segunda-feira, 3 de março de 2008

Teologia do templo

Há poucos dias houve aqui em Campo Grande/MS a inauguração do templo central da Igreja Universal do Reino de Deus. É um templo suntuoso, admirável, enorme, como sói acontecer com os templos da Universal. Com todo o respeito a quem aprecia templos desse naipe, e a quem gosta muito da Igreja liderada pelo Bispo Edir Macedo, gostaria de refletir sobre a nossa concepção de templo, pois me parece que muitos crentes não sabem qual a teologia do templo no Novo Testamento.
Sim, começo por uma teologia do Novo Testamento porque estamos em igrejas neotestamentárias - ou não estamos? Os nossos templos diferem do Templo de Salomão, que centralizava o culto, e nem precisava ser tão imponente como Salomão quis que fosse. Deus permitiu a construção, Davi deu o desenho, Salomão construiu, mas o luxo ficou por conta de Salomão, e da exploração a que ele submeteu seus próprios compatrícios. De toda maneira, naquele momento, como no período do Tabernáculo no deserto, o Espírito Santo não habitava os corações dos adoradores, e era necessário haver um lugar sagrado em que Deus pudesse habitar.
Com a encarnação, morte, ressurreição, ascensão de Cristo e derramamento do Espírito Santo, iniciou-se uma nova etapa do povo de Deus, pois agora o Espírito habita os corações dos crentes, e isso de forma abundante e, digamos, universal. Não precisamos nos dirigir a um lugar especial para sermos aceitos por Deus. O lugar é especial porque nós somos especiais, e é sagrado porque nós o consagramos.
De fato, o templo evangélico é e pode ser chamado de santuário, Casa de Deus, Casa de Oração, mas só é assim porque ali existe um povo que se reúne para a adoração, oração e proclamação da Palavra. O templo evangélico não tem maior importância do que quaisquer outros objetos utilizados no serviço cristão, como instrumentos musicais e materiais para Escola Bíblica.
Hoje os templos somos nós, ou, mais precisamente, nossos corpos, porque somos morada do Espírito de Deus (I Co 6.19,20) - não é esse o sentido do templo, o lugar em que Deus reside? Quando estamos reunidos no templo, há, na verdade, vários templos, que são os crentes, cada um prestando sua adoração ao Deus verdadeiro, que procura adoradores que o adorem "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24).
Quando constrúo templos suntuosos e magníficos para que as pessoas digam: "Oh, Deus está aqui", minha teologia do templo está equivocada. Essa frase "Oh, Deus está aqui" deveria ser dita a partir do testemunho dos cristãos, e não da beleza arquitetônica do templo.
Por falar nisso, não sou da área de arquitetura, mas já conversei com uma arquiteta exatamente sobre essa questão de templos evangélicos formidáveis. Ela me disse, em outras palavras, que o prédio acaba tendo um valor mais simbólico do que funcional, porque as pessoas se admiram e se sentem atraídas pelo poder daquele lugar. É algo ideológico. Eu suspeitava disso, mas foi bom ouvir o parecer de uma profissional.
Os prédios precisam ser funcionais, e, se possível, podem ser bonitos, agradáveis. A arquitetura trabalha em favor da comodidade. Agora, construir templos como forma de causar espanto e demonstrar poder, isso não é nada neotestamentário. Posso dizer que isso não é cristão.
A Igreja Romana procedeu assim, e atualmente parece que está mais modesta em suas construções. A Igreja Universal repete o comportamento antigo da Igreja Romana. Não tenho muito a ver com romanos nem com universais. A questão é que isso causa impacto em minha igreja e nas igrejas espalhadas pelo Brasil, pois os crentes se perguntam se as coisas não deveriam ser mesmo desse jeito. Há com certeza uma admiração tácita pelo que a Igreja Universal anda fazendo, pelo número de pessoas que parecem segui-la, pelo poder midiático de que desfruta, pela grandeza de seus templos.
Entretanto, entendo que acima de tudo devem estar os princípios bíblicos. Se não for pela Bíblia, para onde iremos?

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Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
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Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.