quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

DISCERNINDO OS TEMPOS

O “ESPÍRITO DA ÉPOCA”.
Para começar nosso estudo, leiamos o texto de Rm 13.11 em diferentes traduções:

“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (ARA).

“E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (ARCF).

“Façam isso, compreendendo o tempo em que vivemos. Chegou a hora de vocês despertarem do sono, porque agora a nossa salvação está mais próxima do que quando cremos” (NVI).


Nesta passagem, o apóstolo Paulo trata da necessidade prática de “despertarmos do sono”, diante da iminente consumação de todas as coisas, pois “a nossa salvação”, a que Paulo se refere, é a redenção do nosso corpo, a glorificação dos salvos.
Aqui recordamos do conceito neotestamentário de “Últimos Dias” (“Ultimo Tempo”, “Última Hora), etapa escatológica que começou com o Bloco Histórico-Redentivo (encarnação, vida, sofrimento, morte, ressurreição e ascensão de Cristo) e se encerrará com o fim da História.
“Sono” está relacionado a letargia, abandono à própria sorte, dormência, entorpecimento, alienação. Despertar do sono é deixar essa condição de alheamento e tomar a atitude correta perante a realidade, de acordo com a vontade de Deus.
Mas, para esse despertamento, é fundamental conhecer, compreender ou discernir o tempo, ou seja, avaliar, diagnosticar e interpretar o tempo em que vivemos, não o tempo no sentido cronológico (chronos), mas a natureza do tempo histórico (kairós), o conjunto de características que o definem. Com a expressão “espírito da época” (zeitgeist, em alemão) se quer aludir às tendências, ideologias, princípios, valores, crenças e filosofias de determinado período.
Precisamos, então, compreender o espírito da época.

UM POUCO DE HISTÓRIA.
A Pré-História foi o período anterior à Descoberta da Escrita, dividido em Paleolítico (Idade da Pedra Lascada), Neolítico (Idade da Pedra Polida) e Idade dos Metais. Na Bíblia, os onze primeiros capítulos do Livro de Gênesis cobrem a Pré-História.
A Idade Antiga ou Antiguidade estendeu-se da Descoberta da Escrita até 476 d.C, quando ocorreu a Queda de Roma ante os povos bárbaros. Foi na Idade Antiga que se desenvolveram as civilizações (sumérios, mesopotâmios, egípcios, babilônios, hebreus, medo-persas, gregos e romanos, entre outros).
O Homem Antigo era basicamente politeísta e imerso num ambiente repleto de mitos, que empregava para explicar o mundo, a natureza e a própria humanidade. Foi na Antiguidade que se formaram a astrologia, o misticismo, o dualismo (matéria e espírito), o panteísmo.
A Idade Média ou Idade Medieval durou de 476 até 1453 d.C, ocasião em que a cidade de Constantinopla, antiga Bizâncio, foi tomada pelos turcos otomanos (muçulmanos), tornando-se Istambul (Turquia). Esse período seria caracterizado, por Petrarca, como a “Era das Trevas”. Havia o predomínio da Igreja Católica Apostólica Romana, e a centralidade do dogma religioso, da tradição. Não houve grande avanço no conhecimento humano, que se reservava à própria Igreja; as técnicas eram insipientes, a cultura era embebida de religiosidade, e as artes eram sacras. Os teólogos mais importantes do período foram Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) e Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.).
A Idade Moderna começou em 1453 e se estendeu até 1789 d.C., com a Revolução Francesa. Nesse tempo houve grandes eventos históricos e transformações profundas na Europa Ocidental, com repercussões em outros continentes.
Foi na Idade Moderna que teve lugar a Renascença (Renascimento), entre os Sécs. XIV e XVI, quando a Europa Ocidental redescobriu o pensamento, a literatura e as artes grego-romanas (Antiguidade Clássica).
Despontou o Humanismo, com o destaque a valores humanos. O Antropocentrismo (centralidade do Homem) substituiu o Teocentrismo (centralidade de Deus). A frase de Protágoras, homem da Antiguidade Clássica, define bem o Antropocentrismo e Humanismo: “O homem é a medida de todas as coisas: das que são enquanto são, e das que não são enquanto não são”.
Aquele foi o período de desenvolvimento da Ciência Moderna, que se desprendeu da Filosofia e da Religião. Surgia ali o Empirismo, isto é, a doutrina segundo a qual se devem extrair conclusões a partir da experiência, e não da revelação.
Foi também a Idade Moderna a Era dos Descobrimentos, com a Descoberta da América (1492) e do Brasil (1500), por exemplo, no contexto das Grandes Navegações, pelo que se operou a Colonização da Ásia, da África e das Américas.
A Reforma Protestante (1517) e a Contrarreforma (a partir de 1545) foram eventos da Idade Moderna, assim como o Iluminismo, movimento filosófico baseado no enaltecimento da Razão, e tendo como expoentes figuras como Voltaire, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.
O Racionalismo e a Secularização foram marcas da Idade Moderna. Com o Racionalismo se operou um realce da Razão em lugar da Religião e da Tradição. Com a Secularização houve um distanciamento do Homem em relação ao Sagrado e à autoridade da Igreja.
O Liberalismo ou Modernismo Teológico teve suas raízes no Racionalismo e Iluminismo, e por isso se inclinou, em suas diversas correntes e autores, a uma descrença em doutrinas bíblicas, como a operação de milagres, a concepção virginal de Maria, a ressurreição e volta de Cristo.
Nasceu a chamada “Alta Crítica”, método de análise bíblica pautado por racionalismo, e, nessa esteira, surgiram teorias documentárias, que buscavam explicar a formação dos Livros da Bíblia, não a partir da inspiração pelo Espírito Santo, mas da interpretação que Israel e a Igreja conferiam aos acontecimentos que testemunhavam.
Por exemplo, Rudolf Bultmann, um diácono luterano, criou seu “programa de demitologização” (ou demitização) da Bíblia, uma forma de explicar naturalmente o que se deu subrenaturalmente.
A Idade Contemporânea teve início em 1789, e perdura até os nossos dias.

