domingo, 23 de outubro de 2011

E o óbvio se manifesta: a Líbia será uma república fundamentalista islâmica

Li hoje na Folha On Line que o Conselho Nacional de Transição (CNT) anunciou diante de milhares de pessoas que a sharia será estabelecida como lei na Líbia. Isso não deveria ser nenhuma novidade, haja vista a presença de líderes islamistas nessa revolta que derrubou Kadafi, além do caráter geral da chamada "Primavera Árabe". Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, reconheceu esse problema desde o início, em mais um acerto que ele denomina "furo lógico".
Se parece haver milhares de árabes querendo libertação do jugo dos tiranos de agora, isso não significa que desejem democracia. Lembremos que o revolucionário de hoje pode ser o ditador de amanhã - foi assim com o próprio Kadafi em 1969, foi assim com Fidel Castro em 1959. Eles aparecem como libertadores e se perpetuam no poder, o que, no mundo árabe, vem acompanhado por violência, totalitarismo, terror, isolamento.
A tal "Primavera Árabe" não tem nem as flores nem o dia ensolarado das primaveras, mas agudos espinhos de violência e uma densa escuridão de inverno islâmico. Já pela confusão e heterogeneidade de interesses envolvidos, Obama, Sarkozy e Cameron não deveriam ficar tão entusiasmados...,principalmente no caso da Líblia, que reúne três províncias organizadas como Estado mas nunca conciliadas (Tripolitana, Cirenaica e Fazan). Assim, Estados Unidos, França, Ingraterra, Alemanha, enfim, a aliança militar ocidental pode ter contribuído decisivamente para um mundo pior, em termos de pavor terrorista. Eles financiaram o terror!
As imagens da tortura e execução sumária de Kadafi e de seu filho deveriam comprovar cabalmente o que estou dizendo, mas me parece que a imprensa mundial e os líderes mundiais tentam disfarçar as coisas. Tudo bem, eu sei que os Estados Unidos, a ONU e a OTAN querem investigação etc. e tal, mas o fazem porque ficaria muito feio não dizer nada diante das fortes imagens que sucessivamente rodam o mundo. Aquilo foi horrível. Se pensarmos que execuções sem julgamento e humilhações podem ser feitas a depender de quem for a vítima, ter-se-á a vitória do mal, e não do bem. A morte de Kadafi do jeito que aconteceu piora muito tudo o que já era horrível, o que inclui o excesso explícito cometido pela OTAN, que, em vez de proteger civis, como permitia a Resolução pertinente, passou a atacar a Kadafi e ao seu pessoal.
Olha, Obama não está à altura dos fatos históricos que se lhe apresentam. É triste ver que o país mais importante do mundo não tem homens ou mulheres que se mostrem preparados para enfrentar os grandes desafios de sua época. E pensar que em 2009 esse mesmo Obama apertava a mão de Kadafi, o "cachorro louco", no dizer de Reagan...


Confira o texto da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/995349-lider-do-cnt-diz-que-lei-islamica-sera-base-de-novo-governo-libio.shtml

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Direito penal mínimo, responsabilidade individual, pacificação sem prisões...

Há teorias de direito penal que defendem a vitimização do ofensor. Crimes de patrimônio seriam fruto do capitalismo, da opressão do homem pelo homem, da injustiça social. Adolescentes marginais não poderiam ser responsabilizados, ainda que de acordo com a sua idade, porque são produto do meio. Dizem certos "juristas" que a sociedade estimula a prática de crimes como o roubo, o furto e o latrocínio quando incentiva o consumismo. Ora, tudo isso é ideologia marxista infiltrada nas faculdades de Direito! E defender esses ensinos é "progressista" e "moderno".
O marxismo trabalha com a ideia de que a luta de classes consiste no filtro adequado para explicar as "contradições do sistema". Para controlar os pobres e manter o status quo, o Estado estabeleceria, então, o direito como superestrutura normativa da infraestrutura econômica. O direito penal assumiria a função de criminalizar condutas tidas como ameaçadoras do regime ou denunciadoras de suas contradições. O resultado disso é a cultura de não-responsabilização do indivíduo, a proliferação de penas alternativas ineficazes e a descriminação (a palavra é essa mesmo) de condutas consideradas inofensivas, como o uso de determinados entorpecentes e o aborto.
O direito penal mínimo está na moda. Princípios como o da insignificância (ou da bagatela) estão em voga. Banaliza-se um princípio que foi concebido para situações extremas, como o furto de um pote de margarina por causa da fome. 
Esses são dias difíceis, em que me parece que a classe média não tem direitos, senão aqueles que podem ser alcançados por meio do dinheiro: segurança privada, planos de saúde, escola particular. E a classe média não tem esse dinheiro todo. Paga impostos mas não tem segurança, enquanto vive assombrada pelos jovens dominados pelo craque. Governos petistas, socialistas e que tais dão de ombros para a situação, e "juristas" do direito penal mínimo talvez acreditem que esse seja o preço a pagar pela opressão dos mais pobres...
Esse pessoal não tem noção do mal que causam à sociedade, ao mundo, e principalmente aos indivíduos que eles dizem querer proteger. 
Quem conhece a Bíblia não pode descrer na responsabilidade individual. Cada um responderá a Deus de acordo com as suas obras. A responsabilidade não passará de um para o outro, seja por ligações familiares, sociais ou políticas. Cada um de nós prestará contas diante do Grande Juiz.
Aqui na Bahia quer-se reproduzir a política das Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro, que não prendem traficantes, limitando-se a ocupar espaço para diminuir a quantidade de homicídios e outros crimes. Faz-se, assim, um pacto silencioso entre Estado e bandidos. O problema é que um dia a conta virá.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Anotações sobre a ação penal contra Edir Macedo e outros

Quando foi proposta a ação penal contra Edir Macedo e mais três pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus, pensei sobre a questão da liberdade religiosa, e explico: embora a denúncia se refira a lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas, também trata de estelionato e falsidade ideológica, crimes que estariam relacionados a promessas que os líderes da igreja não poderiam cumprir, mas que teriam conduzido os "fiéis" a doar bens e dinheiro.
Dias depois, a denúncia foi parcialmente recebida pela Justiça, ficando de fora justamente a imputação dos crimes de falsidade ideológica e estelionato.  Não conheço os autos nem li a denúncia, muito menos a decisão de recebimento parcial, mas imagino que o magistrado tenha pensado nesse sentido que apontei acima. Não se trata de afirmar que as vítimas foram colhidas em sua própria ambição, pois é isso o que acontece com muitos os que são iludidos por estelionatários, e os criminosos não são absolvidos por causa disso. Quero dizer que o fato de a vítima do engano ter sido atraída por sua própria inclinação ao dinheiro não isenta de culpa o enganador...Mas o que ressalto é o perigo de a Justiça avaliar que promessas religiosas merecem crédito ou não. Criar-se-ia um tribunal teológico para apurar se o que os pastores dizem é verdade à luz das Escrituras?
De fato, é muito perigoso, em minha concepção, que o Estado passe a conduzir as pessoas em seara tão delicada como a da cosmovisão, da fé e das crenças pessoais. Para mim está mais do que provado que a teologia da prosperidade é um sistema heterodoxo que nada tem de Deus...Mas, e se milhares de pessoas, que não conhecem a Bíblia, conseguem acreditar na teologia da prosperidade, o que se pode fazer quanto a isso?
Talvez se eu conhecesse os autos minhas conclusões fossem diferentes, mas reflito a partir do que assisti pela televisão. Infelizmente, aquilo que não conseguimos ensinar às pessoas acabou sendo levado aos tribunais...Que pena.

domingo, 25 de setembro de 2011

Nasce, cresce, reproduz e morre

Hoje preguei em minha igreja, e escolhi, para a introdução, o texto de Gn 49.33, que diz o seguinte: "Tendo Jacó acabado de dar determinações a seus filhos, recolheu os pés na cama, e expirou, e foi reunido ao seu povo". Essa passagem retrata um acontecimento comum e universal: a morte. De maneira simples, ficamos sabendo que Jacó faleceu junto de sua família, cumprindo o destino de todos os homens.
Temos grande dificuldade de encarar a realidade de que somos mortais. Não queremos pensar no assunto da finitude humana, especialmente da nossa própria finitude. O materialismo e a carnalidade que imperam no mundo exigem que não pensemos no porvir. Mas precisamos refletir, sim.
Lendo genealogias na Bíblia, deparamos com o relato de pessoas que vieram, produziram algo, tiveram filhos, e que depois morreram. Não foi assim com Enoque, uma exceção, mas foi e tem sido assim com os seres humanos através da história. Foi o que li em Gn 5.1-32. Os descendentes de Adão, feitos conforme a sua imagem, morreram. Aquilo que aconteceria com Jacó já havia ocorrido com milhares de descendentes de Adão.
A morte entrou no mundo por causa de desobediência (Gn 2.16,17; 3). Não era para ser assim. O ser humano morreu porque preferiu se alimentar de sua própria ética, emancipando-se em relação ao Criador. Adão e Eva alimentaram-se da Árvore Ética, e isso produziu morte, pois Deus pretendia que os homens se alimentassem da ética divina. E a morte passou a todos os homens, porque em Adão tínhamos o nosso representante, o Primeiro Adão.
Para derrotar a morte Deus enviou o Seu Filho, Jesus Cristo, o Segundo Adão, por Quem os salvos são representados (Rm 5.12-21; I Co 15.45). Jesus venceu a morte enfrentando-a. Jesus morreu pelos nossos pecados (I Co 15.1-4).
Deveríamos pensar mais sobre isso. Não se trata de um tema secundário, mas do tema principal da história bíblica.


