segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Estado laico não é pretexto para a defesa do aborto

Analistas "iluminados" gostam de usar o argumento de que o Estado é laico toda vez que os cristãos expõem sua posição sobre temas como aborto, união civil de pessoas do mesmo sexo e células-tronco embrionárias. Sim, a laicidade é um princípio republicano defendido primeiro pelos próprios cristãos, porque a separação entre Igreja e Estado é, na realidade, uma defesa para a liberdade da fé.
Agora, laicidade do Estado não se confunde com Estado secularista. Mesmo um Estado sem religião oficial e que permite a liberdade religiosa pode (e deve) estar atento a valores morais e filosóficos, sem necessidade de fundamentar suas políticas em livros sagrados nem quaisquer tradições religiosas.
A secularização estatal é problemática porque desconsidera totalmente o misterioso, o desconhecido, aquelas coisas que não se pode medir, como o início exato da existência humana e o que ocorre com a pessoa em estado vegetativo. Os secularistas desprezam o conceito metafísico de vida, pois só se interessam pelos elementos biológicos, materiais, palpáveis. Não se preocupam com a possibilidade de se imiscuirem em esferas que não lhes pertencem, como o poder de dar e tirar a vida. Com isso, revelam-se excessivamente pragmáticos, utilitaristas. Por exemplo, se o aborto é para os cristãos o assassinato de uma pessoa humana, os secularistas não se importam, crendo que se trata de mera crença religiosa. Todavia, independentemente de constar essa doutrina de algum credo, é de se indagar sobre o conceito mesmo de vida, existência, origem, destino, interferência humana nos acontecimentos.
Não somos fundamentalistas cristãos nem obscurantistas, como dizem Carlos Heitor Cony, Janio de Freitas, Elio Gaspari, Gilberto Dimenstein e tantos outros. Não somos medievais. Se só os secularistas puderem discutir aborto e outros temas sociais, onde iremos parar? É mesmo a democracia que eles defendem ou a democracia tem sido apenas um regime que lhes convém até hoje? Por que um crente não pode falar de aborto, casamento gay, divórcio, células-tronco? Somos menos cidadãos que os outros?
Acredito no sagrado, creio em Deus na Pessoa de Cristo, conheço as Escrituras, sou salvo pelo sangue de Jesus - e não peço aos legisladores que coloquem minha fé como regra legal. Longe disso! O que buscamos é a possibilidade real de discutir assuntos políticos a partir de nossas perspectivas.
Laicidade e secularização, volto a dizer, são coisas distintas. Podemos ser cidadãos livres num Estado laico, mas não será nada bom assumirmos uma postura de deificação do Homem. Se o Humanismo errou ao estabelecer que o Homem é a medida de todas as coisas, por que voltarmos a esse parâmetro equivocado?

sábado, 9 de outubro de 2010

Aborto, religião e eleições

Assim como ocorre nos Estados Unidos, o aborto passou a ser tema de campanha presidencial nas eleições brasileiras deste ano. E isso é bom! Alguns não gostam nada disso, é claro, a começar pelos petistas, já que são favoráveis à descriminação (ou descriminalização) do aborto. Mas há também jornalistas, como Gilberto Dimenstein e seus colegas da Folha, que acham essa discussão uma coisa obscurantista, medieval, fundamentalista e atrasada. Só que não é bem assim.

É bom esclarecer que todos têm direito de colocar na internet a informação que quiserem, desde que sem cometer crimes - a exemplo dos tipos penais de injúria, calúnia e difamação. Não é terrorismo exibir opiniões sobre os candidatos se o que se diz é verdade. Em 2006, o PT veiculou em seu programa eleitoral do segundo turno a informação de que Geraldo Alckmin faria privatizações, mas ele não prometera isso em sua campanha. Tudo não passou de um golpe de marketing político. Ora, se os petistas podem fazer terrorismo com as privatizações, por que os religiosos não podem informar o eleitor sobre as opiniões de Dilma e do PT sobre aborto? Não é tema político? Mesmo considerando que a preocupação em torno do aborto resulte de convicções religiosas, ele deixa de ser tema político por causa disso? Não é tema de direitos humanos, como consta do PNDH-3*? Quer dizer que aborto é assunto de direitos humanos quando se trata de descriminalizar, e deixa de ser assunto de direitos humanos quando um católico ou evangélico grita contra ele na internet? Tenha dó!

Evidentemente, a defesa da legalização ou descriminalização do aborto não é o único ponto de vulnerabilidade de Dilma Rousseff, sendo apenas um dos flagelos de sua pouco conhecida biografia de ex-guerrilheira, que, diga-se, o Superior Tribunal Militar decidiu esconder num cofre.
Dizem que a discussão sobre o aborto foi um dos principais motivos da ida para o segundo turno. Embora eu considere que o voto evangélico, em especial, tenha sido muito importante, penso que ele não se bitolou pelo tema do aborto, havendo muitos outros mais. É que temos em Dilma a possibilidade real de defesa de uma agenda liberal.
Quem suscita a "queda" de Dilma Rousseff por causa do aborto é porque acreditava piamente nas pesquisas, que, todas elas, se mostraram erradas. Na realidade, se acreditássemos firmemente nas pesquisas, diríamos que até a boca de urna Dilma ganharia, mas na hora do voto o eleitor se lembrou, por exemplo, de que ela é a favor da descriminalização ou da legalização do aborto, e aí, só aí, mudou de ideia e votou na Marina ou no Serra.
É certo que cerca de 20 milhões de brasileiros escolheram Marina Silva, entre evangélicos, católicos, ambientalistas, jovens, artistas, intelectuais, trabalhadores... E mais de 30 milhões escolheram Serra, não se podendo apequenar a força dos que não quiseram um terceiro mandato de Lula por interposta pessoa, ou que simplesmente não gostam do próprio governo Lula, como eu.
Voltando às pesquisas, agora chego a duvidar até mesmo de que Lula tenha os 80% de cada pesquisa. Se os mais importantes institutos erraram quanto ao resultado das eleições, por que eu acreditaria que Lula goza de 80% de "bom e ótimo"?
Reduzir o descontentamento com Dilma ao problema do aborto é como acreditar no discurso governista de que vai tudo bem, que nada há a criticar, e que apenas a candidata precida reforçar suas ideias pró-vida e usar o nome de Deus mais vezes...Tenha paciência!
Não voto em Dilma porque não aprovo o governo Lula, não aprecio a esquerda petista, não gosto de sua política externa, não avalizo o programa do PT, não concordo com a estrutura do Bolsa Família, não aceito o tratamento dado aos escândalos, não admito uma república sindical, não tolero tentativas de controle social da imprensa, não acato ex-guerrilheiros não-arrependidos, não simpatizo com amigos das FARC, de Fidel e de Chávez, e, acima de tudo, não gosto de um governo que amaldiçoa tudo o que recebeu dos governos anteriores e diz que tudo de bom foi ele que fez.
É certo que não desprezo o tema do aborto, mas ele é um dos muitos motivos pelos quais considero Dilma Rousseff a representante de uma esquerda perigosa para o Brasil - que, por sinal, não chamarei de "este país".

