quinta-feira, 31 de março de 2011

Jair Bolsonaro, Preta Gil, Jean Wyllys, Marco Feliciano - a pauta da semana

Tenho acompanhado com atenção toda a polêmica em torno das declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) ao programa CQC, da Band (28/03), bem como as declarações que ele tem feito depois disso sobre o homossexualismo.
Primeiro, não gosto do estilo nem de boa parte do discurso desse deputado saudoso do militarismo e com jeito autoritário. Que isso fique bem claro! Ele não pensa para falar ou pensa tudo aquilo mesmo e faz um péssimo serviço ao Brasil, como suposto defensor da família brasileira, mas com argumentos preconceituosos e de fácil refutação. Com efeito, para defender as causas da família é preciso falar com fundamentação teórica, pois a patrulha ideológica é assaz "preparada" para tachar de fundamentalistas os seus adversários no diálogo. E os ativistas gays e demais do esquerdismo político sabem quais são os interlocutores sensatos, mas não é interessante discutir com gente qualificada do outro lado.
Todavia, creio que o parlamentar se enganou ao responder à pergunta da Preta Gil: é evidente que ele misturou as coisas, e, em vez de responder o que faria se seu filho se relacionasse com uma mulher negra, foi logo tratando de promiscuidade, educação, ambiente familiar...O próprio Marcelo Tas, do CQC, deu uma indicação de que poderia ter havido esse equívoco, o que foi depois sustentado pelo próprio deputado.
Agora, é claro que o movimento gay jamais vai admitir que o deputado se atrapalhou. O deputado Jean Wyllys, meu conterrâneo de Alagoinhas/BA - e a quem conheci em Pojuca, na Fundação José Carvalho, onde estudamos - é um daqueles que têm aproveitado a repercussão do que o deputado falou para fomentar o discurso "contra a homofobia". Não bastasse, o deputado alagoinhense, eleito pelo PSOL do Rio de Janeiro, já disse que com certeza o deputado queria se referir a mulheres negras mesmo, e que ele praticou racismo.
Ora, deputado Wyllys, o senhor é inteligente para saber, pelo contexto, o que de fato aconteceu, mas é melhor explorar o caso como racismo porque a Lei da Homofobia não foi aprovada - enquanto, sem perda de tempo, se exploram as palavras de Bolsonaro para dizer que se trata de um representante da postura homofóbica que impera no Brasil... Se Jean Wyllys não fosse tão perspicaz como me parece, chegaria a pensar que ele acredita mesmo no que diz.
Que o deputado Jair Bolsonaro fala demais eu não tenho dúvida: já chamou a deputada Maria do Rosário (PT/RS) de "vagabunda" - depois que ela o chamou de "estuprador"; já disse que FHC deveria ter sido fuzilado na época da ditadura; já disse que daria uma surra num filho "meio gayzinho". Ele fala coisas impróprias, sim, mas é de se perguntar: ele pode ser processado por discordar do homossexualismo? Ele não tem direito de se expressar, ainda que com aquele jeito truculento dele? Estamos de volta à censura? Ele por acaso incitou o povo à violência? Ele cometeu um crime? É necessário responder com clareza a essas perguntas.
Mas não ficamos só por aí. Não sei se querendo atrair os holofotes da imprensa - porque entre os pentecostais ele já tem um enorme sucesso... - o deputado (!) e pastor evangélico Marco Feliciano escreveu no twitter que os africanos são amaldiçoados porque Noé amaldiçoou seu neto Canaã, e que por isso eles sofrem fome, guerras étnicas, miséria...É muita impropriedade para uma pessoa só. E ainda tem a coragem de dizer que isso é teologia!!! Se teologia fosse isso, iria abandonar meu curso de Especialização em Estudos Teológicos!!! Mas não, isso não é teologia mesmo! É falta do conhecimento mais básico.
Pastor (!) Marco Feliciano, os descendentes de Canaã, que foi amaldiçoado por Noé, não ocuparam a África - seja a subsaariana, seja aquela em que se situa a Líbia, citado pelo senhor. Os descendentes de Canaã ocuparam...Canaã. E, mais do que isso, não há razão teológica para afirmar que pesa maldição sobre um país ou continente em especial, porque isso importaria em maldição hereditária, doutrina que não encontra substrato bíblico. A maldição que existe sobre toda a Humanidade é a decorrente do pecado, mas este é universal. Logo, o senhor também estaria debaixo da maldição do pecado se não houvesse recebido a Salvação pela graça, mediante a fé - estou supondo que o senhor conheceu Jesus.
Fico indignado com isso: de um lado, os despreparados e demagógicos Jair Bolsonaro e Marco Feliciano; de outro, o preparado e bem-falante Jean Wyllys. É certo que, numa discussão entre tais personagens, a mentira parece verdade, e a verdade parece mentira. No meio de tudo, aparece a Preta Gil para fazer um estardalhaço e processar por isso e aquilo. E aqueles que realmente conhecem a Bíblia e adotam uma forma serena de discutir temas polêmicos ficam de fora da mesa de debates.
É, meus amigos. Quem se habilita a ser voz sensata em favor da ética cristã?

quarta-feira, 16 de março de 2011

A tragédia no Japão e os comentários medíocres que se fazem sobre isso

Vou chamar de "medíocres" alguns comentários que têm sido feitos sobre a tragédia ocorrida no Japão porque não quero ter de usar as palavras mais apropriadas... 
Já li sobre o presidente da OAB do Acre, para quem deve ser difícil discernir entre os desaparecidos por serem "todos iguais". O ministro Carlos Lupi, do Trabalho, disse que o desastre vai acabar sendo "bom para o Brasil." E internautas escrevem suas bobagens.
Minha esposa descende de japoneses, e um de seus irmãos mora lá com esposa e filhos. Hoje, quando eu falava com ele ao telefone, houve novo tremor, que, segundo informação do Jornal Nacional, foi de mais de seis graus na Escala Richter (meu cunhado falou em 5 graus em novo telefonema). Bem, a sensação de falar com uma pessoa que está passando por um terremoto não é comum, certo?
A família da minha sogra veio de Fukushima, província onde está a usina com problemas, Fukushima I. Ainda moram parentes de minha esposa lá naquela província, mas em região montanhosa, aonde as pessoas estão indo se refugiar.
A educação, disciplina e organização dos japoneses são admiráveis. Apesar da fome e da preocupação, obedecem às filas e pegam apenas aquilo de que necessitam, pensando nos demais. Aqui no Brasil, qualquer caminhão de carga tombado é logo saqueado pelo populacho: dia desses, um caminhão de cerveja virou e foi assaltado de pronto pelos "populares". O que disse Raimundo Varela, da TV Itapoan/Rede Record? Que isso é a desigualdade social. Não, senhor Varela: isso é falta de educação! Não conheço furto famélico de cerveja (nem de combustível, pois o outro exemplo que ele deu foi o do saque ao trem descarrilado em Pojuca, no ano de 1983, seguido de uma explosão que matou muitas e muitas pessoas, que tomavam de assalto o combustível ali carregado).
Pensemos um pouco: se não conseguimos evitar  apagões e se todos os anos acontecem as mesmas tragédias com enchentes e desabamentos, que conselho teríamos a dar a japoneses numa hora como esta? E como podemos acusá-los de frieza se essa "frieza" faz com que friamente edifiquem prédios inteligentes, criem sistemas de alerta contra terremotos e insiram em currículos escolares informações sobre prevenção de riscos?
Deveríamos ter vergonha da sociedade em que vivemos, em vez de falar mal dos outros. Somos mal-educados, egoístas, desorganizados, imprudentes, negligentes, corruptores e corrompidos, cheios de "jeitinho". Deitamos nesse berço esplêndido, bem no meio de uma placa tectônica, com tantas riquezas naturais, e não sabemos valorizar nosso território. Esquecemos de que  a presidente, quando ministra e pré-candidata, prometeu que não haveria mais apagões, e que na semana seguinte nos brindou com apagão em 18 Estados! E que sequer vem a público pedir desculpas!!!
Olha, não vou listar as inúmeras vezes em que nossos líderes deveriam pedir desculpas públicas, porque aí o post não terminaria jamais. Estou deveras indignado com a fraqueza de caráter de tanta gente boçal que há no mundo...
Só mais uma coisa: eu sei que Jesus disse que um dos sinais de Sua vinda seriam os terremotos em diversos lugares...Minha gente: terremotos no território do Japão ocorrem desde muito antes de existir o próprio Japão...Eu vou falar claramente de terremoto como sinal da volta de Jesus quando tremer algum lugar que nunca tremeu. Por enquanto, perdoem-me a franqueza, terremotos no Chile, Califórnia, Japão e México são muito antigos...