Acabando, pois, Jacó de dar instruções a seus filhos, encolheu os pés na cama, e expirou, e foi congregado ao seu povo.
Gênesis 49:33
Acabando, pois, Jacó de dar instruções a seus filhos, encolheu os pés na cama, e expirou, e foi congregado ao seu povo.
Gênesis 49:33
Acabando, pois, Jacó de dar instruções a seus filhos, encolheu os pés na cama, e expirou, e foi congregado ao seu povo.
Gênesis 49:33

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro

Não poderia deixar de comentar alguma coisa a respeito dos dez anos do 11 de setembro, quando aviões guiados por terroristas islâmicos se chocaram contra as duas torres do World Trade Center, em Nova York, nos Estados Unidos. Naquele dia o mundo mudou.
Onde eu estava quando as torres caíram? Eu era um advogado recém-formado - minha formatura foi em 29 de março de 2001, portanto, havia menos de seis meses. Ainda residia em Viçosa/MG, onde fiz o curso de Direito, e tentava a advocacia a partir do escritório de um professor, num bairro periférico daquela cidade. O professor havia praticamente fechado o escritório, que eu e alguns colegas buscávamos reabrir. Não eram fáceis aqueles dias de formado/desempregado. Eu estava morando com uma família da igreja batista que eu frequentava. O chefe da família era um respeitado professor da Universidade Federal de Viçosa e um dos líderes da igreja.
Não tive condições de assistir ao vivo à queda das duas torres, pois eu estava no escritório, para o qual eu ia a pé. De volta, ainda pela manhã, ouvi da dona da casa informações ainda incipientes: um avião havia se chocado contra um prédio de cerca de cinquenta mil pessoas nos Estados Unidos. A coisa, no entanto, era bem maior que isso, e aos poucos se descobriu que se tratava da rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, que um dia fora treinado pelos Estados Unidos para combater a invasão soviética na Ásia Central.
Do 11 de setembro brotaram duas guerras, como nós sabemos, as quais ainda perduram: no Afeganistão e no Iraque. Osama bin Laden morreu dia desses, sob a batuta do presidente Obama. Direitos civis passaram a uma revisão. Mudou-se a rotina dos aeroportos em todo o mundo. Os americanos lotaram a prisão de Guantánamo com pessoas sobre as quais pudessem pesar meras suspeitas de associação com o terrorismo. Em lugar das guerras entre nações,  passou-se a pensar em guerras contra um inimigo sem nação, ou multinacional, servido por governos ou grupos extremistas. Era a doutrina Bush a despontar.
O mundo mudou há exatos dez anos. Como disse a minha esposa, o 11 de setembro deve se tornar uma daquelas datas que dividem as Eras, como a Queda de Roma (476), a tomada de Constantinpla pelos turcos otomanos (1453) e a Revolução Francesa (1789). E nós vimos isso!
Seria apavorante pensar em todas essas coisas sem esperar em Deus. Fico a imaginar como as pessoas conseguem viver sem Cristo, sem a orientação da Bíblia. Tsunamis, terremotos, guerras, rumores de guerra, epidemias planetárias... Se procurarmos bem, as Escrituras nos dirão o que precisamos saber.
O que tenho em mente é que Deus não perdeu o controle sobre a história. Ele é Soberano. Não percamos a esperança jamais. Quando pensarmos que as coisas estão em convulsão total, pode ser que o sol venha a brilhar com maior vigor.

 

sábado, 3 de setembro de 2011

Algumas considerações dirigidas ao leitor César Francisco Raymundo (II)

Continuando o que comecei no post anterior, respondo a comentários do leitor César F. Raymundo, ainda sobre o texto Crescimento de evangélicos sem vínculo denominacional como manchete principal da Folha. Posso adiantar que o referido leitor parece discordar das denominações como um conceito em si, o qual estaria relacionado, segundo ele, a tradicionalismo e hipocrisia. Vejamos suas palavras em vermelho, intercaladas com os meus comentários:
Você acha mesmo que as enominações representam a igreja de Jesus? Olha quanta mão humana tem nas instituições: púlpito, clero, hierarquia, campanhas, dogmas, solenidades, domingos, prosperidade, vestimenta, profetadas, vasos, sacrifícios, liturgias, doutrinas, rituais, horários, regras, pregações, prédios, templos, cultos, tesouraria, ofícios, ofertas, clero, ceia, confissões de fé, rol de membros, propriedades, seminários, funcionários, cnpj, certificados, proibições, obrigações, etc...
Uma reflexão sociológica faz bem a essa análise: todo agrupamento social tem suas regras, rituais, procedimentos, costumes, liderança, manuais de conduta, preconceitos, defeitos, erros e símbolos. Isso tudo é inafastável da realidade humana e social. O problema com os líderes de Israel na época de Jesus não foi a existência de instituições e de uma cultura religiosa - até porque muitos dos seus costumes adviam da Lei de Moisés. O problema fundamental foi não aceitarem a Jesus como o Cristo, o Filho de Deus, e antes disso houve a falsa percepção de que a finalidade da Lei seria a salvação, esquecendo-se de que o fundamento da Lei é o amor. Lembre-se de que Jesus frequentava o Templo e as sinagogas, ensinava, participava das reuniões, estando inserido em todo o ambiente sócio-cultural e religioso de seu tempo e do lugar em que viveu. Zacarias e Isabel, pais de João Batista, viviam a vida comum de pessoas crentes na base de um sistema religioso opressor, mas Zacarias não deixou de cumprir suas tarefas sacerdotais. José e Maria rumavam a Jerusalém anualmente para cumprir seus deveres para com Deus, e Jesus foi apresentado no Templo como devia acontecer. A existência de instituições não é ruim em si mesma. Jesus veio remover o pecado, não a instituição. O Livro de Gênesis narra a instituição de muitas coisas: o mundo, a humanidade, a família, a sociedade, o culto a Deus, o trabalho, a ciência, a tecnologia, a arte, as nações. A Lei de Moisés é um complexo código normativo que encerra regras de direito penal, civil, agrário, ambiental, humanitário, constitucional. Não se pode afirmar que Deus não gosta de instituições!
Mas o Messias andou com pecadores, perdoou adúlteros, conversou intima-mente com mulheres de má fama, perdoou varios pecadores, mandou perdoar 70x7( sem mencionar que tipo de pecado seria perdoado), Teve intimidade com pecadores e pessoas de má fama, deu vinho em festa, enfrentou as autoridades religiosas, chamando-os de cobras, e quando era trucidado na cruz disse : Pai perdoa porque não sabem o que fazem.
Nada impede que façamos o mesmo que Jesus. Do contrário, estar-se-á dizendo que o mal introduzido pelo diabo no mundo foi a instituição, e não o pecado. Agora, é necessário usar de sabedoria ao enfrentar quem quer que seja. Nem todos têm a estrutura emocional, o caráter nem a vocação de um Elias, de um Eliseu, de um Jeremias, de um João Batista. Para assumir determinadas responsabilidades no Reino de Deus é necessário unir caráter aprovado, estrutura emocional firme e o chamado para a execução da tarefa. Somente os profetas têm aquela segurança para colocar o dedo na cara do rei e não ficar depois com crise de consciência e amargura. Mas todos somos chamados a servir a Deus.
NÃO VEJO SINCERAMENTE NENHUM CRISTÃO, EVANGÉLICO, OU ESPIRITUALISTA SER MILIMETRICAMENTE
COMO O MESSIAS.
Nisso eu concordo com o César. 

Algumas considerações dirigidas ao leitor César Francisco Raymundo

César Francisco Raymundo é um leitor que fez recentemente alguns comentários aos seguintes posts deste blog: Crescimento de evangélicos sem vínculo denominacional como manchete principal da Folha; Nada justifica o comportamento homossexual; e A censura gay já começou. Tive alguns contatos com ele por e-mail ou por telefone no ano de 2010, a partir de coisas de sua autoria que li na internet. Edita a Revista Cristã Última Chamada e mantém dois blogs (revistacrista.blogspot.com e revistacrista.org). Vou tecer alguns comentários ao que ele escreveu porque acredito que suas palavras merecem uma contradita.
Sobre o texto Crescimento de evangélicos sem vínculo denominacional como manchete principal da Folha, César Raymundo escreveu as considerações que seguem em vermelho, e que vou comentando em seguida:

