terça-feira, 23 de março de 2010

O "espinho na carne" de Paulo

Especula-se sobre o que seria o "espinho na carne" referido pelo apóstolo Paulo, segundo o qual se tratava de um "mensageiro de Satanás", que o esbofeteava, a fim de que ele não se exaltasse em razão das excelentes revelações. Não devemos procurar respostas quando a Bíblia se cala (cf. Dt 29.29), e por isso não temos como afirmar se Paulo tinha uma enfermidade ou qualquer outra coisa. Os teólogos apontam possibilidades: enxaqueca, doença nos olhos (devido a Gl 4.12-15 e 6.11), problemas físicos decorrentes do apedrejamento na cidade de Listra - mas nada é conclusivo.
O fato é que Paulo orou três vezes para ser liberto daquele "espinho na carne" e não obteve o que desejava. Deus lhe disse simplesmente: "A minha graça de basta. O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Não sabemos o que foi o "espinho", mas sabemos qual a sua finalidade: dar a Paulo um limite, para que ele não se ensoberbecesse.
A expressão "espinho na carne" é uma metáfora, assim como o esbofeteamento de Paulo praticado pelo mensageiro de Satanás. Paulo sentia-se fustigado como que por um espinho, e agredido violentamente. Sabia que o inimigo tinha ódio dele, mas que todas as coisas só acontecem sob autorização divina. Paulo não "amarrou" Satanás, não se achou pior que os outros, não descreu em Deus, não ficou com raiva do mundo. Ele sabia que deveria sofrer por Cristo, pois isso lhe foi dito desde o início de sua caminhada cristã.
Ontem, quando eu dava aula sobre isso na Escola Bíblica Dominical, um senhor me perguntou se todo crente tem um "espinho na carne". Respondi que eu mesmo não tenho nenhum: "Tenho problemas, mas não tenho 'espinho na carne'". E expliquei: "Quanto mais se tem possibilidade de flutuar, maior deve ser o peso para prender ao chão". Como a capacidade de flutuação de Paulo era muito maior que a minha - dadas as revelações, que eu não tenho -, ele tinha seu "espinho". Eu tenho problemas, mas não considero que tenha algo parecido com o "espinho na carne". Admito, porém, que outros crentes podem passar por experiências dessa natureza com essa finalidade.
Quem tem maiores revelações recebe maiores responsabilidades - e talvez dores.

2 comentários:

João Armando disse...

Há muitos anos um pastor dizia (em tom jocoso) que achava que o espinho na carne de Paulo era... um presbítero!

nilo disse...

otima revelaçao irmao

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