domingo, 11 de maio de 2014

A Bíblia não é politicamente correta

Os aloprados do politicamente correto não nos deixam em paz: eles querem "o outro mundo possível" a partir de um controle da linguagem. As palavras perdem o seu sentido original e passam a significar o que eles querem. É a revolução comunista de Antonio Gramsci, a perversão do idioma, precedente necessário ao ápice revolucionário.
Assim, até mesmo instituições de Estado criam mecanismos de correção e aprimorameno da linguagem. Já quiseram praticamente censurar Monteiro Lobato por seu suposto racismo contra a Tia Anastácia - bem, vivemos o tempo em que Machado de Assis e José de Alencar são parafraseados para gente que não gosta de ler, e Lobato é tido como racista. Então, tire suas próprias conclusões sobre a nossa época.
Mas chego ao que me interessa neste momento: vislumbro o dia em que a Bíblia será censurada, porque a Bíblia não é politicamente correta. 
De fato, a Bíblia narra a história de um Deus Criador que resolveu destruir tudo por meio do Dilúvio, salvando uma família, e séculos depois enviou Seu próprio Filho para morrer pela Humanidade, não sem avisar que ainda haverá um Juízo Final sobre os pecadores que não aceitarem a Sua mensagem. 
Na Bíblia há registro de homicídios, guerras, sodomia, incesto, estupros, adultério, fome, peste, lepra (ops, hanseníase), apedrejamentos, traição, suicídio. 
O Antigo Testamento não é uma biblioteca para crianças - é preciso separar as histórias que podem ser contadas, e, ainda assim, com adaptações.
A Bíblia chama o pecado de pecado, e o atribui ao Homem (mulher inclusa). A Bíblia não pensa como Rousseau, para quem o homem nasce puro e a sociedade o perverte. A Bíblia não ensina que a causa de todos os males é a opressão econômica, como queriam Marx e Engels. A Bíblia não trata muito do Estado, mas do indivíduo, com seus pecados e angústias. Quando cuida de um povo ou das nações, a Bíblia tem em mira, na verdade, o Homem.
O politicamente correto não pensa que o pecado existe - chama-o de fraqueza, doença, tendência, falha, desvio de conduta, produto do meio, herança genética, psicopatia, fúria, influência da multidão.
Para a parte politicamente correta da Humanidade, Jesus Cristo não teria de morrer crucificado, porque isso é plasticamente feio e filosoficamente inaceitável. Para esses, Cristo deveria ter descido à Terra para oferecer Seu exemplo e Suas grandes ideias, contribuindo, assim, para a enorme teia universal de boas ações.
Pecado, vergonha, medo, submissão, morte, Cruz, tudo isso é antipático para o politicamente correto. Este deseja o que é "relevante", o que "dá certo", o que não separa as pessoas.
Sabem o que este mundo deseja? Nada de divisão, mas conciliação. Nada de verdade absoluta, mas relativismos. Nada de diálogo, mas dialética. Nada de guerra, mas diplomacia até com terroristas. Nada de religião, mas filosofia e ciência, apenas. Nada de valores familiares cristãos, mas novos modelos de família.  Nada de construção milenar, mas mudanças rápidas e banais todos os dias.
Não admira, pois, que tantas pessoas rejeitem a Bíblia. Ela não se encaixa neste mundo perfeito. A Bíblia foi escrita para um mundo imperfeito.

sábado, 19 de abril de 2014

Fogo!

Vi uma fogueira queimando o Judas, e outra queimando um ônibus. Usa-se o fogo para muita coisa nesta vida. 
O povo tem uma vaga lembrança de que Judas foi o que traiu Jesus, mas, quanto ao ônibus..., ele não fez nada. Estava no lugar errado, na hora errada. O nome de Judas passou a ser tão negativo que até o outro Judas, escritor do Livro bíblico, precisa se apresentar com cuidado: "Eu sou o Judas irmão de Tiago, irmão do SENHOR. Aquele outro Judas já morreu". A seu turno, o ônibus, nome bonito do latim e que significa "para todos", acaba consumido na fogueira da insensatez. É para todos mesmo: para todos os que quiserem incendiá-lo.
Prossegue a fogueira das vaidades: queima-se a bandeira dos Estados Unidos, queima-se a mata, queima-se a praça, queima-se o patrimônio de todo mundo. Resolve-se com o fogo destruidor o que o fogo da Razão não pode iluminar, tamanha a escuridão que devassa por toda parte [protestando contra a Reforma Ortográfica, aqui o verbo "poder" está no pretérito perfeito].
O fogo que hoje destroi é a metáfora da nossa (in)civilização. Queimar é mais fácil do que construir. Séculos vão embora na fumaça cinzenta. Justamente o fogo que poderia simbolizar a luz da Razão, o poder do Espírito, a purificação dos pecados! Numa sociedade em trevas tenebrosas, o fogo não pode representar coisa boa. É só destruição, na antidemocrática ideia de que se pode libertar o Homem pela violência pura e simples.
Fogo! Os repórteres clamam. Fogo! Os bombeiros correm atônitos. Fogo! Os jovens pobres protestam. Fogo! Os pobres jovens protestam. Fogo! O amarelo avermelhado consome a nossa história.


 

Um homem do sistema e um "guerrilheiro" no Colégio Apostólico

Ali estavam eles no mesmo grupo: Mateus, o cobrador de impostos que enriquecera arrecadando dinheiro dos seus próprios irmãos para enviá-lo ao Império Romano; e Simão, o Zelote, ou Simão Cananita, que integrava uma facção política desejosa de derrubar o domínio romano por meio das armas.
Dois homens de lados opostos na trama política da Palestina, Mateus e Simão foram chamados por Jesus Cristo para fazerem parte de Seu círculo mais íntimo de discípulos, aquele que seria conhecido como "o Colégio Apostólico", ou simplesmente "os Doze". Como será que conviviam? Conversavam sobre política? Respeitavam-se? Mantinham ideias da época pretérita?
Os cobradores de impostos ou "publicanos" não eram benquistos na sociedade judaica, como se vê da história de Zaqueu. Eram tido como traidores da Pátria e corruptos. Hoje seriam chamados de "entreguistas" e "reacionários", talvez até "conservadores", "elite" e "aproveitadores". Mereciam destaque dentre os marginalizados, a ponto de se adotar a expressão "publicanos e pecadores" para aludir àqueles que não observavam a Lei. Realmente, os publicanos não eram cidadãos acolhidos nas melhores casas de família judias. Mateus, também chamado de Levi, era um desses homens importantes e ao mesmo tempo socialmente reprovados, mas no seu caso parece que o problema residia tão somente em sua condição profissional. Não há pelo menos notícia bíblica de que Mateus fosse corrupto, diferentemente de Zaqueu.
Já Simão Cananita era uma espécie de "guerrilheiro". Você ri de sua ambição de vencer o Império Romano? De fato, parece uma quimera, uma utopia, mas houve mesmo esse grupo com anseios "revolucionários". Além dos cananitas havia outros grupos politicamente definidos, como os herodianos, que se aliaram à Dinastia de Herodes; e os fariseus, partido político-religioso contrário à influência helenista e crente na vinda de um messias político, que libertaria Israel do opressor estrangeiro. Simão, pelo jeito, preferiu a luta armada.
Gostaria imensamente de saber se Mateus e Simão chegaram a dialogar sobre sua condição social e preferências políticas. Talvez um dia me falem sobre isso lá nos Céus. Mas, de toda sorte, vejo com alegria a união cristã dos diferentes num grupo tão pequeno. Aqueles homens, independentemente de qualquer coisa, eram crentes em Cristo. Só Jesus pode moldar a visão e o coração do Homem. Nenhuma doutrina política e nenhum estado social têm esse condão.
 

