sábado, 13 de setembro de 2008

Estudo bíblico sobre a Eternidade como doutrina fundamental

Vou socializar com o amado leitor o pequeno material que preparei para a palavra que vou dar amanhã de manhã no Congresso de Jovens da Assembléia de Deus no Bairro Taveirópolis, aqui em Campo Grande/MS. Segue abaixo:

“Eternidade: onde você vai passar a sua”?[1]
I. Introdução.
O que é a Eternidade?

Será o mesmo que viver para sempre, não passar pela morte?
Eternidade é a vida além-túmulo, para bons e maus?
A Eternidade é sempre boa?
O Homem é eterno?
Todos os seres são eternos?
Eternidade é o que vem depois do tempo?
Eternidade é o mesmo que imortalidade?

II. A Eternidade é um anseio do Homem.
Todas as religiões têm uma noção própria do que seria a vida após a morte.
Quem jamais ouviu falar do elixir da juventude?
Quantos filmes e obras literárias tratam do viver para sempre?
De certo modo, o culto ao corpo e a preocupação excessiva com a saúde tem a ver com o anseio de Eternidade dentro do Homem.
Em Eclesiastes, lemos que “Deus pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Ec 3.11).

III. A Eternidade como atributo de Deus.
A Eternidade é um atributo absoluto de Deus. Isso significa que só Deus é Eterno.
O SENHOR habita a Eternidade (Is 57.15). Deus é Transcendente e Imanente.
O Messias tem Suas origens desde os dias da Eternidade (Mq 5.2).
O Messias é o Pai da Eternidade (Is 9.6).
O Espírito Santo é Eterno (Hb 9.14).
Abraão tinha a concepção de que o SENHOR é “o Deus Eterno” (Gn 21.33). E invocava o Seu nome.
A justiça de Deus é eterna (Sl 119.142), assim como Ele o é.
O SENHOR Deus é “uma Rocha eterna” (Is 26.4).

IV. A Eternidade como plano de Deus para o Homem.
Deus prometeu a Vida Eterna “antes dos tempos eternos” (Tt 1.2).
O caminho de Deus para o Homem é “o caminho eterno” (Sl 139.24).
No Éden, a Árvore da Vida era apta a dar Vida Eterna (Gn 2.9).
A promessa que o Filho de Deus nos fez foi a Vida Eterna (I Jo 2.25).
Tem a Vida Eterna aquele que crê no nome do Filho de Deus (I Jo 5.13).
É necessário reconhecer o Verdadeiro, e estar no Verdadeiro. O Verdadeiro é Jesus Cristo, que é o Verdadeiro Deus e a Vida Eterna (I Jo 5.20).
Deus enviou Seu Filho para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a Vida Eterna (Jo 3.16).
A missão do SENHOR Jesus aqui no mundo foi entregar o mandamento do Pai, que consiste na Vida Eterna (Jo 12.50).
O SENHOR Jesus recebeu autoridade do Pai a fim de conceder a Vida Eterna àqueles que o Pai lhe desse, e a Vida Eterna consiste numa só coisa: conhecer ao Pai como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem o Pai enviou (Jo 17.2,3).
Em At 5.20, o Anjo do SENHOR liberta os apóstolos da prisão e lhes ordena que digam ao povo “todas as palavras desta Vida”.

V. Três sentidos para a palavra “Vida”.
Tendo visto que a Eternidade é um atributo absoluto de Deus e que ao mesmo pode ser entendida como o plano de Deus para o Homem, vejamos em que consiste a Vida Eterna prometida aos que crerem.
A palavra “vida” ocorre na Bíblia significando existência humana, qualidade de vida ou imortalidade. Dependendo a tradução, “vida” e “alma” são sinônimos em alguns trechos.
1) Existência humana.
A vida como existência humana está, por exemplo, em I Sm 2.6, Jó 7.7 e 33.4, Sl 146.2, Mt 6.27, At 17.25, Tg 4.14 (a vida está nas mãos de Deus e é provisória, como um sopro, uma duração, um decurso no tempo, o ato de respirar).

