sexta-feira, 24 de outubro de 2014

UM PAÍS DE FICÇÃO

Ouvi falar de um país grande em que dois candidatos disputavam a eleição presidencial sob as seguintes condições: 
  • O presidente do tribunal eleitoral tinha sido advogado eleitoral do partido da candidata-presidente, e assessor de um dos chefões do mesmo partido;
  • Esse chefão do partido estava preso na capital federal, onde haviam estado outros integrantes da cúpula partidária;
  • A prisão do grupo decorreu de recente condenação pela corte suprema, que entendera ter havido uma tentativa de assalto ao poder político por meio da compra de apoio de parlamentares, num escândalo de proporções homéricas, que usou dinheiro público;
  • A corrupção esteve incrustada no Poder no mesmo período em que o agora presidente do tribunal eleitoral servia no Governo ao primeiro chefão citado - no entanto, isso não impediu que o jovem advogado viesse a ocupar importantes cargos públicos, e se tornasse um dos juízes do processo que julgava os crimes praticados pelo seu antigo chefe;
  • Durante o ano eleitoral, surgiram novas e escabrosas denúncias contra o pessoal do partido do Governo, com possíveis implicações para a candidata-presidente e contra seu antecessor e mestre - este o verdadeiro líder do grupo;
  • Em vez de se mostrar preocupada, a candidata-presidente, com apoio voraz de seu antecessor e mestre, partiu para a agressão contra o opositor, um político experiente e democrata que passou a ser chamado de "nazista", "herodes", "playboy" e "filhinho de papai", entre outras coisas, num sistemático trabalho de difamação;
  •  Enquanto boatos eram espalhados para amedrontar eleitores carentes e desprotegidos, o mestre da candidata-presidente vociferava aos quatro ventos que aquela eleição era uma guerra entre ricos e pobres, "nós e eles", norte e sul...;
  Em nenhum momento a presidente-candidata pediu perdão ou corou de vergonha diante das mazelas e atrocidades de seu Governo, um dos mais incompetentes da História. E, enquanto se aproximava o dia da eleição, surgiam novos indícios de que, se vitoriosa, a distinta senhora poderia ser alvo  de um processo de impeachment.
 No entanto, apesar de coisas que em outros países levariam rapidamente a uma crise política e quiçá institucional, caso não tomadas as medidas legalmente cabíveis, esse grande país, de acordo com as pesquisas, estava dividido ao meio, dando alguma vantagem para a candidata-presidente...
Depois de ouvir esse relato, não duvidei de que esse país pudesse existir. Tudo parecia factível. Só não acreditei quando me disseram que se tratava de um país democrático. 
 
 
 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sou anti-PT!

Sou um eleitor declaradamente anti-PT.
Sou anti-PT porque o PT é contra a democracia e os princípios da República.
Sou anti-PT porque o PT mente reiterada e descaradamente.
Sou anti-PT porque o PT se apega ao poder e o aparelha com seus apaniguados e militantes.
Sou anti-PT porque o PT não gosta da imprensa livre nem da liberdade de expressão.
Sou anti-PT porque o PT transformou a corrupção em forma sistemática de assalto aos cofres públicos em benefício de um projeto de contaminação do Estado.
Sou anti-PT porque o PT administra a pobreza e depende de sua manutenção.
Sou anti-PT porque o PT é amigo de ditadores bolivarianos e de ditadores fundamentalistas do Islã.
Sou anti-PT porque o PT é contra o Estado de Israel.
Sou anti-PT porque o PT flerta com terroristas.
Sou anti-PT porque o PT tem um discurso anacrônico para sua torcida, de antiimperialismo e antiamericanismo e "socialismo democrático" (!).
Sou anti-PT porque o PT comprou e compra falsos jornalistas, com prebendas de estatais, para que falem bem dos governos petistas e mal da imprensa livre e da oposição.
Sou anti-PT porque o PT se acha o descobridor do Brasil, e não é.
Sou anti-PT porque o PT usa uma suposta defesa dos direitos humanos para satisfazer seus interesses, mas não está nada preocupado, nem com o Direito nem com os humanos.
Sou anti-PT porque o PT ofende a minha inteligência e agride a minha cidadania.
 