*Programa Nacional de Direitos Humanos III

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CARTA ABERTA AO SENADOR ELEITO WALTER PINHEIRO

Prezado Senador eleito Walter Pinheiro,

Há muitos anos ouvi falar do nome do senhor como candidato a deputado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Depois de um tempo fiquei sabendo que o senhor é evangélico, e um dia desses vi que pertence à Igreja Batista da Pituba, aqui em Salvador.
Comecei a votar em 1996, e até 2005 acreditei no PT e em Lula. Votei em Lula para presidente em 2002, assim como procurava votar em candidatos petistas para outros mandatos eletivos, crendo serem eles defensores da ética, dos bons costumes políticos e da justiça social. Na Bahia, era o PT uma força a combater o carlismo, e ser contra o carlismo já consistia num argumento e tanto.
Com o mensalão, passei a ter uma postura mais crítica em relação ao PT. Antes surgira o Waldomiro Diniz, além da tentativa de expulsão de Larry Rohter, correspondente do New York Times, por ter falado que Lula bebia demais. Os escândalos sucederam-se: aloprados, sanguessugas, quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB, provável tráfico de influência na Casa Civil (caso Erenice Guerra) e o dossiê com dados sigilosos de FHC e sua esposa - citando apenas os episódios de que me recordo agora.
Houve, ainda, a terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3)  propondo a descriminação do aborto, controle social da mídia, mitigação da propriedade rural, taxação de grandes fortunas, coisas do velho PT, mas que o presidente Lula deixara latentes até o final do seu governo.
Por falar em direitos humanos, houve a declaração de Lula no sentido de que não poderia interferir na situação da mulher iraniana condenada ao apedrejamento porque seria "avacalhação", tendo já comparado presos políticos de Cuba a presidiários comuns de São Paulo, exatamente no dia seguinte ao dia da morte do preso político que, segundo Lula, "se deixou morrer" (!).
E o que dizer da participação do PT no Foro de São Paulo junto com as FARC? Ou isso é mentira da "imprensa golpista"?
Não bastassem essas coisas todas, o presidente Lula feriu gravemente a legislação eleitoral, e de diversas formas, associando a isso alianças espúrias com Sarney, Collor, Renan Calheiros e Jader Barbalho, homens tão criticados pelo petismo num passado recente.
Em minha humilde concepção, creio que amadureci politicamente ao longo dos anos, e entendo que o maior mérito de Lula foi não ter aplicado em seu governo o programa econômico do PT - nem sei se existia, com substância, um programa econômico petista.
Excelência, tudo isso serve para que lhe faça uma simples indagação: como o senhor consegue ser cristão e ao mesmo tempo apoiar esse pessoal do PT? Não fiquemos limitados à questão em torno do aborto. Eu me refiro a tudo o que mencionei acima, e ao plus que o senhor conhece mais do que eu.
Onde o senhor estava? Diga-me, por favor, se dentro do partido o senhor se manifesta contrariamente a tudo isso. Quero ouvir que sim. Em seu lugar, afirmo que não suportaria, pois tenho uma tendência enorme de deixar bem claras as minhas convicções dentro de um grupo. Talvez criasse uma úlcera se me mantivesse calado, lançando-me ao Senado com o apoio de um líder populista que infringe as leis que jurou seguir.
O senhor, com sua imagem, me passa uma boa impressão. Sempre o considerei uma pessoa honesta, idealista. Todavia, grande é a minha decepção ao perceber que o senhor continua aí com o pessoal do PT. Se o senhor me der uma boa razão para continuar num partido que é o lado ruim da esquerda, eu prometo que publico aqui e elogio.





Submissão e amor

Tive o prazer de, na terça-feira, dia 05 de outubro, falar aos irmãos da Igreja Batista Nacional Bom Samaritano, igreja dirigida pelo Pr. Ezequias Conrado dos Santos. Usei o texto de Ef 5.22-33, umas das passagens necessárias ao estudo da família cristã, tema daquele culto. Vejamos um resumo do que refletimos ali:
Quando deparamos com textos bíblicos a respeito da família, precisamos nos despojar de princípios e valores mundanos, nos livrando, pois, de perspectivas, costumes e filosofias seculares.
Os textos de Paulo são comumente considerados machistas, fruto de uma sociedade patriarcal, como se o apóstolo escrevesse a partir de seus preconceitos sociais. Precisamos, portanto, deixar de lado os "óculos" que herdamos da tradição secular, sob pena de não entendermos a mensagem bíblica.
O pensamento de Paulo no texto em questão gira em torno de dois conceitos: a submissão e o amor.
Submissão, aos olhos do mundo, é o mesmo que subserviência, sujeição à opressão, à força, ao poder de outrem. Dizem as feministas que a mulher não deve ser submissa ao marido, mas sua ótica difere da ótica cristã, pela qual submissão é tolerância, respeito, paciência, andar junto.
Além disso, o versículo 21, imediatamente anterior ao texto comentado, exorta a uma sujeição recíproca e democrática, em que todos os crentes se sujeitam "uns aos outros". Assim, antes da submissão da esposa a seu marido, existe a submissão coletiva, que ocorre na Igreja, de uns para com os outros - o que naturalmente inclui a sujeição do homem para com sua mulher e da mulher para com o marido, na condição de cristãos. Em Cristo, todos são iguais.
Ainda sobre o movimento feminista, é preciso dizer que ele fez pesar sobre a mulher que escolhe ficar em casa um encargo injusto: ai da mulher que prefere, ao menos por um período, trabalhar em casa, cuidar dos filhos e do marido! Todo o peso do feminismo cai em suas costas, a dizer que ela não se emancipou. Isso é justo? E mais: as escolhas da mulher devem, antes de tudo, decorrer de sua individualidade, e não do gênero.
Entendo que, nesse texto de Paulo, o desafio maior e mais profundo é o do amor, e a exortação paulina ao amor dirige-se aos maridos, que devem amar suas esposas "como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela". Amor é compromisso radical, renúncia e sacrifício. O homem deve amar a sua esposa. Garanto que a mulher pratica a submissão cristã a um marido que a ama!
Ser cabeça do lar não significa que o homem deve ser autoritário. Longe disso! O homem deve ter atitude, não pode ser indeciso demais, fraco demais, inepto para tomar posição. Toda mulher aprecia a atitude, a postura do homem.
É necessário compreendermos o caráter revolucionário e transformador do Evangelho. Muitas vezes diremos coisas "politicamente incorretas" e "polêmicas", mas somos, de fato, uma contra-cultura. Se quisermos influenciar positivamente a sociedade, deveremos abraçar os princípios e valores cristãos em sua pureza.

domingo, 3 de outubro de 2010

Segundo turno, como imaginei!!!

Que alegria, teremos segundo turno para a presidência da República! Quando parte da imprensa dava por certa a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, eis que os números das urnas mostram que a disputa terá uma segunda etapa. Isso é bom para a democracia, pois agora teremos um espaço especial em que ambos os candidatos gozarão do mesmo tempo de TV, e muitas das informações declinadas ou omitidas poderão vir à tona.
Marina Silva surpreendeu com cerca de 20% de votos, e alguns comentaristas políticos na TV dizem tratar-se de aceitação de sua proposta ambientalista e de um "voto de vanguarda", como o de 1989, dado a Lula. Penso, porém, que pode ter havido muitos votos evangélicos em Marina Silva, mesmo ela não tendo usado a condição evangélica em sua campanha. Creio que o voto evangélico pode ter sido um dos fatores decisivos, pois, mesmo sem a indução por Marina, houve, na internet e a "boca pequena", demonstrações críticas a Dilma Rousseff, especialmente no que diz respeito a aborto. Sei que há boatos, como aquele de que ela teria dito "nem Cristo me tira essa vitória", mas a defesa do aborto é real em sua biografia, além de sua carreira terrorista.
Assisti na Veja On Line agora há pouco aos comentários de Reinaldo Azevedo, Ricardo Setti e Augusto Nunes, os quais dedicaram um espaço às eleições baianas. Em sua análise, comentaram que César Borges, antigo carlista que passou a apoiar Lula logo depois da morte de ACM, "conseguiu perder para Lídice da Mata". Disseram que César Borges era tão bajulador de ACM que no Senado usava gravata igual ao do padrinho. Eu já ouvira, de um amigo meu, a afirmação de que César Borges era mais carlista que Antonio Carlos. Pois é. Por outro lado, aqueles que atacaram o demista Paulo Souto por ter sido do grupo de ACM esquecem que Wagner governa com ex-carlistas e que seu vice, Otto Alencar, era carlista como Souto e Borges. Esses que esquecem o carlismo de Otto Alencar são os mesmos que gostam de lembrar que o DEM foi PFL, PDS e ARENA, mas esquecem que o PP, que apóia Lula e Wagner, vieram da mesma cepa.
Ao menos ao nível federal teremos segundo turno. No programa da Veja a que me referi, Augusto Nunes disse que Marina Silva telefonou para Aécio Neves marcando uma conversa, e adiantou que apoiaria o PSDB se este acatasse algumas de suas propostas. É esperar.
Antes de terminar, quero dizer que o voto evangélico deveria ser guiado por outros temas, que não apenas o aborto. Fico triste ao saber que erenices, dirceus e dossiês não são capazes de conduzir a uma flagrante derrota de Dilma. No entanto, fico menos feliz ainda por saber que algumas questões são tratadas com simbolismo demais e reflexão de menos.


