sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pastor não é guru

Por favor, vamos entender que o pastor não é um guru! O pastor não é um guia espiritual, um conselheiro à moda das religiões orientais!
Quando o autor da Carta aos Hebreus se refere aos pastores como "guias" (ARA), não se trata de líderes espirituais do tipo hindu, mas do tipo que prega a Palavra de Deus, do tipo que precisa servir de padrão para que as ovelhas o sigam e assim possam imitar sua conduta (Hb 13.7). Nesse sentido, o pastor é uma referência, um modelo, não por superioridade, mas por exigência ética de integridade, de consonância entre doutrina e testemunho, teoria e prática, kerigma (proclamação) e ação. Não é modelo em termos de ideal, mas de exemplo, serviço, comunhão com as ovelhas.
Pedro chama Jesus Cristo de "Pastor e Bispo da vossa alma" (I Pe 2.25). Só Jesus recebe esse título. Os pastores não são bispos de nossas almas. Eles não dirigem nossas vidas no nível da união mística, pois esse nível é exclusividade de Cristo. Só Jesus pode habitar o corpo humano por meio do Espírito de Deus. Só Jesus é o Maravilhoso Conselheiro (Is 9.6). Jesus é nosso Líder Espiritual!
Tratamos os pastores como verdadeiros gurus quando acreditamos que suas orações são mais fortes, melhores, fundamentais para que Deus ouça e opere. É mais recomendável orar com eles, e não simplesmente pedir que orem por nós. A oração do pastor não é mais forte do que a nossa. Ele não é um sacerdote diferente de nós. O sacerdócio é universal (I Pe 2.9).
Artistas e empresários adeptos de religiões orientais ou africanas têm seus líderes espirituais. Budistas fazem isso, hinduístas fazem isso, umbandistas e seus correlatos fazem isso. Os Beatles adotaram um guru indiano que os aconselhava na carreira. Muitas pessoas fazem isso. O comediante Ronald Golias, morto em 2006, seguia a suposta orientação de um espírito de um índio americano...
Não estou sendo agressivo, nem quero aproximar a Igreja de Cristo a religiões tão distintas. Critico a postura de crentes e pastores que acabam distorcendo a função do pastor, o qual é uma pessoa que exerce um dom voltado à liderança da igreja, mas não das almas das pessoas. É certo que o pastor aconselha, orienta, ora junto, exorta, conduz, administra o grupo, mas seu trabalho é sempre dirigido à igreja enquanto comunidade de fé, e não à orientação da alma do crente a uma condição superior, especial. Quem faz isso é Jesus, não há outro. Ele é o Único Mediador (I Tm 2.5).
Por mais que a Escritura aponte para o acesso a Deus por meio de Jesus, as pessoas querem outros intercessores, mediadores. Dessa forma foi que nasceram os "santos" católicos. O Homem acha difícil chegar a Deus, e então diz que vai pedir à mãe para o Filho atender...Não hesito em dizer que o comportamento de muitos crentes em ver no pastor um homem especial guarda alguma relação com a idéia de que Deus não é tão acessível assim...e que o pastor, supostamente mais qualificado, poderá ajudar de algum modo.
Especialmente no Brasil, a cultura popular é amplamente arraigada no Catolicismo e no misticismo, duas correntes que conduzem à noção errônea de que Jesus não é suficiente para mediar uma relação com o Criador.
É necessário pensarmos nisso com cuidado. Sei que o leitor pode ter alguma dificuldade em compreender, talvez, onde quero chegar, pois parece haver uma linha tênue entre o pastor da igreja e o pastor de almas. Uma coisa, porém, precisa ficar muito clara: o pastor da igreja não conduz o espírito humano. Quem conduz o espírito humano é Jesus Cristo.

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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.