sexta-feira, 4 de março de 2011

A Babilônia em festa

Salvador respira Carnaval o ano inteiro. As festas são muitas, assim como as bandas de axé e pagode, que se multiplicam como praga. Há as festas carnavalescas antes, durante e depois do Carnaval - ensaios, "gritos", "ressacas", "saideiras". A paciência da gente vai se esgotando...
Se a Cidade de Salvador não tivesse os problemas que tem, eu poderia deduzir que o povo vive satisfeito. Mas temos um metrô prometido há mais de 10 anos que não se torna realidade e que deve ser mais um item do Guiness Book, já que vai ser o menor do mundo, eu creio, com apenas 6km, ligando o nada a lugar nenhum. Temos uma péssima distribuição de renda. Temos, na verdade, duas cidades, uma rica e sofisticada, e outra pobre e oprimida.
No entanto, ao assistir ao Bahia Meio-Dia, aquele jornal regional padronizado da Rede Globo, o que mais se transmite são as festas, os novos grupos de pagode, as novas besteiras, como o Rebolation, o tchubirabiron, a música da chapeuzinho vermelho...Fala-se um pouco da violência, e, como diz o baiano, "tome-lhe Carnaval e festas". Em meio à greve da Polícia Civil baiana, motivada por uma troca de tiros entre policiais, que acabou matando um policial suspeito de extorsão, ainda se acha lugar para falar de que o Bell Marques, do Chiclete com Banana, tirou a barba por dois milhões de reais, depois de 30 anos...
Salvador está em crise política. Seu Prefeito, que ontem entregou a chave da Cidade para o Rei Momo, trocou boa parte do Secretariado no início do ano, e vive às turras com o seu PMDB. Parece que Salvador, embora tão rica em sua cultura, história e vocação turística, não tem dinheiro, pois a parte industrial e o petróleo ficam em outros municípios (Camaçari, São Francisco do Conde, Simões Filho). É uma cidade mais pobre do que se pensa.
Fico indignado com a ideia que muitas pessoas de Salvador têm de sua terra, como se vivêssemos num paraíso. Claro, eu sei que, como se trata de duas cidades, pode ser que o interlocutor pense na Barra, no Corredor da Vitória ou na Pituba - talvez naqueles condomínios em construção na Paralela - enquanto eu penso no Uruguai, no Leblon... São duas cidades, não? Se não as conhece, venha aqui um dia e veja por si mesmo!
Outra coisa que enche a paciência é aquela ideologia dominante relativa aos movimentos negros, que insistem em ligar a cor da pele a uma ancestralidade africana, como se as pessoas de pele negra não fossem brasileiras.  Quem não tem a cútis negra teria até motivos para se sentir discriminada. Sobre isso eu conversava com a minha esposa hoje mesmo, e ela desabafava sobre a estranheza que isso tudo lhe causa. Ela, descendente de japoneses, pode ouvir críticas de canto de boca e pilhérias do estereótipo, que jamais se caracterizarão como crime de racismo. Mas, se declarações como as que ela ouve se dirigissem a pessoas de pele negra...Eis o crime! Já escrevi sobre isso aqui no blog.
Por fim, mais uma coisa: em nossa congregação, vivemos preocupados para que o som não incomode os vizinhos, e já tive notícia de evangelização ao ar livre, de certo grupo de crentes, ser interrompida porque o volume estava alto demais. Agora, quem vai nos livrar da música alta dos carnavais? Pelo menos moro bem longe do circuito do Carnaval, graças a Deus. E por isso não escuto absolutamente nada. Mas quem mora lá tem de procurar outro endereço durante os dias "de folia".
É, a Babilônia está em festa. Essa crítica minha recorda uma letra de música do próprio axé: "Ouvi dizer que Babilônia é Salvador, é Salvador, é Salvador. Ouvi dizer que Babilônia é Salvador. Ouvi da boca de Nabucodonosor"*.
Se eles dizem, por que vou contrariá-los?
*Composição de Alfredo Moura, música do repertório da Banda Eva.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Todos somos culpados

O Jornal Nacional noticia que o Sr. Joseph Ratzinger, também conhecido como "Papa Bento XVI", fez um pronunciamento em que isenta os judeus de responsabilidade quanto à crucificação de Cristo...Meu Deus!!! A responsabilidade, segundo a Epístola aos Romanos, é de judeus e gentios. Todos somos indesculpáveis!!!
Que o Papa não conhece a Bíblia eu sei. Ele deve conhecer de Catolicismo, mas não de Bíblia. Deve estar querendo afastar a pecha de antissemitismo, mas para isso não precisaria contrariar as Escrituras.
Não se trata de deixar de isentar os judeus, mas de reconhecer que, embora tenha havido a ação de líderes religiosos judeus, e a conveniência das autoridades romanas, a morte de Jesus Cristo se deve à uma associação do amor e da justiça de Deus: por causa da justiça divina, alguém teria de pagar o preço do pecado; por causa do amor divino, quem pagou não fomos nós.
Esse senhor que ocupa a chefia da Igreja Católica presta um desserviço à teologia cristã.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Da inicianta linguagem do poder

A Presidenta Dilma Rousseff é, por enquanto, residenta na Granja do Torto, mas logo deve se mudar para o Palácio da Alvorada. Essa ex-guerrilheira descendenta de búlgaros parece ser uma pessoa muito silenta, pouco sorridenta e algo resistenta aos holofotes.
Dizem que a nova presidenta é competenta no aspecto gerencial, mas ainda não é possível saber de quase nada de sua condução política, pois é estreanta em eleições e mandatos públicos. O que se noticia é ser ela impacienta com assessores e ministros, cobrando resultados e respostas adequadas.
Tomara que essa senhora seja prudenta, convincenta, coerenta e diferenta do seu antecessor, que falava demais e se achava um deus. Aliás, ela, que há pouco se disse católica, mandou tirar o crucifixo da parede e a Bíblia da mesa. Isso é prova de ser uma pessoa congruenta!
Primeiras medidas da gerenta: manter nos cargos o Ministro do Turismo, que pagou motel com dinheiro público, e a Ministra da Pesca, que pagou hotel com dinheiro público; chamar para conversar o Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, para quem os desaparecidos políticos são apenas um fato histórico (a percucienta presidenta não sabia da opinião do General ao nomeá-lo); e verificar que a aliança com o PMDB pode representar maior complexidade do que nunca...
É isso. A ideologia libertária das minorias inaugura este ano uma nova forma de falar a Língua Portuguesa. Daqui a pouco, haverá um dialeto para cada gueto, um idioma para cada filosofia. As mentalidades começam a ser infiltradas a partir da linguagem.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O adeus de Lula e a posse de Dilma - singelas considerações

