terça-feira, 3 de novembro de 2009

Marcha para Jesus – mas, que Jesus?

A imprensa tem dado notícias sobra a Marcha para Jesus, ocorrida ontem, dia 02 de novembro de 2009, em São Paulo-SP. Fala-se, por exemplo, do cálculo de participação, feito pela Polícia Militar, dando conta de que um milhão de pessoas teriam ido ao evento; do tema, que era a derrubada de “gigantes”; dos coordenadores ESTEVAM e SONIA HERNANDES, recentemente de volta ao Brasil depois de condenação e prisão domiciliar por entrada ilegal de dólares nos Estados Unidos (havia dólares não declarados dentro da Bíblia, de um porta-CD e de uma mala); do uso da Marcha para limpar a imagem do “apóstolo” e da “bispa”, contra os gigantes da “discriminação” e do “estereótipo”.
Ouvi também uma reportagem na CBN sobre a sujeira que ficou depois, e como estava dando trabalho para limpar. Refiro-me à sujeira enquanto lixo mesmo (nada de figura de linguagem).
Li na Folha de São Paulo de hoje um texto de FERNANDO DE BARROS E SIIVA intitulado A Marcha de Jesus e o Diabo. Ele cita a proximidade entre o casal HERNANDES e a política do presidente LULA, que abona corruptos e se irmana com a Rede Record ao dizer que ambos – ele e a Record – são alvos de preconceito. O próprio senador e bispo licenciado MARCELO CRIVELLA esteve na Marcha e, de acordo com o colunista da Folha, disse expressamente que era preciso revogar a “injúria” e a “calúnia” perpetrados contra os líderes da Renascer em Cristo. O colunista conclui dizendo que, num país em que Judas e Jesus são aliados políticos, falar em legalidade “parece até coisa do diabo”.
Eu teria até motivos para ter vergonha da Marcha para Jesus se ela tivesse algo a ver comigo. Mas não tem. Afirmo que não tem. Como a imprensa tem dito, trata-se de evento coordenado por igrejas neopentecostais, e não sou neopentecostal. Na verdade, esse negócio de “neopentecostal”, como já escrevi aqui mesmo, é um conceito demasiado amplo, que abrange igrejas de todo tipo, muitas delas pseudopentecostais, como num texto de Dom ROBINSON CAVALCANTI, que li na Ultimato há um tempo atrás. Se eles nem são neopentecostais de fato, se nada têm de pentecostais no sentido exato do termo, por que eu vou me preocupar demais com isso?
Até duvido de que o evangelho que eles pregam seja o Evangelho da Cruz. Na realidade, não é. E o Jesus deles não é o SENHOR Jesus Cristo, o Filho de Deus, que renunciou por um pouco à glória celestial para morrer em substituição penal aos pecadores e ressuscitar para garantir a vitória sobre o pecado, a morte e o mal. Esse é o Evangelho, esse é Jesus, em Quem eu creio: o Jesus humilde, manso, justo, amoroso, paciente, sincero, abnegado, e não um Jesus arrogante, corrupto, tolerante com o pecado.
O Jesus da Marcha para Jesus é um cara legal que acredita em maldição hereditária, que sorri para políticos corruptos, que atropela textos bíblicos com interpretações absurdas para dar base a palestras “evangélicas” de auto-ajuda; um Jesus que não se importa com dólares não declarados; um Jesus sem ética ou com uma ética ampla demais ou seletiva.
Ora, prezado (a) leitor (a), você me dirá que a Marcha para Jesus ocorre em todo o Brasil, e que nem todo mundo que dela participa é da Renascer, e que nem todo mundo da Renascer concorda com práticas erradas, e que não se pode generalizar. Veja bem: a partir do momento em que a Marcha para Jesus se torna um slogan, é inevitável a vinculação à imagem do casal HERNANDES, porque o nome do evento funciona como uma espécie de franquia, aconteça onde acontecer.
A sociedade passa a entender que todo mundo que vai à tal Marcha para Jesus concorda com eles, o que ficou ainda mais forte quando o senador MARCELO CRIVELLA apelou para a revogação das denúncias contra o casal como se eles não houvessem sido condenados por ingresso ilegal de dinheiro num país estrangeiro. E, como a imprensa já trabalha naturalmente com generalizações, fica fácil supor que a Marcha para Jesus é um episódio de desagravo de dois praticantes de um crime que foram condenados pela Justiça americana e acusados de vários crimes noticiados pela imprensa brasileira.
O que deveriam fazer, então, o “apóstolo” e a “bispa”? Deveriam pedir perdão em público, e ontem seria um dia estratégico para isso. Todo mundo repercutiria essa notícia. Era preciso aproveitar a oportunidade e pedir perdão pelo pecado cometido. Pedir perdão é uma coisa evangélica. O perdão interrompe o fluxo que vai do pecado ao inferno. Mas, como eles pregam outro evangelho, corro o risco de estar perdendo o meu tempo. Mas tenho para mim que declarar a vontade de Deus nunca é perda de tempo.

