligência da mesma campanha petista! O pior é que Dilma Rousseff acusa a vítima, o presidente Lula faz pouco caso de tudo isso e a Receita tem a coragem de, precipitadamente, dizer que não há interesse político-eleitoral!!!

h) há toda uma pressão contra a liberdade de imprensa, e uma massa de militantes tripudiando de quem discorda do governo. O problema é que muitos dos militantes petistas recebem dinheiro público para falar a favor do governo e falar mal de quem dele discorda, em rádios, jornais e revistas subvencionados pelo Estado, via Secretaria de Comunicação Social, do ex-terrorista Franklin Martins;

i) o Programa Nacional de Direitos Humanos III defende coisas como negociação entre juiz e invasor de terras antes da decisão sobre reintegração de posse e a tal comissão da verdade para ressuscitar crimes só do Regime Militar. Sabemos também que o PT é abortista e que suas conferências defendem absurdos como o "controle social da mídia". Meu receio é que, com a Dilma refém do PT, com o recall da popularidade do Lula e sem oposição de fato, os petistas vão se assanhar para aprovar essas coisas;

j) o já citado Franklin Martins aparece em vídeo de documentário rindo com colegas ex-terroristas e dizendo que poderiam ter matado o embaixador Charles Elbrick caso não fossem liberados seus colegas prisioneiros. Trata-se de um Ministro de Estado!
 
Estou muito preocupado com o futuro do Brasil, que o Lula e muitos por aí só chamam de "este país", como se fosse um país qualquer. Este não é um país qualquer, mas o Brasil, nossa pátria. O Estado de Direito está ameaçado, não sei a que prazo, mas está. É claro que não podemos nos tornar uma Venezuela chavista, já que a nossa sociedade e nossa história são bem diferentes de tudo o que precedeu a ascensão de Chávez ao poder, mas isso não pode nos fazer acreditar que as liberdades públicas estejam sem nenhuma ameaça. Guardadas as devidas proporções, entendo que, assim que puderem, esses adeptos de uma "velha esquerda", para usar uma expressão de Arnaldo Jabor, quererão retirar nossas liberdades em cada flanco em que isso for possível.

Mais uma coisa: procurem no google o site do Instituto Millenium, que tem um ciclo de mesas redondas sobre Liberdade de expressão e Estado de Direito, temas dessa natureza. Há falas de pessoas como Demétrio Magnoli (excelente sociólogo), Reinaldo Azevedo (excelente blogueiro da revista Veja), o próprio Arnaldo Jabor, Roberto Romano (filósofo e professor de ética da Unicamp ), Marcelo Madureira e outros. O Instituto parece ser um refúgio de boas ideias.
 
Que isso tem a ver com este blog? Tem tudo a ver. Sou um cidadão e professo a fé em Cristo, de maneira que não posso me furtar a comentar coisas que efetivamente me preocupam na seara da justiça, da ética, da legalidade. Estamos num período em que uma onda lulo-dilmista toma conta do Brasil, não por motivos legítimos, mas por uma conjunção de fatores que não combinam com uma democracia sólida: compra de votos institucionalizada no Bolsa-Família, populismo, uso da máquina pública e violações a liberdades fundamentais.
Quem é cristão e não se assusta com esse estado de coisas deveria pensar sobre isso. 

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.