quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Paradoxo no Rio: o sucesso da Segurança Pública produz maior violência!

A mistificação faz parte da política de Lula e de Sérgio Cabral. No auge da crise aérea, Guido Mantega, Ministro da Fazenda, atribuiu o caos à prosperidade econômica. Agora, o governador fluminense diz que a onda de arrastões e queima de carros e ônibus se deve ao sucesso de suas Unidades de Polícia Pacificadora!
Nunca vi nada igual. É como se o Ministro da Saúde dissesse que o aumento do número de mortes por dengue hemorrágica fosse resultado do sucesso da política de combate ao mosquito, ou como se o Ministro da Fazenda dissesse que o desemprego e a inflação resultassem do sucesso da política macroeconômica!
Não sou especialista no assunto, mas me vem a impressão de que as UPP´s não têm por objetivo o combate ao tráfico, mas tão-somente à imagem de que o tráfico existe. Assim, o governo estadual do Rio de Janeiro parece não se preocupar com a existência do comércio de drogas, mas com a péssima imagem de traficantes portando armas pesadas nas favelas cariocas próximas dos cartões-postais. É isso?
Isso me lembra o problema do Estado secularizado, que não se perturba com os dilemas individuais. Se o camarada é "maconheiro", o Estado secularizado não se preocupa, desde que isso só lhe diga respeito. Se existe uma venda sistemática de drogas lá no morro ou a domicílio para os das classes abastadas, pouco importa para quem só quer combater a violência urbana.
A pacificação carioca está parecendo conciliação: o tráfico se contenta em não ostentar armas e não confrontar a polícia, que por sua vez se limita a "morar" nas "comunidades" e fazer um papel de boa convivência. Dessa forma, todo mundo fica feliz, o usuário, o traficante, o governo e a população. Mas, como o "sistema" (vide Tropa de Elite 2) é furado, quem ficou de fora não tarda a se manifestar: justamente aqueles traficantes desempregados que não precisam mais barrar a polícia nos morros. Preciso dar o devido crédito e registrar que meu raciocínio se baseia, em grande medida, no que escreve Reinaldo Azevedo em seu blog.
Mas, voltando ao Estado secularizado, lembro inevitavelmente do Livro de Juízes, que repete a lição de que "naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que lhe parecia reto". Ora, esse é o relativismo moral em que nos encontramos. Se a sociedade acredita que cada um pode fazer o que lhe apraz, desde que não pratique violência, é a isso que se chega: uma sociedade adoecida, comandada pelo tráfico, com uma juventude morrendo aos poucos por causa das drogas.
A própria política de despenalização do uso de drogas deve ser repensada, porque o usuário contribui para a violência. Se ele hoje precisa de ajuda, deve ser ajudado, mas ninguém o obrigou a lançar mão do expediente, e existem informações sobejas quanto aos prejuízos causados pelos entorpecentes.
Aliás, uma das bandeiras do esquerdismo é defender a flexibilização das regras do jogo. Não gostaria de ver onde isso vai parar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os gays ativistas querem calar Augustus Nicodemus Lopes e a Igreja Presbiteriana