Uma multidão mal-educada

Políticos não podem dizer tudo o que pensam. Daí vem a expressão "politicamente correto". Mas se eles não podem, eu posso, e vou dizer o seguinte: sem generalizar, afirmo que há um número absurdo de pessoas mal-educadas aqui na Bahia. Não me refiro ao povo para não cometer um erro, mas qualquer pessoa de bom senso percebe o quanto existe de deseducação em meu Estado.
Um exemplo disso é o mar de "santinhos" jogados no chão neste dia de eleições. Um camarada jogou vários deles em cima do meu carro enquanto eu passava, voltando da igreja. Pela janela, disse-lhe para não fazer aquilo, ao que me respondeu: "Ôxe, vai arranhar, é?" E eu retruquei: "Vai arranhar, e isso aí é crime eleitoral". Sim, é crime eleitoral reunir-se para fazer boca de urna. Qualquer tipo de propaganda eleitoral, a não ser aquela manifestação silenciosa do eleitor, é crime hoje. Mas quem sabe disso?
No trânsito, é um horror. Eles furam o sinal, "metem o terço", como se diz por aqui - pondo o carro na frente para forçar a passagem -, estacionam em lugar errado com o pisca-alerta ligado, como se isso fosse suficiente - e violam as mais diversas leis. E em minha rua, que é de mão única, frequentemente eu vejo carros vindo em sentido proibido.
Minha esposa, descendente de japoneses, tem que ouvir constantemente, no bairro, frases alusivas à sua aparência, à sua condição étnica. Mas ela não pode ir a uma delegacia e dizer que isso é racismo. Ou pode? Um médico amigo meu, que tem pele clara e descende de libaneses e alemães, não pôde entrar num estabelecimento no Pelourinho por não ser "negro". Isso não é racismo? Isso não é falta de educação?
A deseducação campeia por aqui. Às vezes estou tranquilo e passa uma criança, jovem ou mesmo adulto e dá um grito perto de mim, como se fosse razoável gritar perto de alguém. O indivíduo quer chamar a atenção de outrem e grita aos meus ouvidos.
No caminho da escola, a pé, minha esposa ouve filhos respondendo mal aos pais, e ela precisa mostrar à minha filha que aquilo é errado, pois em casa não ensinamos assim. E tem mais: muitos motoristas até diminuem a velocidade para ver minha filha, brincar com ela, mas não são capazes de parar e dar passagem.
O educado passa a ser visto como bobo. Dar o lugar a uma senhora no ônibus? Nem pensar. Ah! Lembrei de que dia desses ia de ônibus ao dentista quando uma moça ligou o celular só para tocar uma música em volume alto, do pior estilo possível. Tudo bem, que ela ouça o que quiser. Mas eu preciso ouvir também?
Tenho o salvo-conduto dos que não são políticos. Posso dizer, sem ofensas, o que muita gente gostaria de dizer e não tem oportunidade. Espero em Deus que pelo menos os evangélicos sejam mais educados do que a média estadual e nacional...Haja oração!



sábado, 2 de outubro de 2010

E a democracia cristã?

Hoje fiz uma breve pesquisa na internet sobre a democracia cristã, lembrada no famoso jingle "Ey-Ey-Eymael, um democrata cristão". Descobri muitas coisas interessantes, que o pequeno tempo de propaganda do PSDC (Partido Social Democrata Cristão) não consegue mostrar. Como a pesquisa se deu a partir da Wikipedia, pode conter incorreções, mas dá notícia do que seja o movimento. Também li alguma coisa do site do partido do Eymael.
Pelo que li, a democracia cristã é uma corrente política nascida na França e na Alemanha, que depois se espalhou pela Europa e pela América Latina. A Alemanha e a Itália já tiveram estadistas democratas cristãos: Konrad Adenauer, Helmut Kohl e Angela Merkel, na Alemanha, e Alcide De Gasperi, primeiro-ministro italiano. Vicente Fox, presidente do México, também é exemplo de democrata cristão, assim como o ex-presidente do Chile Eduardo Frei Montalva.
A democracia cristã teria surgido como reação à política de intolerância religiosa, com uma pregação de separação entre Igreja e Estado. Nos países protestantes, a resistência foi católica; nos católicos, a resistência foi protestante. Muito de sua filosofia política estaria baseada em Encíclicas Papais como a Rerum Novarum, de Leão XIII. Pelo que estudei quando pesquisava a função social da propriedade - com bolsa do CNPq -, algumas Encíclicas Papais foram muito importantes na área de justiça social.
Um dos mais proeminentes democratas cristãos foi o teólogo e estadista holandês Abraham Kuyper.
Os democratas cristãos têm sua Internacional Democrata Cristã ou Internacional Democrata Centrista, assim como os esquerdistas têm a Internacional Socialista ou o Foro de São Paulo. Nos diversos países, os partidos podem divergir em determinados assuntos, e até adotar variações denominacionais. Há democratas cristãos no Parlamento da União Europeia.
A democracia cristã discorda da eutanásia, do aborto e da união civil de pessoas do mesmo sexo; defende valores da moral cristã e uma economia social de mercado, pregando contra o comunismo e contra o capitalismo desumanizado. Alinha-se com o liberalismo econômico, mas também com o pensamento social-católico. É considerada uma ideologia de direita, pois contraria o socialismo, advoga políticas de reformismo social e combate ícones sociais da esquerda, especialmente no campo moral, como os acima mencionados.
Descobri, ainda, que o jurista Cerarino Júnior foi um dos ilustres democratas cristãos brasileiros, e que até mesmo Jânio Quadros foi democrata cristão, para minha surpresa. E não posso esquecer do hoje candidato Plínio de Arruda Sampaio, a quem Dilma "acusou" de ter vindo da direita.
O Partido Democrata Cristão (PDC) surgiu em 1945, foi cassado, como todos os demais, em 1965, e somente em 1985, com a redemocratização, pôde retornar, tendo José Maria Eymael como deputado constituinte, além de outros representantes eleitos. Houve em 1993 uma fusão com o PDS (Partido Democrata Social, antiga ARENA), formando o PPR (Partido Popular Reformador), que depois veio a ser o PPB (Partido Progressista Brasileiro) e que desde 2006 se chama PP (Partido Progressista).
José Maria Eymel, membro do PDC, teria fundado o PSDC em 1995 por discordar da fusão com o PDS.
Agora, por que comecei a procurar informações sobre a democracia cristã? Buscava partidos de direita, algo muito difícil hoje, pois ser de direita no Brasil, ao menos depois do regime de 1964-1985, parece pecado. Todo mundo quer ser de esquerda ou de centro, principalmente após o lulismo.
O curioso é que a democracia cristã, tão proclamada por Eymael, candidato à presidência, em sua musiquinha, é um movimento de elevadas proporções internacionais, mas que a juventude não conhece. Tudo bem, pode ser que hoje esteja um tanto fora de moda, mas o seu ideário, embora tenha surgido no mundo em período bem diferente, pode ser renovado sobre as mesmas bases: direitos humanos; liberdades fundamentais; Estado laico, mas não secularizado; combate ao aborto, eutanásia, casamento entre homossexuais; justiça social. Esses temas não deixam de existir nunca.
Alguém poderá considerar anacrônico o meu texto, ou imaginar que estou declarando voto no candidato do PSDC. Não é esse o meu propósito aqui. Como estamos em época eleitoral, meus pensamentos acabam ficando povoados de política, e procuro obter informações úteis.
Quem sabe a direita qualificada um dia não se fortalece no Brasil? Os da esquerda são fortes e organizados, têm gente boa lá dentro e propostas voltadas à igualdade. Todavia, não gosto de um pluralismo falso, em que todo mundo pensa parecido. Sem uma boa direita, sem uma direita de verdade, as esquerdas farão o que quiserem.