A escatologia marxista

Escatologia, como parte da Teologia Sistemática, é a "doutrina das últimas coisas", e estuda os eventos histórico-redentivos delineados por Deus para o futuro da Humanidade. Há correntes distintas: milenistas e amilenistas, dividindo-se os milenistas em pré-milenistas (históricos ou dispensacionalistas) e pós-milenistas, sendo que os pré-milenistas são pré-tribulacionistas, mesotribulacionistas ou pós-tribulacionistas. Ufa! Na Teologia Reformada a Escatologia possui um caráter mais voltado aos eventos iniciados com a Primeira Vinda de Cristo. De toda maneira, é dentro da Escatologia que se estudam temas como a Segunda Vinda de Cristo; o Arrebatamento da Igreja; a Grande Tribulação; as Bodas do Cordeiro; o Tribunal de Cristo; o Anticristo, a Besta e o Falso Profeta; a aplicação de textos "apocalípticos" de Daniel, Ezequiel, Joel e do próprio Apocalipse, o Último Adão, além da tensão entre o e o Ainda Não, sobre o qual John Stott escreveu tão bem.
Ocorre que a esquerda também tem a sua "escatologia! O marxismo inventou sua doutrina das últimas coisas com a promessa de que o esgotamento do Capitalismo conduziria à estatização da economia, à ditadura do proletariado, ao desaparecimento do Estado e à extinção da luta de classes. Ora, meu caro, isso é escatologia pura, só que fundamentada nas ideias de Karl Marx, e não na revelação divina.
Marx, com o seu materialismo dialético, "profetizou" como os eventos econômicos implicarão numa mudança total das estruturas políticas internacionais. Que figura! O homem sem religião vaticina mundos e fundos e pretende que eu acredite? Não é preciso fé para adotar uma teoria política como essa?

Lugar nenhum

Utopia, do Grego, significa literalmente "não-lugar" - é o lugar nenhum, o lugar que não existe. É para esse lugar que os esquerdistas querem te levar.
O paraíso na Terra, a sociedade sem classes, o "outro mundo possível", o sonho que não acabou... Essas promessas são repetidas pela esquerda universal, distribuída em diferentes grupos: socialistas, comunistas, social-democratas, democratas norte-americanos, além da nova esquerda. 
De maneira geral, o esquerdista crê - uso a palavra propositalmente - na possibilidade de um mundo melhor porque pressupõe a pureza inata do Homem, à moda de Rousseau. Esse mito do "bom selvagem" conduz à leniência com a criminalidade, ao assistencialismo, à política indigenista que trata os indígenas como coitados, e, enfim, à ideia de que o Estado deve resolver a desigualdade social por meio de intervenção econômica e distribuição artificial de renda.
A esquerda tem uma proposta de vida quase religiosa, mas sem religião (Russell Kirk escreveu sobre isso em A Política da Prudência, um livro muito bom para quem deseja conhecer o verdadeiro Conservadorismo). Desiludidos com a religião, considerada "o ópio do povo", muitos desencantados com a vida passam a buscar novos dogmas, mas agora arraigados na matéria e desprovidos do Céu. O céu deles é aqui, assim como o inferno.
É curioso que muitos esquerdistas sejam religiosos. Esses conseguem misturar sua religião espiritual à religião política. São os adeptos da Teologia da Libertação, com a sua hermenêutica bíblica marxista; são os prosélitos da Teologia da Missão Integral, irmã protestante da Teologia da Libertação; são os padres vermelhos; são os pastores do Liberalismo Teológico com matiz social. Além do Paraíso Celestial, eles querem o paraíso político de sua mui estranha escatologia.
Mas as coisas não existem só porque você pensa que existem. Os utópicos, que enchem de alegria os corações juvenis dos fóruns sociais mundiais, das manifestações de junho e das invasões de reitoria irão para lugar nenhum, e arrastarão consigo os que conseguirem cair em seu conto do vigário.

 


terça-feira, 1 de abril de 2014

Pessoal, vamos com calma: Direita é uma coisa, extrema direita é outra!

Há um pessoal legitimamente indignado com o desgoverno petista e com a possibilidade de "venezuelização" do Brasil, mas que tem optado por defender a volta dos militares ao poder. Tenho lido inúmeros comentários de internautas, em diversos sítios eletrônicos, no sentido de que somente os militares resolveriam os problemas do nosso País. O pior é que muita gente tem associado a Direita a regimes militares, em parte por causa da doutrinação esquerdista nas escolas, onde se ensinava a equação Direita = Ditadura.
Vamos cuidar de afastar essas impropriedades. Há que se defender a Direira liberal e democrática, e não os extremismos. 
Olavo de Carvalho disse com acerto que a diferença entre Esquerda e Extrema Esquerda é de grau, mas a diferença entre Direita e Extrema Direita é de natureza. Exagere as bandeiras da Esquerda e terá autoritarismo, totalitarismo, império do politicamente correto, morte do próximo para salvar a Humanidade; amplie as bandeiras da Direita e terá maior liberdade. A chamada "Extrema Direita" não é uma ampliação de liberdades fundamentais, mas o seu contrário.
Eu sou conservador e de direita, e não sou reacionário, autoritário nem obscurantista. Defendo o bom senso, a razão, os princípios gerais de Direito, o Estado de Direito, o respeito ao próximo, a democracia, a liberdade. O conservador não deseja conservar o mal, mas as tradições, instituições, convenções e princípios da Civilização, diferentemente do esquerdista, que é iconoclasta e crítico por dever de ofício.
A Direita precisa ser conhecida no Brasil, e ela é democrática. Vamos conversar com Russell Kirk, com Alexis de Tocqueville, com Winston Churcill, com Margaret Thatcher! Vamos ouvi-los.


 

 