 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

MARINA SILVA - Um caso a ser (muito) estudado


Aviso logo: não me afino politicamente com a Sra. Marina Silva. Como sou conservador e ela é esquerdista, há uma distância considerável entre o que penso e o que ela pensa. Egressa do PT, ex-ministra de Lula, membro do Governo petista na época do Mensalão, portadora de um discurso incompreensível, ambientalista de uma espécie pouco recomendável, não seria possível aproximar-me facilmente de suas ideias. Nem mesmo o fato de ela ser membro da Assembleia de Deus faz com que eu simpatize com a sua "Nova Política".
No entanto, preciso considerar alguns aspectos relevantes, que tornam Marina Silva uma figura singular na política brasileira - veja que "singular" é um adjetivo neutro, que pode servir ao Bem e ao Mal...
Note bem: creio que estou ficando velho, porque nunca pensei que veria uma assembleiana (de coque) concorrendo à Presidência da República, muito menos com toda essa possibilidade de vitória. Marina Silva ficou em terceiro lugar em 2010, com cerca de 20% dos votos válidos, o que já foi um portento. Agora ameaça tirar o PT do Palácio do Planalto, o que seria, é verdade, um feito para o Brasil!
Ocorre que Marina Silva é um fato político que precisa ser estudado para ser bem compreendido. Ela não é decifrável aos simplismos, ao lugar-comum, às ideias fáceis.
Ela não é como o deputado Pastor Marco Feliciano, por exemplo, que se elegeu como típico membro da bancada evangélica. Ela não se parece com aqueles políticos que usam o fato de serem evangélicos para ganhar eleições. Ela não é daqueles que se lançam candidatos oficiais de igrejas. Ela não é do tipo de candidato evangélico que faz do Rebanho de Deus um curral eleitoral.
Apesar disso, a imprensa, teimando em seu preconceito contra os evangélicos, que sequer conhece, fica julgando a candidata Marina Silva por coisas que ela nunca disse. Outro dia um tal Rogério César de Cerqueira Leite, físico da UNICAMP e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo, escreveu um dos artigos mais preconceituosos que já li na minha vida, dizendo que não se sentiria confortável em ter como presidente uma pessoa que acredita no Criacionismo, ou na versão reducionista e ignorante do Criacionismo que ele aprendeu.
É claro que a imprensa é majoritariamente incrédula e contrária à aceitação da Bíblia como a Palavra de Deus, e é claro que presta imenso desserviço ao Brasil todo jornalista que em suas análises parte de noções simplórias e distorcidas sobre o Evangelicalismo e suas muitas tendências. Ora, dentro do Criacionismo há perspectivas distintas, e ainda que Marina Silva creia, por hipótese, que a Terra foi criada há 4.000 anos (?!), isso não é sustentado por ela como fundamento de suas concepções políticas.
Há, sim, um total desconhecimento do mundo evangélico, tão heterogêneo que é. Pelo menos alguns (bem poucos) jornalistas têm procurado se informar, como o excelente Reinaldo Azevedo, da Veja e da Jovem Pan (escreve na Folha também, mas nem gosto de lembrar que a Folha abriga ou já abrigou figuras como Kennedy Alencar, Vladimir Safatle e Ricardo Melo).
Dilma, Lula e o PT detestam o pensamento cristão evangélico. Eles até se associam a evangélicos quando conveniente, mas na hora da disputa política colocam nas ruas e nas redes sociais os seus bate-paus, que necessarimente, e com rapidez, lançam mão de ofensas como "fundamentalista" (no sentido pejorativo, porque há a acepção positiva), obscurantista e ignorante, para citar os adjetivos mais simpáticos.
Esse reducionismo ainda irá nos levar ao fundo do poço. A propaganda do PT diz que Marina é isso e aquilo, o povo acredita e Dilma começa a retomar intenções de voto. Daqui a pouco, em meio ao desespero, o PT poderá dizer em seu programa eleitoral de TV qualquer coisa no mesmo nível do que a Marta Suplicy insinuou contra Kassab em 2008, a respeito de sua sexualidade. Se o programa eleitoral petista em 2008 insinuou que Kassab era homossexual - medida que da parte dos petistas se poderia pensar inconcebível -, por que supor que a fé da candidata Marina não seria usada contra sua postulação ao Planalto? Já estão fazendo isso nas redes sociais e por meio de pseudo-jornalistas, e poderão fazer, se entenderem necessário, na TV e no Rádio.
Mas, voltando ao ponto principal, não se pode conhecer Marina Silva sem muita leitura sobre o mundo evangélico e sobre política. O problema é que estamos no País da mediocridade. 


domingo, 14 de setembro de 2014

Uma eleição metade petista

Olha só esta eleição presidencial: dos 11 candidatos, a metade foi ou é do PT. Sim, dos 11 candidatos, tem-se a petista Dilma Rousseff, atual presidente, e mais 5 ex-petistas: Marina Silva (PSB), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Zé Maria (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO). Isso lhe diz alguma coisa?
Dilma é aquela figura que foi catapultada à presidência por Lula, o maior líder populista brasileiro dos últimos 40 anos. Depois de guerrilheira, Dilma se tornou brizolista, filiada ao PDT, mas depois trocou o partido de Brizola pelo PT, pouco antes do Governo Lula. Trata-se de uma petista não histórica, é verdade, mas que serve ao projeto lulopetista de poder, tendo chegado ao ápice para suprir a falta dos petistas presidenciáveis, já que Dirceu e Genoino haviam sido acusados de mensaleiros.
Zé Maria emigrou do PT numa dissidência da década de 90, parece que por razões ideológicas. Com isso fundou o ainda mais esquerdista PSTU. Algo semelhante ocorreu com o radical Rui Costa Pimenta, do PCO.
Luciana Genro, filha do governador gaúcho e petista Tarso Genro, brigou com o PT em 2003, quando daquela crise ideológica em que se fez acompanhar por Babá, Heloísa Helena e outros descontentes com o que seria uma reprodução, por parte do Governo lulista, da política econômica de FHC - se querem saber, repetir FHC na economia, e não fazer nessa área nada do que tinha prometido ao longo de sua vida, foi o único acerto de Lula na presidência!
Eduardo Jorge é também um ex-petista, que acabou migrando para o PV, partido bem ao seu estilo.
Marina Silva é outra egressa do petismo. Ficou por lá de 1986 a 2009. Saiu do PT para se candidatar à presidência da República pelo PV, com o qual tinha afinidades no campo ambientalista. Depois, em dificuldades políticas com o PV, tentou fundar a Rede Sustentabilidade, perdeu o prazo de registro e ingressou no PSB de Eduardo Campos. Herdou de Campos a candidatura presidencial e agora ameaça a reeleição de Dilma, sua ex-colega de ministério.
Os não petistas são Aécio Neves (PSDB), Levy Fidélix (PRTB), Mauro Iasi (PCB), José Maria Eymael (PSDC) e Pastor Everaldo (PSC).
Aqui temos o social-democrata Aécio, que não é exatamente um homem de direita, certo? Tem umas boas ideias de política econômica, mas não é de direita. Pode ser de centro-esquerda.
Mauro Iasi é comunista - não preciso dizer muito sobre isso.
Levy Fidelix ainda demanda estudos...
O Pastor Everaldo vive repetindo ideias liberais na economia, mas entrou para a política como admirador do esquerdista Leonel Brizola!
Creio que sobrou o Eymael... Será ele mesmo um democrata cristão do tipo europeu?
Bem, o fato é que esta eleição está metade petista - mais da metade, porque são 6 contra 5, e mesmo assim desses cinco não se conta um conservador puro.
E então? Estamos bem?
 




