segunda-feira, 24 de março de 2008

Sobre nomes de igrejas

Na Internet, li ontem 400 nomes de igrejas, a maioria muito estranhos. Há várias categorias, como os nomes ridículos, os nomes heréticos, os nomes contraditórios e os nomes que exaltam a própria igreja ou seu líder.
Uma das coisas que me chamaram a atenção - e da minha esposa, que estava comigo - foram algumas igrejas que trazem no nome o adjetivo "cósmica". São igrejas que, muito mais do que as mundiais ou internacionais - sobre as quais escrevi numa postagem anterior - querem atingir o universo, o cosmos, o espaço sideral. Essas igrejas daqui a pouco serão chamadas de "interplanetárias", numa pretensa jornada nas estrelas.
Ora, se já existem ensinos relacionados a anjos humanizados que pretendem povoar os planetas, e que se dirigem contra Deus e contra a Bíblia - os chamados "humanóides" - por que achar impossível que surja uma igreja que se autodenomine "interplanetária", dizendo-se vocacionada a alcançar esse seres? É só uma questão de criatividade.

domingo, 23 de março de 2008

Uma estimativa

Pelo jeito que a Igreja evangélica brasileira anda, daqui a alguns anos estaremos evangelizando a nós mesmos. Sim, da mesma forma que precisamos evangelizar cristãos nominais ou "não-praticantes" da Igreja Romana, daqui a pouco evangelizaremos evangélicos.
De fato, há muitas pessoas que se dizem evangélicas, mas não no sentido clássico de alguém que se converteu a Cristo, mudou de vida e se submete a uma liderança pastoral. Hoje é bonito ser evangélico, artistas, políticos e outras pessoas famosas gostam de dizer que são evangélicas ou gospel. Há um mercado musical gospel, um mercado literário gospel e uma moda gospel. A indústria, o setor de serviços e os meios de comunicação de massa já começam a perceber o estilo de vida evangélico, por causa do crescimento desse grupo social. Todos sabem que há uma subcultura, quero dizer, uma cultura evangélica própria, dentro da cultura brasileira. Os comerciantes não querem deixar de ganhar dinheiro.
Com isso, com essa onda gospel, com essa facilidade de ser evangélico e até mesmo pastor, bispo ou apóstolo (!), o número de pessoas não convertidas nas igrejas evangélicas é cada vez maior. Alguém duvida disso?
É lamentável que nosso desejo de ver a Igreja crescendo no Brasil tenha ajudado a produzir um amontoado de práticas espúrias, que favorecem o "inchamento" (crescimento superficial), e não a conquista de almas para o Reino de Deus.
O Pr. Silas Malafaia disse em uma pregação que aqueles que dizem que a Igreja evangélica brasileira não está crescendo são despeitados. Eu, embora respeite muito o Pr. Malafaia, discordo dele. Creio que esse crescimento numérico não reflete o crescimento genuíno. Há um crescimento, eu sei, e não se pode negar que a Igreja de vinte anos atrás mudou muito. Mas é necessário ponderar nosso conceito de crescimento, pois de nada adiantará no futuro se tivermos que sair de porta em porta perguntando aos próprios evangélicos se eles não querem aceitar a Jesus.

O preconceito contra os evangélicos na TV

A Igreja Universal do Reino de Deus tem investido tenazmente contra a Rede Globo (e outros meios de comunicação). Dessa vez, munidos de uma emissora de grande porte (Rede Record), os bispos da Universal têm tentado mostrar que a Globo é preconceituosa quanto aos evangélicos.
Gostaria de fazer uma breve e singela análise do problema, nos seguintes tópicos:
  • É fato que as novelas da Globo geralmente apresentam uma imagem parcial e generalizada dos evangélicos ou seus líderes, como se fossem fanáticos, tacanhos, hipócritas ou ladrões.
  • Vou citar alguns exemplos: a) na novela América, uma personagem recente de Juliana Paes apresentava-se como evangélica, mas mantinha uma vida promíscua; b) o pastor estelionatário vivido por Edson Celulari na minissérie Decadência surgiu bem na época em que Edir Macedo ganhava notoriedade - sem falar na terrível cena da relação sexual dentro do salão da "igreja", focalizando-se a Bíblia etc.; c) agora em Duas Caras, uma mulher com jeito de débil mental, roupa parecida com as usadas por certos segmentos evangélicos, e uma Bíblia nas mãos, liderou uma agressão contra umas pessoas que mantinham um relacionamento amoroso considerado ilícito; d) em Tieta, a personagem de Lília Cabral aderiu a um grupo supostamente evangélico, e ficava falando "salve, aleluia, salve", com um comportamento estranho. Esses são alguns dos muitos casos que poderíamos pesquisar e mencionar.
  • Em contrapartida, espíritas e homossexuais aparecem como bons moços, pessoas bem-resolvidas, que dão conselhos aos outros e conduzem relacionamentos estáveis - enquanto os casais heterossexuais vivem se separando, as duplas de gays vivem sem crises.
  • É certo que existem evangélicos fanáticos, tacanhos, hipócritas e até mesmo ladrões, pessoas que se dizem seguidoras de Cristo, mas que não o são. No entanto, essa não é a regra dentre milhões de pessoas que professam a fé cristã e freqüentam igrejas evangélicas.
  • Pelo contrário, a Globo trabalha com generalizações e estimula, sim, o preconceito, pois usa estereótipos que não condizem com a essência do estilo de vida evangélico.
  • A maioria dos personagens evangélicos em programas da Globo são depreciados, e geralmente se mostram, deturpados, os costumes de alguns grupos, principalmente dos pentecostais, desprezando-se outros setores.
  • A idéia que o público tem ao assistir esse repertório global é a de que os evangélicos são aquilo que está sendo mostrado. Afinal, não é a própria Globo que se orgulha de influir na sociedade ao fazer campanhas em favor de deficientes visuais, excepcionais, idosos e portadores de leucemia? Não é verdadeira a frase de que "novela é coisa séria"? Não seria, pois, uma contradição admitir que novela é importante para a conduta do espectador, e ao mesmo tempo dizer que não é bem assim?
  • Por outro lado, há que se fazer uma ponderação: a) nós evangélicos não tínhamos nada que ficar assistindo novelas e minisséries da Globo, porque são produtos de baixa qualidade moral. Deveríamos fazer um jejum constante desse tipo de programa. O que ocorre é bem esquisito, já que a programação global é muito assistida por milhões de evangélicos, mas a Globo continua demonstrando cabalmente que não os quer como espectadores, pois fala deles como terceiros que merecem ser ridicularizados, como se nem fossem uma parcela importante da população. Com efeito, e graças a Deus, as novelas ainda não são feitas para nós! b) a Igreja Universal sabe ser evangélica quando lhe convém, usando reportagens para praticamente conclamar os evangélicos a uma "guerra santa" contra a Rede Globo, quando ela mesma não se acha tão evangélica assim. Explicando melhor: nos programas de rádio e TV, os bispos e pastores da Universal se referem aos espectadores dessa forma: "Você que é católico, evangélico, espírita ou livre-pensador, venha estar conosco...". Ora, se isso não for uma auto-exclusão do segmento evangélico, o que é então?
  • Penso que não devemos cair no erro de defender a Universal em tudo. Não precisamos ser capitaneados pelo bispo Macedo, se nem eles mesmos se consideram - ou se comportam - como evangélicos, se a sua prática e ensino se divorciam tanto do que as igrejas históricas e pentecostais fazem há décadas ou séculos. Definitivamente, não precisamos dessa liderança, e não podemos nos submeter ao jugo dos poderosos "evangélicos" só para fugirmos do jugo global, ao qual nos sujeitamos por livre vontade.

sábado, 22 de março de 2008

A Igreja do bairro tal em Las Vegas

É impressionante, mas algumas igrejas cuja denominação traz consigo o nome do bairro em que são sediadas acabam mantendo o nome do bairro mesmo quando estão em outras cidades, Estados ou...países.
Sim, isso existe, e eu não quero citar nomes para não constranger os membros dessas igrejas. Ocorre que nomes como Igreja do bairro tal em Las Vegas, que é hipotético, verdadeiramente existem, e soam como um terrível contra-senso, porque essas igrejas são brasileiras.
Ora, essa igreja é localizada no bairro tal e transporta o nome do bairro para outro país, outra cidade ou Estado, como se o nome do bairro fosse tão importante...Mas para esse pessoal o nome do bairro é importante para que todo mundo saiba que se trata deles, que eles chegaram lá, que a missão deu resultados, que é o mesmo grupo.
Em minha concepção, trata-se do apego aferrado a si.

Megalomania - uma doença de hoje

Megalomania é mania de grandeza, e tem sido vista em placas de igrejas por esse Brasil. É o caso de igrejas que, mesmo pequeninas, se dizem "igreja mundial", "igreja internacional".
Às vezes a igreja não passa dos limites do município, mas já é mundial ou internacional. Na placa, vem a explicação de que o templo é a "sede mundial", quando na verdade é o único lugar de culto.
Os pastores - ou quem sabe apóstolos, profetas ou bispos? - dessas igrejas irão dizer que o grupo pode ser pequeno, mas que a "visão" é grande, que Deus os chamou para as nações, que não há fronteiras etc. Esses argumentos são comuns, mas continuam soando para mim como sintomas de megalomania.
A Igreja de Cristo é, sim, universal, mas no sentido de que não conhece barreiras étnicas nem territoriais, sendo formada por pessoas das mais variadas tribos, línguas, povos e nações. Em contrapartida, ela se manifesta em igrejas, que são comunidades locais para adoração, ensino, comunhão e evangelização. Essa pluralidade deve ser louvada, em vez da internacionalização de um grupo hegemônico.
Somente as igrejas com grande poder econômico e de comunicação de massa conseguem alcançar vários países e manter um padrão institucional. Enquanto isso, pequenas igrejas ou seus líderes tentam imitar os "grandes", que "chegaram lá", que exportaram missionários, que constróem templos iguais aos templos daqui, que mantiveram o uniforme denominacional com eficácia.
Não creio que a implantação de igrejas em outros países deva ser impositiva a ponto de desprezar a cultura local e a eventual liderança nativa. Esse, porém, é outro assunto. Estou dizendo que as pequeninas igrejas de rótulo "mundial" e "internacional" dão a impressão de que almejam chegar ao mundo como as igrejas gigantescas fizeram.
Penso que internacional e mundial seja o Reino de Deus, não a minha denominação, que, sendo grande ou pequena, deve se ocupar primeiro dos que estão perto.
Conforme At 1.8, o poder do Espírito seria derramado para que a Igreja fosse testemunha em Jerusalém (missão local), Judéia e Samaria (missão regional) e até aos confins da terra (missão mundial). Depois da perseguição que se aplacou sobre a Igreja com a morte de Estêvão, os crentes saíram evangelizando, em vez de saírem anunciando a expansão do grupo de Jerusalém.
A megalomania é apenas um dos problemas que observo hoje em muitas igrejas. Assuntos relacionados podem ser comentados aqui depois.