domingo, 30 de março de 2014

50 anos do Golpe de 1964: Cada lado tem sua história

De acordo com a versão da esquerda brasileira, o que aconteceu no dia 31 de março de 1964 foi um Golpe de Estado militar com apoio da burguesia, contra os interesses  dos trabalhadores, dos camponeses, dos pobres em geral e do Brasil. Para os esquerdistas, o Regime Militar não passou de uma reação à proposta das Reformas de Base, do Governo do presidente João Goulart, agora reinventado como político habilidoso que conseguira em 1961 a saída parlamentarista e, já em 1963, obtivera a vitória do presidencialismo por meio de plebiscito. A esquerda construiu a ideia de que lutava por democracia, e de que as guerrilhas só começaram depois do endurecimento do Regime.
Segundo a versão militarista, o que ocorreu em 31 de março de 1964 foi uma Revolução ou Contrarrevolução ante o iminente Golpe comunista a ser desferido por um fraco e influenciável João Goulart, que, desprovido de convicções próprias, era conduzido por figuras esquerdistas como seu irresponsável cunhado Leonel Brizola. Os adeptos dessa linha dizem que os esquerdistas não eram democratas; que Castello Branco assumiu para governar provisoriamente, até dezembro de 1966; que o povo apoiou a Revolução; que o endurecimento somente se deu depois de eventos como o atentado no Aeroporto de Guararapes, em Pernambuco, onde morreram um jornalista e um militar. O AI-5, de 13 de dezembro de 1968, teria sido uma resposta à violência terrorista do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), da Ação Libertadora Nacional (ALN)  - de Carlos Mariguella - e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Carlos Lamarca, entre outros.
Não se costuma contar essa história cinquentenária sem paixões. Há, como alerta Rodrigo Constantino, um claro maniqueísmo. É necessário que estudemos 1964 com sinceridade e honestidade intelectual.
Por outro lado, sinto admitir que a Comissão Nacional da Verdade surgiu, não com o propósito de revelar fatos históricos, mas de reescrever o passado a partir de uma perspectiva unilateral, o que se percebe na maneira como são tratados os militares chamados a depor. Pergunto por que razão os ex-terroristas não são sequer considerados nessa condição, mas recebem bolsas e pensões do Estado como se fossem vítimas comuns.
Outros querem afastar a Lei da Anistia, de 1979, quando se sabe que ela foi, no dizer do ex-Ministro do STF Eros Grau, uma "lei-medida", necessária naquele momento difícil de transição democrática.
Assim, em vez de contar a história de forma realista, percebe-se uma atitude antijurídica e não científica.
Há, porém, exceções, como o excelente livro do historiador Marco Antonio Villa, Ditadura à brasileira.
O Brasil, cujo povo sequer conhece o que aconteceu nos últimos quinze anos - ou em quem votou na última eleição - não deve se dar ao luxo de se render a versões eivadas de intenções políticas para um capítulo tão importante de sua História.
 

domingo, 2 de março de 2014

Sobre linchamentos


Há algumas semanas fez-se grande algazarra em torno de uma fala da jornalista Rachel Sheherazade a respeito do episódio em que um jovem ladrão foi amarrado a um poste. Desde aquele dia a imprensa tem noticiado outros justiçamentos, como a do rapaz, lá no Piauí,  torturado sobre um formigueiro.
Linchamentos são mais comuns do que se imagina, principalmente em lugares muito violentos e politicamente deficientes. Creio, porém, haver uma escalada, sim, dos justiçamentos por causa da impunidade, do aumento da criminalidade devido ao crack e da morosidade da Justiça.
NÃO justifico esses acontecimentos, mas tão somente recordo uma lição elementar de Teoria Geral do Processo, segundo a qual a jurisdição se desenvolveu para substituir as partes em conflito, sendo o processo o meio para alcançar a paz social com a intervenção da figura do juiz, representante do Estado.
O calouro no estudo das Ciências Jurídicas logo depara com o conceito de "justiça privada" ou "vingança privada", a famosa "justiça com as próprias mãos", que existe desde que o mundo é mundo. Em tempos primitivos, era a lei do mais forte que imperava. Antes do sacerdote atuar como mediador, uma tribo proclamava guerra a outra tribo para retribuir um crime cometido contra um membro seu. Até se chegar ao processo houve a justiça privada e a mediação. Foram séculos de desenvolvimento das Civilizações até que se construísse o Direito Processual tal como o conhecemos (ou como não o conhecemos).
Qualquer lição básica de Teoria Geral do Processo deve admitir que sem um Estado-Juiz atuante haverá a barbárie, o estado de natureza hobbesiano, a luta de todos contra todos, enfim, o império do mal. Jamais ouvi alguém dizer que os processualistas estariam a defender justiçamentos só por constatarem que a vida em sociedade precisa de mecanismos de imposição da Justiça, de pacificação social, de estabilização de conflitos.
O que Rachel Sheherazade disse - mesmo que podendo eventualmente fazê-lo de maneira mais clara - foi expressar o que o Direito Processual já diz há muito tempo, e sem alarde: que os homens precisam de um terceiro que ponha um fim aos conflitos sociais. Caso contrário, haverá o caos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Por que não existem partidos de direita no Brasil?

No Brasil é feio ser de direita. Poucas pessoas se identificam como politicamente conservadoras. Minha geração foi aluna de professores esquerdistas, de orientação marxista, socialista. Tudo o que era ruim no Brasil vinha da direita, e tudo o que poderia haver de bom seria coisa da esquerda, do progressismo, das ideias supostamente libertárias, transformadoras e democráticas dos esquerdistas.
Essa rejeição e essa ignorância quanto à direita devem ser fruto de uma combinação funesta: a recente ditadura militar (1964-1985), associada à direita, e a ideia de que um país cujo povo é tão socialmente desigual tem de ser necessariamente de esquerda.
O PT nasceu em 1980 empunhando a bandeira da justiça social e da ética, e foi caracterizado - hoje se sabe que erronamente - como um partido honesto e benfazejo. De um lado, o PT, defensor dos fracos e oprimidos, dos trabalhadores e pobres, das mulheres e camponeses, dos índios e negros, dos menores e das vítimas sociais, tendo como apoiadores históricos (e pequenos) o PSB de Miguel Arraes e o PCdoB; do outro lado, os demais partidos, todos por ele considerados retrógrados, fisiologistas, oligárquicos, obscurantistas e "conservadores" - desses os principais vieram a ser o PSDB, o PMDB, o PP (antigo PDS e PPB) e o PFL (hoje DEM).
Certo é que a maioria dos partidos brasileiros não tem nenhuma ideologia determinada e precisa. São turistas do poder. 
Qual a ideologia dos seguintes partidos: PMDB, PR, PTB, PTN, PRTB, PTdoB, PHS, PSC, PRONA, Solidariedade, PSD (o kassabista, não o de Kubitschek)?
Os esquerdistas são conhecidos: PT, PV, PPS, PSB, PCB, PCdoB, PSOL, e os minúsculos PSTU, e PCO. Eu incluo aqui o PSDB, que - atenção! - não é de direita, senhores! O PSDB é de centro-esquerda, é social-democrata! Nenhum tucano quer ser chamado de "conservador", e o PSDB fica triste porque o "progressista" que está no poder é o PT, e não ele, que se considera tão avançado e moderno.
O DEM seria de direita? Não! O PFL, ao mudar de nome em 2007 para "DEM", pensou em se mostrar como "liberal", pregando a redução de impostos e coisa e tal, o que pode ser tido como bandeira do liberalismo econômico, mas não tem coragem nem vontade de defender valores conservadores. O DEM é no máximo um partido centrista.
É preciso partir para uma discussão de valores: indivíduo; família; liberdades públicas; mérito; iniciativa; empresa; redução da carga tributária; redução do Estado; eliminação do paternalismo; redução da maioridade penal - sei que não passou na Comissão de Constituição e Justiça, que pena - lei e ordem; fundamentos econômicos ortodoxos; política externa não filobolivariana; eliminação do antiamericanismo; apoio a Israel; política indigenista racional; respeito à ordem jurídica; eliminação das cotas sociais e raciais (quimera!). Precisamos de uma discussão franca e intensa sobre VALORES, e não sobre quem gerencia melhor esse modelo pesado, arcaico e social-democratizante herdado da Constituição de 1988.
Quem é de direita não fala somente de aborto ou casamento gay - embora esses temas também sejam relevantes. Quem é de direita fala de valorização das tradições, costumes e convenções sociais; princípio de autoridade; racionalidade; padrões morais absolutos e universalmente aceitos; direito natural; meritocracia; liberdade individual e familiar contra a intromissão abusiva do Estado; segurança jurídica; previsibilidade e estabilidade nas relações sociais; combate à criminalidade; Estado como garantidor de um espaço público comum a todos e de uma esfera individual livre de ingerências indevidas.
Não tenho medo de dizer que sou de direita, sou conservador. Pena que sejam poucos no Brasil.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Quando morre um país

Autor: Alex Esteves

Assim como nasce um dia,
Emancipado ou descoberto,
Pode um país morrer,
E conhecer o chão do inferno.

