domingo, 18 de abril de 2010

Dos programas evangélicos de TV que "não podem parar"

Será que você, eventual leitor, acredita mesmo na fala daqueles telepastores que dizem, em tom de ameaça, que sua oferta ou "semente" é necessária para que almas sejam ganhas e o programa não deixe de ir ao ar? Você fica com receio de não ser fiel a Deus se deixar a condição de "associado" ou "patrocinador"? Será que em seu coração passa a simples ideia de que esses programas de TV são essenciais para a expansão do Reino de Deus?
Se o eventual leitor tiver algum sentimento de angústia em seu coração sobre o ofertar ou não para esses programas, tente refletir e responder às seguintes perguntas:
a) Há alguma obra humana que possa ser condição indispensável para a ação de Deus em prol da Salvação? Se existe essa obra humana, ela já não foi cometida na Cruz por um Homem chamado Jesus, o Cristo, o Filho de Deus?
b) O programa em questão prega o Evangelho genuíno ou existe nele uma mistura de doutrinas?
c) Você entende que os fins justificam os meios ou que o Nome de Jesus não deve ser associado a ameaças, heresias e comportamento anti-ético?
d) Você acredita mais no método ou na doutrina?
e) Parafraseando Charles Sheldon: nos passos desse telepastor, "que faria Jesus"? Usaria de meios como "lei da semeadura financeira", "unção financeira", ameaças, pedidos insistentes, ou contaria com a Providência do Pai?
f) Se a obra é de Deus, ela depende de nossos esforços exauridos ou nossos esforços devem ser os estritamente necessários para que o poder de Deus se manifeste? Dito de outro modo, se a obra é de Deus, por que eu devo "forçar a barra"? Que fé e que milagre são esses que dependem da exploração da viúva pobre, da exploração dos pobres dentro do Templo do SENHOR, da exploração da fé do povo? Se não temos ao dinheiro como deus, por que ele é cada vez mais exaltado?
g) Programas de TV são tão eficazes assim na pregação e no discipulado? São mesmo? Quem disse isso? Há uma estatística? E mais: que método ou mídia substituiu a conversa com a mulher samaritana, a conversa com o publicano Zaqueu, a conversa com o líder religioso e intelectual Nicodemus, a conversa com Maria (de Betânia), a conversa e comunhão com os discípulos, bem como a profunda amizade entre Jesus, Pedro, Tiago e João? O que pode substituir o amor, o contato, o diálogo, a evangelização pessoal? Diga-me: Evangelho é algo pessoal ou pode ser confundido com um fundo em que deposito dinheiro e me livro da obrigação de pregar?
h) Se a coisa estiver difícil, quase impossível, não será o caso de perguntar a Deus se é de sua vontade o que fazemos? Se o programa é tão caro, se há tantas prioridades, e se há outras pessoas fazendo o mesmo que eu, por que então buscar com insistência o alcance de metas que podem ser eminentemente pessoais? Se Deus estiver em nossos projetos, não é certo que haverá sempre a vitória depois da prova? Por que, então, tamanha briga por espaço, poder e dinheiro?
Feitas essas perguntas, e respondidas sob reflexão, pense nisso: Jesus está necessariamente com a maioria? O sucesso do Ministério de Jesus é medido de que maneira? É pelo número de discípulos que se constata o sucesso de Jesus? Das multidões que ouviam Jesus, quantos o viram ressurreto? Não foram 500? E quantos Ele havia mandado pregar de dois em dois? Não foram 70? E quantos foram os apóstolos? Não foram 12? E quantos foram os mais chegados? Não foram três? E quantos reclinavam sua cabeça junto a Jesus? Não era apenas um? E quantos efetivamente ficaram com Jesus quando Ele foi preso? Ora, Jesus procurou maiorias ou doutrina? Maiorias ou ética? Maiorias ou a vontade do Pai? E se ninguém quiser ouvir, o que fará Jesus? Ele aceitará aqueles que o Pai Lhe trouxer, e não os lançará fora, mas Jesus nunca "força a barra".
Portanto, eventual leitor, não se apoquente. Fique em paz com Deus.
E lembre-se de que Deus é Fiel não para simplesmente cumprir promessas de prosperidade. Ele é fiel para, se quiser, se for o caso, destruir Sodoma e Gomorra e o que mais vier pela frente em termos de podridão moral. Deus não tem compromisso com o pecado. De nada adiantará ararmos em terra seca, em terra que Deus abandonou. Lançaremos a semente da Palavra, mas o crescimento vem do SENHOR! Precisamos apenas compreender como o nosso SENHOR age em nossos dias, o que Ele está fazendo. Achar, como diz meu amigo Emel Rapchan Jr. - por onde andará? - que somos "a última grande aquisição para o Reino de Deus" é um tanto arrogante. Deus está com os humildes. Com os humildes.

4 comentários:

João Armando disse...

Sabe por que eles precisam pedir tanto dinheiro? Porque são escravos do dinheiro. Porque vão se acostumando, paulatinamente, com uma vida nababesca, e cada vez precisam de mais e mais para manter o estilo de vida. Por exemplo, veja no link abaixo o que os tais "pastores" andam fazendo com o dinheiro das ofertas - e veja também a enxurrada de comentários que a situação provocou. Agora, ter avião a jato particular é sinal da bênção de Deus, de "comer o melhor da terra", como disse um dos comentaristas. É de arrepiar, revendo os comentários, como há tanta gente que os defende. O link é http://cristianismohoje.com.br/ch/pastores-voadores/

francisco disse...

Os programas de tv evangelicos que consigo assitir hoje e so o do presbiteriano hernandes dias lopes, o unico ate agora que nao apela na pedilança
os demais estao todos na farinha do mesmo saco
Parece que tem um evangelista irritado com a blogosfera crista chamando os internautas de canalhas por denunciarem suas mazelas
http://www.youtube.com/watch?v=OlDUry_MFfE

francisco disse...

O mala falou mal dos blogueiros que denuncia suas pidilanças na net
tem varios blogs alguns exagerados na critica mas a maioria tem razao entre eles , pulpito cristao, blog do ciro, altair germano, caminho plano, bereianos, veshame gospel, exejegues etc

Gilberto Esteves da Rocha disse...

Alex, o conteúdo das suas postagens são profundos e abrangentes. Se a gente não comenta é por medo de errar. São muito bons. Agora sei, com meus 5 anos de vida evangélica que, a caminhada do aprendizado da vida cristã é crescente e, discordar dos seus conteúdos é bobagem. As igrejas que estão nas TV e rádios misturam as mensagens e colocam nas cabeças dos iniciantes com falsas promessas terrenas. Como a mentira tem pernas curtas, logo vão perceber que a igrejas locais tem pastores mais perto das suas ovelhas.

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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.