terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cesare Battisti, cotas raciais para concurso de diplomatas e publicidade governamental em pequenos veículos de comunicação - o que isso tudo tem em comum?

Meus colegas esquerdistas podem achar o que quiserem, mas eu discordo de tantas coisas do governo Lula e de tantas bandeiras da esquerda que eles podem, sim, me considerar um conservador ou mesmo um "direitista", se assim houverem por bem. Não se trata de procurar um rótulo, mas de aceitar uma caracterização a partir de alguns elementos concretos.
Separei três coisas que vi hoje na internet para comentar quão longe estou do lulismo e do esquerdismo: Lula teria decidido manter o terrorista Cesare Battisti no Brasil; o Instituto Rio Branco vai selecionar diplomatas usando um sistema de cotas para "afrodescendentes"; o presidente que deixará o governo em 1º de janeiro de 2011 gritou hoje em sua enésima despedida, esta em sua terra natal, sobre seu orgulho em ter aumentado, e muito, a verba publicitária investida em pequenos meios de comunicação (segundo a Folha de S. Paulo, em oito anos de mandato, Lula majorou os alvos de investimento de 499 para 8.094).
Esses assuntos são intimamente relacionados:
O italiano Cesare Battisti foi condenado pela Itália por matar quatro pessoas, estando ele a serviço do PAC - Proletários Armados pelo Comunismo. Com a manutenção do guerrilheiro no Brasil, Lula transmite a mensagem de que não confia na Itália como Estado de Direito e democracia. É isso. Trata-se daquele pedágio imposto pelas correntes mais à esquerda dentro do PT, presas a uma ideologia que a senhora Dilma Rousseff, ex-brizolista, conhece bem, porque ela mesma serviu à guerrilha para implantar uma ditadura socialista por estas bandas.
As cotas raciais são um capítulo à parte. Querem fundar artificialmente uma nação dentro da nação brasileira, formada pelos chamados "afrodescendentes", seja lá o que for essa categoria étnica ou cultural...Se eu declarar que sou afrodescendente serei aceito no concurso para diplomatas? Tenho negro na família, e até indígena! Façam-me o favor! Cotas raciais repetem a mentira racialista de que raças existem, e essa mentira remonta às doutrinas do Séc. XIX! Já recomendei aqui o excelente livro de Demétrio Magnoli intitulado Uma Gota de Sangue, o qual tece uma abordagem muito bem fundamentada da história do pensamento racial e suas consequências. O que se cria é uma elite supostamente negra, mas não há mudanças sociais profundas.
E o que dizer da vanglória de Lula ao mencionar a reportagem da Folha? Ora, ao colocar dinheiro público em pequenos jornais, revistas, blogs, rádios e sites pelo Brasil afora, o presidente estava fazendo o seu "controle social da mídia" por vias oblíquas, porque assim ele consegue apoio maciço em lugares alcançados por essa propaganda oficial. Onde o governo deve injetar sua publicidade? Em meios de comunicação que tecnicamente ofereçam condições de maior...publicidade, ou seja, aqueles que têm maior audiência. Dar dinheiro a blogs sem leitores, por exemplo, induz apenas ao crescimento artificial de grupos que fazem propaganda do governo, como se fossem estatais. Aí o critério deve ser de audiência, sim! Do contrário, sou eu, como contribuinte de classe média, que estou pagando por esse descalabro, porque o rico está dando do que lhe sobeja, enquanto eu deixo de investir em favor de minha esposa e filhos.
Será que não se vê isso? Será que Lula pode tudo? Meu Deus, o que iremos fazer, onde iremos nos refugiar? Terroristas soltos entre nós, diplomatas aprovados sem suficiente exame de mérito, "imprensa" chapa-branca...Esse é o governo tão bem avaliado?
Não, eu não posso reclamar...Serei considerado um reacionário, conservador, "direitista", fundamentalista, elitista, obscuro. Todo mundo aplaude o Lula e o desculpa. Quando a gente critica o governo, logo vêm as comparações com o governo FHC, como se tudo fosse permitido desde que antes fosse pior, como se Lula não houvesse cometido tantos erros que a própria esquerda, em tese, deveria reconhecer.
Voz solitária. Hei de me conformar com isso.




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vai-se escoando a glória de Lula

A glória do homem pode ser grande, mas acaba. E que bom que acaba! Não aguento mais ouvir as maiores tolices ditas pelo presidente da República, que, por ser popular, ex-operário e sem educação formal, parece ser inimputável.
O homem sai da presidência com mais de 80% de popularidade, tendo conseguido eleger sua sucessora, que, por sinal, jamais havia disputado nem eleição para presidente de associação de moradores, e agora já conta com mais de 70% de boas expectativas do eleitorado.
Em seu derradeiro discurso, Lula se posicionou quase como um espírito-guia ("onde estiver alguém assim, eu estarei espiritualmente etc."). E se comparou implicitamente a Getúlio Vargas ao dizer que sai do governo para entrar na vida das ruas... Deve ser humilde mesmo. Nem espera que outros façam as comparações. Aliás, foi o próprio Lula quem não hesitou em comparar Dilma Rousseff a...Nelson Mandela!!!
Considero o governo Lula não mais que regular. Não foi ruim ou péssimo porque não afundou o país economicamente, mas não foi bom porque simplesmente repetiu a política econômica de FHC, aprofundou maus costumes políticos, flertou com ditadores daqui e de lá, abusou da máquina pública, aparelhou o Estado com petistas, fez alianças com oligarcas, não melhorou a Saúde nem a Educação, nada fez para conter a invasão das fronteiras pelas drogas ilícitas, tentou e tenta controlar conteúdo da imprensa e criou uma mistificação segundo a qual tudo o que há de bom vem de Lula.
Popularidade e prosperidade econômica não significam nada diante da verdade e da ética. Saul foi muito popular, governou Israel por quarenta anos e foi rejeitado por Deus. Manassés governou Judá por cinquenta e dois anos, mas foi ele quem passou seu filho pelo fogo, em honra a Moloque. Jeroboão II foi um rei muito próspero, mas não andou conforme a vontade de Deus.
A glória de Lula vai passar logo. Espero que ele não seja alçado à categoria de mito, como foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Mas, se for, terá recebido sua glória na Terra, e toda glória terrena é passageira.
Sinceramente, não confio tanto nas pesquisas (tão frequentes, como nunca!), que mostram Lula com essa popularidade toda. Creio que as pesquisas erram como erraram quando do primeiro turno das eleições deste ano. Mas sei que Lula é muito popular porque fez muita propaganda e um governo economicamente bom, e isto porque não aplicou o programa do PT e acompanhou o que FHC legou ao país.
O que sei é que o poder de Lula está indo embora, e que, com a caneta na mão, Dilma é que terá o poder a partir de 1º de janeiro. Mesmo sem carisma, mesmo sem luz própria, mesmo sem biografia de estadista, mesmo sem habilidade política, mesmo sem história esclarecida, ela é que terá o poder, e Lula com certeza terá alguma crise de abstinência. Espero que ele saiba lidar com a efemeridade de sua pequena glória.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lula descobriu o Brasil e Jaques Wagner libertou a Bahia...