Pode um país deixar a vida,
E ainda assim ficar de pé,
Como vivesse, mas estando morto,
Qual escultura de quem já não é;

Qual múmia do Antigo Egito,
Testemunha morta de vidas que foram,
Cujos palácios, tintas e pedras
Dizem que houve algum passado e glória;

 Qual zumbi que anda pelas ruas,
Monstro da morte, retrato da dor,
 Falto de esperança, pobre de tudo
Carente de amor, solto no mundo.

Não parece o mesmo, tão desfigurado!
Não parece o mesmo, tão desenganado!
Não parece o mesmo, tão violentado!
Não parece o mesmo, tão dilacerado!


Melhor seria construir de novo 
A república, o estado, a nação;
Há que chorar, mas há que levantar do choro,
Pois o país é que morre - o povo, não.

 Mas há país que morreu e não foi pranteado
Porque dele se esquecem os que lhe tecem loas.
Ele está rondando e rodeando as ruas,
No corpo de gente, na voz de pessoas.

Há um país envelhecido, com cara de moço.
Há um país obscuro, contente ao sol.
Há um país envilecido por seu próprio esforço.
O país que morreu, o país que morreu.







 




 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Se não conhece, procure conhecer o trabalho do Rev. Augustus Nicodemus


Tenho ouvido frequentemente exposições do Rev. Augustus Nicodemus Gomes Lopes no site da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro ou no blog tempora-mores. Quero recomendar o trabalho desenvolvido por esse pastor reformado, que tem sido muito útil para mim.
Atualmente têm sido ministrados estudos sobre o Evangelho de Lucas, com a posterior disponibilização do vídeo. O mesmo pastor já pregou, durante cerca de dois anos, sobre a Epístola aos Hebreus, material a que espero assistir (as primeiras estão somente em áudio, mas depois começaram as gravações audiovisuais).
Tenho, do Rev. Augustus, os seguintes livros: O que estão fazendo com a Igreja? (Mundo Cristão); Ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja (Mundo Cristão); A supremacia e a suficiência de Cristo - A mensagem de Colossenses para a Igreja de hoje (Vida Nova); O culto segundo Deus - A mensagem de Malaquias para a Igreja de Hoje (Vida Nova); e O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual (Cultura Cristã). Ainda preciso continuar a leitura do livro sobre batalha espiritual - que é bastante técnico - e do livro sobre ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja de Cristo.
Já assisti a diversas pregações do Rev. Augustus na internet, incluindo participações na Conferência Fiel. Por falar nisso, a Editora Fiel cumpre um papel importantíssimo, com a produção, divulgação e envio, por meio eletrônico, de excelente material teológico.
Aprecio muito a forma como o Rev. Augustus interpreta a Bíblia, reconhecendo o valor do texto. E há o estilo: não grita, não brinca, não "se mostra" (alguns colegas de minha infância em Alagoinhas diriam "não se amostra"). Há esmero, preparação, cuidado, zelo pela exposição da Palavra e respeito pelo público.
O Rev. Augustus Nicodemus tem dado uma contribuição relevante à Igreja brasileira, mesmo porque ele sabe que há muitos cristãos pelo Brasil afora que precisam de estudos sérios da Bíblia.
Eu gosto de ouvir. Como eu disse, ouço o Rev. Augustus com frequência, e suas pregações costumam superar os cinquenta minutos. Eu ouço com atenção, respeito e vontade de aprender. Não tenho nenhum problema em sentar e ouvir uma boa pregação ou um bom estudo da Bíblia.
O Rev. Augustus é presbiteriano, e, assim, reformado (leia-se: calvinista). Mesmo não sendo de formação reformada, mas pentecostal, tenho afinidade com várias coisas que caracterizam os irmãos reformados. Há muito preconceito quanto aos calvinistas, mas isso precisa ser derrubado.
De toda maneira, o que deve unir todos os cristãos é a devoção à Escritura como Palavra inspirada, inerrante, infalível e autoritativa de Deus em Cristo. E nisso os reformados podem caminhar junto com os pentecostais, pois os crentes de ambas as tradições defendem esses postulados.
Sei que há outros pastores e líderes cuja contribuição é valiosa, mas aqui eu registro minha experiência com os artigos e exposições do Rev. Augustus, e creio que o eventual leitor deveria aproveitar essa oportunidade também.
 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Timóteo, traga os livros!

"Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos" (II Tm 4.13).

Escrevendo ao pastor Timóteo, o apóstolo Paulo lhe pediu que trouxesse os livros, o que guarda plena sintonia com aquele homem tão culto, como se constata a partir da leitura de suas 13 Epístolas.
Paulo era um homem de três mundos: judeu, grego e romano. Era judeu em sua etnia e formação religiosa, "hebreu de hebreus", da tribo de Benjamim, criado aos pés do mestre Gamaliel, versado na Lei, nos Profetas e nos Escritos, tendo passado pelo partido dos fariseus e certamente pelo Sinédrio (cf. At 8.1; 22.3; 26.4,5; Fp 3.5); era do mundo grego porque conhecia a cultura helênica, sua poesia, seus costumes, sua religiosidade, sua filosofia (cf. At 17.16-31; 26.24); e era politicamente romano, pois tinha a cidadania romana (cf. At 22.25).
Paulo detinha noções de direito, o que se depreende de suas alusões a institutos jurídicos como adoção, herança, tutela, promessa, vínculo matrimonial, processo formal, apelação (cf. At 16.37; 25.11; 26.24; Rm 7.2; I Co 7.15; Gl 3.23,24; 4.1,2). E chegou a citar os poetas gregos Epimênides e Arato (At 17.28; Tt 1.12). Nada disso advém de uma vida afastada dos estudos.
Deus não chamou Paulo "de última hora" ao perceber que João, Pedro e os demais apóstolos eram homens simples demais. Não! Deus, de um modo misterioso para nós, separou e destinou Paulo ao apostolado para os gentios, e enquanto estudava, antes de se converter a Cristo, Paulo estava sendo preparado pelo SENHOR. Ele não sabia, mas Deus, sim (cf. At 9.15).
Deus chamou os Doze de acordo com critérios por Ele conhecidos, e chamou Paulo também de acordo com a Sua soberania e conhecimento.
Quero, porém, destacar a humildade de Paulo ao buscar a leitura de livros: diferentemente do que muitos pensam, estudar não é prova de soberba, mas muitas vezes é, isto sim, prova de humildade, porque só o ignorantes convictos creem que não precisam de mais nenhum ensino, e que sua leitura da Bíblia é mais do que suficiente.
Há quem despreze séculos de debates, concílios, estudos!
Ao ler livros úteis à interpretação da Bíblia, seja de teólogos, seja de pastores ou dos Pais da Igreja, busca-se o auxílio de irmãos que vieram antes de nós ou que, em nosso tempo, podem oferecer subsídios a nosso próprio estudo da Palavra.
Elementos teológicos, doutrinários, históricos, geográficos, antropológicos, éticos e exegéticos podem auxiliar o crente (e muito!) na leitura da Palavra de Deus.
O mesmo se deve dizer da tradição e história eclesiástica, jamais como substitutos da Bíblia, mas como componentes que lançam luz à nossa própria interpretação, porque não seríamos inteligentes se olvidássemos a contribuição de outros irmãos!
É lamentável que em nossos dias já não se ouçam frases como "Timóteo, traga os livros". 




