terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Interpretação bíblica

Numa discussão acerca da melhor interpretação de textos bíblicos, o interlocutor literalista irá dizer: "De minha parte, prefiro ficar com a Bíblia". Na verdade, essa frase significa que ele prefere a interpretação literal da Bíblia, o que é bem diferente de "ficar com a Bíblia".
De fato, o critério da interpretação gramatical é apenas o primeiro, a porta de entrada do exame textual. Depois vêm os critérios da interpretação contextual, sistemática, teleológica (olha a finalidade do texto), histórica, lógica (considera o bom senso).
Tenho para mim que, ao dizer que "a letra mata e o espírito vivifica" (II Co 3.6), Paulo estava se referindo ao espírito do texto, ao sentido, ao fundamento, à sua razão de ser. Observe que "espírito" vem traduzido em algumas versões com letra minúscula (ARA, ARC, por exemplo) - isso deve nos dizer alguma coisa, embora a própria tradução também dependa de interpretação, daquilo que vai na mente do tradutor.
Em minha concepção, "espírito", nesse texto, é o que em Direito nós chamamos de "ratio essendi", e que Montesquieu denominou "o espírito das leis".
Creio até que, culto como era, Paulo pode ter usado seu conhecimento, quem sabe, jus-filosófico para dizer isso, que as pessoas distorcem tanto, achando que ele estava rejeitando o estudo e privilegiando o analfabetismo cristão. Nada mais tacanho!
Um texto não diz só com as palavras. Ele traz consigo o cenário, o contexto histórico, cultural, político, a situação geográfica, a forma literária, a autoria, a data, a ocasião da escrita, os motivos determinantes da redação. Tudo isso importa na interpretação e aplicação textual.
Quem pensar diferente tem que deixar de lado as enciclopédias, os manuais, comentários e dicionários bíblicos, os mapas e atlas, as concordâncias, os programas de informática que auxiliam o leitor da Palavra. É contraditório ser literalista e ao mesmo tempo usar recursos adicionais.
Não estou dizendo que devemos ir além da Palavra de Deus, mas que o estudo da Palavra de Deus exige que ultrapassemos os limites dos meros sinais gráficos, e possamos compreender o sentido e o alcance do texto pelo que ele mesmo oferece. Longe de ir além do texto, mas respeitá-lo, não ficar além nem aquém.
Falaremos disso um pouco mais, se Deus quiser.

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Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.