4 comentários:

João Armando disse...

Muito bom o texto. É interessante ver que nunca Paulo ou Pedro ou os demais apóstolos fizeram "marchas" nem ensinaram a igreja a fazer isso - mas ordenaram, sim, a que fôssemos SANTOS - por exemplo, Pedro disse, no primeiro capítulo da sua primeira epístola, "pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está "sede santos, porque eu sou santo". Isso sim é o ensino apostólico.

É também notável que o Presidente da República criou um "Dia nacional da Marcha para Jesus" - e, se o mundo a aprova (como o ato presidencial sugere), coisa boa não pode ser. Se pessoas realmente estivessem se convertendo de fato, o mundo não aplaudiria.

Anônimo disse...

belas coloaçoes , lamento profundamente a que ponto chegamos, creio que os reformadores morreriam de vergonha


claudio pimenta


claudiopimenta2007@hotmail.com

Pedrinha disse...

Isso mesmo, a biblia diz: "salve-se quem for santo (ou puder) e deixai o proximo padecer"....CALEM A BOCA FARISEUS..
A marcha para Jesus já está no coração de Deus e ele está nela.
A aprovação do Pres.Lula só veio confirmar o que Deus prometeu a essa nação, "O Brasil será (já é) o maior país evangelico do mundo" e nao conhecido pela parada gay que já está capengando financeiramente...Deus é Fiel

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Pedrinha,

Você precisa melhorar muito os seus argumentos. Primeiro, essa citação supostamente bíblica nada tem que ver com a postagem nem com o que você escreveu depois, e, se tiver, a maneira como você colocou as coisas não faz sentido. Segundo, insinuar que eu sou fariseu porque discordo da Marcha para Jesus como vem sendo feita é uma palavra de quem não tem o que dizer. Terceiro, a aprovação popular do presidente Lula não tem conexão com o fato de haver milhões de pessoas que se dizem "evangélicas" no Brasil. Quarto, para seu conhecimento, a Parada Gay é o terceiro maior movimento do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas do Reveillón e do Carnaval. Se quiser defender seus pontos de vista, precisa pensar mais na propriedade de suas opiniões.

Crescimento numérico, dinheiro e espaço na mídia demonstram a aprovação divina à pregação de uma igreja?

