quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estudos sobre Herodes (6) - "Dizei àquela raposa"

Herodes, o Grande, matou criancinhas de dois anos para baixo. Seu filho Arquelau, por ser tão ruim, deu ensejo a que a família de Jesus fugisse para o Egito. Herodes Antipas, irmão de Arquelau, ordenou a prisão e a execução de João, o Batista. Vimos tudo isso nos estudos precedentes. Agora, mais uma vez surge Herodes Antipas, mencionado por alguns fariseus diante de Jesus de Nazaré.
Leiamos o texto de Lc 13.31-35:

"31 Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te. 32 Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. 33 Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém. 34 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes! 35 Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não mais me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!".

É bem possível que essa fala dos fariseus não fosse coisa boa. Podia ser um recado do próprio Herodes a fim de que Jesus deixasse aquelas terras da Galileia e não mais "atrapalhasse" os planos do tetrarca - vendo, quem sabe, em Jesus um agitador político.
Com efeito, "ao se completarem os dias em que devia ser assunto ao céu, [Jesus] manifestou no semblante a intrépida resolução de ir para Jerusalém" (Lc 9.51). Por isso saiu da Galileia, passando por aldeias e cidades (Lc 13.22), dentre as quais, ainda na Galileia, estavam Betsaida, Corazim, Cafarnaum e Nazaré (veja Lc 10.13-16 e Mt 11.20-24).
Jesus não Se intimidava. De imediato, retornou o recado a Herodes, num estilo formidável: "Dizei àquela raposa". Gosto desse versículo. Jesus não Se iludia com a figura de Herodes. Era ele uma raposa, metáfora para pessoa traiçoeira, cheia de artimanhas, que não se revela. O que Herodes pretendia era se livrar do Homem que falava com autoridade, Homem de quem se dizia que operava milagres extraordinários. É claro que uma pessoa com esse perfil causa tremor nos poderosos. Herodes imaginava quão poderosa poderia ser a influência de Jesus sobre os súditos da tetrarquia.
E o recado de Jesus consistiu em dizer a Herodes que estava controlando as etapas de Sua missão: hoje expulso demônios, amanhã curo enfermos e ao terceiro dia tudo terminarei (consumarei). Há aqui um jogo de palavras: ao mesmo tempo em que afirma Sua total capacidade de controlar a missão, Jesus dá uma pista para a Ressurreição, que ocorreria ao terceiro dia.
Ora, quem disse que Jesus foi assassinado num acidente de percurso? Quem disse que Jesus foi um coitado incompreendido que tinha medo da morte? Quem disse que Jesus não deveria ter morrido nas circunstâncias em que morreu? Quem pensa assim, quem acredita que Jesus não deveria ter morrido, não entendeu absolutamente nada da mensagem evangélica!
Se Herodes tinha em mente que Jesus estava em suas mãos, o recado que deveria ouvir era no sentido oposto: Jesus controlava não só o tempo de Sua missão, mas também o lugar - tinha que ser em Jerusalém, onde muitos profetas tinham sido executados. Importava morrer em Jerusalém para morrer como Profeta de Deus.
Tempo, espaço e acontecimentos estavam sob o controle de Jesus, já que Ele mesmo citou o que os judeus diriam em Sua chegada a Jerusalém: "Bendito o que vem em nome do SENHOR" (Mt 21.1-11; Mc 11.1-11; Lc 19.28-40; Jo 12.12-15).
É isso aí.

Um comentário:

Anônimo disse...

Exelente texto querido,seu comentário o enriqueceu fica com Deus, em nome de Jesus...
cris.

Alguns princípios do editor deste blog

Para você que lê o que escrevo neste espaço, precisamos comunicar alguns princípios:
1) Os estudos, artigos e reflexões teológicas não seguem uma linha de teologia denominacional, mas de estudos pessoais. Eu não fico aqui defendendo a minha denominação, que é outro tipo de abordagem, o qual respeito, mas não pratico neste blog.
2) Não pretendo agradar nem machucar ninguém.
3) Não escrevo manietado por interesses nem pressões. Sigo minha consciência, e penso escrever de acordo com a Bíblia.
4) O que escrevo é o que escrevo. Não estou preocupado se as pessoas interpretam mal ou ficam criando significados diversos daquilo que o texto diz. Minha preocupação é dizer o que penso, e creio que meu Português não seja tão ruim a ponto de dizer algo diferente daquilo que quis dizer.
5) Sou aberto a críticas e respeito opiniões divergentes.
6) Minha intenção não é polemizar, ainda que meus pensamentos possam ser objeto de eventual polêmica.
7) O que escrevo aqui concerne ao trabalho independente de um aprendiz da Teologia, e por isso não estou representando minha denominação - é bom frisar.
8) Se quisermos um rótulo, sou um “pentecostal histórico moderado”: estou começando a entender que a plenitude do Espírito tem dois aspectos - moral (At 6.3; 11.24; Gl 5.22,23; Ef 5.18-21) e carismático (At 2.1-4; 4.31; 6.8) - e que o batismo com o Espírito Santo pode ser evidenciado por outros sinais que não a glossolalia, como o profetizar (At 2.1-4; 8.17; 10.44-47; 19.6). Creio que, de algum modo, os dons espirituais estão relacionados à plenitude do Espírito, mas não consigo compreender que as línguas estranhas sejam sinal sine qua non do batismo com o Espírito Santo. Entendo que o batismo com o Espírito Santo tem o propósito de capacitar a igreja para a evangelização (At 1.8), com o incremento de dons, e não para que se exalte o dom de línguas em detrimento dos demais. Quero destacar, acima de tudo, que nessa questão eu tenho ainda mais perguntas do que respostas, mas sou honesto em admitir isso.
9) Tenho um juízo crítico muito aguçado, e uma pena algo contundente. Se o leitor se assustar com isso, me perdoe.
10) Quanto à escatologia e interpretação do Apocalipse, não adoto a priori nenhuma corrente teológica, mas tão-somente a análise textual, naquela perspectiva da Teologia Bíblica.
11) Por fim, tenho convicção de que o SENHOR me chamou para pregar e para ensinar oralmente ou por escrito. Tenho convicção de que devo militar na área da educação cristã e da teologia. Se isso servir de ajuda, estou apenas tentando cumprir o meu chamado.


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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.