2) Qualidade de vida.
Moisés propôs “vida” e “bênção” aos israelitas em contraposição a “morte” e “maldição”. Vida, nesse caso, é qualidade de vida (Dt 30.15,20).
Davi também pensou em qualidade de vida quando disse que Deus o faria ver “os caminhos da vida”, sentir “plenitude de alegria”, bem como desfrutar “delícias perpetuamente” (Sl 16.11). De acordo com ele, em Deus está “o manancial da vida” (Sl 36.9). Deus oferece vida abundante.
O Livro de Provérbios trata da vida como qualidade de vida quando diz que os mandamentos do SENHOR são vida para a alma, saúde e favor do SENHOR (Pv 3.22; 4.22; 8.35; 12.28; 14.27).
Isaías e Jeremias tiveram entendimento semelhante (Is 4.3; Jr 8.3; 21.8).

3) Imortalidade.
Em Mt 7.14 o SENHOR Jesus ensina que apertado é o caminho que conduz à vida. Trata da imortalidade com Deus.
Em Rm 6.23 sabemos que o dom gratuito de Deus é a Vida Eterna, em contraste com o salário do pecado, que é a morte.
Em Rm 8.1-11 lemos que o Espírito de Deus é o Espírito da Vida; que a inclinação do Espírito é para vida e paz; que, em se tratando do cristão, “o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça” (especialmente o v.10).
Em II Co 2.16 lemos que os salvos são cheiro de morte para morte (dos que se perdem) ou aroma de vida para vida (dos que se salvam). Nosso testemunho é importante no processo de Salvação ou Condenação, mas quem salva é Jesus Cristo.
O salvo não sofrerá a morte eterna porque nele habita o Espírito Eterno de Cristo. Essa é a imortalidade com Deus ou Vida Eterna.
Em II Co 4.10,11 somos exortados a levar no corpo o morrer de Jesus para que Sua Vida se manifeste em nosso corpo ou “carne mortal”.
Em Ef 2.1, 5 lemos que Jesus Cristo nos deu Vida quando estávamos mortos em ofensas e pecados.
Em Cl 3.3,4 lemos que nossa “vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”, e que, quando Cristo, que é a nossa Vida, se manifestar, seremos manifestados com ele em glória”.
Em Hb 7.16 está escrito que Cristo tem “o poder de vida indissolúvel”.
Cremos que o conceito de Vida Eterna é a composição de imortalidade e qualidade de vida. Assim, o justo morre fisicamente, mas não morre eternamente, pois tem qualidade de vida. Por outro lado, o injusto morre fisicamente e eternamente, porque, embora seu espírito seja imortal, ele não tem qualidade de vida.
Dito de outro modo, ninguém vai deixar de existir na Eternidade, mas somente os salvos viverão eternamente em termos de qualidade de vida.

VI. O que o apóstolo João escreveu sobre a Vida.
A Vida estava em Jesus Encarnado como luz dos homens (Jo 1.4);
Quem crê no Filho tem a Vida Eterna (Jo 3.36);
Jesus oferece uma fonte a jorrar para a Vida Eterna (Jo 4.14);
Quem ouve a palavra de Jesus tem a Vida Eterna (Jo 5.24);
Jesus é o Único que tem as palavras de Vida Eterna (Jo 6.68);
Jesus oferece Vida abundante (Jo 10.10);
A Vida Eterna é dádiva do SENHOR Jesus para suas ovelhas (Jo 10.28);
Jesus é a Ressurreição e a Vida (Jo 11.25);
Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6);
A suma do Evangelho é crer que Jesus é o Filho de Deus, e que, crendo, tenhamos Vida em Seu nome (Jo 20.31);
Já passamos da morte para a Vida porque amamos os irmãos (I Jo 3.14);
O Amor consiste em que Cristo deu Sua Vida por nós, e por isso devemos dar a nossa vida pelos irmãos (I Jo 3.16). Isso implica em renúncia e abnegação.