"Na verdade, eu penso que o pertencer a uma igreja é parte do credo cristão!"
Ora meu amigo! Deixemos de lado o tradicionalismo do templo de pedra! 
Com a minha frase, citada entre aspas, estou dizendo que o pertencimento a uma igreja é parte do credo cristão, apenas isso. Não estou tecendo uma defesa do tradicionalismo, muito menos um tradicionalismo do "tempo da pedra"... Pertencer a uma igreja também não implica necessariamente em pertencer a uma denominação, com personalidade jurídica, dízimo, pastores formalmente consagrados e remunerados, organização hierárquica assumida (sempre há organização hierárquica, ainda que não assumida). Tampouco afirmo que a igreja salva, nem que pertencer a uma igreja seja condição para ser salvo. O que entendo é que o crente necessariamente irá congregar-se a um grupo que professa a mesma fé, não como causa, mas como consequência da Salvação. Efésios e Colossenses tratam da importância da Igreja como o Corpo de Cristo, que, por Sua vez, foi dado a ela. 
Vocês do denominacionalismo não estão enxergando um fenômeno global (inclusive nos EUA) chamado igreja simples. Não setrata de uma versão miniaturizada da igreja denominacional, mas trata-se de um cristianismo simples praticado nas casas, com comida, bebida, culto simples, com paticipação de todos os membros, um trazendo doutrina, outro uma palavra, e ainda outro um cântico. 
Não sou tradicionalista nem denominacionalista. Adjetivações buscam encurtar o caminho, mas não oferecem fundamento suficiente. O fenômeno das igrejas simples e suas correlações (emergentes, orgânicas, "em casa") tem seu valor, mas há alguns problemas que exigem reflexão. Essa crítica tão acerba à instituição, à organização e à hierarquia esquece que todo agrupamento humano, por menor que seja, e por mais informal que seja, deverá criar suas normas e procedimentos, mesmo que singelos. E o pecado jamais deixará de ser uma realidade da natureza humana, exceto naquele Grande Dia em que seremos transformados. Curiosamente, muitos criticam as denominações, mas acabam criando outras, com a diferença de que não aceitam um nome, um CNPJ, uma organização de líderes. Além disso, deve-se admitir que essas igrejas são uma reação à pós-modernidade, e, ao mesmo tempo, uma manifestação dela, já que a pós-modernidade se caracteriza pelo individualismo, pluralismo, subjetivismo e relativismo. Há motivações inúmeras para se frequentar uma igreja sem-nome, e algumas dessas motivações são genuínas e santas, mas isso não pode significar uma repulsa ao modelo denominacional.
Chega desse modelo herdado do catolicismo romano em que as pessoas são meramente expectadoras, que o clero comanda o culto etc. 
Quem disse que congregar numa denominação induz à mera condição de espectador (é com "s" mesmo)? Quem disse que pastores, presbíteros e diáconos formam um clero? Não são todos sacerdotes, líderes e liderados?
As pessoas estão cansadas da igreja evangélica com esse modelo católico romano. Elas se sentem melhor nas casas.
Não sei se as pessoas estão cansadas da igreja evangélica, muito menos se elas se sentem melhor nas casas. Talvez a pesquisa do IBGE recentemente divulgada diga alguma coisa sobre estatísticas e tendências, mas não sei se congregar em casa seja o fator decisivo para a produção desses números. Não pode haver algum componente de falta de compromisso? Não pode haver algum componente de evangelicalismo nominal? Não pode haver algum componente de pluralismo?
E chega de vocês evangélicos perseguirem os 'sem-igreja' porque não existem 'sem-igreja'. Eles apenas estão praticando um cristianismo simples, sem palavras pomposas, sem teses, sem doutrinações. 
César Raymundo declara indiretamente que não é evangélico. Por que os "sem-igreja" estariam livres de teses e doutrinações? Não são humanos? Não seguem algum tipo de corrente teológica? Não pode haver cristianismo simples fora desse modelo de igrejas em casa? Combater o denominacionalismo é mais cristão?
Creio que a denominação será a grande perseguidora dessa gente assim como foi no passado.
Historicamente, há diferenças entre a perseguição romana e medieval aos cristãos, de um lado, e, de outro lado, a perseguição que se possa aplicar contra membros de uma igreja. Acredito que existem diferentes maneiras de se perseguir alguém, e isso inclui as igrejas simples, em casa, emergentes, orgânicas...
Percebo que existe um sentimento de irritação contra o sistema denominacional brasileiro, e há, sem nenhuma dúvida, muitos problemas que precisam de enfrentamento. Eu mesmo não sou nenhum herdeiro desse sistema, pois não tenho nenhum privilégio por pertencer a uma denominação, e dentro dela já precisei refletir, frear e recuar muito. "Engoliar sapos", entende querido leitor? Mas é justamente aí que reside a doutrina da Igreja: somos pecadores mesmo, atrapalhados, limitados, cheios de defeitos, e ainda assim Jesus Cristo nos resgatou para formar um "povo de propriedade exclusiva de Deus" (II Pe 2.9). Esse é o mistério da Igreja.
Penso que o que devemos combater com maior firmeza é o cinismo, a jactância diante do pecado. Entretanto, se formos produzir um juízo sério, profundo e radical, não vai escapar absolutamente ninguém. Ninguém mesmo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O casamento da Record com o petismo

A Rede Record é uma televisão que se casou com o petismo, não por ideologia, mas por interesse: ambos não gostam da Globo. Apropriada por um certo bispo Edir Macedo, dono, quero dizer, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, a Record faz hoje um jornalismo chapa-branca, sensacionalista, repleto de repórteres ditos de esquerda e comentários de apelo popularesco.
Vejam a lista: Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Christina Lemos, Ricardo Kotscho, Rodrigo Vianna. Paulo Henrique Amorim faz verdadeira cruzada contra a emissora de Roberto Marinho, de quem foi empregado. Tem um blog esquerdista chamado Conversa Afiada, e não perde tempo para falar da Globo. Outro dia, quando ele entrevistava o senador petista Walter Pinheiro, dava para pensar de vez em quando que se estava assistindo à TV Brasil, aquela emissora do ex-global Franklin Martins - que, diga-se, depois que saiu de lá recordou que um dia foi guerrilheiro, entrou para o governo Lula, tentou controlar a imprensa e felizmente não conseguiu. Na entrevista, cada palavra do senador baiano era seguida com ar de felicidade por Amorim, com sorrisos interlacados por "claro, claro". O assunto? O projeto de lei que manda inserir três horas e meia semanais de produção brasileira na TV paga e que autoriza as empresas de telefonia a distribuir conteúdo televisivo. Amorim gostou.
Já assisti a trechos de uma reportagem de Luiz Carlos Azenha em que senti o cheiro de exaltação a Hugo Chávez. Azenha mantém o "site" viomundo.com.br, em que propõe mostrar o que "você não vê na mídia", como se ele mesmo não fizesse parte dela. Rodrigo Vianna é outro desses, cheio de sorrisos diante de Marco Aurélio Garcia, o Assessor de Lula e de Dilma para a sua péssima política internacional. Mantém o "site" rodrigovianna.com.br.
Parece que um dos requisitos para ser repórter da Record ou da Record News é rezar na cartilha da esquerda. Coitado do Heródoto Barbeiro. Terá de continuar discutindo política com Ricardo Kotscho, comentarista que já foi Secretário de Imprensa de Lula (outro dia ele estava tentando explicar o alinhamento de Lula com Kadafi...), a partir de sua visão privilegiada na tenda do ditador-amigo.
Christina Lemos parece o Kennedy Alencar com aquela imagem de quem colhe informações de dentro do ninho do poder, dos "bastidores da política". Mas Kenndey Alencar é um dos infiltrados do petismo (ou do lulismo) na Folha de São Paulo! Está em outro front.
Não posso deixar de mencionar a linha editorial, de que é emblema o jornal Fala Brasil: notícias empacotadas com muita violência, amenidades, celebridades, mas sem densidade nem juízo crítico. As críticas passam ao largo das coisas mais importantes do país, restando comentários supostamente graves sobre fatos do cotidiano.
Esse problema da Record deveria ser objeto de estudo nas academias de jornalismo e tema do Observatório da Imprensa, da TV Brasil. Por que Douglas Tavolaro, Vice-Presidente de Jornalismo daquela emissora, escalou tantos jornalistas alinhados com o petismo? Duvido de que eles sejam obrigados a escrever e falar aquilo tudo - demonstram alegria ao construir esse tipo de jornalismo. Mas, por que o recrutamento? Seria coincidência?
Desde que foi preso em 1992 e alvo de reportagens críticas da Globo, Edir Macedo deve ter estabelecido um norte para sua vida: acabar com o que chama de "monopólio da Globo", o que deve ser lido por "tirar da Globo o primeiro lugar". Essa é uma obsessão, que parece ser compartilhada por muitos de seus empregados. Falar mal da Globo é importante para Macedo, que, embora seja um mega-capitalista e representante de tudo o que as esquerdas sempre depreciaram (suposto neopentecostal, líder de igreja, empresário da "mídia"), fez um acordo com o petismo para auferir meios de abater sua inimiga.
Tudo isso pode ser simples hipótese sem fundamento, coisa de espectador de televisão que procura pensar com a própria mente...Mas que os leitores pensem na possibilidade de que eventuais irritações tradicionais contra a Globo acabem criando um outro monstro. Seja pela direita, seja pela esquerda, a manipulação de mentes é coisa do diabo.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Nada justifica o comportamento homossexual