A teologia de panfletos (II)

Seguindo nosso breve estudo sobre a teologia de panfletos distribuídos por igrejas neopentecostais para divulgação de seus eventos, tomo agora o caso de outro anúncio, de uma das igrejas neopentecostais mais antigas no Brasil.
Bem no centro do panfleto surge a fotografia do fundador da denominação. Aliás, seu nome aparece em todas as placas da Igreja. Fazem questão de dizer que ele é o fundador. É um homem de importância para os membros da comunidade, embora não apareça na TV nem seja conhecido do grande público.
O velho pregador aparece de jaleco branco, segurando a Bíblia aberta, com um sorriso paternal e "milhares" de muletas, cadeiras de roda e aparelhos ortopédicos atrás de si. Segundo o anúncio, são objetos deixados por pessoas curadas por Jesus "através da oração" desse homem.
Dessa forma, de jaleco branco e tudo, e com a frase de que a "medicina de Deus" vai operar "o milagre em você", a Igreja cujo nome não vou citar - por causa dos "fiéis" - acaba contrastando de algum modo a medicina dita de Deus com a medicina dos homens, como se as duas não fossem igualmente provenientes de Deus.
Sim, tudo o que é bom vem do SENHOR (Tg 1.17). A ciência pertence ao SENHOR (Rm 11.33). Quando consultamos o conhecimento do médico, tomamos um remédio ou nos submetemos a um tratamento ou cirurgia, é Deus quem está operando, não pode haver dúvida quanto a isso.
É Deus quem promove a cura, em qualquer situação, porque a medicina vem d'Ele. Do contrário, estaremos dizendo que o homem pode, sozinho, descobrir a solução de enfermidades, sem a provisão divina em termos de vocação do médico, capacitação, permissão para que haja hospitais, tecnologia e utensílios necessários à cura de doenças. Em última análise, tudo o que é bom vem de Deus, incluindo a inteligência dos homens.
Jesus cura, sim, de modo sobrenatural, e aqui estamos nos referindo aos "dons de curar" (I Co 12.9) e à oração da fé, que cura o enfermo (Tg 5.15). Há curas milagrosas, não tenho dúvidas quanto a isso. A questão é que não posso garantir que haverá curas, nem posso rejeitar a medicina.
Não é curioso que Paulo se fizesse acompanhar em suas viagens missionárias por um médico (Cl 4.14), e que esse mesmo médico tenha sido usado por Deus para escrever o terceiro Evangelho?
Na ilha de Malta, parece que o médico Lucas teve oportunidade de empregar seus conhecimentos médicos, quando diagnosticou no pai de um chefe local um estado de ardente febre e disenteria. De acordo com o Novo Comentário da Bíblia (Edições Vida Nova, V. II, 1963, p. 1148), "Toda a história da permanência do narrador em Malta é contada do ponto de vista de um médico' (Harnack)".
Naquele instante houve cura pelas mãos de Paulo, com oração (At 28.7,8-9), mas também há um indício lingüístico de que Lucas tratou dos moradores da ilha no sentido terapêutico, de tratamento médico mesmo (At 28.9). Então, Paulo curou segundo a "medicina de Deus", como quer a teologia do panfleto mencionado, e Lucas curou pela "medicina dos homens". Tudo bem.
Devemos analisar as coisas com muito cuidado. Essa tendência de refutar o conhecimento científico é uma das características de movimentos que não possuem uma boa teologia da Criação, e que espiritualizam a vida.

A teologia de panfletos (I)

Estou pensando em colecionar esses panfletos distribuídos por igrejas neopentecostais quando querem divulgar eventos. Já estou com dois panfletos muito interessantes. Posso até utilizá-los numa pesquisa teológica, não?
O primeiro deles promove uma "cruzada de milagres". Acho muito curioso o uso da palavra "cruzada", pois bem sabemos que as cruzadas foram investidas militares da Igreja Romana contra os muçulmanos na chamada "Terra Santa", nos tempos recuados da Idade Média. O objetivo era conquista territorial, vendido, porém, como guerra santa, guerra religiosa. De toda maneira, o vocábulo é usado largamente na seara evangélica, como nessas cruzadas evangelísticas que muitas igrejas fazem pelo Brasil, ou nas famosas cruzadas de Billy Graham, de Bernard Johnson, por exemplo.
Mas é uma cruzada de milagres. Esse é o atrativo, haverá coisas extraordinárias acontecendo, fenômenos que desafiam as leis naturais. Pessoas irão atrás de milagres. Geralmente, essas pessoas já freqüentam alguma igreja evangélica. Logo, os milagres serão um atrativo para os próprios crentes.
O mesmo anúncio oferece cura, como quem oferece qualquer produto ou serviço. Diz assim: "Venha receber sua cura". É certo e seguro, não há riscos.
O panfleto ainda traz duas outras informações: o pregador é usado em "revelações"; e nesses dias de evento "você vai descobrir o que está errado em sua vida". Essas duas propostas merecem alguns comentários.
Como membro de Igreja pentecostal, eu creio em dons espirituais do tipo carismático. Creio em profecias, glossolalia com interpretação, palavra do conhecimento, palavra da sabedoria, enfim, nos dons de verbalização e em todos os outros, como os dons de curar e a operação de milagres. Assim, não tenho problemas em crer na revelação como comunicação particular e direta de uma palavra concedida pela atuação do Espírito na igreja. Mas precisamos ter cuidado em todas as coisas.
O apóstolo Paulo afirma em I Co 14.26:
"Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina, este traz revelação, aquele outra língua, e ainda outro interpretação. Seja tudo feito para edificação" (grifei).
Creio que a revelação de que Paulo está cogitando é relacionada à palavra de conhecimento, como quando um servo de Deus se levanta na reunião e começa a dizer coisas acerca de um dos presentes, mas sempre para edificação, jamais como adivinhação nem fonte de constrangimento. Não se trata, nem de longe, da Revelação que os apóstolos e profetas receberam para escrever os Livros bíblicos, pois esta já cessou. Estamos mencionando a revelação como dom no curso do culto público.
E é isso que quero destacar: Paulo diz "quando vos reunis", e não "para que vós alcanceis visitantes". Os dons no culto público não servem como chamariz de platéia, mas de manifestações sobrenaturais do Espírito de Deus para crescimento coletivo da Igreja.
Outra coisa que precisa ser dita é que não é um culto nem um pregador, num dia marcado, que vai dizer o que está errado em minha vida. Pode até ser que, chegando lá, a pessoa descubra isso, mas não se deve fazer propaganda de um acontecimento de que não se tem certeza nem domínio. Fica parecendo que aquele evento é singular, especial, diferente, formidável, um dia para ser lembrado para sempre. Lembremos que a maioria das pessoas que buscam esse tipo de evento são os próprios crentes, que, em tese, têm como dia mais importante de suas vidas o dia em que aceitaram a Jesus como Salvador e Senhor.
Para terminar, apenas uma analogia: no Código de Defesa do Consumidor, um simples panfleto obriga o fornecedor do produto ou serviço a prestar exatamente aquilo que está escrito. É claro que existe a liberdade de culto, de consciência e de crença, o Direito não vai intervir numa relação inteiramente religiosa. Contudo, pensando em termos teológicos, será que também na esfera espiritual a proposta não vincula o ofertante? Dito de outro modo: não seria de bom alvitre os líderes de igrejas refletirem muito bem sobre promessas que jamais poderão cumprir? Não estariam eles sendo como fornecedores que não têm como cumprir suas obrigações, e que só fazem promessas porque querem atrair "frequesia"?
P.S.: O outro panfleto fica para depois.

Comentando a auto-apresentação de uma Igreja

No "site" de determinada Igreja ainda não tão conhecida - mas que já tem uma "filial" em Campo Grande-MS, bem perto de onde eu moro - a apresentação diz exatamente isso: "Com sua doutrina não ortodoxa, segue a risca os ensinamentos bíblicos" (sic). O destaque é meu.
Então, a Igreja - cujo nome não cito por questão de ética - se classifica como não ortodoxa. Tudo bem, não sei se isso é alguma vantagem, não sei o que ela entende por ortodoxia, não sei se é contrária ao que se costuma chamar de doutrina ortodoxa. O curioso é alguém se orgulhar de não ser ortodoxo, porque ortodoxia significa literalmente "crença correta". Assim, vemos que faltou uma explicação.
Mais do que isso, a Igreja diz que segue à risca os ensinamentos bíblicos. Ora, se ela não é ortodoxa e segue à risca os ensinamentos bíblicos, segue-se que os ensinamentos bíblicos não são ortodoxos. Para essa Igreja, ou pelo menos para quem escreveu isso no "site", seguir a Bíblia é não ser ortodoxo!
Não ser ortodoxo é ser "heterodoxo", também conhecido como "herético". Não creio que essa Igreja tenha querido dizer isso. Ninguém vai proclamar: "Siga-me, pois eu ensino heresias". A pecha de heresia sempre é atribuída por terceiros, jamais pelo próprio indivíduo denominado herege.
Noutra ordem de idéias, não-ortodoxo é o adepto de alguma das correntes da teologia liberal ou modernismo, que se opõe aos chamados fundamentalistas. Dependendo da linha que se considerar, o liberalismo teológico a) desprestigia as Cartas de Paulo; b) não acredita no Cristo da Fé, somente no Jesus histórico; c) diz que Jesus foi apenas um modelo ético; d) descrê em milagres, na Ressurreição de Cristo, em tudo o que é sobrenatural; e) entende os relatos bíblicos como fruto da consciência ou experiência religiosa de um povo através dos séculos; f) prega uma escatologia sem a volta de Jesus e sem os eventos conseqüentes; g) não crê na inspiração, autoridade doutrinária e inerrância das Escrituras.
Portanto, para não ser ortodoxa, essa Igreja tem duas hipóteses, quais sejam, é liberal ou entrou em contradição, porque diz seguir a Bíblia à risca e ao mesmo tempo diz não ser ortodoxa.
Mas há ainda uma terceria hipótese! Essa Igreja pode se dizer não ortodoxa frente àquilo que os outros chamam de ortodoxo, colocando-se como uma alternativa mais bíblica. No entanto, pelo que eu vi no "site", duvido muito de que eles tenham sido tão arrojados e vanguardistas. Prefiro atribuir a frase a um terrível lapso. Afinal, lapsos também existem.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Política de nomes - não de idéias

Para a eleição presidencial de 2010, já se discute há tempos a eventual candidatura de José Serra, Aécio Neves, Ciro Gomes, Patrus Ananias, Dilma Rousseff, Marta Suplicy - apenas para citar os nomes mais comentados.
Serra, o mais conhecido nacionalmente, ex-ministro da Saúde, ex-prefeito da cidade de São Paulo, agora governador do Estado de São Paulo. Um homem competente e sério, mas que incidiu no grave erro de não cumprir um compromisso público, ao deixar a prefeitura paulistana para se candidatar ao governo paulista. Um homem de boas idéias, mas que não as empregou como poderia, pois seu desejo é ser presidente, e não governador nem prefeito. O amanhã atrapalhando o presente...
Aécio, governador de Minas, herdeiro político de Tancredo, que gosta de falar em alianças, em "Minas unida", em candidatura natural, com maioria. Parece que Aécio substitui a idéia pela hegemonia. De fato, ele criou uma base amplíssima para governar seu Estado nos dois mandatos. Na segunda vez em que disputou o Palácio da Liberdade - nessa época eu ainda morava em Minas - Aécio passou como um rolo compressor sobre os outros candidatos, principalmente por Nilmário Miranda (PT), que sequer parecia ter o apoio verdadeiro do Lula. Para piorar, a maioria dos candidatos ao Senado apoiava Aécio. Agora ele quer uma aliança ampla para Belo Horizonte, e depois certamente quererá uma ampla aliança para chegar ao Planalto. É como se Aécio pensasse assim: não preciso convencer o eleitor; preciso, antes de tudo, convencer os políticos.
Foi o próprio Ciro Gomes quem disse aprovar a hegemonia PT-PSDB, contra o que ele chama de "escória política". Isso deve ter alguma coisa a ver com o fato de que em Belo Horizonte a tentativa é lançar Mário Lacerda, do PSB (Partido de Ciro), a prefeito. Vamos ver até quando essa hegemonia não pisa sobre o próprio entusiasta.
Patrus Ananias eu confesso que respeito. Tem fama de ter sido um bom prefeito de Belo Horizonte, uma pessoa quase franciscana, de fala humilde, que consegue não aparecer mesmo sendo Ministro do Desenvolvimento Social, e portanto responsável pela administração de programas sociais que tanto fazem a alegria dos...petistas. Mas, no uso de minha quase nula lucidez política, digo que ele não será candidato.
Já a Dilma Rousseff é "mãe do PAC", segundo o pai do PAC, que é ninguém menos que o Lula. Quando o pai reconhece quem é a mãe, acho que temos um bom começo. Mas a ex-guerrilheira que parece general não tem muito jeito para a política, tem?
Marta Suplicy deveria ser esquecida pelo eleitor de uma vez por todas. Se o Brasil fosse um país sério, ela teria sido demitida no ato quando, na condição de Ministra do Turismo, sugeriu o famoso "relaxe e goze" para as pessoas que sofriam com o caos aéreo. É o exemplo claro de uma pessoa sem nenhuma sensibilidade social (ah, ainda podemos usar a palavra "social", o PT não patenteou por enquanto).
A questão é que estamos tratando só de nomes, e não de idéias. Eu fico pensando que o jornalismo político gosta disso, pois trata os políticos quase como artistas, e não há uma discussão importante sobre as idéias desses aspirantes a presidente, ou desses de quem se diz ter potencial para o cargo. Discutimos mais os nomes, e mesmo os partidos ficam discutindo quem é o melhor para vencer, e não quem é o melhor para defender o programa político!
Realmente voltamos à velha necessidade de reforma política. Mas, que reforma será útil se não se mudarem os políticos?

