domingo, 17 de agosto de 2008

A origem idólatra das Olimpíadas, e como o cristão deve se portar diante disso

As Olimpíadas tiveram origem intimamente ligada à adoração de Zeus, considerado, pelos antigos gregos, o deus dos deuses. Os Jogos Olímpicos misturavam-se com sacrifícios religiosos; atletas eram tidos como semi-deuses, filhos de divindades com seres humanos; havia culto e templos dedicados a atletas mortos, vistos como heróis, com poderes miraculosos. Havia, ainda, os "deuses do Olimpo", e Olímpia era a cidade que sediava os Jogos. Esses elementos, aqui dispostos singelamente, apontam para a completa interação existente entre o surgimento das Olimpíadas e o politeísmo grego.

Essa relação entre Olimpíadas e religião foi rememorada quando dos Jogos de Atenas, em 2004, pois os organizadores resolveram narrar a história da Competição. Ali ficou bem claro o vínculo histórico entre a adoração a Zeus e o as Olimpíadas Antigas, que duraram de 776 a.C. a 392 d.C.

Diante disso, nós cristãos somos levados a perguntar que postura devemos ter diante dos Jogos Olímpicos, não nos esquecendo de que há atletas olímpicos que confessam a Cristo como Salvador e SENHOR.

Vale observar primeiramente que não só os esportes eram praticados sob uma visão religiosa, mas tudo o que se fazia na Grécia Antiga tinha essa conotação, já que a religião explicava a vida. Essa era a cosmovisão: não se separava a religião da política, da filosofia, dos esportes, da medicina, e se sabe que é da mitologia grega que se alimentam, hoje, conceitos psicológicos como o Complexo de Édipo, por exemplo. Enfim, a mitologia era a maneira grega de explicar a vida.

Também muitas palavras de nosso vocabulário têm origem grega, como hermafrodita, que une Hermes e Afrodite para significar uma pessoa com características sexuais ambíguas. Hermes ("mensageiro") seria filho de Afrodite, deusa do amor e da beleza...A palavra hermenêutica, tão usada por nós estudantes da Teologia, vem de Hermes, já que este seria o intérprete da vontade dos deuses...,sendo ainda um dos deuses do Olimpo.

O apóstolo Paulo serviu-se das competições olímpicas para fazer algumas ilustrações pastorais. De fato, quando se refere ao mundo do esporte, Paulo tem em mente o mundo olímpico, pois ele viveu nesse período.

Assim é que Paulo diz que os que correm no estádio correm, mas um só leva o prêmio; que "todo atleta em tudo se domina", mas que, enquanto o atleta comum busca uma "coroa corruptível", os servos de Cristo buscam a "coroa incorruptível; que ele mesmo corre, mas "não sem meta"; luta, mas "não como desferindo golpes no ar"; que esmurra seu corpo, reduzindo-o à escravidão, a fim de não ser desqualificado ou reprovado (I Co 9.24-27). Essas afirmações demonstram o quanto Paulo conhecia das competições e da vida do atleta, que sofria para manter a forma física, com o intuito de ser o vencedor.

Registre-se que a corruptibilidade da coroa do atleta comum não tem que ver com a pecaminosidade do esporte, mas com o fato de que a coroa terrestre era algo perecível, enquanto a coroa a ser recebida no Céu é eterna, não perecerá jamais. Na verdade, o apóstolo usa a metáfora do esporte de maneira positiva, comparando a vida cristã com a vida do esportista, que se exercita com rigor e age em função de metas.

Isso é feito ainda em I Tm 1.18, quando Paulo exorta o pastor Timóteo a combater o com combate; quando o próprio Paulo diz que combateu o bom combate e completou a carreira (II Tm 4.7); quando diz que "o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas" (II Tm 2.5).

Outra alusão indireta ao esporte pode ser extraída de I Tm 4.7,8, onde Paulo exorta Timóteo a se exercitar pessoalmente na piedade, pois, se o exercício físico aproveita pouco, a piedade é proveitosa em tudo, pois "tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser".

Desde que surgiram as Olímpiadas Modernas, no final do Séc. XIX (1896), seu objetivo tem sido o de reunir os povos pacificamente em torno do esporte, sem a conotação religiosa de outrora. Sinceramente, não vejo mal nenhum nisso, e parece que Paulo soube diferenciar o esporte, em si, do sentido religioso que o povo grego lhe deu. Aliás, como dissemos, tudo para os antigos gregos era dominado pelos mitos idólatras, toda a sua vida era guiada por concepções de vários deuses, como se exemplifica no episódio de Paulo em Atenas (At 17.16-34).

Acredito que as coisas devem ser discernidas com cuidado e - vou usar a palavra - inteligência. Procede a idéia de que tradições podem mudar de sentido ou de função com o passar do tempo. Uma festa ou outro evento pode adquirir significados diferentes ao longo dos séculos.

Portanto, não sou contra a participação de cristãos em Olimpíadas, e eu mesmo gosto de ver algumas competições, especialmente a ginástica artística. Gosto de ver o Ser Humano se superar, em harmonia com outras nações.

Os dados históricos dos dois primeiros parágrafos foram pesquisados no seguinte endereço:

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL726854-9982,00-OLIMPIADAS+GREGAS+ERAM+DISPUTA+ESPIRITUAL+AFIRMA+HISTORIADOR.html

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Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
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