Fontes de pesquisa:



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Uma opinião sobre os candidatos à Presidência depois do último debate

Os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) evitaram o confronto no debate da Rede Globo, de maneira que nem Serra perguntou a Dilma, nem Dilma perguntou a Serra. Buscaram eles manter os votos que têm. Na minha opinião, o erro é de Serra, que está atrás e precisaria mostrar um diferencial, notadamente no campo dos princípios republicanos.
Poderia Serra perguntar a Dilma por que Lula diz que ela é responsável por tudo de bom do seu governo, mas ao mesmo tempo nada sabe de tudo de ruim que ocorreu na Casa Civil, como o provável tráfico de influência sob as barbas de Erenice Guerra, pessoa de sua confiança e que a sucedeu no comando daquele ministério. Poderia ter perguntado por que ela esconde sua verdadeira opinião sobre o aborto. Poderia ter perguntado por que ela hoje acolhe informalmente o José Dirceu em sua campanha, assim como Antonio Palocci, além de ser acompanhada por políticos que são réus do mensalão petista federal. Poderia comparar o que o PT fez com mensaleiros e aloprados com o que o DEM fez com José Roberto Arruda e outros do mensalão candango. Poderia perguntar sobre liberdade de imprensa. Poderia defender mais o governo FHC, e explicar que o que existe de bom no governo Lula decorre fundamentalmente da política que os petistas atacaram ferozmente a vida toda.
Como sempre, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pregou suas propostas socialistas, como o aluguel compulsório e o não-pagamento e auditoria da dívida externa, sob aquela toada de que seu partido luta contra o sistema capitalista, contra as elites dominantes. De qualquer modo, é o único candidato que emociona. Confesso que quase chorei em suas considerações finais (sem ironia!) - ele falou muito bem, e ao final proclamou um sonoro "Viva o Brasil", com as mãos para cima. O que falta nele principalmente é uma boa proposta política, mas, sem nenhuma dúvida, tem capacidade de comunicação como nenhum dos seus adversários.
Marina Silva (PV) veio mais uma vez com aquele discurso de planejamento estratégico do Brasil e de candidatura de terceira via, a fim de furar o tal plebiscito PT/PSDB, mas creio que teoriza demais e não se faz compreender pelo eleitor. Teve que ouvir de Serra que, na época do mensalão, continuou no governo.
Dilma e Serra saíram-se bem, e digo isso quanto à forma de comunicar propostas, mas Serra me parece muito mais preparado. Fora essas promessas estranhas de 13º bolsa família e salário mínimo de R$600,00, ele me convence mais.
Foi a primeira vez que ouvi Dilma Rousseff se referir a Deus, o que fez em suas considerações finais. É claro que fez isso de caso pensado, porque há aquele problema com evangélicos e católicos por causa do seu pensamento sobre o aborto. Aliás, como sustenta corretamente Reinaldo Azevedo em seu blog, alguns jornalistas entraram no erro de dizer que a defesa dilmista do aborto seria mero "boato", quando ela efetivamente concorda com o aborto, como escrevi no post anterior. Algumas coisas espalhadas na internet devem ser boatos, como aquela história referente à sua vida íntima, mas isso não importa na escolha de um representante político. Todavia, não é boato que Dilma Rousseff defende o aborto, participou de grupos terroristas de esquerda, escolheu mal pessoas para ocupar a Casa Civil e é suspeita de ter comandado a elaboração de um dossiê com dados sigilosos de FHC e sua esposa, dona Ruth Cardoso.
Voltando a Marina Silva, no início eu criei grande expectativa sobre ela por ser uma pessoa honesta, séria, que tem experiência política e não usa o ser evangélica para ganhar votos. Entretanto, erra ao defender plebiscito para a decisão política sobre descriminação do aborto e descriminação do uso de maconha, quando se trata de temas em que deveria mostrar sua firme posição cristã. Marina Silva tem sua origem petista bem evidente. Muitos dos artistas, socialistas e ambientalistas que hoje apóiam Marina votaram em Lula em 1989, crendo que ele seria extremamente ético e revolucionário. Não estou supondo que Marina seja uma versão feminina de Lula, pois são figuras muitíssimo diferentes. O fato é que muito desse pessoal que cultiva esperanças em Marina Silva vem da mesma cepa daqueles que apoiavam Lula em causas libertárias mas sem consistência prática. E há também uma tardia onda evangélica.
Gostaria imensamente de que houvesse segundo turno. Fico triste com a situação do Brasil, em que um presidente populista, mitificador e violador da Constituição segue com quase 80% de aprovação popular, operando uma revisão da história com muita propaganda errada, iludindo o povo com números fantasiosos, como os do PAC e do Minha Casa, Minha Vida, além do bolsa-família, que é útil, mas não pode ser mais do que um mecanismo provisório de transferência de renda.
No próximo dia 3, a decisão é do povo. Que Deus nos ajude.

sábado, 25 de setembro de 2010

O pensamento abortado de Dilma Rousseff sobre o aborto

Nesta semana, no debate com os presidenciáveis promovido pela CNBB, a candidata Dilma Rousseff abortou seu próprio pensamento sobre o aborto, metáfora que utilizo para afirmar que ela simplesmente escamoteou o que pensa, o que o PT pensa e o que seu governo pensa.
No debate, com a clareza de raciocínio que lhe é característica, Dilma Rousseff disse ser contrária ao aborto, para logo depois vacilar, dizendo que não sabe se acha que o aborto poderia ser permitido além das exceções previstas no Código Penal (risco de vida da mulher e gestação decorrente de estupro). Além disso, saiu-se com aquela tese petista de que aborto é questão de saúde da mulher. Foi tudo mera tergiversação, para não falar claramente que, sim, defende a legalização do aborto.
Reinaldo Azevedo aponta, em seu blog, dois momentos em que Dilma Rousseff mostrou o que de fato pensa sobre o aborto: a) em 2009, em entrevista à Marie Claire, disse ser favorável à legalização do aborto; b) recentemente, ajudou a produzir o Programa Nacional de Direitos Humanos III, que propõe a legalização do aborto; c) já defendera esse ponto de vista numa sabatina da Folha de S. Paulo em 2007.
Se for eleita, e com provável maioria no Congresso, Dilma Rousseff não terá dificuldade em aprovar o aborto, com a bênção de Edir Macedo, que concorda com o aborto, numa interpretação bíblica horrível - como sói acontecer com todas as suas interpretações bíblicas.
Seria muito mais honesto se Dilma Rousseff dissesse com todas as letras: "Defendo a legalização do aborto". Assim ela daria aos eleitores uma palavra decisiva sobre o que entende ser melhor para a mulher, para o feto e, enfim, para a sociedade.
Querem saber de uma coisa? Numa era repleta de informações e com anticoncepcionais à vontade, nem mesmo o argumento pragmático justificaria a descriminação (ou descriminalização) do aborto. É um absurdo que se entenda o feto como simples extensão do corpo da mulher, quando a biologia está cansada de ensinar que se trata de outra vida.
Receio que esse não seja o único tema em que Dilma Rousseff diz uma coisa e pensa outra, completamente diferente. E sua eleição poderá ser uma terrível guinada para um mundo de surpresas anunciadas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Manifesto pela democracia

Acaba de ser lançado o Manifesto em Defesa da Democracia, texto assinado por cientistas políticos, juristas e artistas contra a onda de ataques à liberdade de imprensa, ao Estado de Direito e à democracia por parte de Lula, de seu partido e do governo. Hélio Bicudo, Marco Antônio Villa, Carlos Velloso, Bóris Fausto e Mauro Mendonça são alguns dos que assinaram o documento até agora.
Haverá, segundo o jornal O Estado de São Paulo, um ato público na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco ao meio-dia de hoje, 22 de setembro.
É uma excelente e oportuna manifestação, a que dou meu apoio como cidadão brasileiro. Vejamos o texto na íntegra:

"Se Liga Brasil
MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há "depois do expediente" para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A esperança cristã é real e não constitui uma fuga da realidade OU Minha esperança como crente nestas eleições

Como cristão, conto com a esperança, uma das virtudes fundamentais, ao lado do amor e da fé. Não podemos ser cristãos e ao mesmo tempo desesperados. Não podemos criar uma "teologia da desesperança". Por causa da ressurreição de Cristo, temos o que Paulo chamou de "bendita esperança". Ela não depende de circunstâncias, nem de conjunturas econômicas, sociais ou políticas. Tudo pode ir de mal a pior, mas ainda assim a Igreja cultiva o esperar em Deus.
Esperança não é fugir da realidade. Quanto mais conheço a vida, mais sinto a necessidade de esperar o cumprimento das promessas do SENHOR. Vejo que a Bíblia se cumpre a seu tempo, e que nenhuma filosofia, conceito ou política consegue oferecer o sentido que encontrei no Evangelho. Nada vi na Palavra de Deus que tenha sido comprovadamente achado falho. Toda a minha esperança decorre da perfeição das Escrituras, tanto em sua ausência de erros como na força da mensagem da Cruz.
Dito isso, afirmo a minha certeza de que Deus não desamparará o Seu povo, seja qual for o próximo presidente, e sejam quais forem os demais representantes eleitos agora em 2010. Meu hábito de ler jornais diariamente e de acompanhar de perto as notícias sobre política me deixa informado de quantas coisas ruins se anunciam na seara político-institucional, e tenho escrito aqui sobre isso. Todavia, essa é a dimensão terrestre, em que enxergamos de maneira nebulosa, ainda. Sei que precisamos refletir e combater o bom combate, mas que há um Deus Soberano coordenando a história.
Sim! Diferentemente de Ricardo Gondim, creio que Deus dirige a história segundo Seus propósitos, e nem sou calvinista! Ora, minha esperança cristã faz com que eu tenha tranquilidade para viver a vida que Deus me concedeu, sem descuidar da reflexão e dos necessários questionamentos.
A esperança não combina com aquele tipo de escatologia alienada, que prega o terrorismo apocalíptico e a tese de que tudo vai ficar pior mesmo, e que, portanto, de nada adiantaria lutar pelo aperfeiçoamento da vida em sociedade nem pelo meio ambiente. Essa profecia é autorrealizável: eu não interfiro positivamente no mundo porque sei que ele vai piorar, e o mundo piora porque eu não interfiro positivamente no mundo. Ora, se tudo vai dar errado, espero que eu não tenha contribuído para isso!
Uma questão importante é compreender que a crença nos desígnios de Deus não nos impede de promover o bem. Essa é talvez uma das chaves para entendermos o diálogo entre história e escatologia.
Como deixei claro em outros posts, não sou simpático a Lula, Dilma Rousseff e PT, e gostaria imensamente de que esse grupo deixasse o governo federal. Entretanto, aconteça o que acontecer, tudo está em Deus. Eu só preciso acreditar que Deus não é menor que a minha consciência e capacidade de raciocínio: se fosse menor, eu é que seria deus, e então, só então, eu diria que estamos perdidos.