Se Lula descobriu o Brasil em 2003, seu "irmão de fé" Jaques Wagner libertou a Bahia em 2007 - isso é o que se infere da mais nova propaganda do Governo baiano que tem sido veiculada na TV. O narrador vai contando a história de um povo sofrido, vítima da desigualdade social e racial, para depois dizer que se trata dos baianos. Embora tenha nascido na Bahia, não me senti representado na propaganda, e não porque não seja negro ou muito pobre, mas porque não vivo num lugar que foi salvo por Jaques Wagner e seu pessoal.
Outro dia houve um assalto em minha rua, por volta das oito horas da manhã, e a moça tinha apanhado do indivíduo, que roubou seu celular. Quem se sente à vontade para assaltar às oito da manhã numa rua movimentada de um bairro tranquilo faz isso por causa da impunidade ou da dependência de drogas ilícitas, ou das duas coisas. Mas o governador já disse que sua maneira de combater a insegurança pública é dar educação e justiça social... É uma maneira bem esquerdista de resolver as coisas, ou melhor, de não resolver. Se conseguisse usar de competência quanto à educação, ao emprego e à saúde, o governador talvez resolvesse o problema da insegurança daqui a uns 20 anos, pois os bandidos de agora já estão por aí, crescidos e inclinados ao crime.
Quanto às drogas, o governo já sentenciou que crack é "cadeia ou caixão". Pronto. O usuário não tem outra chance, não pode contar com a cooperação estadual se quiser deixar o entorpecente.
Outra coisa que me incomoda na política petista é que nela se vê um sentimento um tanto raivoso, inspirado na ideia de que o caminho para suprimir as desigualdades é acentuá-las. Na realidade, hoje existe uma tendência em torno de políticas discriminatórias, como as cotas raciais, que buscam institucionalizar a falta de isonomia, em vez de ensinar que todos são iguais, e promover transformações sociais e políticas.
Como sou branco, evangélico, heterossexual, conservador e de classe média, acabo me tornando uma minoria jurídica. Mas eu sou baiano porque nasci aqui, e não porque represente algum movimento étnico, religioso ou cultural de raízes baianas. Sou baiano por uma questão de geografia, e não por algum destino histórico ou idiossincrasia cultural.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Uma palavrinha sobre o WikiLeaks

Olha, eu não sou jornalista e este blog não acompanha tudo o que sai na imprensa, mas de vez em quando eu gosto de inserir algum comentário sobre assuntos da ordem do dia. E os vazamentos do site WikiLeaks têm dado o que falar: documentos secretos da diplomacia americana têm sido divulgados no site criado pelo australiano Julian Assange; esses documentos são enviados a jornais do mundo todo, que publicam o seu teor, fazem reportagens e dão opiniões; documentos sigilosos sobre o Afeganistão e o Iraque foram acompanhados de inúmeras outras coisas, como as falas de Nelson Jobim sobre suposto câncer de Evo Morales, a pesquisa de Hillary Clinton sobre o perfil psicológico de Cristina Kirchner e a descrição de Manuel Zelaya feita pelo embaixador americano em Honduras.
As esquerdas e os que não gostam dos Estados Unidos comemoram os vazamentos e acham esse Julian Assange um herói, um candidato ao prêmio Nobel 2011, um mito em vida. Tudo ficou ainda mais interessante com sua prisão por supostos crimes sexuais praticados na Suécia.
Sabem o que eu penso? Que a imprensa tem todo o direito (na verdade, o dever) de publicar aquilo que vazou no WikiLeaks, desde, é claro, que não agrida o direito de pessoas nem ponha em risco a vida e a integridade de populações. Mas o que esse moço Julian Assange está fazendo é errado, pois, primeiro, publicar dados sigilosos é crime, e, segundo, há nações envolvidas nisso. Eu fico a pensar sobre as muitas recomendações bíblicas sobre a importância de ficar calado e não se intrometer em coisas que não se pode dominar. Dar credibilidade e poder a um site que vaza documentos confidenciais é um perigo característico de quem não tem responsabilidade, e que acha que tudo o que for constrangedor aos Estados Unidos é bom para o mundo.
Nem sempre é preciso saber toda a verdade sobre tudo. A sabedoria está em não procurar nem inventar problema.
Numa época em que o bonito é sair criticando a existência de segredos oficiais, preocupa-me o fato de poucas pessoas do mundo crítico estarem atentas para isso. Sinceridade não é falar tudo o que a gente pensa ou sabe, mas falar realmente o que se pensa ou sabe.

Aprendi com o Lula!

Como disse a dona Dilma, Lula "nos ensinou o caminho". Segundo Elio Gaspari, Lula é o "Nosso Guia". Já que o mundo todo aprova o Lula, incluindo o Le Monde e o The Economist, eu vou dizer o que aprendi com ele:
Quando me criticarem, direi que se trata de preconceito contra o nordestino, porque sou baiano e filho de piauienses. Se não for suficiente, apelarei para o fato de que sou filho de uma professora de escola pública e de um autônomo sem grande instrução formal. Direi que minha mãe só fez curso superior porque teve bolsa da SUDENE, que minhas irmãs ficaram um ano inteiro sem estudar porque a escola estadual estava em reformas, e que só escapei dessa porque fui cursar o segundo grau numa fundação filantrópica (vou dizer que o dono da fundação era um capitalista sensível à opressão das massas).
Se alguém se opuser à minha vitimização, afirmando que sou branco, membro da classe B, heterossexual e cristão, direi, em contrapartida, que tive negros e índios na família, que "vim de baixo", que os heterossexuais são hoje quase uma minoria jurídica e que o pentecostalismo ainda é discriminado. Ah! Direi que sou feio também, pois os feios não têm auferido grandes benefícios nessa sociedade capitalista, opressora e corpólatra.
Com tudo isso, serei considerado um inimputável, como o mestre Lula. Se melhorei um pouquinho de vida, foi porque tive ajuda daquele capitalista consciente e uma vaga em universidade pública, gratuita e de qualidade, com direito a duas bolsas do CNPq (não poderei cometer a heresia de lembrar que estudei sob o governo de FHC, pois o universo foi criado por Lula, e o sociólogo deixou somente uma "herança maldita").
Terei um salvo-conduto para criticar quem eu quiser, já que a vitimização tem esse outro ponto favorável: a gente não pode ser criticado, mas tem todas as prerrogativas constitucionais para externar os mais nobres sentimentos contra as elites, as oligarquias e aqueles que "não querem o bem do Brasil".
É isso mesmo. Depois de oito anos de poder, o pai, guia e mestre Lula nos deixa uma lição inolvidável: nunca antes na história deste país foi tão confortável posar de vítima.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A condenação eterna decorrerá do pecado, e não da falta de conhecimento

Como professor de escola dominical, deparei, duas vezes, com questionamentos sobre o destino daqueles que jamais ouviram o Evangelho: uma vez foi em Sete Lagoas/MG, no ano de 2006; outra vez foi em Salvador/BA, ontem, em minha congregação.
Percebo certa dificuldade dos irmãos nessa matéria. Imaginam que o pecado consiste basicamente em recusar o convite de Cristo, que "os tempos da ignorância", mencionados por Pedro em seu discurso pós-Pentecoste, seriam os anos em que a pessoa não ouviu falar do Evangelho, e que não haveria como Deus punir os que nunca ouviram falar de Jesus. Todavia, isso não é correto.
Devo afirmar, primeiro, que tomo esse assunto como o da Trindade: não o compreendo, mas não posso negar sua realidade nas Escrituras. É diferente do que penso da doutrina calvinista da predestinação: enquanto para mim ela não é bíblica, os irmãos reformados afirmariam, talvez, que não a aceito por não entender o que na Bíblia está escrito. Porém, eu creio entender o que está escrito, e, mesmo assim, não vejo predestinação da maneira como os calvinistas veem. Assim, eu não aceito a doutrina da predestinação porque não a considero bíblica, diferentemente de não aceitá-la por considerar um absurdo Deus escolher uns em detrimento de outros - embora pense isso também.
Feita essa distinção, basta examinarmos os textos bíblicos, como aquele em que Paulo afirma que os atributos de Deus, o seu eterno poder como a sua divindade  claramente se veem e se compreendem pelas coisas que estão criadas, para sustentar a verdade de que todos, judeus e gentios, são indesculpáveis (leia Romanos, caps. 1 a 4). O Salmo 19 começa dizendo que "os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos". Isso é a chamada "Revelação Geral", ao alcance de todos, incluindo os pigmeus e os cerca de dez mil índios isolados da Amazônia. Mas essa revelação só é apta para condenar, pois todos estão debaixo do pecado.
Jesus não disse que se em Tiro e Sidom, como também em Sodoma e Gomorra, se fizessem todos os milagres que Ele operou em Betsaida, Corazim e Cafarnaum haveria salvação para aquelas cidades? Ora, o princípio é de que a quem mais é dado mais será cobrado. Mas todos seremos julgados, de uma forma ou de outra.
Se pensássemos que o motivo de condenação dos homens seria a rejeição de Cristo, e que os que nada conhecem não podem ser condenados, bastaria Deus não enviar Cristo e deixar todo mundo sem o conhecimento da Palavra, e assim todos estariam salvos pela...ignorância! Dessa forma, e contraditoriamente, se por um lado é o conhecimento de Cristo que salva o pecador arrependido, seria a ignorância a salvar todos os pecadores, arrependidos ou não!!!
Não pensemos desse jeito, porque não é bíblico. Crer que a condenação só paira sobre os que ouviram e não creram é deixar de lado um dos fundamentos da Fé Cristã, a saber, a doutrina da pecaminosidade universal. O pecado não é apenas atitude, mas condição universal. "Todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23). Quando pecamos, comemos de novo da árvore do conhecimento do bem e do mal, e, por isso, morremos. Somente Cristo pode nos resgatar.
Qual seria, então, a melhor conclusão para esse assunto? A de que é urgente o envio de missionários por todo o mundo. Os pigmeus e os indígenas precisam ouvir sobre Jesus. E muito mais gente...
Que Deus nos ajude.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O TEMPO DA SALVAÇÃO*