Ontem estava ministrando aula à classe de jovens da igreja que frequento, e o tema da revista Lições Bíblicas, da CPAD, era a Igreja como agente transformador da sociedade. Logo no início, um aluno perguntou o que eu acredito que deveria ser feito pelos crentes se o PLC 122/06 fosse aprovado. Sua pergunta, e talvez principalmente a minha resposta, conduziram a aula para uma discussão em torno do homossexualismo. E aí a coisa esquentou...
Minha opinião sobre as causas do homossexualismo deixaram um outro jovem bastante agitado. Parece ser um rapaz inteligente, mas creio que não fui suficientemente claro, porque ele não entendeu o que eu disse. O jovem pensa que todo homossexual "tem o demônio no corpo". Não penso assim. Acusou-me de só empregar "conhecimentos humanos", "psicologia". Eu uso a Bíblia, mas não sou de espiritualizar tudo. A Bíblia deve ser estudada com exame da realidade à nossa volta.
Eu não disse nada de espetacular: afirmei que entendo haver duas formas de comportamento homossexual, a saber: a prática homossexual daqueles que, sendo em geral heterossexuais, se lançam a experiências diferentes, em busca do prazer; e a tendência homossexual daqueles que, por alguma razão em sua formação pessoal, não sentem afeição pelo sexo oposto. Foi isso o que eu disse. Mas nada disso justifica o comportamento homossexual. Nada justifica o pecado. Na verdade, o sangue de Jesus purifica de todo o pecado (I Jo 1.9).
Ninguém nasce homossexual. Homossexualismo não é doença física nem psíquica. Homossexualismo não é estilo de vida. Homossexualismo não é um tertium genus. Homossexualismo é pecado.
Apenas entendo que algumas pessoas deparam na vida com certas circunstâncias familiares e/ou sociais que criam um ambiente favorável à prática homossexual, à identificação homossexual. Pode ser aquele caso clássico de um pai ausente, a mãe ditatorial e a casa cheia de mulheres - mas nem isso, registre-se, é condição suficiente para a indução à identidade homossexual. Ocorre que um ambiente desprovido da figura masculina/paternal pode gerar distorções morais/psicológicas no indivíduo, sem que se configure uma enfermidade. Creio que conflitos existenciais estão relacionados à tendência homossexual, e doenças psíquicas podem estar relacionadas, mas o homossexualismo em si não é doença, tampouco uma sentença genética ou ambiental.
Homossexuais podem ser curados? Se se tratasse de uma doença, esse seria o termo mais adequado, mas, se se trata de um pecado, entendo que homossexualismo pode ser removido pelo poder que há em Jesus. 
Quem crê nas Escrituras Sagradas não pode vacilar quanto a esse tema. Confiram-se alguns textos: Lv 19.22; 20.13; Rm 1.24-27; I Co 6.9,10; I Tm 1.8-11. Quem diz que segue a Bíblia e afasta alguns de seus preceitos porque não lhes parecem convenientes deve repensar sua fé.
É certo que os textos bíblicos devem ser interpretados a partir de critérios coerentes, como o gramatical, o teleológico, o histórico, o contextual e o sistemático, recorrendo-se, ainda, para a transposição cultural. Todavia, não se deve anular afirmações de caráter universal e normativo, como a assertiva de que a prática homossexual é abominação ao SENHOR - isso não deixou de ser um fato. O que não é universal nesses textos é a tipificação dessa prática como crime, pois o transfundo era uma época inserta na Idade Antiga, o que não pode ser desprezado.
Bem, o texto ficou longo. Eventualmente retornaremos ao assunto.

sábado, 20 de agosto de 2011

A censura gay já começou

Não consigo acreditar que uma decisão judicial determinou a retirada de outdoor  na cidade de Ribeirão Preto/SP se não havia absolutamente nada que contrariasse a Constituição na mensagem ali contida. Mas aconteceu, e o pedido foi feito pela Defensoria Pública! 
Segundo a Folha On Line, a Igreja Casa de Oração instalou um outdoor com dizeres bíblicos, sem nenhum comentário. Por se tratar de uma semana em que os ativistas gays farão sua Parada na cidade, o movimento entendeu que era uma provocação. Isso foi suficiente para que, em sede liminar, o texto fosse retirado, sob pena do pagamento de multa civil de dez mil reais diários. 
Pronto, se essa decisão for confirmada teremos um passo enorme para a instalação de uma ditadura gay no Brasil. Não estou usando uma hipérbole: é ditadura mesmo, porque esses militantes acham que seu comportamente não pode ser criticado, nem mesmo com o emprego de um Livro milenar, usado, total ou parcialmente, por três grandes religiões do mundo - o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo.
Esse negócio de defesa da diversidade  sexual está indo longe demais, a ponto de pretensos democratas defenderem abertamente a censura. Numa das reportagens da Folha On Line, o ativista homossexual dizia que o pastor pode dizer o que pensa o ano todo, exceto na semana da Parada Gay...O que é isso, meu Deus? Então existe uma semana de lacuna constitucional, em que a democracia e a liberdade de expressão cedem passagem ao arbítrio de uma minoria, ferindo de morte os direitos fundamentais?
Vivemos a era da mediocridade e da confusão: de um lado, um juiz determina a supressão de mensagem bíblica inserta em local público; de outro lado, o STF decide que as passeatas em defesa da legalização do uso da maconha não são atos de apologia ao crime...O que é isso?
Em nome de uma agenda liberal, a política e o direito têm se rendido a artifícios que ferem a lógica, o bom senso, a justiça e a própria noção de Estado de Direito Democrático. Vivemos tempos difíceis.

Leia as reportagens: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/961624-outdoor-evangelico-gera-critica-de-gays-em-ribeirao-preto-sp.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/962781-mensagens-em-outdoor-evangelico-criticado-por-gays-sao-retiradas.shtml

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma Igreja Luterana, um sino e a "persona non grata"

Quando começou a reportagem do Bom Dia Brasil sobre a polêmica em torno das baladadas de um sino em Nova Petrópolis/RS, pensei tratar-se de uma Igreja Católica, mas não! Era uma Igreja Luterana... - desculpem a ignorância, mas penso estar perdoado porque quase nunca vi uma Igreja Luterana por perto. Talvez isso se dê por se tratar de uma igreja praticamente étnica.
Ocorreu o seguinte: um morador acionou a Justiça para reclamar do incômodo gerado pelo sino da Igreja, que toca doze badaladas à meia-noite e o impede de dormir direito. A fúria da cidade foi tamanha que, subscrito um abaixo-assinado por seis mil pessoas, a Câmara de Vereadores deu ao cidadão o título de persona non grata. Meu Deus! Tudo por causa de uma tradição! Quanto provincianismo!
Estamos diante de um caso de tradicionalismo,  intolerância e falta de civilidade. É como reza aquele provérbio: "Tradição é a doutrina viva dos mortos. Tradicionalismo é a doutrina morta dos vivos". O que a população de Nova Petrópolis/RS fez com aquele cidadão, chamando-o de persona non grata, foi de uma incorreção sem tamanho. Isso é o que eu chamo de dano moral.
Ora, não existe maioria contra regras fundamentais. Mesmo que toda a população de uma cidade resolva violar a Constituição, nem mesmo assim a Constituição deverá ser violada. E o que aconteceu naquela cidade foi o ferimento da Lei Fundamental, a ponto de milhares de pessoas contarem com o apoio do Poder Legislativo local para rebater um pleito justo. O homem aparentemente estava certo, e as seis mil pessoas, erradas. Mas venceu o arbítrio "democraticamente" escolhido. É por essas e outras que se deve ter muito cuidado com maiorias.


Indicação de artigo na Revista Época

Por sugestão de dois colegas do trabalho, li um excelente texto de Eliane Brum, na Revista Época, sob o título "Meu Filho, você não merece nada". O link está aqui:  http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00.html
A autora trata da geração de adolescentes e jovens que não sabem lidar com as frustrações nem com a dureza da vida porque assimilaram a ideia errada de que têm direito à felicidade, de que merecem ser felizes simplesmente porque nasceram. É um texto que vai na contramão de uma psicologia idiotizante que creio prevalecer em nosso mundo.
Além disso, penso que Eliane Brum nos ajuda a refletir sobre os danos que o Triunfalismo provoca nos corações dos jovens, uma vez que essa corrente teológica mente para as pessoas dizendo que elas não irão sofrer, que não vencedoras em todas as coisas, que sua condição de "Filhos do Rei" as isenta dos males desta vida...
Eu sei que somos "mais do que vencedores por aquele que nos amou", segundo o escrito de Paulo aos Romanos, mas essa vitória não se dá sem problemas, decepções, medos, ansiedades, fugas, sofrimentos. E não nos livra da morte física, dos acidentes, das vulnerabilidades. 
É importante que compreendamos que os pensamentos teológicos não são brinquedos, mas estruturas confessionais que irão conduzir o comportamento das pessoas, para o bem ou para o mal. Se se crê na Teologia da Propriedade, está-se acreditando em mentiras, e mentiras não produzem nada de bom. Não se trata, pois, de simples polêmica, amor pelo debate apologético ou mera disputa entre doutrinas, mas de atentarmos para o fato de que nossa conduta será inspirada pelo que cremos.
Leiam o texto indicado e tirem suas conclusões.
 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Crescimento de evangélicos sem vínculo denominacional como manchete principal da Folha

