domingo, 4 de abril de 2010

Jeremias

Começamos hoje, na Assembleia de Deus em todo o Brasil, o Segundo Trimestre das revista Lições Bíblicas, da CPAD, agora com o tema Jeremias - esperança em tempos de crise. A primeira lição teve por título Jeremias, o Profeta da Esperança. Tratamos neste domingo de Jr 1.1-10.
Jeremias foi um profeta de família sacerdotal, da cidade de Anatote, a 6km a nordeste de Jerusalém (hoje, Anata). Era uma pequena cidade na região de Benjamin.
O termo "Jeremias" significa "o SENHOR estabelece", "o SENHOR funda" ou "o SENHOR lança" - vejo aqui a possibilidade de que em Jr 1.10 Deus tenha feito um jogo de palavras usando o nome de profeta, pois uma das missões de Jeremias seria "edificar".
Jeremias é considerado "o profeta das lágrimas", certamente por causa de 9.1 e 13.17 e do Livro que, não por acaso, se chama Lamentações de Jeremias. E por que ele chorava? Basicamente por causa do pecado de seus compatriotas e do cativeiro a que tiveram que ser submetidos.
Nosso profeta das lágrimas não pôde se casar (16.2), tendo sido, portanto, um celibatário pelo Reino de Deus. Realmente, com a vida que ele levou, ter uma família seria completamente imprudente. Tinha que ser ele um profeta solitário.
A princípio, Jeremias relutou em sua vocação. Alegou ser uma criança (na'ar). Dizem os estudiosos que teria cerca de 20 anos de idade*. De toda maneira, devia ser, em sua concepção, muito novo e inexperiente para enfrentar reis, príncipes, anciãos, sacerdotes e o povo em geral. Mas Deus o havia chamado e consagrado (santificado) desde o ventre materno. Compreendo, de qualquer forma, que Jeremias aceitou o chamado e foi tocado pela mão de Deus para receber as palavras que deveria falar.
Jeremias relutou. De fato, os melhores relutam ao chamado, enquanto os menos preparados são os primeiros a comparecer. Os mais competentes e consagrados resistem porque sabem que a vocação é para o trabalho duro e elevado, e não para meros prêmios seculares.
Diz-se que Jeremias era terno, manso, sensível. Creio que não foi fácil para uma pessoa assim enfrentar tantas injúrias e oposições. Deus o havia fortalecido, eu sei. Mas como aquele homem sofreu!
Jeremias ministrou entre 626 e 586 a.C., conforme os primeiros versículos do cap. 1, mas foi até um pouco mais, durando o seu minostério mais de 40 anos. Com a invasão de Jerusalém por Nabucodonosor em julho de 586 a.C., Jeremias foi autorizado a ficar em Jerusalém ou ir para a Babilônia, como quisesse, mas preferiu ficar. Foi preso pelos judeus e levado para o Egito, onde deve ter morrido. Teve que ver o assassinato do governador Gedalias, morto pelos nacionalistas.
Houve uma sucessão de reis durante o ministério de Jeremias: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim (Conias, Jeconias) e Zedequias. Dois desses eram irmãos de Josias: Jeoaquim e Zedequias. Havia conturbação política, fraqueza moral e idolatria. Havia profunda crise em Judá, intromissões bélicas, busca pelo apoio da Assíria ou do Egito e, em meio a tudo isso, Jeremias pregando a mensagem impopular de que o certo seria entregar-se ao mando da Babilônia.
Desertor e traidor eram os adjetivos atribuídos a Jeremias pelos seus conterrâneos. Ele não tinha aceitação nenhuma entre os seus. Até mesmo seu secretário, Baruque, quis desesperar da vida. Era difícil aquele tempo!
Há muito o que discutir acerca de Jeremias, e muito, mas muito mesmo, o que aproveitar hoje. Afinal, não vivemos numa crise? Os verdadeiros profetas de Deus não são solitários? Não há a necessidade de enfrentamento de "reis" e "sacerdotes" maus, sem compromisso com Deus? Sim, vivemos numa profunda crise moral e espiritual na Igreja brasileira. Cabe a nós a escolha: andarmos com o impopular Jeremias ou com aqueles a quem ele enfrentou.

*ARCHER, Jr., p. 299.

Referência bibliográfica:
ARCHER, Jr., Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Edições Vida Nova, 3ª ed., 1984, 515p.


4 comentários:

João Armando disse...

As palavras de Jr 1.10 sempre me impressionaram. Jeová usou seis verbos para descrever o ministério de seu profeta - quatro eram negativos e dois positivos - vejamos: Do lado desagradável, ele haveria de a) arrancar, b) derribar, c) destruir, d)arruinar; do lado positivo, ele a) edificaria e b) plantaria. A leitura que faço é que o obreiro deve estar pronto para obedecer. Sua alegria não deve ser nos "frutos", isto é, em quantas conversões houve, ou quanto foi feito. Deve alegrar-se em ser fiel. Como você bem disse, Jeremias sofreu muito, o livro de Lamentações o atesta. Logo no seu chamamento ele foi alertado que boa parte do seu ministério profético não modificaria a vida das pessoas. Seria mais um motivo para o castigo delas. Isaías teve chamado parecido (ver em Is 6.9 a 13). Que possamos aprender com ele a fidelidade. Aos despenseiros importa que sejam encontrados fieis.

Alexandre Pitante disse...

Paz, Alex.

Parabéns, pelo seu trabalho neste blog. Que Deus em Cristo Jesus lhe continue abençoando poderosamente.

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Um abraço, Alexandre Pitante.

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Alexandre,

Obrigado pelo acesso, pelo comentário e por estar seguindo o blog.
Vou acessar seu blog.
Um abraço.
Alex.

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

João,

Na Escola Dominical, fiz menção semelhante a essa que você faz aos aspectos positivos e negativos do chamado de Jeremias. Nota-se que a carga "negativa" prepondera. Hoje não é diferente: nossa missão não é sempre de anunciar. É também de denunciar.
Grande abraço.
Alex.

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Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
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E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.