terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cesare Battisti, cotas raciais para concurso de diplomatas e publicidade governamental em pequenos veículos de comunicação - o que isso tudo tem em comum?

Meus colegas esquerdistas podem achar o que quiserem, mas eu discordo de tantas coisas do governo Lula e de tantas bandeiras da esquerda que eles podem, sim, me considerar um conservador ou mesmo um "direitista", se assim houverem por bem. Não se trata de procurar um rótulo, mas de aceitar uma caracterização a partir de alguns elementos concretos.
Separei três coisas que vi hoje na internet para comentar quão longe estou do lulismo e do esquerdismo: Lula teria decidido manter o terrorista Cesare Battisti no Brasil; o Instituto Rio Branco vai selecionar diplomatas usando um sistema de cotas para "afrodescendentes"; o presidente que deixará o governo em 1º de janeiro de 2011 gritou hoje em sua enésima despedida, esta em sua terra natal, sobre seu orgulho em ter aumentado, e muito, a verba publicitária investida em pequenos meios de comunicação (segundo a Folha de S. Paulo, em oito anos de mandato, Lula majorou os alvos de investimento de 499 para 8.094).
Esses assuntos são intimamente relacionados:
O italiano Cesare Battisti foi condenado pela Itália por matar quatro pessoas, estando ele a serviço do PAC - Proletários Armados pelo Comunismo. Com a manutenção do guerrilheiro no Brasil, Lula transmite a mensagem de que não confia na Itália como Estado de Direito e democracia. É isso. Trata-se daquele pedágio imposto pelas correntes mais à esquerda dentro do PT, presas a uma ideologia que a senhora Dilma Rousseff, ex-brizolista, conhece bem, porque ela mesma serviu à guerrilha para implantar uma ditadura socialista por estas bandas.
As cotas raciais são um capítulo à parte. Querem fundar artificialmente uma nação dentro da nação brasileira, formada pelos chamados "afrodescendentes", seja lá o que for essa categoria étnica ou cultural...Se eu declarar que sou afrodescendente serei aceito no concurso para diplomatas? Tenho negro na família, e até indígena! Façam-me o favor! Cotas raciais repetem a mentira racialista de que raças existem, e essa mentira remonta às doutrinas do Séc. XIX! Já recomendei aqui o excelente livro de Demétrio Magnoli intitulado Uma Gota de Sangue, o qual tece uma abordagem muito bem fundamentada da história do pensamento racial e suas consequências. O que se cria é uma elite supostamente negra, mas não há mudanças sociais profundas.
E o que dizer da vanglória de Lula ao mencionar a reportagem da Folha? Ora, ao colocar dinheiro público em pequenos jornais, revistas, blogs, rádios e sites pelo Brasil afora, o presidente estava fazendo o seu "controle social da mídia" por vias oblíquas, porque assim ele consegue apoio maciço em lugares alcançados por essa propaganda oficial. Onde o governo deve injetar sua publicidade? Em meios de comunicação que tecnicamente ofereçam condições de maior...publicidade, ou seja, aqueles que têm maior audiência. Dar dinheiro a blogs sem leitores, por exemplo, induz apenas ao crescimento artificial de grupos que fazem propaganda do governo, como se fossem estatais. Aí o critério deve ser de audiência, sim! Do contrário, sou eu, como contribuinte de classe média, que estou pagando por esse descalabro, porque o rico está dando do que lhe sobeja, enquanto eu deixo de investir em favor de minha esposa e filhos.
Será que não se vê isso? Será que Lula pode tudo? Meu Deus, o que iremos fazer, onde iremos nos refugiar? Terroristas soltos entre nós, diplomatas aprovados sem suficiente exame de mérito, "imprensa" chapa-branca...Esse é o governo tão bem avaliado?
Não, eu não posso reclamar...Serei considerado um reacionário, conservador, "direitista", fundamentalista, elitista, obscuro. Todo mundo aplaude o Lula e o desculpa. Quando a gente critica o governo, logo vêm as comparações com o governo FHC, como se tudo fosse permitido desde que antes fosse pior, como se Lula não houvesse cometido tantos erros que a própria esquerda, em tese, deveria reconhecer.
Voz solitária. Hei de me conformar com isso.




