domingo, 30 de março de 2008

Jesus voltará

Quantos pregadores ainda dizem no púlpito que Jesus voltará? Que espécie de tratamento a Segunda Vinda de Jesus tem recebido em nossas igrejas?
Tenho para mim que a maior ou menor esperança na vinda de Jesus mede a situação espiritual da igreja. Se falamos pouco no assunto, certamente não pensamos nele nem o cogitamos como uma prioridade.
Tem-se falado muito das coisas terrenas. Fala-se de vitória, carros, casas, dinheiro, ascensão profissional. Fala-se de Mamon (riquezas) em detrimento de Jesus.
A questão é que não podemos mesmo servir a dois senhores, como o próprio Jesus pontificou. Por isso, falamos pouco da Volta de Cristo: quando Ele retornar a esta Terra, as coisas serão diferente do que muitos gostariam que fossem.

sábado, 29 de março de 2008

Eufemismos (II)

Ainda sobre eufemismos, a Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que não montaram um dossiê sobre as despesas pessoais do ex-presidente FHC e sua esposa. Disse que se trata de um banco de dados. Com propriedade, a cientista política Lúcia Hippólito, da CBN, afirmou que é tudo uma questão de semântica. Esse, enfim, é o governo dos eufemismos.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Eu sei que coisas boas existem

Quem lê meus textos neste humilde blog ou escuta meus desabafos em sala de aula, como aluno de teologia, pode pensar que sou pessimista ou que devo ter uma úlcera de amargura.
Na verdade, só não sou pessimista nem amargo porque Jesus me salvou do pecado, do inferno e da morte eterna. Ele derramou Seu sangue por mim, sendo eu um pobre e terrível pecador. Jesus também me salvou de mim mesmo e da condenação dos outros.
Só não sou amargo nem pessimista porque creio na boa teologia da cruz, estando plenamente ciente de que a morte de Cristo foi substitutiva, vicária, expiatória, propiciatória e redentora. Com a morte de Cristo em meu lugar e Sua ressurreição, eu recebi vida eterna porque acreditei no sacrifício de Cristo como a única forma de reconciliação entre Deus e os homens. O sangue de Jesus foi aspergido sobre mim, e assim fui lavado, purificado, perdoado, aceito por Deus em santificação do Espírito. Creio nisso piamente. Sou bem-aventurado por isso.
Só não sou amargo nem pessimista porque entendo que a Bíblia é a Palavra de Deus, que sou filho de Deus por adoção, que fui criado por Deus em Adão e recriado por Deus em Cristo. Creio que o mundo era bom, que o homem era bom, que tudo era bom, e que infelizmente o pecado invadiu essa esfera de coisas boas, trazendo destruição e morte. Somente Jesus Cristo, o homem-Deus, poderia destruir as obras do diabo.
Só não sou pessimista nem amargo porque cultivo uma esperança escatológica, proclamo "ora vem SENHOR Jesus", e sei que o Espírito que hoje habita em mim me assegura plenamente a vida eterna com Deus. Não tenho nenhuma dúvida disso. Vou morar no Céu com Jesus.
Há muitas coisas boas. Há o anônimo que evangeliza de casa em casa aos domingos à tarde; há o anônimo que toca aquela guitarra desafinada na igreja, mas que se esforça para louvar a Deus ainda melhor; há a senhorinha anônima que visita pacientes em hospitais e lhes fala de Jesus; há o pastorzinho anônimo que entra e sai de lugares pobres, com seus folhetos nas mãos dizendo que Jesus salva. Há os muitos crentes que aprenderam a ler lendo a Bíblia. Há os intelectuais que se converteram a Cristo e que usam sabiamente seu conhecimento para glorificar a Deus. Há aqueles que se tornaram intelectuais por causa de Cristo. Há os ricos em generosidade. Há as associações religiosas que exercem funções educacionais, recreativas, profissionalizantes, teológicas, culturais, e de transferência de tecnologia. Há muita gente boa entre nós, há muitas igrejas sérias, há muita gente inteligente e voluntariosa. Há muitos pentecostais que não se conformam com a meninice, com as heresias, com a falta de ética, com a manipulação de doutrinas bíblicas.
Existem coisas boas. Eu sei que elas existem. E, com o risco de parecer arrogante - embora eu saiba que o sou muitas vezes - digo que esse juízo crítico que ora declino é algo que Deus me concedeu, e que devo usar para Sua glória.

Convocação

Você que leu a postagem anterior (A Igreja brasileira está em Crise?) e entende que deve fazer alguma coisa...
Leia essa convocação:

SAIA ÀS RUAS, MONTE UM PÚLPITO EM QUALQUER ARENA PÚBLICA, ABRA SUA BÍBLIA E COMECE A EXPOR UM TEXTO BÍBLICO COM CLAREZA, VERSÍCULO POR VERSÍCULO. DIVULGUE E EXPLIQUE A MENSAGEM DO EVANGELHO. SEM NENHUM ESPÍRITO DE MESSIANISMO, FAÇAMOS ALGUMA COISA PELO NOSSO PAÍS.
Seu irmão em Cristo,
Alex Esteves da Rocha Sousa.

A Igreja brasileira está em crise?

Hank Hannegraff, que já foi ou é Presidente do Instituto Cristão de Pesquisas nos EUA, escreveu um livro intitulado Cristianismo em Crise, publicado no Brasil pela CPAD. No livro, ele trata do chamado "Movimento da Fé", de pessoas como Kenneth Hagin, Benny Hinn, Morris Cerullo, Frederic K. C. Price, T.L.Osborn (mentor de R.R. Soares), e tantos outros nomes e correntes variadas que de alguma forma representam esse movimento.
Com a importação, pela Igreja brasileira, de ensinos heréticos norte-americanos como a Confissão Positiva, que faz parte do Movimento da Fé, nós todos temos sofrido muito...
O Edir Macedo criou sua Teologia da Prosperidade, que por sua vez contém ensinos próprios daqueles líderes estadunidenses. Com isso, em vez de uma Igreja triunfante, temos crentes triunfalistas, "supercrentes", que são "filhos do Rei", e que por isso se acham "mais que vencedores" para adquirir bens materiais, status social, fama e dinheiro.
O já mencionado R.R.Soares tem ensinado com muita clareza a doutrina de um tipo de fé que na verdade difere da Fé Bíblica, porque consiste numa espécie de pensamento positivo. Os textos bíblicos são distorcidos, não consigo acreditar que alguém chame aquilo de evangelho, pois a essência da Fé, como confiança em Deus, é substituída por uma disposição mental em obter o que se quer, seguida de uma verbalização (confissão) em termos positivos.
No Brasil há atualmente um amontoado de ensinos e práticas heterodoxas, como os tais "atos proféticos", a consagração de apóstolos (!), o evangelho judaizante, o "profetize para o seu irmão que está ao seu lado", a regressão psicológica, a denominada "cura da alma", a maldição hereditária, o fetichismo com sal, óleo, urina, a idéia de que crentes salvos em Cristo podem precisar de libertação de demônios, a batalha espiritual, a elevação do método "igreja em células", também conhecido como G-12, como se fosse a nova onda e a nova visão que todos precisam adotar se quiserem crescer! É impressionante como nós brasileiros conseguimos piorar muito o que já é horrível.
Sei de um livro do Pr. Paulo Romeiro cujo título é Evangélicos em Crise. Preciso lê-lo. Numa breve resenha, dois autores, entre eles o admirável Pr. Augustus Nicomedus Lopes, dizem que o autor escreve mesmo é sobre os pentecostais, sendo que o livro deveria se chamar, para eles, Pentecostais em Crise.
No entanto, a crise é generalizada, pois igrejas históricas têm cedido a muitas besteiras que líderes insensatos ou maliciosos têm criado para confundir o povo de Deus ou para angariar dinheiro. Tenho dito em conversas com irmãos em Cristo que, se espremer bastante, dessa crise só vai sobrar uma causa: a ganância, o gosto pelo dinheiro.
Responda-me: por que doutrinas e práticas espúrias de grupos economicamente fortes não são duramente rechaçados por expoentes do mundo evangélico?
Por que alguém que antes pregava intensamente contra a Teologia da Prosperidade hoje sai dizendo por aí aos quatro ventos que você deve entregar dinheiro à igreja esperando algo em troca, como numa espécie de semeadura financeira ou investimento "espiritual"?
Por que tantos líderes querem fazer suas igrejas crescerem mesmo que ao custo de doutrinas fundamentais?
Por que alianças políticas promíscuas têm sido costuradas entre líderes eclesiásticos e candidatos dos mais diversos partidos?
Por que muita gente boa e séria tem se desiludido, tem se cansado de igreja, tem dialogado com outros irmãos procurando uma saída ou buscando refúgio?
Por que, enfim, tantas pessoas dizem que são evangélicas mas sequer conhecem as bases da Fé Cristã?
Você não vê crise nisso? Se você acha que sou um exagerado, me desculpe, mas sua opinião tão-somente revela que a crise existe.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Um crente que conheci