 
 

 

domingo, 3 de agosto de 2014

O Templo de Edir Macedo: mais para Templo de Herodes do que para Templo de Salomão

É espantoso, estupefaciente e absolutamente bizarro o suposto "Templo de Salomão" edificado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), na cidade de São Paulo.
Além das proporções faraônicas, da ostentação, do marketing político, da suspeita de contaminação do solo e da falta de aprovação regular para a construção, há a teologia canhestra, que faz reproduzir um símbolo judaico que o Novo Testamento não aplica à Igreja!
No caso de Edir Macedo, nem se trata de uma guinada propriamente dita ao Movimento Judaizante, mas, sim, de uma alteração na propaganda religiosa dessa igreja-corporação. 
Edir Macedo não está e nunca esteve preocupado em ser bíblico: aquele solidéu (cobertura da cabeça do homem), o talit (xale de oração), a barba de profeta, a menorá, a imitação da Arca da Aliança, a alcunha de "sumo sacerdote" que seus asseclas lhe emprestaram, tudo não passa de um artifício muito bem engendrado para enganar os tolos.
Mesmo assim, como já existe o Movimento Judaizante no Brasil, e como Edir Macedo lamentavelmente é referência para muitos que se dizem cristãos, creio que esse Templo de Salomão contrafeito irá inspirar muita gente.
Tenho receio até de que crentes de igrejas históricas e pentecostais-históricas emulem as práticas judaizantes e/ou megalômanas de Edir Macedo, já que ele conseguiu construir em quatro anos um templo muito, mas muito maior do que outras igrejas têm procurado fazer por anos a fio. Esses líderes, quando olham para suas construções que já parecem ruínas - lembrando o Haiti de Caetano Veloso -, e deparam com a propaganda do Templo faraônico da IURD, devem saculejar os ainda remanescentes pensamentos conservadores de sua teologia fracamente compreendida.
Menorá, toque do shofar, festas judaicas, essas coisas têm adentrado arraiais supostamente evangélicos. 
Esse pessoal considera-se cristão evangélico, e geralmente tem sido classificado na imprensa como "igrejas neopentecostais" ou tão somente "pentecostais". Será que eles falam por nós?
Pensando sobre a inauguração do Templo de Edir Macedo, lembro, não do Templo de Salomão, mas do Templo de outro rei, um descendente de Esaú (Edom) que chegou ao trono de Israel em 37 a.C. e morreu em 4.a.C. Refiro-me a Herodes, o Grande, político habilidoso e assassino de pelo menos duas de suas esposas e dois de seus filhos, que conseguiu apoio político de Roma para governar os filhos de Israel por um tempo razoável. Que escárnio! Ele era descendente de Esaú, e não de Jacó! Quem conhece um pouco da Bíblia sabe o que isso significa. Herodes era descendente de um outro povo, que provinha do rejeitado e reprovado Esaú, que trocara sua primogenitura por um prato de lentilhas (leia Gênesis e procure esse texto).
Mas esse político Herodes embelezou muito o chamado "Segundo Templo", aquele que fora edificado no lugar do Templo de Salomão, o qual, por sua vez, fora destruído em 586 a.C. por Nabocudonosor, rei da Babilônia. 
O Segundo Templo foi edificado em 516 a.C., e Herodes viu no embelezamento do Templo a oportunidade de manter os judeus simpáticos ao seu governo - e veja que nem se tratava de democracia, mas de verdadeira tirania. Mesmo assim, Herodes sabia que conquistar a simpatia do povo seria bom para evitar sedições e distúrbios.
O Templo embelezado por Herodes era tão esplendoroso que se dizia entre o povo algo como "Quem não viu o Templo de Herodes não sabe o que é belo". O projeto devia ser magnífico mesmo, porque levou décadas, e foi concluído somente em 64 d.C. A alegria, porém, durou pouco, porque em 70 d.C. o general Tito, filho do Imperador Vespasiano, destruiu o Templo, que jamais foi reedificado (os judeus religiosos aguardam a reconstrução do Templo em Jerusalém, assim como cristãos da linha dispensacionalista acreditam que isso ocorrerá um dia).
Salomão edificou o Templo por orientação de Deus, para representar a presença do SENHOR entre o Seu povo. No entanto, no Novo Testamento, o templo do Espírito Santo é o crente em Jesus Cristo. Leia I Co e procure essa passagem.
Ora, como posso relacionar Edir Macedo a Salomão? Eventual relação teria passagem pela sabedoria, pela riqueza, pelos escritos? E a relação com Herodes, o leitor consegue imaginar? Edir Macedo e Herodes poderiam figurar na história como personagens ilegítimos que tentaram edificar o que não lhes dizia respeito?
Pense sobre isso.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Brasil humilhado pela Alemanha: a culpa é de FHC


Fracasso, humilhação, surra, desastre, tragédia – esses são os substantivos mais generosos para tratar do retumbante atropelamento que a Seleção Alemã impôs à Seleção Brasileira na chamada “Copa das Copas”, em pleno território tupiniquim.
O placar de 7 a 1 ficará marcado para sempre como um massacre futebolístico de proporções homéricas, superando o mais que cinquentenário Maracanazzo, quando o Brasil, na Final da Copa de 1950, jogando em casa, foi derrotado pelo Uruguai por um placar magro de 2 a 1, adiando o sonho de ser Campeão pela primeira vez. Pelo menos agora o goleiro Barbosa, tão injustiçado, pode dormir em paz.
Como a presidente Dilma é Seleção Canarinho desde criancinha, e como a Copa das Copas é um símbolo do modo petista de governar, é claro que a “gerentona” tinha de associar futebol e política. Contra os “pessimistas” e “urubus”, Dilma esgrimia as vitórias pouco alentadoras do time de Felipão, os bons estádios que ficaram prontos aos 45 do Segundo Tempo, a organização do Campeonato (conduzida pela FIFA), o aporte de massas de policiais para o entorno dos estádios e a ausência do esperado caos nas ruas, estradas e aeroportos. Tudo era uma espécie de sucesso com jeito de alívio, a ponto de a governanta aparecer nas redes sociais tentando ganhar dividendos políticos. E eis que surge de repente o Apagão, a Pane, o Blackout, fulminando, sem chance de recuperação, a Família Scolari.
Era mais um apagão na Era Dilma, justo aquela que dizia que os apagões eram coisa do passado. Justo aquela que entende tudo de energia, como revela o Caso Pasadena. Justo aquela que prometera, em 2009, que nunca mais na História deste País haveria apagões – para ocorrer um apagão enorme poucos dias depois. Justo aquele poste que Lula colocou no Planalto para alumiar o Brasil.
Mas que ninguém se engane: Dilma reverterá essa situação vexatória! O Governo possui seus estrategistas, como os inolvidáveis Gilberto Carvalho e Aloizio Mercadante, além do oficioso ministro da propaganda, João Santana! O PT pode contar com grandes personalidades, como Rui Falcão e Alberto Cantalice, gênios da arte política, felizmente assessorados pelo ex-guerrilheiro das armas (e hoje guerrilheiro das palavras) Franklin Martins. E lá no topo acha-se o maior de todos, que não é outro senão o atacante Lula, o craque das metáforas futebolísticas, nosso “Pelé que está no banco”, que nunca fica na retranca.
Conhecendo de política como ninguém, os cérebros petistas já lançaram a teoria de que o vexame do Brasil na Semifinal é culpa do FHC. Sim, FHC, o neoliberal que lá atrás não investiu naquelas crianças e adolescentes que hoje integram a Seleção Brasileira. Sim, FHC, que não forneceu preparo técnico, tático, físico e emocional para nossos rebentos. Sim, FHC, que não ouviu o pedido de Pelé em 1970, quando dizia: “Cuidem de nossas criancinhas”. Sim, FHC, o princípe anglófilo e francófilo, que – parafraseando o imparcial Chico Buarque – fala grosso com Camarões e fino com a Alemanha. Ora, está na cara que a responsabilidade toda é dos entreguistas e não patriotas tucanos!
Felipão pode ficar tranquilo. A era dos técnicos ranzinzas que passam por competentes ainda não passou. Pelo menos é isso o que Dilma deseja. Em outubro saberemos.

