sábado, 19 de abril de 2014

Fogo!

Vi uma fogueira queimando o Judas, e outra queimando um ônibus. Usa-se o fogo para muita coisa nesta vida. 
O povo tem uma vaga lembrança de que Judas foi o que traiu Jesus, mas, quanto ao ônibus..., ele não fez nada. Estava no lugar errado, na hora errada. O nome de Judas passou a ser tão negativo que até o outro Judas, escritor do Livro bíblico, precisa se apresentar com cuidado: "Eu sou o Judas irmão de Tiago, irmão do SENHOR. Aquele outro Judas já morreu". A seu turno, o ônibus, nome bonito do latim e que significa "para todos", acaba consumido na fogueira da insensatez. É para todos mesmo: para todos os que quiserem incendiá-lo.
Prossegue a fogueira das vaidades: queima-se a bandeira dos Estados Unidos, queima-se a mata, queima-se a praça, queima-se o patrimônio de todo mundo. Resolve-se com o fogo destruidor o que o fogo da Razão não pode iluminar, tamanha a escuridão que devassa por toda parte [protestando contra a Reforma Ortográfica, aqui o verbo "poder" está no pretérito perfeito].
O fogo que hoje destroi é a metáfora da nossa (in)civilização. Queimar é mais fácil do que construir. Séculos vão embora na fumaça cinzenta. Justamente o fogo que poderia simbolizar a luz da Razão, o poder do Espírito, a purificação dos pecados! Numa sociedade em trevas tenebrosas, o fogo não pode representar coisa boa. É só destruição, na antidemocrática ideia de que se pode libertar o Homem pela violência pura e simples.
Fogo! Os repórteres clamam. Fogo! Os bombeiros correm atônitos. Fogo! Os jovens pobres protestam. Fogo! Os pobres jovens protestam. Fogo! O amarelo avermelhado consome a nossa história.


 

Um homem do sistema e um "guerrilheiro" no Colégio Apostólico

Ali estavam eles no mesmo grupo: Mateus, o cobrador de impostos que enriquecera arrecadando dinheiro dos seus próprios irmãos para enviá-lo ao Império Romano; e Simão, o Zelote, ou Simão Cananita, que integrava uma facção política desejosa de derrubar o domínio romano por meio das armas.
Dois homens de lados opostos na trama política da Palestina, Mateus e Simão foram chamados por Jesus Cristo para fazerem parte de Seu círculo mais íntimo de discípulos, aquele que seria conhecido como "o Colégio Apostólico", ou simplesmente "os Doze". Como será que conviviam? Conversavam sobre política? Respeitavam-se? Mantinham ideias da época pretérita?
Os cobradores de impostos ou "publicanos" não eram benquistos na sociedade judaica, como se vê da história de Zaqueu. Eram tido como traidores da Pátria e corruptos. Hoje seriam chamados de "entreguistas" e "reacionários", talvez até "conservadores", "elite" e "aproveitadores". Mereciam destaque dentre os marginalizados, a ponto de se adotar a expressão "publicanos e pecadores" para aludir àqueles que não observavam a Lei. Realmente, os publicanos não eram cidadãos acolhidos nas melhores casas de família judias. Mateus, também chamado de Levi, era um desses homens importantes e ao mesmo tempo socialmente reprovados, mas no seu caso parece que o problema residia tão somente em sua condição profissional. Não há pelo menos notícia bíblica de que Mateus fosse corrupto, diferentemente de Zaqueu.
Já Simão Cananita era uma espécie de "guerrilheiro". Você ri de sua ambição de vencer o Império Romano? De fato, parece uma quimera, uma utopia, mas houve mesmo esse grupo com anseios "revolucionários". Além dos cananitas havia outros grupos politicamente definidos, como os herodianos, que se aliaram à Dinastia de Herodes; e os fariseus, partido político-religioso contrário à influência helenista e crente na vinda de um messias político, que libertaria Israel do opressor estrangeiro. Simão, pelo jeito, preferiu a luta armada.
Gostaria imensamente de saber se Mateus e Simão chegaram a dialogar sobre sua condição social e preferências políticas. Talvez um dia me falem sobre isso lá nos Céus. Mas, de toda sorte, vejo com alegria a união cristã dos diferentes num grupo tão pequeno. Aqueles homens, independentemente de qualquer coisa, eram crentes em Cristo. Só Jesus pode moldar a visão e o coração do Homem. Nenhuma doutrina política e nenhum estado social têm esse condão.
 