Este é o primeiro post de 2011. Assisti à cobertura da posse de Dilma Rousseff no cargo de presidente da República, com a consequente despedida de Lula. Seguem algumas impressões:
Lula foi exaltado por Dilma em seu discurso no Congresso. Era de se esperar, já que se fomenta no Brasil um caminho de mitificação e mistificação em torno desse homem que ocupou a presidência por oito anos. Falou de sua "sabedoria", e depois no discurso no Parlatório voltou a falar de um Lula mítico, líder popular que, segundo ela, foi o maior da história, generoso, transformador. Mais do que as instituições, Lula foi enaltecido como o pai da história. É certo que Dilma lembrou, sem citar nomes, de que os antecessores deixaram sua contribuição, mas não houve menção mais firme desse aspecto.
O pronunciamento no Congresso, como era previsível, foi mais denso que o do Parlatório, com passagem por temas como a economia, a reforma política, as pequenas e micro empresas, o meio ambiente, a liberdade de imprensa, de culto e de religião, as regiões brasileiras, o desenvolvimento, o combate à pobreza. Mas tudo me pareceu uma tímida promessa de continuidade gerencial, sem reformas profundas. É como um terceiro mandato de Lula, que deu intensas demonstrações, nas últimas semanas, de que gostou demais do poder.
Dilma disse não se arrepender de nada do que fez em sua atuação política, e isso inclui nitidamente o fato de ter se engajado na guerrilha, quando participou da POLOP (Política Operária), COLINA (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária, junção da Vanguarda Popular Revolucionária, de Carlos Lamarca, com a COLINA). Assim, a nova Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, que passou as tropas em revista hoje mesmo, não se arrepende de ter sido guerrilheira.
Já nos livramos, pelo menos, da falta de sobriedade de Lula em suas falas quase diárias.
Agora, como se comportará o Lula ex-presidente, sem poder e sem a popularidade avaliada constantemente? As bobagens que ele falar daqui para frente serão analisadas com critério?
E quanto a Dilma? Irá governar com sua mente política ou se deixará dominar por Lula, PT ou mesmo PMDB?
Só o futuro dirá. Espero que a nova presidente ao menos cumpra a Constituição.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cesare Battisti, cotas raciais para concurso de diplomatas e publicidade governamental em pequenos veículos de comunicação - o que isso tudo tem em comum?

Meus colegas esquerdistas podem achar o que quiserem, mas eu discordo de tantas coisas do governo Lula e de tantas bandeiras da esquerda que eles podem, sim, me considerar um conservador ou mesmo um "direitista", se assim houverem por bem. Não se trata de procurar um rótulo, mas de aceitar uma caracterização a partir de alguns elementos concretos.
Separei três coisas que vi hoje na internet para comentar quão longe estou do lulismo e do esquerdismo: Lula teria decidido manter o terrorista Cesare Battisti no Brasil; o Instituto Rio Branco vai selecionar diplomatas usando um sistema de cotas para "afrodescendentes"; o presidente que deixará o governo em 1º de janeiro de 2011 gritou hoje em sua enésima despedida, esta em sua terra natal, sobre seu orgulho em ter aumentado, e muito, a verba publicitária investida em pequenos meios de comunicação (segundo a Folha de S. Paulo, em oito anos de mandato, Lula majorou os alvos de investimento de 499 para 8.094).
Esses assuntos são intimamente relacionados:
O italiano Cesare Battisti foi condenado pela Itália por matar quatro pessoas, estando ele a serviço do PAC - Proletários Armados pelo Comunismo. Com a manutenção do guerrilheiro no Brasil, Lula transmite a mensagem de que não confia na Itália como Estado de Direito e democracia. É isso. Trata-se daquele pedágio imposto pelas correntes mais à esquerda dentro do PT, presas a uma ideologia que a senhora Dilma Rousseff, ex-brizolista, conhece bem, porque ela mesma serviu à guerrilha para implantar uma ditadura socialista por estas bandas.
As cotas raciais são um capítulo à parte. Querem fundar artificialmente uma nação dentro da nação brasileira, formada pelos chamados "afrodescendentes", seja lá o que for essa categoria étnica ou cultural...Se eu declarar que sou afrodescendente serei aceito no concurso para diplomatas? Tenho negro na família, e até indígena! Façam-me o favor! Cotas raciais repetem a mentira racialista de que raças existem, e essa mentira remonta às doutrinas do Séc. XIX! Já recomendei aqui o excelente livro de Demétrio Magnoli intitulado Uma Gota de Sangue, o qual tece uma abordagem muito bem fundamentada da história do pensamento racial e suas consequências. O que se cria é uma elite supostamente negra, mas não há mudanças sociais profundas.
E o que dizer da vanglória de Lula ao mencionar a reportagem da Folha? Ora, ao colocar dinheiro público em pequenos jornais, revistas, blogs, rádios e sites pelo Brasil afora, o presidente estava fazendo o seu "controle social da mídia" por vias oblíquas, porque assim ele consegue apoio maciço em lugares alcançados por essa propaganda oficial. Onde o governo deve injetar sua publicidade? Em meios de comunicação que tecnicamente ofereçam condições de maior...publicidade, ou seja, aqueles que têm maior audiência. Dar dinheiro a blogs sem leitores, por exemplo, induz apenas ao crescimento artificial de grupos que fazem propaganda do governo, como se fossem estatais. Aí o critério deve ser de audiência, sim! Do contrário, sou eu, como contribuinte de classe média, que estou pagando por esse descalabro, porque o rico está dando do que lhe sobeja, enquanto eu deixo de investir em favor de minha esposa e filhos.
Será que não se vê isso? Será que Lula pode tudo? Meu Deus, o que iremos fazer, onde iremos nos refugiar? Terroristas soltos entre nós, diplomatas aprovados sem suficiente exame de mérito, "imprensa" chapa-branca...Esse é o governo tão bem avaliado?
Não, eu não posso reclamar...Serei considerado um reacionário, conservador, "direitista", fundamentalista, elitista, obscuro. Todo mundo aplaude o Lula e o desculpa. Quando a gente critica o governo, logo vêm as comparações com o governo FHC, como se tudo fosse permitido desde que antes fosse pior, como se Lula não houvesse cometido tantos erros que a própria esquerda, em tese, deveria reconhecer.
Voz solitária. Hei de me conformar com isso.




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vai-se escoando a glória de Lula

A glória do homem pode ser grande, mas acaba. E que bom que acaba! Não aguento mais ouvir as maiores tolices ditas pelo presidente da República, que, por ser popular, ex-operário e sem educação formal, parece ser inimputável.
O homem sai da presidência com mais de 80% de popularidade, tendo conseguido eleger sua sucessora, que, por sinal, jamais havia disputado nem eleição para presidente de associação de moradores, e agora já conta com mais de 70% de boas expectativas do eleitorado.
Em seu derradeiro discurso, Lula se posicionou quase como um espírito-guia ("onde estiver alguém assim, eu estarei espiritualmente etc."). E se comparou implicitamente a Getúlio Vargas ao dizer que sai do governo para entrar na vida das ruas... Deve ser humilde mesmo. Nem espera que outros façam as comparações. Aliás, foi o próprio Lula quem não hesitou em comparar Dilma Rousseff a...Nelson Mandela!!!
Considero o governo Lula não mais que regular. Não foi ruim ou péssimo porque não afundou o país economicamente, mas não foi bom porque simplesmente repetiu a política econômica de FHC, aprofundou maus costumes políticos, flertou com ditadores daqui e de lá, abusou da máquina pública, aparelhou o Estado com petistas, fez alianças com oligarcas, não melhorou a Saúde nem a Educação, nada fez para conter a invasão das fronteiras pelas drogas ilícitas, tentou e tenta controlar conteúdo da imprensa e criou uma mistificação segundo a qual tudo o que há de bom vem de Lula.
Popularidade e prosperidade econômica não significam nada diante da verdade e da ética. Saul foi muito popular, governou Israel por quarenta anos e foi rejeitado por Deus. Manassés governou Judá por cinquenta e dois anos, mas foi ele quem passou seu filho pelo fogo, em honra a Moloque. Jeroboão II foi um rei muito próspero, mas não andou conforme a vontade de Deus.
A glória de Lula vai passar logo. Espero que ele não seja alçado à categoria de mito, como foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Mas, se for, terá recebido sua glória na Terra, e toda glória terrena é passageira.
Sinceramente, não confio tanto nas pesquisas (tão frequentes, como nunca!), que mostram Lula com essa popularidade toda. Creio que as pesquisas erram como erraram quando do primeiro turno das eleições deste ano. Mas sei que Lula é muito popular porque fez muita propaganda e um governo economicamente bom, e isto porque não aplicou o programa do PT e acompanhou o que FHC legou ao país.
O que sei é que o poder de Lula está indo embora, e que, com a caneta na mão, Dilma é que terá o poder a partir de 1º de janeiro. Mesmo sem carisma, mesmo sem luz própria, mesmo sem biografia de estadista, mesmo sem habilidade política, mesmo sem história esclarecida, ela é que terá o poder, e Lula com certeza terá alguma crise de abstinência. Espero que ele saiba lidar com a efemeridade de sua pequena glória.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lula descobriu o Brasil e Jaques Wagner libertou a Bahia...