Alguns absurdos do país do absurdo

Eis uma pequena lista de absurdos que eu gostaria de destacar:
1) Aqui em Mato Grosso do Sul, emissoras de televisão transmitem diariamente programas sensacionalistas apresentados por políticos em pleno exercício de mandato. É claro que eles aproveitam o espaço para anunciar seus projetos "sociais". Isso não deveria ser proibido pela legislação eleitoral? O fato é que eles estão utilizando seu poder de comunicação para estabelecer uma hegemonia política no Estado!
2) Em discurso na formatura da primeira turma da Unipalmares, o presidente Lula disse que não deseja criar faculdades para negros e faculdades para brancos. Ora, mas foi justamente isso o que ele fez, uma faculdade só para negros! Isso é forçar um apartheid ou eu estou ficando com dificuldade de compreender as coisas?
3) Há uma onda pró-Lula e pró-PT grassando na Internet (e em tudo). Muitas vezes leio, em "sites" de jornais, comentários favoráveis ao Lula, partindo de leitores a respeito de notícias de corrupção, escândalos e incompetência governamental. Diante dos piores crimes contra o patrimônio e as finanças públicas, leitores dizem que antes era igual ou pior, que as elites estão com raiva das conquistas dos pobres, que as elites não gostam da idéia da chegada de um operário ao poder, que a mídia distorce os fatos, e uma série de afirmações carregadas de rancor. Dá a impressão de que se faz uma orquestração, como aquela que a Universal deve estar fazendo junto a "fiéis" perante a Justiça de diversos Estados contra jornais de circulação nacional.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pregações fora da realidade

Fico impressionado com tantas pregações desprovidas de apego à realidade. O pregador fala coisas tão distantes e muitas vezes extra-bíblicas, que me pergunto se aquilo é mesmo um serviço a Deus.
É necessário falar de escatologia, eu sei, bem como do trabalho de anjos em prol dos servos de Deus e da ação do Espírito Santo, esses assuntos do campo espiritual. No entanto, conduzir um ministério da Palavra exclusivamente sobre bases de escatologia, angelologia e pneumatologia, apenas para citar alguns exemplos, e, pior ainda, fazer isso precariamente, constitui um prejuízo para a Igreja.
Mais do que isso, há aquele uso impróprio de alegorias, fruto da imaginação do pregador, e não de uma hermenêutica criteriosa. As alegorias devem ser limitadas pelo próprio texto bíblico, sob pena de se dizer qualquer besteira que se tenha na mente.
A Escritura Sagrada é tão rica em ensino e ao mesmo tempo tão desprezada em seu conteúdo, que me faço a seguinte pergunta: será que esses pregadores não têm conhecimento bíblico-teológico ou têm conhecimento mas não querem falar de temas que mexem com os ouvintes e que podem mudar estruturas?

terça-feira, 18 de março de 2008

A banalização do ofício de teólogo

O senador e bispo licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ) e o ex-deputado federal Victorio Galli (PMDB-MT) prestaram um desserviço à causa teológica ao propor dois projetos de lei em que pretendem dar ao ofício de teólogo uma definição amplíssima.
De acordo com o projeto do Senador Crivella (PLS 114, de 13 de abril de 2005), passará a ser teólogo o não-diplomado que há mais de cinco anos exerça a atividade. Seria, grosso modo, como a usucapião: reconhecimento jurídico de uma situação de fato por causa do decurso do tempo.
Já pensou o direito reconhecer um rábula como advogado, sem que tenha freqüentado uma faculdade de Direito, e sem que tenha, enfim, aprovação no exame da OAB? Já pensou um dentista prático, sem diploma, sem acompanhamento de professores habilitados, podendo tratar dos dentes das pessoas, porque o direito lhe reconheceu isso pelo decurso do tempo? É um verdadeiro absurdo, que revela o desprestígio que o ofício de teólogo possui para o Senador Crivella.
Quem valoriza uma profissão não a reconhece em não-diplomados só porque a exerceram num determinado lapso temporal. É como se o Senador nos dissesse: "Não se preocupem, os estragos morais, intelectuais e espirituais não podem ser tão graves quanto os estragos civis, patrimoniais ou odontológicos" (ainda pensando no exemplo acima).
O PLS 114/2005 já passou pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado e está pronto para votação, não sem antes ter passado pelo Senador-pastor Magno Malta (PR-ES). Esse projeto pode se tornar lei em pouco tempo.
A seu turno, o projeto do ex-Deputado Galli (PL 2407, apresentado em 12/11/2007) é ainda mais "ousado". Reja o seu Artigo 2º:
"Art. 2º. Teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social junto à comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição".
E, por incrível que pareça, o projeto consegue ser irônico a ponto de estabelecer que "o exercício da atividade de Teólogo em desacordo com a presente lei caracteriza exercício ilegal da profissão" (Art. 5º). Ora, com um conceito elástico como esse, quem exercerá ilegalmente a profissão? Só se for a pessoa que simplesmente diz "sou teólogo", mas que não se enquadra em nenhum daqueles itens do Art. 2º, sequer realizando uma "vida contemplativa".
Serão teólogos, portanto, quaisquer membros de igreja que detenham o mínimo interesse pelas atividades eclesiásticas, pelo serviço do Reino. Também serão teólogos os assistentes sociais, porque fazem ação social comunitária, os pastores, os professores de Escola Dominical, os membros de equipes comissionadas para certos fins para-eclesiásticos, os de vida monástica, os sujeitos mais devotados aos trabalhos diários de suas igrejas, porque meditam e não saem dos templos.
Ou será que todos esses requisitos devem se encontrar na mesma pessoa para que ela seja chamada de "teólogo"? Aí temos uma hipótese pouco crível, porque se observa claramente que a intenção do projeto (a ratio legis) é justamente dar ao pastor um título profissional fácil de ser conseguido, porque as atribuições ali são fundamentalmente pastorais, ou seja, o pastor (e o padre, é claro) é a personagem que mais se desenha no arquétipo do projeto.
O projeto do ex-Dep. Galli já saiu, sem emendas (!), da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, e segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para avaliação, naturalmente, de sua constitucionalidade, num controle preventivo que os deputados (dizem que) fazem. O que acontecerá depois?
De um lado, temos o desprezo pela profissão de teólogo, que já é regulada e possui uma corporação para defesa de seus interesses, o Conselho Federal de Teólogos. De outro lado, temos uma confusão entre teólogo e pastor, que - agora em termos teológicos - são figuras totalmente diferentes: nem o pastor é necessariamente um teólogo nem o teólogo é necessariamente um pastor. Embora isso possa coincidir numa só pessoa, as funções, os dons, são distintos. Pastor é líder, orientador, conselheiro, doutrinador, provedor de alimento espiritual. Teólogo é mestre, ensinador, pensador, crítico, formador de opinião, pesquisador, estudioso. Não se confundem os ofícios jamais!
Sabem o que eu penso quando vejo impropriedades como essas? Que saudades eu tenho de quando nós evangélicos não tínhamos tantos políticos em Brasília! A maioria dos que lá estão são despreparados, totalmente alheios a uma boa técnica legislativa, e suas proposições me fazem corar de vergonha.
Fontes pesquisadas para redação do artigo:
http://www.camara.gov.br/ : pesquisa de projetos de lei.
http://www.senado.gov.br/ : pesquisa de projetos de lei.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O problema das igrejas-auditório

Dentre as figuras de linguagem que a Bíblia emprega sobre a Igreja (e.g., ramos da videira, rebanho de ovelhas, casa espiritual, edifício de Deus, lavoura de Deus, corpo humano, esposa do Cordeiro), nenhuma delas se aproxima da imagem de auditório. Destaca-se, isto sim, a nutrição espiritual em Cristo (ramos da videira), a liderança, proteção e provisão de Cristo (rebanho de ovelhas), o sacerdócio universal dos crentes (casa espiritual), a edificação harmoniosa da coletividade em Cristo (edifício de Deus), a frutificação do trabalho de Cristo (lavoura de Deus), a utilidade e interdependência dos membros por causa dos dons (corpo humano), o caráter santo e a espera da parousia (esposa do Cordeiro).
Em nenhuma dessas figuras - e existem outras - a Igreja é retratada como simples espectadora de um líder ou grupo de líderes. A Igreja é atuante, participativa, sujeito, agente, e todos esses adjetivos e substantivos que se queira dar para referir uma condição que passa longe da inércia.
A Igreja é liderada por pastores, sim, mas eles são também ramos da Videira, ovelhas do Sumo Pastor e Bispo de nossas almas, sacerdotes, como todos os crentes, pedras que vivem, como todos os crentes, plantas na lavoura de Deus, como todos os crentes; exercem seus dons e ministérios em dependência de Cristo, a cabeça, e dos demais membros, porque os pastores também são membros do Corpo de Cristo; enfim, os pastores - ou quaisquer outros líderes com nomenclatura diversa - devem zelar pela santidade pessoal e aguardar a vinda de Cristo.
Os pastores são servos dos servos. Os pregadores, quando lançam mão do púlpito, têm sobre seus ombros grande responsabilidade, não deveriam usar o poder da palavra - refiro-me à oratória, ao talento natural - nem os dons espirituais da palavra - refiro-me a qualquer dom relacionado à pregação - repito, não deveriam usar esses talentos e dons para manipular a "platéia", dirigir o culto como se fossem animadores de auditório, apresentadores de programa de televisão ou show-men (uso a expressão inglesa no plural), enquanto o povo fica ali, às vezes deslumbrado, às vezes cantando e se emocionando, e às vezes sem paciência com reuniões intermináveis em que até a cadeira confortável e o ar-condicionado perdem o valor.
Tenho dificuldade com isso, não gosto de ficar sentado vendo e ouvindo apresentações musicais que podem servir muito para agradar aos cantores, mas que não edificam a Igreja ou que não trazem conteúdo cristão. Podem até trazer, mas o excesso de músicas num culto e a extrapolação do tempo regular, quando se tornam rotina, mostram que alguma coisa está errada, que o foco pode não ser o louvor a Deus.
As igrejas-auditório são um problema geral. Quem quer saber de Escola Dominical, em que o aluno precisa ouvir pelo menos 50 minutos de um ensino sistematizado da Bíblia? Quem quer saber do ensino, que pressupõe bilateralidade, raciocínio e reflexão? E mais: quais são os pregadores famosos ou aspirantes a famosos que se expõem a dar aula na Escola Dominical? Sim, senhores, coloquem um pregador de multidões diante de 15 ou 20 alunos de Escola Bíblica, e vejam se ele tem conteúdo, vejam como será o seu desempenho sem os gritos e performances, sem os pulos e frases-de-efeito, sem o clima de expectativa que o envolve.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Uma pergunta para refletir

Se o cristianismo evangélico está crescendo tanto no Brasil, com estatísticas exaltadas em torno dos 30 milhões, por que não se observam transformações sociais importantes? Duas hipóteses: ou não somos tantos assim, ou não estamos cumprindo nossa missão integral. Creio, na verdade, que as duas hipóteses estão corretas. Nem somos 30 milhões de verdadeiros cristãos - porque muitos só participam de "campanhas" em igrejas de massa - nem estamos exercendo nossa responsabilidade de anunciar o Evangelho e denunciar o pecado generalizado.