Em Atos 1.8, temos uma espécie de texto-resumo do Livro de Atos dos Apóstolos, que, por sua vez, pode ser denominado “Atos do Espírito Santo”. Trata-se de continuação do Evangelho de Lucas: o assunto em Lucas é o que o SENHOR Jesus começou a fazer e a ensinar. Em Atos o assunto é a expansão da Igreja no poder do Espírito. Enquanto o recebimento de poder, pela descida do Espírito, é instrumento, o testemunho de Cristo é a finalidade. A Igreja receberia poder para ser testemunha de Cristo (ver Lc 24.49 e At 1.5).

Vemos aqui uma citação a Is 43.10, em que Deus diz a Israel: “Vós sois as minhas testemunhas”. Em Atos, a Igreja é a testemunha, não por mera substituição de Israel, mas porque esse foi o plano de Deus.

Onde se daria esse testemunho? Haveria um testemunho local (Jerusalém); regional (Judeia e Samaria) e mundial (até aos confins da terra). Podemos afirmar ainda o testemunho histórico, já que a cláusula “até aos confins da terra” tem que ver com a história da pregação do Evangelho.

Como testemunhas de Cristo, somos embaixadores, representantes, mensageiros. Isso diz respeito à evangelização pessoal e em praça pública. Diz respeito também aos mártires.

O poder do Espírito, na condição de meio para consecução de uma finalidade, capacita a Igreja com diversos dons espirituais, dando-lhe, além disso, coragem e ousadia. Foi com alta intensidade de poder que a Igreja conheceu sua expansão e começou seu trabalho de missões locais, regionais, nacionais e internacionais. De certa maneira, At 1.8 vai se desenvolvendo em todo o Livro: de 1 a 8.4, vemos o crescimento da Igreja em Jerusalém e na Judeia; de 8.5-40, o crescimento alcança Samaria; 9 até o 28, temos o crescimento da Igreja aos confins da terra. Esse trabalho continua, pois o Livro de Atos dos Apóstolos não se encerra com uma conclusão, e, sim, com o relato de Paulo pregando “sem impedimento algum”.

A Igreja é missionária, e, por isso, precisa anunciar o Evangelho, com a mensagem das coisas concernentes ao Reino de Deus, tal como Jesus falou aos Seus discípulos depois da ressurreição e antes da ascensão. Assim como em Mt 3.2 e 4.17 João Batista e Jesus irromperam anunciando que o Reino de Deus está próximo, assim cabe à Igreja proclamar a mesma mensagem.

Ocorre que não se proclama uma mensagem que não se conhece. O que é o Reino de Deus? Seria um regime político? Os versículos 6 e 7 de At 1 mostram que, mesmo depois da ressurreição de Cristo, e pouco antes de Sua ascensão, os discípulos ainda aguardavam a restauração do reino político a Israel, com o afastamento do jugo romano. Essa era a teologia da época, e se acreditava que o Messias seria um libertador nacional, um guerreiro que retomaria o curso da dinastia de Davi. Jesus responde que não compete aos discípulos conhecer os tempos ou as épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade.

De fato, nem tudo é revelado por Deus acerca de Seus planos. A volta de Jesus (parousia) não tem data conhecida. De toda maneira, as Escrituras Sagradas contém o registro inspirado justamente dos tempos ou épocas que Deus quis revelar: chamemos isso de o tempo da Salvação, a história da redenção ou o plano da redenção.

Em I Ts 5.1, Paulo nos diz: “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva”. E não era necessário porque ja havia nos dias de Paulo o que conhecemos como Antigo Testamento, além da tradição da Igreja.

Em Dn 2.21, lemos o seguinte: “É ele quem muda os tempos e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes”. Deus é retratado como Aquele que domina, controla e consuma a história. Deus não é refém dos acontecimentos nem pode ser surpreendido.

Mas, quanto ao que foi revelado, quais os tempos ou épocas estabelecidos por Deus? Façamos, pois, uma divisão da história da salvação conforme as Escrituras**:



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE:

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA:

(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS”;

(IV) “ÚLTIMOS DIAS”.



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE (ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO):

Rm 16.25-27 – Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!

I Co 2.7 – mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;

Ef 1.4 – assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (...);

Cl 1.26 – o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;

II Tm 1.9 – [Deus,] que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (...);

Mt 25.34 – então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA (ANTES DA VINDA DO FILHO DE DEUS):

I Pe 1.10,11 – Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.

At 17.30 – Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;



(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS” (O ENVIO DO FILHO DE DEUS):

Gl 4.4,5 – vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Ef 1.9,10 – desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra.

(IV) “ÚLTIMOS DIAS” (DESDE A ENCARNAÇÃO DE CRISTO ATÉ A SUA SEGUNDA VINDA):

Hb 1.2 – Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

Rm 3.26 – tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

II Co 6.1,2 – (porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação);

I Tm 4.1 – Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios;

I Jo 2.18 – Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

CONCLUSÃO:

Como Deus domina a História, é preciso tomar uma decisão ao Seu lado.

Não se trata de filosofia, teoria ou mera experiência religiosa. É realidade histórica.

Não se pode negligenciar o Tempo da Salvação, porque disso depende a vida eterna!


*Esboço produzido para a pregação que fiz ontem, no culto de jovens e adolescentes da congregação de que participo, a Assembleia de Deus na Ribeira - Salvador/BA. O tema era At 1.8, mas, como dá para perceber, trabalhei mais At 1.6,7. Entendo que não é muito robusta a ênfase no poder ou mesmo no dever de evangelizar se não conhecemos a mensagem direito. A mensagem é a chegada do Reino de Deus, que, como diz John Stott, está entre o e o ainda não.
**Para essa divisão, servi-me de informações e versículos apontados pelas anotações da BÍBLIA DE JERUSALÉM quanto ao texto em comento (At 1.6,7). Todavia, não segui exatamente a divisão ali mencionada - que traz tempo da preparação ou da paciência, "plenitude dos tempos", período da espera da vinda de Jesus e "últimos dias". De igual forma, interpretei de maneira um pouco diferente o lugar de algumas passagens, adicionei os tempos eternos e não considerei que os últimos dias dizem respeito apenas ao Dia Escatológico.
Servi-me, ainda, de algumas informações preciosas colhidas da matéria Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, ministrada pelo professor Rev. Augustus Nicodemus Lopes, no curso à distância de Especialização em Estudos Teológicos, da Universidade Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Paradoxo no Rio: o sucesso da Segurança Pública produz maior violência!