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vai-se escoando a glória de Lula

A glória do homem pode ser grande, mas acaba. E que bom que acaba! Não aguento mais ouvir as maiores tolices ditas pelo presidente da República, que, por ser popular, ex-operário e sem educação formal, parece ser inimputável.
O homem sai da presidência com mais de 80% de popularidade, tendo conseguido eleger sua sucessora, que, por sinal, jamais havia disputado nem eleição para presidente de associação de moradores, e agora já conta com mais de 70% de boas expectativas do eleitorado.
Em seu derradeiro discurso, Lula se posicionou quase como um espírito-guia ("onde estiver alguém assim, eu estarei espiritualmente etc."). E se comparou implicitamente a Getúlio Vargas ao dizer que sai do governo para entrar na vida das ruas... Deve ser humilde mesmo. Nem espera que outros façam as comparações. Aliás, foi o próprio Lula quem não hesitou em comparar Dilma Rousseff a...Nelson Mandela!!!
Considero o governo Lula não mais que regular. Não foi ruim ou péssimo porque não afundou o país economicamente, mas não foi bom porque simplesmente repetiu a política econômica de FHC, aprofundou maus costumes políticos, flertou com ditadores daqui e de lá, abusou da máquina pública, aparelhou o Estado com petistas, fez alianças com oligarcas, não melhorou a Saúde nem a Educação, nada fez para conter a invasão das fronteiras pelas drogas ilícitas, tentou e tenta controlar conteúdo da imprensa e criou uma mistificação segundo a qual tudo o que há de bom vem de Lula.
Popularidade e prosperidade econômica não significam nada diante da verdade e da ética. Saul foi muito popular, governou Israel por quarenta anos e foi rejeitado por Deus. Manassés governou Judá por cinquenta e dois anos, mas foi ele quem passou seu filho pelo fogo, em honra a Moloque. Jeroboão II foi um rei muito próspero, mas não andou conforme a vontade de Deus.
A glória de Lula vai passar logo. Espero que ele não seja alçado à categoria de mito, como foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Mas, se for, terá recebido sua glória na Terra, e toda glória terrena é passageira.
Sinceramente, não confio tanto nas pesquisas (tão frequentes, como nunca!), que mostram Lula com essa popularidade toda. Creio que as pesquisas erram como erraram quando do primeiro turno das eleições deste ano. Mas sei que Lula é muito popular porque fez muita propaganda e um governo economicamente bom, e isto porque não aplicou o programa do PT e acompanhou o que FHC legou ao país.
O que sei é que o poder de Lula está indo embora, e que, com a caneta na mão, Dilma é que terá o poder a partir de 1º de janeiro. Mesmo sem carisma, mesmo sem luz própria, mesmo sem biografia de estadista, mesmo sem habilidade política, mesmo sem história esclarecida, ela é que terá o poder, e Lula com certeza terá alguma crise de abstinência. Espero que ele saiba lidar com a efemeridade de sua pequena glória.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lula descobriu o Brasil e Jaques Wagner libertou a Bahia...

