segunda-feira, 7 de abril de 2008

A disciplina do silêncio

Neste mundo de tanto barulho e de tantas vozes, é difícil nos dedicarmos ao silêncio. Há o burburinho das ruas, dos veículos, dos pedestres, dos anúncios, das buzinas, das fábricas. E há muitas vozes dizendo coisas diferentes, na TV, no rádio, na Internet, nos templos religiosos, nas praças públicas. Há muitos mestres auto-proclamados, há muita gente falando muitas coisas, achando que sabe demais, e há muitas músicas tolas tocando e enchendo as nossas cabeças.
Chegando sozinhas em casa, as pessoas ligam algum aparelho eletrônico, querem pelo menos ouvir a voz na TV ou no rádio, querem ouvir algum som para não se sentir solitárias. Vão dormir acompanhadas pela música romântica ou pelo filme das tantas horas. Estão apenas sozinhas, mas se sentem na solidão, e por isso fogem do silêncio. Ao acordar, essas mesmas pessoas saem falando sem refletir, e incorrem em muitos erros. Tomam decisões sem pensar, brigam sem pensar. Pecam por não pensar. E continuam fugindo do silêncio meditativo e circunspecto. As pessoas têm medo de si mesmas, do monstro que reside em seus corações.
O silêncio não é cultivado em nossos dias justamente porque esses monstros costumam falar quando as pessoas se calam. Enquanto há barulho, o monstro atua, mas é ele que fica em silêncio, agindo sutilmente. Quando as pessoas se calam, passam a ouvir a voz do monstro.
O salmista Davi compreendeu a necessidade de silenciar. No pequeno Salmo 131, ele diz que não é soberbo o seu coração, nem altivo o seu olhar; que não anda à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para si; que fez calar e sossegar a sua alma; como criança desmamada que se aquieta nos braços de sua mãe, assim é a alma do salmista.
O poeta silenciou porque quis fugir da soberba, preferindo esperar em Deus (v. 3). Em outras palavras, ele estava ciente de sua total dependência do Criador.
Em contrapartida, o mundo vive como se Deus não existisse. Ele não é consultado, não perguntam a Sua "opinião" sobre nenhum assunto. Então, é Deus Quem fica em silêncio.
Na verdade, Deus fala todos os dias, mas quantos querem ouvi-lO? Ele fala em Sua Palavra, fala por meio de pessoas que conheceram a Cristo como SENHOR e Salvador. Mas, se as pessoas não quiserem ouvir, Deus não as obrigará, e em suas vidas ficará em silêncio.
A disciplina do silêncio é importante. Quem fala demais não escuta ninguém. Tiago nos exorta a sermos tardios para falar e prontos para escutar (Tg 1.19). No Livro de Provérbios, há muitos versículos destinados ao cuidado com as palavras. Recomendo a leitura do Livro de Provérbios, bem como da Carta de Tiago, porque se ocupam especialmente da disciplina relacionada ao falar.
Jeremias também atentou para isso, pois em Lm 3.26-29, ele diz: "Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio. Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele; ponha a boca no pó; talvez ainda haja esperança".
O silêncio é uma disciplina pouco exercitada, mas muito proveitosa. Eu mesmo, que falo bastante - minha esposa pega no meu pé - preciso aprender a ficar calado e ouvir, tanto a voz de Deus quanto a voz dos outros.
Que Deus nos abençoe.

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Um dos terríveis problemas da Igreja evangélica brasileira é a falta de conhecimento da Bíblia como um sistema coerente de princípios, promessas e relatos que apontam para Cristo como Criador, Sustentador e Salvador. Em vez disso, prega-se um "jesus" diminuído, porque criado à imagem de seus idealizadores, e que faz uso de textos bíblicos isolados, como se fossem amuletos, peças mágicas a serem usadas ao bel-talante do indivíduo.

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Em um só Deus e na Trindade.
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Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal e sua ascensão aos céus.
Na pecaminosidade do homem, e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo é que pode salvá-lo.
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do Reino dos Céus.
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor.
No batismo bíblico em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo.
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus, através do poder do Espírito Santo.
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo.
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Na Segunda Vinda de Cristo.
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de Cristo.
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os infiéis.
E na vida eterna para os fiéis e morte eterna para os infiéis.