quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Artigo sobre a infância de Jesus

O período da vida de Jesus sobre o qual não há registro nos Evangelhos
Introdução.
Em nossos dias, há um interesse geral pela especulação. Estamos numa época em que muita gente sabe de muitas coisas, mas de maneira genérica e superficial. E, munidas de informações variadas, as pessoas criam uma cultura de almanaque – nada de conteúdo sobre tudo o que existe, e todas as “dicas” sobre nada de importante. Por causa disso, conversam mediocremente sobre temas os mais diversos.
Um dos assuntos que mais chamam a atenção desses estudiosos de generalidades é a vida de Jesus, mas de forma deturpada, a partir de produções literárias e audiovisuais que não confiam na veracidade das Escrituras.
É assim que, em vez de se ocuparem com o objetivo da vinda de Cristo ao mundo, pessoas há que procuram livros não-canônicos sobre a infância, adolescência e juventude de Jesus; escrevem-se livros de ficção sobre o que Jesus teria dito ou feito enquanto menino; fala-se até de relacionamentos amorosos que jamais existiram, numa atitude deliberada de desacatar a imagem que os Evangelhos oferecem a respeito de Cristo.
Buscando na fonte: Mateus, Marcos, Lucas e João.
Em vez de depararmos com textos quaisquer, procuremos na Bíblia o que ela diz sobre Jesus.
Mateus escreve sobre o nascimento de Jesus (1.18-25), a visita dos sábios do Oriente (2.1-12), a fuga para o Egito (2.13-15), a matança de crianças ordenada por Herodes (2.16-18) e a volta do Egito (2.19-23). Em todos esses registros, o interesse de Mateus é demonstrar que em Jesus se cumpriam as antigas profecias sobre o Messias (cf. 1.22,23; 2.5,6, 15, 17,18, 23). Não havia, assim, nenhum objetivo que não estivesse relacionado ao propósito da vinda de Cristo ao mundo.
Lucas, que se nos afigura um pouco mais detalhista, escreve algo mais, embora jungido ao objetivo de anunciar os eventos principais do Evangelho. Ele mesmo nos diz em seu prefácio que lhe pareceu bem, “depois de acurada investigação de tudo desde sua origem” dar uma “exposição em ordem”, para que o leitor obtivesse “plena certeza das verdades” em que fora instruído (ver 1.3,4).
Com efeito, Lucas tratou não só do nascimento de Jesus (2.1-7), como também do seu anúncio a Maria por meio do anjo Gabriel (1.26-38), da visita de Maria a Isabel, esta já grávida de seis meses (1.39-45), do cântico de Maria (1.46-55), da visita dos pastores de Belém (2.8-20), da circuncisão e apresentação de Jesus no Templo (2.21-24), das personagens Simeão e Ana (2.25-38) e do episódio em que, já com 12 anos de idade, Jesus é deixado em Jerusalém pelos Seus pais (2.41-51). Mais uma vez, tudo o que foi registrado tem em mira o plano de Salvação.
Observe que, quando José e Maria esqueceram Jesus em Jerusalém, certamente por acharem que estivesse no meio da grande caravana que seguiu para a Páscoa, Ele ficou na Cidade Santa, e foi encontrado três dias depois debatendo com os doutores. Como a educação em Israel fazia-se naquele tempo por meio de perguntas e respostas, o texto diz que os doutores ficaram admirados com as respostas do Menino, ressaltando, com isso, sua inteligência. Jesus era estudioso, uma Pessoa que na idade adulta foi digna de ser chamada de Rabi (Mestre), ainda que não tenha freqüentado escolas formais (Jo 7.15).
Marcos e João nada escrevem sobre a infância de Jesus. Sequer apresentam uma genealogia. O primeiro começa apresentando o ministério de João Batista como cumprimento de uma profecia de Isaías sobre o precursor do Messias. O segundo ocupa-se inicialmente com o Verbo Divino, Eterno e Criador, para em seguida dizer que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (1.14).
O desenvolvimento humano de Jesus.
Pode-se afirmar que a vida de Jesus antes do início de Seu ministério resume-se nos versos 40, 51 e 52 do capítulo 2 de Lucas. E nessas ocasiões o versículo precedente informa o retorno a Nazaré, primeiro após a circuncisão e a apresentação (v. 39), e em seguida após o diálogo com os doutores (v. 51).
No v. 40, o evangelista deixou registrado que “crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”.
Aqui, temos o desenvolvimento físico (crescimento, fortalecimento) e o desenvolvimento psíquico (crescimento em sabedoria). A graça de Deus, que estava sobre Jesus, como referida nesse versículo, é a mesma graça que repousa sobre todo servo de Deus, porque nesse texto o que se propõe é a humanidade de Cristo. Sim, Jesus Cristo é Deus, mas a graça de Deus que estava sobre Ele, nessa passagem, deve estar aliada ao desenvolvimento fisio-psíquico.
O verso 52 traz mais ou menos o mesmo conteúdo, acrescentando que o menino crescia “em graça...diante...dos homens”, o que indica o Seu desenvolvimento relacional.
Já o verso 51 mostra-nos que Jesus desceu com Seus pais para Nazaré e “era-lhes submisso”. O verbo ser, em português, quando no tempo pretérito imperfeito do modo indicativo, denota um passado contínuo. Assim, Jesus submeteu-se à autoridade de Seus pais durante anos, até que chegou o dia em que Se apresentou a Israel.
A submissão do Salvador a Seus pais é para os filhos um exemplo de obediência, tão recomendada na Escritura. No entanto, em vez de se ocuparem dessa frase, que resume boa parte da vida de Jesus, há pessoas que se interessam por coisas que não constam da Bíblia, por tudo quanto é periférico, fictício ou sem valor.
O que realmente importa.
Os Evangelhos não tratam da vida de Jesus entre Seus 12 e 30 anos de idade porque não consistem exatamente numa biografia, mas num registro do envio do Filho de Deus ao mundo para morrer pelos pecadores.
Basta contar o número de capítulos dedicados a cada fase da vida de Jesus, e veremos que o objetivo dos escritores era apresentá-lO como o Salvador, como o Messias prometido, como o Servo Sofredor. Ele veio para buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.10). Veio para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Veio para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos (Mt 20.28; Mc 10.45).
Os Evangelhos não são uma biografia porque biografia é um relato detalhado da vida de uma pessoa, desde o seu nascimento até sua morte, passando, o quanto possível, por todos os fatos considerados marcantes, sem um propósito específico, senão o de exaltar o biografado, criar polêmicas, formular uma resenha histórica.
No caso de Jesus, era necessário afirmar Sua divindade e humanidade, a razão de Seu envio pelo Pai, e demonstrar que o Reino de Deus havia chegado, o que Ele fez por meio de sinais e maravilhas.
O desenvolvimento psíquico e físico de Jesus, bem como Seu sofrimento e morte, demonstram que Ele não era aparentemente Homem (proposta do Docetismo) nem um fantasma ou emanação divina (proposta do Gnosticismo), mas um Homem de verdade. Jesus veio efetivamente “em carne”, sentiu fome, sede, cansaço, tristeza, dores e, enfim, morreu. Sua humanidade é para nós tão eloqüente quanto Sua divindade.
Jesus não era um super-herói, tampouco um homem-deus ou um homem divinizado. Também não era um mero deus humanizado. Essas expressões, a pretexto de explicar, acabam confundindo. Jesus veio como Homem e nunca deixou de ser Deus. É Deus e Homem, Homem e Deus. Não houve uma fusão entre as duas naturezas, nem a criação de um combinado, formando uma terceira natureza. Jesus tem as duas naturezas, divina e humana, em perfeita harmonia, e de um modo incompreensível para nós.
Ficam por conta dos especuladores e dos escritores de ficção os episódios em que o Menino Jesus teria operado milagres. Na verdade, Jesus só passou a operar milagres depois da unção do Espírito Santo, que recebeu na ocasião de seu batismo no Jordão (At 10.38). A unção do Espírito foi concedida para que o Mestre realizasse as obras que testificariam de Sua divindade e missão redentora.
Conclusão.
Há uma constante suspeita sobre a Bíblia, fomentada por estudiosos ateus, sem religião ou teólogos liberais. Acham que a Bíblia deve estar escondendo alguma coisa, que a Igreja Romana retirou algum trecho comprometetor, ou que nos livros não-canônicos se achará alguma informação reveladora.
Coube ao apóstolo João deixar consignado que Jesus fez "muitos outros sinais", mas que não foram relatados porque, se o fossem, não haveria espaço nos livros que se escreveriam. Entretanto, "estes... foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (Jo 20.30,31).