 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O milagre mais curioso da Bíblia

Em II Rs 13.20,21 lemos o seguinte:

"20 Morreu Eliseu, e o sepultaram. Ora, bandos dos moabitas costumavam invadir a terra, à entrada do ano.
21 Sucedeu que, enquanto alguns enterravam um homem, eis que viram um bando; então, lançaram o homem na sepultura de Eliseu; e, logo que o cadáver tocou os ossos de Eliseu, reviveu o homem e se levantou sobre os pés".

Eis uma das passagens bíblicas mais curiosas: um homem é ressuscitado depois de o seu cadáver tocar os ossos do profeta Eliseu. Não há nada igual na Bíblia.
Eliseu, o sucessor de Elias, morreu doente. O texto de II Rs 13.14 começa assim: "Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer..." O autor do Livro em nenhum momento escreve uma nota de desaprovação a Deus pelo fato de o grande profeta Eliseu ter morrido por causa de uma doença. Tampouco há tentativa de justificar o ocorrido, como fizeram os amigos de Jó (Elifaz, Bildade e Zofar), que acusaram Jó de estar em pecado ou de não ter uma vida suficientemente reta.
O episódio ocorreu no Séc. IX a.C. Israel vivia sua longa agonia espiritual, liderado que estava por monarcas idólatras e maus. O cenário religioso e político não era bom.
Narra o texto que algumas pessoas foram enterrar um defunto, algo absolutamente normal e corriqueiro. Não consta do texto que eles tenham orado para que o morto ressuscitasse. As circunstâncias eram ordinárias. 
Ao ver os moabitas, porém, aqueles que intentavam sepultar o defunto simplesmente foram embora, o que é compreensível, e lançaram o corpo na sepultura do profeta. Entre cuidar do morto e cuidar dos vivos, preferiram a segunda opção. Creio que faríamos o mesmo.
Todavia, em meio a essas circunstâncias normais, ocorreu o inesperado e extraordinário: o homem ressuscitou quando seu cadáver tocou os ossos de Eliseu.
Qual o sentido dessa passagem?
É interessante como surgem explicações estranhas para certos textos bíblicos. Uma dessas explicações é de que esse milagre foi necessário para compor o total de 14 milagres, dobro do que Elias teria praticado. Assim, segundo essa teoria, estaria satisfeito o pedido de Eliseu quando da iminente ascensão de Elias, pois Eliseu pediu para ter "porção dobrada" do espírito de Elias (cf. II Rs 2.9).
A expressão "porção dobrada" sugere a condição de filho primogênito, que recebia em herança porção maior que a destinada aos outros filhos. O que Eliseu quis foi ser o sucessor de Elias em seu ministério profético, um ministério caracterizado pelas demonstrações de poder e pela autoridade espiritual.
Além disso, por que deveríamos dar como certo que Elias e Eliseu praticaram somente os milagres registrados na Bíblia? O SENHOR Jesus não praticou muitos mais milagres do que os registrados nos Evangelhos, como se depreende de Jo 20.30? Não poderia acontecer algo semelhante com Elias e Eliseu?
Há algumas lições que podemos extrair do texto em comento:
1) Deus pode operar milagres extraordinários em circunstâncias ordinárias - uso propositalmente a expressão "milagres extraordinários", recordando o texto de At 19.11. Milagre já é um fenômeno extraordinário, mas a expressão oferece destaque à grandiosidade da obra do SENHOR sobre a natureza.
2)  Deus opera quando quer, como quer, e em favor de quem Ele quer - não sei se alguém orou pela ressurreição daquele homem, mas o fato é que ele já seria sepultado quando Deus o fez ressurgir dos mortos. E isso aconteceu justamente quando os moabitas adentravam o território israelita, e de maneira espantosa. Não poderia Deus escolher momento melhor do que em meio a uma invasão estrangeira? Não poderia Deus usar um método mais "comum", como quando, séculos depois, o SENHOR Jesus orou ao Pai, mandou tirarem a pedra e disse "Lázaro, vem para fora"? (cf. Jo 11). No caso em tela, não! Deus quis fazer do jeito que fez.
3) o crente pode morrer doente - não acredito que tive de escrever isso! Eliseu morreu vítima de uma doença, mesmo sendo ele um homem que Deus usou para operar milagres.
4)  mesmo depois de mortos, os salvos pertencem ao SENHOR - nenhum crente deveria se preocupar com a maneira pela qual Deus irá ressuscitar os que morreram em Cristo, juntar todos os pedaços e transformar o corpo destruído em corpo glorificado. O SENHOR é poderoso. Se não conseguimos crer nisso, creremos em que?

 
 





domingo, 12 de janeiro de 2014

POR QUE DEVO ME PREOCUPAR COM AS PREGAÕES RUINS? (5) O "Outro Evangelho" é anátema

O apóstolo Paulo foi incisivo e contundente em sua crítica aos pregadores de evangelho diferente. Confira o texto de Gl 1.6-9:

"6 Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho,
7 o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.
8 Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.
9 Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema".

"Anátema" quer dizer "maldito". Assim, ir além do Evangelho de Cristo e pregar "outro evangelho" é algo radicalmente repreendido por Deus.
Não sou eu que estou dizendo, mas o próprio "apóstolo dos gentios"! Não posso ser mais veemente do que Paulo!
No caso dos Gálatas, o problema era o movimento judaizante, que ensinava ser necessário aos gentios observar a circuncisão e a Lei de Moisés para que fossem salvos. Havia, então, um problema fundamental nessa doutrina, que substituía a Cruz de Cristo por prescrições legais. Os Gálatas rapidamente passaram da Graça de Cristo para as obras da Lei. Para isso contribuíram os falsos mestres.
O desejo de Paulo de se fazer entendido exprime-se pela advertência de que o "outro evangelho" não devia ser recebido de jeito nenhum, ainda que, por hipótese, esse evangelho falso viesse a ser pregado por ele mesmo ou por "um anjo do céu".
A seita dos Mórmons começou com a suposta revelação dada por um anjo a Joseph Smith, um americano que viveu no Séc. XIX. O Islamismo teria sido revelado de maneira poderosa a Maomé, segundo ele e seus seguidores. Muitas outras seitas seguiram esse caminho.
Recentemente tornou-se conhecido o caso de um pastor assembleiano que se tornou católico porque teria visto Maria, a mãe de Jesus. Pronto, isso foi suficiente para ele abandonar a fé que recebera.
Em nosso meio pentecostal, há quem diga ver anjos à farta. Nos Estados Unidos, a Assembleia de Deus em Boston, dirigida por brasileiros, se atrapalhou com falsas revelações de anjos, e a confusão não foi pequena. Essa, porém, não é a nossa doutrina.
Pregadores devem se ater ao Evangelho de Cristo.  
 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O PT precisa ser derrotado nas urnas!!!

