quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Pense no Haiti"*

Como editor de blog, me vejo frequentemente atraído a escrever e publicar textos sobre os mais importantes fatos noticiados pela imprensa. Nem sempre consumo a ideia, pois não tenho ferramentas suficientes para tratar de determinados assuntos, e procuro não ser tão amador. Todavia, desta vez eu quero deixar uma palavra sobre o terremoto de 7 graus na escala Richter que abateu o Haiti no dia de ontem.
O Haiti é o país mais pobre das Américas, com uma história marcada por golpes, rebeliões, repressão política e miséria. Não bastasse, teve recentes furacões em 2008, e agora esse terremoto absurdo, o maior em 200 anos naquele país.
Trata-se de um país que foi colônia da França até 1804. Creio que a França tem sua participação no que o Haiti se transformou. Retiraram muito açúcar daquele pedaço oeste da ilha que abriga, além do Haiti, a República Dominicana, com o esforço de um enorme contingente de escravos africanos, dos quais descende a maioria da população. E qual a recompensa, qual a semente plantada? 
O Haiti aparece na música de mesmo nome dos meus conterrâneos Caetano Veloso e Gilberto Gil - mas na letra se fala do Brasil, citando expressamente coisas aqui de Salvador, como a Fundação Casa de Jorge Amado e o Pelourinho. Pensando no Brasil pobre, eles pensam no Haiti. O Brasil tem muitos haitis.
Foi a partir da luta contra os haitis brasileiros que surgiu a médica pediatra Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, órgão da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, além de fundadora e coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa. Essa ilustre senhora foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz por seus serviços à causa humanitária. Com o seu trabalho de coordenação das Pastorais católicas espalhadas pelo nosso país, mudou positivamente a vida de milhões de crianças. E continuará mudando, inspirando-nos no seu bom exemplo.
Dona Zilda Arns morreu no Haiti devido à sua missão. Ali estava para dar uma palestra e incentivar as pessoas que atuam na ajuda a crianças. Era, sem nenhuma dúvida, uma brasileira de grande valor.
Seja a Dona Zilda Arns motivo de orgulho para nós brasileiros. E que nós evangélicos possamos deixar coisas secundárias de lado, a fim de cumprir nossa missão, que é anunciar a Salvação, não apenas do Haiti ou do Brasi, mas de toda a Humanidade. A Salvação em Cristo, que é espiritual, sim, mas com efeitos totais na vida humana.
Sei que a ação social das igrejas evangélicas é muito, mas muito importante. Sei que ela existe. Por outro lado, politicagens e teologias de ganância insistem em dizer que a Igreja deve ter adjetivos diversos da pureza, bondade e amor. Que possamos entender, urgentemente, que o Evangelho é para o serviço, não para o poder.
Pensemos no Haiti.
*A letra da canção Haiti é de Caetano Veloso, e a música, dele e de Gilberto Gil. Vale a pena ler o texto "Pense no Haiti, reze pelo Haiti", do professor Pasquale Cipro Neto, publicado na Folha de São Paulo de 14 de janeiro de 2010. Nele, o conhecido professor de Português comenta o caráter como que profético da letra de Caetano, que compara a situação do Haiti com a do Brasil, além de explicar dois aspectos linguísticos do poema.

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Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.