Se Lula descobriu o Brasil em 2003, seu "irmão de fé" Jaques Wagner libertou a Bahia em 2007 - isso é o que se infere da mais nova propaganda do Governo baiano que tem sido veiculada na TV. O narrador vai contando a história de um povo sofrido, vítima da desigualdade social e racial, para depois dizer que se trata dos baianos. Embora tenha nascido na Bahia, não me senti representado na propaganda, e não porque não seja negro ou muito pobre, mas porque não vivo num lugar que foi salvo por Jaques Wagner e seu pessoal.
Outro dia houve um assalto em minha rua, por volta das oito horas da manhã, e a moça tinha apanhado do indivíduo, que roubou seu celular. Quem se sente à vontade para assaltar às oito da manhã numa rua movimentada de um bairro tranquilo faz isso por causa da impunidade ou da dependência de drogas ilícitas, ou das duas coisas. Mas o governador já disse que sua maneira de combater a insegurança pública é dar educação e justiça social... É uma maneira bem esquerdista de resolver as coisas, ou melhor, de não resolver. Se conseguisse usar de competência quanto à educação, ao emprego e à saúde, o governador talvez resolvesse o problema da insegurança daqui a uns 20 anos, pois os bandidos de agora já estão por aí, crescidos e inclinados ao crime.
Quanto às drogas, o governo já sentenciou que crack é "cadeia ou caixão". Pronto. O usuário não tem outra chance, não pode contar com a cooperação estadual se quiser deixar o entorpecente.
Outra coisa que me incomoda na política petista é que nela se vê um sentimento um tanto raivoso, inspirado na ideia de que o caminho para suprimir as desigualdades é acentuá-las. Na realidade, hoje existe uma tendência em torno de políticas discriminatórias, como as cotas raciais, que buscam institucionalizar a falta de isonomia, em vez de ensinar que todos são iguais, e promover transformações sociais e políticas.
Como sou branco, evangélico, heterossexual, conservador e de classe média, acabo me tornando uma minoria jurídica. Mas eu sou baiano porque nasci aqui, e não porque represente algum movimento étnico, religioso ou cultural de raízes baianas. Sou baiano por uma questão de geografia, e não por algum destino histórico ou idiossincrasia cultural.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Uma palavrinha sobre o WikiLeaks

Olha, eu não sou jornalista e este blog não acompanha tudo o que sai na imprensa, mas de vez em quando eu gosto de inserir algum comentário sobre assuntos da ordem do dia. E os vazamentos do site WikiLeaks têm dado o que falar: documentos secretos da diplomacia americana têm sido divulgados no site criado pelo australiano Julian Assange; esses documentos são enviados a jornais do mundo todo, que publicam o seu teor, fazem reportagens e dão opiniões; documentos sigilosos sobre o Afeganistão e o Iraque foram acompanhados de inúmeras outras coisas, como as falas de Nelson Jobim sobre suposto câncer de Evo Morales, a pesquisa de Hillary Clinton sobre o perfil psicológico de Cristina Kirchner e a descrição de Manuel Zelaya feita pelo embaixador americano em Honduras.
As esquerdas e os que não gostam dos Estados Unidos comemoram os vazamentos e acham esse Julian Assange um herói, um candidato ao prêmio Nobel 2011, um mito em vida. Tudo ficou ainda mais interessante com sua prisão por supostos crimes sexuais praticados na Suécia.
Sabem o que eu penso? Que a imprensa tem todo o direito (na verdade, o dever) de publicar aquilo que vazou no WikiLeaks, desde, é claro, que não agrida o direito de pessoas nem ponha em risco a vida e a integridade de populações. Mas o que esse moço Julian Assange está fazendo é errado, pois, primeiro, publicar dados sigilosos é crime, e, segundo, há nações envolvidas nisso. Eu fico a pensar sobre as muitas recomendações bíblicas sobre a importância de ficar calado e não se intrometer em coisas que não se pode dominar. Dar credibilidade e poder a um site que vaza documentos confidenciais é um perigo característico de quem não tem responsabilidade, e que acha que tudo o que for constrangedor aos Estados Unidos é bom para o mundo.
Nem sempre é preciso saber toda a verdade sobre tudo. A sabedoria está em não procurar nem inventar problema.
Numa época em que o bonito é sair criticando a existência de segredos oficiais, preocupa-me o fato de poucas pessoas do mundo crítico estarem atentas para isso. Sinceridade não é falar tudo o que a gente pensa ou sabe, mas falar realmente o que se pensa ou sabe.

Aprendi com o Lula!

Como disse a dona Dilma, Lula "nos ensinou o caminho". Segundo Elio Gaspari, Lula é o "Nosso Guia". Já que o mundo todo aprova o Lula, incluindo o Le Monde e o The Economist, eu vou dizer o que aprendi com ele:
Quando me criticarem, direi que se trata de preconceito contra o nordestino, porque sou baiano e filho de piauienses. Se não for suficiente, apelarei para o fato de que sou filho de uma professora de escola pública e de um autônomo sem grande instrução formal. Direi que minha mãe só fez curso superior porque teve bolsa da SUDENE, que minhas irmãs ficaram um ano inteiro sem estudar porque a escola estadual estava em reformas, e que só escapei dessa porque fui cursar o segundo grau numa fundação filantrópica (vou dizer que o dono da fundação era um capitalista sensível à opressão das massas).
Se alguém se opuser à minha vitimização, afirmando que sou branco, membro da classe B, heterossexual e cristão, direi, em contrapartida, que tive negros e índios na família, que "vim de baixo", que os heterossexuais são hoje quase uma minoria jurídica e que o pentecostalismo ainda é discriminado. Ah! Direi que sou feio também, pois os feios não têm auferido grandes benefícios nessa sociedade capitalista, opressora e corpólatra.
Com tudo isso, serei considerado um inimputável, como o mestre Lula. Se melhorei um pouquinho de vida, foi porque tive ajuda daquele capitalista consciente e uma vaga em universidade pública, gratuita e de qualidade, com direito a duas bolsas do CNPq (não poderei cometer a heresia de lembrar que estudei sob o governo de FHC, pois o universo foi criado por Lula, e o sociólogo deixou somente uma "herança maldita").
Terei um salvo-conduto para criticar quem eu quiser, já que a vitimização tem esse outro ponto favorável: a gente não pode ser criticado, mas tem todas as prerrogativas constitucionais para externar os mais nobres sentimentos contra as elites, as oligarquias e aqueles que "não querem o bem do Brasil".
É isso mesmo. Depois de oito anos de poder, o pai, guia e mestre Lula nos deixa uma lição inolvidável: nunca antes na história deste país foi tão confortável posar de vítima.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A condenação eterna decorrerá do pecado, e não da falta de conhecimento