A Folha de S. Paulo traz hoje como matéria de capa a notícia de que, de acordo com a Pesquisa por Orçamentos Familiares, do IBGE, o número de evangélicos sem vínculo denominacional cresceu de 4 para 14% entre 2003 e 2009. O grupo seria formado por pessoas que deixaram suas igrejas de origem e não frequentam nenhuma outra igreja, e por aquelas que vão a diferentes igrejas ao mesmo tempo. Seriam, segundo Ricardo Mariano (PUC/RS) os que preferem crer sem pertencer.
Outra informação interessante é que a Igreja Universal do Reino de Deus perdeu 24% de seus seguidores nesse período, o que é um dado muito expressivo. A reportagem expõe como possível explicação a criação de igrejas dissidentes. Pode ser. Mas acredito que a Universal sempre perdeu muitos adeptos para igrejas como a Assembleia de Deus, e isso ocorre quando as pessoas percebem que lá não se ensina a Palavra sistematicamente, ou que não se ensina a Palavra mesmo. É uma hipótese.
A matéria da Folha indica a opinião de especialistas no sentido de que haveria o surgimento de um tipo de evangélico "não-praticante", como os católicos brasileiros. De fato, o exemplo usado é de uma moça que frequenta a Igreja Católica por causa dos folhetos distribuídos; a Igreja Deus é Amor, por causa de um pastor "que fala uma língua doida"; e a Igreja de Nova Vida porque lá se lê muito a Bíblia...Parece que essa moça é mesmo uma evangélica não-praticante, mas ela não reflete todo o fenômeno.
Creio que, por diversos fatores, há uma tendência ao não-pertencimento: a pós-modernidade caracteriza-se justamente pelo individualismo, pelo pluralismo religioso e pela religião de consumo; muitos crentes têm se desiludido com a politicagem eclesiástica e/ou com o peso do centralismo na forma de governo de suas igrejas; o aumento numérico dos evangélicos tem sido mais um inchaço do que crescimento genuíno, porque sem estrutura confessional; o incremento intelectual tem conduzido muitos crentes a questionar as coisas à sua volta.
Já escrevi neste blog sobre esse tema, e creio que não foi pouco. Preocupo-me com esse estado da Igreja brasileira. Até escrevi um post sob o título "Eu compreendo os sem-igreja", mas na exata medida da compreensão de motivos que conduzem muitos ao não-pertencimento, e não como empréstimo de justificativa. Na verdade, eu penso que o pertencer a uma igreja é parte do credo cristão!
De toda maneira, uma coisa é não ser membro de uma denominação e outra, bem diferente, é não participar de nenhuma igreja. Com efeito, existem os crentes que frequentam assiduamente igrejas "informais", sem personalidade jurídica, e que não podem ser considerados "sem vínculo". Embora talvez façam parte de um movimento de "desinstitucionalização", diferem daqueles que simplesmente não querem pertencer ou não foram corretamente ensinados sobre a necessidade de filiação a uma igreja. Não sei se a pesquisa atentou para isso.
Ontem, ao assistir à aula na escola dominical, comentei que as igrejas devem se pautar pelo ensino da Palavra, independentemente da quantidade de membros que essa conduta possa produzir. Até mesmo poderá haver perda de membros. Mas não foi Jesus que perguntou aos Seus discípulos se eles também não queriam ir embora, depois de um duro discurso do Mestre (cf. Jo 6.60-71)? Precisamos ensinar a Bíblia, e não o que as pessoas querem ouvir.
Esse movimento de crer sem pertencer é muito mais profundo do que se pode explicar por meio de conhecimentos sociológicos, demográficos ou antropológicos. Creio que a teologia tem algo a dizer.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MILHÕES DE BRASILEIROS ESTÃO SEM REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Vou começar com uma nota sobre minha própria terra: o governo petista aqui na Bahia gaba-se de fazer mais "para quem mais precisa". Isso implica em gastos com programas que supostamente melhoram a vida de parte da população, mas sem políticas públicas que promovam mudanças profundas na prestação de serviços básicos como saúde, educação e segurança pública.
O governador Jaques Wagner disse com todas as letras, na campanha pela reeleição, que sua política de segurança pública é de cunho social. Sendo assim, ele defende, por via transversa, que nada pode fazer quanto ao sujeito que já é bandido. Devemos então esperar que daqui a treze anos as políticas estaduais em favor das crianças marginalizadas de cinco anos de idade possam evitar a criação de criminosos. E isso é contar com a sorte, não?
Enquanto isso, eu, minha família e todos os vizinhos na região vivemos com medo, adotando pequenas medidas de segurança todos os dias, e sem poder sair de casa a pé.
Pagamos elevados impostos, mas precisamos gastar ainda mais por educação, saúde, estradas e segurança. Pagamos, pois, duas vezes, e não temos maior qualidade de vida. 
Ainda por cima, a política de defesa social das esquerdas é baseada na ideia rousseauneana de que o homem nasce bom e a sociedade o perverte. Ora! Como cristão, é claro que não posso olvidar a realidade do pecado. E isso não é fundamentalismo evangélico, senhores! É apenas sinal de coerência entre minha confissão de fé e minhas ideias políticas.
O ser humano é pecador e ponto final. Por isso, cabe ao Estado conter as ações mais violentas e ameaçadoras contra os bens de maior valor, como a vida, a saúde, a integridade física e moral, a liberdade, a propriedade, a paz, o sossego e o meio ambiente. Como o Estado não pode transformar o Homem, sua função é de freá-lo. 
Em meu modesto entendimento, o Estado não deve promover mais do que saúde, educação, segurança pública, comércio exterior, defesa e infra-estrutura (portos, aeroportos, estradas e fomento a parques industriais). No mais, deve regular a economia, socorrer os miseráveis por meio de assistência social, incentivar pequenas e médias empresas e dar subsídios para que as pessoas cresçam. Não muito mais que isso. Se tentar fazer demais, ficará sem dinheiro.
No entanto, talvez no ideário das esquerdas a "burguesia" precise sofrer e carregar o piano! E, sendo pessoa de pele clara, com nível superior, e líder de uma família estruturada, não posso contar com as cotas multiculturalistas nem com a piedade do Estado.
De fato, descobri que as "elites" do lulo-petismo são os membros da classe média, pois os muito pobres recebem benefícios sociais e os muito ricos, dinheiro do BNDES e lucros no mercado financeiro. No meio, resta comprimida a classe média.
Em vez de um Estado social-democrático, temos um Estado assistencialista e inchado, cheio de secretarias alçadas a ministério e ministérios criados pela inventividade petista: um ministério para a política racialista, outro para a política feminista, outro para a pesca, outro, ainda, para as cidades. E temos - desde FHC até hoje, mas piorando muito - um ministério da agricultura convivendo com um ministério do desenvolvimento agrário. Por que não um ministério só para a agricultura e política fundiária?
Bem, creio que está mais do que na hora de uma mudança de rumo. O Brasil agoniza. Milhões escoam pelo ralo com esse pessoal assinando convênios para ONG´s fantasmas ou que não ajudam muito. E a presidente sem fazer outra coisa senão se irritar e dar broncas.



sábado, 21 de maio de 2011

Todos faremos cem anos

Quem fará cem anos em junho de 2011? Apenas a igreja Assembleia de Deus em Belém/PA, onde tudo começou? Não! Esse negócio de que "só há uma igreja a fazer cem anos em 2011, a Igreja-Mãe, em Belém", dita por Samuel Câmara e repetida por Silas Malafaia, não tem procedência. O centenário é de todos os assembleianos. Sei que eles reconhecem a importância do centenário para toda a denominação, mas a ressalva e o destaque sobre a igreja da capital paraense servem como frase de efeito contra a CGADB, na seara da política eclesiástica.
A Assembleia de Deus vive uma crise moral, doutrinária, teológica e política na comemoração de seus cem anos. Devo dizer isso num blog? Ora, devo sim. Sou crítico da igreja porque tenho compromisso com ela, sendo membro desde 1992 (com uma pequena passagem como batista há cerca de dez anos). Nasci na Assembleia de Deus, conheço a idiossincrasia desse povo, embora eu não seja exatamente um assembleiano representativo... Como participante de suas fileiras, porém, espero que tudo vá bem e que as coisas cheguem ao prumo.
 

domingo, 8 de maio de 2011

Uma palavra a um internauta amigo

Um internauta não-identificado postou um comentário respeitoso sobre o artigo em que eu comento rapidamente a decisão do STF que reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Disse o (a) nobre leitor (a) que eu não devo ter conhecimento jurídico para rebater a decisão da mais alta Corte de Justiça do País. Segundo ele, minha opinião se baseia na religião e na homofobia...
Veja bem: não vou basear minhas opiniões sobre o fato de ser formado em Direito há mais de dez anos e trabalhar há mais de sete assessorando Juízes, Promotores da Justiça Militar ou Procuradores da República. Essas são credenciais mais voltadas ao argumento da autoridade que à autoridade do argumento. Prefiro este. No entanto, preciso dizer que sou profissional do Direito para que os amigos leitores saibam que tenho, sim, conhecimento do que estou tratando.
O fato de o STF ter dado a palavra definitiva sobre o caso não faz dele um deus nem transforma o mundo das coisas. Temos agora um decisão vinculante sobre a união estável entre pessoas do mesmo sexo, e só. O STF não fala ao meu intelecto, mas à minha vontade. Isso significa que ele atua no campo deontológico (do dever-ser) e não no mundo ontológico (do ser). Eu tenho de cumprir as decisões do STF, mas não preciso concordar com elas!
Além disso, não é porque eu sou religioso que devo estar de fora das discussões jurídicas, políticas e sociais do meu País. Se os leitores discordam de mim, é um direito que lhes assiste, mas eu também tenho o direito de discordar do que quer que seja. 
Estou pretendendo ler todos os votos dos ministros sobre o caso em tela, e isso vai tomar um pouco de tempo. Comecei a ler o voto do ministro Ricardo Lewandowski, e não me convenceu. Ele mesmo reconhece que a letra da Constituição trata de união entre pessoas de sexos diferentes, e se reporta à interpretação histórica para dizer que deputados constituintes estavam cientes da possibilidade de as pessoas acharem que a união estável poderia se dar entre pessoas do mesmo sexo, e por isso explicitaram que ela somente se daria entre homem e mulher. É precisamente isso o que diz a Constituição em seu art. 226. Então, o ministro Lewandowski usou um malabarismo jurídico para dizer que ali se trata de um exemplo, ou seja, que o Estado reconhece a união entre o homem e a mulher, mas que outro exemplo de família seria a do homem com homem e de mulher com mulher...Para que fosse assim, seria preciso uma emenda constitucional, porque há limites na interpretação!!!
Eu tenho conhecimento das teorias sobre força normativa da Constituição e interpretação conforme a Constituição...mas há limite para isso também. Não se deve, em nome da força normativa, dos direitos fundamentais e da interpretação conforme a Constituição, extrair conclusões que violentam o texto da própria Lei Maior! Trata-se de uma teratologia, ou seja, algo monstruoso!!! Seria necessário mudar a Constituição para que a união estável pudesse abranger as relações homossexuais. Essa é a questão.
O que fez o STF? Adotou uma postura anticonstitucional para satisfazer um certo lobby gay ou suas opiniões pessoais. A unanimidade não quer dizer nada. Pessoas podem cometer erros em uníssono.
Se eu conseguir ler os votos dos ministros, voltarei para comentá-los com maior profundidade.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