Ao acessar o blog de Reinaldo Azevedo hoje pela manhã, deparei com um post sobre a nova investida gay contra a liberdade de consciência e de expressão: devido à publicação, no portal da Mackenzie, de um manifesto presbiteriano sobre a lei da "homofobia" (PLC 122/06), convocou-se na internet um ato de protesto em frente à Universidade. É a patrulha gay fazendo barulho. Visitem o blog e leiam o excelente artigo do brilhante Reinaldo Azevedo.
Pesquisando no site da Mackenzie e acessando dentro dele o portal da Igreja Presbiteriana, li o manifesto, assinado pelo presidente do Supremo Concílio daquela Igreja, Rev. Roberto Brasileiro. O que havia feito o Rev. Nicodemus Lopes, chanceler da Mackenzie? Simplesmente havia publicado o manifesto em outro espaço, com uma introdução de sua lavra. Foi o suficiente para incendiar o movimento homossexual. Note-se que o reverendo esclarece tratar-se de orientação à comunidade acadêmica sobre o que pensa a Associada Vitalícia sobre o tema - a Igreja Presbiteriana é a Associada Vitalícia -, mas o Estadao.com publicou que se tratava de orientação à comunidade acadêmica contra o projeto de lei. Veja, então, como jornalistas podem perverter as coisas (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,protesto-contra-lider-religioso-do-mackenzie-e-marcado-na-internet,641214,0.htm).
Na Folha de hoje, um leitor diz que o chanceler da Mackenzie agiu "do alto de sua extrema ignorância". Começou, assim, o combate a Augustus Nicodemus, um homem sério, honesto, preparado e consciente, de quem tenho a honra de ser aluno num curso à distância.
Não vou admitir jamais que mordaças sejam impostas à minha liberdade de expressão. Abaixo, há o texto do reverendo na íntegra, o qual, infelizmente, saiu do ar no dia 18 de novembro, dada a polêmica. O protesto dos defensores da mordaça gay ocorrerá no dia 24.
É uma pena que o certo vire errado e o errado vire certo. Mas esse é o fim dos tempos.


"Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia

Leitura: Salmo

O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.
Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:
"Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.
Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, "desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher" (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).
A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.
Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo".
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes

Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie"











segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O deus do "eu" nas canções evangélicas de hoje

Creio que sou observador demais, ou, então, a maioria das pessoas deve ser observadora de menos. Como pode pregarmos tanto sobre a necessidade de proclamação do Evangelho cristocêntrico e, sem embargo disso, persistirem os hinos ao ego?
São inúmeras as canções de suposto "louvor" que, na realidade, louvam ao indivíduo que canta. E não se trata de louvor ao homem, à humanidade - o que seria antropocentrismo e humanismo -, mas de louvor a si mesmo, um traço da pós-modernidade. Enquanto o modernismo louvava o homem, o pós-modernismo louva a cada homem. Ambos erram. Devemos adorar somente a Deus, em Cristo.
Em vez de um "Tu és fiel" (Hino 535 da Harpa Cristã), muitas pessoas evangélicas têm preferido proclamar seus sonhos e desejos de vitória, até mesmo emulando aqueles desabafos mais fortes do salmista, quando ele desejava o mal a seus inimigos. É claro que não se diz isso, mas a vontade do "adorador" parece ser a de prevalecer sobre aqueles que um dia duvidaram dele ou o criticaram. Um exemplo disso é a canção "Sabor de Mel", que não vejo como louvor a Deus, mas como uma declaração de guerra contra desafetos - e que me desculpem os que a apreciam, mas este é um texto para edificação.
Frases inofensivas como "Deus é fiel" passam a conter toda uma teologia mercantilista segundo a qual Deus, por sua fidelidade, seria obrigado a cumprir Suas promessas. Fidelidade deixa de ser atribudo moral e comunicável de Deus para ser uma lei cósmica que obriga o Criador a fazer o que supostamente disse que faria pelo indivíduo. Promessas passam a ser dívidas. A Graça de Deus cede lugar à "legalidade", ao "direito", à "reivindicação" e à "restituição". Uma simples frase como "Deus é fiel", embora bíblica, pode esconder toda uma teologia triunfalista e diabólica. Parece estranho?
Ora, o Diabo imita as coisas do SENHOR, e não nos persegue com cara de monstro. Ele parece, se quiser, um anjo de luz, como escreveu Paulo em II Co 11.14.
Comece a prestar atenção na hinologia de sua igreja, o que se canta nos cultos. Compare com o ensino da escola dominical -especialmente com as Lições Bíblicas, para quem é assembleiano. Repare nos detalhes. Observe se há fundamento bíblico. Examine o que canta e o que ouve.
Receio que nossa pregação não esteja surtindo muito efeito.