Algumas características de quem restringe o Evangelho à mera religiosidade ou espiritualidade:

1) Não aprecia temas científicos nem filosóficos;
2) Acredita que tudo o que vem do ser humano é necessariamente ruim;
3) Não gosta de política;
4) Não valoriza a exposição racional das Escrituras;
5) Dá ênfase demasiada à experiência;
6) Não entende a responsabilidade social cristã;
7) Não adota uma boa teologia da criação, e por isso não se exercita nos princípios divinos sobre a instituição da família, da sociedade, do trabalho.
8) Não consegue desenvolver uma escatologia que pressupõe a regeneração de todas as coisas, como o meio ambiente.
Essas características podem ser encontradas em diversas pessoas à nossa volta. Talvez em você mesmo, amigo leitor.

terça-feira, 11 de março de 2008

Ortodoxia, teologia, doutrina e heresia

Ortodoxia é o nome que se dá a uma doutrina - ou conjunto de doutrinas - quando considerada bíblica.
Teologia é uma corrente de pensamento sobre a Palavra de Deus. Pode ser bíblica ou não, liberal ou "ortodoxa", ou ainda "neo-ortodoxa".
Doutrina é um conjunto de crenças de um grupo eclesiástico. Pressupõe uma posição teológica, sistematizada ou não.
Heresia é um ensino considerado não ortodoxo.
Tudo isso é muito mais complexo do que se imagina:
O que eu considero ortodoxo pode ser heterodoxo para meu irmão de outra igreja ou corrente teológica. E vice-versa.
A doutrina, embora fundada numa visão teológica, não raro se divorcia da Palavra de Deus, e os mais fracos precisam se ajustar ao dogma em prol da comunidade, da submissão aos líderes, da humildade de servo.
Heresia pode ser um conceito político. O "herege" pode ser, na verdade, uma pessoa inteligente, que enxerga além da mediocridade; ou uma pessoa combativa, que não aceita ensinos e práticas deturpadas. Chamam-no de herege porque ele é um perigo para os poderosos - registre-se que existem os hereges no sentido do falso ensino, mas também existem os hereges no sentido político. Quero ser bem entendido, se é que alguém vai ler isso!

A lógica das esquerdas

A lógica das esquerdas é a seguinte: quando estão na oposição, clamam contra tudo o que vem do governo; quando estão no governo, dizem que as "elites" não querem que o país dê certo.
O presidente Lula faz quase tudo o que recriminou quando era membro da oposição. Praticamente pediu que esquecêssemos o que ele pregava quando candidato à presidência em 1989, 1994 e 1998.
FHC pediu que esquecêssemos o que ele escrevera como sociólogo. Ele também é oriundo da esquerda, embora uma esquerda menos amarga e mais inteligente. Assim, nossos derradeiros presidentes pediram que esquecêssemos o que eles haviam feito a vida toda. Lula rejeitou sua biografia; FHC, sua bibliografia.
Os sem-terra (Via Campesina e MST) têm promovido depredações em propriedades privadas da Monsanto, da Vale, de uma siderúrgica no Maranhão. É a coisa mais feia do mundo aquele pessoal quebrando, arrancando, destruindo, violando. Eles não querem plantar nem construir, mas destruir e desarraigar. É a lógica anti-instituição, anti-governo, anti-direito.
A esquerda brasileira e latino-americana não sabe conviver com a democracia. Ela prega contra a liberdade de imprensa, contra os mecanismos civilizados de organização política. A ordem é vista como estrutura a favor das "elites". Usam a democracia enquanto lhes convém.
O governo petista parece querer a estatização da vida - a ideologia governamental na TV estatal, a "igualdade racial" imposta por um sistema arbitrário de cotas, a escola integral, modificações nos currículos escolares para introdução de matérias que "explicam" como as elites dividiram o Brasil em pobres e ricos, negros e brancos.
Os regimes autoritários e totalitários começam com um líder muito forte e uma idéia vendida como sendo muito boa. Com uma solução de problemas que afetam a maioria carente, um parlamento sem credibilidade e uma deseducação ancestral, tem-se a fórmula perfeita para a instalação de governos ditatoriais, de salvadores-da-pátria.
Não quero assustar ninguém, mas me assusto com a possibilidade de estatização da vida. Em minha humilde concepção, o esquerdismo tupiniquim não sabe fazer outra coisa senão dividir, afastar, diminuir, romper, reinventar a roda. É uma lógica do atraso, do ideologismo que sabe muito bem ser pragmático quando pretende se impor.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Humildade nunca é demais

Ser humilde não desagrada, fica bem em qualquer situação. Não se trata de se aviltar diante das pessoas. Às vezes, o humilhar-se é necessário como forma de obter perdão, reconciliação. Humilhar alguém é pecado, mas humilhar a si mesmo é salutar, no sentido de mostrar-se despretensioso.
Em Mt 5.3, no Sermão da Montanha, Jesus diz que são bem-aventurados os "humildes de espírito" (ARA) ou "pobres de espírito" (ARC), pois deles é o Reino dos Céus. Além de não entenderem o que significa a expressão "pobre de espírito" - porque dizem ser algo ruim -, as pessoas em geral não valorizam a humildade. Ser pobre de espírito é não confiar na própria força ou méritos, não ter orgulho, vaidade exagerada. A pessoa pobre de espírito, ou humilde, entende que em si mesma nada possui de vantajoso, mas que em Cristo há todas as riquezas nas quais se pode estribar.
A sociedade pós-moderna enaltece o herói, o vencedor, o campeão, o protagonista. Os norte-americanos contribuem para isso com sua lógica de mercado aplicada a tudo. Na escolha do próximo presidente dos Estados Unidos, parece que muitos votarão pelo que venceu mais na vida, ou perdeu menos. É isso que transparece nas reportagens da TV.
O conceito triunfalista da vida migrou para as igrejas brasileiras. Fala-se, não da humildade, mas da necessidade de ser o primeiro, um vencedor, um campeão, cabeça e não cauda.
Há uma hinologia "gospel" toda voltada para o tema da vitória, notadamente entre os pentecostais e neopentecostais (como sou de igreja pentecostal, essa é uma autocrítica).
Parece-me que muitas músicas evangélicas falam a mim como o centro do universo, quando há ao meu lado e ao redor, dentro do templo, uma série de pessoas achando-se também como os principais ali dentro, como se a mensagem fosse para cada uma delas, como se houvesse um grupo formado por solistas, ninguém querendo o papel coadjuvante.
Jesus é "manso e humilde de coração", e quer que aprendamos com Ele (Mt 11.29). A humildade tem tudo a ver com o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), com o amor (I Co 13). Ser humilde não é ser tolo, coitado, inferiorizado, triste, cabisbaixo. Ser humilde é assemelhar-se a Jesus, que em Seu sacrifício vicário e expiatório se comportou voluntariamente como ovelha guiada para o matadouro, com toda a humildade que o caso requer, assim como no retrato profético da lavra de Isaías (53.1-12).

quarta-feira, 5 de março de 2008

Como a Rede Globo é tendenciosa...

Sou plenamente a favor da liberdade de imprensa. Mas também uso de juízo crítico, e, como telespectador consciente, reconheço situações de indução jornalística. Tendo em vista que hoje o Supremo Tribunal Federal deve julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3510, sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias, permitidas, sob condições, pela Lei nº 11.105/2005, a televisão tem transmitido reportagens a respeito do tema.
No entanto, especialmente a Rede Globo já começa a reportagem mostrando algum paciente com enfermidade degenerativa, alguma criança que precisa do avanço da ciência para viver melhor. Ora, isso é argumentar favoravelmente a uma corrente, com fundamento na comoção do público. Não é justo com a corrente contrária fazer matérias que nitidamente apelam para a emoção, e que não expõem com clareza quem defende o que, como defende, em que bases defende, e quais as alternativas a essas pesquisas com céluas-tronco embrionárias.
Também costuma-se dizer que a posição do então Procurador-Geral da República, Cláudio Fonteles, é fundada exclusivamente na religião. Isso é desqualificar o debate e os debatedores, pois há argumentos jurídicos e científicos. A petição da ADI 3510 não cita a Bíblia nem a tradição católica, mas artigos da Constituição de 1988 e pareceres de renomados cientistas.
Portanto, creio que a Rede Globo está prestando um desserviço à Nação nesse aspecto.

terça-feira, 4 de março de 2008

Para pensar

Há os arrogantes que acham que sabem muito, e os arrogantes que se vangloriam de não saber. Não quero a arrogância de dizer que sei muito, nem a arrogância de dizer que não preciso do conhecimento.

A tendência de espiritualizar tudo

Por que muitos crentes gostam de espiritualizar tudo? Parece que na mente dessas pessoas todas as coisas têm uma explicação espiritual, histórico-redentiva. Por isso, não conseguem explicar o relacionamento do cristão com a política, a sociedade, as instituições, a ciência, a filosofia. Acham que tudo o que não for "espiritual" é carnal ou demoníaco.
Esse pensamento é equivocado. Os que espiritualizam a vida não possuem uma teologia da criação, mas apenas uma teologia da redenção, e isso quando realmente têm uma teologia formada. Vêem o mundo somente depois da Queda, não observam princípios eternos nem instituições pré-tentação, como a família, o trabalho, o mandato cultural e a sociedade.
Adão e Eva foram criados antes do pecado. Eles cuidavam do jardim do Éden, Adão o lavrava e guardava. O trabalho, portanto, não adveio do pecado, mas a exploração do trabalhador e a necessidade de suar para obter o sustento.
As pragas, sim, vieram com o pecado, mas não a agricultura.
O princípio gregário (da socialização) foi instituído por Deus (Gn 2.18).
As relações sociais não começaram com o pecado - foram deturpadas por ele.
Adão nomeou os animais usando de uma criatividade que o SENHOR lhe concedeu.
Tudo era "bom", o ser humano era "muito bom", Deus fez o homem reto, esse é o estado de inocência.
Havia propósitos divinos no Éden, e o Apocalipse, em conjunto com Livros proféticos, nos diz que o plano de Deus não se esgotou, que haverá uma restauração. Haverá o novo, o renovado.
Jesus veio para "desfazer as obras do diabo", para "dar vida", para fazer "novas todas as coisas", para regenerar. A redenção é como que uma recriação, tornando-nos novas criaturas, andando em "novidade de vida".
Tratar de assuntos "seculares", como sociedade, política, economia, ciência, filosofia, não é, a princípio, afastar-se de Deus, porque o conhecimento e a sabedoria procedem de Deus. Afasta-se de Deus quem peca.
Aliás, "atacar" alguém, chamando-o de racional, não é atacar, mas elogiar. Da mesma forma, se me chamarem de humano demais, não acharei ruim, porque a verdadeira humanidade reside em Cristo, que me salvou. Dizer que a humanidade é necessariamente pecaminosa deve estar no contexto apropriado da teologia da redenção. No entanto, não posso afirmar que o ser humano é ruim desde sempre, porque o Criador não nos concebeu para o pecado.
Dito de maneira bem simples, o pecado não faz parte do plano original de Deus para a humanidade, o pecado é um intruso, um invasor, um esbulhador, chamem como quiser. Creio que já escrevi sobre isso aqui no blog.
Achar que tudo tem que ter uma explicação "espiritual" é desconsiderar que as paredes são feitas de tijolos, e não de versículos bíblicos. O mundo é real, palpável, contém partículas materiais, tangíveis. Existe o odor, o calor, a matéria, enfim, existe o universo. Será que isso não sugere que nem tudo eu posso explicar pela metafísica?

