Certa vez minha esposa proferiu uma frase que considerei muito interessante, sendo mais ou menos assim: "Parece que tem pessoas que exercem o ministério da crítica". Ela tem razão: existem pessoas que constroem carreira à base de criticar opiniões e posturas alheias, mas sem fornecer uma contribuição positiva ao mundo.
Ela não estava se referindo aos críticos de cinema, de música nem de literatura - embora haja quem defenda a tese de que um crítico é um artista frustrado...Mas, pelo que lembro, ela se referiu aos crentes que vivem de criticar, e só.
Considerando alguns comentários que recebi por causa deste "blog", e que menciono no texto "Minha vida de blogueiro", fiquei pensando se eu sou um membro do tal "ministério da crítica", se estou baseando meu trabalho cristão na crítica aos outros, sem fazer nada - porque essa é uma acusação que já me fizeram aqui.
Por causa de comentários dessa natureza, já fiz outros textos neste "blog", ou comentários a comentários de leitores. Tenho por objetivo neste "blog" mostrar que a fé cristã tem que ver com raciocínio; que devemos ser como os crentes de Beréia, analisando tudo o que se nos é apresentado(At 17.11); que não podemos aceitar tudo o que se diz "evangélico" só porque alguém disse que é bom; que minha cabeça foi feita para funcionar; que profetas e apóstolos enfrentaram duramente heresias e heréticos, como falsos profetas e falsos apóstolos; que é necessário conhecermos as doutrinas fundamentais da Fé Cristã; que devemos nos afastar de influências como o Gnosticismo, Esoterismo e Religiões Orientais, que andam se apossando até mesmo de mentes de cristãos históricos!
Entendo que a redação destes textos é importante, mas não exclusiva. Há muitas outras vozes ortodoxas, e bem mais fundamentadas do que a minha. Apenas creio que cada um deve cumprir o seu chamado. Se eu fui chamado para ensinar, escrevendo ou falando, e se estou vendo que heresias e modismos têm marcado o suposto "crescimento evangélico" no Brasil, por que irei me calar? Não, eu não me calo, e nem por isso devo ser considerado o último dos profetas, um pequeno messias, um herói incompreendido. Sou cristão histórico e pronto, com o adjetivo de pentecostal porque sou membro da Assembléia de Deus. Mas não exerço pura e simplesmente a pena contundente da crítica, já que escrevo sobre doutrinas e textos bíblicos também.
O que acontece é que hoje está-se criando um abismo entre os evangélicos históricos e os evangélicos das diversas ondas que o Bispo Robinson Cavalcanti tem chamado acertadamente de grupos "pseudopentecostais". Somos muito diferentes mesmo! E depois querem que eu não critique?
Veja só como não posso aderir a esse "oba-oba" de certas igrejas e comunidades tupiniquins ou importadas:
a) Não creio em direitos em face de Deus: tudo que tenho e sou decorre da Graça. Por isso não posso reivindicar nada diante de meu SENHOR, tampouco exigir restituição, determinar, decretar, tomar posse, visualizar a bênção;
b) Não creio que a igreja deva priorizar templos suntuosos, mas as pessoas;
c) Entendo que o novo nascimento é algo que deve ser ensinado com insistência, assim como todas as doutrinas fundamentais do Evangelho de Cristo;
d) Estou certo de que a Revelação cessou, estando plenamente contida no Antigo e Novo Testamento;
e) Estou certo de que o Novo Testamento é espelho e cumprimento do Antigo;
f) Não me emociono com pregações sensacionalistas, de auto-ajuda, teatrais e alegóricas;
g) Estudo a Bíblia usando a cabeça e a fé;
h) Valorizo a teologia porque estudar não é pecado, mas ferramenta dada pelo próprio Deus para o conhecimento e edificação;
g) Entendo que não posso ser medido pelo que faço ou deixo de fazer, mas pelo fruto, que é questão de caráter;
h) Tenho total desconfiança de projetos eclesiásticos erigidos sobre líderes centralizadores;
i) Corro de alianças entre igrejas e políticos, e tenho profunda tristeza quanto aos políticos que se aproveitam de serem evangélicos;
j) Não aceito de modo nenhum a confissão positiva porque ela é de origem pagã, hindu;
l) Não me satisfaço com argumentos do tipo: "Você pensa assim porque não crê". E respondo: "Você crê assim porque não pensa".
m) Tenho convicção de que a Bíblia não pode ser interpretada como uma colcha de retalhos, um baú de talismãs, uma caixinha de promessas - a Bíblia tem princípios, histórias concatenadas, normas de conduta, critérios intrínsecos de interpretação, não podendo ser lida ao bel-talante do individuo;
n) O fato de eu não ser pastor não me impede de escrever isso, pois sou sacerdote. Se não sabe por quê, leia I Pe 2.9;
o) Finalmente, tenho liberdade para escrever o que penso porque sou independente. Sou membro de igreja, que frequento regularmente, sou até professor de escola dominical, mas minha independência mora em minha consciência, e é por isso que sou um homem livre.
Agora, eventual leitor, se você ainda supõe que não contribuo para o Reino de Deus, devo entender que você precisa conhecer ainda os rudimentos da Fé, que aqui procuro defender, enquanto muitos desconhecem e distorcem.
E, por fim, devo dizer que existem muitos dons, mas não o de criar e ensinar heresias, assim como não existe na Bíblia o ministério da crítica. O que existe é a necessidade de obedecer à Palavra de Deus, porque Jesus Cristo, enfim, é a Palavra (Jo 1.1-3).
Luz na Política
Há 5 semanas