A mistificação faz parte da política de Lula e de Sérgio Cabral. No auge da crise aérea, Guido Mantega, Ministro da Fazenda, atribuiu o caos à prosperidade econômica. Agora, o governador fluminense diz que a onda de arrastões e queima de carros e ônibus se deve ao sucesso de suas Unidades de Polícia Pacificadora!
Nunca vi nada igual. É como se o Ministro da Saúde dissesse que o aumento do número de mortes por dengue hemorrágica fosse resultado do sucesso da política de combate ao mosquito, ou como se o Ministro da Fazenda dissesse que o desemprego e a inflação resultassem do sucesso da política macroeconômica!
Não sou especialista no assunto, mas me vem a impressão de que as UPP´s não têm por objetivo o combate ao tráfico, mas tão-somente à imagem de que o tráfico existe. Assim, o governo estadual do Rio de Janeiro parece não se preocupar com a existência do comércio de drogas, mas com a péssima imagem de traficantes portando armas pesadas nas favelas cariocas próximas dos cartões-postais. É isso?
Isso me lembra o problema do Estado secularizado, que não se perturba com os dilemas individuais. Se o camarada é "maconheiro", o Estado secularizado não se preocupa, desde que isso só lhe diga respeito. Se existe uma venda sistemática de drogas lá no morro ou a domicílio para os das classes abastadas, pouco importa para quem só quer combater a violência urbana.
A pacificação carioca está parecendo conciliação: o tráfico se contenta em não ostentar armas e não confrontar a polícia, que por sua vez se limita a "morar" nas "comunidades" e fazer um papel de boa convivência. Dessa forma, todo mundo fica feliz, o usuário, o traficante, o governo e a população. Mas, como o "sistema" (vide Tropa de Elite 2) é furado, quem ficou de fora não tarda a se manifestar: justamente aqueles traficantes desempregados que não precisam mais barrar a polícia nos morros. Preciso dar o devido crédito e registrar que meu raciocínio se baseia, em grande medida, no que escreve Reinaldo Azevedo em seu blog.
Mas, voltando ao Estado secularizado, lembro inevitavelmente do Livro de Juízes, que repete a lição de que "naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que lhe parecia reto". Ora, esse é o relativismo moral em que nos encontramos. Se a sociedade acredita que cada um pode fazer o que lhe apraz, desde que não pratique violência, é a isso que se chega: uma sociedade adoecida, comandada pelo tráfico, com uma juventude morrendo aos poucos por causa das drogas.
A própria política de despenalização do uso de drogas deve ser repensada, porque o usuário contribui para a violência. Se ele hoje precisa de ajuda, deve ser ajudado, mas ninguém o obrigou a lançar mão do expediente, e existem informações sobejas quanto aos prejuízos causados pelos entorpecentes.
Aliás, uma das bandeiras do esquerdismo é defender a flexibilização das regras do jogo. Não gostaria de ver onde isso vai parar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os gays ativistas querem calar Augustus Nicodemus Lopes e a Igreja Presbiteriana

Ao acessar o blog de Reinaldo Azevedo hoje pela manhã, deparei com um post sobre a nova investida gay contra a liberdade de consciência e de expressão: devido à publicação, no portal da Mackenzie, de um manifesto presbiteriano sobre a lei da "homofobia" (PLC 122/06), convocou-se na internet um ato de protesto em frente à Universidade. É a patrulha gay fazendo barulho. Visitem o blog e leiam o excelente artigo do brilhante Reinaldo Azevedo.
Pesquisando no site da Mackenzie e acessando dentro dele o portal da Igreja Presbiteriana, li o manifesto, assinado pelo presidente do Supremo Concílio daquela Igreja, Rev. Roberto Brasileiro. O que havia feito o Rev. Nicodemus Lopes, chanceler da Mackenzie? Simplesmente havia publicado o manifesto em outro espaço, com uma introdução de sua lavra. Foi o suficiente para incendiar o movimento homossexual. Note-se que o reverendo esclarece tratar-se de orientação à comunidade acadêmica sobre o que pensa a Associada Vitalícia sobre o tema - a Igreja Presbiteriana é a Associada Vitalícia -, mas o Estadao.com publicou que se tratava de orientação à comunidade acadêmica contra o projeto de lei. Veja, então, como jornalistas podem perverter as coisas (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,protesto-contra-lider-religioso-do-mackenzie-e-marcado-na-internet,641214,0.htm).
Na Folha de hoje, um leitor diz que o chanceler da Mackenzie agiu "do alto de sua extrema ignorância". Começou, assim, o combate a Augustus Nicodemus, um homem sério, honesto, preparado e consciente, de quem tenho a honra de ser aluno num curso à distância.
Não vou admitir jamais que mordaças sejam impostas à minha liberdade de expressão. Abaixo, há o texto do reverendo na íntegra, o qual, infelizmente, saiu do ar no dia 18 de novembro, dada a polêmica. O protesto dos defensores da mordaça gay ocorrerá no dia 24.
É uma pena que o certo vire errado e o errado vire certo. Mas esse é o fim dos tempos.


"Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia

Leitura: Salmo

O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.
Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:
"Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.
Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, "desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher" (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).
A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.
Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo".
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes

Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie"











segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O deus do "eu" nas canções evangélicas de hoje

Creio que sou observador demais, ou, então, a maioria das pessoas deve ser observadora de menos. Como pode pregarmos tanto sobre a necessidade de proclamação do Evangelho cristocêntrico e, sem embargo disso, persistirem os hinos ao ego?
São inúmeras as canções de suposto "louvor" que, na realidade, louvam ao indivíduo que canta. E não se trata de louvor ao homem, à humanidade - o que seria antropocentrismo e humanismo -, mas de louvor a si mesmo, um traço da pós-modernidade. Enquanto o modernismo louvava o homem, o pós-modernismo louva a cada homem. Ambos erram. Devemos adorar somente a Deus, em Cristo.
Em vez de um "Tu és fiel" (Hino 535 da Harpa Cristã), muitas pessoas evangélicas têm preferido proclamar seus sonhos e desejos de vitória, até mesmo emulando aqueles desabafos mais fortes do salmista, quando ele desejava o mal a seus inimigos. É claro que não se diz isso, mas a vontade do "adorador" parece ser a de prevalecer sobre aqueles que um dia duvidaram dele ou o criticaram. Um exemplo disso é a canção "Sabor de Mel", que não vejo como louvor a Deus, mas como uma declaração de guerra contra desafetos - e que me desculpem os que a apreciam, mas este é um texto para edificação.
Frases inofensivas como "Deus é fiel" passam a conter toda uma teologia mercantilista segundo a qual Deus, por sua fidelidade, seria obrigado a cumprir Suas promessas. Fidelidade deixa de ser atribudo moral e comunicável de Deus para ser uma lei cósmica que obriga o Criador a fazer o que supostamente disse que faria pelo indivíduo. Promessas passam a ser dívidas. A Graça de Deus cede lugar à "legalidade", ao "direito", à "reivindicação" e à "restituição". Uma simples frase como "Deus é fiel", embora bíblica, pode esconder toda uma teologia triunfalista e diabólica. Parece estranho?
Ora, o Diabo imita as coisas do SENHOR, e não nos persegue com cara de monstro. Ele parece, se quiser, um anjo de luz, como escreveu Paulo em II Co 11.14.
Comece a prestar atenção na hinologia de sua igreja, o que se canta nos cultos. Compare com o ensino da escola dominical -especialmente com as Lições Bíblicas, para quem é assembleiano. Repare nos detalhes. Observe se há fundamento bíblico. Examine o que canta e o que ouve.
Receio que nossa pregação não esteja surtindo muito efeito.

