quinta-feira, 22 de abril de 2010

Aos leitores e seguidores deste blog

Amados leitores e seguidores do blog alexesteves.blogspot.com. Passa da meia-noite, estamos em 22 de abril de 2010 quando escrevo estas linhas. Faço este post para comunicar que por dez dias, pelo menos, não publicarei textos (farei um esforço imenso para isso).
Há dois motivos: 1) preciso renovar ideias, conceitos, objetivos e planos; 2) estou ficando tempo demais na internet, e espero, com esse intervalo, mudar meu ritmo.
Retornarei, se Deus quiser, em maio.
Quem quiser mandar e-mail, fique à vontade, pois irei ler e responder. Só não vou publicar posts nem realizar outras atividades na internet. Será um esforço.
Os que têm meu telefone podem ligar para mim (por favor, pois gosto de conversar, e às vezes a gente se sente só nessa megalópole).
Ah! O blog tem mais de 500 posts. Creio que há muita coisa que pode ser lida nesse período, para quem se interessar.
Grande abraço,
P.S.: Estou lendo algumas coisas, mas não como antes (25/04/10).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sobre uma excelente declaração de Richard Halverson

"No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio" (Richard Halverson).
Essa é uma daquelas declarações que sintetizam séculos de História. Esse pensamento de Richard Halverson resume dois mil anos de História da Igreja. Que máxima genial!
Adentrando um pouco mais às Américas, e descendo para a América Latina, em que a igreja se tornou? Se foi um grupo de homens centrados no Cristo vivo, uma filosofia, uma instituição, uma cultura e um negócio para diferentes períodos e circunstâncias históricas, o que a igreja representa para os latinoamericanos?
Não vou arriscar. Pensei numa coisa, escrevi, mas apaguei. Não tenho a lucidez intelectual do autor da frase. Seria o Evangelho para nós um negócio? Essa é a marca principal de nossa maneira de agir como Igreja?
Que o eventual leitor fique à vontade para "completar" a frase de Halverson quanto à América Latina, se é que temos uma tônica diferente da América estadunidense.

Brincando de Deus

Minha filha de quatro anos viu Inri Cristo num vídeo na internet e me disse: "Esse homem brinca de Deus, não é"? Pouco antes, ela perguntou: "Por que chamam ele de Cristo"?
As crianças são espertas. Quem vê um homem desses com aquele sotaque, aquelas roupas e aquele jeito não deveria achar que ele é o Cristo, mas há um grupo que acha. São poucas pessoas, eu sei, mas basta um indivíduo acreditar naquele homem para eu achar esquisito. Acredita-se em tudo.
Inri Cristo é uma figura folclórica e humorística para a maioria das pessoas, e motivos ele oferece de sobra. Mas há "cristos" muito mais perigosos. Um deles é o sul-coreano Rev. Moon, que também afirma ser o Messias, que teria vindo à Terra para cumprir o que Jesus "não conseguiu" - formar uma família. Com essa mentalidade, o que o Rev. Moon conseguiu foi criar problemas com a Justiça americana por causa de sonegação fiscal, e uma grande propriedade rural no Mato Grosso do Sul. Ele, diferentemente de Inri suposto Cristo, tem grande número de seguidores em vários países. Acredita-se no que se quer.
Mas o falso cristo não é apenas o que se declara messias. Falsos cristos são todos aqueles que divulgam poderes e revelações especiais, como se tivessem status espiritual elevado, acima dos crentes comuns. O falso cristo diz ter uma "prece forte", uma intimidade especial com o Espírito Santo, um poder singular de cura, uma mediação direta com o Altíssimo. Nesse sentido, há muitos falsos cristos no Brasil, terra de enorme criatividade.
As pessoas que buscam os falsos cristos não têm , mas credulidade. Elas precisam acreditar em alguma coisa. O falso cristo lhes aparece como sendo um caminho fácil, uma passagem rápida para as bênçãos e milagres, a materialização de um deus que para elas é distante, porque não conhecem ou têm imaturidade em seu conhecimento bíblico. Em lugar das antigas imagens de escultura do Catolicismo, os "cristãos-novos" do evangelicalismo brasileiro acham que precisam de cristos bem perto de si. Infelizmente, não entenderam o que significa sacerdócio universal, Igreja, discipulado, imitar a Cristo, filiação divina, fé comum, comunhão dos santos, liberdade cristã. Precisam de gurus, não de líderes. Precisam de senhores, não de pastores. Acham maravilhoso que seus "apóstolos" e "bispos" sejam ricos, influentes e midiáticos. Se o seu interesse é terreno, seu deus e seu cristo o serão.
Brincam de Deus aqueles que prometem o que Deus não prometeu, que mentem descaradamente, que usam de "palavras fictícias", para usar uma expressão petrina. Eles infringem o mandamento do "Não usarás o Nome do SENHOR teu Deus em vão", pois colocam o Nome de Deus onde Ele não ordenou.
Esses falsos cristos têm muitos seguidores, sim, muito mais do que o anedótico Inri suposto Cristo. Eles estão com muito empenho em nossas igrejas, especialmente nas pentecostais e neopentecostais. O povo gosta disso. Lamento informar que, na verdade, em matéria de conhecimento do Deus Verdadeiro vox populi nunca foi vox Dei.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

José Arruda foi preso e tudo ficou resolvido

A prisão do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (na época filiado ao DEM), criou um clima de falsa justiça: o governador flagrado e filmado em corrupção foi para a cadeia por tentativa de suborno a uma testemunha, e parecia, a um desavisado, que o Brasil mudou. Não questiono a legalidade da decisão do STJ, que em tudo demonstrou ter sido acertada. O que critico é um aspecto simples do problema: mensaleiros, aloprados e sanguessugas estão à solta e nada lhes acontece.
Tudo bem, eu sei que Arruda foi preso preventivamente por tentar atrapalhar a investigação do Mensalão do DEM. Ele não foi punido ainda pelos seus crimes principais, que eram apurados na investigação precedente. Ocorre que mensaleiros, aloprados e sanguessugas vão muito bem, obrigado. Há mensaleiros importantes voltando à cena petista. Aloprados e sanguessugas quietos em seu canto, sem que ninguém os incomode.
Quer saber? A prisão de José Roberto Arruda, conquanto tenha sido justa, passa a imagem de um país eticamente fracassado: os mesmos manifestantes petistas e comunistas que iam à Câmara, à Polícia Federal e à casa de Arruda protestar por sua prisão, por seu impeachment, por sua queda, são os apoiadores de um governo federal podre, contra o qual há provas robustas de desvio do dinheiro público, compra de votos, caixa-dois e formação de quadrilha.
Ora, quer dizer que Arruda é a Geni e o bode expiatório? Ele pode ser lançado ao ostracismo e os mensaleiros, aloprados e sanguessugas continuam conosco? Por que isso acontece? Será que é devido à sua ideologia? Será que se Arruda fosse um marxista-leninista os fins justificariam os meios? Será que se ele fosse petista daria para dizer que tudo não passa de um complô das elites? Será que se ele fosse comunista daria para dizer que estava tentando construir o futuro, e que a fiscalização da sociedade não passa de perseguição aos pobres?
Sim, Arruda foi preso por decisão do STJ. Mas quem foi que mandou quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa? Quem foi que deixou que se criasse na sala ao lado uma organização criminosa que comprava políticos com dinheiro desviado dos cofres públicos? Quem foi que deixou de punir aliados envolvidos em falcatruas? Por que insistimos em dois pesos e duas medidas?
Talvez alguém se lembre de que em nosso país impera uma ética de situação. Dependendo de quem seja acusado, cria-se uma estratégia de defesa, uma blindagem.
É ridículo achar que o Brasil tem avançado. Os especialistas que vivem dizendo que o país tem avançado dirão, se lerem este texto, que estou louco, que não tenho conhecimento e que não sei o que digo. Posso resumir em poucas palavras as coisas em que o Brasil melhorou nos últimos 25 anos: redemocratizão, Constituição de 88, estabilização da economia - e em todas elas o PT foi contra. Você diz que não, eventual leitor? O PT não foi contra a redemocratização como ideia, mas foi contra a forma como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães dirigiram o processo; o PT assinou a Constituição mas dela discordou o quanto pôde, e sempre foi contrário ao Plano Real.
Pronto. De Arruda eu passei a Lula. Mas, sabe que Lula e Arruda têm algo em comum? O nome dele é Sarney. Foi José Sarney que nomeou Joaquim Roriz administrador de Brasília, o qual ganhou a primeira eleição para governador naquelas terras. Joaquim Roriz, por sua vez, nomeou José Arruda seu Secretário de Obras em 1986, dando-lhe, com isso, o start para uma carreira que deu no que deu. E Lula, em 2009, ajudou Sarney a se livrar de um processo por quebra de decoro parlamentar no Senado. Se Lula não ajudasse Sarney e dele se desligasse, homens assim perderiam um pouco o seu poder. Mas Lula ajudou Sarney, que continua criando Rorizes e Arrudas.
E ainda dizem que o Brasil mudou.