Grande batismo da Assembleia de Deus em Salvador na Praia da Ribeira

Hoje tivemos a honra e a alegria de assistir ao batismo nas águas realizado pela Assembleia de Deus em Salvador (ADESAL) ocorrido no mar da Ribeira, justamente o bairro onde moro com a minha família. Quase duas mil pessoas desceram às águas batismais. Uma multidão estava presente, "tantos como a areia da praia, tantos como a areia do mar", do jeito que diz o Hino 509 da Harpa Cristã.
Foram convocados 60 presbíteros para organizar as filas e 300 diáconos para fazer um cordão de isolamento, formando uma espécie de "tanque". Não sei quantos pastores e evangelistas havia. Foi uma festa bonita, tudo com autorização da União e da Prefeitura de Salvador, assim como a devida comunicação à empresa que organiza o trânsito na cidade, já que haveria um desfile desde o Largo do Papagaio até o trecho da praia onde aconteceria o batismo.
O Nome do SENHOR deve ser glorificado por isso!!! São quase duas mil pessoas que se declaram novas criaturas, e que, na contra-corrente do mundo, reconhecem em Jesus o seu Salvador.
O presidente da ADESAL é o pastor Israel Alves Ferreira, que também preside a CONFRAMADEB (Convenção Fraternal dos Ministros da Assembleia de Deus na Bahia).
Seguem as fotos que eu e minha esposa tiramos, e que não dão a dimensão exata da quantidade de pessoas que ali estava:












quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cadê a fúria dos estudantes do Brasil? Ou, Lula deve ser mesmo inimputável

Desde criança, ouvia minha mãe cantarolar: "Estudante do Brasil/sua missão é a maior missão/batalhar pela verdade/impor a tua geração". Creio que ela cantava os dois últimos versos de maneira diferente, mas a canção era essa. Lembrei disso para dizer que não sei onde se refugiou a fúria dos estudantes brasileiros, aqueles bravos que um dia saíram às ruas, em 1992, para gritar Fora Collor (eu estava lá, sem cara pintada, mas ao mesmo som de Alegria, Alegria), ou que protestavam contra a ditadura militar de 1964 a 1985. Cadê os meninos? Cadê aquele sentimento combativo - que não raro exagera?
Ora, acabo de ver e ouvir o presidente Lula dizer que "o ENEM foi um sucesso absoluto". Essa frase não é um insulto a todos os estudantes brasileiros, ou aos estudantes secundaristas, ou, ao menos, aos estudantes que fizeram o ENEM? Sucesso absoluto? Meu Deus!!!
Mas Lula pode tudo. Como diz o brilhante Reinaldo Azevedo, Lula deve ser inimputável. Nada pega nele, nada acontece com ele. Lula fala as coisas mais absurdas e ninguém o critica seriamente, não há uma ação civil ou penal para chamá-lo à consciência. É claro que estou excluindo as indolores multas eleitorais...A Oposição no Brasil está sofrível, fraquíssima, as instituições têm sido vilipendiadas todos os dias, a máquina pública foi usada flagrantemente em favor de uma candidata sem nome, e nada acontece a esse senhor! Em que país estamos?Ah, sei, Renato Russo já perguntou mais ou menos isso.
Tomo a liberdade de mais uma vez citar Reinaldo Azevedo, pois concordo com ele e pensei a mesma coisa: e se, em vez do Governo Lula, tivéssemos o Governo FHC, Serra ou Alckmin? O que os petistas estariam fazendo? O que a UNE estaria fazendo? O que haveria nas ruas? Qual balbúrdia não se teria instalado, e quantas teorias conspiratórias não teriam sido forjadas, incluindo críticas generalizadas ao próprio Exame?
Não precisamos de balbúrdia. Precisamos de questionamento, crítica, independência, combatividade. O PSDB perdeu a eleição quando se escusou de aprender o que significa fazer oposição e mobilizar as massas. E que se entenda o que eu escrevo, pois os petistas gostam de confundir: quando são os petistas a criticar, é direito de participação popular; quando são grupos adversários, é golpe. Defendo apenas o exercício da democracia.
Junte-se as bobagens do ENEM ao caso do Banco PanAmericano e temos dois exemplos claros do que é esse Governo. E o problema do ENEM já é de reiteração, de falta de demissão, de incompetência, de quebra do princípio administrativo da eficiência.
Cadê o pessoal bem informado? Onde estão meus diletos amigos, colegas, companheiros de época, de formação e de letras? Por que esse senhor Lula diz o que quer, faz o que quer, provoca como lhe apraz, e ninguém o chama à responsabilidade?