domingo, 11 de maio de 2014

A Bíblia não é politicamente correta

Os aloprados do politicamente correto não nos deixam em paz: eles querem "o outro mundo possível" a partir de um controle da linguagem. As palavras perdem o seu sentido original e passam a significar o que eles querem. É a revolução comunista de Antonio Gramsci, a perversão do idioma, precedente necessário ao ápice revolucionário.
Assim, até mesmo instituições de Estado criam mecanismos de correção e aprimorameno da linguagem. Já quiseram praticamente censurar Monteiro Lobato por seu suposto racismo contra a Tia Anastácia - bem, vivemos o tempo em que Machado de Assis e José de Alencar são parafraseados para gente que não gosta de ler, e Lobato é tido como racista. Então, tire suas próprias conclusões sobre a nossa época.
Mas chego ao que me interessa neste momento: vislumbro o dia em que a Bíblia será censurada, porque a Bíblia não é politicamente correta. 
De fato, a Bíblia narra a história de um Deus Criador que resolveu destruir tudo por meio do Dilúvio, salvando uma família, e séculos depois enviou Seu próprio Filho para morrer pela Humanidade, não sem avisar que ainda haverá um Juízo Final sobre os pecadores que não aceitarem a Sua mensagem. 
Na Bíblia há registro de homicídios, guerras, sodomia, incesto, estupros, adultério, fome, peste, lepra (ops, hanseníase), apedrejamentos, traição, suicídio. 
O Antigo Testamento não é uma biblioteca para crianças - é preciso separar as histórias que podem ser contadas, e, ainda assim, com adaptações.
A Bíblia chama o pecado de pecado, e o atribui ao Homem (mulher inclusa). A Bíblia não pensa como Rousseau, para quem o homem nasce puro e a sociedade o perverte. A Bíblia não ensina que a causa de todos os males é a opressão econômica, como queriam Marx e Engels. A Bíblia não trata muito do Estado, mas do indivíduo, com seus pecados e angústias. Quando cuida de um povo ou das nações, a Bíblia tem em mira, na verdade, o Homem.
O politicamente correto não pensa que o pecado existe - chama-o de fraqueza, doença, tendência, falha, desvio de conduta, produto do meio, herança genética, psicopatia, fúria, influência da multidão.
Para a parte politicamente correta da Humanidade, Jesus Cristo não teria de morrer crucificado, porque isso é plasticamente feio e filosoficamente inaceitável. Para esses, Cristo deveria ter descido à Terra para oferecer Seu exemplo e Suas grandes ideias, contribuindo, assim, para a enorme teia universal de boas ações.
Pecado, vergonha, medo, submissão, morte, Cruz, tudo isso é antipático para o politicamente correto. Este deseja o que é "relevante", o que "dá certo", o que não separa as pessoas.
Sabem o que este mundo deseja? Nada de divisão, mas conciliação. Nada de verdade absoluta, mas relativismos. Nada de diálogo, mas dialética. Nada de guerra, mas diplomacia até com terroristas. Nada de religião, mas filosofia e ciência, apenas. Nada de valores familiares cristãos, mas novos modelos de família.  Nada de construção milenar, mas mudanças rápidas e banais todos os dias.
Não admira, pois, que tantas pessoas rejeitem a Bíblia. Ela não se encaixa neste mundo perfeito. A Bíblia foi escrita para um mundo imperfeito.

sábado, 19 de abril de 2014

Fogo!

Vi uma fogueira queimando o Judas, e outra queimando um ônibus. Usa-se o fogo para muita coisa nesta vida. 
O povo tem uma vaga lembrança de que Judas foi o que traiu Jesus, mas, quanto ao ônibus..., ele não fez nada. Estava no lugar errado, na hora errada. O nome de Judas passou a ser tão negativo que até o outro Judas, escritor do Livro bíblico, precisa se apresentar com cuidado: "Eu sou o Judas irmão de Tiago, irmão do SENHOR. Aquele outro Judas já morreu". A seu turno, o ônibus, nome bonito do latim e que significa "para todos", acaba consumido na fogueira da insensatez. É para todos mesmo: para todos os que quiserem incendiá-lo.
Prossegue a fogueira das vaidades: queima-se a bandeira dos Estados Unidos, queima-se a mata, queima-se a praça, queima-se o patrimônio de todo mundo. Resolve-se com o fogo destruidor o que o fogo da Razão não pode iluminar, tamanha a escuridão que devassa por toda parte [protestando contra a Reforma Ortográfica, aqui o verbo "poder" está no pretérito perfeito].
O fogo que hoje destroi é a metáfora da nossa (in)civilização. Queimar é mais fácil do que construir. Séculos vão embora na fumaça cinzenta. Justamente o fogo que poderia simbolizar a luz da Razão, o poder do Espírito, a purificação dos pecados! Numa sociedade em trevas tenebrosas, o fogo não pode representar coisa boa. É só destruição, na antidemocrática ideia de que se pode libertar o Homem pela violência pura e simples.
Fogo! Os repórteres clamam. Fogo! Os bombeiros correm atônitos. Fogo! Os jovens pobres protestam. Fogo! Os pobres jovens protestam. Fogo! O amarelo avermelhado consome a nossa história.