Conheci um irmão em Cristo que se converteu há muito tempo, e que tem uma história rica e edificante.
Tratava-se de um homem simples, às vezes simplório. Falava muito, tinha a emoção à flor da pele, e era uma mistura de iniciativa e inconstância. Uma vez chegou a dar um extraordinário passo de fé, mas vacilou e só não sucumbiu porque Jesus o segurou. Era mesmo uma pessoa arrojada...
Desde sua conversão, aquele irmão se tornou um discípulo fiel a Cristo, mas isso não o impedia de deslizar de vez em quando. Como falava demais, era duramente repreendido. Por outro lado, ninguém conseguia dizer coisas tão belas como ele. Que pessoa interessante!
A religiosidade tradicional também o atrapalhou. Seu coração era povoado de superstições e falsas idéias teológicas. Parece que não foi fácil para ele compreender Quem Jesus é e o que veio fazer no mundo.
A maturidade custou a chegar. Embora muito apegado a Jesus, no começo ele nem orava direito. Em um momento de oração, foi pego dormindo. Nem por isso deixava o jeitão atirado. Julgava-se incapaz de renunciar a Cristo ou causar escândalo.
Quando deparou com uma situação de crise, a maior de sua vida, aquele irmão não pensou duas vezes: lançou mão de uma arma e provocou séria lesão num soldado. Não fosse Jesus, aquele soldado estaria lesionado definitivamente.
Mas, apesar de sua coragem, acabou negando Jesus. Aquele foi o dia mais infeliz de sua existência. Graças a Deus, ele foi perdoado, e confessou a Jesus de maneira irrefutável.
Conquanto tenha se tornado líder na igreja, demorou muito para que aquele irmão entendesse o plano de salvação. E certo dia precisou receber uma visão celestial para que fosse evangelizar uma família inteira.
Deus concedeu àquele homem experiências carismáticas, capacitação na Palavra e uma importantíssima posição de liderança. Por incrível que pareça, outro líder teve que repreendê-lo severamente e em público, para evitar uma divisão no Corpo de Cristo. Esse fato demonstrou que a maturidade ainda não havia chegado. Mas ela finalmente chegou, porque é o Espírito que nos santifica.
Passado o tempo, tenho em minhas mãos duas cartas que ele deixou. Não entendo como um homem tão simples pôde ter escrito algo tão profundo e maravilhoso. São duas cartas belíssimas, que revelam um conhecimento vasto das coisas sagradas, e uma sublime exortação à fé cristã.
Esse irmão tem o mesmo nome de um tio meu, já falecido. O nome é Simão. Eu não conheci o meu tio, que morreu lá no Piauí, mas ouvia falar muito bem dele. Quanto ao Simão que me deixou as duas cartas, ele recebeu de Jesus um novo nome, e passou a ser chamado de Pedro. Um dia irei encontrá-lo.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Firmes em Cristo

Somos fracos, mas Jesus Cristo é forte. Nossa debilidade, quando se faz acompanhada de Cristo, apenas contribui para que O glorifiquemos. Assim, podemos dizer com o apóstolo Paulo: "Quando sou fraco, então é que sou forte" (II Co 12.10).
Mas, qual o contexto dessa intrigante e afirmação?
Paulo tinha um "espinho na carne" (II Co 12.7), algo que o chateava muito. Não nos interessa saber em que consistia esse problema. O fato é que, depois de pedir a Deus que o livrasse daquele "mensageiro de Satanás" (idem), que estava ali para o "esbofetear" (ibidem), o apóstolo ouviu do SENHOR a seguinte frase: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza" (II Co 12.9).
Sim, a graça é suficiente. Não importa a fraqueza do homem - a graça é maravilhosa. Aliás, quem se acha forte não será alcançado por ela, porque a graça é para os fracos. A graça é só para os fracos.
Ao ouvir as boas palavras de Deus, Paulo passou a se gloriar nas suas próprias fraquezas, a fim de que recebesse o poder de Cristo (II Co 12.9). De fato, a manifestação providencial dos Céus somente ocorrerá quando o indivíduo se aperceber de que sozinho nada poderá fazer. Foi Jesus quem disse isso: "Sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15.5).
Prosseguindo em seu discurso, Paulo afirma que sente prazer "nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias", tudo isso "por amor a Cristo", e termina com a frase que mencionei antes: "...quando sou fraco, então é que sou forte" (II Co 12.10).
Dessa forma, é preciso dar alguns passos: a) ter consciência das limitações humanas; b) ter consciência das limitações pessoais; c) entender que a graça divina basta a si mesma; d) alegrar-se com a certeza de que o poder de Deus habita o coração contrito.
Não andemos na toada do mundo evangélico-triunfalista, que proclama uma força estranha a Cristo, uma força de quem abraça uma fé individualista e extrabíblica. Não andemos conforme os que se acham mais espirituais só porque exercem certos dons espirituais ou foram nomeados para determinados cargos eclesiásticos. Não tomemos como referência os que imitam os fortes do mundo. Andemos, isto sim, como fracas ovelhas que, conduzidas pelo Sumo Pastor, acham águas de refrigério e pastos verdejantes, aqueles mesmos do Sl 23.

terça-feira, 25 de março de 2008

Conceitos distintos de fé

  • Confiança na Palavra de Deus - "se Deus disse, eu creio";
  • Pensamento positivo - "se eu quero, eu creio";
  • Credulidade - "se me dizem, eu creio";
  • Meio de ativar o poder de Deus - "se eu quero, Deus terá que me dar";
  • Crendice popular - "não creio em bruxas, mas que existem, existem".

Então, qual o seu conceito de fé?

Previsões que não podem deixar de se cumprir

Começo com uma anedota que talvez o leitor conheça:
Certo dia, uma suposta "profetisa" disse a uma grávida: Eis que o bebê que estás esperando é um varão. Mas, se duvidares, será uma varoa".
Ora, essa previsão jamais pode deixar de ser cumprida, pois tudo depende da condição estabelecida pela "profetisa": se a mulher não der à luz um menino, irá pensar que não teve fé suficiente.
Embora se trate de uma piada, e por mais que a situação pareça ridícula, isso ocorre todas as vezes em que pregadores mal-intencionados prometem aos ouvintes determinada coisa que, se não acontecer, terá sido pela exclusiva falta de fé do indivíduo que recebeu a promessa.
Andam proclamando prosperidade financeira, sentimental e tudo mais, porém sempre há a tal condição da "fé", que esses sujeitos chamam de "atitude de fé", e não de confiança na Palavra de Deus, como se a fé fosse um dispositivo mental que a pessoa precisa manter para receber bênçãos de Deus, como se o poder de Deus fosse ativado pela atitude de fé do indivíduo.
Assim, se a "bênção" acontecer, foi por causa da atitude de fé. Se a "bênção" não acontecer, foi por causa da falta dessa fé. Desse modo, considerando que muitas pessoas têm seus testemunhos para contar - seja devido à misericórdia divina, seja devido a uma casualidade - o fato é que outros se encorajam a pedir a Deus coisas que Ele não prometeu, que não constam da Palavra, ou que procedem tão-somente de corações egoístas.
Portanto, vivemos hoje a época das "profecias" que sempre serão cumpridas: quem for sábio, escapará delas, e de seus anunciadores.

Eufemismos

Para não dizer "improbidade administrativa", inventaram o "erro administrativo".
O que era "caixa dois" virou "recursos não-contabilizados".
À prostituta chamam de "garota de programa".
A incoerência política passou a ser mudança de opinião.
A falta de vergonha e de caráter tornou-se mero desvio de conduta.
E toda hipocrisia que se possa desnudar é resolvida pelo jogo de palavras.
Para cada pecado, um porém.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sobre nomes de igrejas

Na Internet, li ontem 400 nomes de igrejas, a maioria muito estranhos. Há várias categorias, como os nomes ridículos, os nomes heréticos, os nomes contraditórios e os nomes que exaltam a própria igreja ou seu líder.
Uma das coisas que me chamaram a atenção - e da minha esposa, que estava comigo - foram algumas igrejas que trazem no nome o adjetivo "cósmica". São igrejas que, muito mais do que as mundiais ou internacionais - sobre as quais escrevi numa postagem anterior - querem atingir o universo, o cosmos, o espaço sideral. Essas igrejas daqui a pouco serão chamadas de "interplanetárias", numa pretensa jornada nas estrelas.
Ora, se já existem ensinos relacionados a anjos humanizados que pretendem povoar os planetas, e que se dirigem contra Deus e contra a Bíblia - os chamados "humanóides" - por que achar impossível que surja uma igreja que se autodenomine "interplanetária", dizendo-se vocacionada a alcançar esse seres? É só uma questão de criatividade.

domingo, 23 de março de 2008

Uma estimativa

Pelo jeito que a Igreja evangélica brasileira anda, daqui a alguns anos estaremos evangelizando a nós mesmos. Sim, da mesma forma que precisamos evangelizar cristãos nominais ou "não-praticantes" da Igreja Romana, daqui a pouco evangelizaremos evangélicos.
De fato, há muitas pessoas que se dizem evangélicas, mas não no sentido clássico de alguém que se converteu a Cristo, mudou de vida e se submete a uma liderança pastoral. Hoje é bonito ser evangélico, artistas, políticos e outras pessoas famosas gostam de dizer que são evangélicas ou gospel. Há um mercado musical gospel, um mercado literário gospel e uma moda gospel. A indústria, o setor de serviços e os meios de comunicação de massa já começam a perceber o estilo de vida evangélico, por causa do crescimento desse grupo social. Todos sabem que há uma subcultura, quero dizer, uma cultura evangélica própria, dentro da cultura brasileira. Os comerciantes não querem deixar de ganhar dinheiro.
Com isso, com essa onda gospel, com essa facilidade de ser evangélico e até mesmo pastor, bispo ou apóstolo (!), o número de pessoas não convertidas nas igrejas evangélicas é cada vez maior. Alguém duvida disso?
É lamentável que nosso desejo de ver a Igreja crescendo no Brasil tenha ajudado a produzir um amontoado de práticas espúrias, que favorecem o "inchamento" (crescimento superficial), e não a conquista de almas para o Reino de Deus.
O Pr. Silas Malafaia disse em uma pregação que aqueles que dizem que a Igreja evangélica brasileira não está crescendo são despeitados. Eu, embora respeite muito o Pr. Malafaia, discordo dele. Creio que esse crescimento numérico não reflete o crescimento genuíno. Há um crescimento, eu sei, e não se pode negar que a Igreja de vinte anos atrás mudou muito. Mas é necessário ponderar nosso conceito de crescimento, pois de nada adiantará no futuro se tivermos que sair de porta em porta perguntando aos próprios evangélicos se eles não querem aceitar a Jesus.

