quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Para quem eles entregam a chave da cidade em que vivo?

Para mim e para muitas outras pessoas, esse período do ano é meio chato: na TV aberta quase nada se aproveita - o que não é incomum; as ruas ficam ainda mais inseguras, barulhentas, cheias de gente bêbada e sem compromisso com nada; tudo passa a girar em torno de uma festa. É claro que estou me referindo aos dias destinados às festas carnavalescas...
Aqui na Bahia, principalmente em Salvador, a coisa é muito pior. Além do ambiente festivo que dura o ano inteiro, vem o Carnaval como espécie de ápice de todas as festas, começando oficialmente na quinta-feira e terminando na quarta seguinte. Sei que se trata de uma indústria cultural, turística e musical em que inúmeras pessoas trabalham, mas a cidade para devido a uma festa promíscua, violenta e alcóolica, que afeta a todos irremediavelmente.
Não poderia deixar de ser assim, já que a chave da cidade de Salvador, por exemplo, é entregue ao Rei Momo, um homem geralmente obeso que representa o desvario dos dias de festa - e é dessa forma que começa o Carnaval.
Na verdade, essa figura inspira-se no Rei Momo da mitologia grega, em que o Momo era o deus da loucura e da zombaria. Com a entrega da chave ao "dono do Carnaval", é como se tudo ficasse liberado à desordem, às fantasias, à loucura, ao escárnio. É como se a cidade fosse dominada, nesses dias, pelo deus da bagunça.
Essa é a ideia do Carnaval: homens heterossexuais vestem-se de mulher; gente considerada séria faz extravagâncias; tudo fica liberado, como que justificado, até a quarta-feira em que as cinzas na testa, colocadas pelo padre, darão perdão aos pecadores "penitentes". Não é por acaso que o calendário católico tem no Carnaval o termo a quo (termo inicial) para a contagem do período de Quaresma, até a Páscoa, incluindo a chamada "Semana Santa". Nesse lapso temporal, os foliões irão se "purificar" dos pecados que em fevereiro, a cada ano, voltam a cometer. É mais ou menos isso.
Em Salvador somos dois milhões e novecentos mil habitantes disputando um dos territórios com maior densidade demográfica no Brasil. É pouco chão para tanta gente. E quantos pulam no Carnaval? Mais de dois milhões, entre baianos e turistas.
O que pessoas como eu, que detestam Carnaval, fazem nesses dias? Muitos vão a retiros programados por suas igrejas. Minha esposa alugou cinco filmes, já que estaremos praticamente impedidos de sair de casa!
Na televisão, não se fala em outra coisa. Pelo menos deu tempo de o governador José Roberto Arruda ser preso e deixar o governo do Distrito Federal antes do Carnaval começar - aqui em Salvador já estava para ter início oficial...
Fico pensando na situação do prefeito, que é evangélico e, mesmo assim, precisa, como dever de ofício, gerenciar essa festa. E, com certeza, não poderia se furtar a esse papel, já que chefia o Poder Executivo de uma cidade que se considera a melhor do mundo em termos de festa carnavalesca e que se orgulha imensamente de seus ritmos, circuitos, trios elétricos, bandas, folias.
Sinto-me um estrangeiro aqui. É como se a cidade, tão acolhedora, não me acolhesse. Não sou folião, não gosto dessa festa, e a cidade vive, respira e pede por festa e mais festa. Somos, eu e a cidade, muito diferentes. Mas isso é claro: se sua chave, Salvador, é entregue ao Rei Momo, como posso eu não me sentir um forasteiro?
P.S.: apesar disso, Salvador tem coisas maravilhosas, seja nas lindas paisagens, seja no riquíssimo patrimônio histórico e cultural, seja, ainda, na alegria do seu povo.

4 comentários:

João Armando disse...

Não sabia que o prefeito de Salvador é evangélico. De que igreja?

Uma ideia é a TV por assinatura. São dezenas de canais, também há muito lixo mas há tantas opções que acaba valendo a pena. Na minha terrinha (50 000 habitantes) a grande festa é Santo Antônio, em junho. Igualzinho - farra, álcool, criminalidade, a cidade vira um lixo fedendo a urina, mais de 300 000 pessoas comparecem para carregar um tronco de árvore pelas ruas... Muitíssimo pouco de religiosidade católica permanece, mas por outro lado a igreja romana nada pouco ou nada fala contra. Acham é bom. E ai de quem achar isso tudo deprimente (eu).

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Sim, João, o prefeito de Salvador, em segundo mandato, é João Henrique Barradas Carneiro (PMDB, ex-PDT), membro da Primeira Igreja Batista do Brasil. Ele é filho do senador e ex-governador João Durval Carneiro. Na última eleição derrotou outro evangélico no segundo turno, o petista Walter Pinheiro. Foram dois evangélicos disputando a vaga de prefeito numa cidade difícil para o Evangelho...

lucas disse...

boa tarde irmão irmão o congresso de missão integral a qual o pr ricardo gondim e outros pastores como rene padilha participou.

foi gravado em dvd você teria estas informações para me passar


abraços

lucas

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Lucas,

Eu não tenho essas informações, mas acredito que você pode obtê-las junto à Igreja Batista da Graça, onde ocorreu o evento. Ela tem um "site": http://www.ibgraca-ba.com.br/ibg/
Um abraço.
Alex.

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Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
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Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
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Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.