sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Estudos sobre Herodes (8) - A esposa piedosa do procurador de Herodes

Vemos em Lc 8.1-3 que "algumas mulheres" acompanhavam Jesus em Sua jornada evangelística por cidades e aldeias da Galileia, as quais "prestavam assistência com os seus bens". Uma dessas mulheres era Joana, "mulher de Cuza, procurador de Herodes". Outra era Suzana, e outra, ainda, era Maria, de Magdala, da qual haviam sido expelidos sete demônios.
Com a ajuda da BÍBLIA ANOTADA, fico sabendo que o cargo de "procurador de Herodes" era "uma posição elevada que envolvia a gerência das finanças do rei Herodes (p. 1823).
A BÍBLIA DE JERUSALÉM ressalta o fato de se tratar da "companhia feminina de Jesus", anotação colocada antes de Lc 8.1 (p. 1801).
Vê-se claramente que essas mulheres financiavam o trabalho de Jesus, como explicam os seguintes comentários:

"Estas mulheres ajudavam a financiar o ministério de Cristo" (A BÍBLIA ANOTADA, p. 1283).

"Lucas descreve um aspecto no ministério do Senhor, durante este período [de missão na Galileia], que não é mencionado em nenhuma outra parte. Ele e os doze formaram um grupo viajante, indo de um lugar para o outro com a mensagem do reino de Deus; outro grupo, composto por mulheres de bens, providenciavam o necessário para que eles fossem recebidos e mantidos (1-3). Esse grupo de mulheres seguiu a Jesus até a Cruz (vide 23:49)" (O Novo Comentário da Bíblia, p. 1038).

De fato, conta-nos Lucas (23.49) que "todos os conhecidos de Jesus e as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia permaneceram a contemplar de longe estas coisas [relacionadas à Sua morte]".
E mais:

"1 Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.
2 E encontraram a pedra removida do sepulcro;
3 mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus.
4 Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes.
5 Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive?
6 Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia,
7 quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.
8 Então, se lembraram das suas palavras.
9 E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam.
10 Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as demais que estavam com elas confirmaram estas coisas aos apóstolos.
11 Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.
12 Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido" (Lc 24.1-12).

Vê-se em Lc 24.10 menção expressa de Joana, esposa do procurador de Herodes, como uma das mulheres que a) testemunharam a morte de Jesus; b) viram onde o corpo de Jesus foi sepultado; c) prepararam aromas para o corpo de Jesus; d) guardaram o sábado; e) se dirigiram ao túmulo de Jesus para perfumar Seu corpo; f) viram o túmulo vazio; g) se assustaram com a presença dos dois anjos; h) lembraram das palavras de Jesus acerca dos eventos de Sua iminente morte e ressurreição; i) e foram contar tudo aos apóstolos e aos que com eles estavam reunidos.
Ora, a mulher do procurador de Herodes estava entre as servas de Jesus Cristo? Como pode? Não disse a Teologia da Libertação que Jesus fez a "opção pelos pobres"? Pode mesmo uma pessoa assim ser sincera em sua confissão de fé?
Essas perguntas podem parecer infantis, mas há pessoas que não acreditam na conversão de mulheres de procuradores. Pensam que o Evangelho é apenas para os pobres, para os descamisados, para os miseráveis, para os fracos e oprimidos. Com isso, afastam o Evangelho dos ricos, dos poderosos, dos dominadores, dos endinheirados deste mundo. E o Evangelho é para todos, ricos e pobres, homens e mulheres.
Na realidade, o Evangelho de Lucas é reconhecido por sua ênfase na Salvação de pessoas variadas: crianças, pobres, ricos, gentios, mulheres, samaritanos. Não é preciso ser judeu, nem pobre, nem sacerdote, nem homem.
Aquela senhora chamada Joana não se encaixaria no perfil médio dos evangélicos brasileiros: era rica, bem posicionada socialmente e ligada ao poder. Jesus não a rejeitou. Jesus não rejeita a ninguém, nem mesmo por ser ela a esposa de um alto funcionário de Herodes Antipas, a "raposa" que mataria João Batista.
Gosto de saber que Joana se converteu a Cristo. Que mulher! Ela conseguiu se desvencilhar do pensamento dominante e não se deixou levar pelo partido dos herodianos, bajuladores do rei (como vimos no estudo anterior). A senhora Joana foi liberta das trevas criadas pelo "deus deste século", que é Satanás (cf. II Co 4.4). Jesus a libertou, como faz todos os dias com mulheres e homens ao redor do mundo.
Amém.