 

Um homem do sistema e um "guerrilheiro" no Colégio Apostólico

Ali estavam eles no mesmo grupo: Mateus, o cobrador de impostos que enriquecera arrecadando dinheiro dos seus próprios irmãos para enviá-lo ao Império Romano; e Simão, o Zelote, ou Simão Cananita, que integrava uma facção política desejosa de derrubar o domínio romano por meio das armas.
Dois homens de lados opostos na trama política da Palestina, Mateus e Simão foram chamados por Jesus Cristo para fazerem parte de Seu círculo mais íntimo de discípulos, aquele que seria conhecido como "o Colégio Apostólico", ou simplesmente "os Doze". Como será que conviviam? Conversavam sobre política? Respeitavam-se? Mantinham ideias da época pretérita?
Os cobradores de impostos ou "publicanos" não eram benquistos na sociedade judaica, como se vê da história de Zaqueu. Eram tido como traidores da Pátria e corruptos. Hoje seriam chamados de "entreguistas" e "reacionários", talvez até "conservadores", "elite" e "aproveitadores". Mereciam destaque dentre os marginalizados, a ponto de se adotar a expressão "publicanos e pecadores" para aludir àqueles que não observavam a Lei. Realmente, os publicanos não eram cidadãos acolhidos nas melhores casas de família judias. Mateus, também chamado de Levi, era um desses homens importantes e ao mesmo tempo socialmente reprovados, mas no seu caso parece que o problema residia tão somente em sua condição profissional. Não há pelo menos notícia bíblica de que Mateus fosse corrupto, diferentemente de Zaqueu.
Já Simão Cananita era uma espécie de "guerrilheiro". Você ri de sua ambição de vencer o Império Romano? De fato, parece uma quimera, uma utopia, mas houve mesmo esse grupo com anseios "revolucionários". Além dos cananitas havia outros grupos politicamente definidos, como os herodianos, que se aliaram à Dinastia de Herodes; e os fariseus, partido político-religioso contrário à influência helenista e crente na vinda de um messias político, que libertaria Israel do opressor estrangeiro. Simão, pelo jeito, preferiu a luta armada.
Gostaria imensamente de saber se Mateus e Simão chegaram a dialogar sobre sua condição social e preferências políticas. Talvez um dia me falem sobre isso lá nos Céus. Mas, de toda sorte, vejo com alegria a união cristã dos diferentes num grupo tão pequeno. Aqueles homens, independentemente de qualquer coisa, eram crentes em Cristo. Só Jesus pode moldar a visão e o coração do Homem. Nenhuma doutrina política e nenhum estado social têm esse condão.
 

A escatologia marxista

Escatologia, como parte da Teologia Sistemática, é a "doutrina das últimas coisas", e estuda os eventos histórico-redentivos delineados por Deus para o futuro da Humanidade. Há correntes distintas: milenistas e amilenistas, dividindo-se os milenistas em pré-milenistas (históricos ou dispensacionalistas) e pós-milenistas, sendo que os pré-milenistas são pré-tribulacionistas, mesotribulacionistas ou pós-tribulacionistas. Ufa! Na Teologia Reformada a Escatologia possui um caráter mais voltado aos eventos iniciados com a Primeira Vinda de Cristo. De toda maneira, é dentro da Escatologia que se estudam temas como a Segunda Vinda de Cristo; o Arrebatamento da Igreja; a Grande Tribulação; as Bodas do Cordeiro; o Tribunal de Cristo; o Anticristo, a Besta e o Falso Profeta; a aplicação de textos "apocalípticos" de Daniel, Ezequiel, Joel e do próprio Apocalipse, o Último Adão, além da tensão entre o e o Ainda Não, sobre o qual John Stott escreveu tão bem.
Ocorre que a esquerda também tem a sua "escatologia! O marxismo inventou sua doutrina das últimas coisas com a promessa de que o esgotamento do Capitalismo conduziria à estatização da economia, à ditadura do proletariado, ao desaparecimento do Estado e à extinção da luta de classes. Ora, meu caro, isso é escatologia pura, só que fundamentada nas ideias de Karl Marx, e não na revelação divina.
Marx, com o seu materialismo dialético, "profetizou" como os eventos econômicos implicarão numa mudança total das estruturas políticas internacionais. Que figura! O homem sem religião vaticina mundos e fundos e pretende que eu acredite? Não é preciso fé para adotar uma teoria política como essa?

Lugar nenhum

Utopia, do Grego, significa literalmente "não-lugar" - é o lugar nenhum, o lugar que não existe. É para esse lugar que os esquerdistas querem te levar.
O paraíso na Terra, a sociedade sem classes, o "outro mundo possível", o sonho que não acabou... Essas promessas são repetidas pela esquerda universal, distribuída em diferentes grupos: socialistas, comunistas, social-democratas, democratas norte-americanos, além da nova esquerda. 
De maneira geral, o esquerdista crê - uso a palavra propositalmente - na possibilidade de um mundo melhor porque pressupõe a pureza inata do Homem, à moda de Rousseau. Esse mito do "bom selvagem" conduz à leniência com a criminalidade, ao assistencialismo, à política indigenista que trata os indígenas como coitados, e, enfim, à ideia de que o Estado deve resolver a desigualdade social por meio de intervenção econômica e distribuição artificial de renda.
A esquerda tem uma proposta de vida quase religiosa, mas sem religião (Russell Kirk escreveu sobre isso em A Política da Prudência, um livro muito bom para quem deseja conhecer o verdadeiro Conservadorismo). Desiludidos com a religião, considerada "o ópio do povo", muitos desencantados com a vida passam a buscar novos dogmas, mas agora arraigados na matéria e desprovidos do Céu. O céu deles é aqui, assim como o inferno.
É curioso que muitos esquerdistas sejam religiosos. Esses conseguem misturar sua religião espiritual à religião política. São os adeptos da Teologia da Libertação, com a sua hermenêutica bíblica marxista; são os prosélitos da Teologia da Missão Integral, irmã protestante da Teologia da Libertação; são os padres vermelhos; são os pastores do Liberalismo Teológico com matiz social. Além do Paraíso Celestial, eles querem o paraíso político de sua mui estranha escatologia.
Mas as coisas não existem só porque você pensa que existem. Os utópicos, que enchem de alegria os corações juvenis dos fóruns sociais mundiais, das manifestações de junho e das invasões de reitoria irão para lugar nenhum, e arrastarão consigo os que conseguirem cair em seu conto do vigário.