3 comentários:

Anônimo disse...

Realmente meu querido amigo e irmão na fé, concordo em praticamente em tudo que relataste, neste blog. A palavra de Deus jamais se esconderia alguma coisa que alguns "estudiosos" pudessem achar ou que a igreja romana como tu relataste pudesse tirar como comprometedor da palavra de Deus. O homem quer achar algum atributo que alguém pudessem colocar para que colocasse em dúvida os evangelhos de cristo. Veja o que diz a palavra "Pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador" Rm 1,25. O homem está adorando a criatura em vez de Deus, tentando de alguma forma achar alguma coisa ou alguém que possa adorar em vez de Deus, cumprindo-se a palavra acima.
Um abraço e que Deus o utilize cada vez mais em favor da palavra do Senhor.

João Armando disse...

O verbo "registar" existe, bem como seus derivados (registados, como consta no texto de João cap. 20). A forma "registar" é mais utilizada em Portugal, e "registrar" no Brasil. Ambas corretas.

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

Muito obrigado pela dica, irmão João Armando! Já retirei o "sic". Eu na verdade já havia lido a palavra "registar" em algum lugar, mas como "registrar" é mais usado, acabei colocando o "sic" para dar idéia de que eu não tinha errado. No entanto, o "sic" só deve ser usado quando se trata de erro mesmo, e não de grafia correta e desconhecida da maioria. Obrigado mais uma vez.

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Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.