Grande batismo da Assembleia de Deus em Salvador na Praia da Ribeira

Hoje tivemos a honra e a alegria de assistir ao batismo nas águas realizado pela Assembleia de Deus em Salvador (ADESAL) ocorrido no mar da Ribeira, justamente o bairro onde moro com a minha família. Quase duas mil pessoas desceram às águas batismais. Uma multidão estava presente, "tantos como a areia da praia, tantos como a areia do mar", do jeito que diz o Hino 509 da Harpa Cristã.
Foram convocados 60 presbíteros para organizar as filas e 300 diáconos para fazer um cordão de isolamento, formando uma espécie de "tanque". Não sei quantos pastores e evangelistas havia. Foi uma festa bonita, tudo com autorização da União e da Prefeitura de Salvador, assim como a devida comunicação à empresa que organiza o trânsito na cidade, já que haveria um desfile desde o Largo do Papagaio até o trecho da praia onde aconteceria o batismo.
O Nome do SENHOR deve ser glorificado por isso!!! São quase duas mil pessoas que se declaram novas criaturas, e que, na contra-corrente do mundo, reconhecem em Jesus o seu Salvador.
O presidente da ADESAL é o pastor Israel Alves Ferreira, que também preside a CONFRAMADEB (Convenção Fraternal dos Ministros da Assembleia de Deus na Bahia).
Seguem as fotos que eu e minha esposa tiramos, e que não dão a dimensão exata da quantidade de pessoas que ali estava:












quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cadê a fúria dos estudantes do Brasil? Ou, Lula deve ser mesmo inimputável

Desde criança, ouvia minha mãe cantarolar: "Estudante do Brasil/sua missão é a maior missão/batalhar pela verdade/impor a tua geração". Creio que ela cantava os dois últimos versos de maneira diferente, mas a canção era essa. Lembrei disso para dizer que não sei onde se refugiou a fúria dos estudantes brasileiros, aqueles bravos que um dia saíram às ruas, em 1992, para gritar Fora Collor (eu estava lá, sem cara pintada, mas ao mesmo som de Alegria, Alegria), ou que protestavam contra a ditadura militar de 1964 a 1985. Cadê os meninos? Cadê aquele sentimento combativo - que não raro exagera?
Ora, acabo de ver e ouvir o presidente Lula dizer que "o ENEM foi um sucesso absoluto". Essa frase não é um insulto a todos os estudantes brasileiros, ou aos estudantes secundaristas, ou, ao menos, aos estudantes que fizeram o ENEM? Sucesso absoluto? Meu Deus!!!
Mas Lula pode tudo. Como diz o brilhante Reinaldo Azevedo, Lula deve ser inimputável. Nada pega nele, nada acontece com ele. Lula fala as coisas mais absurdas e ninguém o critica seriamente, não há uma ação civil ou penal para chamá-lo à consciência. É claro que estou excluindo as indolores multas eleitorais...A Oposição no Brasil está sofrível, fraquíssima, as instituições têm sido vilipendiadas todos os dias, a máquina pública foi usada flagrantemente em favor de uma candidata sem nome, e nada acontece a esse senhor! Em que país estamos?Ah, sei, Renato Russo já perguntou mais ou menos isso.
Tomo a liberdade de mais uma vez citar Reinaldo Azevedo, pois concordo com ele e pensei a mesma coisa: e se, em vez do Governo Lula, tivéssemos o Governo FHC, Serra ou Alckmin? O que os petistas estariam fazendo? O que a UNE estaria fazendo? O que haveria nas ruas? Qual balbúrdia não se teria instalado, e quantas teorias conspiratórias não teriam sido forjadas, incluindo críticas generalizadas ao próprio Exame?
Não precisamos de balbúrdia. Precisamos de questionamento, crítica, independência, combatividade. O PSDB perdeu a eleição quando se escusou de aprender o que significa fazer oposição e mobilizar as massas. E que se entenda o que eu escrevo, pois os petistas gostam de confundir: quando são os petistas a criticar, é direito de participação popular; quando são grupos adversários, é golpe. Defendo apenas o exercício da democracia.
Junte-se as bobagens do ENEM ao caso do Banco PanAmericano e temos dois exemplos claros do que é esse Governo. E o problema do ENEM já é de reiteração, de falta de demissão, de incompetência, de quebra do princípio administrativo da eficiência.
Cadê o pessoal bem informado? Onde estão meus diletos amigos, colegas, companheiros de época, de formação e de letras? Por que esse senhor Lula diz o que quer, faz o que quer, provoca como lhe apraz, e ninguém o chama à responsabilidade?



Serviço: o hino referido chama-se Estudante do Brasil, com letra de P. Barbosa e A. Taranto, e música de Raul Roulien. Segue:



Estudante do Brasil!

Tua missão é a maior missão:

Batalhar pela verdade,

Impor a tua geração!


Estribilho

Marchar, marchar para a frente!

Lutar incessantemente!

A vida iluminar, Idéias avançar!


E, assim, tornar bem maior,

Com todo ardor juvenil:

A Raça, o Ouro, o esplendor

Do nosso imenso Brasil!


Estudante do Brasil,

Orgulho da Nação, tu hás de ser!

O Brasil almeja, ansioso,

Que cumpras sempre o teu dever.
 
(Fonte: http://ezequiaslosso.blogspot.com/2008/02/hino-do-estudante-do-brasil.html)

sábado, 6 de novembro de 2010

A Graça de Deus na história de Rute

Ontem li para a minha filha a história de Rute. Enquanto lia, algo me veio à mente: embora Orfa não tenha decidido viajar com a sogra Noemi, o texto bíblico não a retrata como uma vilã ou persona non grata. Na realidade, Orfa não tinha a menor obrigação de ir morar com sua sogra numa terra estranha, pois, apesar de todas as dificuldades, ela era moabita, e seu esposo já havia morrido. Noemi não tinha nada a lhe oferecer, e não havia obrigação, nem mesmo moral, que as prendesse uma à outra.
Aqui é que eu vejo a Graça do SENHOR. Rute, a outra nora, também moabita, resolveu ir com a sua sogra à terra de Judá, proferindo a célebre frase "o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus".
Rute amava Noemi, e sua decisão de ir para Judá nada tinha que ver com cálculos em torno do que poderia ganhar com aquilo. Ela simplesmente teve amor e fé. O Livro que leva seu nome nos mostra que tanto Rute como Noemi foram recompensadas de maneira maravilhosa: Rute casou-se com o fazendeiro Boaz, parente remidor de Noemi, a quem cabia resgatar a propriedade perdida na época da fome. E Noemi voltou a sorrir. Além disso, Noemi se tornou bisavó do maior líder de Israel, o rei Davi! Por conseguinte, uma moabita entrou para a genealogia de Jesus, como se vê em Mt 1.
Nada disso teria ocorrido sem a atitude graciosa de Rute em favor de sua sogra. Se atentarmos para esse relato, veremos que Deus comandava todas as coisas. Em atitudes aparentemente simples, tomadas por nós, Deus pode estar agindo, pensando "lá na frente".
Graça não rima com obrigação. Deus não tem absolutamente nenhum dever em nos abençoar. Pode parecer estranho para a nossa mentalidade mercantilista, e um soco em nosso orgulho, mas a verdade é que Deus agiu como Rute: mesmo de graça, sem explicação, resolveu enviar Seu Filho a este mundo, para morrer e ressustitar pelos nossos pecados. Isso é graça!
Se você, eventual leitor ou leitora, não aceitar a graça de Cristo, jamais desfrutará das bênçãos imprevisíveis que Deus tem para lhe oferecer. É de graça mesmo. Basta aceitar com humildade.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um pouco sobre Paulo