União estável gay aprovada pelo STF - tempos difíceis...

Ontem o STF decidiu pela constitucionalidade da união estável entre dois homens ou entre duas mulheres, numa afronta ao texto constitucional, que em seu art. 226 preceitua explicitamente que a união estável se dá entre homem e mulher. Vivemos tempos difíceis!
A atual composição da Suprema Corte brasileira caminha para satisfazer a opinião pública ou ceder a grupos de pressão, como os ativistas gays, mesmo que isso implique em violar a Constituição, que a Corte deveria guardar. Eu até considero que alguns direitos devam ser reconhecidos quanto à sociedade construída por duas pessoas, seja qual for o motivo de construção dessa sociedade. Mas o problema aqui é constitucional, e os ministros violaram a Constituição. Para onde iremos nós, se os homens que deveriam zelar pela Lei das leis fazem pouco caso dela?
Vivemos tempos difíceis. 

domingo, 24 de abril de 2011

Lausanne 3 e o pedido de perdão pela Escravidão no Brasil

Estava lendo a Ultimato de janeiro/fevereiro deste ano, cuja matéria de capa trata do 3º Congresso Mundial de Evangelização - Cape Town 2010, também conhecido como Lausanne 3, em referência ao célebre Congresso ocorrido na cidade suíça de Lausanne no ano de 1974...e deparei com uma informação estranha...
Considerando que o encontro se dava na África  - mais precisamente África do Sul -, a delegação brasileira fez um pedido de desculpas aos líderes africanos por causa da Escravidão no Brasil, abolida em 1888. Sim, a delegação brasileira pediu perdão pelo pecado de gente que já morreu há bastante tempo, e por um pecado que nós não cometemos. Lê-se na revista que os líderes africanos deram o seu perdão, não sem antes lembrar o sofrimento que seus familiares passaram devido àquele pecado...
De pronto, lembrei da ideia esquerdista de reparação histórica, o que está por trás das "ações afirmativas ", de que são o mais retumbante exemplo, em nosso meio, as cotas raciais. 
Fico a pensar sobre a natureza daquele pedido de perdão, se cremos em responsabilidade pessoal, se cremos que os dentes dos filhos não ficam embotados porque os pais comeram uvas verdes (cf. Ez 18). Quando Esdras confessou os pecados da nação judaica, deixou claro que seus contemporâneos haviam repetido os pecados antigos (Ed 9), enquanto Neemias tratou das consequências dos pecados sobre a nação judaica (Ne 9). Nenhum dos dois líderes judeus pediu perdão a determinado povo pelos pecados ocorridos há mais de um século, mas reconheceu que o povo reproduzia condutas ilícitas e colhia as consequências dos pecados de outrora.
Sinceramente, eu não vou pedir desculpas por pecados que não cometi. É necessário discernir as coisas. Vou pedir perdão por pecados de omissão, pecados de atitude, pecados de ação, pecados de pensamento, mas não por pecados de terceiros que já morreram, entende, leitor?
Sei que não havia interesse em pedir remissão pelos mortos, é claro que não era isso. Se fosse, seria algo mais grave ainda, mas certamente não era, porque ali havia líderes muito bem formados. Só que remanesce o problema de acreditar que algum tipo de confissão de pecados pretéritos seja importante para que haja unidade na Igreja. Mas, isso faz sentido?
Quando um Estado pede desculpas pelo sofrimento que infligiu a outro, se está diante de um Estado demonstrando posição política oposta à que operou no passado, o que tem seu lugar nas relações diplomáticas. Agora, uma delegação da Igreja brasileira deve pedir perdão a seus anfitriões africanos por um regime escravocrata de que não participou? Praticamente não havia crentes aqui quando a Escravidão ocorreu, mesmo à época da Abolição! E, se houvesse, o que teríamos nós com isso? Digo em termos de responsabilidade moral.
Vale recordar que houve africanos participando da venda de escravos. Aquela não foi uma opressão sumamente racial, mas econômica. Vamos pedir que os descendentes dos negros que venderam seus irmãos peçam desculpas também?
Talvez a Igreja Católica tenha algo a dizer sobre sua participação naquela história toda, por meio dos jesuítas e da omissão ante a opressão esclavagista. Mas essa é coisa bem diversa!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

De inutilidades e provocações

Primeiro a provocação: o governador petista da Bahia, Jaques Wagner, alimenta os invasores do MST com 600Kg de carne por dia, enquanto eles ocupam o prédio da Secretaria de Estado da Agricultura. Também lhes disponibiliza banheiros e chuveiros. Isso é caso de impeachment!!! O governador usa dinheiro público para alimentar invasores de prédios públicos! Com isso, está conferindo aparente legitimidade ao esbulho. Mas ninguém fará nada contra isso: estamos na terra sem lei e sem estadistas.
Agora a inutilidade, que não deixa de ser provocação: o deputado baiano Nelson Pelegrino ofereceu na Câmara dos Deputados projeto de lei que permite a adoção, por "afrodescendentes", de sobrenomes africanos, independentemente da existência de registros genealógicos. Basta a pessoa gostar do patronímico, se identificar com ele, achar que tem que ver com a sua cultura...Tomei conhecimento disso ao assistir ao Entrevista Coletiva, da Band. Quem indagou sobre o projeto foi uma jornalista mulata, cujo sobrenome é "Oliveira". Ao responder, o deputado - que deseja ser prefeito de Salvador desde 1996 -, disse, em outras palavras, o seguinte: "Olha só o seu caso, seu nome é Oliveira, mas é sobrenome português, não tem nada a ver com você". Meu Deus!!! Então a moça deve renegar sua ascendência portuguesa? Não é ela uma mestiça? Não é essa uma das características do povo brasileiro? Ou será que os "afrodescendentes" - não gosto desse adjetivo - são uma nação dentro da nação brasileira? Esse projeto de lei é fruto de que? De ignorância histórica, de populismo esquerdista, do fim dos tempos, de que?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quanto amadorismo!!!

Vamos criticar a imprensa de maneira objetiva? Ora, nesse caso do Massacre de Realengo o jornalismo tem cometido muitos erros. O sensacionalismo e a desinformação fazem com que Wellington Menezes de Oliveira seja ao mesmo tempo um fanático das Testemunhas de Jeová, do Islamismo e do Adventismo, tudo misturado ao bulling e à existência de armas legalizadas!
Explico: a cada dia surgem notícias de que o rapaz tinha vínculo ou simpatia por alguma religião diferente. Primeiro, disseram que ele tinha simpatia pelo Islamismo e por ações terroristas, algo aparentemente reforçado, em certa medida, por manuscritos e vídeos, além de testemunhos de gente que o conheceu. Logo depois disseram que o rapaz tinha pertencido às Testemunhas de Jeová, seita que sua mãe também teria frequentado. Agora, a Folha On Line me surpreende com a notícia de que texto religioso encontrado na casa de Wellington foi escrito por um pastor adventista!
Ora, ao ler a manchete, tive a impressão de que o jornal dava conta de um pastor envolvido com as loucuras do jovem. Todavia, o texto havia sido impresso a partir da internet, pois o pastor, cujo nome é citado na reportagem, tinha um site e seus textos respondiam a questões sobre inferno, alma, morte e ressurreição.
Já pensou? A gente escreve teologia na internet, um leitor esquizofrênico imprime, esse mesmo leitor mata crianças numa escola, a polícia toma o texto para investigar e a imprensa diz que autor de site evangélico escreveu texto de assassino? Que imprensa é essa?
Esse assunto já rendeu demais. Mas esse é o Brasil.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O massacre de Realengo, as referências religiosas e as bobagens que alguns dizem

