segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que venceu nesta eleição?

Dilma Rousseff, a ungida de Lula, foi eleita presidente da República. Houve uma dianteira de cerca de 12 pontos, menor que as vitórias de seu mestre em 2002 e 2006; e menor também que a avassaladora e inebriante - para alguns - popularidade do torneiro mecânico-sindicalista-palanqueiro. Isso mostra que nem todo mundo que aprova Lula caiu em sua conversa. E mostra, ainda, que existem cerca de 43 milhões de pessoas para as quais o uso da máquina pública, da mistificação, da idolatria lulista e da república sindical não fez efeito - não quero dizer que todo mundo que votou em Dilma se deixou levar por isso , mas que aqueles que não votaram com certeza não se deixaram levar!
Fiquei triste, confesso. Nos últimos meses, acompanhei cada passo da campanha eleitoral. Lia jornais todos os dias. Cheguei a escrever aqui no blog, que, como registrado no topo, tem seu espaço dedicado à teologia, política, cultura e generalidades. Dialoguei com amigos, colegas de trabalho, irmãos da igreja. Admito ter me excedido em alguns momentos, algo que meus amigos bem compreenderam. Política faz isso com a gente. Além de meu próprio temperamento, creio que isso pode ser explicado com a grande indignação que sinto em meu coração. Grande indignação de verdade.
O que venceu no dia 31 de outubro? Dirão os petistas e simpatizantes que venceu a mulher, que venceu a inclusão social, que venceu o brio diante das grandes potências, que venceu a figura imbatível do Lula, que venceu o consumo, que venceu o crédito, que venceu o "projeto" de manutenção do patrimônio público nacional. Pode ser, mas não foi só isso.
Venceu também o uso descarado da máquina pública, das estatais, das viagens e palanques oficiais, do dinheiro investido em rádios, blogs, jornais e revistas aliadas. Venceu a revisão histórica, que atribuiu a Lula tudo o que há de bom e a FHC tudo o que há de ruim; venceu a mentira, a hipocrisia, o engano, a bajulação, a corrupção, a formação de grandes conglomerados empresariais com financiamento público, a elaboração de dossiês, a quebra de sigilos fiscais de adversários políticos. Venceu a aliança desmesurada com as mesmas oligarquias de sempre, e que contam com os Sarney do Maranhão, com os Collors e Calheiros das Alagoas, com Jader Barbalho do Pará. Venceu a violação diuturna da Constituição e das leis. Venceu a candidata do presidente que chamou a Vice-Procuradora-Geral Eleitoral, Dra. Sandra Cureau, de "uma procuradora qualquer", só porque ela cumpria a sua função institucional - e como é necessário que outros a imitem!!! Venceu o compadrio, o rolo compressor do bolsa-família, dos benefícios financeiros federais. Venceu o que há de mais sórdido na política brasileira, como diz Lula, "há 500 anos". Venceu uma imprensa chapa-branca, que vai além da Record e da TV Brasil, para alcançar alguns jornalistas como o sr. Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo. Enfim, remanesce no Brasil o mesmo patrimonialismo de todos os tempos. Apenas os atores mudaram.
Quem governará com Dilma? Os sindicalistas do ABC, os oligarcas, os empresários beneficiados pelo BNDES, o MST, os petistas infiltrados no Estado, o mesmo pessoal dos dossiês. São esses os apoiadores de Dilma, com José Dirceu nos bastidores do partido e da militânca e Antonio Palocci para acalmar os fantasmas do mercado - aquele mesmo que o STF considerou não ser comprovadamente o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Sempre que penso nessa vitória abusiva, lembro de governadores estaduais que perderam seus mandatos por decisão do TSE, por abuso econômico ou abuso político. Certamente os ilustres e elevados ministros do TSE quererão nos convencer de que aquele senhor do Maranhão, o pedetista Jackson Lago, tinha que perder o mandato por abuso de poder político, por ter, entre outras coisas, aproveitado eleitoralmente um palanque oficial do governador José Reinaldo Tavares a fim de influenciar o voto de poucas centenas de pessoas em Caxias. Isso deve ter sido muito pior do que o desmedido uso da máquina pública federal por Lula e Dilma, que não devem ter influenciado milhões de brasileiros de jeito nenhum. Vai ver também Cássio Cunha Lima (PSDB/PB) e Marcelo Miranda (PMDB/TO) mereceram perder os mandatos, mas deve haver alguma lógica jurídica - epa, essa é minha área! - que explique isso aí. Deve haver.
Por fim, este é apenas o desabafo de um eleitor e cidadão brasileiro que não é filiado a nenhum partido político, mas que em alguns momentos nesta eleição chegou a pensar que somente uma filiação partidária lhe daria voz um dia...Em pensar que esses nossos políticos de oposição preferiram elogiar o chefe de Dilma, quando poderiam ecoar consistentemente o sentimento de milhões de brasileiros que não se abaixam a Lula, ainda que ele goze de 200% de aprovação cósmica.

4 comentários:

Emanoel disse...

Meu amigo Alex Esteves! É com muita alegria que faço um comentário ao seu texto " O que venceu nesta eleição?". Pela primeira vez na vida tive vontade de não votar em ninguém. Isso se deve ao fato de eu andar muito triste com a imensa maioria dos políticos brasileiros. A propósito, não coloquei um adesivo se quer no meu carro e até a estrelinha que me acompanhava desde o ano de 1989, não me sentir à vontade para estampá-la no peito este ano. No entanto, não sou de votar em branco ou nulo (ficar em cima do muro não é o meu forte) e por conta disso, dei meu voto ao Presidente LULA (quem votou em Dilma, votou em LULA)com a esperança de que as mulheres sejam mais valorizadas neste Brasil machista e perconceituoso. Quero encerrar dizendo que me sinto muito honrado em tê-lo como meu amigo e que o seu texto nos remete a uma reflexão profunda acerca da falta de ética, não só na política, como também nos diversos segmentos da nossa sociedade. Saudações alagoinheses! Emanoel Bitencourt.

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Ô, Bitencourt,

que prazer e honra ter um comentário seu neste blog! Tenho saudades de você!
Sua opinião enriquece a nossa reflexão porque mostra os caminhos de sua escolha eleitoral, o que é muito útil para a democracia. Nem sempre as pessoas sabem divergir com respeito ao outro, mas é possível discordar sem ofender, e ver que a conversa democrática inevitavelmente traz benefícios.
Que Deus nos ajude.
Saudações alagoinhenses para você também, e toda a sua família!
Alex.

claudiopimenta disse...

Muito bom levando em conta os 46 milhoes que ficaram com serra ainda temos uns 30 milhoes que nao votaram e os nao eleitores ou seja os que nao tem titulo de eleitor


aqui no ceara vi em diversas cidades o pt e seus alidados usarem de todos os meios que antes condenavam para elegerem sua dilma

igrejas , compras de votos , tudo mesmo

por isso marina ou tiririca (ironic) para presidente em 2014

claudiopimenta disse...

Mas falando serio sem brincadeiras mesmo


infelizmente independetnemente de quem ganha-se se serra, dilma ,marina , o papa ou um pastor

quem governa esse mundo e seu sujo sitema politico e o satanas o principe deste mundo

o mundo jaz no maligno

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