segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O TEMPO DA SALVAÇÃO*

Em Atos 1.8, temos uma espécie de texto-resumo do Livro de Atos dos Apóstolos, que, por sua vez, pode ser denominado “Atos do Espírito Santo”. Trata-se de continuação do Evangelho de Lucas: o assunto em Lucas é o que o SENHOR Jesus começou a fazer e a ensinar. Em Atos o assunto é a expansão da Igreja no poder do Espírito. Enquanto o recebimento de poder, pela descida do Espírito, é instrumento, o testemunho de Cristo é a finalidade. A Igreja receberia poder para ser testemunha de Cristo (ver Lc 24.49 e At 1.5).

Vemos aqui uma citação a Is 43.10, em que Deus diz a Israel: “Vós sois as minhas testemunhas”. Em Atos, a Igreja é a testemunha, não por mera substituição de Israel, mas porque esse foi o plano de Deus.

Onde se daria esse testemunho? Haveria um testemunho local (Jerusalém); regional (Judeia e Samaria) e mundial (até aos confins da terra). Podemos afirmar ainda o testemunho histórico, já que a cláusula “até aos confins da terra” tem que ver com a história da pregação do Evangelho.

Como testemunhas de Cristo, somos embaixadores, representantes, mensageiros. Isso diz respeito à evangelização pessoal e em praça pública. Diz respeito também aos mártires.

O poder do Espírito, na condição de meio para consecução de uma finalidade, capacita a Igreja com diversos dons espirituais, dando-lhe, além disso, coragem e ousadia. Foi com alta intensidade de poder que a Igreja conheceu sua expansão e começou seu trabalho de missões locais, regionais, nacionais e internacionais. De certa maneira, At 1.8 vai se desenvolvendo em todo o Livro: de 1 a 8.4, vemos o crescimento da Igreja em Jerusalém e na Judeia; de 8.5-40, o crescimento alcança Samaria; 9 até o 28, temos o crescimento da Igreja aos confins da terra. Esse trabalho continua, pois o Livro de Atos dos Apóstolos não se encerra com uma conclusão, e, sim, com o relato de Paulo pregando “sem impedimento algum”.

A Igreja é missionária, e, por isso, precisa anunciar o Evangelho, com a mensagem das coisas concernentes ao Reino de Deus, tal como Jesus falou aos Seus discípulos depois da ressurreição e antes da ascensão. Assim como em Mt 3.2 e 4.17 João Batista e Jesus irromperam anunciando que o Reino de Deus está próximo, assim cabe à Igreja proclamar a mesma mensagem.

Ocorre que não se proclama uma mensagem que não se conhece. O que é o Reino de Deus? Seria um regime político? Os versículos 6 e 7 de At 1 mostram que, mesmo depois da ressurreição de Cristo, e pouco antes de Sua ascensão, os discípulos ainda aguardavam a restauração do reino político a Israel, com o afastamento do jugo romano. Essa era a teologia da época, e se acreditava que o Messias seria um libertador nacional, um guerreiro que retomaria o curso da dinastia de Davi. Jesus responde que não compete aos discípulos conhecer os tempos ou as épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade.

De fato, nem tudo é revelado por Deus acerca de Seus planos. A volta de Jesus (parousia) não tem data conhecida. De toda maneira, as Escrituras Sagradas contém o registro inspirado justamente dos tempos ou épocas que Deus quis revelar: chamemos isso de o tempo da Salvação, a história da redenção ou o plano da redenção.

Em I Ts 5.1, Paulo nos diz: “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva”. E não era necessário porque ja havia nos dias de Paulo o que conhecemos como Antigo Testamento, além da tradição da Igreja.

Em Dn 2.21, lemos o seguinte: “É ele quem muda os tempos e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes”. Deus é retratado como Aquele que domina, controla e consuma a história. Deus não é refém dos acontecimentos nem pode ser surpreendido.

Mas, quanto ao que foi revelado, quais os tempos ou épocas estabelecidos por Deus? Façamos, pois, uma divisão da história da salvação conforme as Escrituras**:



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE:

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA:

(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS”;

(IV) “ÚLTIMOS DIAS”.



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE (ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO):

Rm 16.25-27 – Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!

I Co 2.7 – mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;

Ef 1.4 – assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (...);

Cl 1.26 – o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;

II Tm 1.9 – [Deus,] que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (...);

Mt 25.34 – então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA (ANTES DA VINDA DO FILHO DE DEUS):

I Pe 1.10,11 – Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.

At 17.30 – Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;



(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS” (O ENVIO DO FILHO DE DEUS):

Gl 4.4,5 – vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Ef 1.9,10 – desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra.

(IV) “ÚLTIMOS DIAS” (DESDE A ENCARNAÇÃO DE CRISTO ATÉ A SUA SEGUNDA VINDA):

Hb 1.2 – Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

Rm 3.26 – tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

II Co 6.1,2 – (porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação);

I Tm 4.1 – Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios;

I Jo 2.18 – Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

CONCLUSÃO:

Como Deus domina a História, é preciso tomar uma decisão ao Seu lado.

Não se trata de filosofia, teoria ou mera experiência religiosa. É realidade histórica.

Não se pode negligenciar o Tempo da Salvação, porque disso depende a vida eterna!


*Esboço produzido para a pregação que fiz ontem, no culto de jovens e adolescentes da congregação de que participo, a Assembleia de Deus na Ribeira - Salvador/BA. O tema era At 1.8, mas, como dá para perceber, trabalhei mais At 1.6,7. Entendo que não é muito robusta a ênfase no poder ou mesmo no dever de evangelizar se não conhecemos a mensagem direito. A mensagem é a chegada do Reino de Deus, que, como diz John Stott, está entre o e o ainda não.
**Para essa divisão, servi-me de informações e versículos apontados pelas anotações da BÍBLIA DE JERUSALÉM quanto ao texto em comento (At 1.6,7). Todavia, não segui exatamente a divisão ali mencionada - que traz tempo da preparação ou da paciência, "plenitude dos tempos", período da espera da vinda de Jesus e "últimos dias". De igual forma, interpretei de maneira um pouco diferente o lugar de algumas passagens, adicionei os tempos eternos e não considerei que os últimos dias dizem respeito apenas ao Dia Escatológico.
Servi-me, ainda, de algumas informações preciosas colhidas da matéria Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, ministrada pelo professor Rev. Augustus Nicodemus Lopes, no curso à distância de Especialização em Estudos Teológicos, da Universidade Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper).

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Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
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Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
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E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.