Devo evitar a leitura de comentários de internautas postados em reportagens dos grandes jornais, pois ali se constata a que nível de baixeza moral e intelectual o ser humano pode chegar. Nem me refiro à necessidade de ser "politicamente correto", pois nem gosto dessa ideia de ser patrulhado pela esquerdização do pensamento. O problema é que as besteiras ditas por internautas nesses "sites" é de dar nojo, e, com um tema complexo, triste e delicado como esse do massacre em Realengo, as besteiras chegam ao cúmulo por causa do preconceito e da extrema ignorância dessa gente.
Fiz essa introdução para tratar de comentários no sentido de que o tal Wellington Menezes de Oliveira seria um "fanático religioso". Alguém chegou a vociferar contra as igrejas evangélicas como se fossem antros produtores de criminosos em potencial. Quanta besteira! O fato de o indivíduo citar "Jesus", "Deus" e "castidade" em sua carta, e de manter supostamente um perfil em rede social sob o título "Entendendo a Bíblia Sagrada" não o torna um fanático religioso nem sugere que as igrejas evangélicas incitem ao crime.
Tudo indica que aquele rapaz, segundo os especialistas em saúde mental, era psicótico. Dr. Guido Palomba, psiquiatra forense, disse hoje no programa Hoje em Dia, da Record, que pode ser um caso de esquizofrenia, porque a carta deixada pelo assassino revela uma ruptura entre o mundo dos puros e o mundo dos impuros, o que é irreal mas povoava a mente do criminoso. Pelo que entendi, a religião seria o tema do delírio, mas não a causa das ações. A causa das ações seria a loucura mesmo, até porque não é o Cristianismo uma religião que incita a violência!
É interessante como tantas pessoas conseguem ser míopes.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Jair Bolsonaro, Preta Gil, Jean Wyllys, Marco Feliciano - a pauta da semana

Tenho acompanhado com atenção toda a polêmica em torno das declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) ao programa CQC, da Band (28/03), bem como as declarações que ele tem feito depois disso sobre o homossexualismo.
Primeiro, não gosto do estilo nem de boa parte do discurso desse deputado saudoso do militarismo e com jeito autoritário. Que isso fique bem claro! Ele não pensa para falar ou pensa tudo aquilo mesmo e faz um péssimo serviço ao Brasil, como suposto defensor da família brasileira, mas com argumentos preconceituosos e de fácil refutação. Com efeito, para defender as causas da família é preciso falar com fundamentação teórica, pois a patrulha ideológica é assaz "preparada" para tachar de fundamentalistas os seus adversários no diálogo. E os ativistas gays e demais do esquerdismo político sabem quais são os interlocutores sensatos, mas não é interessante discutir com gente qualificada do outro lado.
Todavia, creio que o parlamentar se enganou ao responder à pergunta da Preta Gil: é evidente que ele misturou as coisas, e, em vez de responder o que faria se seu filho se relacionasse com uma mulher negra, foi logo tratando de promiscuidade, educação, ambiente familiar...O próprio Marcelo Tas, do CQC, deu uma indicação de que poderia ter havido esse equívoco, o que foi depois sustentado pelo próprio deputado.
Agora, é claro que o movimento gay jamais vai admitir que o deputado se atrapalhou. O deputado Jean Wyllys, meu conterrâneo de Alagoinhas/BA - e a quem conheci em Pojuca, na Fundação José Carvalho, onde estudamos - é um daqueles que têm aproveitado a repercussão do que o deputado falou para fomentar o discurso "contra a homofobia". Não bastasse, o deputado alagoinhense, eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro, já disse que com certeza o deputado queria se referir a mulheres negras mesmo, e que ele praticou racismo.
Ora, deputado Wyllys, o senhor é inteligente para saber, pelo contexto, o que de fato aconteceu, mas é melhor explorar o caso como racismo porque a Lei da Homofobia não foi aprovada - enquanto, sem perda de tempo, se exploram as palavras de Bolsonaro para dizer que se trata de um representante da postura homofóbica que impera no Brasil... Se Jean Wyllys não fosse tão perspicaz como me parece, chegaria a pensar que ele acredita mesmo no que diz.
Que o deputado Jair Bolsonaro fala demais eu não tenho dúvida: já chamou a deputada Maria do Rosário (PT/RS) de "vagabunda" - depois que ela o chamou de "estuprador"; já disse que FHC deveria ter sido fuzilado na época da ditadura; já disse que daria uma surra num filho "meio gayzinho". Ele fala coisas impróprias, sim, mas é de se perguntar: ele pode ser processado por discordar do homossexualismo? Ele não tem direito de se expressar, ainda que com aquele jeito truculento dele? Estamos de volta à censura? Ele por acaso incitou o povo à violência? Ele cometeu um crime? É necessário responder com clareza a essas perguntas.
Mas não ficamos só por aí. Não sei se querendo atrair os holofotes da imprensa - porque entre os pentecostais ele já tem um enorme sucesso... - o deputado (!) e pastor evangélico Marco Feliciano escreveu no twitter que os africanos são amaldiçoados porque Noé amaldiçoou seu neto Canaã, e que por isso eles sofrem fome, guerras étnicas, miséria...É muita impropriedade para uma pessoa só. E ainda tem a coragem de dizer que isso é teologia!!! Se teologia fosse isso, iria abandonar meu curso de Especialização em Estudos Teológicos!!! Mas não, isso não é teologia mesmo! É falta do conhecimento mais básico.
Pastor (!) Marco Feliciano, os descendentes de Canaã, que foi amaldiçoado por Noé, não ocuparam a África - seja a subsaariana, seja aquela em que se situa a Líbia, citado pelo senhor. Os descendentes de Canaã ocuparam...Canaã. E, mais do que isso, não há razão teológica para afirmar que pesa maldição sobre um país ou continente em especial, porque isso importaria em maldição hereditária, doutrina que não encontra substrato bíblico. A maldição que existe sobre toda a Humanidade é a decorrente do pecado, mas este é universal. Logo, o senhor também estaria debaixo da maldição do pecado se não houvesse recebido a Salvação pela graça, mediante a fé - estou supondo que o senhor conheceu Jesus.
Fico indignado com isso: de um lado, os despreparados e demagógicos Jair Bolsonaro e Marco Feliciano; de outro, o preparado e bem-falante Jean Wyllys. É certo que, numa discussão entre tais personagens, a mentira parece verdade, e a verdade parece mentira. No meio de tudo, aparece a Preta Gil para fazer um estardalhaço e processar por isso e aquilo. E aqueles que realmente conhecem a Bíblia e adotam uma forma serena de discutir temas polêmicos ficam de fora da mesa de debates.
É, meus amigos. Quem se habilita a ser voz sensata em favor da ética cristã?

quarta-feira, 16 de março de 2011

A tragédia no Japão e os comentários medíocres que se fazem sobre isso

Vou chamar de "medíocres" alguns comentários que têm sido feitos sobre a tragédia ocorrida no Japão porque não quero ter de usar as palavras mais apropriadas... 
Já li sobre o presidente da OAB do Acre, para quem deve ser difícil discernir entre os desaparecidos por serem "todos iguais". O ministro Carlos Lupi, do Trabalho, disse que o desastre vai acabar sendo "bom para o Brasil." E internautas escrevem suas bobagens.
Minha esposa descende de japoneses, e um de seus irmãos mora lá com esposa e filhos. Hoje, quando eu falava com ele ao telefone, houve novo tremor, que, segundo informação do Jornal Nacional, foi de mais de seis graus na Escala Richter (meu cunhado falou em 5 graus em novo telefonema). Bem, a sensação de falar com uma pessoa que está passando por um terremoto não é comum, certo?
A família da minha sogra veio de Fukushima, província onde está a usina com problemas, Fukushima I. Ainda moram parentes de minha esposa lá naquela província, mas em região montanhosa, aonde as pessoas estão indo se refugiar.
A educação, disciplina e organização dos japoneses são admiráveis. Apesar da fome e da preocupação, obedecem às filas e pegam apenas aquilo de que necessitam, pensando nos demais. Aqui no Brasil, qualquer caminhão de carga tombado é logo saqueado pelo populacho: dia desses, um caminhão de cerveja virou e foi assaltado de pronto pelos "populares". O que disse Raimundo Varela, da TV Itapoan/Rede Record? Que isso é a desigualdade social. Não, senhor Varela: isso é falta de educação! Não conheço furto famélico de cerveja (nem de combustível, pois o outro exemplo que ele deu foi o do saque ao trem descarrilado em Pojuca, no ano de 1983, seguido de uma explosão que matou muitas e muitas pessoas, que tomavam de assalto o combustível ali carregado).
Pensemos um pouco: se não conseguimos evitar  apagões e se todos os anos acontecem as mesmas tragédias com enchentes e desabamentos, que conselho teríamos a dar a japoneses numa hora como esta? E como podemos acusá-los de frieza se essa "frieza" faz com que friamente edifiquem prédios inteligentes, criem sistemas de alerta contra terremotos e insiram em currículos escolares informações sobre prevenção de riscos?
Deveríamos ter vergonha da sociedade em que vivemos, em vez de falar mal dos outros. Somos mal-educados, egoístas, desorganizados, imprudentes, negligentes, corruptores e corrompidos, cheios de "jeitinho". Deitamos nesse berço esplêndido, bem no meio de uma placa tectônica, com tantas riquezas naturais, e não sabemos valorizar nosso território. Esquecemos de que  a presidente, quando ministra e pré-candidata, prometeu que não haveria mais apagões, e que na semana seguinte nos brindou com apagão em 18 Estados! E que sequer vem a público pedir desculpas!!!
Olha, não vou listar as inúmeras vezes em que nossos líderes deveriam pedir desculpas públicas, porque aí o post não terminaria jamais. Estou deveras indignado com a fraqueza de caráter de tanta gente boçal que há no mundo...
Só mais uma coisa: eu sei que Jesus disse que um dos sinais de Sua vinda seriam os terremotos em diversos lugares...Minha gente: terremotos no território do Japão ocorrem desde muito antes de existir o próprio Japão...Eu vou falar claramente de terremoto como sinal da volta de Jesus quando tremer algum lugar que nunca tremeu. Por enquanto, perdoem-me a franqueza, terremotos no Chile, Califórnia, Japão e México são muito antigos...