Como professor de escola dominical, deparei, duas vezes, com questionamentos sobre o destino daqueles que jamais ouviram o Evangelho: uma vez foi em Sete Lagoas/MG, no ano de 2006; outra vez foi em Salvador/BA, ontem, em minha congregação.
Percebo certa dificuldade dos irmãos nessa matéria. Imaginam que o pecado consiste basicamente em recusar o convite de Cristo, que "os tempos da ignorância", mencionados por Pedro em seu discurso pós-Pentecoste, seriam os anos em que a pessoa não ouviu falar do Evangelho, e que não haveria como Deus punir os que nunca ouviram falar de Jesus. Todavia, isso não é correto.
Devo afirmar, primeiro, que tomo esse assunto como o da Trindade: não o compreendo, mas não posso negar sua realidade nas Escrituras. É diferente do que penso da doutrina calvinista da predestinação: enquanto para mim ela não é bíblica, os irmãos reformados afirmariam, talvez, que não a aceito por não entender o que na Bíblia está escrito. Porém, eu creio entender o que está escrito, e, mesmo assim, não vejo predestinação da maneira como os calvinistas veem. Assim, eu não aceito a doutrina da predestinação porque não a considero bíblica, diferentemente de não aceitá-la por considerar um absurdo Deus escolher uns em detrimento de outros - embora pense isso também.
Feita essa distinção, basta examinarmos os textos bíblicos, como aquele em que Paulo afirma que os atributos de Deus, o seu eterno poder como a sua divindade  claramente se veem e se compreendem pelas coisas que estão criadas, para sustentar a verdade de que todos, judeus e gentios, são indesculpáveis (leia Romanos, caps. 1 a 4). O Salmo 19 começa dizendo que "os céus manifestam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos". Isso é a chamada "Revelação Geral", ao alcance de todos, incluindo os pigmeus e os cerca de dez mil índios isolados da Amazônia. Mas essa revelação só é apta para condenar, pois todos estão debaixo do pecado.
Jesus não disse que se em Tiro e Sidom, como também em Sodoma e Gomorra, se fizessem todos os milagres que Ele operou em Betsaida, Corazim e Cafarnaum haveria salvação para aquelas cidades? Ora, o princípio é de que a quem mais é dado mais será cobrado. Mas todos seremos julgados, de uma forma ou de outra.
Se pensássemos que o motivo de condenação dos homens seria a rejeição de Cristo, e que os que nada conhecem não podem ser condenados, bastaria Deus não enviar Cristo e deixar todo mundo sem o conhecimento da Palavra, e assim todos estariam salvos pela...ignorância! Dessa forma, e contraditoriamente, se por um lado é o conhecimento de Cristo que salva o pecador arrependido, seria a ignorância a salvar todos os pecadores, arrependidos ou não!!!
Não pensemos desse jeito, porque não é bíblico. Crer que a condenação só paira sobre os que ouviram e não creram é deixar de lado um dos fundamentos da Fé Cristã, a saber, a doutrina da pecaminosidade universal. O pecado não é apenas atitude, mas condição universal. "Todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23). Quando pecamos, comemos de novo da árvore do conhecimento do bem e do mal, e, por isso, morremos. Somente Cristo pode nos resgatar.
Qual seria, então, a melhor conclusão para esse assunto? A de que é urgente o envio de missionários por todo o mundo. Os pigmeus e os indígenas precisam ouvir sobre Jesus. E muito mais gente...
Que Deus nos ajude.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O TEMPO DA SALVAÇÃO*

Em Atos 1.8, temos uma espécie de texto-resumo do Livro de Atos dos Apóstolos, que, por sua vez, pode ser denominado “Atos do Espírito Santo”. Trata-se de continuação do Evangelho de Lucas: o assunto em Lucas é o que o SENHOR Jesus começou a fazer e a ensinar. Em Atos o assunto é a expansão da Igreja no poder do Espírito. Enquanto o recebimento de poder, pela descida do Espírito, é instrumento, o testemunho de Cristo é a finalidade. A Igreja receberia poder para ser testemunha de Cristo (ver Lc 24.49 e At 1.5).

Vemos aqui uma citação a Is 43.10, em que Deus diz a Israel: “Vós sois as minhas testemunhas”. Em Atos, a Igreja é a testemunha, não por mera substituição de Israel, mas porque esse foi o plano de Deus.

Onde se daria esse testemunho? Haveria um testemunho local (Jerusalém); regional (Judeia e Samaria) e mundial (até aos confins da terra). Podemos afirmar ainda o testemunho histórico, já que a cláusula “até aos confins da terra” tem que ver com a história da pregação do Evangelho.

Como testemunhas de Cristo, somos embaixadores, representantes, mensageiros. Isso diz respeito à evangelização pessoal e em praça pública. Diz respeito também aos mártires.

O poder do Espírito, na condição de meio para consecução de uma finalidade, capacita a Igreja com diversos dons espirituais, dando-lhe, além disso, coragem e ousadia. Foi com alta intensidade de poder que a Igreja conheceu sua expansão e começou seu trabalho de missões locais, regionais, nacionais e internacionais. De certa maneira, At 1.8 vai se desenvolvendo em todo o Livro: de 1 a 8.4, vemos o crescimento da Igreja em Jerusalém e na Judeia; de 8.5-40, o crescimento alcança Samaria; 9 até o 28, temos o crescimento da Igreja aos confins da terra. Esse trabalho continua, pois o Livro de Atos dos Apóstolos não se encerra com uma conclusão, e, sim, com o relato de Paulo pregando “sem impedimento algum”.

A Igreja é missionária, e, por isso, precisa anunciar o Evangelho, com a mensagem das coisas concernentes ao Reino de Deus, tal como Jesus falou aos Seus discípulos depois da ressurreição e antes da ascensão. Assim como em Mt 3.2 e 4.17 João Batista e Jesus irromperam anunciando que o Reino de Deus está próximo, assim cabe à Igreja proclamar a mesma mensagem.

Ocorre que não se proclama uma mensagem que não se conhece. O que é o Reino de Deus? Seria um regime político? Os versículos 6 e 7 de At 1 mostram que, mesmo depois da ressurreição de Cristo, e pouco antes de Sua ascensão, os discípulos ainda aguardavam a restauração do reino político a Israel, com o afastamento do jugo romano. Essa era a teologia da época, e se acreditava que o Messias seria um libertador nacional, um guerreiro que retomaria o curso da dinastia de Davi. Jesus responde que não compete aos discípulos conhecer os tempos ou as épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade.

De fato, nem tudo é revelado por Deus acerca de Seus planos. A volta de Jesus (parousia) não tem data conhecida. De toda maneira, as Escrituras Sagradas contém o registro inspirado justamente dos tempos ou épocas que Deus quis revelar: chamemos isso de o tempo da Salvação, a história da redenção ou o plano da redenção.

Em I Ts 5.1, Paulo nos diz: “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva”. E não era necessário porque ja havia nos dias de Paulo o que conhecemos como Antigo Testamento, além da tradição da Igreja.

Em Dn 2.21, lemos o seguinte: “É ele quem muda os tempos e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes”. Deus é retratado como Aquele que domina, controla e consuma a história. Deus não é refém dos acontecimentos nem pode ser surpreendido.

Mas, quanto ao que foi revelado, quais os tempos ou épocas estabelecidos por Deus? Façamos, pois, uma divisão da história da salvação conforme as Escrituras**:



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE:

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA:

(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS”;

(IV) “ÚLTIMOS DIAS”.



(I) TEMPOS DA ETERNIDADE (ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO):

Rm 16.25-27 – Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!

I Co 2.7 – mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;

Ef 1.4 – assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele (...);

Cl 1.26 – o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;

II Tm 1.9 – [Deus,] que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (...);

Mt 25.34 – então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

(II) TEMPO DA PREPARAÇÃO OU DA PACIÊNCIA (ANTES DA VINDA DO FILHO DE DEUS):

I Pe 1.10,11 – Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.

At 17.30 – Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;



(III) “PLENITUDE DOS TEMPOS” (O ENVIO DO FILHO DE DEUS):

Gl 4.4,5 – vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Ef 1.9,10 – desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra.

(IV) “ÚLTIMOS DIAS” (DESDE A ENCARNAÇÃO DE CRISTO ATÉ A SUA SEGUNDA VINDA):

Hb 1.2 – Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

Rm 3.26 – tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

II Co 6.1,2 – (porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação);

I Tm 4.1 – Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios;

I Jo 2.18 – Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

CONCLUSÃO:

Como Deus domina a História, é preciso tomar uma decisão ao Seu lado.

Não se trata de filosofia, teoria ou mera experiência religiosa. É realidade histórica.

Não se pode negligenciar o Tempo da Salvação, porque disso depende a vida eterna!


*Esboço produzido para a pregação que fiz ontem, no culto de jovens e adolescentes da congregação de que participo, a Assembleia de Deus na Ribeira - Salvador/BA. O tema era At 1.8, mas, como dá para perceber, trabalhei mais At 1.6,7. Entendo que não é muito robusta a ênfase no poder ou mesmo no dever de evangelizar se não conhecemos a mensagem direito. A mensagem é a chegada do Reino de Deus, que, como diz John Stott, está entre o já e o ainda não.
**Para essa divisão, servi-me de informações e versículos apontados pelas anotações da BÍBLIA DE JERUSALÉM quanto ao texto em comento (At 1.6,7). Todavia, não segui exatamente a divisão ali mencionada - que traz tempo da preparação ou da paciência, "plenitude dos tempos", período da espera da vinda de Jesus e "últimos dias". De igual forma, interpretei de maneira um pouco diferente o lugar de algumas passagens, adicionei os tempos eternos e não considerei que os últimos dias dizem respeito apenas ao Dia Escatológico.
Servi-me, ainda, de algumas informações preciosas colhidas da matéria Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, ministrada pelo professor Rev. Augustus Nicodemus Lopes, no curso à distância de Especialização em Estudos Teológicos, da Universidade Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Paradoxo no Rio: o sucesso da Segurança Pública produz maior violência!

