quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Plenitude e vazio

A pregação pentecostal destaca o ser cheio do Espírito, que também podemos chamar de plenitude do Espírito. Há fundamento bíblico para isso? Sim, e está em diversos textos da Escritura Sagrada, principalmente na teologia lucana, o que você pode ver em Lc 1.15, 41, 67; 4.1, At 2.4, 4.8,31, 6.3,5; 7.55; 9.17, 11.24; 13.9, mas semelhantemente encontrado em Paulo, conforme Ef 5.18, onde somos exortados a nos enchermos do Espírito - até agora, tenho pensado que foi o "médico amado" (Cl 4.14) quem sistematizou o pensamento paulino, de natureza tão fragmentária e responsiva, mas este é outro assunto...
O tema da plenitude não escapou ao profeta Miquéias, no Antigo Testamento, que disse estar cheio do Espírito do SENHOR e de Seu poder (3.8).
De fato, é bíblica a doutrina do encher-se do Espírito. Todavia, pouca gente fala do esvaziar-se...
Sim, meu caro, antes do enchimento é necessário o vazio. É ordem de Cristo que nos esvaziemos de nós mesmos, e isso não pode ser ponto divergente entre pentecostais e históricos, porque constitui a essência do Cristianismo Bíblico!
Mas que pentecostal atrevido este, que vem nos falar de vazio, quando queremos ser cheios! Desculpe-me a franqueza, amigo leitor, mas não posso deixar de escrever sobre o que se passa em minha mente neste exato momento. Quero apenas afirmar que antes da plenitude há que existir o vazio.
Foi o próprio Jesus Quem deu o exemplo magistral ao Se esvaziar de si mesmo, tomando a forma de servo, assemelhando-se aos homens (Fp 2.7). A palavra grega aqui é kenosis. Cristo não deixou de ser Deus, mas Se esvaziou de Sua glória para assumir a forma de homem, a fim de viver para modelo dos fiéis e morrer para salvar os pecadores. Ele decidiu o caminho da humilhação, da obediência, do sofrimento, do sacrifício vicário, da renúncia e do perdão.
Assim devemos viver, negando a nós mesmos, tomando nossa cruz, e seguindo a Cristo dia após dia (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 9.23). Esse esvaziamento é um comportamento ético que imita a Cristo, se é que o queremos imitar como filhos de Deus (cf. Ef 5.1).
Com efeito, Paulo declarou ter sido crucificado com Cristo para que não mais vivesse por si mesmo, mas para que Cristo nele vivesse (Gl 2.19,20). Essa é a suma do Evangelho.
Não acredito em pregações que enfatizam um encher-se desprovido do esvaziar-se. Não há substância nisso. Quem propaga um enchimento desvinculado do esvaziamento está caminhando para o emocionalismo, que, por favor, não é o caráter de Cristo.

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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.