Se Lula descobriu o Brasil em 2003, seu "irmão de fé" Jaques Wagner libertou a Bahia em 2007 - isso é o que se infere da mais nova propaganda do Governo baiano que tem sido veiculada na TV. O narrador vai contando a história de um povo sofrido, vítima da desigualdade social e racial, para depois dizer que se trata dos baianos. Embora tenha nascido na Bahia, não me senti representado na propaganda, e não porque não seja negro ou muito pobre, mas porque não vivo num lugar que foi salvo por Jaques Wagner e seu pessoal.
Outro dia houve um assalto em minha rua, por volta das oito horas da manhã, e a moça tinha apanhado do indivíduo, que roubou seu celular. Quem se sente à vontade para assaltar às oito da manhã numa rua movimentada de um bairro tranquilo faz isso por causa da impunidade ou da dependência de drogas ilícitas, ou das duas coisas. Mas o governador já disse que sua maneira de combater a insegurança pública é dar educação e justiça social... É uma maneira bem esquerdista de resolver as coisas, ou melhor, de não resolver. Se conseguisse usar de competência quanto à educação, ao emprego e à saúde, o governador talvez resolvesse o problema da insegurança daqui a uns 20 anos, pois os bandidos de agora já estão por aí, crescidos e inclinados ao crime.
Quanto às drogas, o governo já sentenciou que crack é "cadeia ou caixão". Pronto. O usuário não tem outra chance, não pode contar com a cooperação estadual se quiser deixar o entorpecente.
Outra coisa que me incomoda na política petista é que nela se vê um sentimento um tanto raivoso, inspirado na ideia de que o caminho para suprimir as desigualdades é acentuá-las. Na realidade, hoje existe uma tendência em torno de políticas discriminatórias, como as cotas raciais, que buscam institucionalizar a falta de isonomia, em vez de ensinar que todos são iguais, e promover transformações sociais e políticas.
Como sou branco, evangélico, heterossexual, conservador e de classe média, acabo me tornando uma minoria jurídica. Mas eu sou baiano porque nasci aqui, e não porque represente algum movimento étnico, religioso ou cultural de raízes baianas. Sou baiano por uma questão de geografia, e não por algum destino histórico ou idiossincrasia cultural.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Uma palavrinha sobre o WikiLeaks

Olha, eu não sou jornalista e este blog não acompanha tudo o que sai na imprensa, mas de vez em quando eu gosto de inserir algum comentário sobre assuntos da ordem do dia. E os vazamentos do site WikiLeaks têm dado o que falar: documentos secretos da diplomacia americana têm sido divulgados no site criado pelo australiano Julian Assange; esses documentos são enviados a jornais do mundo todo, que publicam o seu teor, fazem reportagens e dão opiniões; documentos sigilosos sobre o Afeganistão e o Iraque foram acompanhados de inúmeras outras coisas, como as falas de Nelson Jobim sobre suposto câncer de Evo Morales, a pesquisa de Hillary Clinton sobre o perfil psicológico de Cristina Kirchner e a descrição de Manuel Zelaya feita pelo embaixador americano em Honduras.
As esquerdas e os que não gostam dos Estados Unidos comemoram os vazamentos e acham esse Julian Assange um herói, um candidato ao prêmio Nobel 2011, um mito em vida. Tudo ficou ainda mais interessante com sua prisão por supostos crimes sexuais praticados na Suécia.
Sabem o que eu penso? Que a imprensa tem todo o direito (na verdade, o dever) de publicar aquilo que vazou no WikiLeaks, desde, é claro, que não agrida o direito de pessoas nem ponha em risco a vida e a integridade de populações. Mas o que esse moço Julian Assange está fazendo é errado, pois, primeiro, publicar dados sigilosos é crime, e, segundo, há nações envolvidas nisso. Eu fico a pensar sobre as muitas recomendações bíblicas sobre a importância de ficar calado e não se intrometer em coisas que não se pode dominar. Dar credibilidade e poder a um site que vaza documentos confidenciais é um perigo característico de quem não tem responsabilidade, e que acha que tudo o que for constrangedor aos Estados Unidos é bom para o mundo.
Nem sempre é preciso saber toda a verdade sobre tudo. A sabedoria está em não procurar nem inventar problema.
Numa época em que o bonito é sair criticando a existência de segredos oficiais, preocupa-me o fato de poucas pessoas do mundo crítico estarem atentas para isso. Sinceridade não é falar tudo o que a gente pensa ou sabe, mas falar realmente o que se pensa ou sabe.

Aprendi com o Lula!