A escatologia marxista

Escatologia, como parte da Teologia Sistemática, é a "doutrina das últimas coisas", e estuda os eventos histórico-redentivos delineados por Deus para o futuro da Humanidade. Há correntes distintas: milenistas e amilenistas, dividindo-se os milenistas em pré-milenistas (históricos ou dispensacionalistas) e pós-milenistas, sendo que os pré-milenistas são pré-tribulacionistas, mesotribulacionistas ou pós-tribulacionistas. Ufa! Na Teologia Reformada a Escatologia possui um caráter mais voltado aos eventos iniciados com a Primeira Vinda de Cristo. De toda maneira, é dentro da Escatologia que se estudam temas como a Segunda Vinda de Cristo; o Arrebatamento da Igreja; a Grande Tribulação; as Bodas do Cordeiro; o Tribunal de Cristo; o Anticristo, a Besta e o Falso Profeta; a aplicação de textos "apocalípticos" de Daniel, Ezequiel, Joel e do próprio Apocalipse, o Último Adão, além da tensão entre o e o Ainda Não, sobre o qual John Stott escreveu tão bem.
Ocorre que a esquerda também tem a sua "escatologia! O marxismo inventou sua doutrina das últimas coisas com a promessa de que o esgotamento do Capitalismo conduziria à estatização da economia, à ditadura do proletariado, ao desaparecimento do Estado e à extinção da luta de classes. Ora, meu caro, isso é escatologia pura, só que fundamentada nas ideias de Karl Marx, e não na revelação divina.
Marx, com o seu materialismo dialético, "profetizou" como os eventos econômicos implicarão numa mudança total das estruturas políticas internacionais. Que figura! O homem sem religião vaticina mundos e fundos e pretende que eu acredite? Não é preciso fé para adotar uma teoria política como essa?

Lugar nenhum

Utopia, do Grego, significa literalmente "não-lugar" - é o lugar nenhum, o lugar que não existe. É para esse lugar que os esquerdistas querem te levar.
O paraíso na Terra, a sociedade sem classes, o "outro mundo possível", o sonho que não acabou... Essas promessas são repetidas pela esquerda universal, distribuída em diferentes grupos: socialistas, comunistas, social-democratas, democratas norte-americanos, além da nova esquerda. 
De maneira geral, o esquerdista crê - uso a palavra propositalmente - na possibilidade de um mundo melhor porque pressupõe a pureza inata do Homem, à moda de Rousseau. Esse mito do "bom selvagem" conduz à leniência com a criminalidade, ao assistencialismo, à política indigenista que trata os indígenas como coitados, e, enfim, à ideia de que o Estado deve resolver a desigualdade social por meio de intervenção econômica e distribuição artificial de renda.
A esquerda tem uma proposta de vida quase religiosa, mas sem religião (Russell Kirk escreveu sobre isso em A Política da Prudência, um livro muito bom para quem deseja conhecer o verdadeiro Conservadorismo). Desiludidos com a religião, considerada "o ópio do povo", muitos desencantados com a vida passam a buscar novos dogmas, mas agora arraigados na matéria e desprovidos do Céu. O céu deles é aqui, assim como o inferno.
É curioso que muitos esquerdistas sejam religiosos. Esses conseguem misturar sua religião espiritual à religião política. São os adeptos da Teologia da Libertação, com a sua hermenêutica bíblica marxista; são os prosélitos da Teologia da Missão Integral, irmã protestante da Teologia da Libertação; são os padres vermelhos; são os pastores do Liberalismo Teológico com matiz social. Além do Paraíso Celestial, eles querem o paraíso político de sua mui estranha escatologia.
Mas as coisas não existem só porque você pensa que existem. Os utópicos, que enchem de alegria os corações juvenis dos fóruns sociais mundiais, das manifestações de junho e das invasões de reitoria irão para lugar nenhum, e arrastarão consigo os que conseguirem cair em seu conto do vigário.

 


terça-feira, 1 de abril de 2014

Pessoal, vamos com calma: Direita é uma coisa, extrema direita é outra!

Há um pessoal legitimamente indignado com o desgoverno petista e com a possibilidade de "venezuelização" do Brasil, mas que tem optado por defender a volta dos militares ao poder. Tenho lido inúmeros comentários de internautas, em diversos sítios eletrônicos, no sentido de que somente os militares resolveriam os problemas do nosso País. O pior é que muita gente tem associado a Direita a regimes militares, em parte por causa da doutrinação esquerdista nas escolas, onde se ensinava a equação Direita = Ditadura.
Vamos cuidar de afastar essas impropriedades. Há que se defender a Direira liberal e democrática, e não os extremismos. 
Olavo de Carvalho disse com acerto que a diferença entre Esquerda e Extrema Esquerda é de grau, mas a diferença entre Direita e Extrema Direita é de natureza. Exagere as bandeiras da Esquerda e terá autoritarismo, totalitarismo, império do politicamente correto, morte do próximo para salvar a Humanidade; amplie as bandeiras da Direita e terá maior liberdade. A chamada "Extrema Direita" não é uma ampliação de liberdades fundamentais, mas o seu contrário.
Eu sou conservador e de direita, e não sou reacionário, autoritário nem obscurantista. Defendo o bom senso, a razão, os princípios gerais de Direito, o Estado de Direito, o respeito ao próximo, a democracia, a liberdade. O conservador não deseja conservar o mal, mas as tradições, instituições, convenções e princípios da Civilização, diferentemente do esquerdista, que é iconoclasta e crítico por dever de ofício.
A Direita precisa ser conhecida no Brasil, e ela é democrática. Vamos conversar com Russell Kirk, com Alexis de Tocqueville, com Winston Churcill, com Margaret Thatcher! Vamos ouvi-los.


 

 

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.