quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A família nas Escrituras

Deixo aqui para eventuais interessados algumas reflexões que preparei para falar numa de nossas congregações aqui em Salvador/BA, no ano de 2013, sobre "família". Vejamos:
1. Deus criou a família antes da Igreja e antes da sociedade. Trata-se, pois, de uma instituição divina. Em Gn 1.26-28, Deus ordena a Adão e Eva que cresçam e se multipliquem. Em Gn 2.18, Deus afirma que "não é bom que o homem esteja só". Estabelecido o princípio gregário, a família foi criada, e nisso se constata forte vínculo entre a família e a sociedade. O texto de Gn 1.26-28 revela os aspectos da espiritualidade, moralidade, igualdade entre os cônjuges, sexualidade e responsabilidade, o que torna a família caracterizada por traços biológicos, relacionais, assistenciais, éticos e sociais. 
2. Deus revelou-Se a uma família. Abraão, Isaque e Jacó, chamados por Deus, deram início a uma família que veio a se tornar o povo de Israel (família-clã-tribo-povo-Reino). Muitas histórias patriarcais narradas em Gênesis mostram conflitos e sentimentos típicos de relações familiares. A família de Davi passou por sérios problemas por causa de pecados cometidos.
3. As genealogias são registros de famílias (Antigo e Novo Testamento).
4. A Igreja é a “família de Deus”. Ef 2.19.
5. As Escrituras valorizam a família. No Antigo Testamento há, por exemplo, ênfase nos valores transmitidos pelos pais (Pv 4.1-5; 6.20-23; 13.1; 14.1; 17.21; 19.18; 22.6; 23.22). Usa-se muito a expressão “filho meu” (1.8, 10, 15; 2.1; 3.1, 11, 21; 4.10, 20; 5.1 (7), 20; 6.1, 20; 7.1; 23.26; 24.13,14). A missão da mulher virtuosa é descrita em Pv 31.10-31.
6. O Novo Testamento também valoriza a família. O texto de Ef 5.21-6.4 trata de autoridade e submissão, liderança, espiritualidade, amor, educação cristã, honra, disciplina. O texto de Cl 3.18-21 cuida de submissão, amor, obediência, cuidado paternal. I Pe 3.1-7 trata de testemunho, simplicidade e modéstia cristã, dignidade, igualdade entre os cônjuges, espiritualidade,  vida em comum, discernimento. I Tm 3.2,12 ensina que os obreiros devem dar o exemplo na condução de suas famílias. I Tm 5.8 mostra que a família é ambiente de assistência e previdência.
7. O inimigo pretende desorganizar as famílias. 
Está em curso a agenda política da militância homossexual, apregoando a adoção de crianças por duplas homossexuais -  o que já ocorre -, e novas definições da sexualidade e da própria família, com a defesa de “novos modelos de família”. Tem-se apresentado como algo normal a família monoparental e a família de pais homossexuais.
É próprio das esquerdas a intervenção do Estado na vida privada e doméstica, o que adentra à esfera da educação e disciplina dos filhos. Eles querem reinventar a orientação sexual e influenciar a ideologia e a cosmovisão. 
A família deve ser uma proteção para o indivíduo, e por isso as esquerdas e o liberalismo teológico têm lutado contra os alicerces familiares firmados por Deus na Sua Palavra.
Não é de hoje que esse ataque existe, procedendo de variadas fontes. Em Esparta, cidade-estado altamente militarizada, as crianças pertenciam ao Estado e desde cedo eram arrebatadas dos lares familiares para o treinamento bélico. Na Alemanha Nazista, crianças eram tomadas para a doutrinação nacional-socialista. O Comunismo Soviético, cujo traço fundamental é o totaliarismo, era avesso aos valores individuais e familiares. Se os comunistas e socialistas punham o Partido acima do indivíduo, os regimes fascistas - entre os quais o Nazismo - enxergavam o Estado nesse patamar.
Há através dos séculos uma tendência “coletivista” de eliminação da família, entendendo-se erroneamente o indivíduo como filho do grupo social ou comunidade. O Socialismo Marxista entende que a família tradicional é uma invenção burguesa, capitalista.
Não se trata de moralismo, mas precisamos defender valores cristãos a respeito da família. Tenho receio de que não estejamos verdadeiramente atentos a isso.



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Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
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Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.