Urge derrotar o PT nas eleições presidenciais. Alguém precisa fazer isso. Imagino que muitos estejam pedindo a Deus, em suas orações, que a presidente Dilma Rousseff seja derrotada neste ano, e há muitas razões para isso.
A partir de 2003, quando Luiz Inácio da Silva, o Lula, assumiu a presidência - e prosseguindo com a ex-brizolista e hoje lulista Sra. Rousseff -  tem havido um solapamento lento e contínuo das instituições democráticas; um intenso combate ao valor da família tradicional (pai, mãe e filhos); um grande aparelhamento do Estado por petistas e simpatizantes; o financiamento oficial de "jornalistas" que em seus blogs fazem propaganda descarada do Governo; a disseminação da mentira de que tudo o que há de bom veio com o PT e de que tudo o que há de mau veio de FHC ou dos 500 anos anteriores; a promoção da "agenda gay", das injustas cotas baseadas na cor da pele, da descriminalização ou despenalização do uso de drogas, da total balbúrdia no campo e dos conflitos indígenas com índios fabricados e reivindicações estapafúrdias; a compra de votos institucionalizada por meio do Bolsa Família; o uso de movimentos sociais de acordo com interesses partidários e eleitorais; o custeio de grandes empresas com bilhões do BNDES (veja o caso Eixe Batista); a sustentação de uma política de alianças espúrias com tudo o que há de pior na política brasileira, como José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Severino Cavalcanti; a banalização da violência e o exponencial crescimento do tráfico de drogas e do uso de crack, que se popularizou muito nos anos recentes graças à leniência dos petistas, que não controlam as fronteiras; a defesa de "caixa dois" de campanha eleitoral como coisa normal, quando não se passa a mão na cabeça dos mensaleiros condenados pela Suprema Corte; ausência completa de reformas estruturais para o Brasil, sem nenhuma contribuição para o real desenvolvimento do País no longo prazo. Dona Dilma ainda conseguiu a volta do fantasma da inflação acima da meta.
A lista é grande.
Não sou de esquerda, não gosto desse discurso do "nós contra eles", não quero mudar o mundo por meio do ativismo político - apenas viver nele da melhor maneira possível e contribuir positivamente com os que estão à minha volta.
Fico bem com o rótulo de conservador e aprecio a democracia liberal. Já o PT, meus caros, é socialista do tipo moderno, pragmático, que faz capitalismo de Estado e distribuição de benesses com o chapéu dos outros, e tem como símbolos "heróis da Humanidade" como Fidel Castro, Hugo Chávez, Che Guevara, Mao Tsé-Tung, Lênin, Stálin, Trotski. Está bom p'ra você?
Não digo que os cristãos sinceros estejam em pecado se gostam do Lula, da Dilma ou do PT, ou de todos esses, porque se trata de política, e nisso se leva em conta muita coisa: ideologia política, cosmovisão, formação intelectual e política, necessidades ou interesses pessoais, familiares ou de grupo, eventos que em governos passados tenham causado algum trauma... São muitos os fatores envolvidos...No entanto, ao deparar com os fatos, não consigo apreciar a conduta desse pessoal, DE JEITO NENHUM.
Embora respeite os crentes que votam no PT, quero deixar claro que minha consciência rejeita o petismo em razão de incompatibilidade entre o programa desse partido e os valores cristãos. 
Essa não é a opinião do senador baiano Walter Pinheiro, petista das antigas, incapaz de votar contra o PLC 122/06, aquele que buscava supostamente criminalizar a tal homofobia, mas que tinha por objetivo calar a voz de quem afirma que homossexualismo (não vou dizer "homossexualidade"...) é pecado. Só que o Sr. Walter Pinheiro foi pedir votos em minha igreja, a Assembleia de Deus, no ano de 2010, quando de uma reinião de pastores e líderes, na qual eu estava presente a convite de um pastor amigo. E lá o irmão Walter Pinheiro falava como crente, sentia como crente, discorria como crente. Todavia, logo que chegou a ser eleito senador, esqueceu de ser ao menos coerente e dizer o que efetivamente pensa sobre todas essas coisas.
Quero voltar ao ponto: o PT faz mal ao Brasil. Devemos travar a guerra de valores que o próprio PT propõe. Sim, senhores, não são os evangélicos que propõem essa discussão que os petistas chamam de "moralista". Eles é que querem discutir se a sociedade deve ser conservadora ou "progressista". Então, por que temos medo do combate?

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

POR QUE DEVO ME PREOCUPAR COM AS PREGAGÕES RUINS? (4) Pregadores que não conhecem a História bíblica

Um dos vícios do mau pregador é o desconhecimento da História bíblica, e com isso me refiro à História da Redenção. O bom pregador deve compreender que a Escritura Sagrada conta a História da Salvação da Humanidade por meio do sacrifício vicário e expiatório de Cristo, o que foi preparado na Lei, anunciado nos profetas, narrado nos Evangelhos, proclamado em Atos dos Apóstolos, explicado nas Epístolas e celebrado em Apocalipse.
Sem conhecer os eventos histórico-redentivos, e sem entender que a Bíblia expõe uma série de textos coordenados e unidos em Cristo, o pregador corre o risco de se pautar por opiniões pessoais e desvios doutrinários e teológicos, além de empregar textos fora de contexto e fazer interpretações equivocadas, usando a Bíblia como se ela fosse um repositório de promessas e declarações soltas, simples palavras de poder alheias a qualquer possibilidade de sistematização. Tem-se, assim, o caos na pregação.
Um excelente exemplo bíblico de pregador é Moisés, que no Livro de Deuteronômio faz uma série de sermões - por causa disso, alguém já disse que Deuteronômio é o Livro do pregador.
O Primeiro Discurso de Moisés em Deuteronômio encontra-se em 1.1-4.43, e consiste em memória da jornada pelo deserto e exortação à obediência; o Segundo Discurso está em 4.44-26.19, e se refere às leis prescritas ao povo; o Terceiro Discurso, encontrado em 27.1-28.68, contém as bênçãos e maldições; e o Quarto Discurso, registrado nos caps. 29 e 30, trata da aliança firmada em Moabe (os caps. 31 a 34 cuidam de temas como o sucessor de Moisés, palavras de despedida e a morte de Moisés, além do Cântico que ele proferiu).
É digno de nota que as divisões naturais do Livro de Deuteronômio observam uma estrutura similar ao que se recomenda para pregações: 
1) memória do que foi dito ou realizado por Deus quanto ao Seu povo (fatos históricos);
2) declaração do que Deus requer do Seu povo (exigências divinas);
3) exortação à obediência (agora e no futuro).
Ocorre que para rememorar a História bíblica é necessário conhecê-la, e para exortar ao cumprimento da vontade do SENHOR é preciso que o pregador compreenda qual o papel da pregação.
Por ora, deixo a sugestão para que leiamos o Livro de Deuteronômio com a perspectiva do pregador, a fim de que esse importante Livro nos auxilie quando da exposição da Palavra de Deus.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Por que tantas pregações tão ruins?", de Carl Trueman