Alguns princípios do editor deste blog

Para você que lê o que escrevo neste espaço, precisamos comunicar alguns princípios:
1) Os estudos, artigos e reflexões teológicas não seguem uma linha de teologia denominacional, mas de estudos pessoais. Eu não fico aqui defendendo a minha denominação, que é outro tipo de abordagem, o qual respeito, mas não pratico neste blog.
2) Não pretendo agradar nem machucar ninguém.
3) Não escrevo manietado por interesses nem pressões. Sigo minha consciência, e penso escrever de acordo com a Bíblia.
4) O que escrevo é o que escrevo. Não estou preocupado se as pessoas interpretam mal ou ficam criando significados diversos daquilo que o texto diz. Minha preocupação é dizer o que penso, e creio que meu Português não seja tão ruim a ponto de dizer algo diferente daquilo que quis dizer.
5) Sou aberto a críticas e respeito opiniões divergentes.
6) Minha intenção não é polemizar, ainda que meus pensamentos possam ser objeto de eventual polêmica.
7) O que escrevo aqui concerne ao trabalho independente de um aprendiz da Teologia, e por isso não estou representando minha denominação - é bom frisar.
8) Se quisermos um rótulo, sou um “pentecostal histórico moderado”: estou começando a entender que a plenitude do Espírito tem dois aspectos - moral (At 6.3; 11.24; Gl 5.22,23; Ef 5.18-21) e carismático (At 2.1-4; 4.31; 6.8) - e que o batismo com o Espírito Santo pode ser evidenciado por outros sinais que não a glossolalia, como o profetizar (At 2.1-4; 8.17; 10.44-47; 19.6). Creio que, de algum modo, os dons espirituais estão relacionados à plenitude do Espírito, mas não consigo compreender que as línguas estranhas sejam sinal sine qua non do batismo com o Espírito Santo. Entendo que o batismo com o Espírito Santo tem o propósito de capacitar a igreja para a evangelização (At 1.8), com o incremento de dons, e não para que se exalte o dom de línguas em detrimento dos demais. Quero destacar, acima de tudo, que nessa questão eu tenho ainda mais perguntas do que respostas, mas sou honesto em admitir isso.
9) Tenho um juízo crítico muito aguçado, e uma pena algo contundente. Se o leitor se assustar com isso, me perdoe.
10) Quanto à escatologia e interpretação do Apocalipse, não adoto a priori nenhuma corrente teológica, mas tão-somente a análise textual, naquela perspectiva da Teologia Bíblica.
11) Por fim, tenho convicção de que o SENHOR me chamou para pregar e para ensinar oralmente ou por escrito. Tenho convicção de que devo militar na área da educação cristã e da teologia. Se isso servir de ajuda, estou apenas tentando cumprir o meu chamado.


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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@yahoo.com.br. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

Você entende que o batismo no Espírito Santo deve ser necessariamente evidenciado por línguas?

Abreviaturas eventualmente utilizadas

ARA - Almeida Revista e Atualizada
ARC - Almeida Revista e Corrigida
BEP - Bíblia de Estudo Pentecostal
BLH - Bíblia na Linguagem de Hoje
EP - Edição Pastoral
NCB - Novo Comentário da Bíblia, O
NVI - Nova Versão Internacional

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Quem sou eu

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Alex Esteves da Rocha Sousa
Baiano, filho de piauienses, esposo de uma paulista e pai de uma mineirinha e de um baianinho. Saí da Bahia em 1996 para estudar Direito na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, onde concluí o curso em 2001. Depois, passei cerca de cinco anos em Sete Lagoas-MG, onde fiz algumas das coisas mais importantes da vida: consegui o primeiro emprego (escrevente do Fórum local), casei, me tornei pai, construí uma casa. Mas, como o Ministério Público da União me chamou a fim de assumir o cargo para o qual fiz concurso em 2004, acabei indo morar em Campo Grande-MS em 31 de dezembro de 2006. Temos sido grandemente abençoados por Deus. Sou assembleiano, fui batizado nas águas em abril de 1992. Professor de Escola Dominical e pregador quando me convidam, aprecio o estudo e a exposição da Bíblia. Um dos sonhos que estava realizando há pouco era cursar Teologia, o que fiz por um tempo na FATHEL - Faculdade Theológica, lugar em que aprendi muito, e que valorizo pela humildade de seus gestores, professores e alunos, bem como pelo caráter não denominacional, mas cristão evangélico acima de tudo. Agora estou de volta à Bahia, e que Deus nos ajude.
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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.