O preconceito contra os evangélicos na TV

A Igreja Universal do Reino de Deus tem investido tenazmente contra a Rede Globo (e outros meios de comunicação). Dessa vez, munidos de uma emissora de grande porte (Rede Record), os bispos da Universal têm tentado mostrar que a Globo é preconceituosa quanto aos evangélicos.
Gostaria de fazer uma breve e singela análise do problema, nos seguintes tópicos:
  • É fato que as novelas da Globo geralmente apresentam uma imagem parcial e generalizada dos evangélicos ou seus líderes, como se fossem fanáticos, tacanhos, hipócritas ou ladrões.
  • Vou citar alguns exemplos: a) na novela América, uma personagem recente de Juliana Paes apresentava-se como evangélica, mas mantinha uma vida promíscua; b) o pastor estelionatário vivido por Edson Celulari na minissérie Decadência surgiu bem na época em que Edir Macedo ganhava notoriedade - sem falar na terrível cena da relação sexual dentro do salão da "igreja", focalizando-se a Bíblia etc.; c) agora em Duas Caras, uma mulher com jeito de débil mental, roupa parecida com as usadas por certos segmentos evangélicos, e uma Bíblia nas mãos, liderou uma agressão contra umas pessoas que mantinham um relacionamento amoroso considerado ilícito; d) em Tieta, a personagem de Lília Cabral aderiu a um grupo supostamente evangélico, e ficava falando "salve, aleluia, salve", com um comportamento estranho. Esses são alguns dos muitos casos que poderíamos pesquisar e mencionar.
  • Em contrapartida, espíritas e homossexuais aparecem como bons moços, pessoas bem-resolvidas, que dão conselhos aos outros e conduzem relacionamentos estáveis - enquanto os casais heterossexuais vivem se separando, as duplas de gays vivem sem crises.
  • É certo que existem evangélicos fanáticos, tacanhos, hipócritas e até mesmo ladrões, pessoas que se dizem seguidoras de Cristo, mas que não o são. No entanto, essa não é a regra dentre milhões de pessoas que professam a fé cristã e freqüentam igrejas evangélicas.
  • Pelo contrário, a Globo trabalha com generalizações e estimula, sim, o preconceito, pois usa estereótipos que não condizem com a essência do estilo de vida evangélico.
  • A maioria dos personagens evangélicos em programas da Globo são depreciados, e geralmente se mostram, deturpados, os costumes de alguns grupos, principalmente dos pentecostais, desprezando-se outros setores.
  • A idéia que o público tem ao assistir esse repertório global é a de que os evangélicos são aquilo que está sendo mostrado. Afinal, não é a própria Globo que se orgulha de influir na sociedade ao fazer campanhas em favor de deficientes visuais, excepcionais, idosos e portadores de leucemia? Não é verdadeira a frase de que "novela é coisa séria"? Não seria, pois, uma contradição admitir que novela é importante para a conduta do espectador, e ao mesmo tempo dizer que não é bem assim?
  • Por outro lado, há que se fazer uma ponderação: a) nós evangélicos não tínhamos nada que ficar assistindo novelas e minisséries da Globo, porque são produtos de baixa qualidade moral. Deveríamos fazer um jejum constante desse tipo de programa. O que ocorre é bem esquisito, já que a programação global é muito assistida por milhões de evangélicos, mas a Globo continua demonstrando cabalmente que não os quer como espectadores, pois fala deles como terceiros que merecem ser ridicularizados, como se nem fossem uma parcela importante da população. Com efeito, e graças a Deus, as novelas ainda não são feitas para nós! b) a Igreja Universal sabe ser evangélica quando lhe convém, usando reportagens para praticamente conclamar os evangélicos a uma "guerra santa" contra a Rede Globo, quando ela mesma não se acha tão evangélica assim. Explicando melhor: nos programas de rádio e TV, os bispos e pastores da Universal se referem aos espectadores dessa forma: "Você que é católico, evangélico, espírita ou livre-pensador, venha estar conosco...". Ora, se isso não for uma auto-exclusão do segmento evangélico, o que é então?
  • Penso que não devemos cair no erro de defender a Universal em tudo. Não precisamos ser capitaneados pelo bispo Macedo, se nem eles mesmos se consideram - ou se comportam - como evangélicos, se a sua prática e ensino se divorciam tanto do que as igrejas históricas e pentecostais fazem há décadas ou séculos. Definitivamente, não precisamos dessa liderança, e não podemos nos submeter ao jugo dos poderosos "evangélicos" só para fugirmos do jugo global, ao qual nos sujeitamos por livre vontade.

sábado, 22 de março de 2008

A Igreja do bairro tal em Las Vegas

É impressionante, mas algumas igrejas cuja denominação traz consigo o nome do bairro em que são sediadas acabam mantendo o nome do bairro mesmo quando estão em outras cidades, Estados ou...países.
Sim, isso existe, e eu não quero citar nomes para não constranger os membros dessas igrejas. Ocorre que nomes como Igreja do bairro tal em Las Vegas, que é hipotético, verdadeiramente existem, e soam como um terrível contra-senso, porque essas igrejas são brasileiras.
Ora, essa igreja é localizada no bairro tal e transporta o nome do bairro para outro país, outra cidade ou Estado, como se o nome do bairro fosse tão importante...Mas para esse pessoal o nome do bairro é importante para que todo mundo saiba que se trata deles, que eles chegaram lá, que a missão deu resultados, que é o mesmo grupo.
Em minha concepção, trata-se do apego aferrado a si.

Megalomania - uma doença de hoje

Megalomania é mania de grandeza, e tem sido vista em placas de igrejas por esse Brasil. É o caso de igrejas que, mesmo pequeninas, se dizem "igreja mundial", "igreja internacional".
Às vezes a igreja não passa dos limites do município, mas já é mundial ou internacional. Na placa, vem a explicação de que o templo é a "sede mundial", quando na verdade é o único lugar de culto.
Os pastores - ou quem sabe apóstolos, profetas ou bispos? - dessas igrejas irão dizer que o grupo pode ser pequeno, mas que a "visão" é grande, que Deus os chamou para as nações, que não há fronteiras etc. Esses argumentos são comuns, mas continuam soando para mim como sintomas de megalomania.
A Igreja de Cristo é, sim, universal, mas no sentido de que não conhece barreiras étnicas nem territoriais, sendo formada por pessoas das mais variadas tribos, línguas, povos e nações. Em contrapartida, ela se manifesta em igrejas, que são comunidades locais para adoração, ensino, comunhão e evangelização. Essa pluralidade deve ser louvada, em vez da internacionalização de um grupo hegemônico.
Somente as igrejas com grande poder econômico e de comunicação de massa conseguem alcançar vários países e manter um padrão institucional. Enquanto isso, pequenas igrejas ou seus líderes tentam imitar os "grandes", que "chegaram lá", que exportaram missionários, que constróem templos iguais aos templos daqui, que mantiveram o uniforme denominacional com eficácia.
Não creio que a implantação de igrejas em outros países deva ser impositiva a ponto de desprezar a cultura local e a eventual liderança nativa. Esse, porém, é outro assunto. Estou dizendo que as pequeninas igrejas de rótulo "mundial" e "internacional" dão a impressão de que almejam chegar ao mundo como as igrejas gigantescas fizeram.
Penso que internacional e mundial seja o Reino de Deus, não a minha denominação, que, sendo grande ou pequena, deve se ocupar primeiro dos que estão perto.
Conforme At 1.8, o poder do Espírito seria derramado para que a Igreja fosse testemunha em Jerusalém (missão local), Judéia e Samaria (missão regional) e até aos confins da terra (missão mundial). Depois da perseguição que se aplacou sobre a Igreja com a morte de Estêvão, os crentes saíram evangelizando, em vez de saírem anunciando a expansão do grupo de Jerusalém.
A megalomania é apenas um dos problemas que observo hoje em muitas igrejas. Assuntos relacionados podem ser comentados aqui depois.

