quinta-feira, 18 de setembro de 2014

MARINA SILVA - Um caso a ser (muito) estudado


Aviso logo: não me afino politicamente com a Sra. Marina Silva. Como sou conservador e ela é esquerdista, há uma distância considerável entre o que penso e o que ela pensa. Egressa do PT, ex-ministra de Lula, membro do Governo petista na época do Mensalão, portadora de um discurso incompreensível, ambientalista de uma espécie pouco recomendável, não seria possível aproximar-me facilmente de suas ideias. Nem mesmo o fato de ela ser membro da Assembleia de Deus faz com que eu simpatize com a sua "Nova Política".
No entanto, preciso considerar alguns aspectos relevantes, que tornam Marina Silva uma figura singular na política brasileira - veja que "singular" é um adjetivo neutro, que pode servir ao Bem e ao Mal...
Note bem: creio que estou ficando velho, porque nunca pensei que veria uma assembleiana (de coque) concorrendo à Presidência da República, muito menos com toda essa possibilidade de vitória. Marina Silva ficou em terceiro lugar em 2010, com cerca de 20% dos votos válidos, o que já foi um portento. Agora ameaça tirar o PT do Palácio do Planalto, o que seria, é verdade, um feito para o Brasil!
Ocorre que Marina Silva é um fato político que precisa ser estudado para ser bem compreendido. Ela não é decifrável aos simplismos, ao lugar-comum, às ideias fáceis.
Ela não é como o deputado Pastor Marco Feliciano, por exemplo, que se elegeu como típico membro da bancada evangélica. Ela não se parece com aqueles políticos que usam o fato de serem evangélicos para ganhar eleições. Ela não é daqueles que se lançam candidatos oficiais de igrejas. Ela não é do tipo de candidato evangélico que faz do Rebanho de Deus um curral eleitoral.
Apesar disso, a imprensa, teimando em seu preconceito contra os evangélicos, que sequer conhece, fica julgando a candidata Marina Silva por coisas que ela nunca disse. Outro dia um tal Rogério César de Cerqueira Leite, físico da UNICAMP e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo, escreveu um dos artigos mais preconceituosos que já li na minha vida, dizendo que não se sentiria confortável em ter como presidente uma pessoa que acredita no Criacionismo, ou na versão reducionista e ignorante do Criacionismo que ele aprendeu.
É claro que a imprensa é majoritariamente incrédula e contrária à aceitação da Bíblia como a Palavra de Deus, e é claro que presta imenso desserviço ao Brasil todo jornalista que em suas análises parte de noções simplórias e distorcidas sobre o Evangelicalismo e suas muitas tendências. Ora, dentro do Criacionismo há perspectivas distintas, e ainda que Marina Silva creia, por hipótese, que a Terra foi criada há 4.000 anos (?!), isso não é sustentado por ela como fundamento de suas concepções políticas.
Há, sim, um total desconhecimento do mundo evangélico, tão heterogêneo que é. Pelo menos alguns (bem poucos) jornalistas têm procurado se informar, como o excelente Reinaldo Azevedo, da Veja e da Jovem Pan (escreve na Folha também, mas nem gosto de lembrar que a Folha abriga ou já abrigou figuras como Kennedy Alencar, Vladimir Safatle e Ricardo Melo).
Dilma, Lula e o PT detestam o pensamento cristão evangélico. Eles até se associam a evangélicos quando conveniente, mas na hora da disputa política colocam nas ruas e nas redes sociais os seus bate-paus, que necessarimente, e com rapidez, lançam mão de ofensas como "fundamentalista" (no sentido pejorativo, porque há a acepção positiva), obscurantista e ignorante, para citar os adjetivos mais simpáticos.
Esse reducionismo ainda irá nos levar ao fundo do poço. A propaganda do PT diz que Marina é isso e aquilo, o povo acredita e Dilma começa a retomar intenções de voto. Daqui a pouco, em meio ao desespero, o PT poderá dizer em seu programa eleitoral de TV qualquer coisa no mesmo nível do que a Marta Suplicy insinuou contra Kassab em 2008, a respeito de sua sexualidade. Se o programa eleitoral petista em 2008 insinuou que Kassab era homossexual - medida que da parte dos petistas se poderia pensar inconcebível -, por que supor que a fé da candidata Marina não seria usada contra sua postulação ao Planalto? Já estão fazendo isso nas redes sociais e por meio de pseudo-jornalistas, e poderão fazer, se entenderem necessário, na TV e no Rádio.
Mas, voltando ao ponto principal, não se pode conhecer Marina Silva sem muita leitura sobre o mundo evangélico e sobre política. O problema é que estamos no País da mediocridade. 


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Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
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Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.