Como disse a dona Dilma, Lula "nos ensinou o caminho". Segundo Elio Gaspari, Lula é o "Nosso Guia". Já que o mundo todo aprova o Lula, incluindo o Le Monde e o The Economist, eu vou dizer o que aprendi com ele:
Quando me criticarem, direi que se trata de preconceito contra o nordestino, porque sou baiano e filho de piauienses. Se não for suficiente, apelarei para o fato de que sou filho de uma professora de escola pública e de um autônomo sem grande instrução formal. Direi que minha mãe só fez curso superior porque teve bolsa da SUDENE, que minhas irmãs ficaram um ano inteiro sem estudar porque a escola estadual estava em reformas, e que só escapei dessa porque fui cursar o segundo grau numa fundação filantrópica (vou dizer que o dono da fundação era um capitalista sensível à opressão das massas).
Se alguém se opuser à minha vitimização, afirmando que sou branco, membro da classe B, heterossexual e cristão, direi, em contrapartida, que tive negros e índios na família, que "vim de baixo", que os heterossexuais são hoje quase uma minoria jurídica e que o pentecostalismo ainda é discriminado. Ah! Direi que sou feio também, pois os feios não têm auferido grandes benefícios nessa sociedade capitalista, opressora e corpólatra.
Com tudo isso, serei considerado um inimputável, como o mestre Lula. Se melhorei um pouquinho de vida, foi porque tive ajuda daquele capitalista consciente e uma vaga em universidade pública, gratuita e de qualidade, com direito a duas bolsas do CNPq (não poderei cometer a heresia de lembrar que estudei sob o governo de FHC, pois o universo foi criado por Lula, e o sociólogo deixou somente uma "herança maldita").
Terei um salvo-conduto para criticar quem eu quiser, já que a vitimização tem esse outro ponto favorável: a gente não pode ser criticado, mas tem todas as prerrogativas constitucionais para externar os mais nobres sentimentos contra as elites, as oligarquias e aqueles que "não querem o bem do Brasil".
É isso mesmo. Depois de oito anos de poder, o pai, guia e mestre Lula nos deixa uma lição inolvidável: nunca antes na história deste país foi tão confortável posar de vítima.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A condenação eterna decorrerá do pecado, e não da falta de conhecimento

Como professor de escola dominical, deparei, duas vezes, com questionamentos sobre o destino daqueles que jamais ouviram o Evangelho: uma vez foi em Sete Lagoas/MG, no ano de 2006; outra vez foi em Salvador/BA, ontem, em minha congregação.
Percebo certa dificuldade dos irmãos nessa matéria. Imaginam que o pecado consiste basicamente em recusar o convite de Cristo, que "os tempos da ignorância", mencionados por Pedro em seu discurso pós-Pentecoste, seriam os anos em que a pessoa não ouviu falar do Evangelho, e que não haveria como Deus punir os que nunca ouviram falar de Jesus. Todavia, isso não é correto.
Devo afirmar, primeiro, que tomo esse assunto como o da Trindade: não o compreendo, mas não posso negar sua realidade nas Escrituras. É diferente do que penso da doutrina calvinista da predestinação: enquanto para mim ela não é bíblica, os irmãos reformados afirmariam, talvez, que não a aceito por não entender o que na Bíblia está escrito. Porém, eu creio entender o que está escrito, e, mesmo assim, não vejo predestinação da maneira como os calvinistas veem. Assim, eu não aceito a doutrina da predestinação porque não a considero bíblica, diferentemente de não aceitá-la por considerar um absurdo Deus escolher uns em detrimento de outros - embora pense isso também.
Feita essa distinção, basta examinarmos os textos bíblicos, como aquele em que Paulo afirma que os atributos de Deus, o seu eterno poder como a sua divindade  claramente se veem e se compreendem pelas coisas que estão criadas, para sustentar a verdade de que todos, judeus e gentios, são indesculpáveis (leia Romanos, caps. 1 a 4). O Salmo 19 começa dizendo que "os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos". Isso é a chamada "Revelação Geral", ao alcance de todos, incluindo os pigmeus e os cerca de dez mil índios isolados da Amazônia. Mas essa revelação só é apta para condenar, pois todos estão debaixo do pecado.
Jesus não disse que se em Tiro e Sidom, como também em Sodoma e Gomorra, se fizessem todos os milagres que Ele operou em Betsaida, Corazim e Cafarnaum haveria salvação para aquelas cidades? Ora, o princípio é de que a quem mais é dado mais será cobrado. Mas todos seremos julgados, de uma forma ou de outra.
Se pensássemos que o motivo de condenação dos homens seria a rejeição de Cristo, e que os que nada conhecem não podem ser condenados, bastaria Deus não enviar Cristo e deixar todo mundo sem o conhecimento da Palavra, e assim todos estariam salvos pela...ignorância! Dessa forma, e contraditoriamente, se por um lado é o conhecimento de Cristo que salva o pecador arrependido, seria a ignorância a salvar todos os pecadores, arrependidos ou não!!!
Não pensemos desse jeito, porque não é bíblico. Crer que a condenação só paira sobre os que ouviram e não creram é deixar de lado um dos fundamentos da Fé Cristã, a saber, a doutrina da pecaminosidade universal. O pecado não é apenas atitude, mas condição universal. "Todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23). Quando pecamos, comemos de novo da árvore do conhecimento do bem e do mal, e, por isso, morremos. Somente Cristo pode nos resgatar.
Qual seria, então, a melhor conclusão para esse assunto? A de que é urgente o envio de missionários por todo o mundo. Os pigmeus e os indígenas precisam ouvir sobre Jesus. E muito mais gente...
Que Deus nos ajude.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O TEMPO DA SALVAÇÃO*