MODERNIDADE.
A Modernidade, nascida na Idade Moderna, atravessou os séculos XVIII, XIX e XX.
O Homem Moderno viveu um otimismo baseado na supremacia da Razão em relação à Fé, e na esperança de que a Ciência ensejaria o progresso e a paz mundial. Seus valores fundamentais eram a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a autonomia e a emancipação.
Para o Homem Moderno o critério da verdade era a Razão, na Ciência ou na Filosofia.
O Homem Moderno passou a ser um livre-pensador.
Alguns homens são essenciais para se compreender a Modernidade. São eles Charles Darwin, Karl Marx, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud.
O inglês Charles Darwin, por meio de seu livro “A Origem das Espécies”, disseminou a Teoria da Evolução, o que veio a enfraquecer paulatinamente a crença na doutrina da Criação.
O judeu-alemão Karl Marx, ao lado de seu amigo Friedrich Engels, postulou o Materialismo Histórico e Dialético, bem como o Socialismo Científico, propondo que a História se desenvolve a partir da luta de classes (Capital x Trabalho), que “a Religião é o ópio do povo”, que os problemas fundamentais de uma sociedade são gerados por questões como a propriedade dos meios de produção e a mais-valia. Assim, em lugar do Pecado, passou-se a admitir outra causa essencial para os problemas e conflitos humanos, minando-se, desse modo, a responsabilidade individual. Vale observar que Marx era de uma família protestante (luterana).
O alemão Friedrich Nietzsche trouxe a ideia de que a religião cristã enfraquece o Homem, pois as virtudes cristãs iriam contra a necessária “vontade de poder”. É de Nietzche a célebre frase “Deus está morto”, pelo que o Homem deveria viver de acordo com os valores por ele mesmo estabelecidos.
O judeu-austríaco Sigmund Freud, considerado “o Pai da Psicanálise”, desenvolveu uma teoria em torno da compulsão sexual e de traumas da infância, fatores que seriam determinantes no comportamento humano.
A Era Moderna foi a era das grandes narrativas, ou seja, dos grandes esquemas de interpretação e explicação da realidade, como o Marxismo, as demais utopias socialistas, o Liberalismo, a Social Democracia. O Comunismo, baseado nas ideias de Marx, ganhou revigoramento por meio dos estudos do comunista italiano Antonio Gramsci e da Escola de Frankfurt, agora não mais com teor revolucionário, mas ideológico e cultural (Marxismo Cultural).
Houve na Modernidade uma fuga da religiosidade, por causa do Materialismo e do Cientificismo.
O filósofo polonês Zigmunt Bauman chama a Modernidade de “Modernidade sólida”.