A teologia de panfletos (II)

Seguindo nosso breve estudo sobre a teologia de panfletos distribuídos por igrejas neopentecostais para divulgação de seus eventos, tomo agora o caso de outro anúncio, de uma das igrejas neopentecostais mais antigas no Brasil.
Bem no centro do panfleto surge a fotografia do fundador da denominação. Aliás, seu nome aparece em todas as placas da Igreja. Fazem questão de dizer que ele é o fundador. É um homem de importância para os membros da comunidade, embora não apareça na TV nem seja conhecido do grande público.
O velho pregador aparece de jaleco branco, segurando a Bíblia aberta, com um sorriso paternal e "milhares" de muletas, cadeiras de roda e aparelhos ortopédicos atrás de si. Segundo o anúncio, são objetos deixados por pessoas curadas por Jesus "através da oração" desse homem.
Dessa forma, de jaleco branco e tudo, e com a frase de que a "medicina de Deus" vai operar "o milagre em você", a Igreja cujo nome não vou citar - por causa dos "fiéis" - acaba contrastando de algum modo a medicina dita de Deus com a medicina dos homens, como se as duas não fossem igualmente provenientes de Deus.
Sim, tudo o que é bom vem do SENHOR (Tg 1.17). A ciência pertence ao SENHOR (Rm 11.33). Quando consultamos o conhecimento do médico, tomamos um remédio ou nos submetemos a um tratamento ou cirurgia, é Deus quem está operando, não pode haver dúvida quanto a isso.
É Deus quem promove a cura, em qualquer situação, porque a medicina vem d'Ele. Do contrário, estaremos dizendo que o homem pode, sozinho, descobrir a solução de enfermidades, sem a provisão divina em termos de vocação do médico, capacitação, permissão para que haja hospitais, tecnologia e utensílios necessários à cura de doenças. Em última análise, tudo o que é bom vem de Deus, incluindo a inteligência dos homens.
Jesus cura, sim, de modo sobrenatural, e aqui estamos nos referindo aos "dons de curar" (I Co 12.9) e à oração da fé, que cura o enfermo (Tg 5.15). Há curas milagrosas, não tenho dúvidas quanto a isso. A questão é que não posso garantir que haverá curas, nem posso rejeitar a medicina.
Não é curioso que Paulo se fizesse acompanhar em suas viagens missionárias por um médico (Cl 4.14), e que esse mesmo médico tenha sido usado por Deus para escrever o terceiro Evangelho?
Na ilha de Malta, parece que o médico Lucas teve oportunidade de empregar seus conhecimentos médicos, quando diagnosticou no pai de um chefe local um estado de ardente febre e disenteria. De acordo com o Novo Comentário da Bíblia (Edições Vida Nova, V. II, 1963, p. 1148), "Toda a história da permanência do narrador em Malta é contada do ponto de vista de um médico' (Harnack)".
Naquele instante houve cura pelas mãos de Paulo, com oração (At 28.7,8-9), mas também há um indício lingüístico de que Lucas tratou dos moradores da ilha no sentido terapêutico, de tratamento médico mesmo (At 28.9). Então, Paulo curou segundo a "medicina de Deus", como quer a teologia do panfleto mencionado, e Lucas curou pela "medicina dos homens". Tudo bem.
Devemos analisar as coisas com muito cuidado. Essa tendência de refutar o conhecimento científico é uma das características de movimentos que não possuem uma boa teologia da Criação, e que espiritualizam a vida.

A teologia de panfletos (I)

Estou pensando em colecionar esses panfletos distribuídos por igrejas neopentecostais quando querem divulgar eventos. Já estou com dois panfletos muito interessantes. Posso até utilizá-los numa pesquisa teológica, não?
O primeiro deles promove uma "cruzada de milagres". Acho muito curioso o uso da palavra "cruzada", pois bem sabemos que as cruzadas foram investidas militares da Igreja Romana contra os muçulmanos na chamada "Terra Santa", nos tempos recuados da Idade Média. O objetivo era conquista territorial, vendido, porém, como guerra santa, guerra religiosa. De toda maneira, o vocábulo é usado largamente na seara evangélica, como nessas cruzadas evangelísticas que muitas igrejas fazem pelo Brasil, ou nas famosas cruzadas de Billy Graham, de Bernard Johnson, por exemplo.
Mas é uma cruzada de milagres. Esse é o atrativo, haverá coisas extraordinárias acontecendo, fenômenos que desafiam as leis naturais. Pessoas irão atrás de milagres. Geralmente, essas pessoas já freqüentam alguma igreja evangélica. Logo, os milagres serão um atrativo para os próprios crentes.
O mesmo anúncio oferece cura, como quem oferece qualquer produto ou serviço. Diz assim: "Venha receber sua cura". É certo e seguro, não há riscos.
O panfleto ainda traz duas outras informações: o pregador é usado em "revelações"; e nesses dias de evento "você vai descobrir o que está errado em sua vida". Essas duas propostas merecem alguns comentários.
Como membro de Igreja pentecostal, eu creio em dons espirituais do tipo carismático. Creio em profecias, glossolalia com interpretação, palavra do conhecimento, palavra da sabedoria, enfim, nos dons de verbalização e em todos os outros, como os dons de curar e a operação de milagres. Assim, não tenho problemas em crer na revelação como comunicação particular e direta de uma palavra concedida pela atuação do Espírito na igreja. Mas precisamos ter cuidado em todas as coisas.
O apóstolo Paulo afirma em I Co 14.26:
"Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina, este traz revelação, aquele outra língua, e ainda outro interpretação. Seja tudo feito para edificação" (grifei).
Creio que a revelação de que Paulo está cogitando é relacionada à palavra de conhecimento, como quando um servo de Deus se levanta na reunião e começa a dizer coisas acerca de um dos presentes, mas sempre para edificação, jamais como adivinhação nem fonte de constrangimento. Não se trata, nem de longe, da Revelação que os apóstolos e profetas receberam para escrever os Livros bíblicos, pois esta já cessou. Estamos mencionando a revelação como dom no curso do culto público.
E é isso que quero destacar: Paulo diz "quando vos reunis", e não "para que vós alcanceis visitantes". Os dons no culto público não servem como chamariz de platéia, mas de manifestações sobrenaturais do Espírito de Deus para crescimento coletivo da Igreja.
Outra coisa que precisa ser dita é que não é um culto nem um pregador, num dia marcado, que vai dizer o que está errado em minha vida. Pode até ser que, chegando lá, a pessoa descubra isso, mas não se deve fazer propaganda de um acontecimento de que não se tem certeza nem domínio. Fica parecendo que aquele evento é singular, especial, diferente, formidável, um dia para ser lembrado para sempre. Lembremos que a maioria das pessoas que buscam esse tipo de evento são os próprios crentes, que, em tese, têm como dia mais importante de suas vidas o dia em que aceitaram a Jesus como Salvador e Senhor.
Para terminar, apenas uma analogia: no Código de Defesa do Consumidor, um simples panfleto obriga o fornecedor do produto ou serviço a prestar exatamente aquilo que está escrito. É claro que existe a liberdade de culto, de consciência e de crença, o Direito não vai intervir numa relação inteiramente religiosa. Contudo, pensando em termos teológicos, será que também na esfera espiritual a proposta não vincula o ofertante? Dito de outro modo: não seria de bom alvitre os líderes de igrejas refletirem muito bem sobre promessas que jamais poderão cumprir? Não estariam eles sendo como fornecedores que não têm como cumprir suas obrigações, e que só fazem promessas porque querem atrair "frequesia"?
P.S.: O outro panfleto fica para depois.

Comentando a auto-apresentação de uma Igreja

No "site" de determinada Igreja ainda não tão conhecida - mas que já tem uma "filial" em Campo Grande-MS, bem perto de onde eu moro - a apresentação diz exatamente isso: "Com sua doutrina não ortodoxa, segue a risca os ensinamentos bíblicos" (sic). O destaque é meu.
Então, a Igreja - cujo nome não cito por questão de ética - se classifica como não ortodoxa. Tudo bem, não sei se isso é alguma vantagem, não sei o que ela entende por ortodoxia, não sei se é contrária ao que se costuma chamar de doutrina ortodoxa. O curioso é alguém se orgulhar de não ser ortodoxo, porque ortodoxia significa literalmente "crença correta". Assim, vemos que faltou uma explicação.
Mais do que isso, a Igreja diz que segue à risca os ensinamentos bíblicos. Ora, se ela não é ortodoxa e segue à risca os ensinamentos bíblicos, segue-se que os ensinamentos bíblicos não são ortodoxos. Para essa Igreja, ou pelo menos para quem escreveu isso no "site", seguir a Bíblia é não ser ortodoxo!
Não ser ortodoxo é ser "heterodoxo", também conhecido como "herético". Não creio que essa Igreja tenha querido dizer isso. Ninguém vai proclamar: "Siga-me, pois eu ensino heresias". A pecha de heresia sempre é atribuída por terceiros, jamais pelo próprio indivíduo denominado herege.
Noutra ordem de idéias, não-ortodoxo é o adepto de alguma das correntes da teologia liberal ou modernismo, que se opõe aos chamados fundamentalistas. Dependendo da linha que se considerar, o liberalismo teológico a) desprestigia as Cartas de Paulo; b) não acredita no Cristo da Fé, somente no Jesus histórico; c) diz que Jesus foi apenas um modelo ético; d) descrê em milagres, na Ressurreição de Cristo, em tudo o que é sobrenatural; e) entende os relatos bíblicos como fruto da consciência ou experiência religiosa de um povo através dos séculos; f) prega uma escatologia sem a volta de Jesus e sem os eventos conseqüentes; g) não crê na inspiração, autoridade doutrinária e inerrância das Escrituras.
Portanto, para não ser ortodoxa, essa Igreja tem duas hipóteses, quais sejam, é liberal ou entrou em contradição, porque diz seguir a Bíblia à risca e ao mesmo tempo diz não ser ortodoxa.
Mas há ainda uma terceria hipótese! Essa Igreja pode se dizer não ortodoxa frente àquilo que os outros chamam de ortodoxo, colocando-se como uma alternativa mais bíblica. No entanto, pelo que eu vi no "site", duvido muito de que eles tenham sido tão arrojados e vanguardistas. Prefiro atribuir a frase a um terrível lapso. Afinal, lapsos também existem.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Política de nomes - não de idéias