A mistificação faz parte da política de Lula e de Sérgio Cabral. No auge da crise aérea, Guido Mantega, Ministro da Fazenda, atribuiu o caos à prosperidade econômica. Agora, o governador fluminense diz que a onda de arrastões e queima de carros e ônibus se deve ao sucesso de suas Unidades de Polícia Pacificadora!
Nunca vi nada igual. É como se o Ministro da Saúde dissesse que o aumento do número de mortes por dengue hemorrágica fosse resultado do sucesso da política de combate ao mosquito, ou como se o Ministro da Fazenda dissesse que o desemprego e a inflação resultassem do sucesso da política macroeconômica!
Não sou especialista no assunto, mas me vem a impressão de que as UPP´s não têm por objetivo o combate ao tráfico, mas tão-somente à imagem de que o tráfico existe. Assim, o governo estadual do Rio de Janeiro parece não se preocupar com a existência do comércio de drogas, mas com a péssima imagem de traficantes portando armas pesadas nas favelas cariocas próximas dos cartões-postais. É isso?
Isso me lembra o problema do Estado secularizado, que não se perturba com os dilemas individuais. Se o camarada é "maconheiro", o Estado secularizado não se preocupa, desde que isso só lhe diga respeito. Se existe uma venda sistemática de drogas lá no morro ou a domicílio para os das classes abastadas, pouco importa para quem só quer combater a violência urbana.
A pacificação carioca está parecendo conciliação: o tráfico se contenta em não ostentar armas e não confrontar a polícia, que por sua vez se limita a "morar" nas "comunidades" e fazer um papel de boa convivência. Dessa forma, todo mundo fica feliz, o usuário, o traficante, o governo e a população. Mas, como o "sistema" (vide Tropa de Elite 2) é furado, quem ficou de fora não tarda a se manifestar: justamente aqueles traficantes desempregados que não precisam mais barrar a polícia nos morros. Preciso dar o devido crédito e registrar que meu raciocínio se baseia, em grande medida, no que escreve Reinaldo Azevedo em seu blog.
Mas, voltando ao Estado secularizado, lembro inevitavelmente do Livro de Juízes, que repete a lição de que "naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que lhe parecia reto". Ora, esse é o relativismo moral em que nos encontramos. Se a sociedade acredita que cada um pode fazer o que lhe apraz, desde que não pratique violência, é a isso que se chega: uma sociedade adoecida, comandada pelo tráfico, com uma juventude morrendo aos poucos por causa das drogas.
A própria política de despenalização do uso de drogas deve ser repensada, porque o usuário contribui para a violência. Se ele hoje precisa de ajuda, deve ser ajudado, mas ninguém o obrigou a lançar mão do expediente, e existem informações sobejas quanto aos prejuízos causados pelos entorpecentes.
Aliás, uma das bandeiras do esquerdismo é defender a flexibilização das regras do jogo. Não gostaria de ver onde isso vai parar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os gays ativistas querem calar Augustus Nicodemus Lopes e a Igreja Presbiteriana

Ao acessar o blog de Reinaldo Azevedo hoje pela manhã, deparei com um post sobre a nova investida gay contra a liberdade de consciência e de expressão: devido à publicação, no portal da Mackenzie, de um manifesto presbiteriano sobre a lei da "homofobia" (PLC 122/06), convocou-se na internet um ato de protesto em frente à Universidade. É a patrulha gay fazendo barulho. Visitem o blog e leiam o excelente artigo do brilhante Reinaldo Azevedo.
Pesquisando no site da Mackenzie e acessando dentro dele o portal da Igreja Presbiteriana, li o manifesto, assinado pelo presidente do Supremo Concílio daquela Igreja, Rev. Roberto Brasileiro. O que havia feito o Rev. Nicodemus Lopes, chanceler da Mackenzie? Simplesmente havia publicado o manifesto em outro espaço, com uma introdução de sua lavra. Foi o suficiente para incendiar o movimento homossexual. Note-se que o reverendo esclarece tratar-se de orientação à comunidade acadêmica sobre o que pensa a Associada Vitalícia sobre o tema - a Igreja Presbiteriana é a Associada Vitalícia -, mas o Estadao.com publicou que se tratava de orientação à comunidade acadêmica contra o projeto de lei. Veja, então, como jornalistas podem perverter as coisas (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,protesto-contra-lider-religioso-do-mackenzie-e-marcado-na-internet,641214,0.htm).
Na Folha de hoje, um leitor diz que o chanceler da Mackenzie agiu "do alto de sua extrema ignorância". Começou, assim, o combate a Augustus Nicodemus, um homem sério, honesto, preparado e consciente, de quem tenho a honra de ser aluno num curso à distância.
Não vou admitir jamais que mordaças sejam impostas à minha liberdade de expressão. Abaixo, há o texto do reverendo na íntegra, o qual, infelizmente, saiu do ar no dia 18 de novembro, dada a polêmica. O protesto dos defensores da mordaça gay ocorrerá no dia 24.
É uma pena que o certo vire errado e o errado vire certo. Mas esse é o fim dos tempos.


"Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia

Leitura: Salmo

O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.
Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:
"Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.
Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, "desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher" (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).
A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.
Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo".
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes

Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie"











segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O deus do "eu" nas canções evangélicas de hoje

Creio que sou observador demais, ou, então, a maioria das pessoas deve ser observadora de menos. Como pode pregarmos tanto sobre a necessidade de proclamação do Evangelho cristocêntrico e, sem embargo disso, persistirem os hinos ao ego?
São inúmeras as canções de suposto "louvor" que, na realidade, louvam ao indivíduo que canta. E não se trata de louvor ao homem, à humanidade - o que seria antropocentrismo e humanismo -, mas de louvor a si mesmo, um traço da pós-modernidade. Enquanto o modernismo louvava o homem, o pós-modernismo louva a cada homem. Ambos erram. Devemos adorar somente a Deus, em Cristo.
Em vez de um "Tu és fiel" (Hino 535 da Harpa Cristã), muitas pessoas evangélicas têm preferido proclamar seus sonhos e desejos de vitória, até mesmo emulando aqueles desabafos mais fortes do salmista, quando ele desejava o mal a seus inimigos. É claro que não se diz isso, mas a vontade do "adorador" parece ser a de prevalecer sobre aqueles que um dia duvidaram dele ou o criticaram. Um exemplo disso é a canção "Sabor de Mel", que não vejo como louvor a Deus, mas como uma declaração de guerra contra desafetos - e que me desculpem os que a apreciam, mas este é um texto para edificação.
Frases inofensivas como "Deus é fiel" passam a conter toda uma teologia mercantilista segundo a qual Deus, por sua fidelidade, seria obrigado a cumprir Suas promessas. Fidelidade deixa de ser atribudo moral e comunicável de Deus para ser uma lei cósmica que obriga o Criador a fazer o que supostamente disse que faria pelo indivíduo. Promessas passam a ser dívidas. A Graça de Deus cede lugar à "legalidade", ao "direito", à "reivindicação" e à "restituição". Uma simples frase como "Deus é fiel", embora bíblica, pode esconder toda uma teologia triunfalista e diabólica. Parece estranho?
Ora, o Diabo imita as coisas do SENHOR, e não nos persegue com cara de monstro. Ele parece, se quiser, um anjo de luz, como escreveu Paulo em II Co 11.14.
Comece a prestar atenção na hinologia de sua igreja, o que se canta nos cultos. Compare com o ensino da escola dominical -especialmente com as Lições Bíblicas, para quem é assembleiano. Repare nos detalhes. Observe se há fundamento bíblico. Examine o que canta e o que ouve.
Receio que nossa pregação não esteja surtindo muito efeito.

