segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mais sobre o caso Boris Casoy

Voltando ao tema da "gafe" cometida pelo jornalista Boris Casoy no derradeiro dia do ano de 2009 (escrevi sobre isso em outra postagem), não comentei ainda o seu pedido de desculpas, além de ser necessário tecer algum comentário sobre alguns desdobramentos do fato.
No dia seguinte à triste afirmação, Boris Casoy pediu desculpas aos garis e aos telespectadores da Band, o que fez por meio de uma frase pequena e seca. O tamanho da "bobagem" que ele falou - para usar um adjetivo usado por ele mesmo - requeria uma emenda melhor. Pedido de desculpas não resolve a questão, pois o que fica é que o jornalista pensa mal dos varredores de rua. Seria preciso um texto maior, mais apurado, em que o jornalista iria se explicar e contradizer peremptoriamente a declaração precedente.
Entretanto, muito pior do que as palavras de Casoy foi o texto de Bárbara Gancia, sua colega de Band News FM, no texto intitulado "Sirvam a cabeça do Boris com batatas", publicado na Folha de São Paulo de 08 de janeiro. Essa senhora comete em seu artigo vários erros deliberados, refletidos, sem poder se ancorar no vazamento de áudio: a) diz que os garis são mesmo o posto mais baixo da escala do trabalho, sob o argumento de que médicos não fariam esse serviço; b) alega, com generalização descabida, que a reação à gafe de seu colega vem da esquerda contrária ao conservadorismo de Boris Casoy; c) acusa a todos de hipocrisia por supostamente terem idênticos pensamentos em relação aos garis, apoiando-se, mas sem relação direta, na pesquisa de Fernando Braga da Costa segundo a qual os lixeiros são como que invisíveis aos olhos da sociedade; d) declara que é motivo de riso garis darem felicitações de ano novo; e) usa a biografia do jornalista como escudo contra as críticas.
Sim, essas coisas estão escritas, não foi um problema técnico, uma falha do jornal, como no caso de Boris Casoy.
Dona Barbara Gancia cometeu erro mais grave que o de Boris Casoy, pois, enquanto este manifestou seu preconceito de forma impensada, mas natural, ela deliberadamente colocou no papel as coisas preconceituosas que pensa. Em suma, essa jornalista acredita que as pessoas sejam divididas em escalas hierarquizadas, e que assim deve ser por causa do mérito de uns, estes habilitados a desejar boas coisas aos outros por estarem bem posicionados socialmente. É como se a vida valesse pela posição nessa escala socioeconômica: se está na parte inferior, como desejar o melhor para quem está acima?
Todavia, repenso minha posição anterior quanto à necessidade de demissão do jornalista. Entendo, agora, com maior reflexão, que caberá aos telespectadores avaliar a credibilidade do âncora. Nesse caso, sua biografia de bons serviços jornalísticos não pode mesmo ser descartada - mas veja: não para diminuir sua responsabilidade no episódio, e, sim, para evitar uma punição tão severa.
Por outro lado, discordo totalmente de críticas que adentram a áreas outras como a sexualidade ou a etnia do jornalista. Se Boris Casoy é judeu, deve ser respeitado como judeu, e, mais do que isso, como pessoa humana. E se ele tem essa ou aquela orientação sexual, isso nada tem que ver com a "bobagem" que ele proferiu quanto aos garis. Misturar essas coisas é duplamente errado, e torna mais preconceituosos os que o acusam.




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