VII. A Eternidade tem duas faces.
Dentre todos os mortos, muitos ressuscitarão para a Vida Eterna, e outros para “vergonha e horror eterno” (Dn 12.2).
O SENHOR Jesus disse que há um “fogo eterno”, que é o “inferno de fogo” ou “castigo eterno” (Mt 18.8,9; 25.41). Essa é uma realidade que não podemos negar. Mas os justos irão para a Vida Eterna (Mt 25.46).
Existe até mesmo o “pecado eterno”, que é a blasfêmia contra o Espírito Santo (Mc 3.29).
A morada dos santos é chamada de “tabernáculos eternos” (Lc 16.9).

VIII. Existe predestinação para a Vida Eterna e para a Perdição Eterna?
Quem foi destinado para a Vida Eterna? Há predestinação? Observe-se que em At 13.48 o texto diz que, dentre os gentios, “creram todos os que forma destinados para a vida eterna”. Mas isso não quer dizer que eles foram predestinados enquanto outros ficaram alienados por Deus. Antes, significa que eles só foram salvos porque Deus já havia destinado um povo à Salvação. Todos aqueles que são salvos “se encaixam” no plano salvífico de Deus para a Humanidade.
Naturalmente, em Sua presciência, Deus sempre soube quem seria salvo e quem se perderia. Mas isso não tem ligação com a predestinação de quem seria salvo e de quem se perderia – a predestinação é coletiva, quanto à futura existência de um povo salvo, e não quanto à escolha autoritária de Deus, que respeita a liberdade criada por Ele.

IX. Eternidade e justificação.
Enquanto o pecado reinou pela morte, a graça reina pela justiça para a Vida Eterna (Rm 5.21). Não se trata da justiça humana, mas da justiça de Deus em Cristo. “Justo” não é o que pratica obras supostamente justas por si mesmo, mas o que é declarado justo por Cristo.
A justificação é uma condição do pecador declarado justo, como uma situação mais passiva do que ativa. “Justificado” é uma palavra que gramaticalmente sugere essa condição passiva, de que Cristo nos justificou, diferente de dizermos que somos justos porque praticamos obras justas.
Esse é o significado de que “o justo viverá pela fé” (Hc 2.4; cf. Gl 3.11; Hb 10.38,39). Do mesmo modo vemos que a fé de Abraão foi contada como justiça diante de Deus (Gn 15.6; Rm 4.3; Gl 3.6; Tg 2.23).

X. Atitudes erradas diante da Eternidade: Legalismo, Hedonismo e Secularismo.
1) Legalismo.
O jovem rico perguntou ao SENHOR Jesus o que deveria fazer para alcançar a Vida Eterna (Mt 19.16; Mc 10.17; Lc 18.18). Ele achava que a Vida Eterna seria alcançada por mérito pessoal ou esforço. Estava enganado.
A Vida Eterna é uma “herança” para aqueles que renunciam a todas as coisas por causa do nome de Cristo (Mt 19.29; Mc 10.30). Basta uma atitude de renúncia às prioridades que não se conformem com a Pessoa e Obra de Cristo. Essa herança não é fruto da ação humana, mas uma reação positiva à Pessoa e Obra de Cristo. Ninguém adquire uma herança por esforço próprio.
O legalista age como se pudesse alcançar a Vida Eterna por seus próprios esforços, assim como os judeus a quem Paulo e Barnabé tentaram pregar o Evangelho na cidade de Antioquia, fazendo com que os missionários se voltassem aos gentios (At 13.46).
Paulo os acusou de se acharem indignos da Vida Eterna. Mas, nós não somos indignos mesmo? Éramos indignos, mas Cristo nos dignificou com Sua Obra na Cruz.
Todos são dignos no sentido de que a Salvação é ofertada a todos, sem exceção. Quem se acha indigno, de acordo com a frase de Paulo, anula a Cruz de Cristo.
Repito: em nós mesmos, não somos dignos de absolutamente nada que não seja a condenação eterna, mas Cristo nos dignificou. Por isso, aceitamos essa herança de graça. Ela é gratuita para nós, mas Cristo pagou o preço total em nosso lugar.
Vale observar que em Lc 10.25 um doutor da Lei faz a mesma pergunta ao SENHOR Jesus: “Que farei para herdar a vida eterna”. Depois de concluir que se deve amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, ele pergunta a Jesus quem é o seu próximo, com o objetivo de reduzir a abrangência do mandamento. Essa é a atitude de quem busca subterfúgios ou atalhos para não atender ao mandamento do amor.