Para a eleição presidencial de 2010, já se discute há tempos a eventual candidatura de José Serra, Aécio Neves, Ciro Gomes, Patrus Ananias, Dilma Rousseff, Marta Suplicy - apenas para citar os nomes mais comentados.
Serra, o mais conhecido nacionalmente, ex-ministro da Saúde, ex-prefeito da cidade de São Paulo, agora governador do Estado de São Paulo. Um homem competente e sério, mas que incidiu no grave erro de não cumprir um compromisso público, ao deixar a prefeitura paulistana para se candidatar ao governo paulista. Um homem de boas idéias, mas que não as empregou como poderia, pois seu desejo é ser presidente, e não governador nem prefeito. O amanhã atrapalhando o presente...
Aécio, governador de Minas, herdeiro político de Tancredo, que gosta de falar em alianças, em "Minas unida", em candidatura natural, com maioria. Parece que Aécio substitui a idéia pela hegemonia. De fato, ele criou uma base amplíssima para governar seu Estado nos dois mandatos. Na segunda vez em que disputou o Palácio da Liberdade - nessa época eu ainda morava em Minas - Aécio passou como um rolo compressor sobre os outros candidatos, principalmente por Nilmário Miranda (PT), que sequer parecia ter o apoio verdadeiro do Lula. Para piorar, a maioria dos candidatos ao Senado apoiava Aécio. Agora ele quer uma aliança ampla para Belo Horizonte, e depois certamente quererá uma ampla aliança para chegar ao Planalto. É como se Aécio pensasse assim: não preciso convencer o eleitor; preciso, antes de tudo, convencer os políticos.
Foi o próprio Ciro Gomes quem disse aprovar a hegemonia PT-PSDB, contra o que ele chama de "escória política". Isso deve ter alguma coisa a ver com o fato de que em Belo Horizonte a tentativa é lançar Mário Lacerda, do PSB (Partido de Ciro), a prefeito. Vamos ver até quando essa hegemonia não pisa sobre o próprio entusiasta.
Patrus Ananias eu confesso que respeito. Tem fama de ter sido um bom prefeito de Belo Horizonte, uma pessoa quase franciscana, de fala humilde, que consegue não aparecer mesmo sendo Ministro do Desenvolvimento Social, e portanto responsável pela administração de programas sociais que tanto fazem a alegria dos...petistas. Mas, no uso de minha quase nula lucidez política, digo que ele não será candidato.
Já a Dilma Rousseff é "mãe do PAC", segundo o pai do PAC, que é ninguém menos que o Lula. Quando o pai reconhece quem é a mãe, acho que temos um bom começo. Mas a ex-guerrilheira que parece general não tem muito jeito para a política, tem?
Marta Suplicy deveria ser esquecida pelo eleitor de uma vez por todas. Se o Brasil fosse um país sério, ela teria sido demitida no ato quando, na condição de Ministra do Turismo, sugeriu o famoso "relaxe e goze" para as pessoas que sofriam com o caos aéreo. É o exemplo claro de uma pessoa sem nenhuma sensibilidade social (ah, ainda podemos usar a palavra "social", o PT não patenteou por enquanto).
A questão é que estamos tratando só de nomes, e não de idéias. Eu fico pensando que o jornalismo político gosta disso, pois trata os políticos quase como artistas, e não há uma discussão importante sobre as idéias desses aspirantes a presidente, ou desses de quem se diz ter potencial para o cargo. Discutimos mais os nomes, e mesmo os partidos ficam discutindo quem é o melhor para vencer, e não quem é o melhor para defender o programa político!
Realmente voltamos à velha necessidade de reforma política. Mas, que reforma será útil se não se mudarem os políticos?

Alguns absurdos do país do absurdo

Eis uma pequena lista de absurdos que eu gostaria de destacar:
1) Aqui em Mato Grosso do Sul, emissoras de televisão transmitem diariamente programas sensacionalistas apresentados por políticos em pleno exercício de mandato. É claro que eles aproveitam o espaço para anunciar seus projetos "sociais". Isso não deveria ser proibido pela legislação eleitoral? O fato é que eles estão utilizando seu poder de comunicação para estabelecer uma hegemonia política no Estado!
2) Em discurso na formatura da primeira turma da Unipalmares, o presidente Lula disse que não deseja criar faculdades para negros e faculdades para brancos. Ora, mas foi justamente isso o que ele fez, uma faculdade só para negros! Isso é forçar um apartheid ou eu estou ficando com dificuldade de compreender as coisas?
3) Há uma onda pró-Lula e pró-PT grassando na Internet (e em tudo). Muitas vezes leio, em "sites" de jornais, comentários favoráveis ao Lula, partindo de leitores a respeito de notícias de corrupção, escândalos e incompetência governamental. Diante dos piores crimes contra o patrimônio e as finanças públicas, leitores dizem que antes era igual ou pior, que as elites estão com raiva das conquistas dos pobres, que as elites não gostam da idéia da chegada de um operário ao poder, que a mídia distorce os fatos, e uma série de afirmações carregadas de rancor. Dá a impressão de que se faz uma orquestração, como aquela que a Universal deve estar fazendo junto a "fiéis" perante a Justiça de diversos Estados contra jornais de circulação nacional.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pregações fora da realidade

Fico impressionado com tantas pregações desprovidas de apego à realidade. O pregador fala coisas tão distantes e muitas vezes extra-bíblicas, que me pergunto se aquilo é mesmo um serviço a Deus.
É necessário falar de escatologia, eu sei, bem como do trabalho de anjos em prol dos servos de Deus e da ação do Espírito Santo, esses assuntos do campo espiritual. No entanto, conduzir um ministério da Palavra exclusivamente sobre bases de escatologia, angelologia e pneumatologia, apenas para citar alguns exemplos, e, pior ainda, fazer isso precariamente, constitui um prejuízo para a Igreja.
Mais do que isso, há aquele uso impróprio de alegorias, fruto da imaginação do pregador, e não de uma hermenêutica criteriosa. As alegorias devem ser limitadas pelo próprio texto bíblico, sob pena de se dizer qualquer besteira que se tenha na mente.
A Escritura Sagrada é tão rica em ensino e ao mesmo tempo tão desprezada em seu conteúdo, que me faço a seguinte pergunta: será que esses pregadores não têm conhecimento bíblico-teológico ou têm conhecimento mas não querem falar de temas que mexem com os ouvintes e que podem mudar estruturas?

terça-feira, 18 de março de 2008

A banalização do ofício de teólogo

O senador e bispo licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ) e o ex-deputado federal Victorio Galli (PMDB-MT) prestaram um desserviço à causa teológica ao propor dois projetos de lei em que pretendem dar ao ofício de teólogo uma definição amplíssima.
De acordo com o projeto do Senador Crivella (PLS 114, de 13 de abril de 2005), passará a ser teólogo o não-diplomado que há mais de cinco anos exerça a atividade. Seria, grosso modo, como a usucapião: reconhecimento jurídico de uma situação de fato por causa do decurso do tempo.
Já pensou o direito reconhecer um rábula como advogado, sem que tenha freqüentado uma faculdade de Direito, e sem que tenha, enfim, aprovação no exame da OAB? Já pensou um dentista prático, sem diploma, sem acompanhamento de professores habilitados, podendo tratar dos dentes das pessoas, porque o direito lhe reconheceu isso pelo decurso do tempo? É um verdadeiro absurdo, que revela o desprestígio que o ofício de teólogo possui para o Senador Crivella.
Quem valoriza uma profissão não a reconhece em não-diplomados só porque a exerceram num determinado lapso temporal. É como se o Senador nos dissesse: "Não se preocupem, os estragos morais, intelectuais e espirituais não podem ser tão graves quanto os estragos civis, patrimoniais ou odontológicos" (ainda pensando no exemplo acima).
O PLS 114/2005 já passou pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado e está pronto para votação, não sem antes ter passado pelo Senador-pastor Magno Malta (PR-ES). Esse projeto pode se tornar lei em pouco tempo.
A seu turno, o projeto do ex-Deputado Galli (PL 2407, apresentado em 12/11/2007) é ainda mais "ousado". Reja o seu Artigo 2º:
"Art. 2º. Teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social junto à comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição".
E, por incrível que pareça, o projeto consegue ser irônico a ponto de estabelecer que "o exercício da atividade de Teólogo em desacordo com a presente lei caracteriza exercício ilegal da profissão" (Art. 5º). Ora, com um conceito elástico como esse, quem exercerá ilegalmente a profissão? Só se for a pessoa que simplesmente diz "sou teólogo", mas que não se enquadra em nenhum daqueles itens do Art. 2º, sequer realizando uma "vida contemplativa".
Serão teólogos, portanto, quaisquer membros de igreja que detenham o mínimo interesse pelas atividades eclesiásticas, pelo serviço do Reino. Também serão teólogos os assistentes sociais, porque fazem ação social comunitária, os pastores, os professores de Escola Dominical, os membros de equipes comissionadas para certos fins para-eclesiásticos, os de vida monástica, os sujeitos mais devotados aos trabalhos diários de suas igrejas, porque meditam e não saem dos templos.
Ou será que todos esses requisitos devem se encontrar na mesma pessoa para que ela seja chamada de "teólogo"? Aí temos uma hipótese pouco crível, porque se observa claramente que a intenção do projeto (a ratio legis) é justamente dar ao pastor um título profissional fácil de ser conseguido, porque as atribuições ali são fundamentalmente pastorais, ou seja, o pastor (e o padre, é claro) é a personagem que mais se desenha no arquétipo do projeto.
O projeto do ex-Dep. Galli já saiu, sem emendas (!), da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, e segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para avaliação, naturalmente, de sua constitucionalidade, num controle preventivo que os deputados (dizem que) fazem. O que acontecerá depois?
De um lado, temos o desprezo pela profissão de teólogo, que já é regulada e possui uma corporação para defesa de seus interesses, o Conselho Federal de Teólogos. De outro lado, temos uma confusão entre teólogo e pastor, que - agora em termos teológicos - são figuras totalmente diferentes: nem o pastor é necessariamente um teólogo nem o teólogo é necessariamente um pastor. Embora isso possa coincidir numa só pessoa, as funções, os dons, são distintos. Pastor é líder, orientador, conselheiro, doutrinador, provedor de alimento espiritual. Teólogo é mestre, ensinador, pensador, crítico, formador de opinião, pesquisador, estudioso. Não se confundem os ofícios jamais!
Sabem o que eu penso quando vejo impropriedades como essas? Que saudades eu tenho de quando nós evangélicos não tínhamos tantos políticos em Brasília! A maioria dos que lá estão são despreparados, totalmente alheios a uma boa técnica legislativa, e suas proposições me fazem corar de vergonha.
Fontes pesquisadas para redação do artigo:
http://www.camara.gov.br/ : pesquisa de projetos de lei.
http://www.senado.gov.br/ : pesquisa de projetos de lei.

