quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Uma palavra de incentivo a professores da Escola Bíblica Dominical*

Socializo com o eventual leitor o material que preparei e apresentei numa igreja batista em Campo Grande/MS para professores de Escola Bíblica Dominical, esses incansáveis e destemidos servos de Deus, nem sempre honrados, e tantas vezes reprimidos. Veja abaixo, com pequenas adaptações que fiz para este blog:

O que falar a professores quando se trata de Escola Bíblica Dominical (EBD):
  • Fundamentos do ensino cristão;
  • Pedagogia cristã;
  • Administração da EBD;
  • Desafios atuais.

Nosso objetivo neste momento:

Abordar os fundamentos do ensino cristão

Princípios bíblicos do ensino:
O ensino é um dom de Deus (Rm 12.7; Ef 4.11);
O ensino tem uma recompensa (Dn 12.3);
O ensino faz parte da obra do Espírito Santo (Jo 14.26);
O ensino é a vida normal da igreja (At 2.42);
O ensino é o propósito da Escritura (II Tm 3.16,17);
O ensino protege a igreja contra heresias (II Pe 3.17,18);
O ensino que provém de Deus leva a Deus (Jo 6.45);
O ensino respeita a inteligência do Ser Humano (Pv 1.1,2).
O que é a EBD
Escola
Popular
Universal
Metódica
Ministério pessoal
A EBD...
Não é só departamento, mas a Igreja em sua dimensão de ensino;
Concilia Mt 28.18-20 e Mc 16.15;
É espiritual e intelectual;
Busca fincar raízes no coração do aluno (ver Mt 13.6).
O ensino na Bíblia
O ensino no A.T.:
Daniel e seus companheiros eram estudiosos (Dn 1.4,17,20).
Moisés foi informado pelos egípcios, mas formado por sua mãe (At 7.22; Hb 11.23-26).
A Lei de Moisés trazia (e traz) no Shemá a responsabilidade educacional dos pais (Dt 6.4-9), enquanto a palavra Torah, que traduzimos como "Lei", significa precisamente "instrução" (Rm 2.18-20).
Paulo disse que a Lei é “pedagoga” (Gl 3.24).
O Livro de Deuteronômio dá grande ênfase ao ensino (Dt 1.5; 31.9-13).
Os sacerdotes eram também professores (II Cr 15.3).
Houve um ensino institucional em Judá (II Cr 17.7-9).
Os Livros Sapienciais são conselhos dos sábios, figuras veterotestamentárias que costumamos esquecer, pois lembramos somente de reis, profetas, sacerdotes e juízes.
O Livro de Provérbios começa valorizando os dotes intelectuais (Pv 1.1-7).
O Livro de Eclesiastes é o Livro do Ensinador, embora chamemos o Eclesiastes de "Pregador".
Há Salmos que são classificados como "didáticos".
As escolas de profetas eram ambientes de formação de líderes na época de Samuel, e ainda de Elias e Eliseu. Havia transmissão de conhecimento.
Os profetas literários não ignoraram a Lei. Antes, estimularam um retorno à Lei.
O período do Exílio Babilônico foi o nascedouro das sinagogas, típicos lugares de ensino da Lei.
O período do pós-cativeiro foi rico em conhecimento da Escritura, tendo em Esdras seu expoente intelectual, porque ele se dispôs a estudar e ensinar a Palavra de Deus (Ed 7.10).
O avivamento narrado em Ne 8.1-8 não teve início em barulhos artificiais e meras emoções, mas com a simples leitura da Palavra de Deus, que produziu reformas importantes, mudança de atitude.