Serviço: o hino referido chama-se Estudante do Brasil, com letra de P. Barbosa e A. Taranto, e música de Raul Roulien. Segue:



Estudante do Brasil!

Tua missão é a maior missão:

Batalhar pela verdade,

Impor a tua geração!


Estribilho

Marchar, marchar para a frente!

Lutar incessantemente!

A vida iluminar, Idéias avançar!


E, assim, tornar bem maior,

Com todo ardor juvenil:

A Raça, o Ouro, o esplendor

Do nosso imenso Brasil!


Estudante do Brasil,

Orgulho da Nação, tu hás de ser!

O Brasil almeja, ansioso,

Que cumpras sempre o teu dever.
 
(Fonte: http://ezequiaslosso.blogspot.com/2008/02/hino-do-estudante-do-brasil.html)

sábado, 6 de novembro de 2010

A Graça de Deus na história de Rute

Ontem li para a minha filha a história de Rute. Enquanto lia, algo me veio à mente: embora Orfa não tenha decidido viajar com a sogra Noemi, o texto bíblico não a retrata como uma vilã ou persona non grata. Na realidade, Orfa não tinha a menor obrigação de ir morar com sua sogra numa terra estranha, pois, apesar de todas as dificuldades, ela era moabita, e seu esposo já havia morrido. Noemi não tinha nada a lhe oferecer, e não havia obrigação, nem mesmo moral, que as prendesse uma à outra.
Aqui é que eu vejo a Graça do SENHOR. Rute, a outra nora, também moabita, resolveu ir com a sua sogra à terra de Judá, proferindo a célebre frase "o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus".
Rute amava Noemi, e sua decisão de ir para Judá nada tinha que ver com cálculos em torno do que poderia ganhar com aquilo. Ela simplesmente teve amor e fé. O Livro que leva seu nome nos mostra que tanto Rute como Noemi foram recompensadas de maneira maravilhosa: Rute casou-se com o fazendeiro Boaz, parente remidor de Noemi, a quem cabia resgatar a propriedade perdida na época da fome. E Noemi voltou a sorrir. Além disso, Noemi se tornou bisavó do maior líder de Israel, o rei Davi! Por conseguinte, uma moabita entrou para a genealogia de Jesus, como se vê em Mt 1.
Nada disso teria ocorrido sem a atitude graciosa de Rute em favor de sua sogra. Se atentarmos para esse relato, veremos que Deus comandava todas as coisas. Em atitudes aparentemente simples, tomadas por nós, Deus pode estar agindo, pensando "lá na frente".
Graça não rima com obrigação. Deus não tem absolutamente nenhum dever em nos abençoar. Pode parecer estranho para a nossa mentalidade mercantilista, e um soco em nosso orgulho, mas a verdade é que Deus agiu como Rute: mesmo de graça, sem explicação, resolveu enviar Seu Filho a este mundo, para morrer e ressustitar pelos nossos pecados. Isso é graça!
Se você, eventual leitor ou leitora, não aceitar a graça de Cristo, jamais desfrutará das bênçãos imprevisíveis que Deus tem para lhe oferecer. É de graça mesmo. Basta aceitar com humildade.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um pouco sobre Paulo