Depois do Haiti

Quando do terremoto do Haiti, que matou muito mais de 100 mil pessoas e devastou o mais pobre país das Américas, apareceu Pat Robertson para dizer que a catástrofe era fruto de um pacto demoníaco que os negros haitianos fizeram em prol de sua independência em relação à França, ocorrida em 1804. Aqui no Brasil o Cônsul-Geral do Haiti em São Paulo abriu a boca para afirmar que aquilo era coisa da macumba praticada em sua país. Surgiu na blogosfera evangélica brasileira quem andasse mais ou menos nesse caminho.
Todavia, depois do terremoto no Haiti houve os também grandes terremotos do Chile e da China. Qual o culpado dessa vez? O catolicismo chileno? O comunismo chinês? E de quem foi a culpa de o vulcão da pacata Islândia ter acordado, a ponto de provocar o cancelamento de milhares de voos nestes dias? Foi culpa de que ou de quem?
Ninguém se abala a dizer que chilenos e chineses estão colhendo os frutos de seus pecados? O que está havendo? Pode-se jogar pedra no Haiti e pronto? Os negros em total miséria podem ser acusados de atrair maldição por práticas de vodu? E por que, então, Chile e China passam por situações sísmicas parecidas, embora o número de mortes e a devastação sejam menores?
Ora, discordo totalmente desses profetas do Apocalipse que buscam traduzir em toscas explicações as coisas que acontecem em nossos dias em termos de tragédias absurdas. Sei, eu conheço um pouco a Bíblia: terremotos em vários lugares constituem um dos sinais da Vinda do Filho do Homem. Mas Jesus nunca disse que esses terremotos viriam como resultado da prática de vodu. Tudo o que há de errado na Terra é, em última análise, efeito da Queda, esse problema moral de resultados cósmicos. No entanto, ficar tentando achar os meandros das decisões divinas em campos tão abstratos e elevados não é tarefa para não-profetas como nós. Não podemos confundir a missão profética da Igreja com esse profetismo escatológico terrorista e preconceituoso.
Não sou adepto de vodu, mas também não sou adepto da leniência administrativa que tem levado cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Niterói e São Paulo a enchentes, deslizamentos e mortes de vez em quando. É pecado deixar de remover moradores de áreas de risco quando isso é recomendado por meio de laudos técnicos. É pecado desviar dinheiro para prevenção de catástrofes com o intuito de conquistar espaço político. É pecado empurrar os pobres para lugares onde não incomodem. É pecado urbanizar antigos lixões para que pobres venham morar em verdadeiros campos minados.
Em minha concepção, se quisermos explicar os fatos catastróficos, devemos ser um tanto mais racionais: há relação mais direta entre leniência administrativa e corrupção com tragédias urbanas do que entre vodu e terremotos no Haiti, na China ou no Chile.
Se quisermos dar uma contribuição positiva à sociedade, será mais inteligente e justo apontarmos os erros objetivamente, em lugar de dizermos (ou apoiarmos quem diz) que terremoto é maldição de macumbeiros.
Há coisas que não se pode evitar. O terremoto do Haiti não se podia evitar, mas a miséria potencializou a tragédia. Não se pode impedir que as placas tectônicas briguem debaixo da terra. Mas é nosso dever gritar contra o pecado.

domingo, 18 de abril de 2010

"Jeremias deve ser um angustiado, um recalcado"

O irmão Jeremias anda falando contra o Templo, o rei e a nação. Ele acha que devemos permitir a invasão babilônica pelas mãos de Nabucodonosor. Deve estar sendo influenciado pelo Baruque, que escreve as coisas de seu chefe e as lê no Templo. Jeremias deveria se contentar em ser sacerdote, em vez de se comportar como um desertor, falando do que não sabe. Jeremias é um entreguista.
Devemos, sim, manter a aliança com o Egito e com a Assíria. Temos o Templo do SENHOR aqui em Jerusalém, nada pode nos acontecer. Somos o povo de Deus. Não toleramos os críticos negativistas.
O que Jeremias produz para o Reino do nosso SENHOR? Ele só fica ditando as coisas para Baruque escrever, criticando a tudo e a todos. Parece que só elogiou os fundamentalistas filhos de Recabe, cujo líder, Jonadabe, morreu há cerca de 250 anos. Jeremias é um traidor que acha que Deus lhe deu uma mensagem diferente.
Nossos reis terão para sempre o Trono de Davi. Está escrito que o cetro não se apartará de Judá. Temos a teologia a nosso favor. Temos a interpretação correta das Escrituras Sagradas. Aconteça o que acontecer, o privilégio de sermos povo de Deus nos livrará do mal.
Jeremias deve ser um angustiado, um recalcado. Merece a prisão. Bem fez o rei Jeoaquim ao mandar ao fogo os escritos dele. Não precisamos perder tempo com profetas.

*Texto baseado no teor geral do Livro de Jeremias, da Bíblia.

Dos programas evangélicos de TV que "não podem parar"

Será que você, eventual leitor, acredita mesmo na fala daqueles telepastores que dizem, em tom de ameaça, que sua oferta ou "semente" é necessária para que almas sejam ganhas e o programa não deixe de ir ao ar? Você fica com receio de não ser fiel a Deus se deixar a condição de "associado" ou "patrocinador"? Será que em seu coração passa a simples ideia de que esses programas de TV são essenciais para a expansão do Reino de Deus?
Se o eventual leitor tiver algum sentimento de angústia em seu coração sobre o ofertar ou não para esses programas, tente refletir e responder às seguintes perguntas:
a) Há alguma obra humana que possa ser condição indispensável para a ação de Deus em prol da Salvação? Se existe essa obra humana, ela já não foi cometida na Cruz por um Homem chamado Jesus, o Cristo, o Filho de Deus?
b) O programa em questão prega o Evangelho genuíno ou existe nele uma mistura de doutrinas?
c) Você entende que os fins justificam os meios ou que o Nome de Jesus não deve ser associado a ameaças, heresias e comportamento anti-ético?
d) Você acredita mais no método ou na doutrina?
e) Parafraseando Charles Sheldon: nos passos desse telepastor, "que faria Jesus"? Usaria de meios como "lei da semeadura financeira", "unção financeira", ameaças, pedidos insistentes, ou contaria com a Providência do Pai?
f) Se a obra é de Deus, ela depende de nossos esforços exauridos ou nossos esforços devem ser os estritamente necessários para que o poder de Deus se manifeste? Dito de outro modo, se a obra é de Deus, por que eu devo "forçar a barra"? Que fé e que milagre são esses que dependem da exploração da viúva pobre, da exploração dos pobres dentro do Templo do SENHOR, da exploração da fé do povo? Se não temos ao dinheiro como deus, por que ele é cada vez mais exaltado?
g) Programas de TV são tão eficazes assim na pregação e no discipulado? São mesmo? Quem disse isso? Há uma estatística? E mais: que método ou mídia substituiu a conversa com a mulher samaritana, a conversa com o publicano Zaqueu, a conversa com o líder religioso e intelectual Nicodemus, a conversa com Maria (de Betânia), a conversa e comunhão com os discípulos, bem como a profunda amizade entre Jesus, Pedro, Tiago e João? O que pode substituir o amor, o contato, o diálogo, a evangelização pessoal? Diga-me: Evangelho é algo pessoal ou pode ser confundido com um fundo em que deposito dinheiro e me livro da obrigação de pregar?
h) Se a coisa estiver difícil, quase impossível, não será o caso de perguntar a Deus se é de sua vontade o que fazemos? Se o programa é tão caro, se há tantas prioridades, e se há outras pessoas fazendo o mesmo que eu, por que então buscar com insistência o alcance de metas que podem ser eminentemente pessoais? Se Deus estiver em nossos projetos, não é certo que haverá sempre a vitória depois da prova? Por que, então, tamanha briga por espaço, poder e dinheiro?
Feitas essas perguntas, e respondidas sob reflexão, pense nisso: Jesus está necessariamente com a maioria? O sucesso do Ministério de Jesus é medido de que maneira? É pelo número de discípulos que se constata o sucesso de Jesus? Das multidões que ouviam Jesus, quantos o viram ressurreto? Não foram 500? E quantos Ele havia mandado pregar de dois em dois? Não foram 70? E quantos foram os apóstolos? Não foram 12? E quantos foram os mais chegados? Não foram três? E quantos reclinavam sua cabeça junto a Jesus? Não era apenas um? E quantos efetivamente ficaram com Jesus quando Ele foi preso? Ora, Jesus procurou maiorias ou doutrina? Maiorias ou ética? Maiorias ou a vontade do Pai? E se ninguém quiser ouvir, o que fará Jesus? Ele aceitará aqueles que o Pai Lhe trouxer, e não os lançará fora, mas Jesus nunca "força a barra".
Portanto, eventual leitor, não se apoquente. Fique em paz com Deus.
E lembre-se de que Deus é Fiel não para simplesmente cumprir promessas de prosperidade. Ele é fiel para, se quiser, se for o caso, destruir Sodoma e Gomorra e o que mais vier pela frente em termos de podridão moral. Deus não tem compromisso com o pecado. De nada adiantará ararmos em terra seca, em terra que Deus abandonou. Lançaremos a semente da Palavra, mas o crescimento vem do SENHOR! Precisamos apenas compreender como o nosso SENHOR age em nossos dias, o que Ele está fazendo. Achar, como diz meu amigo Emel Rapchan Jr. - por onde andará? - que somos "a última grande aquisição para o Reino de Deus" é um tanto arrogante. Deus está com os humildes. Com os humildes.