PÓS-MODERNIDADE.
As sementes da Pós-Modernidade foram lançadas no Séc. XX:
O terror das duas Guerras Mundiais, a Primeira (1914-1918) e a Segunda (1939-1945), fragilizou a ilusão da paz mundial. O homem viu o quanto ele pode ser destrutivo e maligno em relação ao seu semelhante.
O Existencialismo (do francês Jean-Paul Sartre, entre outros) substituiu a preocupação com a essência do Homem pela ênfase na existência. O existencialista lida com os conceitos de caos, absurdo, ansiedade, angústia, alienação. Para ele, o Homem deve ser definido, não de acordo com suas intenções e potencialidades, mas conforme aquilo que ele realiza para ser feliz e superar o mal que a existência lhe oferece.
A Revolução Sexual dos Anos 60, estimulada pela invenção da pílula anticoncepcional; o Movimento Hippie; o Festival de Woodstock e o Maio de 68 foram eventos emblemáticos de uma contracultura que se levantava contra a autoridade, os pais, a tradição, a ordem estabelecida.
O Fim da Guerra Fria (capitalistas x comunistas), representada pela Queda do Muro de Berlim (1989) e pelo Colapso da União Soviética (1991), sepulparam a Modernidade, dando ensejo à Pós-Modernidade.

O HOMEM PÓS-MODERNO.
Há quem prefira denominar a Pós-Modernidade como “Hiper-Modernidade” (Gilles Lipovetsky), pois, enquanto “pós” sugere a ideia de algo que vem depois, substituindo o que é anterior, “hiper” dá a noção de uma exacerbação, já que, segundo essa hipótese, os valores hiper-modernos são os mesmos valores modernos, porém aumentados.
Zigmunt Bauman chama a Pós-Modernidade de “Modernidade líquida”, porque se amolda facilmente às novas situações, sem possuir uma forma definida.
O Homem Pós-Moderno, diferente do Moderno, é tomado pelo pessimismo. Ele se desencantou com as grandes narrativas, com a Razão e com o progresso.
Em lugar do Antropocentrismo – centralidade do Homem – tem-se o Subjetivismo – a centralidade de “cada homem”.
O Relativismo Filosófico consiste no entendimento de que não existe verdade absoluta (“tudo é relativo”), o que produz o Relativismo Moral, pelo que “tudo é permitido”. Um traço do Relativismo é o Situacionismo: a verdade dependerá da situação.
De acordo com o Pluralismo, coexistem muitas verdades, sem que haja valores universais, e, quando essas verdades são expressas em diferentes culturas, se fala em “Multiculturalismo”.
O Hedonismo é o culto ao prazer, que se pode exprimir em prazer sexual, poder político, status social, vaidade espiritual, entretenimento, consumismo.
O Utilitarismo é uma filosofia ética pautada pela vantagem auferida, e seu critério de verdade é “o que dá certo”, e não “o que é certo”. Uma premissa básica do Utilitarismo é o “princípio do bem-estar máximo”.
O Pragmatismo, intimamente relacionado ao Utilitarismo, constitui uma doutrina filosófica segundo a qual uma teoria vem a ser comprovada por seus resultados práticos.
O Privatismo é a tendência de definir os próprios conceitos e o comportamento individual independentemente de convenções, tradições e instituições.
O Homem Pós-Moderno vive uma crise de identidade e de pertencimento.
Na Pós-Modernidade, aspira-se a uma “religiosidade sem religião”, buscando-se uma espiritualidade desvinculada de compromissos e instituições. Deseja-se o bônus, mas sem o ônus, numa aversão às instituições, tradições, convenções sociais, formalidades e enraizamento.
A Era da Informação deixa o Homem Pós-Moderno sempre conectado, mas sem sabedoria e sem conhecimento. É ele um omni-channel, ligado a muitas plataformas, mas, ao mesmo tempo, fragmentado e superficial.