Na disciplina Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, que sigo estudando no Curso de Especialização em Estudos Teológicos (CPAJ/Mackenzie), temos uma perspectiva reformada, conservadora. Gosto disso. O professor, Dr. Augustus Nicodemus Lopes, faz questão de enfatizar seu combate ao Liberalismo ou Modernismo Teológico. Seja nos textos indicados, seja em suas participações nos fóruns de discussão, o reverendo presbiteriano costuma defender princípios reformados de maneira firme e balizada.
Começamos estudando sobre a biografia de Paulo, sua cultura, viagens, experiências, influências. Lemos um texto de J.I.Packer, para quem Paulo era um homem de três mundos: judaico, romano e grego. Vimos que, apesar disso, o que mais influenciou o apóstolo foi o Judaísmo da Dispersão, sem contaminações helenísticas ou gnósticas. Ele também estudou com o mestre Gamaliel, neto do célebre Hilel, um dos mais importantes rabinos de toda a história. Hilel foi o líder de uma corrente rabínica mais liberal - que, pelo que lembro de leitura anterior, "rivalizava" com a corrente do rabino Shammai, incluindo a questão do divórcio.
O apóstolo Paulo foi um homem admirável: teólogo, missionário, pastor, fazedor de tendas, coletor de ajuda para cristãos mais pobres. Não tinha um temperamento muito fácil, eu acredito, mas foi controlado por Deus. De perseguidor passou a perseguido. De fariseu zeloso passou a cristão amoroso.
Paulo é o exemplo clássico de que a erudição pode e deve ser empregada no serviço do Mestre. Conhecia de direito, filosofia, poesia, grego, hebraico, Septuaginta, e submeteu todo o seu conhecimento a Cristo. Septuaginta era a tradução das Escrituras Hebraicas, nosso Antigo Testamento, para o grego, feita por 72 judeus cultos em Alexandria. Foi essa versão que Paulo conheceu e usou em sua formação e elaboração das Epístolas.
Os escritos paulinos não seguem uma linha sistemática, e é por isso que não tratam de todos os assuntos éticos e teológicos. Ele não era autor de teologia sistemática. Ora, sistemáticos somos nós, os ocidentais, e naquela época não existia esse tipo de teologia! Paulo escrevia de maneira responsiva, a partir de problemas morais e dúvidas doutrinárias das igrejas. Bem por isso, não se deve dizer que determinado tema não é importante só porque Paulo não mencionou. E talvez devamos nos socorrer de Lucas-Atos, porque o "médico amado" o acompanhou, e certamente se abeberou muito de sua teologia.
De acordo com Augustus Nicodemus, o mitte (centro, em alemão) da teologia paulina seria a inauguração de uma nova etapa escatológica com a morte e ressurreição de Cristo. O Filho de Deus iniciou uma nova era na história universal. E J. Christian Beker sugeriu o binômio coerência-contingência para explicar os escritos de Paulo: alguns temas são mantidos no centro, enquanto outros ocorrem devido às circunstâncias.
Essa tese de que Paulo não era sistemático ajuda muito, pois, primeiro, evitamos empurrar nosso próprio sistema para o apóstolo; segundo, podemos aceitar que outros temas sejam igualmente importantes, ainda que não tratados por ele. Existe, afinal, uma teologia fora de Paulo, com Pedro, Tiago, João, Judas e Hebreus.
Com suas sentenças longas e mudanças rápidas de pensamento, Paulo oferece-nos alguma dificuldade, como o próprio Pedro reconheceu (II Pe 3.15,16). Mas essa deve ser um dos estímulos teológicos e intelectuais para nós, que nos ressentimos de viver na era da mediocridade.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que venceu nesta eleição?