Grande batismo da Assembleia de Deus em Salvador na Praia da Ribeira

Hoje tivemos a honra e a alegria de assistir ao batismo nas águas realizado pela Assembleia de Deus em Salvador (ADESAL) ocorrido no mar da Ribeira, justamente o bairro onde moro com a minha família. Quase duas mil pessoas desceram às águas batismais. Uma multidão estava presente, "tantos como a areia da praia, tantos como a areia do mar", do jeito que diz o Hino 509 da Harpa Cristã.
Foram convocados 60 presbíteros para organizar as filas e 300 diáconos para fazer um cordão de isolamento, formando uma espécie de "tanque". Não sei quantos pastores e evangelistas havia. Foi uma festa bonita, tudo com autorização da União e da Prefeitura de Salvador, assim como a devida comunicação à empresa que organiza o trânsito na cidade, já que haveria um desfile desde o Largo do Papagaio até o trecho da praia onde aconteceria o batismo.
O Nome do SENHOR deve ser glorificado por isso!!! São quase duas mil pessoas que se declaram novas criaturas, e que, na contra-corrente do mundo, reconhecem em Jesus o seu Salvador.
O presidente da ADESAL é o pastor Israel Alves Ferreira, que também preside a CONFRAMADEB (Convenção Fraternal dos Ministros da Assembleia de Deus na Bahia).
Seguem as fotos que eu e minha esposa tiramos, e que não dão a dimensão exata da quantidade de pessoas que ali estava:












quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cadê a fúria dos estudantes do Brasil? Ou, Lula deve ser mesmo inimputável

Desde criança, ouvia minha mãe cantarolar: "Estudante do Brasil/sua missão é a maior missão/batalhar pela verdade/impor a tua geração". Creio que ela cantava os dois últimos versos de maneira diferente, mas a canção era essa. Lembrei disso para dizer que não sei onde se refugiou a fúria dos estudantes brasileiros, aqueles bravos que um dia saíram às ruas, em 1992, para gritar Fora Collor (eu estava lá, sem cara pintada, mas ao mesmo som de Alegria, Alegria), ou que protestavam contra a ditadura militar de 1964 a 1985. Cadê os meninos? Cadê aquele sentimento combativo - que não raro exagera?
Ora, acabo de ver e ouvir o presidente Lula dizer que "o ENEM foi um sucesso absoluto". Essa frase não é um insulto a todos os estudantes brasileiros, ou aos estudantes secundaristas, ou, ao menos, aos estudantes que fizeram o ENEM? Sucesso absoluto? Meu Deus!!!
Mas Lula pode tudo. Como diz o brilhante Reinaldo Azevedo, Lula deve ser inimputável. Nada pega nele, nada acontece com ele. Lula fala as coisas mais absurdas e ninguém o critica seriamente, não há uma ação civil ou penal para chamá-lo à consciência. É claro que estou excluindo as indolores multas eleitorais...A Oposição no Brasil está sofrível, fraquíssima, as instituições têm sido vilipendiadas todos os dias, a máquina pública foi usada flagrantemente em favor de uma candidata sem nome, e nada acontece a esse senhor! Em que país estamos?Ah, sei, Renato Russo já perguntou mais ou menos isso.
Tomo a liberdade de mais uma vez citar Reinaldo Azevedo, pois concordo com ele e pensei a mesma coisa: e se, em vez do Governo Lula, tivéssemos o Governo FHC, Serra ou Alckmin? O que os petistas estariam fazendo? O que a UNE estaria fazendo? O que haveria nas ruas? Qual balbúrdia não se teria instalado, e quantas teorias conspiratórias não teriam sido forjadas, incluindo críticas generalizadas ao próprio Exame?
Não precisamos de balbúrdia. Precisamos de questionamento, crítica, independência, combatividade. O PSDB perdeu a eleição quando se escusou de aprender o que significa fazer oposição e mobilizar as massas. E que se entenda o que eu escrevo, pois os petistas gostam de confundir: quando são os petistas a criticar, é direito de participação popular; quando são grupos adversários, é golpe. Defendo apenas o exercício da democracia.
Junte-se as bobagens do ENEM ao caso do Banco PanAmericano e temos dois exemplos claros do que é esse Governo. E o problema do ENEM já é de reiteração, de falta de demissão, de incompetência, de quebra do princípio administrativo da eficiência.
Cadê o pessoal bem informado? Onde estão meus diletos amigos, colegas, companheiros de época, de formação e de letras? Por que esse senhor Lula diz o que quer, faz o que quer, provoca como lhe apraz, e ninguém o chama à responsabilidade?



Serviço: o hino referido chama-se Estudante do Brasil, com letra de P. Barbosa e A. Taranto, e música de Raul Roulien. Segue:



Estudante do Brasil!

Tua missão é a maior missão:

Batalhar pela verdade,

Impor a tua geração!


Estribilho

Marchar, marchar para a frente!

Lutar incessantemente!

A vida iluminar, Idéias avançar!


E, assim, tornar bem maior,

Com todo ardor juvenil:

A Raça, o Ouro, o esplendor

Do nosso imenso Brasil!


Estudante do Brasil,

Orgulho da Nação, tu hás de ser!

O Brasil almeja, ansioso,

Que cumpras sempre o teu dever.
 
(Fonte: http://ezequiaslosso.blogspot.com/2008/02/hino-do-estudante-do-brasil.html)

sábado, 6 de novembro de 2010

A Graça de Deus na história de Rute

Ontem li para a minha filha a história de Rute. Enquanto lia, algo me veio à mente: embora Orfa não tenha decidido viajar com a sogra Noemi, o texto bíblico não a retrata como uma vilã ou persona non grata. Na realidade, Orfa não tinha a menor obrigação de ir morar com sua sogra numa terra estranha, pois, apesar de todas as dificuldades, ela era moabita, e seu esposo já havia morrido. Noemi não tinha nada a lhe oferecer, e não havia obrigação, nem mesmo moral, que as prendesse uma à outra.
Aqui é que eu vejo a Graça do SENHOR. Rute, a outra nora, também moabita, resolveu ir com a sua sogra à terra de Judá, proferindo a célebre frase "o teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus".
Rute amava Noemi, e sua decisão de ir para Judá nada tinha que ver com cálculos em torno do que poderia ganhar com aquilo. Ela simplesmente teve amor e fé. O Livro que leva seu nome nos mostra que tanto Rute como Noemi foram recompensadas de maneira maravilhosa: Rute casou-se com o fazendeiro Boaz, parente remidor de Noemi, a quem cabia resgatar a propriedade perdida na época da fome. E Noemi voltou a sorrir. Além disso, Noemi se tornou bisavó do maior líder de Israel, o rei Davi! Por conseguinte, uma moabita entrou para a genealogia de Jesus, como se vê em Mt 1.
Nada disso teria ocorrido sem a atitude graciosa de Rute em favor de sua sogra. Se atentarmos para esse relato, veremos que Deus comandava todas as coisas. Em atitudes aparentemente simples, tomadas por nós, Deus pode estar agindo, pensando "lá na frente".
Graça não rima com obrigação. Deus não tem absolutamente nenhum dever em nos abençoar. Pode parecer estranho para a nossa mentalidade mercantilista, e um soco em nosso orgulho, mas a verdade é que Deus agiu como Rute: mesmo de graça, sem explicação, resolveu enviar Seu Filho a este mundo, para morrer e ressustitar pelos nossos pecados. Isso é graça!
Se você, eventual leitor ou leitora, não aceitar a graça de Cristo, jamais desfrutará das bênçãos imprevisíveis que Deus tem para lhe oferecer. É de graça mesmo. Basta aceitar com humildade.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um pouco sobre Paulo