Crise entre Equador, Venezuela e Colômbia

Nessa crise diplomática entre o Equador de Rafael Corrêa, a Venezuela de Hugo Chávez e a Colômbia de Álvaro Uribe, há algumas coisas a considerar:
É certo que a Colômbia não poderia invadir o território equatoriano, como de nenhum outro Estado soberano. Mas não é menos certo que o Equador está valorizando demais essa incursão militar, com um discurso severo e o rompimento de relações diplomáticas. O Equador está queimando etapas na solução do impasse. Isso é tema de direito internacional público.
A Venezuela não tem nada a ver com o assunto, mas Hugo Chávez xingou o presidente da Colômbia, rompeu relações diplomáticas com aquele país, e anda mobilizando tropas para a fronteira. O que esse sujeito quer?
Segundo o governo colombiano, foram encontrados documentos que indicam a doação de milhões de dólares às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) por Hugo Chávez, e uma aproximação muito estranha entre Rafael Corrêa e as mesmas FARC, para libertar reféns a fim de aumentar o prestígio político do presidente do Equador - alguém acha isso impossível?
Enquanto isso, o Brasil, por meio do Chanceler Celso Amorim, limita-se a dizer que a Colômbia deve desculpas ao Equador, mas não deixa claro se considera as FARC um grupo terrorista ou não.
Para mim, a morte do Raúl Reyes foi importante porque a Colômbia luta contra o aprisionamento de cerca de 800 reféns. É um terrorista - além de outros 17 mortos - para 800 reféns.
O problema se agrava porque a) há uma refém de nacionalidade francesa; b) a movimentação militar ocorre muito perto da fronteira com o Brasil; c) os Estados Unidos apóiam a Colômbia no combate ao narcoterrorismo.
Creio que críticas injustas são feitas ao presidente da Colômbia, quando os vilões são os guerrilheiros. São eles, e não Álvaro Uribe, que mantém pessoas presas há anos, sob tortura e intensa pressão psicológica, como vivos, mas minguando a cada dia. Não é o presidente colombiano que tem culpa por um grupo terrorista praticar violações de direitos humanos. As FARC são as únicas culpadas nisso tudo, e com o bem provável apoio de Chávez e Corrêa, ou pelo menos sua conivência. Não vamos trocar as responsabilidades!
Os esquerdóides irão dizer que essa é uma disputa entre o capitalismo e o socialismo, entre o Império e os pobres países oprimidos da América Latina. Isso é pura ideologia, sem compromisso com a realidade, nem com as pessoas envolvidas.
Apesar de tudo, de todo esse estardalhaço que se faz, não creio que haverá uma guerra. E por que não haverá? Simplesmente porque Chávez e Corrêa não querem guerra. Eles querem tão-somente o barulho, a confusão, o achincalhamento do seu colega Uribe, a demonstração de que seu ego, quando ferido, não fica inerte.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O pragmatismo venceu?

Sempre que ouço o argumento de que determinado grupo evangélico está certo porque seus métodos estão "dando certo", não posso deixar de pensar em como o pragmatismo tem feito mal à Igreja brasileira. Com efeito, em vez de se indagarem quais os princípios bíblicos que inspiram os métodos desse ou daquele grupo, afirma-se logo que aquilo está promovendo o "crescimento da igreja", o "sucesso do ministério". Com isso, dão-se por satisfeitos os pragmáticos.
Definitivamente, não pode ser desse jeito! Jesus nunca foi pragmático! Ele venceu o mundo com os valores revolucionários do Reino de Deus, insertos [=inseridos] no Sermão do Monte (Mt 5-7). Jesus mostrou, com diversas parábolas, discursos e outros pronunciamentos, o quanto o Reino dos Céus é diferente do reino das trevas, do mundo que jaz no maligno. No Reino de Deus o bom é chorar, apanhar e até morrer, em lugar de rir, bater e viver à custa da justiça e do bem. Jesus inverteu os valores mundanos. É isso o que eu chamo de inversão de valores.
Se Jesus fosse pragmático, Ele não agiria como agiu, não morreria numa Cruz. Faria tudo diferente. Talvez aceitasse a proposta de Satanás no dia da tentação no deserto (Mt 4). Mas Jesus vivia por princípios, e não por resultados.
Alguns argumentam que Paulo justificou o pragmatismo com o texto de Fp 1.12-18. Dizem que o que importa é que o evangelho seja pregado, mesmo que mediante porfia, inveja, discórdia ou insinceridade.
Ora, o que o apóstolo está afirmando é que, embora preso, considera as conseqüências positivas de sua prisão, porque o evangelho se tornou conhecido de toda a guarda pretoriana e de tantas outras pessoas, e porque a maioria dos irmãos acabou se encorajando a pregar a Palavra, vendo o seu exemplo. Paulo preferia valorizar o lado positivo do problema. E, enquanto havia os que pregavam o evangelho "de boa vontade" (v. 15), outros usavam de "inveja e porfia" (v. 15), e isso "por pretexto", não "por verdade" (v. 18). Alguns evangelizavam, falavam de Jesus, mas numa competição unilateral em que julgavam vencer o apóstolo Paulo.
Paulo não está elogiando esse pessoal. O que ele diz é como que um balanço de custo-benefício: se o nome de Cristo é mencionado por eles, tomo o mal por bem, e espero que Deus conceda Salvação aos ouvintes. De maneira nenhuma se pode aplaudir o trabalho de invejosos, competidores, ciumentos, briguentos, porque eles praticam as obras da carne, que combatem o fruto do Espírito (Gl 5.19-23). Paulo não os enaltece nem os admira.
Outro aspecto a considerar: uma coisa é pregar o evangelho cultivando sentimentos estranhos à Palavra de Deus; coisa diversa é pregar algo que não é a Palavra de Deus.
No caso em tela, o apóstolo está lidando com pessoas que, embora invejosas e competitivas, estavam pregando a Cristo, como no caso dos líderes dissidentes que criam ministérios com o mesmo nome da denominações de origem, por causa de divergências administrativas ou vaidade, e mesmo assim ainda pregam o evangelho de Cristo. Algo muito diferente é o que acontece com os falsos profetas, falsos mestres, auto-intitulados apóstolos, que acrescentam muitas palavras à mensagem cristã. Desses homens - e mulheres - Paulo não diria que estavam pregando a Cristo.

Teologia do templo

Há poucos dias houve aqui em Campo Grande/MS a inauguração do templo central da Igreja Universal do Reino de Deus. É um templo suntuoso, admirável, enorme, como sói acontecer com os templos da Universal. Com todo o respeito a quem aprecia templos desse naipe, e a quem gosta muito da Igreja liderada pelo Bispo Edir Macedo, gostaria de refletir sobre a nossa concepção de templo, pois me parece que muitos crentes não sabem qual a teologia do templo no Novo Testamento.
Sim, começo por uma teologia do Novo Testamento porque estamos em igrejas neotestamentárias - ou não estamos? Os nossos templos diferem do Templo de Salomão, que centralizava o culto, e nem precisava ser tão imponente como Salomão quis que fosse. Deus permitiu a construção, Davi deu o desenho, Salomão construiu, mas o luxo ficou por conta de Salomão, e da exploração a que ele submeteu seus próprios compatrícios. De toda maneira, naquele momento, como no período do Tabernáculo no deserto, o Espírito Santo não habitava os corações dos adoradores, e era necessário haver um lugar sagrado em que Deus pudesse habitar.
Com a encarnação, morte, ressurreição, ascensão de Cristo e derramamento do Espírito Santo, iniciou-se uma nova etapa do povo de Deus, pois agora o Espírito habita os corações dos crentes, e isso de forma abundante e, digamos, universal. Não precisamos nos dirigir a um lugar especial para sermos aceitos por Deus. O lugar é especial porque nós somos especiais, e é sagrado porque nós o consagramos.
De fato, o templo evangélico é e pode ser chamado de santuário, Casa de Deus, Casa de Oração, mas só é assim porque ali existe um povo que se reúne para a adoração, oração e proclamação da Palavra. O templo evangélico não tem maior importância do que quaisquer outros objetos utilizados no serviço cristão, como instrumentos musicais e materiais para Escola Bíblica.
Hoje os templos somos nós, ou, mais precisamente, nossos corpos, porque somos morada do Espírito de Deus (I Co 6.19,20) - não é esse o sentido do templo, o lugar em que Deus reside? Quando estamos reunidos no templo, há, na verdade, vários templos, que são os crentes, cada um prestando sua adoração ao Deus verdadeiro, que procura adoradores que o adorem "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24).
Quando constrúo templos suntuosos e magníficos para que as pessoas digam: "Oh, Deus está aqui", minha teologia do templo está equivocada. Essa frase "Oh, Deus está aqui" deveria ser dita a partir do testemunho dos cristãos, e não da beleza arquitetônica do templo.
Por falar nisso, não sou da área de arquitetura, mas já conversei com uma arquiteta exatamente sobre essa questão de templos evangélicos formidáveis. Ela me disse, em outras palavras, que o prédio acaba tendo um valor mais simbólico do que funcional, porque as pessoas se admiram e se sentem atraídas pelo poder daquele lugar. É algo ideológico. Eu suspeitava disso, mas foi bom ouvir o parecer de uma profissional.
Os prédios precisam ser funcionais, e, se possível, podem ser bonitos, agradáveis. A arquitetura trabalha em favor da comodidade. Agora, construir templos como forma de causar espanto e demonstrar poder, isso não é nada neotestamentário. Posso dizer que isso não é cristão.
A Igreja Romana procedeu assim, e atualmente parece que está mais modesta em suas construções. A Igreja Universal repete o comportamento antigo da Igreja Romana. Não tenho muito a ver com romanos nem com universais. A questão é que isso causa impacto em minha igreja e nas igrejas espalhadas pelo Brasil, pois os crentes se perguntam se as coisas não deveriam ser mesmo desse jeito. Há com certeza uma admiração tácita pelo que a Igreja Universal anda fazendo, pelo número de pessoas que parecem segui-la, pelo poder midiático de que desfruta, pela grandeza de seus templos.
Entretanto, entendo que acima de tudo devem estar os princípios bíblicos. Se não for pela Bíblia, para onde iremos?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pequeno intervalo

Há uma semana não venho inserindo novas postagens porque farei amanhã, dia 24 de fevereiro, uma prova do concurso para Procurador da República. Não que eu esteja estudando, é mais uma questão emocional. Eu não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo, as duas saem mal. Irei prestar esse concurso, mas sei que minhas chances são pequenas, pois deveria ter estudado muito mais. A preparação deve ser por mais de um ano, estudando constantemente. Na segunda-feira, já espero estudar para os próximos concursos, com calma, e voltar a inserir postagens. Há muito mais coisas envolvidas nisso, o planejamento deve ser precedido de consciência do que se quer. E é isso o que às vezes falta. Até a próxima.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Abaixo o silogismo!