Em Atos 1.8, temos uma espécie de texto-resumo do Livro de Atos dos Apóstolos, que, por sua vez, pode ser denominado “Atos do Espírito Santo”. Trata-se de continuação do Evangelho de Lucas: o assunto em Lucas é o que o SENHOR Jesus começou a fazer e a ensinar. Em Atos o assunto é a expansão da Igreja no poder do Espírito. Enquanto o recebimento de poder, pela descida do Espírito, é instrumento, o testemunho de Cristo é a finalidade. A Igreja receberia poder para ser testemunha de Cristo (ver Lc 24.49 e At 1.5).

Vemos aqui uma citação a Is 43.10, em que Deus diz a Israel: “Vós sois as minhas testemunhas”. Em Atos, a Igreja é a testemunha, não por mera substituição de Israel, mas porque esse foi o plano de Deus.

Onde se daria esse testemunho? Haveria um testemunho local (Jerusalém); regional (Judeia e Samaria) e mundial (até aos confins da terra). Podemos afirmar ainda o testemunho histórico, já que a cláusula “até aos confins da terra” tem que ver com a história da pregação do Evangelho.

Como testemunhas de Cristo, somos embaixadores, representantes, mensageiros. Isso diz respeito à evangelização pessoal e em praça pública. Diz respeito também aos mártires.

O poder do Espírito, na condição de meio para consecução de uma finalidade, capacita a Igreja com diversos dons espirituais, dando-lhe, além disso, coragem e ousadia. Foi com alta intensidade de poder que a Igreja conheceu sua expansão e começou seu trabalho de missões locais, regionais, nacionais e internacionais. De certa maneira, At 1.8 vai se desenvolvendo em todo o Livro: de 1 a 8.4, vemos o crescimento da Igreja em Jerusalém e na Judeia; de 8.5-40, o crescimento alcança Samaria; 9 até o 28, temos o crescimento da Igreja aos confins da terra. Esse trabalho continua, pois o Livro de Atos dos Apóstolos não se encerra com uma conclusão, e, sim, com o relato de Paulo pregando “sem impedimento algum”.

A Igreja é missionária, e, por isso, precisa anunciar o Evangelho, com a mensagem das coisas concernentes ao Reino de Deus, tal como Jesus falou aos Seus discípulos depois da ressurreição e antes da ascensão. Assim como em Mt 3.2 e 4.17 João Batista e Jesus irromperam anunciando que o Reino de Deus está próximo, assim cabe à Igreja proclamar a mesma mensagem.