SINAIS DA PÓS-MODERNIDADE NA IGREJA.
OS “DESIGREJADOS”.
Um dos fenômenos pós-modernos verificados no que diz respeito à Igreja é o que se tem chamado de “desigrejados”, que consiste numa grande quantidade de pessoas que se dizem cristãs, mas não querem pertencer a nenhuma igreja formal.
Não se trata daqueles que, por algum motivo (conflitos, abuso espiritual, dificuldades de relacionamento, questões doutrinárias e teológicas), deixam de congregar temporariamente, mas de uma disposição no sentido de manter a fé cristã sem os compromissos institucionais dela advindos.
São pessoas que, por exemplo, se contentam em assistir cultos ou pregações pela internet; não querem contribuir financeiramente; não pretendem se submeter a uma liderança pastoral; não se encaixam ou não se identificam com nenhuma tradição eclesiástica; costumam lembrar da corrupção de uma parcela dos líderes de igrejas como pretexto para não aderir a nenhuma denominação; se definem como avessas à “religiosidade”, ao “formalismo religioso”, ao “farisaísmo”, ao “fundamentalismo” e ao que eles entendem por “evangélicos”.
Essas pessoas poderiam recordar do texto de Hb 10.25 e Pv. 18.1

HERESIAS DO “NEOPENTECOSTALISMO”.
O chamado “Neopentecostalismo” pode ser definido, grosso modo, como um movimento extremamente heterogêneo que, partindo de postulados pentecostais, ganhou autonomia ao se afastar da autoridade e suficiência das Escrituras, sendo caracterizado por sinais evidentes de pós-modernidade, como o utilitarismo, o pragmatismo, o hedonismo, o relativismo, o pluralismo, o consumismo religioso e o privatismo.
Algumas das heresias ou movimentos ligados ao Neopentecostalismo são a Teologia da Prosperidade (Confissão Positiva); a Cura Interior; a Maldição Hereditária; a Cobertura Espiritual; o G12 e M12; o Restauracionismo; a Igreja Emergente; a Adoração Extravagante; as Igrejas-corporação; a Autoajuda evangélica; a Restauração do Ministério Apostólico; o Movimento Judaizante; os Atos Proféticos; conceito de “geração” (“geração de Daniel” etc.).
Há no Neopentecostalismo ênfase em ações de propaganda e marketing, descompromisso com a objetividade das Escrituras, sensacionalismo, emocionalismo, falsos apóstolos (II Co 11.13; Ap 2.2), triunfalismo.

“IDEOLOGIA É A NOVA HERESIA”.
Na Pós-Modernidade, algumas ameaças importantes contra a Fé Cristã se encontram na Teologia da Missão Integral, no Feminismo, nas “Igrejas inclusivas” (Agenda Gay) e no Politicamente Correto.



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Submeta sua ideologia a Cristo

"Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo" (Cl 2.8).

Ao ler a expressão "filosofia e vãs sutilezas", penso nas ideologias contemporâneas. É certo que o apóstolo Paulo, em sua Epístola aos Colossenses, combatia o gnosticismo, movimento enfrentado, por exemplo, em I e II Jo e Jd, mas a expressão "filosofia e vãs sutilezas" pode abranger uma infinidade de doutrinas humanas.
Comunismo, Socialismo, Gramscismo, Feminismo, Ideologia de Gênero, Teologia da Libertação, nada disso pode determinar a fé bíblica, mesmo porque tais ideologias são contrárias à cosmovisão cristã. No meio protestante, a Teologia da Missão Integral tenta fazer as vezes de um pensamento social não ideológico e bíblico, mas, ao fim e ao cabo, é de ideologia marxista que se trata.
A Igreja sempre combateu heresias, e desde o Séc. XX, pelo menos, tem enfrentado ideologias, porque foi justamente o Séc. XX o século das ideologias e dos antagonismos, da Guerra Fria, das "grandes narrativas", do Fascismo, do Nazismo e do Comunismo/Socialismo. Os planos dos nazistas, fascistas e comunistas/socialistas passavam por conceitos totalmente equivocados e contrários à Palavra de Deus. 
Não é pecado ostentar uma visão de mundo marcada por convicções políticas: de um modo geral, todos temos crenças políticas, ainda que nos consideremos "apolíticos" ou "antipolíticos", porque até essas posturas são constitutivas de uma visão política. O pecado é tentar distorcer a Palavra de Deus para que ela diga aquilo que a ideologia diz.