segunda-feira, 17 de março de 2008

O problema das igrejas-auditório

Dentre as figuras de linguagem que a Bíblia emprega sobre a Igreja (e.g., ramos da videira, rebanho de ovelhas, casa espiritual, edifício de Deus, lavoura de Deus, corpo humano, esposa do Cordeiro), nenhuma delas se aproxima da imagem de auditório. Destaca-se, isto sim, a nutrição espiritual em Cristo (ramos da videira), a liderança, proteção e provisão de Cristo (rebanho de ovelhas), o sacerdócio universal dos crentes (casa espiritual), a edificação harmoniosa da coletividade em Cristo (edifício de Deus), a frutificação do trabalho de Cristo (lavoura de Deus), a utilidade e interdependência dos membros por causa dos dons (corpo humano), o caráter santo e a espera da parousia (esposa do Cordeiro).
Em nenhuma dessas figuras - e existem outras - a Igreja é retratada como simples espectadora de um líder ou grupo de líderes. A Igreja é atuante, participativa, sujeito, agente, e todos esses adjetivos e substantivos que se queira dar para referir uma condição que passa longe da inércia.
A Igreja é liderada por pastores, sim, mas eles são também ramos da Videira, ovelhas do Sumo Pastor e Bispo de nossas almas, sacerdotes, como todos os crentes, pedras que vivem, como todos os crentes, plantas na lavoura de Deus, como todos os crentes; exercem seus dons e ministérios em dependência de Cristo, a cabeça, e dos demais membros, porque os pastores também são membros do Corpo de Cristo; enfim, os pastores - ou quaisquer outros líderes com nomenclatura diversa - devem zelar pela santidade pessoal e aguardar a vinda de Cristo.
Os pastores são servos dos servos. Os pregadores, quando lançam mão do púlpito, têm sobre seus ombros grande responsabilidade, não deveriam usar o poder da palavra - refiro-me à oratória, ao talento natural - nem os dons espirituais da palavra - refiro-me a qualquer dom relacionado à pregação - repito, não deveriam usar esses talentos e dons para manipular a "platéia", dirigir o culto como se fossem animadores de auditório, apresentadores de programa de televisão ou show-men (uso a expressão inglesa no plural), enquanto o povo fica ali, às vezes deslumbrado, às vezes cantando e se emocionando, e às vezes sem paciência com reuniões intermináveis em que até a cadeira confortável e o ar-condicionado perdem o valor.
Tenho dificuldade com isso, não gosto de ficar sentado vendo e ouvindo apresentações musicais que podem servir muito para agradar aos cantores, mas que não edificam a Igreja ou que não trazem conteúdo cristão. Podem até trazer, mas o excesso de músicas num culto e a extrapolação do tempo regular, quando se tornam rotina, mostram que alguma coisa está errada, que o foco pode não ser o louvor a Deus.
As igrejas-auditório são um problema geral. Quem quer saber de Escola Dominical, em que o aluno precisa ouvir pelo menos 50 minutos de um ensino sistematizado da Bíblia? Quem quer saber do ensino, que pressupõe bilateralidade, raciocínio e reflexão? E mais: quais são os pregadores famosos ou aspirantes a famosos que se expõem a dar aula na Escola Dominical? Sim, senhores, coloquem um pregador de multidões diante de 15 ou 20 alunos de Escola Bíblica, e vejam se ele tem conteúdo, vejam como será o seu desempenho sem os gritos e performances, sem os pulos e frases-de-efeito, sem o clima de expectativa que o envolve.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Uma pergunta para refletir

Se o cristianismo evangélico está crescendo tanto no Brasil, com estatísticas exaltadas em torno dos 30 milhões, por que não se observam transformações sociais importantes? Duas hipóteses: ou não somos tantos assim, ou não estamos cumprindo nossa missão integral. Creio, na verdade, que as duas hipóteses estão corretas. Nem somos 30 milhões de verdadeiros cristãos - porque muitos só participam de "campanhas" em igrejas de massa - nem estamos exercendo nossa responsabilidade de anunciar o Evangelho e denunciar o pecado generalizado.

Algumas características de quem restringe o Evangelho à mera religiosidade ou espiritualidade:

1) Não aprecia temas científicos nem filosóficos;
2) Acredita que tudo o que vem do ser humano é necessariamente ruim;
3) Não gosta de política;
4) Não valoriza a exposição racional das Escrituras;
5) Dá ênfase demasiada à experiência;
6) Não entende a responsabilidade social cristã;
7) Não adota uma boa teologia da criação, e por isso não se exercita nos princípios divinos sobre a instituição da família, da sociedade, do trabalho.
8) Não consegue desenvolver uma escatologia que pressupõe a regeneração de todas as coisas, como o meio ambiente.
Essas características podem ser encontradas em diversas pessoas à nossa volta. Talvez em você mesmo, amigo leitor.

terça-feira, 11 de março de 2008

Ortodoxia, teologia, doutrina e heresia

Ortodoxia é o nome que se dá a uma doutrina - ou conjunto de doutrinas - quando considerada bíblica.
Teologia é uma corrente de pensamento sobre a Palavra de Deus. Pode ser bíblica ou não, liberal ou "ortodoxa", ou ainda "neo-ortodoxa".
Doutrina é um conjunto de crenças de um grupo eclesiástico. Pressupõe uma posição teológica, sistematizada ou não.
Heresia é um ensino considerado não ortodoxo.
Tudo isso é muito mais complexo do que se imagina:
O que eu considero ortodoxo pode ser heterodoxo para meu irmão de outra igreja ou corrente teológica. E vice-versa.
A doutrina, embora fundada numa visão teológica, não raro se divorcia da Palavra de Deus, e os mais fracos precisam se ajustar ao dogma em prol da comunidade, da submissão aos líderes, da humildade de servo.
Heresia pode ser um conceito político. O "herege" pode ser, na verdade, uma pessoa inteligente, que enxerga além da mediocridade; ou uma pessoa combativa, que não aceita ensinos e práticas deturpadas. Chamam-no de herege porque ele é um perigo para os poderosos - registre-se que existem os hereges no sentido do falso ensino, mas também existem os hereges no sentido político. Quero ser bem entendido, se é que alguém vai ler isso!

