quarta-feira, 24 de março de 2010

A resposta de Ultimato a quem questiona sua seriedade

Conheço a revista Ultimato há muitos anos, desde a Universidade, que, por sinal, fica em Viçosa, onde a editora se encontra. A partir de 1996, quando comecei o curso de Direito, conheci a família do Rev. Élben Magalhães Lenz César, fundador e diretor da revista e da editora Ultimato, bem como fundador do Centro Evangélico de Missões, da Rebusca (entidade de ação social) e pastor emérito e fundador da Igreja Presbiteriana daquela cidade. A Ultimato veio para mim, naquela segunda metade da década de 90, como um rico material teológico e eminentemente cristocêntrico.
Hoje, ao folhear a revista de março/abril deste ano, que veio às minhas mãos no dia de ontem, deparo com a Carta aberta aos que questionam a seriedade da revista Ultimato. E que carta! De uma forma que nunca vi eles fazerem, os principais responsáveis pela revista - entre eles o Rev. Élben - respondem às críticas de ser ela esquerdista, pós-modernista, ecumênica no mal sentido, e de dar espaço a ideias de irmãos como Ricardo Gondim, devido ao seu teísmo aberto, e a Bráulia Ribeiro, devido a seus "exageros" - que, por sinal, a revista admite no próprio texto.
Repito que nunca vi a revista se manifestar de maneira tão forte quanto ao que dizem a seu respeito. Mas foi necessário. Por mais que eu discorde da teologia relacional de Ricardo Gondim ou da estranha forma de escrever da missionária Bráulia Ribeiro - que parece gostar de chocar -, eles são colaboradores, e não editores. Além disso, há maneira melhor de pedir que a revista selecione ou supervisione os textos de seus articulistas, como tenho certeza que fazem, o que também dizem expressamente no mesmo texto. Afirmar algum tipo de "neocristianismo" em Ultimato é demais.
Demais disto, quem conheceu o Rev. Élben, como eu, não pode achar que ele não seja cristocêntrico. O assunto preferido do Rev. Élben é Jesus. Disso não tenho dúvida nenhuma. Ele é cristão e reformado, mas muito mais cristão do que presbiteriano ou calvinista. É, na verdade, um dos cristãos que tive o imenso prazer de conhecer: humilde, sincero, íntegro, fervoroso, sábio, inteligente, bíblico, amoroso e trabalhador. Uma referência em tempos difíceis. Um imitador de Cristo.
Conversando com um pastor, cheguei a afirmar que me preocupa alguma tendência esquerdista na Ultimato, a partir de uma afirmação que ele fez sobre a revista. Todavia, hoje em suas páginas vi o artigo de Norma Braga intitulado Por que não sou de esquerda. Isso é o bom pluralismo. Continuo pensando que algumas tendências podem ser reexaminadas, como essa visão um tanto de esquerda. Mas essa é a minha opinião, que pode estar completamente errada - ninguém é obrigado a ser conservador como eu, e a revista é, sim, conservadora quanto à doutrina e conservadora quanto a homossexualismo, aborto, eutanásia. Não penso em cancelar minha assinatura por causa de eventuais diferenças de pensamento. Gosto de Ultimato. Ela tem mais valores do que defeitos. Muito mais valores.
O Rev. Élben foi o primeiro pastor a fincar raízes em Viçosa. Recordo que os batistas diziam ter chegado lá primeiro, mas foram embora, e voltaram quando a Igreja Presbiteriana de Viçosa já estava instalada. A ABU (Aliança Bíblica Universitária), de que participei ativamente entre 1997 e 1999, tendo sido presidente em Viçosa, começou naquela cidade por influência do Rev. Élben e do hoje presbítero Dayson, que também é pesquisador e foi presidente da FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais). Na época em que chegou a Viçosa, seu Dayson andava assoviando hinos, a ver se algum crente o pararia na rua. Outros tempos aqueles. Poucos cristãos evangélicos e muitos católicos liderados por um padre que não desejava a permanência dos cristãos protestantes ali. Mas eles ficaram, cresceram e estão até hoje.
Dou esse depoimento porque acho injusto atacar a revista Ultimato da forma como alguns têm feito, sem responsabilidade e sem proporcionalidade.

2 comentários:

João Armando disse...

Confesso que eu sou um dos que já assinou a revista, depois chateou-se, cancelou a assinatura... ai arrependeu-se, renovou a assintatura, zangou-se novamente e cancelou de novo. E, até hoje, este que vos escreve não se dispôs a renovar a assinatura. Concordo com a seriedade do Pr. Elben. Conheci e convivi com um dos irmãos dele, o Pr.Éber César, tanto na África do Sul como em Recife. É gente da maior firmeza. Não obstante, não posso concordar com a linha editorial do Pr. Élben. Persistem artigos ordinários, para dizer o mínimo,na revista. Lembro-me de um, que veio num encarte, onde os articulistas ridicularizavam quem disciplinasse seus filhos com a vara, ou seja, com castigos físicos - tal como Salomão nos ensinou a fazer. Lembro-me que uma lei, aprovada pelo Congresso Nacional, proíbe isso - lei petista, da autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS). Pois é, o petismo não é chegado ao ensino bíblico... nem a Ultimato. Bem, admito que são conservadores nalguns assuntos, mas isso não justifica que publiquem bobagens e heresias - sim, heresias - de outros, em nome do tal "pluralismo". Ao agirem assim, fazem mal ao próximo, pecam contra a lei de Deus, que se resume no amor. Falam tanto em se tomar conta de crianças, e esquecem-se que a falta de disciplica é que faz com que muitos desses menores infratores, a quem tanto insistem em dizer que amam, e que tanto nos exortam a amar, pois é, prejudicam-nos, pois ensinam o povo que não devem discipliná-los como a Bíblia diz que devem fazer. Isso é só um exemplo. Para mim chega. Uma coisa é alguém ter ideias teológicas diferentes em questões secundárias ou periféricas, outra é o que eles fazem. Eles responderão por todos os textos ruins que publicaram desses dois irmãos (Ricardo Gondim e Bráulia) e vários outros. Também não gosto do puxa-saquismo romanista que fazem. Parece que ficam procurando, intensamente, na mídia, qualquer notícia que possa ser usada para agradar o romanismo, achando que assim, vão ganhá-los. Esquecem-se do grande mal que a doutrina romana tem feito em tantos lugares. Isso, lembro, de gente reformada, que teoricamente deveria ser quem mais tem ojeriza ao romanismo. Concordo que há, na revista, bons artigos, mas há outras publicações que também têm bons artigos sem se fazerem acompanhar do lixo que eles também publicam. Por enquanto, nem pensar em refazer a assinatura. Até porque a revista está disponível gratuitamente on line...
P.S. Por favor, publique o link da "resposta" deles. Procurei no site deles mas não encontrei.

Alex Esteves da Rocha Sousa disse...

João:

O link é http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2609&secMestre=2607&sec=2634&num_edicao=323

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Creio:
Em um só Deus e na Trindade.
Na inspiração verbal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão.
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a sua soberana vontade.
Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.