 


terça-feira, 1 de abril de 2014

Pessoal, vamos com calma: Direita é uma coisa, extrema direita é outra!

Há um pessoal legitimamente indignado com o desgoverno petista e com a possibilidade de "venezuelização" do Brasil, mas que tem optado por defender a volta dos militares ao poder. Tenho lido inúmeros comentários de internautas, em diversos sítios eletrônicos, no sentido de que somente os militares resolveriam os problemas do nosso País. O pior é que muita gente tem associado a Direita a regimes militares, em parte por causa da doutrinação esquerdista nas escolas, onde se ensinava a equação Direita = Ditadura.
Vamos cuidar de afastar essas impropriedades. Há que se defender a Direira liberal e democrática, e não os extremismos. 
Olavo de Carvalho disse com acerto que a diferença entre Esquerda e Extrema Esquerda é de grau, mas a diferença entre Direita e Extrema Direita é de natureza. Exagere as bandeiras da Esquerda e terá autoritarismo, totalitarismo, império do politicamente correto, morte do próximo para salvar a Humanidade; amplie as bandeiras da Direita e terá maior liberdade. A chamada "Extrema Direita" não é uma ampliação de liberdades fundamentais, mas o seu contrário.
Eu sou conservador e de direita, e não sou reacionário, autoritário nem obscurantista. Defendo o bom senso, a razão, os princípios gerais de Direito, o Estado de Direito, o respeito ao próximo, a democracia, a liberdade. O conservador não deseja conservar o mal, mas as tradições, instituições, convenções e princípios da Civilização, diferentemente do esquerdista, que é iconoclasta e crítico por dever de ofício.
A Direita precisa ser conhecida no Brasil, e ela é democrática. Vamos conversar com Russell Kirk, com Alexis de Tocqueville, com Winston Churcill, com Margaret Thatcher! Vamos ouvi-los.


 

 

domingo, 30 de março de 2014

50 anos do Golpe de 1964: Cada lado tem sua história

De acordo com a versão da esquerda brasileira, o que aconteceu no dia 31 de março de 1964 foi um Golpe de Estado militar com apoio da burguesia, contra os interesses  dos trabalhadores, dos camponeses, dos pobres em geral e do Brasil. Para os esquerdistas, o Regime Militar não passou de uma reação à proposta das Reformas de Base, do Governo do presidente João Goulart, agora reinventado como político habilidoso que conseguira em 1961 a saída parlamentarista e, já em 1963, obtivera a vitória do presidencialismo por meio de plebiscito. A esquerda construiu a ideia de que lutava por democracia, e de que as guerrilhas só começaram depois do endurecimento do Regime.
Segundo a versão militarista, o que ocorreu em 31 de março de 1964 foi uma Revolução ou Contrarrevolução ante o iminente Golpe comunista a ser desferido por um fraco e influenciável João Goulart, que, desprovido de convicções próprias, era conduzido por figuras esquerdistas como seu irresponsável cunhado Leonel Brizola. Os adeptos dessa linha dizem que os esquerdistas não eram democratas; que Castello Branco assumiu para governar provisoriamente, até dezembro de 1966; que o povo apoiou a Revolução; que o endurecimento somente se deu depois de eventos como o atentado no Aeroporto de Guararapes, em Pernambuco, onde morreram um jornalista e um militar. O AI-5, de 13 de dezembro de 1968, teria sido uma resposta à violência terrorista do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), da Ação Libertadora Nacional (ALN)  - de Carlos Mariguella - e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Carlos Lamarca, entre outros.
Não se costuma contar essa história cinquentenária sem paixões. Há, como alerta Rodrigo Constantino, um claro maniqueísmo. É necessário que estudemos 1964 com sinceridade e honestidade intelectual.
Por outro lado, sinto admitir que a Comissão Nacional da Verdade surgiu, não com o propósito de revelar fatos históricos, mas de reescrever o passado a partir de uma perspectiva unilateral, o que se percebe na maneira como são tratados os militares chamados a depor. Pergunto por que razão os ex-terroristas não são sequer considerados nessa condição, mas recebem bolsas e pensões do Estado como se fossem vítimas comuns.
Outros querem afastar a Lei da Anistia, de 1979, quando se sabe que ela foi, no dizer do ex-Ministro do STF Eros Grau, uma "lei-medida", necessária naquele momento difícil de transição democrática.
Assim, em vez de contar a história de forma realista, percebe-se uma atitude antijurídica e não científica.
Há, porém, exceções, como o excelente livro do historiador Marco Antonio Villa, Ditadura à brasileira.
O Brasil, cujo povo sequer conhece o que aconteceu nos últimos quinze anos - ou em quem votou na última eleição - não deve se dar ao luxo de se render a versões eivadas de intenções políticas para um capítulo tão importante de sua História.
 