Creio que muita gente pensa de forma errada. Refiro-me à própria estrutura do pensamento, à maneira como a pessoa utiliza os conhecimentos adquiridos ou as informações que apreende.
Uma das formas erradas de pensar é o silogismo, que consiste em tirar conclusões pela combinação de premissas falsas ou que não se relacionam. Por exemplo: a) premissa maior: todo homem fala; b) premissa menor: fulano não fala; c) conclusão: fulano não é homem.
Já escutei o seguinte argumento silogístico: a) nossa igreja conserva certos costumes; b) nossa igreja está crescendo; c) logo, nossos costumes devem permanecer.
No primeiro caso, a premissa maior estava errada, porque nem todo homem fala. No segundo caso, o erro está na relação entre os costumes e o crescimento da igreja, pois não se estabeleceu ali uma necessária relação de causa e efeito.
Tudo isso é lógica, o que falta em muitas cabeças, e atrapalha a interpretação da Bíblia.

A árvore ética

Em que consiste o pecado original? Será que o pecado de Adão e Eva consistiu na relação sexual, como ensina a Igreja Romana? Será que houve um enlace sexual entre Eva e a serpente, como ensinam alguns? Ou será que o pecado foi tão-somente a desobediência a uma regra desprovida de um sentido próprio?
Creio que existe uma solução mais apropriada para isso. A árvore do conhecimento do bem e do mal ou da ciência do bem e do mal é uma árvore ética, pois o bem e o mal têm relação com a ética, assim como o certo e o errado. Desse modo, quando Deus permitiu ao Homem comer de toda árvore menos da árvore do conhecimento do bem e do mal, Ele os estava incentivando a buscar a ética divina em vez da ética humana. Antes do pecado, Adão e Eva eram alimentados pela ética divina, tinham total dependência em relação a Deus, não faziam escolhas pessoais, nada faziam sem consultar a Deus. Com a tentação, eles imaginaram que Deus os estaria privando de uma condição mais elevada, a qual, em sua concepção, poderia ser alcançada por meio da independência, da emancipação.
O que Adão e Eva quiseram? Eles quiseram ser como Deus, sabendo o bem e o mal (Gn 3.5). Eles estavam preocupados em ser deuses, e para isso quiseram se apropriar de um conhecimento que não lhes pertencia. Por isso eu digo que a árvore proibida era uma árvore ética, uma vez que seu fruto oferece ao homem a suposição de que pode viver como se Deus não existisse - aliás, não é esse o conceito de secularismo, viver como se Deus não existisse?
Portanto, todas as vezes em que alguém prefere o pecado em detrimento de Deus ele está dando um grito de independência, dizendo que pode construir sua ética pessoal, e que suas escolhas o levarão a algum lugar seguro.
Em contrapartida, o Evangelho apresenta a Jesus Cristo como Aquele que conhece ao Pai, e que conduz o Homem a Deus, sendo Ele mesmo o próprio Deus. Jesus conhece a vontade divina, Ele a cumpriu cabalmente, Ele é o Verbo, a Palavra de Deus personificada. Jesus veio mostrar que toda ética pertence a Deus, e que é impossível descobrir o caminho certo à revelia do Criador.

O pecado não faz parte da verdadeira humanidade

A frase "errar é humano" só pode ser admitida como correta se considerarmos a humanidade decaída, degenerada.
Antes da Queda, o Homem era "reto", como está escrito em Ec 7.29. Depois de ter criado o Homem, Deus disse que era "muito bom" (Gn 1.26-31). A isso se chama "estado de inocência".
O pecado não fazia parte do Jardim do Éden. Adão e Eva não precisavam pecar, essa não era uma necessidade física, psíquica nem espiritual. Por isso, quando Deus lhes permitiu comer de toda árvore do jardim, exceto da árvore da ciência do bem e do mal (Gn 2.16.17), não se tratava de uma tortura, pois não se tortura ninguém privando-o de algo desnecessário ou mortífero. É como se Deus dissesse: Vocês podem comer de tudo, menos do que é venenoso. Ora, privar alguém do veneno é efetivamente dar-lhe a vida!
O engano da serpente partiu de uma interpretação negativa do que Deus dissera. Em vez de enfatizar o aspecto positivo do "de toda árvore do jardim comerás livremente" (Gn 2.16), a serpente perguntou: "É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim"? (Gn 3.1). Trata-se de uma forma de manipulação da Palavra de Deus, um jogo de palavras que confunde.
A astúcia do diabo, que usava a serpente, foi seduzir o primeiro casal com a idéia de que se tornariam eles como Deus por meio da desobediência. Além disso, o tentador lançou a semente de que Deus é um torturador, e de que o pecado é não só necessário como atraente e fundamental para alguém se tornar como Deus.
Hoje a estratégia da antiga serpente é a mesma. As pessoas no mundo acham realmente que é impossível viver sem pecar ou sem o prazer do pecado. Cientistas de formação naturalista acreditam que o sexo é necessidade meramente instintiva, como entre os animais, e que a partir da influência dos hormônios na puberdade é impossível o adolescente não se masturbar. Outros dizem que a mentira é necessária ao desenvolvimento nacional. A sociedade ensina a sonegação fiscal, o adultério, a "lei do mais forte", a infidelidade em todos os setores, como se esses pecados fossem inerentes à natureza humana.
Ora, no princípio não foi assim. O pecado não faz parte do plano original de Deus. E foi por isso mesmo que Jesus não pecou, isto é, Ele fez tudo o que tem que ver com a natureza humana, mas não pecou porque isso não foi programado por Deus inicialmente.
Da mesma forma, o pecado não foi planejado para mim nem para você. Podemos renunciar a uma vida de pecado, esse é o convite de Cristo. Creio que devemos aprofundar o tema em outro momento.

Quem se afasta das pessoas não se aproxima de Deus

A aula de Teologia de Paulo que tive hoje com o ilustre Professor Pr. DAVI ROBSON me fez pensar no fato de que nós cristãos muitas vezes acabamos nos distanciando das pessoas, quando deveríamos nos aproximar delas. Eu venho pensando nisso há algum tempo, mas agora resolvi por a idéia no papel, quero dizer, no blog.
Com efeito, Jesus andava com "publicanos e pecadores", comia e bebia com eles, e por isso foi acusado. Mas, quem O acusou? Não foram os hipócritas e invejosos? É certo que Jesus não pecou jamais. Nem por isso Ele deixou de conviver com as pessoas.
Jesus freqüentava costumeiramente a sinagoga, pagava tributos, usava meios de transporte como o barco ou jumento, comia a comida do povo, conversava de modo que O pudessem entender, ensinava por meio de parábolas. Jesus entrava nas casas das pessoas, aceitava convites de casamento e de banquete, ia a funerais.
Paulo disse que se fazia de fraco para ganhar os fracos. Ele usava a inteligência para evangelizar. Em At 17, vemos como ele discursou entre filósofos gregos a partir do tema "o Deus desconhecido", porque viu que eles adoravam a um Deus cujo nome não sabiam. Isso é contextualização.
Que maior exemplo de contextualização há do que a Encarnação de Cristo, que se tornou homem, escravo, Se humilhou, obedeceu, e, por fim, Se entregou à morte, e morte numa cruz?
Ora, uma coisa é ser diferente; outra coisa é ser distante ou indiferente. Não precisamos nos distanciar das pessoas, como se fôssemos anjos, seres altamente elevados, santos demais para manter contato com os seres humanos. Jesus veio restaurar a humanidade original, que Adão deixou embaçar quando quis ser como Deus e rejeitou a imago Dei (imagem de Deus).
Creio que podemos aprofundar isso em outro momento.

A Igreja e a Caverna de Adulão

Texto bíblico: I Sm 22.1-5[1].

Davi estava passando por uma fase muito difícil de sua vida. Apesar de rei ungido, não era rei de fato, e sofria perseguição da parte do invejoso e perverso rei Saul. Em sua fuga, ao chegar à terra dos filisteus, em Gate, não pôde ficar ali por muito tempo, porque os servos do rei Aquis logo o alertaram quanto aos feitos de Davi. Assim, depois de se passar por louco, mais uma vez Davi teve que fugir, agora para a Caverna de Adulão.
Já na Caverna, Davi teve uma surpresa. Sem que os chamasse, “ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” (v. 2).
Observemos as características dos homens que foram se reunir a Davi: eles estavam “em aperto”, ou seja, com problemas variados; eles estavam com dívidas, o que em si já é ruim, mas que na Antiguidade implicava em sérias restrições sociais; eles estavam emocionalmente abalados, e por isso a expressão “amargurados de espírito”. Em suma: aqueles homens não se encaixavam no padrão geral de vida, e a Caverna de Adulão seria um escape.
A Caverna de Adulão simboliza o refúgio dos marginalizados da sociedade; é o lugar dos excluídos, daqueles que não se identificaram nem se ajustaram a nenhum grupo convencional; daqueles que precisam de auxílio, de atenção, de esperança, de uma palavra nova, sem as conveniências e acomodações da estrutura social.
Toda sociedade civil é organizada a partir de regras, que são jurídicas, políticas, religiosas ou culturais. Essas regras servem para a harmonização do convívio, mas também funcionam, inevitavelmente, como instrumentos de inclusão e exclusão, conforme a sujeição ou não-sujeição a essas mesmas regras.
As regras jurídicas e políticas são fundamentais para o estabelecimento da ordem. Já algumas regras culturais podem ser fruto do preconceito, de costumes arraigados, de formas arcaicas do pensar. Dessa maneira, constantemente estamos incluindo e excluindo pessoas, com base em regras pré-estabelecidas pela cultura, e reproduzidas por nós no cotidiano.
Por isso, excluímos o viciado em drogas, o mendigo, o homossexual, o alcoólatra, a prostituta, o ex-presidiário, enfim, o “diferente”, dependendo de nossas convicções ou experiências pessoais.
Voltando ao texto bíblico, devemos dizer que Davi não era, originalmente, um excluído, mas passou por uma crise que o fez se sentir na condição de excluído. Como fugitivo, tornou-se uma espécie de “persona non grata”, porque seu adversário era ninguém menos que o rei de Israel, e os reis, naquela época, eram a personificação do poder. É como se Davi fosse um perseguido político, um inimigo público número um. Não foi à toa que ele se refugiou na Caverna de Adulão!
De algum modo, os marginalizados viram em Davi um líder, talvez um porto-seguro. Ele fora vocacionado para a liderança, e isso Saul não lhe podia tirar. Mesmo numa caverna, o verdadeiro líder não o deixa de ser. Prova disso é que os apertados, endividados e amargurados tomaram a iniciativa de se ajuntar a Davi, que se tornou seu chefe.
Interessante é que a Caverna de Adulão foi, para aqueles cerca quatrocentos homens, uma sociedade dentro de outra, um reino à parte, certamente com suas regras paralelas. A figura de Davi foi um estímulo especial, que lhes forneceu motivação para uma nova vida, até mesmo para o despertar de talentos escondidos.
O próprio texto chama a Caverna de Adulão de “lugar seguro” (vv. 4,5). “Seguro” em termos de proteção contra os ataques de Saul. Mas, sem forçar o texto, podemos enxergar um outro tipo de segurança – a segurança emocional. Ora, Davi e os seus quatrocentos homens também precisavam de um lugar seguro.
Acontece, porém, que há momento para entrar no lugar seguro e há momento para sair dele. Com efeito, foi o profeta Gade quem orientou Davi a sair da Caverna e entrar na terra de Judá. Sim, Davi saiu da Caverna e foi para um outro lugar, o bosque de Herete (v. 5).
Da caverna para o bosque. Quão necessário é fazer esse trajeto!
Imagino agora os que estão bem quietinhos dentro de uma caverna emocional, lá no cantinho onde ninguém pode ver, no quente e confortável cantinho mais profundo da caverna. Não há barulho, não há contratempos, não há chateações...somente o silêncio e as lembranças.
No entanto, é preciso sair da caverna. Davi não ficou lá para sempre: ouvindo o profeta, foi ao bosque. Quanto a seus companheiros, eles acharam um sentido para viver. A caverna foi um período, representou um tempo, um recorte que não resumiu a existência. A vida estava lá fora, do mesmo jeito, mas eles não eram os mesmos. Alguma coisa havia mudado definitivamente.
Trazendo essa reflexão para os dias atuais, creio que podemos tratar a Igreja como uma Caverna de Adulão. Aliás, existe uma denominação evangélica com esse nome, e muito oportuno, por sinal...
A Igreja de Cristo não deve (ria) reproduzir os preconceitos sociais, a falsa moral-social, os mecanismos escusos de exercício do poder, a injustiça e as desigualdades. A Igreja deve (ria) ser um lugar seguro, um lugar de refúgio, a fim de que os apertados, endividados e amargurados de espírito encontrassem apoio; um lugar para que os líderes perseguidos, como Davi, reencontrassem sua vocação e pudessem respirar um pouco.
[1] ARA.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O índio e os direitos humanos

