quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

"Deus é amor" x "O amor é Deus"

Espiritualistas e religiosos sem religião (!) gostam de valorizar o amor de um deus impessoal, um Ser Superior magnânimo que preenche a Natureza, que a todos perdoa, e que estimula a caridade e a paz mundial. Esses deus impessoal é atraente por não exigir compromissos institucionais nem sacrifícios radicais, mas atitudes de benevolência e cuidado, muitas vezes traduzidas em esmola. Esse mesmo pessoal baseia suas ideias em seus próprios sentimentos e desejos, mas com o pretexto de adotar o Evangelho e outras passagens bíblicas, como I Jo 4.8, em que está escrito "Deus é amor".
O versículo inteiro de I Jo 4.8 diz: "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor". Em seu manifesto contra os hereges gnósticos, o apóstolo João estava a ensinar a integridade da vida cristã, que não sobreleva as necessidades de um espírito superior em detrimento das demandas do mundo físico, afetivo e relacional. Espírito e carne (corpo) foram criados por Deus e são bons, diferentemente do que ensinavam os gnósticos, para os quais o espírito era intrinsecamente bom, celestial, superior, e a carne, inerentemente má, terrena, inferior. Tudo provém de Deus, exceto o pecado. Ora, se Deus é amor, sendo o amor um de Seus atributos, aquele que O confessa não pode odiar o próximo.
Muito distante disso é endeusar os próprios sentimentos, criando, pois, um deus à sua imagem e semelhança. "Deus é amor" difere de "o amor é Deus". Deus, um Ser pessoal, tem como um de Seus atributos o amor, mas a esta virtude se associam a justiça, a santidade, a retidão, a paciência, a misericórdia, a graça, a benignidade, a bondade, a perfeição, a infinitude, o poder, a sabedoria, a ciência.
Corremos o risco - e estou a incluir, sem dúvida, os cristãos - de divinizar sentimentos e desejos, chamando-os de "o Deus da Bíblia", quando o Deus que Se relevou nas Sagradas Escrituras é infinitamente superior a essas idiossincrasias do pobre ser humano. Deus quer ser conhecido, sim, e pode ser conhecido, mas de acordo com aquilo que Ele mesmo nos concedeu - a Sua Palavra.

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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.