sábado, 8 de outubro de 2016

ACORDO DE PAZ

E se o diabo propusesse a Deus um acordo de paz? Cansado de uma vida de intrigas, batalhas e clandestinidade, o diabo, com toda a sua ousadia e astúcia, bem que seria capaz de uma ideia atravessada como essa…
Tendo em seu histórico a corrupção do gênero humano, com toda sorte de consequências ruins, e com um prognóstico de completo mau augúrio, Satanás pensaria, quem sabe, em propor um pacto definitivo, não apenas um cessar-fogo. Não seria como um tradicional “pacto com o diabo”, diria ele, mas algo similar aos “acordos de paz” apreciados e incentivados pela Organização das Nações Unidas e pelo Comitê do Nobel. No limite, ganharia o prêmio, e, de qualquer modo, passaria à História como um pacificador, um ex-guerrilheiro que preteriu sua ideologia em favor de um bem maior, qual seja, a paz mundial e cósmica.
Antes de prosseguir, seria bom falar de eventual ideologia do diabo. E o diabo tem ideologia? Mais do que ideologia, que podem ser muitas, o diabo tem objetivo e estratégias. Seu objetivo, desde que a iniquidade nele se abrigou, é humilhar o Homem, e todas as suas estratégias podem ser resumidas numa palavra: “pecado”. Com o Pecado Original (a “Queda”), vieram o sofrimento, os conflitos e contendas, a racionalização das faltas, a indignidade, a degeneração do ambiente. O mundo, como sistema em rebelião contra Deus, transformou-se num campo de guerra, num vale de sombras, numa selva indevassável, num cemitério – escolhei as metáforas. Para o diabo, interessa mentir, roubar, matar e destruir. Ele sabe que está condenado, e que sua execução bate à porta, e corre contra o tempo veloz.
No entanto, com um acordo de paz, pensaria o Cão, quem garante que o mundo não o veria com bons olhos, digno de aplauso, merecedor do reconhecimento universal? Examinando os líderes mundiais, não teria dúvida do apoio político necessário. Seria aclamado em Hollywood, festejado por intelectuais, premiado com o Nobel, tomado como líder, inspiração, herói, referência! Seria um símbolo da paz, um capitão e timoneiro da justiça global.
Digamos, imaginando um pouco mais, que o diabo levasse adiante sua proposta. Sabe-se que “o papel aceita tudo”, que propostas podem ser recusadas, e que, afinal, um cão danado como ele nada teria a perder.
Feita a proposta, o SENHOR Jesus, Advogado e Príncipe da Paz, diria, com toda autoridade, ao infeliz:
- Pai de toda mentira, maligno em propósitos, pensamentos e ações, cruel assassino e insidioso tentador, sabes, ó criatura abominável, que teu pacto já foi proposto, antiga serpente, lá no Éden, e que justamente por isso Eu vim ao mundo, para desfazer as obras do diabo. Lá no Éden propuseste um pacto com o Homem, pautado pela emancipação ética em relação ao Criador, como se a Humanidade pudesse se orientar sozinha, sem a ética de Deus. Ensejaste a dúvida, a mentira, a incredulidade, a morte, o sofrimento, a contenda, o conflito, a guerra, a maldade, o fratricídio, pelo que o juízo veio a ser corretamente ordenado, a começar pelo Dilúvio, passando por Sodoma e Gomorra, atravessando séculos e alcançando as nações de Canaã, para atingir seu ápice no Juízo determinado pelo Pai a ocorrer a seu tempo.
- Sabes, ó estrela apagada, que Eu deixei minha paz em meio às aflições que ensejaste. Não a paz que o mundo oferece, mas a paz eterna, real, espiritual e interior.
- Ó perturbador das nações, acusador, destruidor e horrendo dragão, tu sabes que rejeitei aquele acordo de paz que me propuseste há tempos, quando em meu ministério fui por ti tentado a adorar-te em troca dos reinos do mundo! Recusei-o com toda firmeza de caráter e poder que o Pai me concedeu, estando Eu ali como Representante dos homens que seriam salvos.
- Tua paz é falsa, teu acordo é o próprio desacordo, tuas intenções são malignas em toda a sua extensão, tua fome é dirigida à carne e à alma daqueles que criei para meu louvor e glória. Celebrar paz com o diabo seria negar o próprio caráter justo, reto, puro, santo e bom d'Aquele que criou todas as coisas, nos Céus e na Terra, e que tem em Suas mãos todo conhecimento, domínio e poder.
- Sai correndo, Satanás! Arreda! Afasta-te de mim! Vai sem nenhuma paz, como lhe é natural! Está escrito que em perfeita paz será conservada a mente daquele que está firme em Deus, porque confia em Deus. Esta é a paz verdadeira. Sai daqui, disseminador e objeto final de toda maldição!
Recusada a proposta de acordo, sairia o diabo sem proferir palavra, sem vergonha, com o mesmo cinismo de antes. Ele sabe que sua proposta foi aceita por um sem-número de pessoas ao longo da História, como agora: pessoas que vivem uma falsa paz, de prazeres enganosos e glórias cujo fim é a destruição. Ele sabe que levará consigo, para o mundo de trevas abissais, aqueles que, em troca da paz diabólica, recebem nesta vida a mais completa ausência de Deus.

