sábado, 26 de janeiro de 2008

"Compreendes o que vens lendo"?

A pergunta feita por Filipe ao eunuco etíope deve ser feita muitas vezes aos crentes brasileiros: você entende o que lê (At 8.30)?
Filipe não achava que o eunuco fosse analfabeto. Apenas perguntou se ele entendia o que vinha lendo. O eunuco demonstrou que não entendia, pois lhe faltava um professor ou companheiro que o ajudasse a interpretar o texto. Por isso, não sabia se o profeta Isaías falava de si mesmo ou de outra pessoa no texto que conhecemos como Is 53.7,8(ver At 8.32-34).
Por outro lado, muita gente não entende o que lê na Bíblia. Estou me referindo especialmente a evangélicos. Não creio que isso se deva somente à dificuldade das traduções, nem aos termos técnicos da Escritura, nem ao desconhecimento dos critérios de interpretação. Creio que o problema do analfabetismo funcional atrapalha a fé de muita gente, pois analfabeto funcional é justamente aquele que lê e não entende.
Certo dia assisti no Fantástico, da Rede Globo, a curiosa e triste reportagem sobre um homem na cidade de Serra-ES que se autodenominou pastor e que tomou a mulher de um de seus pobres seguidores, com base supostamente em Os 3.1 ("Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo e adúltera...").
O repórter, apenas pelo simples método de interpretação textual que aprendeu na escola, utilizando o critério de interpretação literal dos mais elementares, observou que a palavra ali era "adúltera", enquanto o homem lia "adultera". Pronto, estava desfeito o fundamento da "igreja" daquele pastor autopromovido, e tudo por causa de um acento gráfico, cujo desprezo havia transformado um adjetivo num verbo, e bagunçado a vida de um casal - também é certo que nesse caso há mais do que assassínio da gramática.
Admito que esse exemplo não é dos mais adequados em termos de ilustração do que se passa nos arraiais evangélicos, porque o sujeito era auto-intitulado pastor de uma meia-dúzia de adeptos. Mas há exemplos entre nós, como o do irmão que não misturou cal na argamassa para construção do templozinho da igreja porque em Ez 22.28 está escrito que os profetas faziam reboco de cal não adubada e Deus os rejeitou! Creio que esse exemplo é bastante bizarro.
Fico pensando em como isso é grave. Muitas e muitas pessoas levam uma vida cristã à base de textos mal lidos. Será que não nos preocupamos com isso? Será que essas pessoas conseguem valorizar os bons expositores bíblicos, os homens sérios, quando deparam com eles?

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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.