terça-feira, 2 de março de 2010

A importância da tradição apostólica

"Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito" (Jo 14.26).
"Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra" (Lc 1.1,2).
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos..." (At 2.42).
"De fato, eu vos louvo porque, em tudo, vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei" (I Co 11.2).
"Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi" (I Co 15.3).
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei" (I Co 11.23).

"Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos" (Fl 3.16).
"E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros" (II Tm 2.2).
"Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa" (II Ts 2.15).
"E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado..." (I Tm 6.20).

Fiz esse breve apanhado de versículos bíblicos para mostrar como a Escritura ressalta a importância das tradições apostólicas: Jesus deixou o Espírito Santo para nos lembrar de Suas palavras; os apóstolos, testemunhas oculares, tiveram a incumbência de transmitir a Palavra a outros, que, por sua vez, já sem a autoridade apostólica, deveriam transmitir a outros ainda, e assim sucessivamente. Foi desse jeito que o Evangelho chegou até nós.
Nos anos inaugurais da Igreja, não havia textos. O primeiro a escrever foi Paulo, tempos depois do Pentecostes. Assim, o povo dependia da tradição oral, do conhecimento passado adiante, da memorização e guarda das pregações e testemunhos dos apóstolos. Aos poucos, a Igreja foi colecionando o que considerava útil para a edificação. Tempos depois, formar-se-ia o Cânon como o conhecemos hoje.
Mas, até lá, a doutrina apostólica dependeu da perseverança em manter as Escrituras já reconhecidas pelas comunidades eclesiásticas. E não tenho dúvida de que o Espírito Santo coordenou tudo - aliás, como conceber um Deus tão cuidadoso em inspirar e descuidado em agrupar os Livros inspirados? Inadmissível. Creio, pois, no Deus que é poderoso para inspirar e também para coordenar a formação do Cânon.
Ouvi certa vez que "tradição é a doutrina viva dos mortos, e tradicionalismo, a doutrina morta dos vivos". Isso mesmo!
Há teólogos que gostam de inventar coisas. Não se contentam com as tradições. Têm que imaginar inovações as mais variadas.
São assim os teólogos liberais, entre eles os teólogos da Libertação, que inventaram um tipo teológico de marxismo. São assim os do Teísmo Aberto, que inventaram um deus fraco que não conhece o futuro e que não controla nada. São assim os pseudopentecostais - nem sempre teólogos acadêmicos - que inventaram um deus comerciante e relativista.
Entre os teólogos liberais e a tradição apostólica, fico com a tradição apostólica. É mais seguro observar a Palavra de Deus e não os pensamentos volúveis de homens cheios de ideias. Fico com a teologia ortodoxa, conservadora, fundamentalista, pentecostal-histórica, empreguem-se os adjetivos que se queiram. Mas fico com os fundamentos, com as doutrinas elementares, com as bases de Fé, com os princípios que sejam mais arraigados na Pessoa e Obra de Cristo. Ver-se-á que a simplicidade do Evangelho é a mais racional de todas as propostas teológicas e, ao mesmo tempo, a única que eleva o espírito a Deus. De verdade.


3 comentários:

João Armando disse...

Também fico com a tradição apostólica, ou seja, com as sagradas Escrituras - cuja inspiração é inerrante, verbal e plenária. "Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir." (Lutero

Alex Esteves disse...

Bela citação de Lutero.
Um abraço.

Anônimo disse...

Rev. Clevis
Paz e Bem, amado Alex Esteves.

Gostei do texto.Parabéns! Precisamos de TEÓLOGOS PENSADORES.Capases de produzir e não COPIAR como muitos o fazem.
Seu texto é reflexivo, contundente e CLARO.
Tem muita gente INVENTANDO COISAS por aí. Precisamos REPENSAR nossa TRADIÇÃO BÍBLICA e DOUTRINÁRIA para não INVERTARMOS ABSURDOS MODERNOS.

PARABÉNS ALEX.
PAZ E BEM.

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Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
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E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.