Na disciplina Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, que sigo estudando no Curso de Especialização em Estudos Teológicos (CPAJ/Mackenzie), temos uma perspectiva reformada, conservadora. Gosto disso. O professor, Dr. Augustus Nicodemus Lopes, faz questão de enfatizar seu combate ao Liberalismo ou Modernismo Teológico. Seja nos textos indicados, seja em suas participações nos fóruns de discussão, o reverendo presbiteriano costuma defender princípios reformados de maneira firme e balizada.
Começamos estudando sobre a biografia de Paulo, sua cultura, viagens, experiências, influências. Lemos um texto de J.I.Packer, para quem Paulo era um homem de três mundos: judaico, romano e grego. Vimos que, apesar disso, o que mais influenciou o apóstolo foi o Judaísmo da Dispersão, sem contaminações helenísticas ou gnósticas. Ele também estudou com o mestre Gamaliel, neto do célebre Hilel, um dos mais importantes rabinos de toda a história. Hilel foi o líder de uma corrente rabínica mais liberal - que, pelo que lembro de leitura anterior, "rivalizava" com a corrente do rabino Shammai, incluindo a questão do divórcio.
O apóstolo Paulo foi um homem admirável: teólogo, missionário, pastor, fazedor de tendas, coletor de ajuda para cristãos mais pobres. Não tinha um temperamento muito fácil, eu acredito, mas foi controlado por Deus. De perseguidor passou a perseguido. De fariseu zeloso passou a cristão amoroso.
Paulo é o exemplo clássico de que a erudição pode e deve ser empregada no serviço do Mestre. Conhecia de direito, filosofia, poesia, grego, hebraico, Septuaginta, e submeteu todo o seu conhecimento a Cristo. Septuaginta era a tradução das Escrituras Hebraicas, nosso Antigo Testamento, para o grego, feita por 72 judeus cultos em Alexandria. Foi essa versão que Paulo conheceu e usou em sua formação e elaboração das Epístolas.
Os escritos paulinos não seguem uma linha sistemática, e é por isso que não tratam de todos os assuntos éticos e teológicos. Ele não era autor de teologia sistemática. Ora, sistemáticos somos nós, os ocidentais, e naquela época não existia esse tipo de teologia! Paulo escrevia de maneira responsiva, a partir de problemas morais e dúvidas doutrinárias das igrejas. Bem por isso, não se deve dizer que determinado tema não é importante só porque Paulo não mencionou. E talvez devamos nos socorrer de Lucas-Atos, porque o "médico amado" o acompanhou, e certamente se abeberou muito de sua teologia.
De acordo com Augustus Nicodemus, o mitte (centro, em alemão) da teologia paulina seria a inauguração de uma nova etapa escatológica com a morte e ressurreição de Cristo. O Filho de Deus iniciou uma nova era na história universal. E J. Christian Beker sugeriu o binômio coerência-contingência para explicar os escritos de Paulo: alguns temas são mantidos no centro, enquanto outros ocorrem devido às circunstâncias.
Essa tese de que Paulo não era sistemático ajuda muito, pois, primeiro, evitamos empurrar nosso próprio sistema para o apóstolo; segundo, podemos aceitar que outros temas sejam igualmente importantes, ainda que não tratados por ele. Existe, afinal, uma teologia fora de Paulo, com Pedro, Tiago, João, Judas e Hebreus.
Com suas sentenças longas e mudanças rápidas de pensamento, Paulo oferece-nos alguma dificuldade, como o próprio Pedro reconheceu (II Pe 3.15,16). Mas essa deve ser um dos estímulos teológicos e intelectuais para nós, que nos ressentimos de viver na era da mediocridade.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que venceu nesta eleição?

Dilma Rousseff, a ungida de Lula, foi eleita presidente da República. Houve uma dianteira de cerca de 12 pontos, menor que as vitórias de seu mestre em 2002 e 2006; e menor também que a avassaladora e inebriante - para alguns - popularidade do torneiro mecânico-sindicalista-palanqueiro. Isso mostra que nem todo mundo que aprova Lula caiu em sua conversa. E mostra, ainda, que existem cerca de 43 milhões de pessoas para as quais o uso da máquina pública, da mistificação, da idolatria lulista e da república sindical não fez efeito - não quero dizer que todo mundo que votou em Dilma se deixou levar por isso , mas que aqueles que não votaram com certeza não se deixaram levar!
Fiquei triste, confesso. Nos últimos meses, acompanhei cada passo da campanha eleitoral. Lia jornais todos os dias. Cheguei a escrever aqui no blog, que, como registrado no topo, tem seu espaço dedicado à teologia, política, cultura e generalidades. Dialoguei com amigos, colegas de trabalho, irmãos da igreja. Admito ter me excedido em alguns momentos, algo que meus amigos bem compreenderam. Política faz isso com a gente. Além de meu próprio temperamento, creio que isso pode ser explicado com a grande indignação que sinto em meu coração. Grande indignação de verdade.
O que venceu no dia 31 de outubro? Dirão os petistas e simpatizantes que venceu a mulher, que venceu a inclusão social, que venceu o brio diante das grandes potências, que venceu a figura imbatível do Lula, que venceu o consumo, que venceu o crédito, que venceu o "projeto" de manutenção do patrimônio público nacional. Pode ser, mas não foi só isso.
Venceu também o uso descarado da máquina pública, das estatais, das viagens e palanques oficiais, do dinheiro investido em rádios, blogs, jornais e revistas aliadas. Venceu a revisão histórica, que atribuiu a Lula tudo o que há de bom e a FHC tudo o que há de ruim; venceu a mentira, a hipocrisia, o engano, a bajulação, a corrupção, a formação de grandes conglomerados empresariais com financiamento público, a elaboração de dossiês, a quebra de sigilos fiscais de adversários políticos. Venceu a aliança desmesurada com as mesmas oligarquias de sempre, e que contam com os Sarney do Maranhão, com os Collors e Calheiros das Alagoas, com Jader Barbalho do Pará. Venceu a violação diuturna da Constituição e das leis. Venceu a candidata do presidente que chamou a Vice-Procuradora-Geral Eleitoral, Dra. Sandra Cureau, de "uma procuradora qualquer", só porque ela cumpria a sua função institucional - e como é necessário que outros a imitem!!! Venceu o compadrio, o rolo compressor do bolsa-família, dos benefícios financeiros federais. Venceu o que há de mais sórdido na política brasileira, como diz Lula, "há 500 anos". Venceu uma imprensa chapa-branca, que vai além da Record e da TV Brasil, para alcançar alguns jornalistas como o sr. Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo. Enfim, remanesce no Brasil o mesmo patrimonialismo de todos os tempos. Apenas os atores mudaram.
Quem governará com Dilma? Os sindicalistas do ABC, os oligarcas, os empresários beneficiados pelo BNDES, o MST, os petistas infiltrados no Estado, o mesmo pessoal dos dossiês. São esses os apoiadores de Dilma, com José Dirceu nos bastidores do partido e da militânca e Antonio Palocci para acalmar os fantasmas do mercado - aquele mesmo que o STF considerou não ser comprovadamente o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Sempre que penso nessa vitória abusiva, lembro de governadores estaduais que perderam seus mandatos por decisão do TSE, por abuso econômico ou abuso político. Certamente os ilustres e elevados ministros do TSE quererão nos convencer de que aquele senhor do Maranhão, o pedetista Jackson Lago, tinha que perder o mandato por abuso de poder político, por ter, entre outras coisas, aproveitado eleitoralmente um palanque oficial do governador José Reinaldo Tavares a fim de influenciar o voto de poucas centenas de pessoas em Caxias. Isso deve ter sido muito pior do que o desmedido uso da máquina pública federal por Lula e Dilma, que não devem ter influenciado milhões de brasileiros de jeito nenhum. Vai ver também Cássio Cunha Lima (PSDB/PB) e Marcelo Miranda (PMDB/TO) mereceram perder os mandatos, mas deve haver alguma lógica jurídica - epa, essa é minha área! - que explique isso aí. Deve haver.
Por fim, este é apenas o desabafo de um eleitor e cidadão brasileiro que não é filiado a nenhum partido político, mas que em alguns momentos nesta eleição chegou a pensar que somente uma filiação partidária lhe daria voz um dia...Em pensar que esses nossos políticos de oposição preferiram elogiar o chefe de Dilma, quando poderiam ecoar consistentemente o sentimento de milhões de brasileiros que não se abaixam a Lula, ainda que ele goze de 200% de aprovação cósmica.

Leiam abaixo um dos melhores e mais corajosos textos que já li sobre a aprovação de Lula - e vem de um não-brasileiro

Os heróicos 3%

Passei meus últimos dias com a cabeça mergulhada no Brasil. As eleições, sim, as eleições: na TV ou nos jornais portugueses, a minha tarefa era explicar aos patrícios o que sucedia desse lado do Atlântico. Li muito. Escutei bastante. Perguntei idem.
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral. Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, "The Economist"), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles!