Dilma Rousseff, a ungida de Lula, foi eleita presidente da República. Houve uma dianteira de cerca de 12 pontos, menor que as vitórias de seu mestre em 2002 e 2006; e menor também que a avassaladora e inebriante - para alguns - popularidade do torneiro mecânico-sindicalista-palanqueiro. Isso mostra que nem todo mundo que aprova Lula caiu em sua conversa. E mostra, ainda, que existem cerca de 43 milhões de pessoas para as quais o uso da máquina pública, da mistificação, da idolatria lulista e da república sindical não fez efeito - não quero dizer que todo mundo que votou em Dilma se deixou levar por isso , mas que aqueles que não votaram com certeza não se deixaram levar!
Fiquei triste, confesso. Nos últimos meses, acompanhei cada passo da campanha eleitoral. Lia jornais todos os dias. Cheguei a escrever aqui no blog, que, como registrado no topo, tem seu espaço dedicado à teologia, política, cultura e generalidades. Dialoguei com amigos, colegas de trabalho, irmãos da igreja. Admito ter me excedido em alguns momentos, algo que meus amigos bem compreenderam. Política faz isso com a gente. Além de meu próprio temperamento, creio que isso pode ser explicado com a grande indignação que sinto em meu coração. Grande indignação de verdade.
O que venceu no dia 31 de outubro? Dirão os petistas e simpatizantes que venceu a mulher, que venceu a inclusão social, que venceu o brio diante das grandes potências, que venceu a figura imbatível do Lula, que venceu o consumo, que venceu o crédito, que venceu o "projeto" de manutenção do patrimônio público nacional. Pode ser, mas não foi só isso.
Venceu também o uso descarado da máquina pública, das estatais, das viagens e palanques oficiais, do dinheiro investido em rádios, blogs, jornais e revistas aliadas. Venceu a revisão histórica, que atribuiu a Lula tudo o que há de bom e a FHC tudo o que há de ruim; venceu a mentira, a hipocrisia, o engano, a bajulação, a corrupção, a formação de grandes conglomerados empresariais com financiamento público, a elaboração de dossiês, a quebra de sigilos fiscais de adversários políticos. Venceu a aliança desmesurada com as mesmas oligarquias de sempre, e que contam com os Sarney do Maranhão, com os Collors e Calheiros das Alagoas, com Jader Barbalho do Pará. Venceu a violação diuturna da Constituição e das leis. Venceu a candidata do presidente que chamou a Vice-Procuradora-Geral Eleitoral, Dra. Sandra Cureau, de "uma procuradora qualquer", só porque ela cumpria a sua função institucional - e como é necessário que outros a imitem!!! Venceu o compadrio, o rolo compressor do bolsa-família, dos benefícios financeiros federais. Venceu o que há de mais sórdido na política brasileira, como diz Lula, "há 500 anos". Venceu uma imprensa chapa-branca, que vai além da Record e da TV Brasil, para alcançar alguns jornalistas como o sr. Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo. Enfim, remanesce no Brasil o mesmo patrimonialismo de todos os tempos. Apenas os atores mudaram.
Quem governará com Dilma? Os sindicalistas do ABC, os oligarcas, os empresários beneficiados pelo BNDES, o MST, os petistas infiltrados no Estado, o mesmo pessoal dos dossiês. São esses os apoiadores de Dilma, com José Dirceu nos bastidores do partido e da militânca e Antonio Palocci para acalmar os fantasmas do mercado - aquele mesmo que o STF considerou não ser comprovadamente o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Sempre que penso nessa vitória abusiva, lembro de governadores estaduais que perderam seus mandatos por decisão do TSE, por abuso econômico ou abuso político. Certamente os ilustres e elevados ministros do TSE quererão nos convencer de que aquele senhor do Maranhão, o pedetista Jackson Lago, tinha que perder o mandato por abuso de poder político, por ter, entre outras coisas, aproveitado eleitoralmente um palanque oficial do governador José Reinaldo Tavares a fim de influenciar o voto de poucas centenas de pessoas em Caxias. Isso deve ter sido muito pior do que o desmedido uso da máquina pública federal por Lula e Dilma, que não devem ter influenciado milhões de brasileiros de jeito nenhum. Vai ver também Cássio Cunha Lima (PSDB/PB) e Marcelo Miranda (PMDB/TO) mereceram perder os mandatos, mas deve haver alguma lógica jurídica - epa, essa é minha área! - que explique isso aí. Deve haver.
Por fim, este é apenas o desabafo de um eleitor e cidadão brasileiro que não é filiado a nenhum partido político, mas que em alguns momentos nesta eleição chegou a pensar que somente uma filiação partidária lhe daria voz um dia...Em pensar que esses nossos políticos de oposição preferiram elogiar o chefe de Dilma, quando poderiam ecoar consistentemente o sentimento de milhões de brasileiros que não se abaixam a Lula, ainda que ele goze de 200% de aprovação cósmica.

Leiam abaixo um dos melhores e mais corajosos textos que já li sobre a aprovação de Lula - e vem de um não-brasileiro

Os heróicos 3%

Passei meus últimos dias com a cabeça mergulhada no Brasil. As eleições, sim, as eleições: na TV ou nos jornais portugueses, a minha tarefa era explicar aos patrícios o que sucedia desse lado do Atlântico. Li muito. Escutei bastante. Perguntei idem.
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral. Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, "The Economist"), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles!

*João Pereira Coutinho, 34 anos, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha.com.

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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.