domingo, 2 de março de 2014

Sobre linchamentos


Há algumas semanas fez-se grande algazarra em torno de uma fala da jornalista Rachel Sheherazade a respeito do episódio em que um jovem ladrão foi amarrado a um poste. Desde aquele dia a imprensa tem noticiado outros justiçamentos, como a do rapaz, lá no Piauí,  torturado sobre um formigueiro.
Linchamentos são mais comuns do que se imagina, principalmente em lugares muito violentos e politicamente deficientes. Creio, porém, haver uma escalada, sim, dos justiçamentos por causa da impunidade, do aumento da criminalidade devido ao crack e da morosidade da Justiça.
NÃO justifico esses acontecimentos, mas tão somente recordo uma lição elementar de Teoria Geral do Processo, segundo a qual a jurisdição se desenvolveu para substituir as partes em conflito, sendo o processo o meio para alcançar a paz social com a intervenção da figura do juiz, representante do Estado.
O calouro no estudo das Ciências Jurídicas logo depara com o conceito de "justiça privada" ou "vingança privada", a famosa "justiça com as próprias mãos", que existe desde que o mundo é mundo. Em tempos primitivos, era a lei do mais forte que imperava. Antes do sacerdote atuar como mediador, uma tribo proclamava guerra a outra tribo para retribuir um crime cometido contra um membro seu. Até se chegar ao processo houve a justiça privada e a mediação. Foram séculos de desenvolvimento das Civilizações até que se construísse o Direito Processual tal como o conhecemos (ou como não o conhecemos).
Qualquer lição básica de Teoria Geral do Processo deve admitir que sem um Estado-Juiz atuante haverá a barbárie, o estado de natureza hobbesiano, a luta de todos contra todos, enfim, o império do mal. Jamais ouvi alguém dizer que os processualistas estariam a defender justiçamentos só por constatarem que a vida em sociedade precisa de mecanismos de imposição da Justiça, de pacificação social, de estabilização de conflitos.
O que Rachel Sheherazade disse - mesmo que podendo eventualmente fazê-lo de maneira mais clara - foi expressar o que o Direito Processual já diz há muito tempo, e sem alarde: que os homens precisam de um terceiro que ponha um fim aos conflitos sociais. Caso contrário, haverá o caos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Por que não existem partidos de direita no Brasil?

No Brasil é feio ser de direita. Poucas pessoas se identificam como politicamente conservadoras. Minha geração foi aluna de professores esquerdistas, de orientação marxista, socialista. Tudo o que era ruim no Brasil vinha da direita, e tudo o que poderia haver de bom seria coisa da esquerda, do progressismo, das ideias supostamente libertárias, transformadoras e democráticas dos esquerdistas.
Essa rejeição e essa ignorância quanto à direita devem ser fruto de uma combinação funesta: a recente ditadura militar (1964-1985), associada à direita, e a ideia de que um país cujo povo é tão socialmente desigual tem de ser necessariamente de esquerda.
O PT nasceu em 1980 empunhando a bandeira da justiça social e da ética, e foi caracterizado - hoje se sabe que erronamente - como um partido honesto e benfazejo. De um lado, o PT, defensor dos fracos e oprimidos, dos trabalhadores e pobres, das mulheres e camponeses, dos índios e negros, dos menores e das vítimas sociais, tendo como apoiadores históricos (e pequenos) o PSB de Miguel Arraes e o PCdoB; do outro lado, os demais partidos, todos por ele considerados retrógrados, fisiologistas, oligárquicos, obscurantistas e "conservadores" - desses os principais vieram a ser o PSDB, o PMDB, o PP (antigo PDS e PPB) e o PFL (hoje DEM).
Certo é que a maioria dos partidos brasileiros não tem nenhuma ideologia determinada e precisa. São turistas do poder. 
Qual a ideologia dos seguintes partidos: PMDB, PR, PTB, PTN, PRTB, PTdoB, PHS, PSC, PRONA, Solidariedade, PSD (o kassabista, não o de Kubitschek)?
Os esquerdistas são conhecidos: PT, PV, PPS, PSB, PCB, PCdoB, PSOL, e os minúsculos PSTU, e PCO. Eu incluo aqui o PSDB, que - atenção! - não é de direita, senhores! O PSDB é de centro-esquerda, é social-democrata! Nenhum tucano quer ser chamado de "conservador", e o PSDB fica triste porque o "progressista" que está no poder é o PT, e não ele, que se considera tão avançado e moderno.
O DEM seria de direita? Não! O PFL, ao mudar de nome em 2007 para "DEM", pensou em se mostrar como "liberal", pregando a redução de impostos e coisa e tal, o que pode ser tido como bandeira do liberalismo econômico, mas não tem coragem nem vontade de defender valores conservadores. O DEM é no máximo um partido centrista.
É preciso partir para uma discussão de valores: indivíduo; família; liberdades públicas; mérito; iniciativa; empresa; redução da carga tributária; redução do Estado; eliminação do paternalismo; redução da maioridade penal - sei que não passou na Comissão de Constituição e Justiça, que pena - lei e ordem; fundamentos econômicos ortodoxos; política externa não filobolivariana; eliminação do antiamericanismo; apoio a Israel; política indigenista racional; respeito à ordem jurídica; eliminação das cotas sociais e raciais (quimera!). Precisamos de uma discussão franca e intensa sobre VALORES, e não sobre quem gerencia melhor esse modelo pesado, arcaico e social-democratizante herdado da Constituição de 1988.
Quem é de direita não fala somente de aborto ou casamento gay - embora esses temas também sejam relevantes. Quem é de direita fala de valorização das tradições, costumes e convenções sociais; princípio de autoridade; racionalidade; padrões morais absolutos e universalmente aceitos; direito natural; meritocracia; liberdade individual e familiar contra a intromissão abusiva do Estado; segurança jurídica; previsibilidade e estabilidade nas relações sociais; combate à criminalidade; Estado como garantidor de um espaço público comum a todos e de uma esfera individual livre de ingerências indevidas.
Não tenho medo de dizer que sou de direita, sou conservador. Pena que sejam poucos no Brasil.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Quando morre um país

Autor: Alex Esteves

Assim como nasce um dia,
Emancipado ou descoberto,
Pode um país morrer,
E conhecer o chão do inferno.

Pode um país deixar a vida,
E ainda assim ficar de pé,
Como vivesse, mas estando morto,
Qual escultura de quem já não é;

Qual múmia do Antigo Egito,
Testemunha morta de vidas que foram,
Cujos palácios, tintas e pedras
Dizem que houve algum passado e glória;

 Qual zumbi que anda pelas ruas,
Monstro da morte, retrato da dor,
 Falto de esperança, pobre de tudo
Carente de amor, solto no mundo.

Não parece o mesmo, tão desfigurado!
Não parece o mesmo, tão desenganado!
Não parece o mesmo, tão violentado!
Não parece o mesmo, tão dilacerado!


Melhor seria construir de novo 
A república, o estado, a nação;
Há que chorar, mas há que levantar do choro,
Pois o país é que morre - o povo, não.

 Mas há país que morreu e não foi pranteado
Porque dele se esquecem os que lhe tecem loas.
Ele está rondando e rodeando as ruas,
No corpo de gente, na voz de pessoas.

Há um país envelhecido, com cara de moço.
Há um país obscuro, contente ao sol.
Há um país envilecido por seu próprio esforço.
O país que morreu, o país que morreu.