sábado, 17 de abril de 2010

Isabella Nardoni, Dorothy Stang e os meninos de Luziânia

O júri do casal acusado de matar a menina Isabella Nardoni movimentou a imprensa de uma forma sem precedentes em nossa história. Desde 29 de março de 2008, quando a garotinha de cinco anos foi morta, as emissoras de TV começaram uma acirrada disputa por furos de reportagem e pelas melhores imagens. Mas antes do assassinato de Isabella havia sido sacrificada a missionária católica Dorothy Stang em Anapu/PA, aos 73 anos, no dia 12 de fevereiro de 2005 - uma mulher ameaçada de morte por sua luta contra a grilagem naquelas terras sem lei. O fazendeiro acusado de encomendar a morte da missionária - Vitalmiro Bastos de Moura - teve que ser julgado por júri popular em três ocasiões distintas, lá no distante Pará, e a repercussão na mídia não foi aquela que o caso demandava. Nem se sabe os nomes do promotor e do advogado de defesa. Não se tem notícia detalhada da investigação, do processo, das sessões do júri e dos recursos. No caso Isabella, até mesmo uma jurada foi entrevistada pelo Paulo Henrique Amorim, da Record, algo que nunca vi na vida!
Agora, com o aparecimento do suspeito de matar e abusar sexualmente de seis jovens em Luziânia/GO, a sociedade discute ou fica perplexa diante de Adimar de Jesus, um provável psicopata-pedófilo que não deveria ter sido solto mas foi, depois de cumprir parte de uma pena que talvez devesse ter sido uma medida de segurança em manicômio judiciário. Só que a sociedade fica com raiva do "monstro", e, mais uma vez, o que o povo pede é justiçamento, em vez de entender que o indivíduo, doente que provavelmente é, poderia não ter matado seis jovens se desde o primeiro abuso contra duas crianças, em 2005, fosse aplicada a medida de segurança, que, diga-se de passagem, está prevista no Código Penal. É certo que para os crimes hediondos se tem discutido a necessidade de cumprimento de prazo maior em regime fechado, mas ali, ao que tudo indica, se tem um doente, alguém dotado de periculosidade, e que, solto nas ruas, irá matar de novo. Imaginemos qual será a cobertura da imprensa sobre a sessão do júri quando esse caso for julgado...
Todavia, o que pode haver de comum entre os casos Isabella, Dorothy Stang e Luziânia? Na verdade, o que faz com que a sociedade trate esses casos de maneira diferente? Por que a freira norte-americana não merece tamanho sentimento de justiça, como ocorreu no caso Isabella e já se mostra no caso dos meninos goianos? Será porque era uma senhora maior de 70 anos? Será porque não havia crime sexual envolvido? Será porque não há no crime contra ela cometido um psicopata apontando friamente o local onde enterrou os corpos? Será porque a causa que ela defendia só interessa aos necessitados amazônidas do campo ou, ideologicamente, a supostos trabalhadores rurais sem-terra de movimentos sociais de esquerda? Digam-me: por que Dorothy Stang não merece maior atenção?
Não adianta ficar com raiva de Alexandre Nardoni, Anna Carolina Trota Peixoto Jatobá, Champinha, Bandido da Luz Vermelha, Chico Picadinho, Francisco de Assis Pereira (ou Maníaco do Parque), Adimar de Jesus, Mohammed D'Ali dos Santos (que esquartejou a namorada em Goiás e tentou matar colega de cela). Nem mesmo raiva de Vitalmiro Bastos de Moura, o "Bida", vai adiantar.
É preciso acordar para a podridão de nossa sociedade, bem representada por um congresso que espelha nossa omissão, ética de conveniência, hipocrisia, "jeitinho", desamor, displicência, materialismo, preguiça de pensar, Parlamento que não discute com seriedade os problemas da maioridade penal, medidas de segurança, sistema prisional, reformas nos Códigos Penal e de Processo Penal, combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, sistematização das penalidades da legislação penal esparsa, e toda uma gama de questões que surgem e ressurgem em momentos como este, em que seis meninos desaparecem porque um psicopata andava solto e não podia conter sua sede de matar.
Não adianta mesmo ficar gritando contra as mazelas do Brasil e no dia seguinte rir com as besteiras e superficialidades de um Big Brother que só existe para dar dinheiro à Rede Globo e exibir pessoas sem passado que pretendem posar nuas em revistas ou ganhar fama sem nenhum talento. Não adianta ter sentimentos tão profundos e atitudes tão rasas, como a de um presidente que não se constrange ao dizer que caixa-dois se faz "sistematicamente no Brasil". É como dizia o profeta da "Geração Coca-cola" Renato Russo: "Que país é esse"?

Se Jesus não for o assunto...

Se Jesus Cristo não for o nosso assunto principal, alguma coisa estará errada em nosso discurso.
Se Jesus é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, o Primeiro e o Derradeiro, o Autor e Consumador da Fé, o Filho Unigênito de Deus, o Verbo Vivo, o Cordeiro de Deus, o Pão Vivo que desceu do céu, o caminho, a verdade e a vida, o Profeta, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Príncipe da Paz, o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte e Pai da Eternidade, o Primogênito dentre muitos irmãos, as Primícias dos que dormem, o Segundo Adão, a Videira Verdadeira - se Jesus é tudo isso, o nosso discurso terá que ser cristocêntrico.
Do contrário, nossa religião será qualquer coisa, mas não será evangélica. Poderemos até sustentar uma filosofia religiosa baseada em princípios cristãos, mas sem o conhecimento e aceitação da Pessoa e Obra de Cristo todas as doutrinas perdem o sentido.
Somos legalistas quando falamos de moralidade cristã sem deixarmos que Deus produza em nós o fruto do Espírito.
Somos fanáticos quando buscamos a oração e a piedade cristã sem atentarmos para o exame cuidadoso das Escrituras.
Somos intelectualistas quando estudamos ou ensinamos as doutrinas cristãs sem o conhecimento real da Pessoa de Cristo.
Somos materialistas quando queremos de Jesus Cristo só os bens desta Terra.
Somos emocionalistas quando desejamos sentir a presença de Deus como meta fundamental da vida cristã.
Somos triunfalistas quando colocamos a vitória antes da Cruz de Cristo.
Somos ativistas quando fazemos as coisas para Cristo sem parar para uma conversa com Ele.
Somos arrogantes quando pensamos que podemos andar sem Jesus.
Somos pródigos quando desperdiçamos o nosso tempo sem um contato verdadeiro e profundo com as riquezas do amor e da sabedoria de Cristo, revelados em sua Palavra.
Eu não sou bom. Este não é um texto policialesco. Escrevo para mim mesmo. Jesus deve ser o nosso tema essencial, nosso assunto preferido, o norte, o padrão e a meta de todo cristão.
Não nos chamaram de cristãos? Antes de sermos históricos, pentecostais, metodistas, presbiterianos, congregacionais, batistas, anglicanos, episcopais, neopentecostais, ou quaisquer outras coisas, somos cristãos. Somos seguidores de Jesus Cristo, desse Homem que é Deus. Não é um deus humanizado nem um homem divinizado. Não é um super-homem nem um deus grego. Não é uma mistura meio-a-meio de deus e homem. Jesus é Homem e Deus, Deus e Homem. Cremos no Cristo Encarnado, Morto, Ressurreto e Assunto ao Céu. Cremos n'Aquele que há de vir.
Jesus é o único Ser Humano que já está com Deus Pai. Ele é nosso Embaixador. Visite as Epístolas aos Efésios e aos Colossenses. Que profundidade, hein, irmão Paulo! Glorificar a Deus é atitude natural de quem examina Efésios e Colossenses. Cristo é Deus. Não há outro deus, outro mediador, outro intercessor, outro profeta, outro embaixador, outro vigário, outro mestre, outro messias. Jesus é Deus. Eu creio nisso.
Não concordo com os teólogos liberais que acusam a Igreja de supervalorizar Paulo e desvalorizar Jesus, como se nossa fé fosse mais uma sistematização da teologia paulina do que fruto do discipulado firmado em Cristo. Não vejo contradição entre Jesus e Paulo, pois o assunto de Paulo era "Cristo, e este crucificado" (I Co 1.23). O modelo ético de Paulo é Cristo. Jesus Cristo é o parâmetro perfeito de todo cristão. Ele é o Adão que não pecou. Ele é o Homem que não comeu da Árvore Ética (ou, como diz a Bíblia, árvore do conhecimento do bem e do mal). Jesus é a possibilidade de uma Nova Vida. Jesus é o recomeço. Jesus é o recriador de todas as coisas, d'Ele, por Ele e para Ele.
Glória a Deus! Aleluia! Louvemos ao SENHOR Jesus Cristo. Fora d'ele não há Salvação. Exultemos no SENHOR Maravilhoso que nos dá a Vida Plena! Ele virá nos buscar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Um minuto de nostalgia com Álvaro Tito

Preste atenção, por favor, nesta letra de Elvis Tavares, que integra um louvor cantado pelo excelente Álvaro Tito:

"Não há barreiras

Sei que os problemas vão surgir
Sei que provações virão
Põe a tua fé no intercessor que é Jesus
Que sempre te estende a forte mão
Sei que as muralhas do temor
Hão de intimidar teu ser
Mas põe a tua fé no intercessor que é Jesus
E as barreiras tu irás romper
Pois não há barreiras
Para aquele revestido do poder
Que vem de Deus
Destruindo todo mal e dor
As mais altas barreiras
Tu irás transpor
Sei que não há nada
Nem ninguém
Que consiga separar (separar)
Um cristão de Deus
E de uma vida mais além
No céu onde os temores vão cessar
É intransponível esse amor
Que Jesus tem pelos seus
Dando o livramento em plena luta
Em plena dor
Jesus é o nosso grande intercessor
Pois não há barreiras
Para aquele revestido do poder
Que vem de Deus
Destruindo todo mal e dor
As mais altas barreiras
Tu irás transpor".