domingo, 21 de agosto de 2016

O PERFIL DO PROFESSOR DE ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

Ev. Alex Esteves da Rocha Sousa


serão todos ensinados por Deus” (Jo 6.45).


Quais as características e competências que se deve esperar de um professor de escola bíblica dominical? Segue o esboço de uma apresentação que fiz na Assembleia de Deus em Bela Vista do Lobato (Salvador/BA), com a presença de irmãos de diversas congregações do Setor. Aqueles que ouviram a palestra certamente recordarão do que foi dito assim que lerem os tópicos, mas imagino que o esboço pode ser útil a qualquer interessado.

O professor de escola dominical:

1. Deve ser crente em Jesus Cristo (Jo 3.7).

2. Deve ser vocacionado e capacitado por Deus (Rm 12.7).

3. Não precisa ser um mestre/doutor (Ef 4.11,12), mas deve estar disposto a aprender com os mestres/doutores.

4. Deve ser mais que professor – deve ser um educador/ensinador cristão (Mt 28.19,20).

5. Deve ser ortodoxo – bem doutrinado (II Tm 2.2).

6. Deve ser um “facilitador da aprendizagem” (Carl Rogers).

7. Deve fixar objetivos.

8. Não deve gastar tempo contando testemunhos pessoais ou ilustrações.

9. Deve ler a lição.

10. Deve preparar a aula, com um plano de aula redigido se isto o auxiliar.

11. Deve reconhecer que o elemento que mais atrai a atenção dos alunos (principalmente jovens e adultos) é a percepção de que estão aprendendo de fato.

12. Deve empregar o método mais adequado para a classe e o conteúdo.

13. Deve seguir o exemplo pedagógico do Mestre Jesus.

14. Deve estar disposto a aprender sempre.

15. Deve ser humilde para reconhecer o que ainda não sabe.

16. Deve exercer liderança positiva.

17. Não deve ensejar polêmicas ou revoltas.



Os alunos tendem a deixar classes em que as aulas são “improdutivas, monótonas ou desinteressantes” (as palavras entre aspas são de Marcos Tuler no livro Abordagens e Práticas da Pedagogia Cristã - CPAD).






sábado, 13 de agosto de 2016

ESBOÇO PARA MESA-REDONDA SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO*

CIÊNCIA X RELIGIÃO

Ev. Alex Esteves da Rocha Sousa

Correlações:
Dicotomia Razão x Fé.
Dicotomia Estado x Igreja.


I Tm 6.20.

Ó, Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vão e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência”.

Depósito.
A tradição cristã recebida. O repertório cristão. As Escrituras Sagradas. Os princípios e valores cristãos. A cosmovisão cristã.

Clamores vãos e profanos. Oposições.
Inutilidades retóricas. Argumentos alienados de Deus. Disputas meramente ideológicas.

Falsamente chamada ciência.
  • Se existe a falsa ciência, existe a verdadeira.
  • Paulo não anula o valor da ciência. Antes, exalta a ciência verdadeira.
  • Embora não tivesse em mente a ciência moderna, a declaração de Paulo estende-se a todo conhecimento humano organizado, o que inclui a ciência e a filosofia.

Considerações gerais.
  • A falsamente chamada ciência é abundante nas Ciências Humanas, mas também se verifica nas Ciências Exatas e nas Ciências Naturais. Ex: houve fraude comprovada no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU.
  • Um experimento científico pode ser manipulado para que os resultados confirmem a hipótese científica. A interpretação pode ser orientada ideologicamente ou por má-fé.
  • Certas teorias científicas não plenamente comprovadas são erigidas à categoria de teorias comprovadas por razões ideológicas. Ex.: Darwinismo, Evolucionismo darwinista. Afastar as noções de Deus e de eternidade é importante para o Homem materialista, secularista e descrente.
  • A imprensa não especializada promove hipóteses científicas não confirmadas como se fossem teorias comprovadas.
  • A ciência pode ser neutra, mas o cientista, não.
  • Projetos científicos são financiados em detrimento de outros.