*João Pereira Coutinho, 34 anos, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha.com.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ser regenerado não é ser um pequeno deus

Esta semana foi para mim muito importante, pois comecei o Curso de Especialização em Estudos Teológicos no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ), vinculado à Universidade Mackenzie. É um curso à distância. Inscrevi-me agora em duas matérias: Teontologia, com o professor Dr. Heber Campos, e Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, com o Rev. Augustus Nicodemus Lopes. Meu amigo João Armando, leitor deste blog, vai me dizer que estou cada vez mais perto de me tornar calvinista...! Reformado, de certo modo, eu me considero. E viva a Reforma!
Ambas as disciplinas eu já conhecia do bacharelado teológico que deixei incompleto em Campo Grande/MS. Fiz as tarefas e a prova, interagi no fórum, estou lendo algumas coisas, e começo a ter algumas ideias para compartilhar.
O que tenho para hoje é uma reflexão em Teontologia - ramo teológico que se dedica ao estudo de Deus (doutrina de Deus), verificando seus nomes, atributos, natureza, "provas da existência". Ao lado da Cristologia e da Pneumatologia, cuida do que a Bíblia revela sobre Deus.
Uma das coisas que me chamaram a atenção está dentro do estudo da transcendência e imanência. Sendo transcendente, Deus está acima e sobre a Sua Criação, não se confundindo com ela. Sendo imanente, Deus intervém no mundo e na história, o que se manifesta na Providência, na Redenção e no relacionamento com os homens.
Karl Barth, teólogo neo-ortodoxo, procurou refutar o liberalismo teológico e acabou incorrendo em alguns exageros. Por exemplo, disse que Deus é o Totalmente Outro, o escondido, o desconhecido. Tomando de empréstimo a Kierkegaard a noção de distinção qualitativa e infinita, chegou ao ponto de afirmar a diferença essencial entre Deus e o Ser Humano, de maneira que nada haveria de semelhante entre nós e Deus.
De pronto, recordei de que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança (Gn 1.26). Temos a imago Dei, ou seja, nossa estrutura espiritual e psíquica reflete a do nosso Criador. Temos personalidade e caráter, e Deus é assim, só que Perfeito. A Revelação Geral não se resume à natureza das coisas e animais, senão também a natureza humana. Deveríamos pensar em Deus ao perceber a grandeza das coisas que o Ser Humano pode dizer, sentir, pensar e fazer.
Podemos nos relacionar com Deus porque temos espírito. O SENHOR revela-Se por meio da Criação, da natureza humana e das Escrituras. Jesus veio nos salvar. Portanto, não concordo com a afirmação barthiana.
Todavia, é bom não cairmos no outro extremo, pois não somos iguais a Deus nem o seremos um dia. A regeneração não traz para nós a natureza divina. Deus continua sendo Deus e nós permanecemos humanos. Jamais seremos homens-deuses.
Em II Pe 1.4, Pedro nos escreve sobre a possibilidade de nos tornarmos "participantes da natureza divina". Ora, isso não nos torna deuses. Pedro está se referindo à purificação promovida pelo Espírito Santo na vida do salvo em Cristo Jesus. É como Paulo ensina em Ef 5.1, sobre a necessidade de imitarmos a Deus como filhos.
Seitas da Nova Era e grupos neopentecostais, conforme ensino do professor Heber Campos, andam ensinando que há um deus dentro de cada um de nós ou que podemos nos tornar como deuses - já que somos filhos de Deus. Daí vem aquela história de que podemos reivindicar e decretar, pois só um Deus faz isso.
Lembremos que o SENHOR não transmite Sua glória a ninguém, que existe somente um Deus, e que a primeira tentação consistiu justamente em propagandear a ideia de que o Ser Humano pode ser como Deus.
Não devemos divinizar o Homem. Ao vir ao mundo, Jesus não veio ensinar o caminho para se tornar igual a Deus.
Ah! Mais uma coisa. Ninguém se engane com um senhor muito risonho chamado R. R. Soares: eu e minha esposa o ouvimos falar em seu programa de TV, creio que no ano de 2007, que o texto do Sl 82.6 sugere que somos pequenos deuses. Sua teologia é um fruto da Confissão Positiva americana, que por sua vez mistura um pentecostalismo atravessado a ensinos pagãos vindos do Oriente. Essa é uma das bases de sua Teologia da Prosperidade e de seu Triunfalismo, pelo qual acha que pode decretar, exigir direitos, determinar, ordenar.
Sejamos o que Deus nos chamou a ser: filhos de Deus. Está bom para você ou ser deus é a sua meta?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O que faríamos de Cristo diante da ausência total de perspectiva existencial?

Ontem, no culto da noite em minha igreja, tive a oportunidade para dar uma saudação. A partir do texto de Lc 23.39ss, falei das diferentes atitudes dos ladrões que ladeavam Jesus, e da total ausência de perspectiva existencial para ambos. Mesmo sabendo que iria morrer dali a pouco, um dos malfeitores preferiu blasfemar contra o Filho de Deus, enquanto o outro, arrependido, pediu a Cristo que Se lembrasse dele quando entrasse no Seu Reino.

Sem nenhuma possibilidade de descer da cruz e começar uma nova vida, nenhum deles tinha condições de pensar em Cristo como amuleto para as necessidades e desejos existenciais. Não poderiam jamais usar o Nome de Jesus para fundamentar interesses mesquinhos, materialistas, nem poderiam basear sua fé em sentimentos, sensações ou instintos. Diante de si, apenas a morte, a não-existência, o caos dessa vida que se vai.

É aqui que reside a diferença entre as atitudes aqueles homens condenados à cruz: antevendo a entrada de Cristo em Seu Reino, um dos ladrões acreditou na mensagem do Filho de Deus e a Ele entregou o seu destino. Esse é o exemplo de quem crê em Cristo pensando nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra. A Salvação, para o ladrão convertido, traria benefícios espirituais e eternos, e não mais que isso.

Quem conhece a Bíblia não teve como não recordar agora de Cl 3.1-4, onde Paulo nos exorta a pensar nas coisas que são de cima, pois morremos com Cristo e a nossa vida está escondida com Cristo, em Deus. Se já ressuscitamos com Ele, temos diante de nós uma outra perspectiva, uma nova vida, uma outra dimensão. Por que, então, ancorar nosso discurso e nossos desejos em interesses sumamente materialistas e sensoriais?

Digo isso porque nós, evangélicos pentecostais, temos uma tendência ao exagero na área dos milagres. Cremos que os milagres têm que acontecer. Mas, quem disse isso? Enfatizar milagres demais é como materializar a fé, porque os milagres, embora de origem com isso corremos o risco de parecer muito espirituais, quando estamos sendo, na verdade, bem carnais.

domingo, 24 de outubro de 2010

Som Maior mesmo!!!

Ontem eu estava ouvindo músicas postadas no youtube e deparei com o Conjunto Som Maior, um excelente grupo evangélico que existiu entre 1976 e 1996. Formado na Convenção Batista Brasileira em São Paulo, a partir do Grande Coral Jovem, o Som Maior gravou nove discos de formidáveis canções, que seguem o estilo Negro Spiritual - aquele ritmo alegre dos negros americanos, que se associa ao blues e ao jazz.
O site conjuntosomaior.com.br traz toda a discografia desse belo grupo musical. Em tempos de músicas "gospel" antropocentristas e triunfalistas, carregadas de apelo ao sensorial e de uma espécie de "existencialismo evangélico", é muito bom ouvir louvores como os do Som Maior, que, à semelhança do Logos e do Vencedores por Cristo, deixou um legado de músicas enriquecidas em todos os sentidos.
Ouvir, por exemplo, Leva minh'alma, primeira faixa do primeiro disco (Brilho Celeste, de 1977), é maravilhoso, pois reúne espiritualidade a um harmonioso arranjo a cappella, seguido por um toque ritmado próprio dos americanos.
Passem lá no site do Conjunto Som Maior!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Walter Pinheiro foi agradecer a Deus em minha igreja - e tenho cá as minhas observações