Agora, o meu comentário: esse é um louvor cristocêntrico, bíblico, emocionante, e que traz uma mensagem de conforto e incentivo sem ser de autoajuda, subjetivista nem antropocêntrico. Não é como aquelas canções de "vitória" que pululam nas igrejas em nossos dias. É uma palavra de encorajamento, mas não lembra em nada as besteiras que se cantam nos arraiais pentecostais - eu sou pentecostal, sei o que digo.
Nasci de mãe assembleiana, já escrevi aqui sobre isso. Cresci na Assembleia de Deus e lá estou até hoje. Fui batizado a 12 de abril de 1992 (lá se vão 18 anos, completados na segunda-feira passada). Desde pequeno, ouvia lindas canções como a entoada por Álvaro Tito, agraciado por Deus por uma bela voz. É emocionante ouvi-lo cantar, e eu, que não sou emocionalista, me sinto bem, e, ao me sentir bem ouvindo canções, é porque a música tocou mesmo em meu coração. Não me deixo levar por letras triunfalistas. Pelo menos, procuro não me deixar conduzir por elas, já que não têm fundamento bíblico, servindo apenas para agradar uma plateia ávida por sensações.
Recordo de um tempo em que eu acreditava mais. Acho que tinha mais fé. Depois de ouvir tantas impropriedades do púlpito, fiquei meio "cabreiro", como se diz no meu Nordeste. Por isso, ouvir canções que respeitam a Bíblia me anima. Eu ando escrevendo muitas coisas aqui - mais de 500 posts em pouco mais de dois anos. Mas eu também tenho muitas "neuras". É preciso ouvir alguém dizer que "não há barreiras". E se for com uma boa voz e um belo arranjo, tanto melhor. Não é à toa que existem os Salmos na Bíblia.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sobre os vídeos em que o bispo Romualdo Panceiro ensina a arrecadar dinheiro na crise e a fazer acordo com bandidos

A Folha de S. Paulo divulgou em reportagem de ontem, 13 de abril, dois vídeos em que o número dois da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Romualdo Panceiro, ensina, em videoconferência e palestra para pastores, como arrecadar dinheiro em meio à crise de 2008, assim como orienta os pastores a fazer acordo com bandidos e líderes de favelas, a fim de que o produto da arrecadação nas igrejas não fosse alvo de assaltos, como ocorrera no dia 09 de novembro daquele ano - embora, neste caso, o bispo diga que o crime foi praticado por policiais.
Depois, o bispo divulgou um vídeo respondendo à divulgação dos vídeos, sob o argumento de que se trata de sua fé.
Há tantas coisas para comentar que o faço a seguir por tópicos:

  • Assombra a maneira como os líderes da Universal deturpam os textos bíblicos a seu bel-prazer, como fez o bispo Panceiro com II Co 9.10ss. Já escrevi aqui mesmo neste blog sobre a interpretação correta desse texto, em que Paulo orienta os coríntios a usarem de generosidade para com os cristãos pobres da Judeia. A Universal consegue fazer com que o texto pareça significar exatamente o oposto - em vez de generosidade, ensina-se a ganância;
  • No vídeo-resposta, o bispo Panceiro usa outro texto recorrente da Teologia da Prosperidade, o de Ml 3.10, mas a verdade é que também faz uma interpretação esdrúxula, já que não ensina sobre o contexto, não diz que naquela época havia uma espécie de imposto religioso, não mostra que o "devorador" era um gafanhoto (praga da agricultura) e acaba afirmando que fazer prova com Deus é o mesmo que verificar se a Bíblia não é mentirosa, quando, na realidade, o texto ensina que Deus é tão fiel e verdadeiro em suas promessas que admite ser provado - para, isto sim, dizer que não o será, pois cumprirá suas promessas primeiro;
  • É ridículo que esse senhor imite até mesmo a voz rouca e o defeito que Edir Macedo tem na mão. É em tudo absurdo e bizarro que todos os líderes da Universal se apresentem como meros imitadores de um homem, não só em suas heresias, mas também em suas características físicas;
  • É triste que Ml 3.10 e II Co 9.10ss sejam usados erroneamente, fora de contexto, sem aplicação dos princípios de hermenêutica e de exegese, até mesmo por líderes assembleianos, para justificar pedidos insistentes de ofertas e dar azo a uma ênfase no dinheiro. Pode-se, é claro, fazer uso desses textos quando se trata de contribuições financeiras, mas a interpretação que deles se faz é errada, extrapola seu significado e violenta o real sentido das palavras do profeta Malaquias e do apóstolo Paulo, como já expliquei em outros posts;
  • O segundo vídeo é muito didático quanto ao modus operandi da Universal: ela faz acordo com bandidos - é isso o que o bispo Panceiro deixa claro. Seu problema, diz ele, não é bandido, mas polícia;
  • Com a reportagem da Folha, a Universal divulgou uma nota dizendo que os vídeos retratam sua Teologia da Prosperidade - como se isso fosse coisa boa -, e sob a capa de Teologia da Prosperidade a Universal perde todo o constrangimento em enaltecer a Mamom, falando de dinheiro como um deus. O deus da Universal não é Jesus Cristo, mas o dinheiro;
  • Surgirão pastores evangélicos defendendo a Universal, e, como Lula, dirão que "os vídeos não falam por si" (Lula disse essa impropriedade quanto aos vídeos do Mensalão do DEM). Agora, dirão que tudo não passa de perseguição religiosa. Talvez Silas Malafaia use seu programa para comentar o assunto, como fez ao defender a Igreja Mundial do Poder de Deus, que teve seu templo no Brás fechado por irregularidades administrativas. Ora, se surgirem esses defensores, terão que apresentar argumentos sólidos, pois os vídeos são retumbantes;
  • Enquanto falava, o bispo Panceiro fazia perguntas ao bispo Clodomir Santos, que respondia coisas como "Tá ligado" e "arrebenta". Além disso, o bispo Santos termina o primeiro vídeo falando de maneira jocosa e irônica que basta "lançar a semente". Está claro o espírito de desdém;
  • Sei que esses vídeos nada acrescentam de substancial à minha forma de ver a Igreja de Edir Macedo, pois já estou cansado de saber quem eles são. E não tenho nenhuma esperança de que os "fiéis" da Universal finalmente despertem para a farsa a que estão submetidos. A Universal não existe sem causa.

Apenas espero que crentes de igrejas sérias parem de imitar os piores aspectos da Igreja de Edir Macedo, e deixem de violentar textos bíblicos com o objetivo de dar ênfase às necessidades financeiras da Igreja. Se a obra é de Deus, Ele nos dará o suficiente. Se a obra estiver sempre em carência demasiada, é bom verificarmos se o que fazemos tem a aprovação divina. As coisas não podem ser forçadas. Deus não faz negociatas, nem com bandidos, nem com "fiéis".

terça-feira, 13 de abril de 2010

A agenda do esquerdismo teológico

O esquerdismo teológico tem uma agenda definida, que pode ser maior ou menor, dependendo de sua linha. Entre os itens dessa agenda esquerdista na teologia, podemos citar os seguintes: ecumenismo, cotas raciais, ordenação de homossexuais para o ministério, aceitação de praticantes do homossexualismo nas igrejas, descriminação do aborto, alinhamento com governos de esquerda, supervalorização dos pecados sociais como sendo a base do mal.
Na realidade, o esquerdismo toma conta de amplos setores sociais. Somos acostumados a vê-lo na imprensa, na política, na universidade e nos movimentos sociais, mas na Igreja o assunto não me parece muito discutido.
Citei aqui, em post recente, o caso do livro A religião mais negra do Brasil, de Marco Davi de Oliveira, que trabalha com a chamada "Teologia Negra". Em minha análise crítica, inserida neste blog, explico por que motivo se trata de um livro racista e de esquerdismo teológico.
Também neste espaço comentei, em dois posts, o Congresso Transformando a Missão, ocorrido aqui em Salvador, do qual participei como ouvinte. Sob a capa da "Teologia da Missão Integral", o que vi ali foram laivos de Marxismo, Liberalismo Teológico, Teísmo Aberto (com Ricardo Gondim) e ecumenismo.
Existem as chamadas "Teologia Feminina" e "Teologia Gay". Há crentes afirmando que o homossexualimo não é pecado, e que o que Paulo reprova em suas epístolas não é a pederastia, mas outras formas de perversão sexual.
O esquerdismo teológico pode não ser um perigo para as massas a curto prazo, porque as igrejas ainda são conservadoras em doutrinas e costumes. Todavia, os esquerdistas da teologia estão nos seminários formando pastores, e são eles que se acham no direito de representar a Igreja brasileira nos fóruns nacionais, criando alianças que, na verdade, representam apenas as ideias de pequenos grupos. Seu impacto pode ser pequeno em termos de penetração nas massas evangélicas a curto prazo, mas sua liderança já se dá entre muitos dos que pensam (que pensam).
A demitologização das Escrituras (ensino liberal) anda pari passu com o relaxamento moral e ético, pois a Bíblia passa a ser tomada simplesmente como registro de experiências religiosas do povo de Israel e dos primeiros cristãos, e serviria de modelo ético e espiritual para as gerações futuras, mas não como o corpo normativo de fé e conduta. Assim, as recomendações éticas e doutrinárias teriam que ser filtradas por um critério que não é somente de transposição cultural, solapando-se o sentido mesmo do Texto Bíblico.
Por que a Igreja Universal, por exemplo, pode ser considerada liberal, embora classificada como "neopentecostal"? É que ela toma a Bíblia como registro de experiências que podem ser reproduzidas aleatoriamente nos dias de hoje, dando-se ao Texto Bíblico interpretações anárquicas, que alcancem os objetivos pragmáticos de Edir Macedo e seus asseclas. São eles um tipo de esquerdistas teológicos, que defendem até mesmo o aborto, embora o "grosso" de sua teologia e práxis não seja sintonizada com a agenda da esquerda. É o Liberalismo à brasileira. Bultmann e Scheleimacher certamente exultariam ao ver a Universal e suas práticas absurdas.
A esquerda teológica não precisa ser a voz mais forte em nosso campo. A ortodoxia evangélica precisa se apresentar. Entretanto, parece-me que quando se fala de conservadorismo evangélico os que se apresentam são fundamentalistas, denominacionalistas e admiradores da direita cristã estadunidense. Ora, podemos fazer melhor que isso! Não precisamos ser repetidores de cartilhas direitistas, nem mesmo adotar uma escatologia do quanto pior, melhor, para que se cumpram as profecias. O que não se pode aceitar é a adesão a teses da ciência política e da sociedade pós-moderna para preencher um vácuo de pensamento evangélico. Podemos fazer uma teologia brasileira sem reinventar a roda nem deixar de lado o padrão das Escrituras.