Transcrevo na íntegra o excelente artigo "Por que tantas pregações tão ruins", de Carl Trueman e traduzido por Filipe Schulz, pois se trata de um texto muito pertinente para a discussão das "pregações ruins", objeto da Série deste blog intitulada "Por que devo me preocupar com as pregações ruins".
Leia o artigo, extraído com permissão* do site Reforma21.org:

"Por que tantas pregações tão ruins?"
Autor: Carl Trueman/Tradutor: Filipe Schulz | Reforma21.org.
A pregação é fundamental para o protestantismo. A proclamação da palavra de Deus é o meio primário pelo qual o cristão encontra Deus. Assim, a pergunta óbvia é: por que tantas pregações são tão ruins?
Esse não é um problema encontrado apenas em pequenas igrejas das quais ninguém jamais ouviu. Alguns anos atrás eu estava em uma conferência onde um grupo de pregadores estava sendo apontado como modelos para serem seguidos. Um desses pregadores, de uma das maiores e mais conhecidas igrejas evangélicas do universo dos novos calvinistas fez um sermão cheio de belas anedotas pessoais. Ao fim, ele havia enternecido meu coração em seu favor, como pessoa. Mas como pregação, aquilo foi simplesmente terrível, funcionalmente desconexo do texto bíblico que havia sido lido. Sinceramente, ele poderia muito bem ter substituído a leitura bíblica por um solilóquio de Rei Lear e não precisaria mudar uma sentença sequer do sermão. Pode ter sido eloquente e emocionante; mas, como pregação, foi uma completa catástrofe. E, infelizmente, foi uma catástrofe apresentada para uma multidão de milhares como o modelo do que se fazer no púlpito.
Afinal, por que tanto das pregações, mesmo as das celebridades das conferências, é tão ruim? É impossível responder essa questão em apenas uma frase. Sermões podem ser ruins por uma variedade de razões. Aqui estão oito que me parecer ser as mais significativas. Eu as dividi em categorias: teológica, culturais e técnicas.
Teológica
Primeiro, a razão teológica: para pregar bem, o pregador precisar entender o que ele está fazendo. Entender o que é uma tarefa é básico para fazer bem essa tarefa. Se você pensa que pregação é apenas comunicar informações, entreter ou fomentar uma discussão, isso vai moldar a forma com que você prega. O maior perigo para os estudantes nos seminários é que eles assumem que as aulas que eles ouvem são modelos para os sermões que eles vão fazer nos púlpitos. E não são. Pregação é um ato teológico. O pregador encontra seu correspondente não nos auditórios ou salas de aula nem, na pior das opções, no circuito de stand-up comedy. Ele o encontra nos profetas do Antigo Testamento, trazendo uma palavra de confrontação do Senhor que explica a realidade e demanda uma resposta.
Culturais
Em segundo lugar, há uma falha em prover um contexto apropriado para o treinamento dos pregadores. Os seminários tem um poder limitado; pregar três ou quatro vezes para seus colegas de classe e ser filmado enquanto isso não é uma preparação adequada para o púlpito. E a estranha prática de desencorajar pessoas que não foram licenciadas para tal não ajuda. Como alguém pode licenciar alguém para pregar a não ser que se saiba se ele consegue pregar? E como alguém vai saber fazê-lo se não tiver experiências reais em uma igreja real? A falta dos cultos noturnos em muitas igrejas não é apenas um triste testemunho sobre a perda do Dia do Senhor; também limita as oportunidades de pregação para aqueles em treinamento. Igrejas precisam fazer um trabalho melhor em encorajar aqueles que pensam que foram chamados para serem pregadores para testarem seus dons, talvez em cultos noturnos ou em outras situações. Basta pensar um pouco.
Em terceiro, há uma relativização da palavra pregada e o crescimento da ênfase no aconselhamento pessoal. Eu não estou negando a utilidade do aconselhamento pessoal, mas estou dizendo que a maioria dos problemas que muitos de nós temos deveriam ser lidados muito adequadamente por meio da proclamação pública da palavra de Deus. O mundo ao nosso redor nos diz que somos todos únicos e temos problemas igualmente únicos. Essa conversa sobre exclusividade é bastante exagerada. Precisamos criar uma cultura eclesiástica onde a exclusividade é relativizada e onde pessoas vêm à igreja esperando que a palavra pregada irá lidar com seus problemas particulares. Fico abismado com o fato de que, por mais que Paulo faça algumas aplicações individuais bastante pontuais, ele normalmente opera em um nível mais genérico. Seminários deveriam fazer da pregação a prioridade em todos os níveis; pregadores deveriam aprender a pregar com a confiança de que irão impactar indivíduos para o bem ao falarem com todos eles do púlpito.
Em quarto, , às vezes, um fracasso em estabelecer a própria voz. Tendo sido convertido na década de 80, eu me lembro que não havia nada mais vergonhoso do que ouvir mais um pregador britânico que havia decidido que deveria soar exatamente como o Dr. Lloyd-Jones e pregar por tanto tempo quanto o grande Galês pregava. Muitos sermões brilhantes de meia hora eram implodidos pela necessidade do pregador de esticá-los até a marca de cinquenta minutos.
Hoje, talvez, o problema seja pior. Há alguns anos, questionei um grupo de estudantes sobre quem eram seus modelos favoritos de pregação. Nenhum deles mencionou qualquer dos pastores sob quem eles haviam crescido. Os nomes todos pertenciam ao pequeno e limitado grupo do circuito de pregação das megaconferências.
Isso é desastroso por mais razões, mas não menos pelo fato de que essas conferências apresentam consistentemente como normativo um espectro muito limitado de vozes e estilos. Cada pregador precisa encontrar sua própria voz; a tragédia é que a dinâmica de preencher cinco ou dez mil assentos em um estádio significa que a única voz ouvida é aquela daquele capaz de atrair tanta gente. Mas muitas dessas vozes pastoreiam igrejas onde há pouco contato entre o pastor e o povo. Eles podem encher estádios, mas não são as únicas vozes que os aspirantes a pregadores deveriam ouvir. O tempo e o acaso podem transformar homens em pastores de mega-igrejas. Muitos pregadores muito melhores operam em igrejas menores e são eles que realmente podem testemunhar sobre a importância de se encontrar a própria voz.
Em quinto, nos círculos presbiterianos, pelo menos, é possível que se tenha uma imagem muito grande do ministério. Isso é contra-intuitivo, particularmente vindo de um presbiteriano que acredita que uma visão grande do ministério pastoral é um aspecto importante de uma igreja saudável. O que eu quero dizer aqui é: se a cultura da sua igreja projeta uma imagem tão alta do ministério a ponto da congregação pensar que o ministério ordenado é o único chamado digno para um homem cristão, a consequência infeliz é que homens que não tem as habilidades básicas para serem ministros irão, apesar disso, sentir a necessidade de serem ministros, para poderem servir da melhor forma. E homens, no ministério, que realmente não tem as habilidades pessoais necessárias para pregar não irão pregar bem. Precisamos de igrejas onde um entendimento saudável da vocação cristã é ensinada e cultivada, para que os homens não sintam esse tipo de pressão.
Técnicas
Há muitos aspectos técnicos na pregação, mas aqui estão três das mais comuns falhas técnicas que geram pregações ruins:
A falha da falta de estrutura clara. Minha impressão é que pregadores em treinamento muitas vezes assumem que a estrutura do sermão que prepararam é tão clara para a congregação quanto é para eles. E raramente é. Pregadores experientes conseguem tornar a estrutura clara simplesmente por meio de clareza de pensamento, progressão lógica e sentenças bem conectadas. Até que se atinja esse nível, eu aconselho os estudantes a esclarecerem logo no início qual é a estrutura. “Os três pontos que eu quero que vocês vejam nessa passagem são…” pode ser uma forma muito mecânica de começar a seção principal de um sermão, mas pelo menos deixa claro quais são os objetivos do pregador.
A falha de não conhecer ou não entender a congregação. Isso se manifesta de muitas formas. Normalmente, para estudantes e pregadores recém ordenados, se manifesta em entupir o sermão com o máximo possível de linguagem teológica especializada (conhecida na sala de aula como “terminologia técnica” e no púlpito como “conversa fiada”). O importante não é impressionar a congregação com o seu conhecimento. É apontar as pessoas para Cristo da forma mais clara e concisa possível.
A falha de não saber o que deixar de fora. Talvez, depois da falta de uma estrutura clara, essa é a falha mais comum entre os pregadores em treinamento. Você já leu tudo que poderia sobre a passagem; agora você quer dizer à congregação tudo o que você aprendeu. Você não pode fazer isso. Não faça a congregação beber de um hidrante. Pense com cuidado sobre quais são as coisas  mais importantes para essa congregação nesse momento (o que requer, é claro, conhecer alguma coisa sobre a congregação) e foque nisso. Todo aquele material fascinante restante? Bom, use em outro sermão sobre a mesma passagem um dia.