Ontem à tarde o deputado federal e senador eleito Walter Pinheiro, do PT, esteve na sede da Assembleia de Deus aqui em Salvador. Era uma reunião administrativa dos pastores, e eu lá estava a convite do pastor do setor que frequento. O deputado Pinheiro apareceu, segundo ele, para agradecer a Deus pelo resultado das eleições, coisa que faz, ainda segundo ele, em todo pleito, seja qual foi o resultado - ele é batista, de uma igreja localizada na Pituba.
Confesso que me sinto em situação um pouco difícil diante de políticos que surgem em igrejas em época eleitoral. Como não há abertura para perguntas, e como eles, geralmente evangélicos, usam linguajar "evangeliquês" e um discurso comum a nós, fica parecendo que pensamos como eles, ou que abonamos o que eles dizem. E eu jamais gosto de deixar uma impressão assim...
Entre as muitas declarações do deputado Pinheiro a respeito de Deus, Bíblia, Evangelho, testemunho, ele disse que, agora que nenhum dos candidatos é próximo à nossa fé, seria a vez de votar em Dilma Rousseff. Ele mesmo declarou, obviamente, ter votado em Dilma Rousseff no primeiro turno. Ora, se ele não votou na evangélica Marina Silva naquela ocasião, por que usar agora o argumento de que nenhum dos candidatos é evangélico?
Dentro disso, vejo que o deputado Pinheiro usou, mui sutilmente, aquele raciocínio de que evangélico vota preferencialmente em evangélico. Mas o deputado pode fazer melhor que isso. Estamos mais avançados do que esse tipo de discurso... Ou poderíamos estar.
Realmente não sei como Walter Pinheiro consegue viver dentro de um partido autoritário, marxista, ligado a Cuba, admirador das FARC e apoiador de uma agenda eticamente liberal (descriminação do aborto, direitos abusivos de homossexuais) e excessivamente controlador (controle "social" da imprensa, intervenção na educação doméstica).
Gostaria de ter a oportunidade de ouvir do deputado Pinheiro como ele consegue viver dentro do PT. Estou sendo sincero. Seria muito difícil para mim estar num ambiente com o qual tenho profundas divergências. E, considerando que ele segue a Bíblia, imagino ser amplamente complicado ver o seu partido fazendo as mesmas coisas que tanto criticou num passado recente - e que ainda critica, dependendo do lado em que está.




sábado, 16 de outubro de 2010

O petismo cibernético me assusta

Leio a Folha.com e sempre vejo um turbilhão de comentários de petistas. Eles atacam José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como se eles fossem inimigos do Brasil. E defendem Lula e Dilma Rousseff de maneira incondicional. Fico pensando: o que esse pessoal ganha com isso? Quais os interesses que os movem?
É impressionante como os militantes do PT são carregados de informações distorcidas e se alimentam rapidamente de supostos argumentos contra adversários. Hoje saiu uma reportagem de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo apoiada unicamente na fala de ex-alunas da esposa de Serra, segundo as quais a sra. Mônica Serra teria feito aborto. Com base apenas na declaração dessas pessoas, o jornal publicou a notícia, mesmo sem conseguir falar com a esposa do candidato. Mas, e daí? Já se tem munição para a militância, como acabo de ver em mais um comentário na Folha.com.
Devo admitir que o PT sabe mobilizar sua militância, e assim eles enchem a internet de acusações quanto a privatizações, pedágio, progressão continuada, além de defesas do governo e do passado de Dilma Rousseff. Trabalham em duas frentes: reproduzir em massa "explicações" para os inúmeros escândalos do governo Lula e atribuir todos os males do Brasil ao PSDB e ao DEM.
Esse pessoal me assusta. Agem eles com um pensamento maniqueísta, reducionista e maquiavélico: é o "nós contra eles", o simplismo de achar que Lula inventou o Brasil e a tese de que vale tudo em nome de uma "justiça social".
Esses mesmos petistas cibernéticos vivem dizendo que a Folha é tucana, reacionária, elitista, e que faz parte do chamado "PiG - Partido da Imprensa Golpista". A partir disso, jornais como a Folha ficam com medo de não parecer plurais e fazem reportagens contra Serra e a favor de Dilma.
Por exemplo, depois que os petistas criticaram a postura da Folha por aprofundar a denúncia de malfeitos do governo, o jornal logo publicou uma reportagem segundo a qual propostas de Serra para a Saúde não teriam sido bem-sucedidas no governo paulista. Também fez uma reportagem para afirmar sua postura crítica a governos anteriores. Por que ter tanto receio do PT?
Existe uma ânsia dos petistas por pautar a imprensa. Eles inventaram que a polêmica do aborto produziu o declínio de Dilma nas pesquisas, e lá foram os jornais tratar do assunto. Colunistas da Folha vivem agora dizendo que aborto não é tema eleitoral, que Deus deve sair da campanha, que o Estado é laico, que tudo isso é obscurantismo medieval etc. E assim o discurso falso do PT ganha ares de verdade.
A internet é um território livre, e muita coisa boa se faz por meio dela - este blog não seria viável sem o caráter democrático da web. Todavia, esse pessoal precisa ser responsabilizado pelo que diz, seja na esfera penal, seja na esfera civil. Ninguém pode sair espalhando inverdades e ficar por isso mesmo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Estado laico não é pretexto para a defesa do aborto

Analistas "iluminados" gostam de usar o argumento de que o Estado é laico toda vez que os cristãos expõem sua posição sobre temas como aborto, união civil de pessoas do mesmo sexo e células-tronco embrionárias. Sim, a laicidade é um princípio republicano defendido primeiro pelos próprios cristãos, porque a separação entre Igreja e Estado é, na realidade, uma defesa para a liberdade da fé.
Agora, laicidade do Estado não se confunde com Estado secularista. Mesmo um Estado sem religião oficial e que permite a liberdade religiosa pode (e deve) estar atento a valores morais e filosóficos, sem necessidade de fundamentar suas políticas em livros sagrados nem quaisquer tradições religiosas.
A secularização estatal é problemática porque desconsidera totalmente o misterioso, o desconhecido, aquelas coisas que não se pode medir, como o início exato da existência humana e o que ocorre com a pessoa em estado vegetativo. Os secularistas desprezam o conceito metafísico de vida, pois só se interessam pelos elementos biológicos, materiais, palpáveis. Não se preocupam com a possibilidade de se imiscuirem em esferas que não lhes pertencem, como o poder de dar e tirar a vida. Com isso, revelam-se excessivamente pragmáticos, utilitaristas. Por exemplo, se o aborto é para os cristãos o assassinato de uma pessoa humana, os secularistas não se importam, crendo que se trata de mera crença religiosa. Todavia, independentemente de constar essa doutrina de algum credo, é de se indagar sobre o conceito mesmo de vida, existência, origem, destino, interferência humana nos acontecimentos.
Não somos fundamentalistas cristãos nem obscurantistas, como dizem Carlos Heitor Cony, Janio de Freitas, Elio Gaspari, Gilberto Dimenstein e tantos outros. Não somos medievais. Se só os secularistas puderem discutir aborto e outros temas sociais, onde iremos parar? É mesmo a democracia que eles defendem ou a democracia tem sido apenas um regime que lhes convém até hoje? Por que um crente não pode falar de aborto, casamento gay, divórcio, células-tronco? Somos menos cidadãos que os outros?
Acredito no sagrado, creio em Deus na Pessoa de Cristo, conheço as Escrituras, sou salvo pelo sangue de Jesus - e não peço aos legisladores que coloquem minha fé como regra legal. Longe disso! O que buscamos é a possibilidade real de discutir assuntos políticos a partir de nossas perspectivas.
Laicidade e secularização, volto a dizer, são coisas distintas. Podemos ser cidadãos livres num Estado laico, mas não será nada bom assumirmos uma postura de deificação do Homem. Se o Humanismo errou ao estabelecer que o Homem é a medida de todas as coisas, por que voltarmos a esse parâmetro equivocado?

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

Arquivo do blog

Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.