domingo, 19 de setembro de 2010

A Aliança de Batistas do Brasil e sua defesa escancarada do PT

Conhecem o Reinaldo Azevedo? Pois é. Vou imitá-lo e fazer, como ele, um vermelho e azul para criticar o pronunciamento da Aliança de Batistas do Brasil, que, em resposta certamente ao movimento contra a iniquidade, andou dizendo umas coisas de arrepiar. Vejamos o texto deles em vermelho e meus comentários em azul (com grifos meus):

"A Aliança de Batistas do Brasil vem, por meio deste documento, reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamos um povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.
Ótimo. Então isso quer dizer que essa Aliança de Batistas, e não dos Batistas, como felizmente se propõe, também não pode falar pelos batistas, pois consiste num grupo esquerdista de líderes muito distantes de representar o pensamento batista brasileiro, e muito menos o pensamento evangélico brasileiro. Ao menos isso.
Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas: (1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado; (2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as ideias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.
Vamos lá: esse pessoal se aproveita da tradição democrática dos batistas para transmitir conceitos nada batistas e tampouco evangélicos. Não conheço nenhuma tentativa de demonizar o PT dentre as fileiras evangélicas. E se a Aliança de Batistas não é representativa da "voz batista", como consegue afirmar que a suposta demonização do PT seria "um posicionamento muito pontual e situado"? Quem lhes deu autorização para dizer isso? Quem estaria demonizando o PT?
1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade. Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil. Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?
Perceberam a sutileza? Essa Aliança de Batistas é ecumênica, e num sentido ruim: eles querem o diálogo com tradições religiosas diversas ao fundamento de que o Corpo de Cristo seria "misteriosamente Uno e Diverso". Sei de que mistério se trata... Isso me parece universalismo, e não ecumenismo, que também merece reparos. E vão adiante: criticam a composição do movimento entre evangélicos e católicos como uma coalizão imoral e oportunista, como se somente eles pudessem "dialogar" com os católicos. Esquecem que se cuida de um movimento de conotação política, não fundado em concepções teológicas de aproximação.
2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniquidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?). Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós. Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniquidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniquidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!
Já ouvi esse discurso antes. Sim, é o discurso de Lula e do PT: "Caixa dois é o que se faz sistematicamente no Brasil", disse o presidente para racionalizar e ocultar o esquema do Mensalão. Diante de requerimentos de CPI para apuração de denúncias de corrupção, clamam por uma extensão das investigações até o período de FHC, que, aliás, teria deixado uma "herança maldita" ao governo Lula. E essa história de governo "neoliberal" chega a ser engraçada: o que efetivamente Lula fez de tão novo, que se distancie da política econômica de FHC? Não estão mais ricos os banqueiros e os investidores internacionais? Quais os fundamentos da economia em que Lula mexeu? Qual o avanço econômico e social que não tenha decorrido dos governos anteriores? E qual a solidez desse discurso segundo o qual Lula fez sozinho o combate à iniquidade social? Foi por acaso ele quem criou o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal ou foi ele quem, ao contrário, pregou contra as principais políticas que hoje defende? Ó, Aliança de Batistas do Brasil, defender o PT já é demais; imitar a ladainha dele é pior ainda para quem se considera preocupado com "o rigor da crítica e da autocrítica". Isso é o que segue:
3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados. Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade. Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.
Estou enganado ou essa Aliança de Batistas deseja algum tipo de controle dos meios de comunicação? Espero que não, pois, afinal, eles são democráticos... São batistas! E se não disserem que informações, vídeos, textos e outros recursos foram manipulados, fico imaginando que têm dúvidas sobre os crimes do governo e sobre se o Programa Nacional de Direitos Humanos III diz mesmo que diz. Fico imaginando se eles acreditam mesmo que o PT aprova as FARC, o aborto, o Foro de São Paulo, a lei de homofobia, ou se entendem que tudo não passa de manipulação de textos e imagens.
4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica. Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins, citado por W. Shurden). Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do Estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o Estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.
De modo quase subliminar, o tema desse tópico é a descriminação do aborto, também chamada de "descriminalização" ou "legalização". A Aliança esquerdista batista, sob o pretexto da laicidade do Estado - isso não foi o PT que inventou -, mostra seu desprezo à questão do aborto, tornando-o apenas mais um tema de política, sem atentar sequer para argumentos não-religiosos contrários ao aborto. Deixar essa discussão de lado, como se a Igreja nada tivesse a dizer, é um abuso, uma tergiversação própria de gente ligada ao PT. Na verdade, quem aprova o aborto e não quer dizer isso claramente se sai com essa: "Deixemos para o Estado resolver". Nada teriam os batistas da Aliança de esquerda a dizer sobre o mérito da questão?
5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do Estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da Reforma Agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria. Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”. Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.
Começo pelo final: fim da história quem propõe é a escatologia do PT, como se, em sua mitificação, Lula houvesse descoberto o Brasil em 2003 e tudo houvesse começado por ele, e agora tivesse que ser garantido pela candidata a sucessora, Sra. Dilma Rousseff. A afirmação do início do tópico no sentido de que o PT possui bases populares precisa de um crivo histórico: como diz o sociólogo Demétrio Magnoli, o PT nasceu da conjunção entre sindicalistas, católicos e comunistas. Quem domina hoje o PT? Os católicos? Não. Quem domina é o grupo sindicalista; e o que domina é a lógica de gente como os aloprados de 2006, de gente que gosta de quebrar sigilos e compor dossiês. E não me venham com essa história de substituição da sociedade por um partido. O PT não é uma instituição pública da sociedade brasileira. O PT é apenas um dentre vários partidos, e não um patrimônio a ser tombado. Sobre o peleguismo varguista e o MST, tenho a dizer que me admira esses batistas de esquerda não saberem a) que Lula fez um acordo tácito com os movimentos sociais e com os sindicatos, manietando-os com dinheiro público e partidarização, numa cooptação que jamais contribuirá com os interesses dos pobres e trabalhadores; b) e que o MST é um movimento liderado por profissionais da desobediência civil socialista e organizada, que procura implantar a desordem em nome de uma reforma agrária desconectada com o mundo real.
Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.
Fogueiras da inquisição e ditadura de 1964-1985 são duas figuras muito fortes, não? Demonização do PT também é. Quem está demonizando o PT? Se um membro do partido vota contra as propostas de seus congressos e conferências, não será punido? Olvida-se o compromisso do PT com essas coisas que lhe são atribuídas, por exemplo, pelo movimento contra a iniquidade? E mais: é preciso dizer que a candidata petista, assim como muitos de seus colegas comunistas, não lutaram pela democracia, mas em favor de uma ditadura do proletariado. O que os batistas dessa Aliança dizem sobre isso?
É lamentável que uma entidade dita cristã defenda um partido e um governo como se fosse sua advogada, fazendo supor que se trate, não de uma carta aberta aos evangélicos ou especificamente aos batistas, mas, isto sim, de uma prestação de contas ao PT e seu governo, como a dizer: "Temos 'batista' no nome, mas não somos iguais aos batistas que não pensam como vocês".