Referências bibliográficas:


A BÍBLIA ANOTADA. The Ryrie Study Bible/ Texto Bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie. Sã o Paulo: Ed. Mundo Cristão, 1994, 1835pp.


BÍBLIA DE JERUSALÉM. Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. Tradução das introduções e notas de La Bible de Jérusalem, edição de 1998, publicada sob a direção da "École biblique de Jérusalem". Edição em língua francesa. São Paulo: Paulus, 2002, 2206pp.

O NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA. SHEDD, Russell P. (editor em português). São Paulo: Edições Vida Nova, V. II, 1963, 1487pp.


2 comentários:

João Armando disse...

Onde estaria a Miriam, se Jesus não aceitasse mulheres de procuradores... digo, de promotores?!

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Essa foi boa, amigo João...!
Mas eu, pequenininho, não sou promotor...sou apenas Analista Processual do Ministério Público Federal...Mas a gente chega lá, se Deus quiser!
Grande abraço, amigo!

Alguns princípios do editor deste blog

Para você que lê o que escrevo neste espaço, precisamos comunicar alguns princípios:
1) Os estudos, artigos e reflexões teológicas não seguem uma linha de teologia denominacional, mas de estudos pessoais. Eu não fico aqui defendendo a minha denominação, que é outro tipo de abordagem, o qual respeito, mas não pratico neste blog.
2) Não pretendo agradar nem machucar ninguém.
3) Não escrevo manietado por interesses nem pressões. Sigo minha consciência, e penso escrever de acordo com a Bíblia.
4) O que escrevo é o que escrevo. Não estou preocupado se as pessoas interpretam mal ou ficam criando significados diversos daquilo que o texto diz. Minha preocupação é dizer o que penso, e creio que meu Português não seja tão ruim a ponto de dizer algo diferente daquilo que quis dizer.
5) Sou aberto a críticas e respeito opiniões divergentes.
6) Minha intenção não é polemizar, ainda que meus pensamentos possam ser objeto de eventual polêmica.
7) O que escrevo aqui concerne ao trabalho independente de um aprendiz da Teologia, e por isso não estou representando minha denominação - é bom frisar.
8) Se quisermos um rótulo, sou um “pentecostal histórico moderado”: estou começando a entender que a plenitude do Espírito tem dois aspectos - moral (At 6.3; 11.24; Gl 5.22,23; Ef 5.18-21) e carismático (At 2.1-4; 4.31; 6.8) - e que o batismo com o Espírito Santo pode ser evidenciado por outros sinais que não a glossolalia, como o profetizar (At 2.1-4; 8.17; 10.44-47; 19.6). Creio que, de algum modo, os dons espirituais estão relacionados à plenitude do Espírito, mas não consigo compreender que as línguas estranhas sejam sinal sine qua non do batismo com o Espírito Santo. Entendo que o batismo com o Espírito Santo tem o propósito de capacitar a igreja para a evangelização (At 1.8), com o incremento de dons, e não para que se exalte o dom de línguas em detrimento dos demais. Quero destacar, acima de tudo, que nessa questão eu tenho ainda mais perguntas do que respostas, mas sou honesto em admitir isso.
9) Tenho um juízo crítico muito aguçado, e uma pena algo contundente. Se o leitor se assustar com isso, me perdoe.
10) Quanto à escatologia e interpretação do Apocalipse, não adoto a priori nenhuma corrente teológica, mas tão-somente a análise textual, naquela perspectiva da Teologia Bíblica.
11) Por fim, tenho convicção de que o SENHOR me chamou para pregar e para ensinar oralmente ou por escrito. Tenho convicção de que devo militar na área da educação cristã e da teologia. Se isso servir de ajuda, estou apenas tentando cumprir o meu chamado.


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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.