sábado, 10 de abril de 2010

O amor devido aos leitores de blog

Nesses mais de dois anos de editor deste blog, tenho recebido alguns comentários e e-mails, não muitos. Também acesso alguns blogs, onde eventualmente deixo comentários. Percebo na blogosfera cristã um problema sério: às vezes o editor de blog responde mui duramente aos comentários, não raro sem razão ou com exagero; e é necessário amar aos irmãos.
Fico pensando o que levaria um editor de blog a ser tão áspero com seus leitores. Já deparei com gente desconhecida que, ao passar à condição de moderadora de blog, se postou numa condição empedernida de quem seleciona o que vai ser publicado e o que vai ser respondido com dureza. A moderação de comentários não deve ser realizada com raiva ou vaidade. É preciso amar as pessoas. Pode ser que elas não tenham conhecimento de determinados fatos ou conceitos, mas acessaram nosso espaço e deixaram uma palavra. É claro que violações à ética e ao direito devem ser reprimidas, com a não-publicação. Mas responder asperamente quando isso não é necessário, muitas vezes com recursos à ironia, é um desserviço à blogosfera cristã.
O problema consiste em ser um tanto policial da opinião dos outros. Em blogs ditos apologéticos, nem sempre é de apologética que se trata, mas de defesa intransigente da própria denominação.
Certa vez fui duramente repreendido por um moderador por ter simplesmente feito um comentário que não se encaixava na delimitação que ele dera a um vídeo. Assistindo ao vídeo, miríades de ideias podem surgir nas mentes de dezenas ou centenas de internautas, mas o moderador queria que nos concentrássemos em determinado aspecto de seu interesse. Por mais nobre que fosse a causa por ele defendida, a delimitação do assunto era inteiramente incompatível com a natureza da internet, que reúne pessoas do mundo todo em torno de certos assuntos, textos, imagens. Coibir o livre pensamento é uma coisa policialesca, que o moderador achou ser sua função. Entendeu errado.
Temos aqui neste blog uma política de moderação de comentários. Guio-me por aquelas balizas, que estabeleci depois que uma leitora fez comentários impublicáveis sobre determinada classe de pessoas. Se publicasse seu comentário, eu poderia responder civil e penalmente por dar voz a uma atitude ilícita à luz da ordem jurídica.
Não sou menino. Não estou aqui para publicar opiniões discriminatórias nem ofensas a mim ou a quaisquer pessoas. Mas também não sou o dono da verdade, o policial da opinião alheia, o oráculo que veio à internet dizer o que as pessoas devem pensar.
Sei que a edição de blog dá direito ao moderador publicar os comentários que ele quiser. E, assim como é direito do moderador não publicar comentários meus, ou rechaçá-los com veemência, é meu direito deixar de acessar ou comentar em blogs avessos ao diálogo.
Se for para concordar com tudo o que querem ou me posicionar dessa ou daquela maneira, ninguém precisa contar comigo. Sou independente de pessoas e instituições. Só dependo de Deus. E é justamente por isso que estou aqui como blogueiro, além de ter o prazer de ser professor de Escola Dominical. Se eu não puder me expressar de acordo com as minhas convicções - sempre respeitando a ética, é claro - não posso mais escrever nem ensinar.
Portanto, em amor aos leitores e a mim mesmo, procuro ser cuidadoso com os comentários. E não vou espantar aqueles que se achegam. Todos são bem-vindos.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Análise crítica do livro "A religião mais negra do Brasil"

Acabo de ler o livro A religião mais negra do Brasil, de Marco Davi de Oliveira (São Paulo: Mundo Cristão, 2004, 127p.). Trata-se de um ensaio que tenta explicar por que motivo a maioria dos negros brasileiros que buscam uma religião aderem ao Pentecostalismo.
O autor é bacharel em teologia pelo Seminário Batista do Sul do Brasil (Rio de Janeiro/RJ); pastor da área de missões urbanas numa igreja batista na Vila Mariana, em São Paulo; fundador e presidente da organização não-governamental Simeão, o Níger; e coordenador do Fórum de Lideranças Negras Evangélicas. É, portanto, um militante do movimento negro.
O livro debruça-se em dados do censo do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Diz que mais de oito milhões de negros estão entre os pentecostais, sendo que os evangélicos são, ao todo, mais de 26 milhões. Procura, então, quebrar o mito de que as religiões afrobrasileiras são as mais negras de todas, e trabalha para oferecer a resposta para isso.
Devo dizer, com todo o respeito, que o livro incorre em muitos equívocos no que toca ao Pentecostalismo e ao problema racial.
Quanto ao Pentecostalismo, o autor demonstra não conhecer a doutrina pentecostal clássica, ao afirmar que "Os pentecostais acreditam que o batismo com o Espírito Santo é uma espécie de prêmio concedido às pessoas que alcançam um nível de santificação e obediência a Deus mais elevado" (p. 23). Nenhum pentecostal sério afirma uma coisa dessas!
O batismo com o Espírito Santo é revestimento de poder (Lc 24.49 e At 1.8), ferramenta para o trabalho de evangelização, e não tem que ver propriamente com o caráter, senão na exata medida da necessidade de que a pessoa seja nascida de novo.
Com efeito, na seara dos dons do Espírito - relacionada ao batismo com fogo - estamos falando de carisma. Na seara do fruto do Espírito, estamos falando de caráter.
Se há no conceito do autor uma referência ao Movimento de Santidade, do Séc. XIX, nem caberia em seu ensaio, que estuda o Pentecostalismo histórico brasileiro e sua relação com os negros. O pentecostalismo brasileiro não adveio diretamente do Movimento de Santidade, mas daquele fenômeno da Rua Azusa, em Los Angeles, como ele mesmo afirma depois.
Marco Davi de Oliveira tenta explicar a predominância do Pentecostalismo entre os negros brasileiros com certas "reminiscências", que seriam o uso espontâneo do corpo, a musicalidade e a reverência aos mortos, como se os negros houvessem se identificado com os pentecostais por causa desses traços. Todavia, os pioneiros pentecostais no Brasil, que eram europeus, não trouxeram o uso do corpo, a musicalidade nem a reverência aos mortos - a musicalidade é cultural do Brasil, o uso do corpo é, na verdade, decorrência da manifestação do Espírito e da informalidade, e essa reverência aos mortos consiste numa ilação sem fundamento, pois qualquer grupo social ou religioso tem memória de seus fundadores ou personagens principais, assim como de eventuais livros de referência. Nada disso pode ser comparado, nem de longe, com o que os adeptos do Candomblé e da Umbanda fazem em seus ritos de incorporação de espíritos - o autor não o afirma expressamente, mas essa é a ideia implícita.
O autor diz que nós pentecostais demonizamos os cultos afrobrasileiros, mas não é verdade. Nós não inventamos o que acontece ali. Diz também que entre os pentecostais haveria certo "branqueamento" consistente na busca de casamentos entre brancos e negros. Supõe, como se fosse dado concreto, que nem todos os casamentos entre os pentecostais se dão por amor verdadeiro. Em sua concepção, negro deveria casar com negro, e branco, com branco, como forma de afirmação da raça.
Há profundo sentimento racialista e divisionista nas palavras do autor. Ele entende a sociedade brasileira como racialmente estratificada. Vê na raça negra um elemento cultural até mesmo inconsciente, como se o fato de a pessoa descender de negros fizesse com que a África não saísse dela, fosse algo incrustado em suas veias, mesmo sendo ele agora um cidadão brasileiro. Sendo assim, que cultura devem ter os meus filhos: dos portugueses que foram para o Piauí, dos índios, dos negros ou dos japoneses que entraram para a sua árvore genealógica? Sendo eles descendentes de todo esse agrupamento de etnias, que identidade eles têm? E mais: é preciso ter uma "identidade racial"? Por quê?
Fui lendo e me assustando a cada capítulo. Não acreditava que um teólogo poderia ter uma visão tão racialista da sociedade, das relações sociais e eclesiásticas. Ao dizer, por exemplo, que os pentecostais têm muitos negros mas não os colocam em posições de destaque, esquece, só para citar um exemplo retumbante, que um dos principais pastores da Assembleia de Deus há cinco décadas é negro, o Pr. Anselmo Silvestre, líder da denominação em Minas Gerais, e que acaba de passar o comando daquela igreja para seu filho, estando já com quase cem anos de idade. Não há esse apartheid que o autor denuncia com ênfase.
O autor defende as "ações afirmativas", crendo que as igrejas evangélicas deveriam lutar por elas e dar o exemplo, começando por suas próprias instituições, como os seminários. Em vez de primar pelo mérito, iríamos ter professores de teologia conforme a cor da pele ou a declaração pessoal de raça.
Vejo esse livro como produto do esquerdismo teológico a que se refere o Rev. Augustus Nicodemus Lopes em seu livro - por vezes citado aqui - O que estão fazendo com a Igreja?, publicado, aliás, pela mesma editora. Mistura luta de classes com teologia, tentando fazer uma teologia negra, mas sem o necessário substrato teórico. Provoca, com isso, confusão teológica, e consegue prejudicar o conhecimento de dois mundos: o pentecostal e negro.
Há, é claro, a confusão, própria da esquerda, entre preconceito racial e exclusão social. Ninguém dirá, em pleno domínio da razão, que não existe preconceito racial no Brasil (temos as piadas de mau gosto a demonstrar esse pecado) - mas daí a sustentar que os negros sejam excluídos da ascensão social por motivo de cor da pele é um terrível engano. Não é assim. Não existe uma luta de raças no Brasil, uma composição das elites brancas contra os herdeiros da escravidão.
Compreendo que os pentecostais sejam tão receptivos aos negros por vários motivos: se Jesus veio dar oportunidade de Salvação aos pobres (Is 61.1,2; Lc 4.18,19), e se muitos pobres são negros, logo, muitos negros serão alcançados por Jesus. É verdade que os pentecostais são espontâneos e mais simples em sua liturgia que os históricos, mas a questão é, de novo, social, e não racial: é mais fácil um pobre se sentir bem num ambiente informal do que num lugar mais sofisticado, ainda que as pessoas sejam gentis e simpáticas.
Além desse aspecto social e relacional, há o poder de Deus. Não se pode negar que o poder de Deus impulsionou o crescimento pentecostal no Brasil. Foi pela força do Espírito Santo, por meio do batismo com fogo, que o evangelho foi pregado em todo o país, a ricos e pobres, em favelas e palacetes. Não se pode espiritualizar tudo, mas também não se pode enxergar as coisas exclusivamente pela ótica das ciências humanas. Aliás, o que muitos ideólogos esquerdistas chamam de ciências humanas não passa de supostas teorizações de suas opiniões pessoais. Cria-se a ideia e se coloca um ar de cientificidade. Mas o método científico, quando aplicado com precisão, revela o vício existente.
Não quero essa nação dividida que o movimento negro propõe, com suas cotas raciais e o ensino de que  o negro precisa necessariamente se identificar com a cultura africana só porque descende de negros. E também não quero uma igreja dividida em raças.
Não existem raças. Quem inventou a raça foram os racistas. O que existe é a Humanidade. Será que ainda não aprendemos isso? Os clássicos e repisados exemplos da África do Sul, da Alemanha e do Sul dos Estados Unidos não serviram?
Escrevo este texto para reflexão e debate, sabendo que, assim como eu, o Pr. Marco Davi de Oliveira deve estar querendo o melhor para a Causa de Cristo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Programas sangrentos de televisão devem ser retirados do ar!