A declaração dessa Aliança foi assinada em Maceió/AL, em 10 de setembro deste ano, e subscrita por diversos líderes. Vejamos seus nomes e igrejas:

Pastora Odja Barros Santos – Presidente

Pastores/as batistas membros da Aliança
Pr. Joel Zeferino _ Igreja Batista Nazaré – Salvador (BA)
Pr. Wellington Santos – Igreja Batista do Pinheiro – Maceió (AL)
Pr. Paulo César – Igreja Batista Bultrins – Olinda (PE)
Pr. Paulo Nascimento – Igreja Batista da Forene – Maceió (AL)
Pr. Reginaldo José da Silva – Igreja Batista da Cidade Evangélica dos Órfãos – Bonança (PE)
Pr. Waldir Martins Barbosa – Igreja Batista Esperança – Salvador (BA)
Pr. Silvan dos Santos – Igreja Batista Pinheiros – São Lourenço da Mata (PE)
Pr. Marcos Monteiro – Comunidade de Jesus – Feira de Santana (BA)
Pr. João Carlos Silva de Araujo – Primeira Igreja Batista do Recreio – Rio de Janeiro (RJ)
Pra. Marinilza dos Santos – Igreja Batista Pinheiros – São Lourenço da Mata (PE)
Pr. Adriano Trajano – Chã Preta (AL)
Pr. Pedro Virgilio da Silva Filho – Serrinha (BA)
Pr. Gilmar de Araújo Duarte – Primeira Igreja Batista de Brás de Pina – Rio de Janeiro (RJ)
Pr. Alessandro Rodrigues Rocha – Segunda Igreaja Batista de Petrópolis - Petrópolis (RJ)
Pr. Nilo Tavares Silva – Igreja Batista em Praça do Carmo - Rio de Janeiro (RJ)
Pr. Luis Nascimento – Princeton (New Jersey) – EUA
Pr. Raimundo Barreto – Falls Church (Virginia) – EUA



PS: Retirei o texto do seguinte endereço: http://www.pavablog.com/2010/09/17/eleicoes-2010-pronunciamento-da-alianca-de-batistas-do-brasil/

 







A mensagem do Pr. Paschoal Piragine

Circula na internet um vídeo em que o Pr. Paschoal Piragine, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, fala sobre sua adesão ao movimento cristão contra a iniquidade, cuja preocupação central é o combate a projetos de lei que poderão sair vitoriosos nestas eleições gerais de 2010.
Trata-se, por exemplo, do PLC 122/06 - chamado de "lei da mordaça" -, que busca criminalizar a conduta de crítica ao homossexualismo, e de outros projetos e tendências, como a legalização do aborto, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o infanticídio em tribos indígenas, o apoio ao divórcio. Um vídeo apresentado na palestra do pastor Piragine mostra, além disso, comportamentos como a pornografia, a pedofilia e a violência familiar na condição de fatos frequentes em nossa sociedade.
O pastor cita especificamente o Partido dos Trabalhadores (PT) como aquele que "fechou questão sobre essas questões" e que expulsa filiados que votam contra "qualquer uma dessas leis". Cita ainda o Programa Nacional de Direitos Humanos III, já aprovado pelo governo petista, o qual menciona assuntos insertos no vídeo acima referido.
Tenho uma série de coisas a dizer sobre isso: primeiro, é legítimo o posicionamento de cristãos sobre temas políticos os mais diversos, e não apenas os de cunho sexual, familiar ou que toquem em valores como a vida, a fé e a liberdade.
Segundo, iniquidade não é só aborto, homossexualismo, divórcio por qualquer motivo, pornografia, pedofilia e violência doméstica, mas também injustiça social, corrupção, manipulação de mentes e confusão entre o público e o privado.
Embora pense assim, não vou atacar os irmãos que, como o pastor Piragine, levantam a sua voz política somente quanto a temas ligados à pauta evangélica, pois, para todos os demais assuntos, existem partidos políticos. Quanto a assuntos remanescentes da moral e da ética cristã, quem falará senão a Igreja?
Discordo de algumas nuances desse movimento, e penso na laicidade do Estado como um aspecto que não se pode olvidar. Por exemplo, no que concerne ao casamento gay, sou totalmente contrário - assim como, espero eu, a totalidade dos evangélicos -, pois casamento é uma palavra e um conceito empregado para pessoas de sexos opostos. Entretanto, tenho me inclinado a pensar que, se o Estado é laico, e se duas pessoas, do mesmo sexo ou não, com interesse sexual ou não, constroem uma vida em comum, com investimento de dinheiro e planejamento de vida, é necessário que se lhes assegurem direitos pelo Estado (sucessórios, previdenciários, obrigacionais). Mas isso não significa que eu aceite a agenda homossexual nem que eu concorde com eles em seu estilo de vida. É apenas o reconhecimento de sociedades que de fato existem.
Todos os temas de interesse da Igreja devem ser tratados com argumentos metarreligiosos, pois só assim a sociedade nos ouvirá. Não adianta dizermos que isso ou aquilo não é bíblico. Precisamos mostrar, por exemplo, que o PLC  122/06 fere as liberdades de crença, consciência, expressão e religião; que o aborto é verdadeiro assassinato, porque, in dubio quanto ao começo da vida, deve-se pender para o menor risco à vida do indivíduo; que o infanticídio em tribos indígenas fere direitos fundamentais da pessoa humana, aqueles que nenhuma cultura deve desprezar. Não podemos usar argumentos exclusivamente religiosos, pois ao mundo isso não importa, e é na sociedade que esses temas são debatidos.
De toda maneira, aprecio enormemente que um pastor com trinta anos de ministério use a internet para falar umas verdades de que o Brasil precisa saber. O PT constitui, sim, um problema sério, não somente nessa seara da "moralidade cristã", mas em variados setores, como a liberdade de imprensa, a legalidade, a normalidade das instituições, os bons costumes políticos e a compra de consciências.
No próximo post, vou tratar de um pronunciamento da Aliança de Batistas do Brasil sobre esse movimento que surge contra a iniquidade.


Em time que está ganhando não se mexe?

Uma das características do presidente Luiz Inácio da Silva é abusar de metáforas futebolísticas. Afora a demasiada simplificação de temas sérios e complexos, o que vejo nessa frase em particular é a síntese do pensamento lulo-dilmista que toma conta da campanha eleitoral e dos comentários na internet. Até mesmo temos as coligações estaduais que se apresentam como "o time de Lula", para que o povo entenda, com recurso ao futebol, que os candidatos são afinados com o presidente-cabo eleitoral.

A frase-título desse artigo pode servir a comentaristas de futebol, mas merece reparos na seara política. Primeiro, uma análise conjuntural: o time está ganhando mesmo? Segundo, uma análise filosófica: o que é ganhar?

O time de Lula está ganhando em revisão da história, mistificação do seu líder populista, desrespeito às instituições, compra de votos institucionalizada, consagração da "lei do Gerson", desprezo pelos direitos individuais. Não consigo ver uma reforma importante que tenha sido produzida pelo time de Lula. Eles mudaram o que na educação, na saúde, na segurança, no desenvolvimento econômico, na estabilidade econômica, nos costumes políticos?
Mudanças houve para pior: o time de Lula conseguiu recontar a história de 500 anos do Brasil, descoberto pelo operário do ABC em 2003. Embora o Plano Real já existissse e tivesse sido alvo de críticas de Lula e do PT, o presidente fingiu que tudo o que os governos anteriores fizeram foi lhe deixar uma herança maldita. O mesmo se diga quanto à Lei de Responsabilidade Fiscal, os genéricos, o PROER, a quebra de patentes de remédios contra a AIDS, a luta, na OMC, contra os subsídios americanos, o Bolsa-Escola, que Lula chamava de "bolsa-esmola". O populista conseguiu fazer com que a maioria acreditasse que ele criou o Bolsa-Família, quando este é uma junção de benefícios do odiado FHC. Mais do que isso, Lula piorou o benefício, transformando-o num instrumento de marketing político, como, de resto, são o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. Nem preciso mencionar que Lula lidera uma política externa sofrível, com vergonhosas atuações no caso de Honduras, Cesare Battisti, Bolívia, Cuba, Irã (nos episódios do acordo pelo enriquecimento de urânio e no da afirmação lulista de que é "avacalhação" pedir a revisão da pena de uma mulher condenada ao apedrejamento).