Ocorre que não se proclama uma mensagem que não se conhece. O que é o Reino de Deus? Seria um regime político? Os versículos 6 e 7 de At 1 mostram que, mesmo depois da ressurreição de Cristo, e pouco antes de Sua ascensão, os discípulos ainda aguardavam a restauração do reino político a Israel, com o afastamento do jugo romano. Essa era a teologia da época, e se acreditava que o Messias seria um libertador nacional, um guerreiro que retomaria o curso da dinastia de Davi. Jesus responde que não compete aos discípulos conhecer os tempos ou as épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade.

De fato, nem tudo é revelado por Deus acerca de Seus planos. A volta de Jesus (parousia) não tem data conhecida. De toda maneira, as Escrituras Sagradas contém o registro inspirado justamente dos tempos ou épocas que Deus quis revelar: chamemos isso de o tempo da Salvação, a história da redenção ou o plano da redenção.

Em I Ts 5.1, Paulo nos diz: “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva”. E não era necessário porque ja havia nos dias de Paulo o que conhecemos como Antigo Testamento, além da tradição da Igreja.

Em Dn 2.21, lemos o seguinte: “É ele quem muda os tempos e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes”. Deus é retratado como Aquele que domina, controla e consuma a história. Deus não é refém dos acontecimentos nem pode ser surpreendido.

Mas, quanto ao que foi revelado, quais os tempos ou épocas estabelecidos por Deus? Façamos, pois, uma divisão da história da salvação conforme as Escrituras**:



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE:

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA:

(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS”;

(IV) “ÚLTIMOS DIAS”.



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE (ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO):

Rm 16.25-27 – Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!

I Co 2.7 – mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;

Ef 1.4 – assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (...);

Cl 1.26 – o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;

II Tm 1.9 – [Deus,] que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (...);

Mt 25.34 – então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA (ANTES DA VINDA DO FILHO DE DEUS):

I Pe 1.10,11 – Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.

At 17.30 – Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;



(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS” (O ENVIO DO FILHO DE DEUS):

Gl 4.4,5 – vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Ef 1.9,10 – desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra.

(IV) “ÚLTIMOS DIAS” (DESDE A ENCARNAÇÃO DE CRISTO ATÉ A SUA SEGUNDA VINDA):

Hb 1.2 – Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

Rm 3.26 – tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

II Co 6.1,2 – (porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação);

I Tm 4.1 – Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios;

I Jo 2.18 – Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

CONCLUSÃO:

Como Deus domina a História, é preciso tomar uma decisão ao Seu lado.

Não se trata de filosofia, teoria ou mera experiência religiosa. É realidade histórica.

Não se pode negligenciar o Tempo da Salvação, porque disso depende a vida eterna!


*Esboço produzido para a pregação que fiz ontem, no culto de jovens e adolescentes da congregação de que participo, a Assembleia de Deus na Ribeira - Salvador/BA. O tema era At 1.8, mas, como dá para perceber, trabalhei mais At 1.6,7. Entendo que não é muito robusta a ênfase no poder ou mesmo no dever de evangelizar se não conhecemos a mensagem direito. A mensagem é a chegada do Reino de Deus, que, como diz John Stott, está entre o e o ainda não.
**Para essa divisão, servi-me de informações e versículos apontados pelas anotações da BÍBLIA DE JERUSALÉM quanto ao texto em comento (At 1.6,7). Todavia, não segui exatamente a divisão ali mencionada - que traz tempo da preparação ou da paciência, "plenitude dos tempos", período da espera da vinda de Jesus e "últimos dias". De igual forma, interpretei de maneira um pouco diferente o lugar de algumas passagens, adicionei os tempos eternos e não considerei que os últimos dias dizem respeito apenas ao Dia Escatológico.
Servi-me, ainda, de algumas informações preciosas colhidas da matéria Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, ministrada pelo professor Rev. Augustus Nicodemus Lopes, no curso à distância de Especialização em Estudos Teológicos, da Universidade Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper).

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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.