 




 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Se não conhece, procure conhecer o trabalho do Rev. Augustus Nicodemus


Tenho ouvido frequentemente exposições do Rev. Augustus Nicodemus Gomes Lopes no site da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro ou no blog tempora-mores. Quero recomendar o trabalho desenvolvido por esse pastor reformado, que tem sido muito útil para mim.
Atualmente têm sido ministrados estudos sobre o Evangelho de Lucas, com a posterior disponibilização do vídeo. O mesmo pastor já pregou, durante cerca de dois anos, sobre a Epístola aos Hebreus, material a que espero assistir (as primeiras estão somente em áudio, mas depois começaram as gravações audiovisuais).
Tenho, do Rev. Augustus, os seguintes livros: O que estão fazendo com a Igreja? (Mundo Cristão); Ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja (Mundo Cristão); A supremacia e a suficiência de Cristo - A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje (Vida Nova); O culto segundo Deus - A mensagem de Malaquias para a Igreja de Hoje (Vida Nova); e O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual (Cultura Cristã). Ainda preciso continuar a leitura do livro sobre batalha espiritual - que é bastante técnico - e do livro sobre ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja de Cristo.
Já assisti a diversas pregações do Rev. Augustus na internet, incluindo participações na Conferência Fiel. Por falar nisso, a Editora Fiel cumpre um papel importantíssimo, com a produção, divulgação e envio, por meio eletrônico, de excelente material teológico.
Aprecio muito a forma como o Rev. Augustus interpreta a Bíblia, reconhecendo o valor do texto. E há o estilo: não grita, não brinca, não "se mostra" (alguns colegas de minha infância em Alagoinhas diriam "não se amostra"). Há esmero, preparação, cuidado, zelo pela exposição da Palavra e respeito pelo público.
O Rev. Augustus Nicodemus tem dado uma contribuição relevante à Igreja brasileira, mesmo porque ele sabe que há muitos cristãos pelo Brasil afora que precisam de estudos sérios da Bíblia.
Eu gosto de ouvir. Como eu disse, ouço o Rev. Augustus com frequência, e suas pregações costumam superar os cinquenta minutos. Eu ouço com atenção, respeito e vontade de aprender. Não tenho nenhum problema em sentar e ouvir uma boa pregação ou um bom estudo da Bíblia.
O Rev. Augustus é presbiteriano, e, assim, reformado (leia-se: calvinista). Mesmo não sendo de formação reformada, mas pentecostal, tenho afinidade com várias coisas que caracterizam os irmãos reformados. Há muito preconceito quanto aos calvinistas, mas isso precisa ser derrubado.
De toda maneira, o que deve unir todos os cristãos é a devoção à Escritura como Palavra inspirada, inerrante, infalível e autoritativa de Deus em Cristo. E nisso os reformados podem caminhar junto com os pentecostais, pois os crentes de ambas as tradições defendem esses postulados.
Sei que há outros pastores e líderes cuja contribuição é valiosa, mas aqui eu registro minha experiência com os artigos e exposições do Rev. Augustus, e creio que o eventual leitor deveria aproveitar essa oportunidade também.
 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Timóteo, traga os livros!

"Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos" (II Tm 4.13).

Escrevendo ao pastor Timóteo, o apóstolo Paulo lhe pediu que trouxesse os livros, o que guarda plena sintonia com aquele homem tão culto, como se constata a partir da leitura de suas 13 Epístolas.
Paulo era um homem de três mundos: judeu, grego e romano. Era judeu em sua etnia e formação religiosa, "hebreu de hebreus", da tribo de Benjamim, criado aos pés do mestre Gamaliel, versado na Lei, nos Profetas e nos Escritos, tendo passado pelo partido dos fariseus e certamente pelo Sinédrio (cf. At 8.1; 22.3; 26.4,5; Fp 3.5); era do mundo grego porque conhecia a cultura helênica, sua poesia, seus costumes, sua religiosidade, sua filosofia (cf. At 17.16-31; 26.24); e era politicamente romano, pois tinha a cidadania romana (cf. At 22.25).
Paulo detinha noções de direito, o que se depreende de suas alusões a institutos jurídicos como adoção, herança, tutela, promessa, vínculo matrimonial, processo formal, apelação (cf. At 16.37; 25.11; 26.24; Rm 7.2; I Co 7.15; Gl 3.23,24; 4.1,2). E chegou a citar os poetas gregos Epimênides e Arato (At 17.28; Tt 1.12). Nada disso advém de uma vida afastada dos estudos.
Deus não chamou Paulo "de última hora" ao perceber que João, Pedro e os demais apóstolos eram homens simples demais. Não! Deus, de um modo misterioso para nós, separou e destinou Paulo ao apostolado para os gentios, e enquanto estudava, antes de se converter a Cristo, Paulo estava sendo preparado pelo SENHOR. Ele não sabia, mas Deus, sim (cf. At 9.15).
Deus chamou os Doze de acordo com critérios por Ele conhecidos, e chamou Paulo também de acordo com a Sua soberania e conhecimento.
Quero, porém, destacar a humildade de Paulo ao buscar a leitura de livros: diferentemente do que muitos pensam, estudar não é prova de soberba, mas muitas vezes é, isto sim, prova de humildade, porque só o ignorantes convictos creem que não precisam de mais nenhum ensino, e que sua leitura da Bíblia é mais do que suficiente.
Há quem despreze séculos de debates, concílios, estudos!
Ao ler livros úteis à interpretação da Bíblia, seja de teólogos, seja de pastores ou dos Pais da Igreja, busca-se o auxílio de irmãos que vieram antes de nós ou que, em nosso tempo, podem oferecer subsídios a nosso próprio estudo da Palavra.
Elementos teológicos, doutrinários, históricos, geográficos, antropológicos, éticos e exegéticos podem auxiliar o crente (e muito!) na leitura da Palavra de Deus.
O mesmo se deve dizer da tradição e história eclesiástica, jamais como substitutos da Bíblia, mas como componentes que lançam luz à nossa própria interpretação, porque não seríamos inteligentes se olvidássemos a contribuição de outros irmãos!
É lamentável que em nossos dias já não se ouçam frases como "Timóteo, traga os livros". 




 

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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.