Tenho um problema com os antropólogos e outros "cientistas" que se acham no direito de proteger com exclusividade os direitos indígenas, afastando outras formas de ver o problema. Parecem querer que o índio fique eternamente numa vitrine, para que nós, os não-índios, possamos ter um alívio e dizer: "Oh, como nós preservamos a sua cultura".
O fato é que nem sempre o índio quer manter costumes de sua tribo e etnia, às vezes ele quer mesmo viver como um cidadão brasileiro comum, ou compartilhar os dois mundos. Creio que esse é um direito dele. O que não pode acontecer é obrigar o índio a ser e agir de um modo enquanto ele pretende ser e agir livremente.
Preservar a cultura indígena não pode significar o seu abandono à falta de proteção em termos de direitos humanos, diteitos fundamentais da pessoa.
No ano passado, vi no Fantástico (TV Globo) que existe um grupo indígena em que as adolescentes ficam separadas da comunidade desde a primeira mestruação. Elas ficam dentro de uma oca sem poder sair de jeito nenhum, com o cabelo crescendo sem controle, só podendo ver o mundo por uma fresta. As grávidas ficam também reclusas por um bom tempo. Todas as mulheres passam por isso. O argumento é que elas estão sendo protegidas de espíritos maus, mas a verdade é que essa é uma medida de proteção contra a proliferação descontrolada da prole.
Sabe-se que aqui em Mato Grosso do Sul os índios vivem mal, muitas crianças morrem de fome, desnutridas. E os índios ficam esperando uma migalha do Governo, na forma de cestas básicas. Eles acham um absurdo que o Governo não forneça as cestas com freqüência, e reivindicam isso como um direito absoluto.
Li em algum lugar que a violência sexual é mais comum entre as comunidades indígenas do que em outros arraiais. Não haveria algo errado?
Creio que podemos discutir isso com maior profundidade. Uma coisa é a cultura de um povo. Outra coisa, bem diferente, é o abuso dos direitos inerentes à natureza humana, especialmente num País que possui uma legislação tão boa em termos de proteção de diteitos humanos, e que partilha dos pactos internacionais nesse sentido.
Mais uma palavra: não sou contra os índios. Na verdade, é por ser ser defensor que faço essa reflexão.

Novo convite - participe da enquete

Alcançamos o número fantástico de cinco pessoas que deram sua opinião sobre a nossa enquete. Mas esse número absurdo de participantes não pode impedir você de opinar também. Por enquanto, 60% - ou seja, três pessoas - acham que o batismo no Espírito Santo tem que ser evidenciado por línguas. Outros 40% ou exatamente duas pessoas dizem que não, que o batismo no Espírito Santo pode ter outras evidências que não as línguas. 0% ou o mesmo que ninguém opinou pelas outras duas alternativas. Falta você participar. Você não é mais um na multidão!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

É LÍCITO DAR O DÍZIMO E OFERTAR NA IGREJA ESPERANDO RECEBER ALGO EM TROCA? - PARTE I

Introdução.
Há um crescente movimento na igreja evangélica brasileira no sentido de estabelecer uma lei da semeadura em termos financeiros, como se o crente que entrega dízimos e ofertas na igreja estivesse plantando sementes de dinheiro para colher frutos monetários.
Outra ilustração que se utiliza é a do investidor que espera multiplicar seus ativos, como se o crente contasse com um saldo bancário celestial, que seria maior ou menor, dependendo do quanto se oferece “para a obra”.
O contexto é a famigerada “Teologia da Prosperidade”, defendida ardorosamente pela Igreja Universal do Reino de Deus, pelo R. R. Soares e sua Igreja Internacional da Graça de Deus, bem como pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, apenas para citar as mais proeminentes.
O problema é que essa doutrina herética está se infiltrando em igrejas historicamente reconhecidas pela sua seriedade doutrinária.
A equação desse pessoal é tão simples quanto equivocada: dinheiro mais fé resultaria em bênçãos materiais, prosperidade.
De minha parte, ao ouvir ensinamentos dessa natureza, a primeira impressão que tenho é a de que não condizem com aquilo que aprendi desde a infância. E, ao pesquisar na própria Bíblia, confirmo a minha impressão, e fico cada vez mais convencido de que não é lícito dar ofertas e dízimos esperando receber algo em troca.
Para sustentar meu ponto de vista, que considero bíblico, vou utilizar inicialmente os mesmos textos que os crentes materialistas têm empregado para fundamentar a heresia. Hoje ficaremos com Ml 3.10,11.
A promessa de recompensa.
Em Ml 3.10, não há que se falar em promessa de barganha com Deus. Havia uma espécie de imposto para manutenção das coisas do Templo, o qual era pago, não com dinheiro, mas com o produto da lavoura. Não era pagamento in especie, mas in natura. Vale recordar que a província de Judá era àquele tempo uma nação eminentemente agrícola, e que, portanto, as riquezas não eram expressas em moeda, mas em frutos e animais.
A própria teologia do dízimo evoca a questão da fidelidade e das primícias. O povo judeu produzia nos campos e nos currais, e o melhor de sua produção era dado ao SENHOR, para a manutenção do Templo. Lembre-se de que estamos tratando de uma nação em que não havia separação entre política e religião. Embora sob domínio persa, o povo judeu da época de Malaquias tinha a liberdade de seguir com seus costumes religiosos.
Ora, entregar o melhor da lavoura e dos rebanhos era dar aos sacerdotes parte do meio de subsistência daquelas pessoas. Como houvesse algum receio de que as ofertas e dízimos causassem um déficit em seus meios de sustento, o povo passou a não entregá-los, o que muito desagradou a Deus, a ponto de chamar isso de roubo.
A promessa de abrir as janelas dos céus como recompensa pela fidelidade tem que ser associada ao fato de que é dos céus que desce a chuva, fundamental para os campos e para os rebanhos. Tanto o reino vegetal como o reino animal precisam de água. Por isso, Deus está dizendo que Ele é poderoso para mandar chuva, e, com isso, possibilitar os meios de sobrevivência, e isso com abundância.
A promessa de repreender o “devorador” também tem que ver com o mundo agrícola, pois devorador é outro nome para as pragas, principalmente para os gafanhotos.
O mesmo Deus que requer fidelidade nos dízimos e nas ofertas é o Deus que manda chuva e repreende as pragas.
Deus não está de maneira nenhuma incentivando a barganha com ele. Isso é ridículo, pois não se coaduna com o caráter divino, revelado nas Escrituras.
Tanto isso é verdade que, mais à frente, nos versículos 14 e 15, o povo diz que acha inútil servir a Deus se não houver prosperidade, e por essa afirmação Deus os repreende com veemência. Sim, eles achavam que os ímpios prosperavam e se livravam de problemas sem que contribuíssem com as coisas do SENHOR, enquanto os chamados “servos de Deus” não se beneficiavam com a mesma prosperidade.
Continuaremos oportunamente.

Interpretação bíblica

Numa discussão acerca da melhor interpretação de textos bíblicos, o interlocutor literalista irá dizer: "De minha parte, prefiro ficar com a Bíblia". Na verdade, essa frase significa que ele prefere a interpretação literal da Bíblia, o que é bem diferente de "ficar com a Bíblia".
De fato, o critério da interpretação gramatical é apenas o primeiro, a porta de entrada do exame textual. Depois vêm os critérios da interpretação contextual, sistemática, teleológica (olha a finalidade do texto), histórica, lógica (considera o bom senso).
Tenho para mim que, ao dizer que "a letra mata e o espírito vivifica" (II Co 3.6), Paulo estava se referindo ao espírito do texto, ao sentido, ao fundamento, à sua razão de ser. Observe que "espírito" vem traduzido em algumas versões com letra minúscula (ARA, ARC, por exemplo) - isso deve nos dizer alguma coisa, embora a própria tradução também dependa de interpretação, daquilo que vai na mente do tradutor.
Em minha concepção, "espírito", nesse texto, é o que em Direito nós chamamos de "ratio essendi", e que Montesquieu denominou "o espírito das leis".
Creio até que, culto como era, Paulo pode ter usado seu conhecimento, quem sabe, jus-filosófico para dizer isso, que as pessoas distorcem tanto, achando que ele estava rejeitando o estudo e privilegiando o analfabetismo cristão. Nada mais tacanho!
Um texto não diz só com as palavras. Ele traz consigo o cenário, o contexto histórico, cultural, político, a situação geográfica, a forma literária, a autoria, a data, a ocasião da escrita, os motivos determinantes da redação. Tudo isso importa na interpretação e aplicação textual.
Quem pensar diferente tem que deixar de lado as enciclopédias, os manuais, comentários e dicionários bíblicos, os mapas e atlas, as concordâncias, os programas de informática que auxiliam o leitor da Palavra. É contraditório ser literalista e ao mesmo tempo usar recursos adicionais.
Não estou dizendo que devemos ir além da Palavra de Deus, mas que o estudo da Palavra de Deus exige que ultrapassemos os limites dos meros sinais gráficos, e possamos compreender o sentido e o alcance do texto pelo que ele mesmo oferece. Longe de ir além do texto, mas respeitá-lo, não ficar além nem aquém.
Falaremos disso um pouco mais, se Deus quiser.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Pensar nos outros - uma forma de amar

Não deveríamos viver em função de nós mesmos. "Ninguém é o centro do universo", diz a letra de uma conhecida canção brasileira ("Brincar de Viver", de Guilherme Arantes).
Imagino que o fato de Deus ser Trino nos fornece uma noção comunitária da Divindade. Quanto ao homem, não é bom que esteja só (Gn 2.18). Pensamos logo em casamento quando lemos esse versículo, mas antes disso Deus estava institundo o princípio gregário, segundo o qual o ser humano necessita viver em sociedade.
Israel é um povo. A Igreja é um povo. Jesus veio para salvar pessoas de diversas nações. Nos céus haverá pessoas de toda etnia, tribo, língua e nação. Tudo o que Deus nos oferece tem uma dimensão coletiva.
Diferentemente, nosso mundo é egoísta, individualista.
Vejo pessoas comuns, no dia-a-dia, querendo levar vantagem, ser primeiras em tudo. O camadara vê que há uma fila de carros para entrar no estacionamento, e mesmo assim vai enfiando a sua pick-up (tão frequente em Campo Grande-MS...) para ver se dá para entrar e pegar uma vaga. Pessoas furam o sinal na maior tranquilidade, como se o compromisso delas fosse mais importante que os do outro motorista. Qualquer gesto de renúncia e boa educação parece do outro mundo, a gente não está acostumado, acha que é abnegação demais.
Aliás, na Igreja nós falamos de amor como sendo a essência de Deus, o maior dos mandamentos, o resumo da Lei, a mais excelente das virtudes, muito mais que mero sentimento. No entanto, isso fica muito transcendental. Na prática, no cotidiano, na hora em que o meu fica ameaçado pelo que é do outro, aí sim é que o meu amor será provado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Barack Obama

O nome dele tem Hussein, como tinha o Saddam.
O nome dele parece com Osama...
O nome dele é Barack Hussein Obama.