2) Hedonismo.
O SENHOR Jesus disse que aquele que “ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna” (Jo 12.25).
Como estamos nós? Amamos esta vida ou a odiamos? O que o SENHOR Jesus está dizendo com isso? Será que devemos ser pessimistas, amargurados e tristes? Será que devemos desprezar os bens desta vida, como família, trabalho, ciência, indústria, meio ambiente, cultura e artes? Será que devemos descuidar de nossas obrigações e responsabilidades? NÃO! O SENHOR Jesus não está dizendo isso!
Com palavras fortes, o SENHOR Jesus está dizendo que não devemos priorizar esta vida em detrimento da Vida Eterna. É como escreveu o salmista: “A tua graça é melhor do que a vida” (Sl 63.3).
Não devemos ser hedonistas, cultuando o prazer. Esse culto ao prazer pode acontecer até mesmo nas igrejas, por meio do orgulho espiritual.

3) Secularismo.
Secularismo é o estilo de vida de quem pensa, sente e age como se Deus não existisse ou não tivesse nada a ver com suas escolhas.
Não devemos esperar em Deus apenas para esta vida, para não sermos os mais miseráveis dentre os homens (I Co 15.19). Nossa esperança ultrapassa a barreira do tempo.
A atitude secularista é a de se preocupar com as coisas deste século, desta era, deste tempo. Ela não se ocupa das coisas invisíveis, que são eternas (II Co 4.18). O Secularismo não tem nada a ver com a Eternidade.

XI. A promessa da Eternidade tem uma dimensão ética.

Receberão a Vida Eterna aqueles que perseverarem em fazer o bem, procurando valores como glória, honra e incorruptibilidade. A Vida Eterna virá acompanhada de glória, honra e paz “a todo aquele que pratica o bem”, ao passo que os “facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça” terão “tribulação e angústia”, porque fazem o mal (Rm 12.7-10).
Veja bem: a Vida Eterna não se adquire pelas boas obras nem pelo cumprimento de requisitos legais, tampouco pelo ativismo de igreja. A Vida Eterna tem uma dimensão ética no sentido de que aqueles que forem salvos terão condições de produzir boas obras, preparadas por Deus “de antemão”, para que nelas andássemos (Ef 2.10).
Somente pode alcançar a Vida Eterna aquele que já foi alcançado por Cristo, ou seja, criado em Cristo Jesus para essas mesmas obras (Ef 2.10). Sendo assim, a vida do salvo tem seu destino eterno como natural na medida em que as obras que pratica são obras próprias da Eternidade.
Essa cadeia só se rompe se o cristão apostatar da Fé ou deliberadamente entristecer ao Espírito Santo com seu pecado contínuo e não confessado.

XII. “Quem perde ganha”.
O SENHOR Jesus disse que aquele que achar a sua vida perdê-la-á, e quem a perder achá-la-á (Mt 10.39; Mc 8.35; Lc 9.24). Ensina-nos quanto à prioridade de nossa vida: Cristo ou eu?
O próprio Jesus deu Sua vida pelas ovelhas (Jo 10.15). Essa é a essência do Evangelho.

XIII. A Vida no Livro de Apocalipse.

Se depois da Queda o Homem foi expulso do Éden para não comer da Árvore da Vida, os vencedores comerão da Árvore da Vida como recompensa pela vitória que Cristo lhes alcançou (Ap 2.7).
O vencedor terá o seu nome preservado no Livro da Vida (Ap 3.5; cf. 13.8 e 21.27).
Cristo dará de graça da fonte da água da Vida a quem tiver sede (Ap 21.6; 22.17).
Cristo é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim – n'Ele tudo começa e para Ele tudo converge (ver Ap 21.6).

