sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Fracos, doentes e mortos

A cada Ceia do SENHOR, lemos o texto de I Co 11.23-32, em que o apóstolo Paulo ensina como deve ser essa celebração - um momento de comunhão fraternal em Cristo, memória do que Ele fez por nós, anunciação de Sua morte até que Ele venha. Mas, diferentemente disso, os crentes estavam fazendo da Ceia um banquete de glutonaria, bebedice e injustiça social, pois nem todos podiam se alimentar com suficiência.


Vale recordar que a Ceia era feita com muito mais comida e bebida do que o pequenino pedaço de pão e o cálice de suco de uva que costumamos consumir atualmente, simbolizando o Corpo e o Sangue de Cristo. As chamadas festas Ágape deveriam ser a Ceia do SENHOR, em vez de uma ceia para cada membro, como os coríntios estavam fazendo. Foi a esse tipo de reunião que Judas se referiu em sua pequenina mas gloriosa Epístola, no v. 12, quando disse que alguns falsos líderes se comportavam como "escolhos" ou "manchas" em suas "festas de caridade" ou "ágapes", apascentando a si mesmos.


Voltando a Paulo, tem-se que, depois de explicar, no Cap. 11, como deve ser a conduta de homens e mulheres nas reuniões cristãs, dentro daquele contexto especial (vv.2-16), o apóstolo passa a enfrentar o problema das "divisões" ou "cisões" havidas na igreja de Corinto, e que se expressavam na Ceia do SENHOR, pois alguns comiam e bebiam demais, enquanto outros ficavam sem nada. Não havia, pois, o sentimento de coletividade, compartilhamento, mas um individualismo que adoecia.


Agora chego ao ponto central deste texto. Na tradução da Bíblia de Jerusalém, o trecho do v. 30 está assim: "Eis porque há entre vós mutios débeis e enfermos e muitos morreram". A nota dessa mesma edição bíblica afirma que "Paulo interpreta uma epidemia como punição divina para a falta de amor que tornou impossível a eucaristia".


Não sei se podemos afirmar isso categoricamente. Será que Paulo estava dizendo que os irmãos estavam doentes, fracos, ou que tinham morrido, por causa de uma epidemia enviada por Deus? Bom, nesse caso o autor da nota da Bíblia de Jerusalém deve ter especulado, mas não vejo absolutamente nada que corrobore esse pensamento. Ao menos não vemos o apóstolo Paulo defendendo esse tipo de coisa em outro texto.


Veja bem, não digo que essa "epidemia como punição divina" seja impossível, mas não posso afirmar com absoluta certeza. No entanto, acredito ser bem possível que pessoas fiquem doentes e fragilizadas por problemas morais e espirituais, como se dá com as doenças famosas em nossos dias, como a Depressão, a Síndrome do Pânico, a Ansiedade, as Fobias e o Stress, além de outros transtornos originados na mente, mas com efeitos no corpo, tais como taquicardia, dificuldade de respiração, úlceras, enfim: um profissional da área de saúde mental poderia dizer muito melhor do que eu.

O fato é que há fracos, doentes e mortos nas igrejas. Pecados ocultos adoecem o rebanho, mas também pecados socialmente aceitos. Somente a humildade em Cristo pode nos socorrer, pois ninguém é perfeito. Sejamos, pois, humildes, tomando a Ceia com auto-exame e confissão de pecados. Adoecer nem sempre é inevitável.





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E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.