Economicamente, o time de Lula se ufana, mas não diz que o Brasil poderia ter crescido muito mais, dada a onda de crescimento que o mundo viveu em quase todo o período lulista. O bonde passou e nós perdemos.

Sinceramente, não vejo nada na gestão de Luiz Inácio da Silva que possa guindá-lo à posição de estadista, melhor presidente da história etc. Obama deve ter se arrependido muito de tê-lo chamado de "o cara". Depois dessa, Lula se encheu de vaidade e achou que podia fazer qualquer coisa no cenário internacional.

Quanto aos costumes políticos, o time de Lula conseguiu piorar muito com o mensalão, os aloprados, dirceus, valdomiros, quebras de sigilo, e com as alianças desenfreadas que acobertam José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Severino Cavalcanti, e, aqui na Bahia, o carlista César Borges e o anticarlista, mas não menos digno de crítica, Geddel Vieira Lima.

O time de Lula é um assombro. Todo mundo quer dizer que tem alguma coisa com ele. Esse guarda-chuva abriga carlistas, oligarcas, oportunistas, sindicalistas, pseudo-socialistas, um pessoal da pesada. E isso só acontece por causa da popularidade que chega à casa dos 80%.

Agora, a pergunta de cunho filosófico: o que é ganhar? Ganhar é fazer o crescimento do PIB crescer de maneira medíocre? Ganhar é transformar a Receita Federal num lugar em que vazamentos são normais, como quer o Ministro da Fazenda? Ganhar é aumentar o número de bolsas-família, em vez de diminui-los, com a profissionalização dos beneficiários? Ganhar é conseguir que o TSE não veja que o presidente faz campanha com dinheiro e máquina públicos há uns três anos? Ganhar é mentir para a sociedade como se os presidentes anteriores, todos eles, tivessem feito um trabalho pífio?

Estou cansado de ver a justiça e as leis desrespeitadas a todo instante no Brasil, que Lula chama de "este país". Chegamos ao momento em que o time de Lula está aprendendo a gostar do jogo, mas não das regras do jogo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Do pastor que deseja queimar o Corão

O mundo já tem tantos problemas e me aparece um pastor americano dizendo que vai queimar exemplares do Corão no dia 11 de setembro, para mostrar que as coisas andam erradas. Essa figura desconhecida chama-se Terry Jones, e lidera uma igreja sem expressão no Estado da Flórida. Mas, utilizando os meios de comunicação de uma sociedade que ele parece não conhecer, o homem sai do anonimato e consegue chamar a atenção do planeta.
Pronto, está armada a confusão: muçulmanos protestam e queimam a bandeira americana, e clamam contra o pastor ninguém menos que a Secretária de Estado, Hillary Clinton, o comandante das tropas americanas no Afeganistão, Gal. David Petraeus, o Vaticano, a União Europeia, a ONU e lideranças cristãs dos Estados Unidos. Tudo porque o pastor atiçou a possibilidade (real) de uma retaliação explosiva de islâmicos mundo afora.
Quem é esse homem para, do fundo de sua obscuridade, sem representar os evangélicos de seu país, abrir fogo contra uma outra religião? Queimar um livro considerado sagrado é, por acaso, ato de evangelização? Gostaria ele de ver a Bíblia queimada em praça pública?
É de pastores como esse que ninguém precisa. Felizmente, ele representa uma minoria. O problema é que em tempos de tecnologia da informação uma impropriedade absurda como essa (para não usar expressão mais forte) pode custar muitas vidas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A onda lulo-dilmista e o medo que dá

Penso que o Brasil passa por um momento muito delicado politicamente. Vejo que a candidata oficial já ultrapassou, em muito, os demais candidatos e pode vencer em primeiro turno para presidente da República. Há, ainda, outros fatores que me preocupam deveras:

a) a oposição manteve-se praticamente inerte nos dois mandatos de Lula, manifestando-se um pouco em momentos de escândalo;

b) há a possibilidade real de que o Congresso tenha maioria esmagadora de aliados de Lula/Dilma, pois um número expressivo de antigos adversários do PT se aliou ao "time de Lula";

c) pelas contas da Folha de S. Paulo, o Senado poderá ter 25 suplentes, o que - já foi demonstrado por meio de Wellington Salgado (MG) e Paulo Duque (RJ) - não é nada salutar;

d) a mentira grassa nas propagandas do PT e de seus aliados, desde a manipulação de números de programas como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida até a revisão histórica que fazem os petistas, demonizando o governo FHC;

e) vejam, não sou tucano nem fã de quem quer que seja, mas não posso esquecer que o sucesso da estabilidade econômica se deve, não ao governo Lula, mas a Itamar Franco/FHC: Plano Real, Lei de Responsabilidade Fiscal, PROER, reformas do Estado;

f) o governo Lula falta com a verdade ao afirmar que fez o Bolsa-Família, quando este é uma aglutinação, com outro nome, do Bolsa-Escola, Auxílio-Gás, Bolsa-Alimentação e Cartão-Alimentação. Lula chegou a chamar o antigo "Bolsa-Escola" de "Bolsa-Esmola", e disse que esse programa levava à vagabundagem. Hoje, faz dele um método de verdadeira compra de votos de milhões de brasileiros, desvirtuando os princípios do benefício em sua origem;

g) os petistas já lançaram mão do "dossiê dos aloprados" em 2006 e agora há a notícia de que o "grupo de inteligência" da campanha de Dilma Rousseff tinha o plano de contratar dossiê sobre José Serra e pessoas ligadas a ele, além de que servidores da Receita Federal quebraram sigilo de cinco pessoas ligadas ao Serra, incluindo a sua filha Verônica e o vice-presidente do PSDB, sem contar que esses dados foram parar no setor de inteligência da mesma campanha petista! O pior é que Dilma Rousseff acusa a vítima, o presidente Lula faz pouco caso de tudo isso e a Receita tem a coragem de, precipitadamente, dizer que não há interesse político-eleitoral!!!

h) há toda uma pressão contra a liberdade de imprensa, e uma massa de militantes tripudiando de quem discorda do governo. O problema é que muitos dos militantes petistas recebem dinheiro público para falar a favor do governo e falar mal de quem dele discorda, em rádios, jornais e revistas subvencionados pelo Estado, via Secretaria de Comunicação Social, do ex-terrorista Franklin Martins;

i) o Programa Nacional de Direitos Humanos III defende coisas como negociação entre juiz e invasor de terras antes da decisão sobre reintegração de posse e a tal comissão da verdade para ressuscitar crimes só do Regime Militar. Sabemos também que o PT é abortista e que suas conferências defendem absurdos como o "controle social da mídia". Meu receio é que, com a Dilma refém do PT, com o recall da popularidade do Lula e sem oposição de fato, os petistas vão se assanhar para aprovar essas coisas;

j) o já citado Franklin Martins aparece em vídeo de documentário rindo com colegas ex-terroristas e dizendo que poderiam ter matado o embaixador Charles Elbrick caso não fossem liberados seus colegas prisioneiros. Trata-se de um Ministro de Estado!
 
Estou muito preocupado com o futuro do Brasil, que o Lula e muitos por aí só chamam de "este país", como se fosse um país qualquer. Este não é um país qualquer, mas o Brasil, nossa pátria. O Estado de Direito está ameaçado, não sei a que prazo, mas está. É claro que não podemos nos tornar uma Venezuela chavista, já que a nossa sociedade e nossa história são bem diferentes de tudo o que precedeu a ascensão de Chávez ao poder, mas isso não pode nos fazer acreditar que as liberdades públicas estejam sem nenhuma ameaça. Guardadas as devidas proporções, entendo que, assim que puderem, esses adeptos de uma "velha esquerda", para usar uma expressão de Arnaldo Jabor, quererão retirar nossas liberdades em cada flanco em que isso for possível.

Mais uma coisa: procurem no google o site do Instituto Millenium, que tem um ciclo de mesas redondas sobre Liberdade de expressão e Estado de Direito, temas dessa natureza. Há falas de pessoas como Demétrio Magnoli (excelente sociólogo), Reinaldo Azevedo (excelente blogueiro da revista Veja), o próprio Arnaldo Jabor, Roberto Romano (filósofo e professor de ética da Unicamp ), Marcelo Madureira e outros. O Instituto parece ser um refúgio de boas ideias.
 