Ele enfrenta Clinton, misto de passado e futuro.
Ele fala de Bush, misto de passado e presente.

Ele diz "Yes, we can".
Ele quer enfrentar o McCain.

Ele mesmo só fala de mudanças.
Ele entra no palco e mostra sua dança.
O pai era do Quênia. A mãe, do Kansas.

Ele foi contra a Guerra do Iraque.
Ele foi criado na Indonésia.
Disseram que ele foi muçulmano.
Acharam a avó dele no Quênia.
Ele já ouviu falar do Brasil.

O Obama está por lá,
O Obama vem aí.
Te cuida, Clinton. Te cuida, McCain.
Lá vem o rapazinho dizendo "We can".

Como um gafanhoto diante dos gigantes

Em Números 13 ficamos sabendo da história dos doze espias enviados à terra de Canaã para verificar as condições de vida naquele lugar. Em seu relatório, todos concordaram com o fato de que era uma boa terra para viver. No entanto, dez deles se atemorizaram por causa dos gigantes que ali moravam, enquanto apenas dois, Josué e Calebe, entenderam que poderiam vencê-los em nome do SENHOR.
De fato, havia gigantes naquele território, mas não eram tão grandes a ponto de um homem parecer um gafanhoto perto deles. O problema é que os dez espias se sentiram como simples gafanhotos. Eles eram como gafanhotos porque seus corações tornavam o gigante maior do que realmente era.
Eu me vejo como gafanhoto todos os dias. Vejo gigantes a todo instante, e uso uma lente de aumento que os potencializa de um modo absurdo. Admito essa fraqueza. Sei que isso não é bom, não é saudável nem recomendável pela Bíblia. Então, o que fazer?
Trata-se de uma auto-estima ou auto-imagem negativa ou depreciada. A gente se sente menos capaz ou menos talentoso do que é na verdade. O que se sente como gafanhoto se inferioriza, se cobra demais, quando os outros às vezes o admiram tanto.
Somos fracos em determinadas áreas, mas fortes em outras, e podemos aprender. Todos podem aprender. O medo, a timidez e o sentimento de culpa não foram concebidos no plano original de Deus para a humanidade.
Sem querer sem simplista, digo desde já que é necessário viver conforme o parâmetro original, que se resgata pela imagem de Deus, que é Cristo. Ele veio devolver ao homem a imagem de Deus embaçada no Éden. É preciso dar-se à restauração segundo a imagem de Cristo. A cura está no processo diário, não num instante. E creio que leva a vida inteira.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O sonho de ser pregador

Você, prezado leitor, já se pegou sonhando em ser pregador da Palavra? Tem em sua lembrança aqueles pregadores de renome, que dos púlpitos falavam poderosamente aos corações dos ouvintes, em nome de Jesus? Você algum dia quis ser como eles? Quis sair viajando como itinerante, para pregar em cruzadas evangelísticas, festas de mocidade e círculos de oração - perdoem o "assembleianismo" -, ou em conferências missionárias em manhãs de domingo? Você ainda sonha com tudo isso?
Todo sonhador só vê o lado romântico das coisas. Sem querer ser chato, creio que é necessário também pensar nas longas viagens, nos atrasos de vôos, nos dias que teria que passar distante da família, nas eventuais ou não tão eventuais dificuldades financeiras, a depender da venda de CD´s, DVD´s, fitas de vídeo, livros, e isso quando existirem; ou na necessidade de deixar a profissão, para ocupar-se integralmente no ministério. Cumpre ainda pensar na necessidade de oração constante, de preparo no estudo da Bíblia, de jejuns periódicos - não que isso não seja demandado ao cristão comum, mas veja que estou avisando! Há que se prever toda uma gama de situações, como o não impossível choque com líderes que pensam diferente, com teologias heterodoxas imperando em igrejas que te convidassem para pregar...
Além de tudo isso, é necessário verificar se há realmente vocação. Desconfio dos pregadores que não freqüentam a Escola Bíblica Dominical ou instituição congênere de suas igrejas. Sei que muitas igrejas sequer têm estudo sistematizado da Bíblia!!! Mas aqui o assunto é outro.
Pois bem. Se você, antevendo esse rol de percalços, ainda sonha em ser pregador, que Deus o ajude. Talvez seja mesmo um vocacionado. No entanto, gostaria de que você lembrasse do quão difícil e sério é o ministério da Palavra, principalmente no caso dos pregadores itinerantes. E, por fim, lembre de que o sonho não pode ser só seu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Quem será o próximo presidente dos Estados Unidos?

Os Estados Unidos têm a chance de eleger o seu primeiro presidente negro (Barack Obama), ou a sua primeira mulher presidente (Hillary Clinton), ou o primeiro mórmon (Mitt Romney). Antes havia na disputa um que queria ser o primeiro presidente italo-americano (Rudolph Giuliani), e outro que queria ser o primeiro presidente descendente de latinos (não recordo agora o nome dele). Concorrem ainda um herói da Guerra do Vietnã (John McCain), com grande possibilidade de ser indicado pelos Republicanos, e um pastor batista licenciado (Mike Huckabee). Será a oportunidade para se ver o inusitado na Casa Branca?
O inusitado eu creio que já foi visto. Os norte-americanos têm um presidente ex-alcoólatra, e, muito mais importante que isso, uma pessoa não elogiada por seus dotes intelectuais. Com efeito, circulam pela Internet vídeos, de brincadeira ou sérios, em que George W. Bush é apresentado como um idiota. Sim, muitos vêem nele um indivíduo sem inteligência, comandando a maior potência econômica e bélica do mundo. No período anterior eles tiveram um presidente diplomático, carismático e competente, mas que adulterou com uma estagiária e mentiu ao Parlamento sobre seu envolvimento com ela (Bill Clinton).
A verdade é que a pessoa vitoriosa em 04 de novembro de 2008 tomará importantes decisões para todo o planeta. Estão na mesa temas como a manutenção das tropas americanas no Iraque, o tratamento dado ao Irã, o processo de paz entre Israel e os palestinos, o tal do aquecimento global...Tudo isso passará pela mesa da Sala Oval da Casa Branca, e a última palavra será do presidente dos Estados Unidos.
Às vezes acho que o mundo inteiro deveria opinar numa votação dessas.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Pergunta da semana

Aos meus alunos da Classe Melquisedeque, da Escola Dominical, a pergunta da semana é a seguinte: Por que Jesus pode ser chamado "o profeta das nações"?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Devocional - Ainda é tempo de ficar tranqüilo

Estamos na "Era do Conhecimento" ou "Era da Informação". Sabemos, em tempo real, de fatos havidos do outro lado do mundo. Muita gente viu, em todo o mundo, ao vivo, as Torres do World Trade Center caírem. Eu assisti ao discurso do presidente George W. Bush declarando guerra ao Iraque, e de imediato vi as primeiras investidas. Vi tudo isso de madrugada, no televisor da casa de minha mãe lá na Bahia. As informações correm depressa.
A televisão, a Internet, os jornais, o rádio, os livros eletrônicos, os telefones celulares, tudo isso forma um amplo arsenal de conteúdos os mais diversos à nossa disposição. Milhões de pessoas no Brasil acessam a Internet, de um computador em casa, numa lan house ou de outras maneiras. O certo é que a informação tem uma celeridade muito grande, absurda.
Em meio a tudo isso, diante de tantas coisas, minha mente fica pequenininha. Não consigo apreender tudo sobre política, economia, saúde, culinária, psicologia, teologia, história, literatura, tecnologia, relações internacionais...
O coração fica apertado, não sou onipresente nem onisciente, embora o pensamento voe tão longe. Minha cabeça vai ao Japão, dá uma passada na Tailândia, retorna ao Brasil, bem no Piauí, mas eu estou em Campo Grande-MS.
Toda essa confusão me faz lembrar do Salmo 131. O salmista Davi escreveu: "SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes cousas, nem de cousas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma, como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre" (Sl 131).
Reconheço que Davi estava sendo humilde, rejeitando a soberba, a altivez, as grandes e maravilhosas coisas, e que preferia o sossego da criança que se recolhe nos braços da mãe. Sei que Davi estava prestigiando a simplicidade.
No entanto, podemos extrair mais esta lição: sossegar como bebê no colo da mãe é uma dádiva de Deus, que não exige que sejamos sabichões, nem podemos ser. Há um limite para tudo. Devemos ter discernimento, existem prioridades, existem informações necessárias e outras supérfulas. Precisamos escolher o que vamos ler, ouvir, assistir, pois o tempo é curto, e nossas vidas são preciosas.
Sossegar no colo da mãe é a proposta do SENHOR para nós, do Século XXI. Por isso, ainda é tempo de ficarmos tranqüilos - não precisamos correr com a multidão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Cai a Ministra da Igualdade Racial

A Ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Sra. Matilde Ribeiro, pediu demissão devido à descoberta de irregularidade no uso do chamado "cartão corporativo", com o qual acabou gastando, em 2007, cerca de 170 mil reais, dos cofres públicos. O que chama a atenção é que a Ministra denominou de "erro administrativo" o comportamento eticamente inadequado de utilizar o dinheiro público sem controle e sem justificativa legal.
Antes disso, fora extremamente infeliz ao dizer que não considera racismo um negro não querer conviver com um branco. E, assim, numa atuação sem destaque, a Ministra vai embora, com a sua fala impensada e seu cartão mal empregado.
A questão da ética não é mesmo bem conduzida pelo Governo. Os protagonistas do Escândalo do Mensalão disseram em 2005 que não houve corrupção, mas "uso de recursos não contabilizados" ou "caixa-dois" por razões eleitorais, tentando minimizar (?) os crimes cometidos contra o erário.
Sou servidor público federal e sei que as mínimas aquisições de produtos e contratações de serviços passam por um rígido controle administrativo. Há um suprimento de fundos para pequenas despesas, há licitações, há regras para os contratos administrativos há, enfim, o próprio cartão corporativo para dar - vejam bem - maior transparência ao gasto do dinheiro público. Existe uma pesada e necessária burocracia para as pequenas coisas, que, na verdade, são grandes, seja porque a soma é grande, seja porque a ética vale muito. No entanto, fico pensando se há esse controle todo quanto aos Ministros de Estado e ao pessoal do segundo e do terceiro escalão.
Haverá dois pesos e duas medidas? Será que o Brasil coa mosquito e engole camelo?
No que concerne à Ministra Matilde Ribeiro, que pena ela ter chamado o seu erro de "administrativo". Foi uma oportunidade perdida, que poderia ter sido usada para ela dizer: "Me desculpem". Afinal, o pedido de desculpas ainda tem seu lugar.


Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

Arquivo do blog

Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.