Nas Ciências Humanas.
  • Nas Ciências Humanas a promoção da falsa ciência é acentuada.
  • Ideologias. Utopias.
  • Racionalismo. Materialismo. Naturalismo. Comunismo. Socialismo. Feminismo. Abortismo. Agenda gay. Ideologia de Gênero. Ecologismo (biocentrismo). Racialismo. Vitimização (coitadismo).
  • Marxismo cultural. Gramcismo.
  • No Direito. Direito Alternativo. Direito Achado na Rua. Abolicionismo penal. Visão marxista do direito como “superestrutura”.
  • Existe muita política na falsamente chamada ciência.
  • As cátedras universitárias também são contaminadas por vaidades e corporações em torno de interesses não acadêmicos.
  • Setores da sociedade são tomados como “aparelhos” (apparatchik) a serviço de um projeto político-ideológico e estratégico. Universidades. Centros acadêmicos. Movimento estudantil. Colegiados.
  • Conhecimento x poder.

Na teologia.
  • Liberalismo Teológico. Teologia da Libertação. Teologia da Missão Integral. Teologia Negra. Teologia Feminina.
  • Teologias “de esquerda”.
  • Perigos em seminários e faculdade de teologia.
Cosmovisão.
  • Weltanschauung.
  • Cosmovisão (crenças, valores, princípios, medos, preconceitos, superstições, tradições, costumes, senso comum, educação familiar, cultura, religião, leituras, educação formal).

Modernismo e Pós-modernidade.
Racionalismo x relativismo.
Antropocentrismo (humanismo) x subjetivismo.
Busca de certezas x exaltação da dúvida.
Ideal de um futuro promissor x hedonismo.
Aversão à religião x religiosidade sem religião.
Individualismo x pluralismo.
Cientificismo x pragmatismo.
Valores civilizacionais x multiculturalismo.




Qual deve ser o perfil do cristão no debate público?
  • Saber que existe verdade absoluta.
  • Ter a Bíblia como parâmetro.
  • Ter convicções sólidas.
  • Não tentar conciliar a Bíblia com “achados” científicos.
  • Saber que tolerância não é anuência.
  • Conhecer as diferentes cosmovisões.
  • Demonstrar dedicação e seriedade em tudo o que faz.
  • Saber que entusiasmo não é suficiente.
  • Pesquisar uma bibliografia teologicamente ortodoxa, politicamente conservadora e moralmente saudável.

Mais:
  • II Co 10.4,5.
  • Até os animais podem ter dúvidas intelectuais primitivas. Mas somente o Homem possui entendimento (cf. John Stott).
  • A ideologia do “não julgueis”.
  • A Queda e a árvore ética.
*Preparei este esboço para me orientar no evento Ciência x Religião, organizado pelo Departamento de Adolescentes da Assembleia de Deus de Salvador (DEPAD/ADESAL), ocorrido na Assembleia de Deus na Paralela, no dia 12 de agosto de 2016, à noite. Não falei tudo isso, mas uma boa parte.




sábado, 28 de maio de 2016

AS FINANÇAS E O RELACIONAMENTO CONJUGAL*


Ev. Alex Esteves da Rocha Sousa

O QUE DIZEM AS PESQUISAS:
Problemas financeiros constituem a principal causa de divórcio (Kansas State University, 2014).
Entre 2009 e 2015, 56% dos divórcios no Reino Unido foram causados por problemas financeiros (pesquisa com 3 mil pessoas).
29% das pessoas descobriram que seu parceiro tinha contraído, em segredo, uma dívida de cartão de crédito.
É nas épocas de crise que as chances de divórcio aumentam (pesquisa da Universidade de Warwick, Inglaterra, com 6 mil casais).
Professor Andrew Oswald, responsável pela pesquisa: não é a redução da renda que provoca o divórcio, mas a frustração das expectativas.
Ainda segundo esse estudo britânico, quanto maior a renda do homem, maior a chance de o casal ficar junto: homens que ganham 20% a mais que suas companheiras são 46% menos propensos a se divorciarem do que aqueles que ganham 20% a menos.