Um estudante do Paraná, chamado Lucas Nobuo Waricoda, foi insultado e ameaçado na televisão pelo apresentador Zeca, de uma TV a cabo de Ponta Grossa, por ter feito críticas a seu programa policial. Em texto no blog criticadeponta.blogspot.com, o estudante afirmou, em 23 de março deste ano, que o programa "é um dos exemplos do que há de mais sensacionalista na mídia dos Campos Gerais". 
A resposta do apresentador foi a pior possível: usou palavras de baixo calão, referindo-se ao rapaz e à sua mãe, e o ameaçou veementemente de algum tipo de agressão. Até convidou o estudante a dar queixa na delegacia no dia seguinte, e o avisou de que alguma coisa poderia lhe acontecer naquele mesmo dia.
Trata-se, pelo que se vê no blog e na resposta do Sr. Zeca, de um daqueles muitos programas sensacionalistas e populistas da TV brasileira. O fato de ser veiculado em TV a cabo não isenta o programa do respeito à ordem jurídica.
Aqui na Bahia existem programas desse naipe. Talvez o mais ofensivo deles seja o Na Mira, veiculado pelo SBT (TV Aratu) na hora do almoço. O apresentador, com sua fala rouca e raivosa, grita a todo tempo, dizendo "aqui o sistema é bruto". E seu maior trunfo são as exibições de cadáveres.
Proibir a veiculação de programas sangrentos como o Na Mira seria um serviço à sociedade. Não se trata de cerceamento à liberdade de expressão, mas de proteção da dignidade da pessoa humana. Nem mesmo a exibição à madrugada resolveria o problema, pois o que se deve evitar é o desprezo pela pessoa, pela imagem e memória de quem já morreu - no caso dos defuntos apresentados a olhos vistos - além da dignidade dos espectadores. O que se ataca nesse programa não é o indivíduo, mas a própria condição humana.
Se quisessem melhorar as coisas em nosso Estado, os responsáveis pelo Na Mira procurariam influenciar positivamente os parlamentares, a sociedade civil e o governo estadual, com propostas e parcerias. Gritar pedindo uma espécie estranha de "justiça" contra bandidos não é, nem de longe, solução para o caos social em que nos vemos aqui em Salvador/BA e região.
A denúncia de Lucas Nobuo Waricoda me incentivou a tratar desse assunto, sobre o qual pensei em escrever dias atrás. Vemos também, com esse episódio, que blogueiros anônimos podem, sim, provocar debates e reações. Esperamos, todavia, que desta vez a reação seja civilizada. Se houver.

Onde encontrar o texto de Lucas Nobuo Waricoda:

Resposta do apresentador:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u717215.shtml


E depois tem gente querendo ser apóstolo...

O condenado entra na sala para o cumprimento da sentença. O juiz ordena e o carrasco dá 39 açoites, porque a pena é de 40, mas não se dão todos eles por uma margem de erro - já que a lei determina que o exagero da pena promove o desprezo do réu, e ninguém quer ser culpado de impor penas exageradas.
O condenado recebe a ordem de deitar-se no chão. Ele tem que ficar com as costas para cima, pois irá receber as pancadas. E isso ainda ocorrerá outras quatro vezes, por situações diferentes, e sem nenhum fundamento.
Noutra ocasião, o mesmo homem sofre um apedrejamento. Ele não tem culpa, mas fica aparentemente morto, de tal modo que os seus ofensores o deixam para ser comido pelos abutres. Só não morreu porque foi cuidado por pessoas que o conheciam. Mas o atentado pode ter deixado marcas indeléveis, doenças para toda a vida.
Esse mesmo homem também sofreu uma punição com varas por três vezes. Foi preso injustamente, e, segundo a tradição, foi decapitado. Em sua missão, não cometeu crimes.
Refiro-me ao apóstolo Paulo, o mesmo Saulo de Tarso. Homem erudito, cidadão de três culturas - judaica, romana e grega -, Paulo tinha uma mente privilegiada. Escrevia em grego, conhecia seus direitos de cidadão romano, era versado em todo o conhecimento dos hebreus, poesias gentílicas e filosofias. Era um homem culto, fora formado na Escola de Gamaliel. Dizem que era membro do Sinédrio. Pedro reconhece que suas Cartas eram "difíceis de entender".
Bater num homem, humilhá-lo, desprezá-lo, arrancar-lhe sangue, fazer com que ele sinta dor física e dor moral, isso é uma coisa horrível, deprimente. Paulo sofreu essas coisas. Jesus o avisara: "Mostrar-te-ei o quanto importa sofrer em meu Nome".
Todavia, Paulo fora talhado para a sua missão. Deus o escolheu, consagrou e preparou. Não era um intruso, um voluntarista, um egocêntrico. Não quis aparecer. Na verdade, seu trabalho não teve glória humana.
Penso que esses falsos apóstolos da atualidade veem a Bíblia sem a seriedade necessária. Talvez enxerguem a Bíblia com um olhar hollywoodiano. Não entendem que o apostolado é um dom especialíssimo, e não um cargo ou título. Esses indivíduos não são apóstolos. São impostores.
Se Paulo pudesse olhar para a face desses falsos apóstolos, o que ele pensaria? Fico com vergonha pelos "apóstolos" brasileiros. Que decepção!
Voltemos à cena do condenado na sala em que receberá os 39 açoites. Paulo sabe que nada fez de errado para merecer aquela punição. Ele apenas pregou o Evangelho. Anunciou a redenção na Pessoa de Jesus Cristo. Ele disse que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, Aquele predito pelos antigos profetas. Ele disse que Jesus ressuscitou, e que tudo o que fez serviu para a Salvação dos pecadores. Foi esse o seu "crime".
O apostolado de Paulo sempre esteve cercado de injúrias, prisões, sofrimentos, dificuldades com os irmãos, com os judeus, com os gentios, fome, privações, além das atividades normais do ministério. Ele foi um homem autêntico, não um arremedo de líder. Paulo não foi um homem deste mundo.
É extremamente constrangedor para a Igreja brasileira aceitar que homens se autoproclamem "apóstolos". Mais do que bispos ou pastores, agora eles são "apóstolos". Depois, o que mais quererão ser? Vigários de Cristo? Anjos? Ridículos esses senhores. Mais ridículos ainda aqueles que os seguem.
Fico muito chateado com toda essa tolice.