*A permissão para reprodução consta do rodapé do texto, no site Reforma21.org (endereço: http://reforma21.org/artigos/por-que-tantas-pregacoes-tao-ruins.html).



domingo, 5 de janeiro de 2014

POR QUE DEVO ME PREOCUPAR COM AS PREGAÇÕES RUINS? (3) Pregadores cujas "profecias" não se cumprem

Um dos sinais da pregação falsa é o não cumprimento do que o pregador disse que iria acontecer. Confira o texto de Dt 18.18-22:

"18 Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.
19 De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas.
20 Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto.
21 Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou?
22 Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele".

O texto transcrito registra o anúncio, da parte do SENHOR, da vinda de "um profeta" em meio ao povo de Israel. O Profeta anunciado por Deus é Jesus Cristo, maior que Moisés. Tudo o que o Profeta disser deve ser acatado, porque Ele fala as palavras de Deus.
Em contraste com o ofício profético de Jesus Cristo estão os profetas que se apresentam falsamente como porta-vozes de Deus ou que falam em nome de outros deuses.
O v. 21 é muito importante e revela a dificuldade que atormenta muitos crentes diante de tantas vozes no mundo supostamente proféticas. Diante da grande confusão, cristãos se perguntam: "se não posso recusar a Palavra de Deus, como saber quando o pregador fala a verdade"?
O critério estabelecido no v. 22 é simples: se o pregador falar em tom de profecia e o que ele disser não se cumprir, deve-se entender que falou "com soberba", e não se deve ter "temor dele".
Não se trata do único critério, mesmo porque nem toda pregação inclui predições. No entanto, cuida-se de um critério bíblico, relevante e útil, que pode revelar falsos profetas de maneira objetiva.

sábado, 4 de janeiro de 2014

POR QUE DEVO ME PREOCUPAR COM AS PREGAÇÕES RUINS? (2) - Pregadores que usam o nome de Deus em vão


Prosseguindo com a série sobre por que motivo devo me preocupar com pregações ruins, tratemos agora do uso do nome de Deus de modo frívolo ou mentiroso.
O Terceiro Mandamento, que proíbe o uso do nome do SENHOR em vão, consta de Ex 20.7 e Dt 5.11, com uma variante em Lv 19.12.
Diz o texto de Ex 20.7:

"7 Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão".

Já o texto correlato de Lv 19.12 traz o seguinte:

"12 nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR".

Depois do exílio babilônico, os judeus adotaram uma interpretação literal do Terceiro Mandamento, e passaram a não pronunciar o nome de Deus, que, em razão de Ex 3.14, eles consideravam ser YAHVÉH (EU SOU). 
Com o passar do tempo, perdeu-se a pronúncia correta do nome de Deus, pois o texto hebraico não registrava vogais. Somente na Idade Média, muitos séculos depois de Cristo, os judeus massoretas vocalizaram o Texto Sagrado, mas, ao deparar com o tetragrama YHWH, adicionaram as vogais das palavras hebraicas Adonai e Elohim, que significam, respectivamente, "Senhor" e "Deus". Com isso surgiu o nome Yehová ou Jeová*.
Será que tomar o nome de Deus em vão é simplesmente pronunciá-lo, como pensaram os judeus? Conquanto o Judaísmo tenha demonstrado grande temor e reverência, sua interpretação literal não capta o melhor do Terceiro Mandamento. 
Tomar o nome do SENHOR em vão não é citar o nome de Deus em situações comuns da vida, embora cada um de nós deva ter cuidado para não usar de frivolidade em nossas palavras. Cada um deve fazer a sua reflexão sobre como usa o nome de Deus, sobre a maneira como se dirige a Deus, sobre a maneira como se refere a Deus.
O Terceiro Mandamento é, todavia, ainda mais profundo: quando um pregador baseia sua prédica em coisas que Deus não disse ou não vai fazer, está usando o nome do SENHOR em vão.
Os Dez Mandamentos têm, sim, aplicação para a Igreja, em seu sentido espiritual, moral e principiológico*.  Como se pode considerar normal que um pregador fale que Jesus disse o que Jesus não disse? Como se pode considerar aceitável que um pregador pronuncie irreverentemente o nome de Deus como se estivesse se referindo a qualquer pessoa?
O nome na cultura hebraica tinha grande valor e significado. O nome de Deus está relacionado a Seu caráter e Seus propósitos.
Foi por isso que Moisés perguntou o nome de Deus (Ex 3.13), e foi também por isso que o anjo disse a Maria que o nome do menino que iria nascer pelo Espírito seria JESUS, já que Ele salvaria o Seu povo dos seus pecados (Mt 1.21).
O múltiplo nome do Messias é apresentado em Is 9.6: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
O nome do SENHOR é "santo e tremendo" (Sl 111.9; Lc 1.49); "glorioso e terrível" (Dt 28.58; Is 63.14).
Jesus manifestou e deu a conhecer a Seus discípulos o nome de Deus Pai (Jo 17.6,26). Vê-se, pois, que o nome de Deus se confunde com o Evangelho.
Longe de usar o nome do SENHOR em vão, deve-se orar "Santificado seja o teu nome" (Mt 6.9).
Orar em nome de Jesus é orar de acordo com a vontade do SENHOR, submetendo a própria vontade aos Seus desígnios, e pedindo aquilo que esteja em consonância com o caráter divino (cf. Jo 14.13,14).
Temos dito o suficiente para que fique clara a necessidade de pregarmos reverentemente em nome do SENHOR?
Que Deus use de sua infinita misericórdia em nosso favor.

*O próprio mandamento da guarda do sábado (Ex 20.8-11) tem em si o princípio da administração do tempo e da priorização das coisas de Deus, embora não deva ser tomado em sua acepção literal para a Igreja - porque, entre outras coisas, o sétimo dia tinha feições cerimoniais não aplicáveis ao Novo Testamento. Mas este é outro assunto.


 


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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.