A lógica das esquerdas

A lógica das esquerdas é a seguinte: quando estão na oposição, clamam contra tudo o que vem do governo; quando estão no governo, dizem que as "elites" não querem que o país dê certo.
O presidente Lula faz quase tudo o que recriminou quando era membro da oposição. Praticamente pediu que esquecêssemos o que ele pregava quando candidato à presidência em 1989, 1994 e 1998.
FHC pediu que esquecêssemos o que ele escrevera como sociólogo. Ele também é oriundo da esquerda, embora uma esquerda menos amarga e mais inteligente. Assim, nossos derradeiros presidentes pediram que esquecêssemos o que eles haviam feito a vida toda. Lula rejeitou sua biografia; FHC, sua bibliografia.
Os sem-terra (Via Campesina e MST) têm promovido depredações em propriedades privadas da Monsanto, da Vale, de uma siderúrgica no Maranhão. É a coisa mais feia do mundo aquele pessoal quebrando, arrancando, destruindo, violando. Eles não querem plantar nem construir, mas destruir e desarraigar. É a lógica anti-instituição, anti-governo, anti-direito.
A esquerda brasileira e latino-americana não sabe conviver com a democracia. Ela prega contra a liberdade de imprensa, contra os mecanismos civilizados de organização política. A ordem é vista como estrutura a favor das "elites". Usam a democracia enquanto lhes convém.
O governo petista parece querer a estatização da vida - a ideologia governamental na TV estatal, a "igualdade racial" imposta por um sistema arbitrário de cotas, a escola integral, modificações nos currículos escolares para introdução de matérias que "explicam" como as elites dividiram o Brasil em pobres e ricos, negros e brancos.
Os regimes autoritários e totalitários começam com um líder muito forte e uma idéia vendida como sendo muito boa. Com uma solução de problemas que afetam a maioria carente, um parlamento sem credibilidade e uma deseducação ancestral, tem-se a fórmula perfeita para a instalação de governos ditatoriais, de salvadores-da-pátria.
Não quero assustar ninguém, mas me assusto com a possibilidade de estatização da vida. Em minha humilde concepção, o esquerdismo tupiniquim não sabe fazer outra coisa senão dividir, afastar, diminuir, romper, reinventar a roda. É uma lógica do atraso, do ideologismo que sabe muito bem ser pragmático quando pretende se impor.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Humildade nunca é demais

Ser humilde não desagrada, fica bem em qualquer situação. Não se trata de se aviltar diante das pessoas. Às vezes, o humilhar-se é necessário como forma de obter perdão, reconciliação. Humilhar alguém é pecado, mas humilhar a si mesmo é salutar, no sentido de mostrar-se despretensioso.
Em Mt 5.3, no Sermão da Montanha, Jesus diz que são bem-aventurados os "humildes de espírito" (ARA) ou "pobres de espírito" (ARC), pois deles é o Reino dos Céus. Além de não entenderem o que significa a expressão "pobre de espírito" - porque dizem ser algo ruim -, as pessoas em geral não valorizam a humildade. Ser pobre de espírito é não confiar na própria força ou méritos, não ter orgulho, vaidade exagerada. A pessoa pobre de espírito, ou humilde, entende que em si mesma nada possui de vantajoso, mas que em Cristo há todas as riquezas nas quais se pode estribar.
A sociedade pós-moderna enaltece o herói, o vencedor, o campeão, o protagonista. Os norte-americanos contribuem para isso com sua lógica de mercado aplicada a tudo. Na escolha do próximo presidente dos Estados Unidos, parece que muitos votarão pelo que venceu mais na vida, ou perdeu menos. É isso que transparece nas reportagens da TV.
O conceito triunfalista da vida migrou para as igrejas brasileiras. Fala-se, não da humildade, mas da necessidade de ser o primeiro, um vencedor, um campeão, cabeça e não cauda.
Há uma hinologia "gospel" toda voltada para o tema da vitória, notadamente entre os pentecostais e neopentecostais (como sou de igreja pentecostal, essa é uma autocrítica).
Parece-me que muitas músicas evangélicas falam a mim como o centro do universo, quando há ao meu lado e ao redor, dentro do templo, uma série de pessoas achando-se também como os principais ali dentro, como se a mensagem fosse para cada uma delas, como se houvesse um grupo formado por solistas, ninguém querendo o papel coadjuvante.
Jesus é "manso e humilde de coração", e quer que aprendamos com Ele (Mt 11.29). A humildade tem tudo a ver com o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), com o amor (I Co 13). Ser humilde não é ser tolo, coitado, inferiorizado, triste, cabisbaixo. Ser humilde é assemelhar-se a Jesus, que em Seu sacrifício vicário e expiatório se comportou voluntariamente como ovelha guiada para o matadouro, com toda a humildade que o caso requer, assim como no retrato profético da lavra de Isaías (53.1-12).

quarta-feira, 5 de março de 2008

Como a Rede Globo é tendenciosa...

Sou plenamente a favor da liberdade de imprensa. Mas também uso de juízo crítico, e, como telespectador consciente, reconheço situações de indução jornalística. Tendo em vista que hoje o Supremo Tribunal Federal deve julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3510, sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias, permitidas, sob condições, pela Lei nº 11.105/2005, a televisão tem transmitido reportagens a respeito do tema.
No entanto, especialmente a Rede Globo já começa a reportagem mostrando algum paciente com enfermidade degenerativa, alguma criança que precisa do avanço da ciência para viver melhor. Ora, isso é argumentar favoravelmente a uma corrente, com fundamento na comoção do público. Não é justo com a corrente contrária fazer matérias que nitidamente apelam para a emoção, e que não expõem com clareza quem defende o que, como defende, em que bases defende, e quais as alternativas a essas pesquisas com céluas-tronco embrionárias.
Também costuma-se dizer que a posição do então Procurador-Geral da República, Cláudio Fonteles, é fundada exclusivamente na religião. Isso é desqualificar o debate e os debatedores, pois há argumentos jurídicos e científicos. A petição da ADI 3510 não cita a Bíblia nem a tradição católica, mas artigos da Constituição de 1988 e pareceres de renomados cientistas.
Portanto, creio que a Rede Globo está prestando um desserviço à Nação nesse aspecto.

terça-feira, 4 de março de 2008

Para pensar

Há os arrogantes que acham que sabem muito, e os arrogantes que se vangloriam de não saber. Não quero a arrogância de dizer que sei muito, nem a arrogância de dizer que não preciso do conhecimento.

A tendência de espiritualizar tudo

Por que muitos crentes gostam de espiritualizar tudo? Parece que na mente dessas pessoas todas as coisas têm uma explicação espiritual, histórico-redentiva. Por isso, não conseguem explicar o relacionamento do cristão com a política, a sociedade, as instituições, a ciência, a filosofia. Acham que tudo o que não for "espiritual" é carnal ou demoníaco.
Esse pensamento é equivocado. Os que espiritualizam a vida não possuem uma teologia da criação, mas apenas uma teologia da redenção, e isso quando realmente têm uma teologia formada. Vêem o mundo somente depois da Queda, não observam princípios eternos nem instituições pré-tentação, como a família, o trabalho, o mandato cultural e a sociedade.
Adão e Eva foram criados antes do pecado. Eles cuidavam do jardim do Éden, Adão o lavrava e guardava. O trabalho, portanto, não adveio do pecado, mas a exploração do trabalhador e a necessidade de suar para obter o sustento.
As pragas, sim, vieram com o pecado, mas não a agricultura.
O princípio gregário (da socialização) foi instituído por Deus (Gn 2.18).
As relações sociais não começaram com o pecado - foram deturpadas por ele.
Adão nomeou os animais usando de uma criatividade que o SENHOR lhe concedeu.
Tudo era "bom", o ser humano era "muito bom", Deus fez o homem reto, esse é o estado de inocência.
Havia propósitos divinos no Éden, e o Apocalipse, em conjunto com Livros proféticos, nos diz que o plano de Deus não se esgotou, que haverá uma restauração. Haverá o novo, o renovado.
Jesus veio para "desfazer as obras do diabo", para "dar vida", para fazer "novas todas as coisas", para regenerar. A redenção é como que uma recriação, tornando-nos novas criaturas, andando em "novidade de vida".
Tratar de assuntos "seculares", como sociedade, política, economia, ciência, filosofia, não é, a princípio, afastar-se de Deus, porque o conhecimento e a sabedoria procedem de Deus. Afasta-se de Deus quem peca.
Aliás, "atacar" alguém, chamando-o de racional, não é atacar, mas elogiar. Da mesma forma, se me chamarem de humano demais, não acharei ruim, porque a verdadeira humanidade reside em Cristo, que me salvou. Dizer que a humanidade é necessariamente pecaminosa deve estar no contexto apropriado da teologia da redenção. No entanto, não posso afirmar que o ser humano é ruim desde sempre, porque o Criador não nos concebeu para o pecado.
Dito de maneira bem simples, o pecado não faz parte do plano original de Deus para a humanidade, o pecado é um intruso, um invasor, um esbulhador, chamem como quiser. Creio que já escrevi sobre isso aqui no blog.
Achar que tudo tem que ter uma explicação "espiritual" é desconsiderar que as paredes são feitas de tijolos, e não de versículos bíblicos. O mundo é real, palpável, contém partículas materiais, tangíveis. Existe o odor, o calor, a matéria, enfim, existe o universo. Será que isso não sugere que nem tudo eu posso explicar pela metafísica?