domingo, 4 de abril de 2010

Jeremias

Começamos hoje, na Assembleia de Deus em todo o Brasil, o Segundo Trimestre das revista Lições Bíblicas, da CPAD, agora com o tema Jeremias - esperança em tempos de crise. A primeira lição teve por título Jeremias, o Profeta da Esperança. Tratamos neste domingo de Jr 1.1-10.
Jeremias foi um profeta de família sacerdotal, da cidade de Anatote, a 6km a nordeste de Jerusalém (hoje, Anata). Era uma pequena cidade na região de Benjamin.
O termo "Jeremias" significa "o SENHOR estabelece", "o SENHOR funda" ou "o SENHOR lança" - vejo aqui a possibilidade de que em Jr 1.10 Deus tenha feito um jogo de palavras usando o nome de profeta, pois uma das missões de Jeremias seria "edificar".
Jeremias é considerado "o profeta das lágrimas", certamente por causa de 9.1 e 13.17 e do Livro que, não por acaso, se chama Lamentações de Jeremias. E por que ele chorava? Basicamente por causa do pecado de seus compatriotas e do cativeiro a que tiveram que ser submetidos.
Nosso profeta das lágrimas não pôde se casar (16.2), tendo sido, portanto, um celibatário pelo Reino de Deus. Realmente, com a vida que ele levou, ter uma família seria completamente imprudente. Tinha que ser ele um profeta solitário.
A princípio, Jeremias relutou em sua vocação. Alegou ser uma criança (na'ar). Dizem os estudiosos que teria cerca de 20 anos de idade*. De toda maneira, devia ser, em sua concepção, muito novo e inexperiente para enfrentar reis, príncipes, anciãos, sacerdotes e o povo em geral. Mas Deus o havia chamado e consagrado (santificado) desde o ventre materno. Compreendo, de qualquer forma, que Jeremias aceitou o chamado e foi tocado pela mão de Deus para receber as palavras que deveria falar.
Jeremias relutou. De fato, os melhores relutam ao chamado, enquanto os menos preparados são os primeiros a comparecer. Os mais competentes e consagrados resistem porque sabem que a vocação é para o trabalho duro e elevado, e não para meros prêmios seculares.
Diz-se que Jeremias era terno, manso, sensível. Creio que não foi fácil para uma pessoa assim enfrentar tantas injúrias e oposições. Deus o havia fortalecido, eu sei. Mas como aquele homem sofreu!
Jeremias ministrou entre 626 e 586 a.C., conforme os primeiros versículos do cap. 1, mas foi até um pouco mais, durando o seu minostério mais de 40 anos. Com a invasão de Jerusalém por Nabucodonosor em julho de 586 a.C., Jeremias foi autorizado a ficar em Jerusalém ou ir para a Babilônia, como quisesse, mas preferiu ficar. Foi preso pelos judeus e levado para o Egito, onde deve ter morrido. Teve que ver o assassinato do governador Gedalias, morto pelos nacionalistas.
Houve uma sucessão de reis durante o ministério de Jeremias: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim (Conias, Jeconias) e Zedequias. Dois desses eram irmãos de Josias: Jeoaquim e Zedequias. Havia conturbação política, fraqueza moral e idolatria. Havia profunda crise em Judá, intromissões bélicas, busca pelo apoio da Assíria ou do Egito e, em meio a tudo isso, Jeremias pregando a mensagem impopular de que o certo seria entregar-se ao mando da Babilônia.
Desertor e traidor eram os adjetivos atribuídos a Jeremias pelos seus conterrâneos. Ele não tinha aceitação nenhuma entre os seus. Até mesmo seu secretário, Baruque, quis desesperar da vida. Era difícil aquele tempo!
Há muito o que discutir acerca de Jeremias, e muito, mas muito mesmo, o que aproveitar hoje. Afinal, não vivemos numa crise? Os verdadeiros profetas de Deus não são solitários? Não há a necessidade de enfrentamento de "reis" e "sacerdotes" maus, sem compromisso com Deus? Sim, vivemos numa profunda crise moral e espiritual na Igreja brasileira. Cabe a nós a escolha: andarmos com o impopular Jeremias ou com aqueles a quem ele enfrentou.

*ARCHER, Jr., p. 299.

Referência bibliográfica:
ARCHER, Jr., Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Edições Vida Nova, 3ª ed., 1984, 515p.


sábado, 3 de abril de 2010

As barricadas de Judas

Ia eu com a minha esposa para uma livraria no bairro da Liberdade, aqui em Salvador/BA, quando erramos o caminho - coisa que costumo fazer - e deparamos com a complexidade do bairro de Massaranduba. Mas o que nos chamou a atenção foram o que chamaria de "barricadas de Judas".
Primeiro, vimos umas crianças tentando impedir nossa passagem com alguns paus. Um deles batia na janela do carro e dizia: "Só passa com dinheiro". Não entendemos. Foram, ao todo, seis barricadas erguidas por crianças pobres, algumas com paus, outras com colchões. Numa delas, entendemos o motivo das barreiras: "Tio, arruma um dinheiro para o Judas". Assim, o pretexto para a obtenção de dinheiro era a malhação de Judas, no chamado "Sábado de Aleluia".
Ficamos preocupados. Confesso que buzinei, chateado, quando vi que o motorista da frente parou para conversar com um dos meninos. Depois, para minha tristeza, tive que mostrar que queria passar, andando devagar com o carro, até que uma menininha saísse e nos deixasse seguir. Eu sei, eram apenas crianças...
Logo pensamos nos pais: por que deixam que seus filhos fiquem nas ruas, impedindo a passagem dos carros em troca de dinheiro? O cenário era o de um Iraque ou Haiti. Alguém já disse que a pobreza é igual em todo lugar.
Aquela situação não manifestava nenhum traço cultural ou folclórico, mas a expressão da condição aviltante a que nossa sociedade arroja as nossas crianças, a nossa gente.
Salvador, como toda metrópole brasileira, é farta em contradições sociais. Aqui, temos, na verdade, duas cidades, a dos ricos e a dos pobres. Isso é muito claro. A cidade que os turistas conhecem (Barra, Campo Grande etc.) é mais complexa do que isso, e não demonstra quão desigual é a nossa querida Salvador.
Ver aquelas pequenas barricadas não foi bom. Crianças não foram feitas para impedir passagem de carros pedindo dinheiro. Crianças foram feitas para conhecer Jesus.
É por essas e outras que não concordo com a teologia da prosperidade nem com as pregações sensacionalistas e autocentradas. Precisamos ver e ouvir o povo, entrar nas favelas, nas veias da cidade, nas casas alquebradas. O Evangelho só se recebe quando é exposto num nível pessoal. Jesus não teorizava ao longe, mas atravessava as cidades.
Uma teologia da cidade tem que pensar grande. Missões urbanas não se fazem dentro dos templos. Missões urbanas - que coisa óbvia! - se fazem nas ruas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A denúncia do sobrinho de Chico Xavier e algumas considerações bíblicas sobre o Espiritismo

Se estivesse vivo, o médium Chico Xavier completaria 100 anos hoje. Nascido em Pedro Leopoldo/MG, tornou-se o principal representante do Espiritismo em solo brasileiro, com 412 livros, muitos deles supostamente psicografados. Morreu em 2002, em Uberaba/MG, cidade para onde teve que fugir depois de um escândalo.
Que escândalo teria sido esse? A revelação feita por seu sobrinho Amauri Xavier Pena de que as supostas psicografias não passavam de criação de sua mente, na arte de imitar autores da literatura. E mais: a farsa seria não só dele, mas de seu tio também.
Encontrei um texto de LUIZ ROBERTO TURATTI, em Usina de Letras, que resume o que ocorreu:

"CHICO XAVIER – O TESTEMUNHO DO SOBRINHO
Amauri Xavier Pena, filho da irmã mais velha de Chico Xavier, Dona Maria Xavier, foi escolhido pelo tio para ser seu sucessor. Vinha treinando desde os treze anos. Aos 17 anos cedeu às insistências do tio. Treinado com grande constância na 'psicografia', mostrou maior facilidade do que o famoso tio para imitar os autores que lia. E assim publicou mais de cinqüenta livros 'psicografados' imitando mais de cinqüenta autores, 'cada qual no seu próprio e inconfundível estilo. Recebeu também uma epopéia de Camões em estilo quinhentista', Cruz e Sousa, Gonçalves Dias, Castro Alves, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Luís Guimarães Jr., Casemiro Cunha, Inácio Bittencourt, Cícero Pereira, Hermes Fontes, Fabiano de Cristo (?!), Anália Franco..., e até Bocage e Rabindranath Tagore. O boletim espiritista 'Síntese', de Belo Horizonte, fazia a divulgação.
'Um grande médium' era proclamado, mesmo depois da auto-retratação em Julho de 1958 no 'Diário de Minas'. E lá mesmo, perante os jornalistas, imitou diversos estilos de autores famosos. 'Tudo o que tenho ‘psicografado’ até hoje, apesar das diferenças de estilo, foi criado pela minha própria habilidade, usando apenas conhecimentos literários', declarou.
E proclamou que seu tio Chico Xavier 'não passa de um grande farsante'. E à revista 'Manchete': 'Revoltava-me contra as afirmações dos espiritistas (que diziam que era médium). Levado à presença do meu tio, ele me assegurou, depois de ler o que eu escrevera, que um dia eu seria seu sucessor. Passei a viver pressionado pelos adeptos da ‘terceira revelação’... como absurdamente chamam ao Espiritismo, com ele pretendendo suplantar, após as revelações do Pai e do Filho, a Terceira Revelação pelo Divino Espírito Santo o dia de Pentecostes.'
'A situação torturava-me, e várias vezes, procurando fugir àquele inferno interior, entreguei-me a perigosas aventuras, diversas vezes saí de casa, fugindo à convivência de espíritas. Cansado, enfim, cedi dando os primeiros passos no caminho da farsa constante. Tinha então 17 anos'.
'Perseguido pelo remorso e atormentado pelo desespero, cometi vários desatinos (...). Vi-me então diante da alternativa: mergulhar de vez na mentira e arruinar-me para sempre diante de mim mesmo, ou levantar-me corajosamente para penitenciar-me diante do mundo, libertando-me definitivamente. Foi o que decidi fazer procurando um jornal mineiro e revelando toda a farsa' (...).
'Meu tio é também um revoltado, não conseguindo mais recuar diante da farsa que há longos anos vem representando'.
'Eu, depois de ter-me submetido a esse papel mistificador, durante anos (...), resolvi, por uma questão de consciência, contar toda a verdade' (Ver também 'Estado de Minas', 20/1/1971; revista 'Realidade', Novembro 1971, pág. 65; etc.)".