XIV. Conclusão.
Eternidade é diferente de não passar pela morte física.
Eternidade é mais do que vida além-túmulo.
A Eternidade não será boa para todos.
O Homem não é eterno, mas pode receber a Vida Eterna em Cristo.
Somente Deus é Eterno.
Eternidade é mais do que um estado atemporal. Eternidade, no aspecto positivo, é qualidade de vida em Cristo.
Eternidade é mais do que imortalidade.
A Eternidade, no aspecto positivo, segue os mesmos princípios fundamentais da vida cristã. As obras que praticamos em Cristo foram preparadas na Eternidade e servirão para recompensa na Eternidade. Só vai para a Vida Eterna quem segue os princípios da Vida Eterna.
Em suma: só vai para a Vida Eterna quem já tem a Vida Eterna nesta era.


[1] Material preparado para subsidiar a preleção a ser dada na Congregação da Assembléia de Deus no Taveirópolis, em Campo Grande-MS, no dia 14 de setembro de 2008, por ocasião do Congresso de Jovens com o tema “Eternidade: onde você passará a sua”?

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Alguns princípios do editor deste blog

Para você que lê o que escrevo neste espaço, precisamos comunicar alguns princípios:
1) Os estudos, artigos e reflexões teológicas não seguem uma linha de teologia denominacional, mas de estudos pessoais. Eu não fico aqui defendendo a minha denominação, que é outro tipo de abordagem, o qual respeito, mas não pratico neste blog.
2) Não pretendo agradar nem machucar ninguém.
3) Não escrevo manietado por interesses nem pressões. Sigo minha consciência, e penso escrever de acordo com a Bíblia.
4) O que escrevo é o que escrevo. Não estou preocupado se as pessoas interpretam mal ou ficam criando significados diversos daquilo que o texto diz. Minha preocupação é dizer o que penso, e creio que meu Português não seja tão ruim a ponto de dizer algo diferente daquilo que quis dizer.
5) Sou aberto a críticas e respeito opiniões divergentes.
6) Minha intenção não é polemizar, ainda que meus pensamentos possam ser objeto de eventual polêmica.
7) O que escrevo aqui concerne ao trabalho independente de um aprendiz da Teologia, e por isso não estou representando minha denominação - é bom frisar.
8) Se quisermos um rótulo, sou um “pentecostal histórico moderado”: estou começando a entender que a plenitude do Espírito tem dois aspectos - moral (At 6.3; 11.24; Gl 5.22,23; Ef 5.18-21) e carismático (At 2.1-4; 4.31; 6.8) - e que o batismo com o Espírito Santo pode ser evidenciado por outros sinais que não a glossolalia, como o profetizar (At 2.1-4; 8.17; 10.44-47; 19.6). Creio que, de algum modo, os dons espirituais estão relacionados à plenitude do Espírito, mas não consigo compreender que as línguas estranhas sejam sinal sine qua non do batismo com o Espírito Santo. Entendo que o batismo com o Espírito Santo tem o propósito de capacitar a igreja para a evangelização (At 1.8), com o incremento de dons, e não para que se exalte o dom de línguas em detrimento dos demais. Quero destacar, acima de tudo, que nessa questão eu tenho ainda mais perguntas do que respostas, mas sou honesto em admitir isso.
9) Tenho um juízo crítico muito aguçado, e uma pena algo contundente. Se o leitor se assustar com isso, me perdoe.
10) Quanto à escatologia e interpretação do Apocalipse, não adoto a priori nenhuma corrente teológica, mas tão-somente a análise textual, naquela perspectiva da Teologia Bíblica.
11) Por fim, tenho convicção de que o SENHOR me chamou para pregar e para ensinar oralmente ou por escrito. Tenho convicção de que devo militar na área da educação cristã e da teologia. Se isso servir de ajuda, estou apenas tentando cumprir o meu chamado.


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