Crise entre Equador, Venezuela e Colômbia

Nessa crise diplomática entre o Equador de Rafael Corrêa, a Venezuela de Hugo Chávez e a Colômbia de Álvaro Uribe, há algumas coisas a considerar:
É certo que a Colômbia não poderia invadir o território equatoriano, como de nenhum outro Estado soberano. Mas não é menos certo que o Equador está valorizando demais essa incursão militar, com um discurso severo e o rompimento de relações diplomáticas. O Equador está queimando etapas na solução do impasse. Isso é tema de direito internacional público.
A Venezuela não tem nada a ver com o assunto, mas Hugo Chávez xingou o presidente da Colômbia, rompeu relações diplomáticas com aquele país, e anda mobilizando tropas para a fronteira. O que esse sujeito quer?
Segundo o governo colombiano, foram encontrados documentos que indicam a doação de milhões de dólares às FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) por Hugo Chávez, e uma aproximação muito estranha entre Rafael Corrêa e as mesmas FARC, para libertar reféns a fim de aumentar o prestígio político do presidente do Equador - alguém acha isso impossível?
Enquanto isso, o Brasil, por meio do Chanceler Celso Amorim, limita-se a dizer que a Colômbia deve desculpas ao Equador, mas não deixa claro se considera as FARC um grupo terrorista ou não.
Para mim, a morte do Raúl Reyes foi importante porque a Colômbia luta contra o aprisionamento de cerca de 800 reféns. É um terrorista - além de outros 17 mortos - para 800 reféns.
O problema se agrava porque a) há uma refém de nacionalidade francesa; b) a movimentação militar ocorre muito perto da fronteira com o Brasil; c) os Estados Unidos apóiam a Colômbia no combate ao narcoterrorismo.
Creio que críticas injustas são feitas ao presidente da Colômbia, quando os vilões são os guerrilheiros. São eles, e não Álvaro Uribe, que mantém pessoas presas há anos, sob tortura e intensa pressão psicológica, como vivos, mas minguando a cada dia. Não é o presidente colombiano que tem culpa por um grupo terrorista praticar violações de direitos humanos. As FARC são as únicas culpadas nisso tudo, e com o bem provável apoio de Chávez e Corrêa, ou pelo menos sua conivência. Não vamos trocar as responsabilidades!
Os esquerdóides irão dizer que essa é uma disputa entre o capitalismo e o socialismo, entre o Império e os pobres países oprimidos da América Latina. Isso é pura ideologia, sem compromisso com a realidade, nem com as pessoas envolvidas.
Apesar de tudo, de todo esse estardalhaço que se faz, não creio que haverá uma guerra. E por que não haverá? Simplesmente porque Chávez e Corrêa não querem guerra. Eles querem tão-somente o barulho, a confusão, o achincalhamento do seu colega Uribe, a demonstração de que seu ego, quando ferido, não fica inerte.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O pragmatismo venceu?

Sempre que ouço o argumento de que determinado grupo evangélico está certo porque seus métodos estão "dando certo", não posso deixar de pensar em como o pragmatismo tem feito mal à Igreja brasileira. Com efeito, em vez de se indagarem quais os princípios bíblicos que inspiram os métodos desse ou daquele grupo, afirma-se logo que aquilo está promovendo o "crescimento da igreja", o "sucesso do ministério". Com isso, dão-se por satisfeitos os pragmáticos.
Definitivamente, não pode ser desse jeito! Jesus nunca foi pragmático! Ele venceu o mundo com os valores revolucionários do Reino de Deus, insertos [=inseridos] no Sermão do Monte (Mt 5-7). Jesus mostrou, com diversas parábolas, discursos e outros pronunciamentos, o quanto o Reino dos Céus é diferente do reino das trevas, do mundo que jaz no maligno. No Reino de Deus o bom é chorar, apanhar e até morrer, em lugar de rir, bater e viver à custa da justiça e do bem. Jesus inverteu os valores mundanos. É isso o que eu chamo de inversão de valores.
Se Jesus fosse pragmático, Ele não agiria como agiu, não morreria numa Cruz. Faria tudo diferente. Talvez aceitasse a proposta de Satanás no dia da tentação no deserto (Mt 4). Mas Jesus vivia por princípios, e não por resultados.
Alguns argumentam que Paulo justificou o pragmatismo com o texto de Fp 1.12-18. Dizem que o que importa é que o evangelho seja pregado, mesmo que mediante porfia, inveja, discórdia ou insinceridade.
Ora, o que o apóstolo está afirmando é que, embora preso, considera as conseqüências positivas de sua prisão, porque o evangelho se tornou conhecido de toda a guarda pretoriana e de tantas outras pessoas, e porque a maioria dos irmãos acabou se encorajando a pregar a Palavra, vendo o seu exemplo. Paulo preferia valorizar o lado positivo do problema. E, enquanto havia os que pregavam o evangelho "de boa vontade" (v. 15), outros usavam de "inveja e porfia" (v. 15), e isso "por pretexto", não "por verdade" (v. 18). Alguns evangelizavam, falavam de Jesus, mas numa competição unilateral em que julgavam vencer o apóstolo Paulo.
Paulo não está elogiando esse pessoal. O que ele diz é como que um balanço de custo-benefício: se o nome de Cristo é mencionado por eles, tomo o mal por bem, e espero que Deus conceda Salvação aos ouvintes. De maneira nenhuma se pode aplaudir o trabalho de invejosos, competidores, ciumentos, briguentos, porque eles praticam as obras da carne, que combatem o fruto do Espírito (Gl 5.19-23). Paulo não os enaltece nem os admira.
Outro aspecto a considerar: uma coisa é pregar o evangelho cultivando sentimentos estranhos à Palavra de Deus; coisa diversa é pregar algo que não é a Palavra de Deus.
No caso em tela, o apóstolo está lidando com pessoas que, embora invejosas e competitivas, estavam pregando a Cristo, como no caso dos líderes dissidentes que criam ministérios com o mesmo nome da denominações de origem, por causa de divergências administrativas ou vaidade, e mesmo assim ainda pregam o evangelho de Cristo. Algo muito diferente é o que acontece com os falsos profetas, falsos mestres, auto-intitulados apóstolos, que acrescentam muitas palavras à mensagem cristã. Desses homens - e mulheres - Paulo não diria que estavam pregando a Cristo.

Teologia do templo

Há poucos dias houve aqui em Campo Grande/MS a inauguração do templo central da Igreja Universal do Reino de Deus. É um templo suntuoso, admirável, enorme, como sói acontecer com os templos da Universal. Com todo o respeito a quem aprecia templos desse naipe, e a quem gosta muito da Igreja liderada pelo Bispo Edir Macedo, gostaria de refletir sobre a nossa concepção de templo, pois me parece que muitos crentes não sabem qual a teologia do templo no Novo Testamento.
Sim, começo por uma teologia do Novo Testamento porque estamos em igrejas neotestamentárias - ou não estamos? Os nossos templos diferem do Templo de Salomão, que centralizava o culto, e nem precisava ser tão imponente como Salomão quis que fosse. Deus permitiu a construção, Davi deu o desenho, Salomão construiu, mas o luxo ficou por conta de Salomão, e da exploração a que ele submeteu seus próprios compatrícios. De toda maneira, naquele momento, como no período do Tabernáculo no deserto, o Espírito Santo não habitava os corações dos adoradores, e era necessário haver um lugar sagrado em que Deus pudesse habitar.
Com a encarnação, morte, ressurreição, ascensão de Cristo e derramamento do Espírito Santo, iniciou-se uma nova etapa do povo de Deus, pois agora o Espírito habita os corações dos crentes, e isso de forma abundante e, digamos, universal. Não precisamos nos dirigir a um lugar especial para sermos aceitos por Deus. O lugar é especial porque nós somos especiais, e é sagrado porque nós o consagramos.
De fato, o templo evangélico é e pode ser chamado de santuário, Casa de Deus, Casa de Oração, mas só é assim porque ali existe um povo que se reúne para a adoração, oração e proclamação da Palavra. O templo evangélico não tem maior importância do que quaisquer outros objetos utilizados no serviço cristão, como instrumentos musicais e materiais para Escola Bíblica.
Hoje os templos somos nós, ou, mais precisamente, nossos corpos, porque somos morada do Espírito de Deus (I Co 6.19,20) - não é esse o sentido do templo, o lugar em que Deus reside? Quando estamos reunidos no templo, há, na verdade, vários templos, que são os crentes, cada um prestando sua adoração ao Deus verdadeiro, que procura adoradores que o adorem "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24).
Quando constrúo templos suntuosos e magníficos para que as pessoas digam: "Oh, Deus está aqui", minha teologia do templo está equivocada. Essa frase "Oh, Deus está aqui" deveria ser dita a partir do testemunho dos cristãos, e não da beleza arquitetônica do templo.
Por falar nisso, não sou da área de arquitetura, mas já conversei com uma arquiteta exatamente sobre essa questão de templos evangélicos formidáveis. Ela me disse, em outras palavras, que o prédio acaba tendo um valor mais simbólico do que funcional, porque as pessoas se admiram e se sentem atraídas pelo poder daquele lugar. É algo ideológico. Eu suspeitava disso, mas foi bom ouvir o parecer de uma profissional.
Os prédios precisam ser funcionais, e, se possível, podem ser bonitos, agradáveis. A arquitetura trabalha em favor da comodidade. Agora, construir templos como forma de causar espanto e demonstrar poder, isso não é nada neotestamentário. Posso dizer que isso não é cristão.
A Igreja Romana procedeu assim, e atualmente parece que está mais modesta em suas construções. A Igreja Universal repete o comportamento antigo da Igreja Romana. Não tenho muito a ver com romanos nem com universais. A questão é que isso causa impacto em minha igreja e nas igrejas espalhadas pelo Brasil, pois os crentes se perguntam se as coisas não deveriam ser mesmo desse jeito. Há com certeza uma admiração tácita pelo que a Igreja Universal anda fazendo, pelo número de pessoas que parecem segui-la, pelo poder midiático de que desfruta, pela grandeza de seus templos.
Entretanto, entendo que acima de tudo devem estar os princípios bíblicos. Se não for pela Bíblia, para onde iremos?

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Gostaria de estabelecer contato com você. Talvez pensemos a respeito dos mesmos assuntos, e o diálogo é sempre bem-vindo e mais que necessário. Meu e-mail é alexesteves.rocha@gmail.com. Você poderá fazer sugestões de artigos, dar idéias para o formato do blog, tecer alguma crítica ou questionamento. Fique à vontade. Embora o blog seja uma coisa pessoal por natureza, gostaria de usar este espaço para conhecer um pouco de quem está do outro lado. Um abraço.

Para pensar:

Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Bases de Fé

Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.