sexta-feira, 4 de março de 2011

A Babilônia em festa

Salvador respira Carnaval o ano inteiro. As festas são muitas, assim como as bandas de axé e pagode, que se multiplicam como praga. Há as festas carnavalescas antes, durante e depois do Carnaval - ensaios, "gritos", "ressacas", "saideiras". A paciência da gente vai se esgotando...
Se a Cidade de Salvador não tivesse os problemas que tem, eu poderia deduzir que o povo vive satisfeito. Mas temos um metrô prometido há mais de 10 anos que não se torna realidade e que deve ser mais um item do Guiness Book, já que vai ser o menor do mundo, eu creio, com apenas 6km, ligando o nada a lugar nenhum. Temos uma péssima distribuição de renda. Temos, na verdade, duas cidades, uma rica e sofisticada, e outra pobre e oprimida.
No entanto, ao assistir ao Bahia Meio-Dia, aquele jornal regional padronizado da Rede Globo, o que mais se transmite são as festas, os novos grupos de pagode, as novas besteiras, como o Rebolation, o tchubirabiron, a música da chapeuzinho vermelho...Fala-se um pouco da violência, e, como diz o baiano, "tome-lhe Carnaval e festas". Em meio à greve da Polícia Civil baiana, motivada por uma troca de tiros entre policiais, que acabou matando um policial suspeito de extorsão, ainda se acha lugar para falar de que o Bell Marques, do Chiclete com Banana, tirou a barba por dois milhões de reais, depois de 30 anos...
Salvador está em crise política. Seu Prefeito, que ontem entregou a chave da Cidade para o Rei Momo, trocou boa parte do Secretariado no início do ano, e vive às turras com o seu PMDB. Parece que Salvador, embora tão rica em sua cultura, história e vocação turística, não tem dinheiro, pois a parte industrial e o petróleo ficam em outros municípios (Camaçari, São Francisco do Conde, Simões Filho). É uma cidade mais pobre do que se pensa.
Fico indignado com a ideia que muitas pessoas de Salvador têm de sua terra, como se vivêssemos num paraíso. Claro, eu sei que, como se trata de duas cidades, pode ser que o interlocutor pense na Barra, no Corredor da Vitória ou na Pituba - talvez naqueles condomínios em construção na Paralela - enquanto eu penso no Uruguai, no Leblon... São duas cidades, não? Se não as conhece, venha aqui um dia e veja por si mesmo!
Outra coisa que enche a paciência é aquela ideologia dominante relativa aos movimentos negros, que insistem em ligar a cor da pele a uma ancestralidade africana, como se as pessoas de pele negra não fossem brasileiras.  Quem não tem a cútis negra teria até motivos para se sentir discriminada. Sobre isso eu conversava com a minha esposa hoje mesmo, e ela desabafava sobre a estranheza que isso tudo lhe causa. Ela, descendente de japoneses, pode ouvir críticas de canto de boca e pilhérias do estereótipo, que jamais se caracterizarão como crime de racismo. Mas, se declarações como as que ela ouve se dirigissem a pessoas de pele negra...Eis o crime! Já escrevi sobre isso aqui no blog.
Por fim, mais uma coisa: em nossa congregação, vivemos preocupados para que o som não incomode os vizinhos, e já tive notícia de evangelização ao ar livre, de certo grupo de crentes, ser interrompida porque o volume estava alto demais. Agora, quem vai nos livrar da música alta dos carnavais? Pelo menos moro bem longe do circuito do Carnaval, graças a Deus. E por isso não escuto absolutamente nada. Mas quem mora lá tem de procurar outro endereço durante os dias "de folia".
É, a Babilônia está em festa. Essa crítica minha recorda uma letra de música do próprio axé: "Ouvi dizer que Babilônia é Salvador, é Salvador, é Salvador. Ouvi dizer que Babilônia é Salvador. Ouvi da boca de Nabucodonosor"*.
Se eles dizem, por que vou contrariá-los?
*Composição de Alfredo Moura, música do repertório da Banda Eva.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Todos somos culpados

O Jornal Nacional noticia que o Sr. Joseph Ratzinger, também conhecido como "Papa Bento XVI", fez um pronunciamento em que isenta os judeus de responsabilidade quanto à crucificação de Cristo...Meu Deus!!! A responsabilidade, segundo a Epístola aos Romanos, é de judeus e gentios. Todos somos indesculpáveis!!!
Que o Papa não conhece a Bíblia eu sei. Ele deve conhecer de Catolicismo, mas não de Bíblia. Deve estar querendo afastar a pecha de antissemitismo, mas para isso não precisaria contrariar as Escrituras.
Não se trata de deixar de isentar os judeus, mas de reconhecer que, embora tenha havido a ação de líderes religiosos judeus, e a conveniência das autoridades romanas, a morte de Jesus Cristo se deve à uma associação do amor e da justiça de Deus: por causa da justiça divina, alguém teria de pagar o preço do pecado; por causa do amor divino, quem pagou não fomos nós.
Esse senhor que ocupa a chefia da Igreja Católica presta um desserviço à teologia cristã.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Da inicianta linguagem do poder

A Presidenta Dilma Rousseff é, por enquanto, residenta na Granja do Torto, mas logo deve se mudar para o Palácio da Alvorada. Essa ex-guerrilheira descendenta de búlgaros parece ser uma pessoa muito silenta, pouco sorridenta e algo resistenta aos holofotes.
Dizem que a nova presidenta é competenta no aspecto gerencial, mas ainda não é possível saber de quase nada de sua condução política, pois é estreanta em eleições e mandatos públicos. O que se noticia é ser ela impacienta com assessores e ministros, cobrando resultados e respostas adequadas.
Tomara que essa senhora seja prudenta, convincenta, coerenta e diferenta do seu antecessor, que falava demais e se achava um deus. Aliás, ela, que há pouco se disse católica, mandou tirar o crucifixo da parede e a Bíblia da mesa. Isso é prova de ser uma pessoa congruenta!
Primeiras medidas da gerenta: manter nos cargos o Ministro do Turismo, que pagou motel com dinheiro público, e a Ministra da Pesca, que pagou hotel com dinheiro público; chamar para conversar o Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, para quem os desaparecidos políticos são apenas um fato histórico (a percucienta presidenta não sabia da opinião do General ao nomeá-lo); e verificar que a aliança com o PMDB pode representar maior complexidade do que nunca...
É isso. A ideologia libertária das minorias inaugura este ano uma nova forma de falar a Língua Portuguesa. Daqui a pouco, haverá um dialeto para cada gueto, um idioma para cada filosofia. As mentalidades começam a ser infiltradas a partir da linguagem.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O adeus de Lula e a posse de Dilma - singelas considerações

Este é o primeiro post de 2011. Assisti à cobertura da posse de Dilma Rousseff no cargo de presidente da República, com a consequente despedida de Lula. Seguem algumas impressões:
Lula foi exaltado por Dilma em seu discurso no Congresso. Era de se esperar, já que se fomenta no Brasil um caminho de mitificação e mistificação em torno desse homem que ocupou a presidência por oito anos. Falou de sua "sabedoria", e depois no discurso no Parlatório voltou a falar de um Lula mítico, líder popular que, segundo ela, foi o maior da história, generoso, transformador. Mais do que as instituições, Lula foi enaltecido como o pai da história. É certo que Dilma lembrou, sem citar nomes, de que os antecessores deixaram sua contribuição, mas não houve menção mais firme desse aspecto.
O pronunciamento no Congresso, como era previsível, foi mais denso que o do Parlatório, com passagem por temas como a economia, a reforma política, as pequenas e micro empresas, o meio ambiente, a liberdade de imprensa, de culto e de religião, as regiões brasileiras, o desenvolvimento, o combate à pobreza. Mas tudo me pareceu uma tímida promessa de continuidade gerencial, sem reformas profundas. É como um terceiro mandato de Lula, que deu intensas demonstrações, nas últimas semanas, de que gostou demais do poder.
Dilma disse não se arrepender de nada do que fez em sua atuação política, e isso inclui nitidamente o fato de ter se engajado na guerrilha, quando participou da POLOP (Política Operária), COLINA (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária, junção da Vanguarda Popular Revolucionária, de Carlos Lamarca, com a COLINA). Assim, a nova Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, que passou as tropas em revista hoje mesmo, não se arrepende de ter sido guerrilheira.
Já nos livramos, pelo menos, da falta de sobriedade de Lula em suas falas quase diárias.
Agora, como se comportará o Lula ex-presidente, sem poder e sem a popularidade avaliada constantemente? As bobagens que ele falar daqui para frente serão analisadas com critério?
E quanto a Dilma? Irá governar com sua mente política ou se deixará dominar por Lula, PT ou mesmo PMDB?
Só o futuro dirá. Espero que a nova presidente ao menos cumpra a Constituição.

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.