Na disciplina Teologia Bíblica dos Escritos Paulinos, que sigo estudando no Curso de Especialização em Estudos Teológicos (CPAJ/Mackenzie), temos uma perspectiva reformada, conservadora. Gosto disso. O professor, Dr. Augustus Nicodemus Lopes, faz questão de enfatizar seu combate ao Liberalismo ou Modernismo Teológico. Seja nos textos indicados, seja em suas participações nos fóruns de discussão, o reverendo presbiteriano costuma defender princípios reformados de maneira firme e balizada.
Começamos estudando sobre a biografia de Paulo, sua cultura, viagens, experiências, influências. Lemos um texto de J.I.Packer, para quem Paulo era um homem de três mundos: judaico, romano e grego. Vimos que, apesar disso, o que mais influenciou o apóstolo foi o Judaísmo da Dispersão, sem contaminações helenísticas ou gnósticas. Ele também estudou com o mestre Gamaliel, neto do célebre Hilel, um dos mais importantes rabinos de toda a história. Hilel foi o líder de uma corrente rabínica mais liberal - que, pelo que lembro de leitura anterior, "rivalizava" com a corrente do rabino Shammai, incluindo a questão do divórcio.
O apóstolo Paulo foi um homem admirável: teólogo, missionário, pastor, fazedor de tendas, coletor de ajuda para cristãos mais pobres. Não tinha um temperamento muito fácil, eu acredito, mas foi controlado por Deus. De perseguidor passou a perseguido. De fariseu zeloso passou a cristão amoroso.
Paulo é o exemplo clássico de que a erudição pode e deve ser empregada no serviço do Mestre. Conhecia de direito, filosofia, poesia, grego, hebraico, Septuaginta, e submeteu todo o seu conhecimento a Cristo. Septuaginta era a tradução das Escrituras Hebraicas, nosso Antigo Testamento, para o grego, feita por 72 judeus cultos em Alexandria. Foi essa versão que Paulo conheceu e usou em sua formação e elaboração das Epístolas.
Os escritos paulinos não seguem uma linha sistemática, e é por isso que não tratam de todos os assuntos éticos e teológicos. Ele não era autor de teologia sistemática. Ora, sistemáticos somos nós, os ocidentais, e naquela época não existia esse tipo de teologia! Paulo escrevia de maneira responsiva, a partir de problemas morais e dúvidas doutrinárias das igrejas. Bem por isso, não se deve dizer que determinado tema não é importante só porque Paulo não mencionou. E talvez devamos nos socorrer de Lucas-Atos, porque o "médico amado" o acompanhou, e certamente se abeberou muito de sua teologia.
De acordo com Augustus Nicodemus, o mitte (centro, em alemão) da teologia paulina seria a inauguração de uma nova etapa escatológica com a morte e ressurreição de Cristo. O Filho de Deus iniciou uma nova era na história universal. E J. Christian Beker sugeriu o binômio coerência-contingência para explicar os escritos de Paulo: alguns temas são mantidos no centro, enquanto outros ocorrem devido às circunstâncias.
Essa tese de que Paulo não era sistemático ajuda muito, pois, primeiro, evitamos empurrar nosso próprio sistema para o apóstolo; segundo, podemos aceitar que outros temas sejam igualmente importantes, ainda que não tratados por ele. Existe, afinal, uma teologia fora de Paulo, com Pedro, Tiago, João, Judas e Hebreus.
Com suas sentenças longas e mudanças rápidas de pensamento, Paulo oferece-nos alguma dificuldade, como o próprio Pedro reconheceu (II Pe 3.15,16). Mas essa deve ser um dos estímulos teológicos e intelectuais para nós, que nos ressentimos de viver na era da mediocridade.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que venceu nesta eleição?

Dilma Rousseff, a ungida de Lula, foi eleita presidente da República. Houve uma dianteira de cerca de 12 pontos, menor que as vitórias de seu mestre em 2002 e 2006; e menor também que a avassaladora e inebriante - para alguns - popularidade do torneiro mecânico-sindicalista-palanqueiro. Isso mostra que nem todo mundo que aprova Lula caiu em sua conversa. E mostra, ainda, que existem cerca de 43 milhões de pessoas para as quais o uso da máquina pública, da mistificação, da idolatria lulista e da república sindical não fez efeito - não quero dizer que todo mundo que votou em Dilma se deixou levar por isso , mas que aqueles que não votaram com certeza não se deixaram levar!
Fiquei triste, confesso. Nos últimos meses, acompanhei cada passo da campanha eleitoral. Lia jornais todos os dias. Cheguei a escrever aqui no blog, que, como registrado no topo, tem seu espaço dedicado à teologia, política, cultura e generalidades. Dialoguei com amigos, colegas de trabalho, irmãos da igreja. Admito ter me excedido em alguns momentos, algo que meus amigos bem compreenderam. Política faz isso com a gente. Além de meu próprio temperamento, creio que isso pode ser explicado com a grande indignação que sinto em meu coração. Grande indignação de verdade.
O que venceu no dia 31 de outubro? Dirão os petistas e simpatizantes que venceu a mulher, que venceu a inclusão social, que venceu o brio diante das grandes potências, que venceu a figura imbatível do Lula, que venceu o consumo, que venceu o crédito, que venceu o "projeto" de manutenção do patrimônio público nacional. Pode ser, mas não foi só isso.
Venceu também o uso descarado da máquina pública, das estatais, das viagens e palanques oficiais, do dinheiro investido em rádios, blogs, jornais e revistas aliadas. Venceu a revisão histórica, que atribuiu a Lula tudo o que há de bom e a FHC tudo o que há de ruim; venceu a mentira, a hipocrisia, o engano, a bajulação, a corrupção, a formação de grandes conglomerados empresariais com financiamento público, a elaboração de dossiês, a quebra de sigilos fiscais de adversários políticos. Venceu a aliança desmesurada com as mesmas oligarquias de sempre, e que contam com os Sarney do Maranhão, com os Collors e Calheiros das Alagoas, com Jader Barbalho do Pará. Venceu a violação diuturna da Constituição e das leis. Venceu a candidata do presidente que chamou a Vice-Procuradora-Geral Eleitoral, Dra. Sandra Cureau, de "uma procuradora qualquer", só porque ela cumpria a sua função institucional - e como é necessário que outros a imitem!!! Venceu o compadrio, o rolo compressor do bolsa-família, dos benefícios financeiros federais. Venceu o que há de mais sórdido na política brasileira, como diz Lula, "há 500 anos". Venceu uma imprensa chapa-branca, que vai além da Record e da TV Brasil, para alcançar alguns jornalistas como o sr. Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo. Enfim, remanesce no Brasil o mesmo patrimonialismo de todos os tempos. Apenas os atores mudaram.
Quem governará com Dilma? Os sindicalistas do ABC, os oligarcas, os empresários beneficiados pelo BNDES, o MST, os petistas infiltrados no Estado, o mesmo pessoal dos dossiês. São esses os apoiadores de Dilma, com José Dirceu nos bastidores do partido e da militânca e Antonio Palocci para acalmar os fantasmas do mercado - aquele mesmo que o STF considerou não ser comprovadamente o responsável pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Sempre que penso nessa vitória abusiva, lembro de governadores estaduais que perderam seus mandatos por decisão do TSE, por abuso econômico ou abuso político. Certamente os ilustres e elevados ministros do TSE quererão nos convencer de que aquele senhor do Maranhão, o pedetista Jackson Lago, tinha que perder o mandato por abuso de poder político, por ter, entre outras coisas, aproveitado eleitoralmente um palanque oficial do governador José Reinaldo Tavares a fim de influenciar o voto de poucas centenas de pessoas em Caxias. Isso deve ter sido muito pior do que o desmedido uso da máquina pública federal por Lula e Dilma, que não devem ter influenciado milhões de brasileiros de jeito nenhum. Vai ver também Cássio Cunha Lima (PSDB/PB) e Marcelo Miranda (PMDB/TO) mereceram perder os mandatos, mas deve haver alguma lógica jurídica - epa, essa é minha área! - que explique isso aí. Deve haver.
Por fim, este é apenas o desabafo de um eleitor e cidadão brasileiro que não é filiado a nenhum partido político, mas que em alguns momentos nesta eleição chegou a pensar que somente uma filiação partidária lhe daria voz um dia...Em pensar que esses nossos políticos de oposição preferiram elogiar o chefe de Dilma, quando poderiam ecoar consistentemente o sentimento de milhões de brasileiros que não se abaixam a Lula, ainda que ele goze de 200% de aprovação cósmica.



Fale comigo!

Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

Arquivo do blog

Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.