Que isso tem a ver com este blog? Tem tudo a ver. Sou um cidadão e professo a fé em Cristo, de maneira que não posso me furtar a comentar coisas que efetivamente me preocupam na seara da justiça, da ética, da legalidade. Estamos num período em que uma onda lulo-dilmista toma conta do Brasil, não por motivos legítimos, mas por uma conjunção de fatores que não combinam com uma democracia sólida: compra de votos institucionalizada no Bolsa-Família, populismo, uso da máquina pública e violações a liberdades fundamentais.
Quem é cristão e não se assusta com esse estado de coisas deveria pensar sobre isso. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Não há lugar para João Batista no mundo

Amanhã as Assembleias de Deus em todo o Brasil estudarão a origem, o ministério e a mensagem de João Batista, o precursor de Cristo, aquele que recebeu testemunnho de Cristo e dos profetas Isaías e Malaquias.
João Batista, segundo Jesus, foi muito mais do que profeta. De fato, ele foi o único profeta que viu a esperança de Israel em Pessoa. João foi parte do Plano de Salvação, preparando o caminho do Messias nos corações das pessoas e tendo a importante missão de batizar Jesus. Sua mensagem? A chegada do Reino de Deus.
João era um pregador de uma ética celestial. Ele confrontou o rei Herodes por viver maritalmente com a esposa de seu irmão, o Herodes Filipe.
O Batista pregava no deserto, vestia pelos de camelo, um cinto de couro, e comia gafanhoto e mel silvestre. Era um Elias mesmo. Um homem totalmente diferente de tudo o que existe.
Surgira aquele pregador estranho no deserto da Judeia com uma vocação muito clara: anunciar que o Reino de Deus se aproximava, e apontar para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não queria aplausos, seguidores, dinheiro nem poder. Era uma pedra no sapato, um incômodo para a religião oficial e para os governantes.
João Batista não era desse mundo. Nascido de um milagre, nascido com uma missão, ele não era mesmo desse mundo. Era uma revolução em pessoa, uma coisa inconveniente, uma mensagem sem transações.
Haverá quem deseje aprender com João Batista hoje?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Se estivéssemos num país sério...

Assisti há poucos minutos ao vídeo em que o presidente Lula se mostra preocupado com o prejuízo eleitoral, e o governador Sérgio Cabral chama de "otário" e "sacana" um jovem que fazia algumas reclamações.
Assistido, até aquele momento, por 428.428 pessoas, o vídeo postado por Ricardo Gama no youtube mostra algumas incongruências da dupla Lula/Cabral:
Diante do rapaz que pede a possibilidade de jogar tênis no complexo poliesportivo de sua comunidade, Lula diz que "tênis é esporte de burguês". O que é isso, companheiro? Que discriminação com os tenistas e com os aspirantes a tenistas! Quer dizer que os nossos jovens de baixa renda só podem sonhar em jogar futebol, ou, como diz o Lula, fazer natação? Quem disse que a sociedade deve estar dividida em grupos e seus nichos, como se não pudesse haver igualdade de oportunidades? Se o tênis tem sido um esporte mais procurado e acessado por pessoas de alta renda, não se trata de uma pecha de "esporte de burguês", mas de uma situação histórica que pode ser alterada com políticas públicas.
Ouvir o Lula falar em coisas de burguês é curioso porque ele governa amparado na burguesia que ele tanto ofendeu no passado. Seu discurso diante do jovem Leandro é uma daquelas relíquias de um passado supostamente socialista do político Lula.
Quando ouviu do rapaz que não dava para nadar no complexo esportivo nos finais de semana porque o mesmo se encontrava fechado, Lula deu uma bronca em alguém, dizendo que o custo político desse fato seria muito maior do que colocar duas pessoas para tomar conta do lugar. Sua preocupação não era com o programa de lazer para jovens carentes de uma comunidade pobre (favela do Rio), mas, sim, com os votos que poderiam ser perdidos.
Já o Sérgio Cabral conseguiu se sair pior, afirmando que o jovem fazia "discurso de otário", por sua reclamação contra a presença do Caveirão, e que ele, a quem chamou de "sacana", deveria estudar. Sim, ele deve estudar, mas não deve ser chamado assim por ninguém, muito menos pelo governador de seu Estado.
Se estivéssemos num país sério, o que aconteceria com Lula e Sérgio Cabral? Isso não é grave? Um governador xingar um rapaz não é grave? Um presidente preocupado apenas com prejuízo eleitoral não é grave?

Sobre a matéria de capa da revista Época acerca da "Nova Reforma Protestante"

A reportagem de capa da revista Época sobre o que chama de "Nova Reforma Protestante" é a mais lúcida, honesta e coerente matéria que já li sobre evangélicos. Em meio a um costume de generalizações e estereótipos, em que repórteres convidam pastores sem representatividade para falar de temas evangélicos, dessa vez a revista citou nomes de referência, como Augustus Nicodemus Lopes, Ricardo Gondim, Ricardo Agreste, Ed René Kivitz, Robinson Cavancanti e Ricardo Quadros Gouveia, além de livros de Paulo Romeiro, para mostrar a tendência de crítica ao movimento neopentecostal, numa batalha de diferenciação e denúncia da corrupção.
O texto, assinado por Ricardo Alexandre, tem o mérito de apresentar aos leitores uma visão de um tipo de evangélico que existe, mas que foge aos padrões lançados à mídia e que dão a entender que somos um monobloco, um grupo homogêneo capitaneado pela Universal do Reino de Deus e pela Renascer em Cristo. Com clareza e honestidade, o repórter trata do crescente movimento de crítica aos abusos neontecostais, com suas variadas matizes: desde aqueles que imitam a "Igreja Emergente" dos norte-americanos até os que pregam a "desinstitucionalização" e liberação dogmática da Igreja. Mostra, ainda, que essa tendência se exibe com força na internet, por meio de sites e blogs.
Sinto-me parte desse grupo de pessoas que se sentem descontentes com o movimento evangélico brasileiro, e me tornei autor de blog justamente com a finalidade de desabafar e ensaiar críticas ao sistema atual. Todavia, não posso deixar de dizer que discordo de algumas variantes desse fenômeno, o que explico por tópicos: 

  • Não precisamos trocar o vocábulo "igreja" pelo termo "comunidade". Qual o problema em sermos identificados como igreja? Esta é uma palavra tão rica de sentido teológico que não vejo motivo para essa substituição. "Comunidade" pode ser desde eufemismo para "favela" até páginas sociais da rede mundial de computadores. Igreja é um agrupamento de pessoas salvas por Cristo;

  •  Não concordo com o afastamento do termo "evangélicos". Nós somos evangélicos porque participamos do movimento evangélico ou evangelical, e não devemos ceder esse termo aos pseudopentecostais só porque eles se tornaram mais conhecidos na imprensa. Por isso, estou com o Rev. Augustus Nicodemus Lopes quando ele diz no blog tempora-mores que, primeiro, não se trata de novos evangélicos, e, segundo, que os que não são verdadeiramente evangélicos é que não devem ser considerados como tais.

  • Não precisamos "desinstitucionalizar" a igreja. O problema não é a hierarquia nem as estruturas administrativas e de política eclesiástica, mas o que nós fazemos disso tudo. Considero possível que existam grupos de sobrevivência espiritual quando, em determinadas circunstâncias, essa se mostra a saída para certas pessoas inconformadas com o estado de coisas, mas não penso que a partir disso nós devamos criar toda uma teologia eclesiástica sem instituições;

  • A chamada Igreja Emergente, coisa dos americanos, parece-me uma tentativa de a igreja se tornar palatável ao mundo. Não ignoro a necessidade de contextualização da mensagem, do uso de instrumentos de comunicação e linguagem acessível, mas daí a criar igrejas parecidas com a sociedade, como "mais um grupo" nessa teia pluralista, eu não penso que se tem uma boa distância;

  • Não concordo de jeito nenhum com a abolição de termos como pecado, vingança, ira ou coisas do gênero, porque tudo isso está escrito na Bíblia, e cada palavra tem o seu significado próprio, dependendo do contexto;

  • Não concordo de jeito nenhum com a liberação dogmática, expressão que uso aqui para me referir a uma introdução do liberalismo teológico na Igreja brasileira a ponto de achar que os males começam com a fé em verdades fundamentais e inabaláveis.

  • Não podemos deixar que o (saudável) movimento de denúncia do pecado institucional da Igreja brasileira se torne pretexto para lutas que nada têm que ver com isso. Não devemos combater as instituições em si, mas o pecado institucional e institucionalizado.
De um modo geral, gostei da matéria. É importante que os jornalistas façam pesquisas e entrevistas que superem a mania da generalização e da queda por lugares-comuns.


Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.