O ensino no N.T.:
As sinagogas podem ser comparadas a escolas bíblicas.
Jesus freqüentava assiduamente as sinagogas (Lc 4.16-20).
Jesus é Mestre (“Rabi”).
Jesus ensinava em diversos lugares;
Jesus ensinava tanto a multidões e pequenos grupos como a uma pessoa só.
Jesus empregava os métodos de parábola, exposição e diálogo.
O Apóstolos exerceram o ensino (Mc 6.30; At 5.21).
A Igreja Primitiva era uma comunidade de ensino (At 2.42; 5.42; 13.1):
Havia presbíteros ensinando (I Tm 5.17);
Havia pastor ensinando (I Tm 4.11; 6.3);
Estevão pregou ensinando (At 7.16-34);
Paulo e Barnabé ensinaram em diversas igrejas, tais como Antioquia (At 11.26), Éfeso (At 20.20,31), Corinto (At 18.11).
Paulo ensinou em Roma (At 28.31) e na escola de Tirano (At 19.9).
Paulo formou-se na escola de Gamaliel (At 22.3); fazia citações do A.T., manuseava fluentemente figuras de linguagem como alegorias, ilustrações, comparações, e detinha conhecimento vasto, abrangendo direito, filosofia, poemas não-cristãos.
Paulo usava de contextualização (At 17.16-34)
Dados históricos
A “Idade das Trevas” ou Idade Medieval coincidiu com o tempo em que a Igreja Católica Romana dominou o mundo e impediu o conhecimento da Escritura Sagrada. Não houve desenvolvimento cultural, econômico, social, científico, tecnológico nem político.
A Reforma Protestante (1517) foi um marco histórico mundial, e partiu do exame da Escritura, donde vieram princípios libertários que propiciaram o desenvolvimento de nações ocidentais, como a Inglaterra, a Suíça e a Alemanha.
Origem da EBD: começou com crianças pobres, na Inglaterra, e veio para o Brasil com o missionário e médico escocês Robert Reid Kalley.
Conclusão.
A Igreja apenas colabora na formação das crianças e adolescentes.
A educação primordial é dever dos pais.
A Igreja é uma comunidade de ensino.
Devemos fazer discípulos, não somente alunos.
Temos a unção do Espírito para nos ensinar (I Jo 2.27).
O triste declínio da Escola Dominical em tantas igrejas evangélicas brasileiras é um claro indício de que o crescimento evangélico em nosso País não tem sido sustentável.
IMPORTANTE:
Não adianta a igreja exigir que a Escola Dominical dê certo se a comunidade como um todo não for um ambiente de ensino; se os pastores e outros líderes não entenderem que todas as reuniões são momentos de ensino; e não haverá sucesso pedagógico se o que o professor de EBD disser em classe, com base na Bíblia e na confissão da igreja, for contrariado pelos líderes, ao púlpito! Nenhuma gincana, nenhuma campanha, nenhuma iniciativa da administração da igreja atrairá alunos se esses aspectos não forem observados. A incoerência não é uma boa professora.
*Também tenho isso em apostila e "slides", podendo disponibilizá-los gratuitamente a quem quiser. Peço apenas que mencione a fonte, por gentileza, não pelo conteúdo - que é preponderantemente bíblico - mas pelo trabalho que tive para organizar isso. Espero que sirva de ajuda nessa desafiadora tarefa de ser professor de EBD em tempos de inanição espiritual.

3 comentários:

FABIO JOSÉ disse...

Prezado Alex, gostaria que me auxiliasse sobre uma questão, se a souber. Certa feita, um palestrante de música em uma Igreja Batista, mencionou que, na história da igreja, houve muita resistencia dela para aceitar a EBD, inclusive com declarações de que àquilo era coisa do diabo e não se aplicaria na igreja. O irmão tem o conhecimento de alguma fonte à esse respeito?
(Prezo muito por repassar exemplos e comentários com com bases, por isto busco fontes)
Obrigado. Paz!

PROMESSAS disse...

Paz do senhor

Sou da igreja o Brasil Para Cristo de Sorocaba, seria possível passar esse conteúdo em slides?
Obrigado.
Deus te abençoe pela iniciativa.
e-mail: fabinhofbg@gmail.com

Fabio Souvenir

Anônimo disse...

Gostaria que me mandasse este estudo em slide. Obrigada
e-mail: deboraemarques@globo.com

Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

Arquivo do blog

Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.