Dessa forma, temos o testemunho de ninguém menos que o potencial sucessor de Chico Xavier dizendo que ele e seu tio eram uma farsa. É claro que os espíritas rechaçam a denúncia feita por Amauri Xavier Pena, mas há que se fazer a seguinte consideração: existem três tipos de espíritos que agem no mundo: o Espírito de Deus, o espírito humano e os espíritos dos demônios. Nada há que vá além disso. Qualquer manifestação espiritual sobrenatural será proveniente de Deus ou dos demônios, já que o espírito humano só intervém neste mundo quando a pessoa está viva, pois os mortos não se comunicam com os vivos em nenhuma hipótese.
Isso é o que diz a Escritura.
Em Is 8.19,20, está escrito: "Quando vos disserem: consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva".
Em Lc 16.19-31, na Parábola do rico e Lázaro, Jesus ensina, por meio de um diálogo entre Abraão e o rico pecador, que os vivos devem ouvir a Lei e os Profetas, e não aguardar que um morto volte para contar o que sabe. Se não creem nas Escrituras Sagradas, não crerão por causa de um defunto que retorna para falar do que viu.
A Bíblia é muito clara ao reprovar a conduta de necromantes, adivinhos e de toda forma de consulta aos mortos (Lv 19.31; 20.6, 27; Dt 18.11; II Rs 21.6; 23.24; I Cr 10.13; II Cr 33.6; Is 19.3; 29.4). Normativamente, a Palavra de Deus reprova esses comportamentos porque eles não têm base na realidade espiritual. Como diz o autor da Epístola aos Hebreus, depois da morte segue-se o juízo, sendo aos homens ordenado morrer uma só vez (Hb 9.27).
Nem se diga que em I Sm 28 a Bíblia aprova a necromancia praticada por uma pitonisa que Saul consultou, pois em I Cr 10.13 está escrito com todas as letras que Saul foi reprovado por isso. Em interpretação lógica e sistemática, é impossível admitir que Deus aprove a necromancia.
Quem crê na Bíblia não pode acreditar em Espiritismo. Mas os espíritas gostam de dizer que são cristãos, que há mediunidade na Bíblia. Qual é, pois, a saída? Dizer que as passagens contrárias aos dogmas espíritas foram adulterados pela Igreja Católica. Assim é fácil: eles ficam com a parte que lhes convém e desprezam como texto espúrio aquilo que diz que estão pecando. É uma teologia de conveniência, que expressa desonestidade intelectual.
Por que muitas pessoas têm inclinação pelo Espiritismo? Uma das razões é que elas não conseguem explicar fenômenos espirituais e certas coincidências. Por exemplo, quando veem um médium "psicografar" cartas de um ente querido, contando coisas que só ele e familiares podem saber, logo acreditam que se trata de comunicação com os mortos. Todavia, se conhecessem a Bíblia, veriam que os magos do Egito souberam imitar, até certo ponto, as obras maravilhosas operadas por Moisés, só que se utilizando de "suas ciências ocultas" (Ex 7-8.19).
Também reconheceriam que Satanás pode se transformar em anjo de luz, se quiser (II Co 11.14,15).
O apóstolo João nos exorta a provas os espíritos, a ver se procedem de Deus (I Jo 4.1).
Dizer que os cristãos evangélicos são crédulos por acreditarem na Bíblia não é correto. Temos fé porque confiamos no testemunho objetivo das Escrituras, não num conto de fadas. Não cremos em tudo o que ouvimos ou lemos, só porque não temos explicações racionais. Não cremos em mitos, duendes, fadas, fantasmas, comunicação com os mortos, gnomos, nada do que esteja fora das Escrituras. Cremos na Bíblia, com tudo o que ela tem para nos dizer, mesmo que ela se refira a realidades dolorosas, como Queda, pecado, inferno e juízo de Deus. Cremos na totalidade da Palavra, não naquilo que convém ao nosso apetite espiritual.
Neste 2 de abril, em que a TV fará uma apologia de Chico Xavier, tento, na minha pequenez, fazer aqui um contraponto. Creiamos na Bíblia, e não em coisas aparentemente verdadeiras, simplesmente por não podermos explicar.

Onde encontrei o texto de LUIZ ROBERTO TURATTI, reproduzido aqui por expressa permissão geral na página eletrônica:
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=35060&cat=Artigos&vinda=S


quinta-feira, 1 de abril de 2010

O que será dos que não ouviram a Palavra de Deus?

Recebi o e-mail de um irmão internauta chamado Darcy Goulart, nos seguintes termos:

"Lendo os seus blogs, geralmente me identifico com as suas posições teológicas e até com outros assuntos, às vezes. Felicito-o, não meramente pela identificação, mas porque acho que a Igreja de Cristo precisa de servos de Deus que exponham com clareza a sã doutrina.
Se for possível, bem que gostaria de, um dia desses, ouvir a sua opinião sobre o seguinte:

Pensando em Sócrates, Platão e Aristóteles, homens que viveram entre 400 e 300 a.C., sou levado a pensar em milhões (não tão ilustres) que também não tiveram a chance de conhecer Jesus Cristo e seu evangelho.

Também em nossos dias existem os que não ouviram pregadores do evangelho.

Sei que o julgamento de Deus é de instância realmente muito superior, mas às vezes ousamos algumas reflexões a respeito. Como ficarão as multidões que não tiveram alguma oportunidade? Há discussões por aí, inclusive a APMB* na publicação ?O Que Será Dos Que Nunca Ouviram??(Edições Vida Nova).
Não posso esquecer de Atos 17:30: ?Deus, não levando em conta o tempo da ignorância...?. O ?não levando em conta? o que significou para aqueles?
DAG, em 01 de abril de 2010".

O questionamento de Darcy é um dos mais importantes da teologia, a meu ver. De início, podemos afirmar que o fato de existirem milhões ou bilhões de pessoas sem acesso ao Nome de Jesus deve ser motivo suficiente para um impulso à obra missionária transcultural. O Islamismo é, sem dúvida, nosso maior desafio, pois ele toma de assalto nações e impõe a fé em Alá e em seu "profeta" Maomé. Não é por convencimento, mas pela espada, pela força. E isso dificulta em grande medida o avanço do Evangelho em muitos países.
Um ponto aqui é fundamental: o pecado universal não reside em não se ter ouvido falar de Jesus, mas em viver como se Deus não existisse, apesar da Revelação Geral - pelas coisas que foram criadas - e que manifesta a glória e as virtudes do SENHOR. Todos são pecadores, todos se extraviaram, todos se distanciaram de Deus, todos escolheram o fruto proibido, todos carregam a pecaminosidade adâmica, todos cometem pecados porque são pecadores - e não o contrário: ser pecadores porque cometem pecados.
De certo modo, é como se estivéssemos predestinados ao inferno e Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, houvesse interrompido o fluxo que leva do pecado à morte eterna. Não creio na predestinação calvinista, mas, uma vez sendo seres humanos, todos somos condenados ao inferno, até que Jesus manifeste Sua providência e por Sua graça nos salve. Pela fé, em arrependimento de pecados, somos alcançados por Deus em Cristo. Adão é um nome coletivo. Em Adão, todos nós pecamos. Há uma solidariedade nisso, uma comunhão entre Adão e a Humanidade.
Textos especiais para esse tema são os que seguem:
Sl 19.1 - "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos". Esta é a Revelação Geral, diferente da Revelação Especial (Hb 1.1-4).
Sl 14 e 53 - "não há quem faça o bem", "todos se extraviaram". A pecaminosidade é universal, uma condição da "raça humana".
Rm 1.18-6 - de maneira clara, Paulo ensina que todos os homens, judeus e gentios, são "indesculpáveis". O que eles fizeram para receberem culpa? Desprezaram o conhecimento natural de Deus. Em suma, é isso. Perversões sexuais acabaram acontecendo como espécie de juízo divino, pois Deus entregou a Humanidade a seus próprios instintos, e assim todos ficaram sem freios, indo até onde quisessem. Não posso deixar de citar a Queda, quando Adão e Eva preferiram comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (Árvore Ética) e, com isso, mostraram seu desejo de emancipação, de independência em relação a Deus. Quando pecamos - e todos pecam - reproduzimos esse desejo de vivermos as nossas próprias escolhas éticas. Esse é um fato comprovado pela experiência universal.
Antes de passarmos ao exame daqueles que nunca ouviram sobre Jesus, precisamos admitir, sem nenhuma vacilação, que todos igualmente pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Rm 3.23 e 6.23), e merecem a morte eterna, como Adão e Eva, que pecaram e se separaram de Deus. Se não entendermos o pecado como sendo um erro gravíssimo de nossa escolha pessoal, não poderemos admitir que pessoas não-evangelizadas sejam condenadas ao inferno. Elas merecem o inferno porque inferno é ausência de Deus, e, então, ir para o inferno sem Deus é explicado logicamente, assim como ir ao encontro de Deus tendo o Espírito de Cristo em nosso ser.
Todavia, haverá distinção no julgamento, e cada um receberá a condenação na medida do seu conhecimento de Cristo. A quem mais for dado mais será cobrado. Em Mt 11.20-24 e Lc 10.13-15, Jesus deixa isso muito claro: as cidades de Tiro e Sidom serão alvo de pena menor que as cidades de Corazim e Betsaida, assim como Sodoma em relação a Cafarnaum. Por que isso ocorrerá? Porque Tiro, Sidom e Sodoma, embora terríveis, não testemunharam os milagres realizados por Jesus em Cafarnaum, Betsaida e Corazim. E Jesus chega a afirmar que aquelas cidades pecadoras seriam salvas se houvessem presenciado os milagres! Mesmo assim, sofrerão algum rigor, mesmo que menor. Isso decorre do pecado universal.
A mesma lição se depreende de Tg 3.1, em que o irmão do SENHOR ensina que os mestres sofrerão "mais duro juízo". Isso ocorrerá porque tiveram maiores chances. Deus não é injusto.
Façamos um raciocínio hipotético: se admitíssemos que os não-evangelizados são inocentes por não terem ouvido falar de Jesus, seria melhor Jesus não ter vindo ao mundo. Assim, não seria preciso evangelizar, e, não evangelizando, ninguém que ficasse de fora iria ao inferno. Mas esse raciocínio é falho porque, como eu disse no início, o pecado universal não é deixar de atentar para a Palavra de Deus, mas deixar de reconhecer a Deus como SENHOR.
Quanto a At 17.30, a afirmação de que Deus não leva em conta os tempos da ignorância significa que Ele oferece possibilidade de perdão a ponto de apagar todos os males e tornar justificado o pecador.
Não é um tema fácil, mas, pelo que entendo do que está escrito, essas são, em resumo, as balizas nas quais podemos estar com firmeza, sem especulações. De resto, é evangelizar e abreviar a volta de Jesus.

Nota: APMB é Associação dos Professores de Missões no Brasil.



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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.