ATITUDES PREJUDICIAIS:
1. Não revelar o salário real;
2. Esconder investimentos financeiros;
3. Inventar uma doença para evitar gastos extras;
4. Omitir dívidas contraídas;
5. Inventar preços de produtos comprados;
6. Criar desculpas para usar o cartão de crédito do outro.

Mt 6.19-34.
Prioridade (19-21);
Motivação (22,23);
Exclusividade (24);
Confiança (25-32);
Espiritualidade e ética (33, 34).

VALORES CRISTÃOS:
Honestidade.
Transparência.
Diálogo.
Simplicidade.
Contentamento.

A RESPONSABILIDADE DA IGREJA:
Ocupar-se de missões;
Entregar dízimos e ofertas;
Cuidar dos necessitados.

SUGESTÕES PRÁTICAS:
1. Saiba o que seu cônjuge pensa sobre o dinheiro;
2. Converse com o seu cônjuge sobre dinheiro;
3. Não guarde segredos financeiros do seu cônjuge;
4. Tenha planos financeiros para o curto, médio e longo prazos. Eleja prioridades e estabeleça metas;
5. Coloque as contas na ponta do lápis;
6. Fale sobre seu passado financeiro com o seu cônjuge;
7. Não deixe que as diferenças em relação ao uso do dinheiro desgastem o relacionamento;
8. Discuta seus medos em relação ao dinheiro;
9. Divida as responsabilidades financeiras com o seu cônjuge;
10. Discuta suas atitudes em relação às finanças;
11. Jamais gaste sem o acordo de seu parceiro;
12. Estabeleça um limite financeiro para algumas extravagâncias;
13. Cuidado com gastos ou compras imprudentes;
14. Cuidado com o cartão de créditos e os empréstimos;
15. Crie um bom histórico financeiro.
16. Tenha sempre uma reserva para as vacas magras (consultores financeiros da Experian sugerem que se forme uma reserva de 3 a 6 meses de salário para eventos inesperados).


Fontes:
http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2015/06/falta-de-dialogo-sobre-financas-pode-causar-divorcio-diz-pesquisa.html

*Palestra ministrada no Seminário da Família, na Assembleia de Deus na Pituba (Salvador/BA), no dia 28 de maio de 2016.




sábado, 23 de abril de 2016

Todo "direitista" é militarista?



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A pergunta-título pode parecer tola para quem conhece um pouco de teoria política, mas me parece necessária nestes tempos de confusão. Num contexto de aumento dos críticos e fortalecimento das críticas ao governo petista, surge uma onda de simpatia à direita, mas que às vezes se aproxima perigosamente de apreço pela ditadura militar ou até mesmo pela tortura como forma de combate ao socialismo/comunismo. De outro lado, os socialistas e esquerdistas em geral são levados a confundir direita com militarismo. Ambas as posições, porém, estão erradas!
O militarismo pode ser uma tendência tida por "de direita" por sua adesão às ideias de ordem, estabilidade, força e emprego das Forças Armadas e Forças Policiais como agentes políticos, mas anda muito distante do liberalismo, do conservadorismo e do liberal-conservadorismo. Mais do que isso, o militarismo, por ser uma ideologia, não apetece em nada aos conservadores, avessos que são a qualquer tipo de ideologia, à esquerda e à direita.
Se eu não estiver enganado, o militarismo se parece com o positivismo, já que este entende a (boa) sociedade como sendo necessariamente estruturada de modo rígido e funcional, em busca da ordem para o progresso.
Para ser contra a esquerda não é preciso ser militarista nem positivista - assim como não é preciso ser monarquista, "olavista" nem "bolsonarista". Para ser contra a esquerda existem boas opções, que estão entre o liberalismo e o conservadorismo.
Vale dizer que conservadorismo nada tem que ver com reacionarismo: o conservador olha para o passado buscando preservar tradições, crenças, valores e instituições aprovados pelo tempo; o reacionário, por sua vez, olha para o passado buscando preservar... o passado.
Creio que muita genta boa, no desejo de não ser esquerdista, acaba caindo no conto militarista, por suposta falta de opção. Mas é possível conhecer o mundo de uma perspectiva que não se paute pela força como instrumento de legitimidade política.

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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.